O Tribunal de Cristo — Como Você Responderá ao Que Jesus Cristo Vai Lhe Perguntar?

Autor: Jeremy James, 3/2/2015.

O que Jesus perguntará quando você estiver diante do Trono do Julgamento — o Bema — e que resposta você Lhe dará? Esta é uma pergunta muito simples, porém que deveria ser de profundo interesse para todos os cristãos.

A Bíblia nos dá muitas pistas sobre o que Jesus perguntará. Examinaremos essas pistas em instantes. Primeiro, porém, vamos enfocar uma única questão que Ele quase certamente perguntará "— Você falou de mim para as pessoas?"

Pode uma pergunta ser mais simples do que esta? Mas, quantos em nossas igrejas HOJE conseguirão dar uma resposta que não os deixem envergonhados?

Alguns leitores podem questionar se é possível sentir vergonha diante do Trono do Julgamento de Cristo, uma vez que esse é o julgamento dos salvos, não dos perdidos. O apóstolo João nos dá a resposta:

"E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não sejamos confundidos por ele na sua vinda." [1 João 2:28].

Na nossa época presente, a época da Igreja de Laodiceia, esse verso está quase que totalmente esquecido. Os cristãos mornos de hoje simplesmente deixam de ver que essa incrível advertência de João aplica-se a cada um de nós. Lembre-se que em sua epístola, João está se dirigindo, não a uma audiência mista, mas somente aos fiéis cristãos — a quem ele chama de "filhinhos".

Neste ensaio, faremos a advertência de João soar da forma mais alta que pudermos.

A Realidade dos Galardões do Tribunal de Cristo

Para compreender o significado desta advertência, precisamos entender que Jesus irá recompensar cada um dos Seus discípulos em proporção à fidelidade que cada um deles tiver demonstrado.

Mas, o que exatamente isto significa? Estamos confundindo fé com fidelidade? Da forma como a Bíblia ensina, somos salvos unicamente pela fé em Cristo. A fidelidade, por outro lado, é a expressão de nossa lealdade e devoção Àquele que nos salvou. Portanto, tudo, absolutamente tudo que fazemos após nossa conversão (e salvação) será levando em consideração no Tribunal de Cristo.

Somos instruídos na Bíblia que julgar faz parte da própria natureza de Deus:

"Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR." [Jeremias 9:24].

O Senhor se agrada em julgar! Ele também se alegra na justiça e na beneficência. Portanto, o Trono do Julgamento será um tempo muito especial no plano santo de Deus para a humanidade. Os justos serão recompensados por seus serviços prestados ao Filho, em quem o Pai se compraz. Nem mesmo as coisas mínimas que fizemos por Cristo — em Seu nome e para Ele somente — serão esquecidas. O próprio Jesus enfatizou a tremenda generosidade do nosso Pai Celestial quando disse:

"Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?" [Mateus 7:11].

Cristo pagou a dívida dos nossos pecados por nós. Isto significa que tudo o fazemos por Ele e em Seu nome a partir dai, desde o dia da nossa salvação, passará pelo Trono do Julgamento. O fogo que prova nossas obras consumirá totalmente tudo o mais!

Lembre-se como o apóstolo Paulo referiu-se a esse fogo:

"E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo." [1 Coríntios 3:12-15].

Este não é um fogo que afeta nossa salvação, mas somente nossas obras! Nossa salvação está garantida. Só poderão comparecer diante do Trono do Julgamento aqueles que são salvos! Muitos cometem o terrível engano de aplicarem este verso à salvação das almas, mas ele NÃO TEM ABSOLUTAMENTE NADA que ver com nossa salvação. Como Paulo diz claramente, o fogo é para nossas obras somente, para o propósito de determinar nossa recompensa: "Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão."

Madeira, feno e palha são as obras que realizamos para um propósito mundano, para fazer avançar nossos próprios interesses de alguma forma. Essas obras não foram praticadas exclusivamente para a glória de nosso Redentor.

Em nossa condição humana caída não é fácil para nós mensurarmos o padrão rígido que Cristo usará para avaliar nossas obras, mas sabemos que será um padrão de perfeita santidade. De fato, podemos corretamente nos perguntar quantas de nossas obras conseguirão passar por essa avaliação!

