Armando a Comunidade Internacional — Parte 1: De 1900 a 1945

Autor: Carl Teichrib, Forcing Change, Volume 5, Edição 5.

Em um recente programa de rádio, fui questionado sobre as implicações internacionais de enviar forças para o espaço aéreo líbio. Embora eu não estivesse acompanhando as notícias minuto a minuto, a pergunta não me pegou desprevenido: R2P (Responsability To Protect) — a Responsabilidade de Proteger, também conhecida como Direito de Proteger.

Deixem-me dizer logo de início que não concordo com o governo inescrupuloso da Líbia, um governo que tem um histórico de repressão. De fato, a Jamairia (República) Árabe Popular e Socialista da Líbia (o nome oficial do país) está há muito tempo sob a liderança de um governante autoritário. Todavia, até alguns meses atrás, Muammar Gaddafi (ou Kadafi) e seu governo eram os queridinhos da comunidade internacional.

Em 2008, a Líbia exerceu a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas e, no ano seguinte, assumiu a liderança da Assembleia-Geral da ONU. No ano de 2010, a Líbia foi eleita para o Conselho dos Direitos Humanos da ONU e presidiu a União Africana. Hoje, ela é uma grande acionista no Banco Africano de Desenvolvimento e preside a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Em janeiro de 2011, a Líbia foi elogiada pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU em seu Relatório do Grupo de Trabalho Sobre a Análise Periódica Universal: a Jamairia Árabe da Líbia — que aplaudiu o "compromisso do país em respeitar os direitos humanos em seu território".

Em seguida ocorreram os protestos, as reações brutais do governo, os confrontos armados, um aumento súbito no número de refugiados que fugia do país — incluindo mortes de refugiados no Mar Mediterrâneo, a tomada de posição pelos líderes mundiais e ataques aéreos por uma coalizão que inicialmente vacilou entre "derrubar" ou "não derrubar" Gaddafi.

A crise líbia está em curso enquanto escrevo este artigo e a situação final ainda não é clara. Apesar disso, a pergunta do meu entrevistador no programa de rádio não foi difícil de responder. Esta ação contra a Líbia, seja correta ou errada, reforçará a agenda do Direito de Proteger. Nas palavras da Coalizão Internacional para a Responsabilidade de Proteger: "Se a ONU e a OTAN tivessem deixado de tomar medidas mais fortes, estaríamos agora sendo questionados se o compromisso com o Direito de Proteger tem mesmo algum valor." (ICRtoP Briefing, Impacto da Ação na Líbia Sobre a Responsabilidade de Proteger, maio de 2011, pág. 2).

Examinaremos em maiores detalhes e criticaremos a "Responsabilidade de Proteger" na parte final desta série. Entretanto, uma breve introdução é necessária, pois a Responsabilidade de Proteger representa a manifestação da "autoridade internacional" e da "força internacional". Basicamente, R2P diz que quando um país deixa de salvaguardar adequadamente seus próprios cidadãos, a comunidade global tem a responsabilidade de intervir ativamente por meio do uso da força coletiva. No ambiente atual, isso inclui o genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e outros crimes similares contra a humanidade. Claramente, uma moral elevada estrutura a percepção pública e política da Responsabilidade de Proteger. Todavia, existem contradições e preocupações significativas, incluindo a intervenção humanitária como um pretexto para outros objetivos geopolíticos.

De forma perspicaz, David Chandler, professor titular de Relações Internacionais na Universidade de Westminster, reconhece que algo maior está em jogo — uma versão tecnocrática da gestão internacional sob a rubrica da "boa governança":

"Para a ONU e para a R2P como ela existe hoje, não é o aspecto da intervenção (ou reação) que é central, mas a continuidade da supervisão internacional que é crucial. A ONU transformou a questão da intervenção humanitária, que nos anos 1990s ameaçou solapar sua autoridade — questionando os direitos soberanos dos países-membro e a autoridade do Conselho de Segurança da ONU sobre a intervenção — em uma questão de governança internacional que afirma a autoridade moral da ONU sobre as Grandes Potências e os Estados pós-coloniais."

"Fundamental para isto tem sido a defesa por parte da ONU de uma agenda administrativa e tecnocrática de 'boa governança' como solução para diversos problemas, desde desenvolvimento até prevenção de conflitos."

"R2P depende do conceito que especialistas técnicos e administrativos, que não sejam políticos, coordenados por meio da ONU podem compreender, evitar e solucionar os conflitos. O conceito da R2P somente funciona reduzindo-se os problemas sociais, econômicos e políticos para as questões técnicas e administrativas de governança institucional." — David Chandler, "Unravelling the Paradox of The Responsibility to Protect", Irish Studies in International Affairs, Vol. 20, 2009, pág. 34.

A observação do professor Chandler não é sem base. Perceba ele ou não, R2P emana de um desejo dos Federalistas Mundias profundamente assentado, um conceito estruturado em torno da ideia de gerir o cenário internacional por meio de instrumentos técnicos e jurídicos da Lei Internacional, dos tribunais internacionais e da força internacional.

Prelúdio Sobre a Cronologia

Em artigos anteriores, fiz alusão ao assunto do Direito de Proteger e de uma "polícia mundial" e, em julho de 2001, tive a oportunidade de fazer uma apresentação sobre "segurança coletiva" durante a conferência Liberdade 21, em Saint Louis, no estado americano do Missouri. Para mim, esse assunto tem sido de interesse desde 1995 quando li um relatório do governo canadense que advogava a formação de um aparato militar, policial e de inteligência internacional — a ser financiado, em parte, por meio de um tributo sobre as movimentações financeiras internacionais. Embora a pesquisa sobre esse conceito tenha me ajudado a compreender melhor o quebra-cabeças global, estive relutante em escrever sobre o assunto de uma maneira mais significativa. A principal razão, suponho, é o fato de saber que o tópico precisa ser desenvolvido em um livro inovador. Infelizmente, não disponho da energia e dos recursos materiais para iniciar um projeto dessa envergadura, mas acho que uma cronologia será muito útil para dar uma boa compreensão do quadro grande. Portanto, o propósito desta série "Armando a Comunidade Internacional" é claro: demonstrar a continuidade de uma grande ideia — o sonho de uma força militar global para impor as normas globais.

Na apresentação deste tópico como uma cronologia, compreenda que nem todas as peças podem se encaixar perfeitamente, pois cada item individual pode representar diferentes movimentos e diferentes circunstâncias. Mas, existe um tema comum:

  1. Um sistema de Direito Internacional precisa ser estabelecido.

  2. Um sistema judicial internacional precisa se tornar operacional.

  3. As nações precisam aderir às normas globais, conforme estabelecidas pelo Direito Internacional e pelas cortes internacionais.

  4. Os Estados que não se submeterem poderão sofrer medidas punitivas.

  5. Portanto, a Comunidade Internacional precisa ter um braço de imposição da lei: uma polícia internacional, ou uma força militar que possa ser usada como um instrumento eficaz para manter a ordem internacional.

Tudo isto, somos informados, é necessário para assegurar a "paz mundial".

Cronologia: de 1900 até 1945

* As referências das fontes estão listadas com cada item da cronologia.

Nota: Esta cronologia não está completa.

1900: A Alemanha lidera uma expedição naval internacional (a Aliança das Oito Nações) contra a China durante o Levante dos Boxers. O estadista holandês e ex-Ministro da Guerra, J. C. C. den Beer Poortugael, descreveu a expedição como "um impressionante ... conjunto de forças policiais internacionais." — Veja War Obviated by an International Police (The Hague: Martinus Nijhoff, 1915) págs. 102-103.