As Grandes Recompensas Recebidas no Tribunal de Cristo

Entretanto, as obras que passarem pela avaliação serão recompensadas. Não temos os detalhes sobre quais serão as recompensas, mas sabemos que elas superarão completamente todas as nossas expectativas. Nosso Pai Celestial nos recompensará por meio de Seu Filho pelo serviço que fizemos em nome de Seu Filho. O amor do Pai pelo Filho é sem limites, de uma magnitude e pureza que nossas mentes pequenas não podem sequer começar a compreender. Portanto, todos os que despreendidamente serviram ao Filho serão recompensados. Como diz a Escritura:

"Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera." [Isaías 64:4].

"Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam." [1 Coríntios 2:9].

O falecido autor cristão Dave Hunt dizia que ficava surpreso sempre que encontrava um crente em Cristo que pensava em recompensas, pois a salvação — a vida eterna na presença de Cristo — é nossa recompensa mais excelente — um glorioso resultado que homem algum pode mensurar e que ninguém merece. Todavia, apesar disso, somos exortados pelo nosso Salvador a acumular tesouros nos céus!

Este mesmo pensamento pode ser encontrado no livro de Neemias. O grande líder tinha trabalhado incansavelmente, enfrentando oposição interna, para reformar a administração do Templo. Quando finalmente realizou seu propósito, ele orou a Deus da seguinte forma:

"Por isto, Deus meu, lembra-te de mim e não risques as beneficências que eu fiz à casa de meu Deus e às suas observâncias." [Neemias 13:14].

Em seguida, depois de dar maiores detalhes sobre as reformas instituídas, ele conclui, dizendo:

"... lembra-te de mim, Deus meu, para bem." [Neemias 13:31].

Paulo também referiu-se diversas vezes às recompensas, ou "coroas" que serão dadas para aqueles que persistem diante das dificuldades e provações no serviço que realizam para Cristo:

"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda." [2 Timóteo 4:7-8].

A analogia dele aqui é como o Bema, ou Trono de Julgamento, dos Jogos Ístmicos, com os quais seus leitores originais estavam familiarizados. Os jogos eram realizados a cada dois anos na cidade de Corinto, na Grécia. Os participantes precisavam passar por um treinamento rigoroso e autodisciplina durante um período de vários meses, em conformidade com as regras e preceitos de sua religião pagã. Se um atleta deixasse de cumprir esses requisitos, poderia ser desqualificado pelos juízes que se assentavam em uma plataforma chamada Bema, mesmo se tivesse vencido a prova. Se tudo estivesse em conformidade, o atleta era premiado com a honra mais prestigiosa — uma coroa de folhas de pinheiro.

O verso de 2 Timóteo (citado acima) sugere que há uma "coroa da justiça" reservada para cada fiel cristão. Por outro lado, a possibilidade que um cristão possa fraquejar em sua caminhada com Cristo e, desse modo, perder sua coroa, é mencionada no Apocalipse:

"Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa." [Apocalipse 3:11].

Claramente, o fiel cristão deve almejar os galardões no céu, além do inefável dom da salvação. O próprio Jesus referenciou o privilégio e oportunidade — "bem-aventurados sois vós' — de receber esses galardões:

"Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." [Mateus 5:11-12].

Diferentes Níveis de Galardões

Jesus referiu-se aos galardões celestiais mais vezes do que muitos cristãos professos parecem perceber. Até mesmo os apóstolos passaram tempo discutindo qual deles seria o maior no reino dos céus. É significativo que quando Tiago e João pediram para assentarem-se uma à direita e outro à esquerda de Jesus, o Senhor respondeu que Ele não estava incumbido de decidir isto.

"Mas, o assentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence a mim concedê-lo, mas isso é para aqueles a quem está reservado." [Marcos 10:4].

Isto indica que, não somente os fiéis receberão galardões de níveis diferentes, dependendo da fidelidade deles aqui na Terra, mas que esses galardões serão determinados objetivamente. Como Lucas observou, "Deus não faz acepção de pessoas" [Atos 10:34]. Isto também ajuda a explicar o que Jesus Cristo quis dizer por uma declaração que é frequentemente repetida em nossas igrejas hoje:

"Porém muitos primeiros serão derradeiros, e muitos derradeiros serão primeiros." [Marcos 10:31].

Esta também é uma referência ao Trono do Julgamento, em que os santos que foram altamente estimados pelos padrões terreais receberão uma posição relativamente "humilde" na eternidade. Na verdade, o Tribunal de Cristo determinará de forma permanente o posicionamento de todo indivíduo salvo no reino celestial. Como Tiago e João reconheceram, alguns dos santos estarão mais próximos de Cristo do que outros na eternidade. O próprio Jesus fez referência a isto no livro do Apocalipse:

"A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome." [Apocalipse 3:12].

Infelizmente, esta verdade é muito pouco compreendida em nossas igrejas hoje. Embora Jesus tenha recomendado que ajuntemos tesouros nos céus, muitos parecem indiferentes à recomendação.

Todos os cristãos nascidos de novo são salvos e entrarão no céu, mas nem todos receberão os mesmos galardões. A Escritura sugere fortemente que nossa fidelidade a Cristo enquanto vivemos neste mundo terá uma implicação direta em nossas habilidades ou capacidades na eternidade de compartilhar em Sua glória. Quanto mais bebemos do Seu cálice enquanto estamos aqui, maior será nossa capacidade na eternidade de proclamar Sua glória.

As Coroas da Alegria, Justiça, Vida e Glória

Talvez os galardões na eternidade mais claramente identificados nas Escrituras sejam as coroas mencionadas nas epístolas de Pedro, Tiago e Paulo, respectivamente, e pelo próprio Jesus Cristo, no livro do Apocalipse. A "coroa incorruptível" em 1Coríntios 9:25 pode não se referir a um tipo específico de coroa, mas ao fato importante que cada coroa durará para sempre. Dado que as coroas são eternas, elas devem ser estimadas e prudentemente buscadas por todos os fiéis cristãos.

Embora talvez possam haver mais do que quatro tipos de coroas, é notável que as quatro mencionadas nas Escrituras parecem estar relacionadas com as quatro "categorias" principais do serviço cristão:

Naturalmente, como as Escrituras dizem muito pouco sobre as coroas, essas "definições" são somente indicativas, mas devem ajudar a destacar a importância das coroas para todos os fiéis cristãos. A palavra grega stephanos (traduzida para o português como "coroa") era a coroa de folhas de pinheiro, a "coroa corruptível" que era dada como prêmio a cada vencedor nos Jogos Ístmicos. Paulo usou isto como uma metáfora para enfatizar a disciplina, dedicação e abnegação que são requeridas de todos os fiéis cristãos que queiram obter uma coroa incorruptível no Tribunal de Cristo. A escolha da ilustração de Paulo, que evocava tanto o entusiasmo dos Jogos e a honra distintiva outorgada aos vencedores, teve sem dúvida a intenção de instilar uma ambição similar nos corações dos fiéis cristãos.

Paulo não somente exortou seus leitores a pensarem nesses termos, mas também fez um relato consistente de seu próprio serviço a Cristo e expressou sua certeza que uma coroa da justiça lhe seria entregue no Tribunal de Cristo.

"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda." [2 Timóteo 4:7-8].

Cristo Virá com Seus Galardões

Como diz a Palavra de Deus, as coroas serão dadas como prêmio "a todos os que amarem a sua vinda", aqueles que vivem diariamente em alegre expectativa pela segunda vinda. Cristo até mesmo especificou uma íntima conexão entre Sua segunda vinda e a obtenção dos galardões:

"E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra." [Apocalipse 22:12].

Existe aqui a ideia que Cristo sentirá grande satisfação em distribuir esses galardões. Isto é ainda mais aparente quando percebemos que, em Sua segunda vinda, Ele julgará os fiéis cristãos somente. O julgamento dos perdidos, chamado de Julgamento do Grande Trono Branco, só ocorrerá após o fim do Milênio. Portanto, os galardões aos quais Cristo está se referindo em Apocalipse 22:12, são exclusivamente os galardões dos santos.