1900: A Conferência de Haia, de 1899 colocou sobre a mesa diversas codificações a respeito de conduta nos períodos de guerra e uma Corte Permanente de Arbitragem foi criada para solucionar as disputas internacionais. Na primavera de 1900 alguns desses acordos jurídicos entraram em vigor, abrindo assim um novo século com o embrião de uma "Lei Internacional", embora ela somente se referisse à guerra e à solução de disputas.

1901: O décimo Congresso Internacional da Paz foi realizado em Glasgow, na Escócia. "Ele se tornou uma central de distribuição de informações sobre o movimento de paz e agora está afiliado com a Organização das Nações Unidas." (http://www.indiana.edu/nobel/peacecongress.html). A Lei Internacional e um processo internacional de arbitragem foram advogados pelo Congresso Internacional da Paz.

1901-1910: Uma série de tratados de arbitragem e outros acordos são desenvolvidos sob a lógica dos ajustes internacionais. A motivação inicial para muito disto derivou das Convenções de Haia de 1899 e 1907. As elites daquele tempo previram que uma nova ordem internacional surgiria por meio do Direito Internacional.

No discurso "Estado da União" do presidente americano Theodore Roosevelt (em 6 de dezembro), ele afirmou o direito independente das nações, porém explicou que se um país se envolver em "atitudes cronicamente erradas", os EUA poderão ser forçados a relutantemente exercer o papel de uma "força policial internacional". Esses comentários elevaram a esperança de uma irmandade internacional emergente. Mais tarde, em 1915, o discurso de Roosevelt serviu como pano de fundo para o livro War Obviated by an International Police (The Hague: Martinus Nijhoff, 1915).

1905: O livro World Organization (Organização Mundial) é publicado. O autor, Raymond L. Bridgman, propõe uma "unidade mundial" que englobaria um processo legislativo internacional, uma corte mundial, uma consciência global e uma força militar ou policial mundial. — Raymond L. Bridgman, World Organization (The International Union/Ginn & Company, 1905).

1910: O reitor da Universidade de Colúmbia, Nicholas Murray Butler, convence o magnata da indústria siderúrgica Andrew Carnegie a criar o Fundo Carnegie para a Paz Internacional. Carnegie, que já tinha acesso à liderança presidencial americana e tinha anteriormente proposto uma União Britânica-Americana, tinha agora um instrumento filantrópico substancial disponível para promover o internacionalismo. "Alcovas da Mente" foram eventualmente criadas em bibliotecas em diversas cidades dos EUA para promover uma cosmovisão globalista; a exploração do direito internacional e a governança se tornaram princípios básicos do Fundo Carnegie. Por sua própria admissão, o Fundo era um "instrumento não oficial de política internacional" e, por meio dessa organização, Nicholas Butler podia atuar como o "formador da mente internacional e ministro sem pasta para a paz mundial". Butler se tornou o membro mais influente da diretoria do Fundo até 1945.

— Para "instrumento não oficial", veja Tax-Exempt Foundations, Report of the Special Committee to Investigate Tax-Exempt Foundations and Comparable Organizations, House of Representatives, 83rd Congress, Second Session, December, pág. 172.

— Para a declaração "ministro sem pasta", veja Michael Rosenthal, Nicholas Miraculous: The Amazing Career of the Redoubtable Dr. Nicholas Murray Butler (Farrar, Straus and Giroux, 2006), pág. 218.

1910: Durante seu Discurso ao Receber o Prêmio Nobel, Theodore Roosevelt advogou o federalismo mundial:

"Não posso deixar de pensar que a Constituição dos EUA, notavelmente no estabelecimento da Suprema Corte e nos métodos adotados para garantir a paz e boas relações entre todos os diferentes estados, oferece certas analogias valiosas para aquilo que devemos nos esforçar para conseguir por meio dos Tribunais de Haia e das conferências: uma espécie de federação mundial para a paz e a justiça internacionais."

Roosevelt acrescentou: "Cada nação precisa se manter bem preparada para se defender até o estabelecimento de alguma forma de poder policial internacional..." Ele observou que uma combinação de países trabalhando juntos pode ser o modo mais aceitável de obter esse objetivo e que "o governante ou estadista" que puder fazer esses sonhos frutificarem receberá "a gratidão de toda a humanidade". — O discurso de Theodore Roosevelt ao receber o "Prêmio Internacional da Paz" foi feito em 5 de maio de 1910. O texto completo desse discurso pode ser encontrado em http://www.Nobelprize.org.

1910: A Liga da Federação Mundial, baseada em Nova York, é formada. Embora tenha tido pouca duração, a organização foi influente na decisão do Congresso em 1910 para estudar "a paz universal". — Milestones of Half a Century: What Presidents and Congress Have Done to Bring About a League of Nations (Sem editor, a data parece ser 1917), pág. 31.

1910: Uma resolução (H. J. Res. 223) é apresentada na Casa dos Representantes dos EUA autorizando uma Comissão do Congresso a dar assessoria sobre a paz universal:

"Que uma comissão de cinco membros, indicada pelo presidente dos EUA, considere a adequação de utilizar as agências internacionais existentes para o propósito de limitar os armamentos das nações do mundo, por meio de um acordo internacional, e constituir com as Marinhas combinadas do mundo uma força internacional para a preservação da paz universal; e que considere e reporte quaisquer outros meios de diminuir os gastos do governo para propósitos militares e reduzir as possibilidades de guerra."

Durante as oitivas, o congressista Bartholdt disse à Casa que um movimento já existe para combinar os poderes militares da Grã-Bretanha, Alemanha e dos EUA em uma força mundial — uma polícia internacional para impor as decisões juridicamente legais de Haia.

"O trabalho da organização mundial ou federação mundial foi auspiciosamente iniciado com a criação da Corte de Haia, e não propomos que pare aqui, mas precisamos insistir que as condições modernas que impressionam todos com a interdependência absoluta das nações imperativamente exigem sua rápida conclusão."

O Secretário da Marinha dos EUA apoiou a ideia em princípio, porque essa força internacional deveria estar centrada em uma Marinha mundial. Entretanto, o Secretário da Marinha observou que existiam grandes obstáculos. Mais tarde, o presidente Taft disse à sua Comissão do Congresso que tinha convidado líderes de outras nações para responderem "conforme sua disposição de cooperarem conosco" formando seus próprios comitês e assim formularem uma ação conjunta "para tornar o trabalho deles mais eficaz". Finalmente, o congressista Bennet, de Nova York, informou a Casa dos Representantes que o gabinete britânico respondeu com favor — na verdade, Sir Edward Grey, o secretário britânico das Relações Exteriores, expressou que seu governo estava preparado para considerar a ideia. — Veja War Obviated by an International Police (The Hague: Martinus Nijhoff, 1915) págs. 179-183, 220.

1911: Argumentando a favor de uma organização internacional para a paz mundial, o almirante holandês H. E. van Asbeck recomenda que as nações coloquem "todos seus armamentos navais à disposição da organização internacional, lançando assim de uma vez todo o peso de seus poderios navais na balança." O almirante sugere que uma "junta de almirantes tenha assento em Haia..."

Na Grã-Bretanha, T. J. Lawrence (um especialista em assuntos jurídicos) escreve que "a guerra durará, até que Estados tirânicos e inescrupulosos sejam restringidos pelos tribunais internacionais e por uma forte força policial internacional." — Veja War Obviated by an International Police (The Hague: Martinus Nijhoff, 1915) págs. 85-86, 89, 208.