Temos até mesmo uma rápida visão nas Escrituras da alegria que Cristo experimentará quando der as boas-vindas aos fiéis cristãos no reino celestial. Quando Estêvão estava prestes a ser apedrejado, em Atos 7, ele exclamou:

"Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus." [Atos 7:56].

A Escritura diz normalmente que Jesus está assentado à mão direita de Deus, mas ela registra aqui que Ele se levantou para receber Estêvão.

Os Galardões São Dados Pela Graça

Para que não assumamos que os galardões no Tribunal de Cristo serão baseados de algum modo em nossas próprias justiças, ou que os recebemos da mesma forma como um trabalhador recebe seu salário, vamos nos lembrar que nenhum santo tem qualquer justiça que seja sua própria. Precisamos também nos lembrar que Deus não deve nada a ninguém. Portanto, embora falemos em "galardões" ou "recompensas", precisamos ter o cuidado de não pensar neles como pagamento por serviços prestados. Sim, eles estão relacionados com nosso serviço a Cristo durante o tempo de nossas vidas, mas eles não devem ser vistos como compensatórios — Deus não deve nada a nós. Ao revés, os galardões são dados pela graça e pela graça somente. Deus escolhe recompensar o fiel cristão por sua fidelidade. É a generosidade sem limites de Deus que torna isto possível; é a Sua graça que nos capacita a servi-Lo fielmente e é Seu justo julgamento no Tribunal de Cristo que nos permite receber aquilo que Ele, nosso Salvador, obteve em nosso favor.

A história da igreja revela que os homens sempre foram perturbados pelas obras. Nas falsas doutrinas do Catolicismo Romano, os fiéis devem ganhar sua salvação, assim rejeitando a total suficiência daquilo que Jesus alcançou por nós no Calvário. Os teólogos da Reforma, porém, ao rejeitarem essa falsa doutrina, foram longe demais e negligenciaram o valor intrínseco das boas obras aos olhos de Deus. Eles corretamente ensinaram que a salvação é pela fé somente e que não há uma única coisa que alguém possa fazer para "ganhar" sua salvação, mas eles negligenciaram o poder santificador das boas obras.

Se a Igreja Católica Romana confundiu justificação com santificação e, desse modo, corrompeu o verdadeiro significado da justificação, os teólogos da Reforma — em seu zelo para destacar o verdadeiro significado da justificação — perderam de vista a santificação e seu papel em preparar a Noiva para a vinda de Cristo.

A Base para os Galardões

O serviço que prestamos a Cristo está fundamentado na nossa disposição espiritual, nossa fidelidade e nossas intenções. Isto significa que devemos nos alegrar nas coisas que são agradáveis a Deus. Afinal, como podemos servi-Lo se não sabemos instintivamente o que O agrada?

Precisamos amar as coisas que Deus ama e odiar as coisas que Deus detesta. Infelizmente, este não é um assunto popular na igreja hoje. Os cristãos estão erradamente relutantes em odiar alguma coisa, mesmo que a Palavra de Deus nos mande especificamente que devemos detestar o mal:

"Vós, que amais ao SENHOR, odiai o mal. Ele guarda as almas dos seus santos; ele os livra das mãos dos ímpios." [Salmo 97:10].

"O temor do SENHOR é odiar o mal; a soberba e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu odeio." [Provérbios 8:13].

"Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo. Talvez o SENHOR Deus dos Exércitos tenha piedade do remanescente de José." [Amós 5:15].

"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus... O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem." [Romanos 12:2,9].

A Igreja de Laodiceia é caracterizada, em grande parte, por sua atitude indiferente ao mal, e também por sua disposição em tolerar em seu meio as obras e práticas que sabemos que são repugnantes aos olhos de Deus. A Escritura nos dá uma compreensão especial disto no caso de Ló. O livro de Gênesis registra que Ló morava em Sodoma, aparentemente por muitos anos, no meio de um povo cuja conduta moral era vil. A Bíblia não nos diz por que Ló continuou a viver naquela cidade horrível ou que medidas ele tomou para proteger a si mesmo e sua família. Entretanto, a Palavra de Deus nos diz (quase no fim da Bíblia) que Ló na verdade lamentava e sofria internamente por causa de toda a depravação espiritual que via ao seu redor:

"E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, por isso via e ouvia sobre as suas obras injustas)." [2 Pedro 2:7-8].

O mesmo princípio espiritual está vividamente enunciado em Ezequiel. O profeta foi levado "em visões de Deus" até Jerusalém, alguns anos antes da destruição da cidade pelos babilônios, em 586 AC. Ezequiel viu em suas visões o paganismo e as práticas idólatras que eram então endêmicas em toda a cidade. O Senhor revelou a Ezequiel que, por causa de sua tremenda iniquidade, a cidade e seus habitantes seriam destruídos. Entretanto, os poucos fiéis que se afligiam pela condição espiritual da cidade seriam poupados:

"E disse-lhe o SENHOR: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela." [Ezequiel 9:4].

A partir disto, podemos ver que nossa fidelidade e, portanto, nossas recompensas, serão avaliadas, não somente por aquilo em que trabalhamos e realizamos para Cristo aqui na Terra, mas por nossa devoção sincera, de todo o coração, aos preceitos e mandamentos das Escrituras, com a pureza do Evangelho e com a integridade espiritual da igreja visível.

O Estado Eterno

Assim que entrarmos no estado eterno e recebermos nossos corpos glorificados, perderemos nossa natureza pecaminosa — total e permanentemente. Isto significa que viveremos daí para frente em um estado de perfeição moral, amando e nos alegrando na retidão e desejando somente aquilo que é agradável a Deus. Cada pensamento e ação que tivermos dali para frente refletirá e expressará somente a glória de Deus e a generosidade de Cristo.

A glória que expressarmos na eternidade será, por sua vez, determinada por nossa capacidade espiritual, e isto será determinado para sempre, correta e perfeitamente, no Julgamento do Tribunal de Cristo. Paulo faz referência a isto em sua Primeira Carta aos Coríntios e utiliza uma imagem que a Palavra de Deus usou anteriormente no livro do profeta Daniel:

"E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente." [Daniel 12:2-3].

Esta passagem se refere ao "resplendor" dos santos em seus corpos ressurretos, alguns dos quais "resplandecerão como o fulgor do firmamento" — o céu ou, possivelmente, o sol — enquanto que outros exibirão na eternidade o brilho de uma estrela.

Paulo desenvolve isto, revelando que da mesma forma que um corpo celeste difere de outro em brilho, assim também os santos diferirão um do outro em seu fulgor. Todos magnificarão o Senhor por meio do esplendor e pureza de seus corpos celestiais, mas alguns terão a glória do sol, ou a glória da lua, enquanto outros terão a glória das estrelas.

"E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres. Uma é a glória do sol, e outra a glória da lua, e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela. Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual." [1 Coríntios 15:40-44].

Quando Paulo fala de nosso corpo natural ser substituído por um corpo espiritual no momento de nossa ressurreição (ou do Arrebatamento), ele está em ambos os casos se referindo a um corpo físico. Muitos erroneamente assumem que o "corpo espiritual" ao qual Paulo se refere é uma entidade etérea, similar, talvez, ao corpo de um anjo. Mas, este não é o caso. Nossos corpos ressurretos serão corpos físicos glorificados, exatamente como o corpo físico glorificado de nosso Salvador, a primícia da ressurreição.

Os Fiéis Cristãos Precisam Aproveitar as Oportunidades à Mão!

À luz de tudo isto, não pode haver dúvidas que o Bema — o Trono de Julgamento de Cristo — deve ser de grande interesse pessoal para TODOS os fiéis cristãos! O "veredito" obtido nesse tribunal — se esta for a palavra correta a usar — terá implicações duradouras para cada um de nós na eternidade. É difícil acreditar que a igreja hoje esteja dando tão pouca atenção ao assunto. Se há um assunto que ainda não foi bem tratado na teologia moderna, é este.