1911/1912: A Fundação da Paz Mundial, que tinha um relacionamento especial com Andrew Carnegie e Nicholas Murray Butler, publica um panfleto intitulado Boa Vontade Internacional Como um Substituto para os Exércitos e Marinhas. O texto propõe a criação de uma "Corte Internacional de Justiça Arbitral" um oficial "Congresso Internacional" e um "Código de Leis Internacionais". Tudo isto seria apoiado por um Protetorado Internacional e uma Polícia Internacional — "um Exército e uma Marinha internacionais... a princípio tendo uma função muito limitada e depois ampliada, tudo de acordo com os termos do tratado." — William C. Gannett, International Good-Will as a Substitute for Armies (World Peace Foundation, 1911/1912), pág. 11.

1912: Em um discurso diante da Sociedade da Paz em Washington, Robert Stein sugere várias abordagens para a paz mundial, incluindo uma Curadoria ou Liga da Civilização — um acerto por meio do qual a Grã-Bretanha, França, Alemanha e os EUA "fariam o que fosse necessário para constituir uma polícia internacional." — Robert Stein, An International Police to Guarantee the World’s Peace (World Peace Society, 1912), pág. 6.

1912: O ex-Ministro da Guerra da Holanda, J. C. C. den Beer Poortugael, advoga o distante, mas "talvez não inacessível" objetivo de "um Exército e Polícia internacionais". Dentro desse sistema, "os Estados somente retêm para si mesmos um Exército ou Polícia para a preservação da ordem interna." No mesmo ano, o professor alemão de direito, Walther Schuecking, explica que uma força internacional será necessária para impor "todo o complexo da Lei Internacional, como ela foi codificada em Haia." - Veja War Obviated by an International Police (The Hague: Martinus Nijhoff, 1915) pág. 99, 201.

1912: O livro de Nicholas Murray Butler sobre internacionalismo é publicado; The International Mind: An Argument for the Judicial Settlement of International Disputes (Charles Scribner’s Sons, 1912). Butler vincula a evolução da lei internacional como parte do processo de Haia e recomenda uma força policial mundial.

1913: Frustrado pelas Conferências de Paz, o professor holandês de direito Cornelius van Vollenhoven argumenta que a Lei Internacional e uma Corte Mundial somente podem funcionar de forma prática se existir uma força policial internacional e que essa força opere sob uma autoridade juridicamente legal que esteja acima dos governos nacionais. — Veja War Obviated by an International Police (The Hague: Martinus Nijhoff, 1915), pág. 54.

1913: Financiado por Andrew Carnegie, o Palácio da Paz, em Haia, abre oficialmente suas portas. O Tribunal Permanente de Arbitragem (que foi formado em 1899) muda-se para o Palácio da Paz. Em 1913 ocorre também a inauguração da Biblioteca do Direito Internacional do Palácio da Paz, que ainda existe hoje. O Palácio da Paz eventualmente passa a abrigar a Academia do Direito Internacional de Haia e a Corte Internacional de Justiça. Muitos intelectuais e membros das elites prevêem que o Palácio da Paz se tornará um centro para uma Autoridade Mundial.

1913: Andrew Carnegie diz a uma audiência no Palácio da Paz que o futuro da humanidade está na ideia de todas as nações trabalharem juntas "em que a Fraternidade reine sob o escudo da Paz". Isto, ele descreveu melhor, deve iniciar com "um entendimento envolvendo três ou quatro das principais nações civilizadas..."

Assim, o núcleo de um autoridade mundial surgirá a partir dos poderes nacionais dominantes. Outras nações menores, ele esperava, logo participarão, garantindo assim a paz mundial.

"Estas grandes potências devem então atuar em conjunto contra os perturbadores da Paz Mundial, se qualquer um desses se apresentarem, o que dificilmente será possível a partir do momento em que essa associação que mencionei se tornar um fato consumado." — Veja War Obviated by an International Police (The Hague: Martinus Nijhoff, 1915) pág. 185.

1914: Andrew Carnegie cria e financia a Church Peace Union e desse modo influencia o Conselho Federal de Igrejas. Em sua primeira resolução, assinada em 10 de fevereiro de 1914, a Church Peace Union propôs a cooperação internacional por meio da "arbitragem das disputas internacionais". O documento enfatizava que as Grandes Potências informem o mundo de seu desejo de manter a paz nos oceanos, pois as "três nações teutônicas, Alemanha, Grã-Bretanha e os Estados Unidos, povoados em grande parte pelos filhos e filhas das duas primeiras", estão envolvidos no comércio internacional e "possuem para sua proteção a maior parte do poder naval do mundo". Assim, elas têm o direito de criar um "caminho sagrado para o comércio pacífico, promovendo a irmandade do homem." A resolução é um chamado para a eliminação da guerra e uma tênue justificativa velada para as "três nações teutônicas" atuarem como polícia do mundo. — Church Peace Union, Resolução aprovada pela Church Peace Union: Fundada por Andrew Carnegie, em seu Primeiro Encontro, 10 de fevereiro de 1914.

1914 (18 de outubro): O jornal The New York Times publica uma entrevista com Nicholas Murray Butler. O reitor Butler admite que a "organização internacional do mundo já progrediu muito mais do que é normalmente compreendido". Ele diz aos leitores que:

"... chegará o tempo em que cada nação depositará em uma federação mundial certa porção de sua soberania para o bem geral. Quando isso acontecer, será possível estabelecer um executivo internacional e uma polícia internacional, ambos planejados para o propósito especial de impor as decisões do tribunal internacional." — Nicholas Murray Butler, A World in Ferment (Charles Scribner’s Sons, 1918), pág. 34, 36.

1914: Theodore Roosevelt: "O que proponho é uma Utopia operacional e realizável. Minha proposta é que as nações civilizadas eficientes — aquelas que são eficientes tanto na guerra como na paz — se unam em uma liga mundial... para agirem com a força militar combinada de todas elas contra qualquer nação recalcitrante..." — Veja War Obviated by an International Police (The Hague: Martinus Nijhoff, 1915), pág. 150.

1914: O Partido Socialista da América redige o manifesto "Desarmamento e Paz Mundial". Nele, o Partido propõe um Tribunal Internacional, um "Congresso Internacional... sobre as questões internacionais" e uma "força policial internacional". Além disso, o manifesto advoga uma "Federação das classes trabalhadoras do mundo em uma liga da paz." — Desarmamento e Paz Mundial: Manifesto Proposto e Programa do Partido Socialista da América, 26 de dezembro de 1914, pág. 3.

1914-1918: O verão de 1914 testemunha a deflagração da Primeira Guerra Mundial, que engolfa a Europa, partes do Oriente Médio e da África. Chamada de "Guerra para Acabar com Todas as Guerras" e "Grande Guerra', o custo em vidas foi substancial: de 9 a 10 milhões de mortes, aproximadamente 20 milhões de feridos e outros 7 milhões de desaparecidos em ação. O poder da indústria moderna foi utilizado no campo de batalha, introduzindo as campanhas aéreas, ataques com armas químicas, batalhas de tanques, ações eficazes com submarinos e a devastação causada pelas metralhadoras. Considerada por muitos em seus primórdios como uma aventura cavalheiresca, a Grande Guerra rapidamente se transformou em um moedor de carne de proporções inimagináveis. Quando a guerra terminou, em novembro de 1918, a Europa estava devastada e Grandes Potências anteriores, como o Império Otomano e a Rússia Czarista tinham ruído. Embora não tenha sido a primeira guerra em que as nações se uniram como parceiras contra um inimigo em comum (isto aconteceu de ambos os lados), a abrangência sem precedentes do conflito acentuou a necessidade para a colaboração global.

1915: Um movimento baseado nos EUA composto por líderes políticos e empresariais forma a Liga Para Impor a Paz. O propósito é criar um clima favorável para uma liga internacional. Essa Liga Para Impor a Paz", se viesse a existir, teria poderes judiciais e militares para impor as leis internacionais. "Como o infrator precisa ser restringido pela força em nossas comunidades locais, assim também o infrator precisa ser restringido pela força na comunidade das nações. A força que é proposta para ser usada pela Liga para Impor a Paz, econômica e militarmente, é essencialmente uma força policial..." — Enforced Peace: Proceedings of the First Annual National Assembly of the League to Enforce Peace, Washington, May 26-27, 1916 — With an Introductory Chapter and Appendices Given the Proposals of the League, Its Officers and Committees (League to Enforce Peace, 1916), pág. 7-8, 20.

1916: O presidente norte-americano Woodrow Wilson endossa a organização mundial: "... os EUA estão dispostos a se tornarem parceiros em qualquer associação viável de nações formadas... Sinto que o mundo está agora mesmo na véspera de uma grande consumação, quando alguma força comum será trazida à existência e que salvaguardará o direito como o primeiro e mais fundamental interesse de todos os povos e todos os governos, quando a coerção será chamada não para o serviço da ambição política ou da hostilidade mesquinha, mas para o serviço de uma ordem comum, uma justiça comum e uma paz comum." — Milestones of Half a Century: What Presidents and Congress Have Done to Bring About a League of Nations (Nenhum editor, a data parece ser 1917), pág. 39.

1917: Em 28 de dezembro, o Partido Trabalhista Britânico adota uma política de paz durante a Conferência Nacional do Trabalho, propondo uma "autoridade supranacional, ou Liga das Nações... a qual todos os outros Estados soberanos e independentes do mundo devem ser pressionados a aderir..." — "British Labor’s Peace Policy", Advocate of Peace, fevereiro de 1918, pág. 48.

1917-1922: Uma série de ações e protestos culmina na Revolução de Outubro, na Rússia, testemunhando a ascensão bem-sucedida dos bolcheviques em 1917. O comunismo como uma ideologia política encontrou expressão por meio do sistema soviético e acreditava-se que o mundo estava maduro para a revolução (em 1905, Vladimir Lenin anunciou que "um exército internacional do socialismo estava se preparando para a grande e decisiva luta" — The First Victory of the Revolution, 19 de outubro).

Um lado pouco lembrado deste período é a situação multinacional com relação à Guerra Civil Russa. Logo após o encerramento da Primeira Guerra Mundial, em novembro de 1918, tropas americanas, britânicas e canadenses — junto com forças de outras nações — enfrentaram o Exército Vermelho e suas facções em solo russo. A Polônia e outras partes da Europa Oriental, Finlândia e a região do Báltico, a Ucrânia e a zona transcaucasiana foram impactadas. Durante o mesmo período, revolucionários comunistas na Alemanha procuraram prevalecer durante o caos pós-guerra (esta situação continuou até 1923, porém efeitos menores duraram ainda mais uma década).

A intervenção aliada na Rússia se desintegrou e, por volta de 1922 a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas estava formalmente operacional. O número de mortos, feridos, desaparecidos e desabrigados com a Revolução Russa e a Guerra Civil não são claros; entretanto, estima-se que 10 milhões perderam suas vidas. Expurgos internos, operações de terror e campanhas de extermínio marcaram esta série sangrenta de eventos.

O cenário para o conflito ideológico global tinha sido preparado. No contexto comunista, o mundo está dividido em uma luta gigantesca entre as forças do capitalismo e do comunismo; com o capitalismo global alinhando-se por meio da Liga das Nações e o comunismo promovendo uma revolução internacional por meio de um exército mundial de trabalhadores e agitadores.

Scott Nearing, um influente socialista norte-americano, escreveu o seguinte em seu livro de 1944, United World:

"Antes que os povos do mundo possam dar as mãos em uma comunidade cooperativa, o Estado burguês precisa ser destruído por meio da conversão da guerra imperial (a Primeira Guerra Mundial) em guerra civil. Em lugar do Estado burguês precisa surgir o Estado do trabalhador. Isto, por sua vez, precisa dar lugar a um mundo soviético, com sua vida mundial coordenada e planejada. O sovietismo apresentou um plano funcional para um mundo unificado."

"Os Sovietes Russos em 1917 e 1918 transmitiram para todo o mundo suas propostas para paz, pão e liberdade dentro de um sistema mundial soviético. Os líderes do movimento escreveram, falaram e organizaram em termos de uma iminente revolução mundial e o estabelecimento de uma sociedade mundial." — Scott Nearing, United World (Island Press, 1944), págs. 121-122.

1917: O livro State and Revolution (Estado e Revolução), de V. I. Lenin é publicado. "Para a completa extinção do Estado, o Comunismo completo é necessário (pág. 78 na impressão de 1969). A abordagem é evolucionária: do feudalismo para o capitalismo, depois um período transitório — Socialismo, uma fase inferior do Comunismo — depois o Comunismo em seu estágio mais elevado de maturidade.

1918: O presidente norte-americano Woodrow Wilson faz seu discurso dos Quatorze Pontos. O ponto 14 é um chamado para formar uma associação de nações dentro do contexto da independência política e integridade territorial.

1919: A Conferência de Paz de Paris estabelece a Liga das Nações e delineia os termos de reparação para a Alemanha (o que mais tarde será usado como combustível para a ascensão do Nazismo). Redução nacional dos armamentos e obrigações internacionais para imposição são parte do Acordo da Liga das Nações. Embora a liderança americana tenha tido um papel fundamental na criação da organização, os EUA no fim se recusaram a ingressar.

1919: Um Encontro Especial do Partido Trabalhista Britânico e do Congresso dos Sindicatos aprova uma resolução propondo o desarmamento geral e nacional e que a Liga das Nações possua "as forças necessárias para os propósitos de ação policial" — Labour and the Peace Treaty (The Labour Party, 1919), pág. 23.

1919: Em Berna, o Partido Trabalhista Independente realiza um encontro com a Internacional Socialista sobre "Socialismo Internacional e Paz Mundial." Embora celebre abertamente a Revolução Russa, a Conferência de Berna também apoiou a Liga das Nações como uma agência global para a reestruturação militar e organização mundial." A Liga das Nações deveria abolir todos os exércitos permanentes e, finalmente, trazer o total desarmamento... A Liga das Nações deveria criar um Tribunal Internacional, que, por meio da mediação e arbitragem, resolveria todas as disputas..." — International Socialism and World Peace: Resolutions of the Berne Conference, fevereiro de 1919 (Independent Labour Party; Socialist International, 1919), pág. 4.

1920 a 1946: A Liga das Nações tem suas sessões. Ao longo dos anos, ela obtém algumas vitórias, porém seus fracassos e as fraquezas da organização a condenam. Em 1946 ela é oficialmente dissolvida.

1920: A Internacional Comunista propõe "um aparato ilegal paralelo" nos países capitalistas de modo a ajudar o Partido no momento decisivo da revolução. Um apelo adicional é feito aos partidos que queiram se alinhar com a Terceira Internacional. [Todo partido]... precisa demonstrar sistematicamente para os trabalhadores que sem a derrubada revolucionária do capitalismo, nenhum Tribunal Internacional de arbitragem, nenhum desarmamento, nenhuma reorganização 'democrática' da Liga das Nações salvará a humanidade de novas guerras imperialistas. Em outras palavras, nenhum verdadeiro Estado mundial — com tribunais, desarmamento e uma Liga mais fortalecida — surgirá até que o capitalismo seja erradicado e a revolução socialista mundial seja vitoriosa." — The Comintern, "The Twenty-One Conditions of Admission into the Communist International", Readings in World Politics, Volume III (American Foundation for Political Eduction, edição de 1952), pág. 164-165.