A Palavra de Deus fala dos galardões e coroas por uma razão. Devemos, portanto, prestar a máxima atenção ao que a Escritura nos diz sobre o Tribunal de Cristo. Como nossas vidas seriam diferentes se realmente compreendêssemos isto!

Nosso Pai Celestial quer que resplandeçamos com o maior brilho possível na eternidade, para a glória do Seu Filho maravilhoso.

Agora podemos começar a compreender o que o apóstolo João quis dizer com "envergonhar", quando escreveu:

"E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não sejamos confundidos por ele na sua vinda." [1 João 2:28].

Nosso maravilhoso Salvador não nos repreenderá no Tribunal, pois a dívida pelos nossos pecados foi paga em sua totalidade no Calvário — tanto os pecados confessados quanto os não confessados — e não estamos mais sob condenação. Tal é o poder do sangue de Cristo! Também não seremos capazes de um maior aprimoramento moral pois, em nosso estado glorificado, já usufruiremos a perfeição moral e espiritual que Cristo obteve para cada um de nós no Calvário. Portanto, ao que podemos atribuir o momento de vergonha (ou confusão) ao qual João está se referindo?

Quando estivermos diante de Cristo e ouvirmos sua avaliação da nossa fidelidade, entenderemos como o tempo de nossa peregrinação na Terra foi uma série impressionante de oportunidades preciosas e, muito possivelmente, o pouco uso que fizemos delas. Na maioria das vezes, quando poderíamos estar servindo a Cristo e buscando Sua santa vontade, buscamos nosos interesses carnais. Ao fazermos isso, permitimos que uma oportunidade passasse, para nunca mais retornar. A madeira, o feno e a palha, que valorizamos tanto em nossas vidas terreais, serão consumidos pelo fogo no julgamento. Perceberemos como nosso galardão poderia ter sido muito maior se tivéssemos sido menos carnais e mais dedicados às coisas que são lá do alto.

No livro do Apocalipse, João diz em duas ocasiões que "Deus limpará de seus olhos toda a lágrima" [7:17 e 21:4]. Ele pode estar se referindo, não somente ao fim da dor e das tribulações aqui na Terra, mas também ao momento no Tribunal de Cristo, quando um santo reconhece, com lágrimas nos olhos, as incontáveis oportunidades que preferiu ignorar — e o galardão nos céus que deixou de obter por causa disso. Afinal, é principalmente no Tribunal de Contas que Cristo estará pessoalmente perto o suficiente de cada um de nós para estender os braços e enxugar nossas lágrimas.

Há muitos anos que conservo vividamente a lembrança de um incidente que ocorreu durante um torneio de xadrez para adolescentes, na Bélgica, em 1973. O evento tinha sido anunciado sem qualquer referência a prêmios e medalhas para os melhores competidores. Os representantes de cada país deveriam estar satisfeitos em simplesmente desfrutar da honra de participar. Após o término da rodada final, fomos levados a uma sala especial em que uma variedade enorme de presentes e prêmios estavam expostos. Não somente cada participante receberia um prêmio, mas alguns levariam para casa muito mais do que conseguiriam carregar. Enquanto eu olhava para as mesas repletas com todos aqueles prêmios e presentes, o diretor do torneio veio até mim e me contou um fato que ocorrera no torneio do ano anterior. O candidato da Hungria era um dos melhores enxadristas europeus na categoria dos adolescentes, um verdadeiro talento e havia muitas expectativas com relação a ele. Mas, para decepção dos organizadores, ele revelou ser um pouco preguiçoso, contentando-se em empatar várias partidas com jogadores muito mais fracos. No fim do torneio, quando entrou naquela "sala especial", ele ficou de queixo caído e com lágrimas nos olhos. Ele reconheceu imediatamente que tinha sido um tolo. Tomado pela vergonha, ele sabia que, com apenas um pouco mais de esforço, teria alcançado o primeiro lugar e poderia levar para casa inúmeros presentes, alguns dos quais eram produtos que não estavam disponíveis em seu país natal.

As Três Parábolas

Examinaremos agora três parábolas de Jesus que se relacionam com o Trono do Julgamento. São elas a Parábola dos Trabalhadores na Vinha, a Parábola dos Talentos e a Parábola das Minas.