1920: Um artigo lançado pelo Partido Comunista da Grã-Bretanha diz em parte: "Os processos econômicos do capitalismo levam, repetimos, à guerra. Os processos políticos do capitalismo, baseados em seu Estado nacional e territorialmente estruturado, não podem criar a paz. A paz somente poderá vir com uma República Internacional construída por uma série de Repúblicas Soviéticas Federais..."

"Vale a pena lutar pela paz internacional e pela emancipação? Se você acha que sim, o Partido Comunista precisa de você. Ele é a força de recrutamento, na Grã-Bretanha, para os voluntários para a revolução mundial. É o partido que afia sua teoria revolucionária como uma arma de luta. Se você deseja o fim da guerra com a Polônia, se deseja a paz com a Irlanda, Índia, Mesopotâmia, Egito, etc., junte-se ao Partido Comunista. Ele está ligado, por meio da Terceira Internacional, com os trabalhadores revolucionários de todos os países. No seu bairro há uma agência local de recrutamento. Ingresse no regimento local de combatentes vermelhos. Identifique-se com o batalhão britânico! Você estará então no exército internacional que está avançando para o Comunismo e para a Paz! — William Paul, "Minerals and World Power", (Partido Comunista da Grã-Bretanha, 1920). Veja os arquivos em www.Marxists.org.

1921-1937: Uma série de encontros da Liga das Nações, conferências preparatórias, e encontros internacionais ocorrem sobre a questão do desarmamento — particularmente em termos de operações navais. Dramas diplomáticos, discussões de tratados e pactos, impasses e fracassos marcam estes anos da Liga.

1923: H. G. Wells, frustrado com a Liga das Nações baseada em Genebra, escreve:

"Acredito que o poder de se preparar para a guerra e de fazer a guerra precisa ser retirado dos Estados separados... e que por fim precisa existir uma Confederação de toda a humanidade para manter a paz em todo o mundo."

"A Liga que desejávamos deveria ter sido a primeira conferência a terminar propondo um governo federal para toda a Terra. Ela deveria ter controlado os sistemas bélicos desde o início, restringido ou abolido todas as firmas privadas de armamentos, criado e mantido um padrão monetário internacional, uma legislação trabalhista, um padrão para a saúde e a educação..."

Mas, de acordo com o Sr. Wells, essa ordem internacional não envolveria o envolvimento imediato de todas as nações, somente aquelas com mais poder.

"Se meia dúzia dos maiores sistemas políticos do mundo, ou até mesmo somente dois ou três, pudessem se unir para criar um padrão monetário comum, um controle comum do transporte, um tribunal civil, uma união aduaneira, um sistema de defesa mútua, e uma garantia comum de desarmamento, eles alcançariam mais do que é possível por essa organização que existe em Genebra." — H. G. Wells, A Year of Prophesying (Ryerson Press, 1924), pág. 9, 10, 30.

1924: No ano anterior, o editor e filantropo Edward Bok propôs o Prêmio Americano da Paz, e em 1924 publicou uma coleção dos vinte melhores planos. As ideias incluíam uma Tecnocracia ou Organização de Cientistas para supervisionar as questões internacionais, a defesa de uma "unidade nas religiões", uma organização para promover o livre comércio internacional, um Tribunal Penal Internacional, tribunais nacionais operando sob a lei internacional, o estabelecimento de uma Secretaria Internacional da Educação e um plano para colocar a liderança americana na Liga das Nações.

Uma proposta, a de número 6, iria "proibir a guerra" por meio de uma Declaração de Interdependência, prometendo fidelidade à paz mundial, educação em unidade global — "treinamento universal em cidadania mundial", estabelecendo uma efetiva Corte Internacional de Justiça e uma "Força Policial de Paz Interdependente". — Para todos os planos e propostas, veja Ways to Peace: Twenty Plans Selected from the Most Representative of Those Submitted to The American Peace Award (Charles Scribner’s Sons, 1924).

1928: "O objetivo final da Internacional Comunista é substituir a economia mundial capitalista por um sistema mundial de Comunismo. A sociedade comunista... é á única saída para a humanidade..." — um texto lançado no Sexto Congresso Mundial da Internacional Comunista, 1 de setembro de 1928.

1932-1945: O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista) ganha o maior número de assentos no Reichstag e, em seguida, avança para uma posição de domínio em 1933. A Alemanha, que tinha sido grandemente abalada pelo armistício de 1918 e o colapso industrial e econômico dos anos pós-guerra, encontra uma nova voz em Adolf Hitler. Antes da deflagração da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista se envolve em diplomacia estratégica, fabricação de armamentos e o desenvolvimento da infra-estrutura interna — e busca a criação de um Novo Homem por meio dos programas de eugenia e raciais. Assim, uma parte significativa da ênfase nazista estava no ideal nórdico dentro de uma Europa reordenada; incluindo o conceito de "Espaço Vivo". Em 1938, a Alemanha anexa a vizinha Áustria e, em seguida, a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia.

1935: O estadista britânico Lord Lothian explica que a paz mundial somente pode ser obtida "colocando todo o mundo sob o império da lei, por meio da criação de um Estado mundial..." Lord Lothian via claramente a Liga das Nações como indefensável para a paz mundial. Em vez disso, ele propôs a criação de uma Federação das Nações, com autoridade supranacional. — Lord Lothian, "Pacifism Is Not Enough", Readings in World Politics, Volume III (American Foundation for Political Education, 1952 edition), pág. 14-23.

1937-1945: Líderes de toda a Cristandade pedem uma nova ordem internacional. A Conferência de Oxford de 1937 reconhece que os Estados necessitavam aderir a uma Lei Internacional que pudesse ser imposta. Em 1939, o Comitê Interino do Conselho Mundial de Igrejas recomendou "alguma forma de organização internacional", incluindo uma "dissuasão eficaz" por meio da "vontade coletiva da comunidade internacional" (todavia, não houve concordância sobre como a força seria usada). Uma proposta similar para uma "nova ordem" foi feita pelo papa Pio XII naquele ano e no seguinte. Além disso, durante a Segunda Guerra Mundial, o Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América patrocinou uma comissão sob a presidência de John Foster Dulles (que mais tarde se tornou Secretário de Estado dos EUA) para explorar a base de uma "paz justa e durável" por meio de uma nova ordem internacional — incluindo governo mundial — e garantir suporte para essa organização quando ela se formasse. Durante o encerramento e imediatamente após o fim da Segunda Guerra Mundial, diversas organizações e comissões eclesiásticas ajudaram na criação das Nações Unidas. — Commission to Study the Basis of a Just and Durable Peace of the Federal Council of the Churches of Christ in America, A Just And Durable Peace: Data Material and Discussion Questions (1941). — Dorothy B. Robins, Experiment in Democracy: The Story of U.S. Citizen Organizations in Forging the Charter of the United Nations (The Parkside Press, 1971). — Martin Erdmann, Building the Kingdom of God on Earth: The Churches’ Contribution to Marshal Public Support for World Order and Peace, 1919-1945 (Wifp and Stock, 2005).

1938: F. Elwyn Jones publica The Defence of Democracy (E. P. Dutton, 1938). A conclusão dele com relação à agressão fascista é a criação de um Bloco de Paz de segurança coletiva e, se a Alemanha e o Japão estiverem interessados em manter a paz e não avançar mais com objetivos belicosos, também podem ingressar. Entretanto, se a agressão ocorrer, Jones recomenda a intervenção pelas forças militares combinadas do Bloco de Paz.

1939-1945: A Tchecoslováquia cai sob o domínio nazista no início de 1939. A Alemanha exige em seguida o Corredor Polonês e, em conjunção com a União Soviética, invade a Polônia. A França e as nações da Comunidade Britânica de Nações declaram guerra à Alemanha: a Segunda Guerra Mundial é deflagrada na Europa. Em 1941 a Alemanha invade a União Soviética, iniciando aquilo que é considerado o maior conflito em solo no século 20. Os EUA entram nesse mesmo ano em guerra devido ao ataque do Japão a Pearl Harbor (que foi uma extensão da expansão militar japonesa iniciada em 1937 e da Segunda Guerra Sino-Japonesa). Quando esse conflito global terminou, mais de 60 milhões tinham perecido — incluindo milhões em campos de extermínio e de trabalhos forçados.

A Segunda Guerra Mundial elevou a capacidade de destruição para novos níveis, incluindo programas de campos de concentração energizados tecnocraticamente, ações catastróficas de terra arrasada e a destruição de cidades inteiras (incluindo bombardeio com bombas incendiárias e os primeiros ataques com bombas atômicas). O poder dos foguetes e a tecnologia dos mísseis entraram no léxico da morte.

1939-1945: Diversas organizações públicas e privadas desenvolvem planos de paz, pedem uma "organização internacional", e oferecem suporte para a ordem mundial — e mais tarde para as Nações Unidas. Esses grupos incluem o Fundo Carnegie para a Paz Internacional, Church Peace Union (estabelecida pelo magnata Andrew Carnegie), a Fundação Woodrow Wilson, Americanos Unidos pela Organização Mundial, Conselho das Relações Internacionais (o CFR), e o Conselho das Relações Mundiais. Por volta da metade da Segunda Guerra Mundial, o Departamento de Estado americano começou a trabalhar com muitos desses grupos para formular a opinião pública, particularmente no que se referia à Conferência Dumbarton Oaks, de 1944. — Veja o livro de Dorothy B. Robins, Experiment in Democracy (The Parkside Press, 1971).

1939: A primeira edição de Union Now, de Clearence Streit é publicada. Enquanto a Europa estava engolfada nas chamas de Hitler, o livro de Streit oferecia uma visão de unidade: uma federação internacional — uma União das Democracias. Streit primeiro recomenda uma "União do Atlântico Norte", incluindo uma "união dos governos e das cidadanias", "uma união das forças de defesa", "uma união aduaneira na economia", "uma união monetária" e "uma união postal e nos sistemas de comunicações". Essa União deveria formar "o núcleo de um governo mundial". Além de formar um aparato de União policial/militar, Streit sugere que: "Nossa União, já vimos, seria ainda mais poderosa em outros aspectos. Ela teria um monopólio quase total sobre produtos essenciais na guerra, como a borracha, o níquel, o ferro, o petróleo, o ouro e o crédito."

Streit era um Acadêmico de Rhodes e um correspondente do jornal The New York Times. Por volta do fim da Primeira Guerra Mundial ele se conectou com o Serviço de Inteligência dos EUA e exerceu um "cargo confidencial" na Comissão Americana da Paz em Paris, onde teve acesso a muitos documentos oficiais secretos. "Eu estava em um cargo incomum e podia ver diariamente o que realmente estava acontecendo e o quão pouco a imprensa ou o público estavam informados, e pude ver também, a partir de dentro, como a propaganda estava sendo tratada no exterior e internamente."

O livro Union Now se torna uma campanha e, em 1940, o Sr. Streit inicia uma organização: a Federal Union Incorporated. Por volta de 1941, a Federal Union tinha escritórios nos EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Irlanda, Índia e Argentina. Mais tarde, o grupo mudou seu nome para Associação para Unir as Democracias e, em 2004, tornou-se o Conselho de Streit para uma União das Democracias. Durante a Segunda Guerra Mundial, o trabalho de Streit influenciou políticos e indivíduos-chave, incluindo os pioneiros da OTAN e da União Europeia. — Clarence K. Streit, Union Now: A Proposal for a Federal Union of the Leading Democracies (Harper & Brothers, edição de 1940), págs. 4, 62-84, 119, 233.

1939: O Comitê Suíço da Campanha da Paz Internacional emite um memorando: "Exigimos o desarmamento geral e uma força policial da Liga das Nações, criada como um órgão executivo da nova ordem baseada na Lei Internacional." — Commission to Study the Basis of a Just and Durable Peace of the Federal Council of the Churches of Christ in America, A Just And Durable Peace: Data Material and Discussion Questions (1941), pág. 42.

1940: O Fundo Carnegie para a Paz Internacional publica The New World Order, uma bibliografia selecionada sobre "federação regional e mundial" (Select Bibliographies No. 10, 12 de dezembro de 1940).

1940: Uma plataforma de cinco pontos é lançada pela Conferência Nacional da Paz, dos EUA. O quinto ponto: "Trabalhar por alguma forma de governo mundial por meio do qual nossa própria nação e outras nações possam alcançar a paz, a justiça e a segurança." A Conferência institui 11 de novembro como "Dia Anual do Governo Mundial" em lugar do Dia do Armistício. — Veja o livro de Dorothy B. Robins, Experiment in Democracy (The Parkside Press, 1971), pág. 29.

1940: John F. Dulles e Clarence Streit redigem o rascunho de uma declaração que dá ao presidente dos EUA poderes expandidos para formar uma "União Provisória" e criar uma "defesa comum e aperfeiçoar alguma organização militar comum." — Conforme descrito no livro de Martin Erdmann, Building the Kingdom of God on Earth: The Churches’ Contribution to Marshal Public Support for World Order and Peace, 1919-1945 (Wipf and Stock, 2005), pág. 238.

1941: O segundo livro de Clarence Streit, Union Now With Britain (União Agora com a Grã-Bretanha), advoga o ingresso dos EUA na Comunidade Britânica de Nações, formando assim um bloco de poder global que inclua o controle sobre as linhas marítimas internacionais. A Grã-Bretanha e os EUA, Streit acreditava, estabeleceriam assim um governo mundial.

"É também verdade que na Primeira Guerra Mundial o povo americano alargou o objetivo... para o estabelecimento do governo mundial. Deve ser observado que americanos tiveram papeis de liderança em fazer cada uma dos quatro experiências em governo mundial que se seguiram: Woodrow Wilson, na Liga das Nações; Samuel Gompers na Organização Internacional do Trabalho; Elihu Root na Corte Mundial; e Owen Young no Banco Mundial..."

"... precisamos também admitir que foi principalmente o suporte britânico que permitiu que cada uma dessas valiosas experiências em governo mundial — a Liga das Nações, a Corte Internacional, a Organização do Trabalho e o Banco Mundial — se tornassem reais, e não ficassem apenas no papel."

"Ninguém fez tanto para criar o governo mundial quanto os americanos e britânicos. Ninguém mais é tão qualificado por experiência neste campo..." — Clarence Streit, Union Now With Britain (Harper & Brothers, 1941), págs.123-124.

1941: Um acordo entre a URSS e a Polônia propõe uma "... nova organização de relações internacionais com base na unificação dos países democráticos em uma aliança durável. O respeito pela lei internacional, apoiado pela força armada coletiva de todos os Estados Aliados, precisa formar o fator decisivo na criação dessa organização." — Felix Morrow, The Class Meaning of the Soviet Victor, March 1943. Veja os arquivos em Marxist.org.

1941: A Carta do Atlântico é assinada em agosto entre a Grã-Bretanha e os EUA, estabelecendo um contexto previsto para o pós-guerra para a segurança comum, "... o estabelecimento de um sistema permanente e mais amplo de segurança geral." (Artigo 8).