A Parábola dos Trabalhadores na Vinha é simples e clara. Como sabemos, os trabalhadores que foram contratados pela manhã bem cedo, labutaram debaixo do sol o dia inteiro, porém receberam o mesmo pagamento que aqueles que foram contratados no fim da tarde e que labutaram durante um período muito menor. A recompensa em questão, para todos que entram na "vinha" (a igreja invisível), é a vida eterna. Todos são salvos, aqueles que creem em Cristo e em Sua obra no Calvário, independente se eles vieram a Cristo em sua infância ou em idade já avançada. Não faz diferença. A recompensa, em cada caso, é a mesma: a vida eterna.

Na Parábola dos Talentos, o servo fiel que recebeu cinco talentos, fez bom uso deles durante o período de ausência do senhor e obteve outros cinco talentos, enquanto que o servo fiel que recebeu dois talentos, também ganhou outros dois talentos. Cada um deles recebeu a mesma recompensa por sua fidelidade, e "entrou no gozo de seu senhor". Todavia, o servo inútil ("mau e negligente") que recebeu um talento, não se interessou sequer em investi-lo, mas o enterrou no chão. No dia da prestação de contas, o senhor declarou: "Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes." [Mateus 25:30].

A parábola nos diz que, ao retornar, Cristo julgará cada um de nós de acordo com nossa fidelidade. Aqueles que estão perdidos não serão capazes e nem estarão dispostos a prestar qualquer serviço, enquanto que aqueles que são salvos e que servem fielmente, fazendo o melhor uso possível de seus respectivos talentos, receberão a mesma recompensa.

A Parábola das Minas não deve ser confundida com a Parábola dos Talentos, embora elas pareçam similares. Antes partir para uma viagem, um homem que era membro da nobreza de um reino deu uma mina para cada um de seus dez servos. Ao retornar, um dos servos tinha negociado e obtido dez minas, enquanto outro multiplicara a sua por cinco. O primeiro recebeu como recompensa a autoridade sobre dez cidades e o segundo recebeu a autoridade sobre cinco cidades. Entretanto, um dos servos (descrito como "servo mau") enrolou a mina em um lenço e não fez nada com ela. O nobre ordenou: "E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim." [Lucas 19:27]. Aparentemente, o servo mau foi colocado entre os inimigos do nobre e executado.

Iniciando a partir do mesmo conjunto de circunstâncias, alguns santos alcançam mais do que outros devido à aplicação diligente dos recursos. Esta parábola ensina que os santos com capacidade igual serão recompensados em proporção à sua diligência.

Portanto, as três parábolas juntas revelam que:

  1. Todos os que são salvos recebem a vida eterna, enquanto que os perdidos serão lançados nas trevas exteriores.

  2. Todos aqueles que fazem uso total de seus talentos e capacidades receberão a mesma recompensa por sua fidelidade.

  3. Todos os que possuem talentos e capacidades similares serão recompensados em proporção à diligência demonstrada.

No Cântico de Moisés, lemos: "Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é." [Deuteronômio 32:4]. Deus se agrada em julgar; Sua obra é perfeita e Seus caminhos são justos. Lemos também que Ele é "galardoador dos que o buscam" [Hebreus 11:6]. Deus não negligenciará nem o ato de serviço mais simples feito em nome do Seu Filho maravilhoso. Como Cristo disse:

"E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão." [Mateus 10:42].

Dada a atenção que Jesus deu em seus ensinos ao Trono do Julgamento e a base em que os galardões serão distribuídos, isto é claramente algo que todos nós devemos compreender e aplicar em nossas vidas. Em três dos relatos dos Evangelhos, Ele lembrou seus discípulos que, dependendo de como vivemos nossas vidas aqui na Terra, teremos um "tesouro nos céus'. Ele também se referiu à produtividade relativa dos fiéis:

"Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta." [Mateus 13:23].

Ele disse à Igreja de Tiatira:

"Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras." [Apocalipse 2:19].