1941: Henry Ford endossa o Federalismo Mundial no jornal The New York Times (3 de dezembro): "Elas (as nações) não precisariam de exércitos e não haveria guerras porque as nações seriam todas vizinhas na mesma federação."

1941: A Declaração da Federação do Mundo, uma resolução apresentada na Casa dos Representantes da Carolina do Norte é aprovada por unanimidade.

1942: Os Aliados da Segunda Guerra Mundial formam oficialmente uma aliança por meio da Declaração Pelas Nações Unidas. Com a Carta do Atlântico, essa Declaração armou o palco para um novo sistema internacional no pós-guerra.

1942: Peace Plans and American Choices (Planos de Paz e Escolhas Americanas) é publicado pelo Brookings Institute. O autor desse relatório, Arthur C. Millspaugh — um membro do Conselho das Relações Internacionais nos anos 1930s — analisa os prós e contras das diferentes propostas de uma ordem mundial. O Federalismo Mundial não é considerado prático; "É difícil ver como, a não ser que um milagre aconteça, este antigo sonho possa ser concretizado ao fim da guerra atual." (pág. 2). As escolhas analisadas são:

1) A América Sozinha

a) Liderança americana: Exercendo um papel dominante no desenvolvimento da Lei Internacional em manter a paz por meio de um novo internacionalismo. "Para o suporte prático da nossa liderança traremos poder de três tipos: moral, econômico e militar." (pág 10).

b) Domínio Americano: Isto enfatiza a força econômica e militar dos EUA e "assume um uso frequente, vigilante e agressivo desse poder para manter a ordem mundial.” (págs. 15-15).

c) Equilíbrio de Poder: A América se alinharia dentro de uma divisão mundial baseada em dois campos para manter o equilíbrio global. "Se um lado fosse mais fraco do que o outro, os Estados Unidos lançariam sua força para aquele lado, não para fazer a guerra, mas para evitar que o outro lado 'lucre' com sua superioridade. (pág. 23)

2) Mãos Estendidas Pelo Mar

a) Aliança Britânica-Americana: A Grã-Bretanha e os EUA ingressariam em um sistema coletivo para garantir a paz e a ordem mundiais. Os EUA supervisionariam o Hemisfério Ocidental, o Pacífico e a Ásia Oriental. A Grã-Bretanha manteria a paz na Europa, África e Oriente Médio (pág. 30).

b) União Federal Anglo-Americana: Os EUA e a Comunidade Britânica de Nações criariam conjuntamente um novo governo central.

c) Uma União das Democracias: Os EUA participariam com uma união de 15 nações democráticas e formariam um governo central da União. (págs. 40-41).

d) A Cooperação das Nações Unidas: Todas as nações lutando contra a Alemanha e o Japão constituem as "Nações Unidas". Após a guerra essas nações permaneceriam em uma organização cooperativa, "uma verdadeira organização internacional forçada pelas maiores necessidades..." (pág. 44-45).

3) Regionalismo

a) Geral: Uma Federação Mundial teria seus poderes descentralizados em regiões federadas.

b) Hemisfério Ocidental: Com base na Doutrina Monroe americana existente, o Hemisfério Ocidental se constituiria em uma região. O sistema Pan-Americano já está instituído. "O interamericanismo, bem como os interesses vitais dos EUA, requerem e tornam viável um sistema adequado de defesa militar para o hemisfério..." (pág. 55).

c) Europa: A ideia de Hitler de uma Nova Ordem Europeia estava condenada, mas uma Europa unificada poderia ser alcançada. Uma Federação Europeia, ou União, integraria a Alemanha e desenvolveria seu próprio "sistema de paz" com incentivo do governo americano. (pág. 59-61).

d) União Asiática: Com a exceção da Austrália e da Nova Zelândia, as nações asiáticas formariam algum tipo de união, provavelmente com a China liderando o caminho, em uma organização cooperativa com a Rússia e a China. Os países do Oriente Médio, incluindo a Turquia e o Egito, "poderão dar passos para aperfeiçoar uma associação islâmica." (pág. 64).

4) Liga das Nações: A Liga poderia receber uma segunda chance com uma mente voltada para reforma nas esferas social e econômica.

5) Uma Associação Mais Forte: Isto seria algo entre a Liga e um Estado-mundial. Essa associação teria seu próprio Conselho Executivo e suas próprias funções, mas o poder militar não seria concedido independente dos Estados-nações. Apesar disso, a Associação teria sua própria equipe de apoio geral para "preparar planos para a aplicação de medidas coercitivas".

"Os armamentos nacionais seriam drasticamente reduzidos, sendo fixados por dois conjuntos de requisitos: aqueles de policiamento interno e aqueles de paz e ordem internacionais. Os países pequenos seriam restringidos às suas necessidades de policiamento interno. As grandes potências teriam a permissão e seriam obrigadas a constituir e equipar uma parte da força militar coletiva. Cada um dos contingentes nacionais poderá ser convocado pelo conselho a qualquer tempo." (pág. 90). — Arthur C. Millspaugh, Peace Plans and American Choices: The Pros and Cons of World Order (The Brookings Institute, 1942).

1943: O famoso jogador de bridge Ely Culbertson — um engenheiro com um interesse em psicologia das massas e teoria política — publica seu livro Total Peace (Paz Total, Doubleday, 1943). Este volume fornece um plano detalhado sobre a Federação Mundial completa com um presidente mundial, braços judiciário e legislativo globais e uma força militar internacional baseada no "Princípio da Cota de Força". Esse sistema, ele argumenta no livro e em uma seção especial na forma de encarte, permite que as nações se protejam suficientemente e, ao mesmo tempo, coloquem certo porcentual da força do país em um "Batalhão Móvel Internacional". Culbertson explica que o planeta deveria ser dividido em onze Federações Regionais e que cada região estaria representada na Federação Mundial.

O texto a seguir é do encarte do livro:

"Pode um bloco dominado pelos comunistas da Rússia, Turquia, Alemanha, Polônia, França, China e Japão dominar o mundo? Sem a Federação Mundial eles poderão, especialmente se as democracias estiverem divididas por dentro ou entre si mesmas. Mas, com a Federação Mundial, esse alinhamento comunista constituiria somente 38% do poder militar mundial, contra 62% do total dos Batalhões Móveis, os Anglo-Americanos e os outros contingentes da Polícia Mundial."

1943: James T. Shotwell, um membro do grupo de assessoria de Woodrow Wilson para a Conferência da Paz em Paris em 1919, publica seu ensaio "A Natureza da Paz", que propõe uma "corte internacional", órgãos legislativos internacionais" e "forças policiais adequadas, mundiais ou regionais". — James T. Shotwell, The Nature of Peace, Beyond Victory (Harcourt, Brace and Co, 1943 — editor, Ruth N. Anshen), pág. 23

1943: Uma transcrição de novembro entre J. Stalin e F. D. Roosevelt revela uma discussão cândida de como o ambiente pós-guerra poderia ficar:

Roosevelt sugere uma "organização mundial" construída com base nos princípios das Nações Unidas (a ONU neste ponto é a organização dos Aliados). Esse organismo mundial teria um Comitê Executivo que consiste da URSS, da Grã-Bretanha, dos EUA, China, duas nações europeias (além do Reino Unido), um país da América do Sul, um país do Oriente Médio, uma nação asiática (além da China) e um membro da Comunidade Britânica de Nações. Um segundo grupo de quatro nações principais constituiria o Comitê Policial, que teria poderes para agir rapidamente e sem a aprovação do Comitê Executivo.