Claramente, referenciando as obras duas vezes na mesma frase, junto com o amor e o serviço (ambos os quais implicam em boas obras), Jesus está revelando o quanto elas O agradam. (A mesma palavra para "obras" em grego, ergon, é usada nas duas vezes.) Ele enfatizou isto ainda mais ao acrescentar: "E darei a cada um de vós segundo as vossas obras." [Apocalipse 2:23].

Para que não interpretemos "obras" de forma estreita demais, o Espírito Santo nos diz que Ana, apesar de sua idade avançada, servia a Deus dia e noite, com orações e jejuns:

"E estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Esta era já avançada em idade, e tinha vivido com o marido sete anos, desde a sua virgindade; e era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia." [Lucas 2:36-37].

Quando estivermos diante do Trono do Julgamento, o Senhor revelará todas as coisas boas que praticamos, até mesmo aquelas há muito tempos escondidas na obscuridade ("coisas ocultas das trevas") e as muitas boas intenções ("desígnios dos corações") que podem não ter necessariamente produzido o fruto que tínhamos esperado:

"Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor." [1 Coríntios 4:5].

O quão maravilhoso é saber que, na plenitude dos tempos, "cada um receberá de Deus o louvor"!

Como seguidores sinceros de Cristo devemos desejar ouvir as seguintes preciosas palavras: "Bem está, servo bom e fiel."

O Senhor espera que aproveitemos ao máximo nossas oportunidades enquanto estamos aqui na Terra. Até alguém aparentemente não regenerado como o rei Joás, de Israel, foi repreendido quando foi visitar Eliseu em seu leito de morte. O envelhecido profeta colocou diante do rei duas tarefas simples. A segunda requeria que o rei pegasse flechas e as atirasse contra o chão usando um arco. O rei atirou três vezes, mas Eliseu ficou bravo com ele:

"Então o homem de Deus se indignou muito contra ele, e disse: Cinco ou seis vezes a deverias ter ferido; então feririas os sírios até os consumir; porém agora só três vezes ferirás os sírios." [2 Reis 13:19].

Paulo também acautelou os fiéis cristãos: "... operai a vossa salvação com temor e tremor" [Filipenses 2:12]. O Senhor nos considerará responsáveis por tudo o que fizermos após a nossa conversão. Ao dizer "operar a salvação", Paulo está se referindo não às obras que ganham a salvação — já que isto é impossível — mas à nossa fidelidade e diligência após sermos salvos. "Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá." [Lucas 12:48].

Conclusão

Muitos cristãos hoje estão incrivelmente indiferentes à riqueza de oportunidades que têm de servir a Cristo. Parece que eles não veem as riquezas espirituais que estão incorporadas em cada dia. Os pastores deveriam exortar mais os fiéis cristãos em suas igrejas para que façam o melhor uso possível de cada hora adicional que o Senhor nos proporciona. Infelizmente, como Cristo observou no Apocalipse, a Igreja de Laodiceia tem pouco entusiasmo pelo Evangelho. Parece que muitos cristãos professos veem sua salvação como pouco mais do que um bilhete para o céu. Fica-se imaginando quantos realmente são salvos.

Talvez, se houvesse uma maior conscientização geral dentro da igreja a respeito dos galardões que o Senhor vai distribuir no Tribunal de Cristo — e a possibilidade de muitos fiéis cristãos ficarem decepcionados ao verem o quão pouco eles realmente fizeram para servir ao seu Salvador — a situação seria muito diferente.

Eu me converti pouco mais de seis anos atrás, quando tinha 52 anos de idade, mas nunca ouvi um único cristão falar pessoalmente sobre o Tribunal de Cristo e os galardões que nosso Salvador graciosamente outorgará aos fiéis cristãos.

Faça o favor de lembrar seus irmãos e irmãs em Cristo que eles terão de prestar contas de si mesmos no Tribunal de Cristo. Além disso, lembre-os que, muito provavelmente, nosso Salvador fará a cada um de nós uma pergunta bem simples: "— Você falou de mim às outras pessoas?"

Para encerrar, gostaria de recomendar a leitura de um livro excelente sobre este importante assunto: The Judgment Seat of Christ: A Biblical and Theological Study, de Samuel Hoyt (2011).



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 7/2/2015
Transferido para a área pública em 22/3/2017
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