Stalin comenta que o Comitê de Polícia teria de ser um "órgão coercitivo". Roosevelt explica que o Comitê de Polícia deveria ser estabelecido primeiro, depois o Comitê Executivo (que lidaria com as funções não militares) e, finalmente um Órgão Geral em que "todo país possa falar o quanto quiser e onde os pequenos países possam expressar suas opiniões."

Stalin sugere duas organizações internacionais: 1) uma organização europeia, incluindo os EUA; 2) um órgão do Extremo Oriente para o resto do mundo. Roosevelt diz a Stalin que essa proposta coincide com a ideia de Churchill, exceto que Churchill estava considerando três órgãos mundiais: Europa, o Extremo Oriente e as Américas. Roosevelt diz ao líder soviético que os EUA não podem entrar em uma organização europeia, pois seu país não estava comprometido com o esforço de guerra europeu antes do ataque japonês a Pearl Harbor. De acordo com a transcrição:

Stalin pergunta se caso a organização mundial proposta por Roosevelt seja criada os americanos teriam de enviar tropas à Europa?

Roosevelt responde que não necessariamente. Se surgir a necessidade de usar a força contra qualquer possível agressão, os EUA poderiam tornar disponíveis seus aviões e navios, enquanto que a Grã-Bretanha e a Rússia teriam de enviar suas tropas para a Europa. Existem dois métodos de usar a força contra a agressão. Se surgir a ameaça de revolução ou agressão ou qualquer outro perigo de violação da paz, o país interessado poderia ser colocado em quarentena de modo a evitar que o fogo que se iniciou ali se propague para outros territórios. O segundo método é que as quatro nações que constituem o comitê apresentem um ultimato ao país em questão para cessar seus atos que ameaçam a paz, com a alternativa desse país poder ser bombardeado ou até ocupado." — "Transcrição das Conversações Entre Stalin e Roosevelt, em 29 de novembro de 1943", conforme encontrada em Tehran, Yalta, Potsdam: The Soviet Protocols (Academic International, 1970), págs. 341-342.

1944: A Conferência Europeia da Quarta Internacional denuncia todas as tentativas de criar uma força policial internacional pelos capitalistas. Entretanto, a Quarta Internacional endossa a paz incondicional obtida por meio dos Estados Socialistas Unidos do mundo.

"Socialismo ou barbárie, esta é a escolha que está diante da humanidade... Nada menos do que o destino da humanidade está envolvido. Somente o triunfo da revolução mundial pode abrir o caminho para o progresso... Hoje, à medida que a nova e tremenda onda da revolução se levanta, a Quarta Internacional concentrará sob seu estandarte as melhores forças combatentes do proletariado e as liderará para a vitória dos Estados Socialistas Unidos da Europa e do mundo. Nossa hora chegará em breve. O futuro nos pertence." — Conferência Europeia da Quarta Internacional, Theses on the Liquidation of World War II and the Revolutionary Upsurge, February 1944 (Veja os arquivos em www.Marxists.org).

1944: A segunda edição do livro bem-endossado de Haridas Muzumdar, The United Nations of the World é lançada. Nesse volume, o Dr. Muzumdar liga o Oriente e o Ocidente na defesa do governo mundial por meio de uma planejada Organização das Nações Unidas (lembre-se que a ONU seria uma substituição para a Liga das Nações e que ainda não tinha sido formada).

"Almejamos trabalhar por uma nova ordem em que nenhuma nação desfrute de soberania sem freios, que envolve o direito de possuir armamentos e de fazer guerra e paz quando desejar. Os armamentos, se forem considerados necessários, serão mantidos pelas Nações Unidas do Mundo..." — Haridas T. Muzumdar, The United Nations of the World (Universal Publishing, 1944), pág. 242.

1944: Delegações de líderes americanos, britânicos, soviéticos e chineses se reúnem em Dumbarton Oaks, um cenário histórico localizado em Washington, D. C. Essa conferência propõe o sistema embrionário das Nações Unidas, incluindo como o Conselho de Segurança da ONU será formado. Uma grande campanha de relações públicas precedeu o evento, com inúmeras organizações cívicas e grupos políticos pedindo algum tipo de "organização internacional" equipada para "manter a paz mundial".

O Secretário de Estado norte-americano Cordell Hull fornece um resumo das propostas e omissões da conferência, incluindo a estrutura geral para uma "organização internacional" com um Conselho de Segurança e um Comitê Militar de Apoio; "contingentes da Força Aérea nacional serão preparados imediatamente para 'ação internacional combinada' com o Comitê Militar de Apoio ajudando o Conselho com planos e suas aplicações." — Veja Dorothy B. Robins, Experiment in Democracy: The Story of U.S. Citizen Organizations in Forging the Charter of the United Nations (The Parkside Press, 1971), pág. 170.

1945: Uma declaração conjunta é feita pelo Secretário de Estado americano Edward Stettinius. O Ponto 4 diz: "Reconhecemos a necessidade da força militar, colocada à disposição da Organização das Nações Unidas, para assegurar a segurança mundial."

Os delegados incluem membros oficiais da Church Peace Union, do Fundo do Século Vinte, da Conferência Nacional da Paz, da Fundação Woodrow Wilson, do Comitê Amigos da Paz e da Associação Americana para as Nações Unidas (entre outras). — Veja Dorothy B. Robins, Experiment in Democracy: The Story of U.S. Citizen Organizations in Forging the Charter of the United Nations (The Parkside Press, 1971), págs.197-198.

1945: O Federalismo Mundial é enfatizado na Conferência Sobre a Paz Mundial, em Dublin, New Hampshire. O Ponto 3 da Declaração de Dublin diz: "... em lugar da atual Organização das Nações Unidas precisa existir um governo mundial federal com poderes limitados, mas definidos e adequados para evitar a guerra, incluindo o poder para controlar a bomba atômica e outras armas importantes e manter a inspeção mundial das forças policiais."

1945: A Conferência Sobre Organização Internacional das Nações Unidas é realizada em San Francisco, na Califórnia, e em junho a Carta de Constituição das Nações Unidas é assinada. Em 24 de outubro daquele ano, a Carta da ONU entra oficialmente em vigor. Os Artigos 41 e 42 da Carta dizem o seguinte:

41. O Conselho de Segurança decidirá sobre as medidas que, sem envolver o emprego de forças armadas, deverão ser tomadas para tornar efetivas suas decisões e poderá convidar os Membros das Nações Unidas a aplicarem tais medidas. Estas poderão incluir a interrupção completa ou parcial das relações econômicas, dos meios de comunicação ferroviários, marítimos, aéreos, postais, telegráficos, radiofônicos, ou de outra qualquer espécie e o rompimento das relações diplomáticas.

42. No caso de o Conselho de Segurança considerar que as medidas previstas no Artigo 41 seriam ou demonstraram que são inadequadas, poderá levar e efeito, por meio de forças aéreas, navais ou terrestres, a ação que julgar necessária para manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais. Tal ação poderá compreender demonstrações, bloqueios e outras operações, por parte das forças aéreas, navais ou terrestres dos Membros das Nações Unidas.

Nas décadas seguintes, as implicações e aplicações do Artigo 41 têm sido debatidas e uma infinidade de outros programas e propostas para uma organização mundial — com um sistema militar global — entraram em circulação. Alguns desses planos propõem o fortalecimento da ONU com a capacidade de tributar e policiar conforme for necessário para garantir a paz mundial.

Leia agora a Parte 2: A Guerra Fria, de 1945 a 1959.



Autor: Carl Teichrib, artigo original em http://www.forcingchange.org, Volume 5, Edição 5.
Data da publicação: 26/10/2011
Transferido para a área pública em 13/6/2013
Revisão: http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/armando-1.asp