A Ascensão da Deusa e da Espiritualidade Feminista

Forcing Change, Volume 4, Edição 3.

Um artigo on-line recente anunciou que membros do Templo da Deusa da Mãe do Bosque celebrariam um ritual do Equinócio da Primavera no salão paroquial da Catedral Episcopal de Todas as Almas, localizada em Biltmore Village. Um membro do Templo da Deusa explicou o objetivo:

"Criar um santuário permanente, em que pessoas de todas as tradições e fés possam aberta e seguramente celebrar o divino feminino, a deusa. (Midwest Conservative Journal, 22 de março de 2010).

Segundo o MCJ, a "A celebração consistiria em criar um círculo, cantar, mentalizar seus desejos e lançar aviõezinhos de papel contendo orações escritas... em uma alegre expressão do início da primavera e de reunião como comunidade.”

A espiritualidade da deusa está crescendo de forma desmedida. Desde o filme Avatar até os salões das igrejas, a ascensão da espiritualidade da deusa é evidente em todo o mundo ocidental. É impressionante como esse conceito da deusa tem historicamente se inserido na estrutura de nossa sociedade. Basta viajar pelos EUA e manter seus olhos abertos para constatar que desde a Estátua da Liberdade em Nova York, até a estátua da Ísis Negra com Véu, diante da Biblioteca Herbert Hoover, em Iowa, estátuas e imagens da deusa pontilham a paisagem do país.

Por tempo demais os cristãos ignoraram a influência da espiritualidade da deusa; agora, estão descobrindo que estão se conformando com as práticas pagãs em nome da tolerância religiosa. Conceitos da deusa não são mais raros nos círculos cristãos. Portanto, é hora de enfrentarmos a ascensão da deusa.

Esta edição da Forcing Change tratará da questão da espiritualidade da deusa.



Parte 1 — Nosso Pai Que Estás no Céu, ou Nossa Mãe Terra?

Autora: Berit Kjos (http://www.crossroad.to)

Nota do Editor: O artigo a seguir é um excerto do excelente livro A Twist of Faith (A Torção da Fé). Este artigo e o livro demonstram o impacto da espiritualidade da deusa nos indivíduos e na sociedade — o artigo é uma importante janela para a compreensão do pensamento e das motivações religiosas que estão por trás desta poderosa e crescente tendência.

As lutas de Peggy pareciam intermináveis. Ela queria estar perto de Deus, mas raramente sentia Sua presença. Ela queria que seu filho adolescente amasse a Deus, mas os pôsteres ocultistas no quarto dele tornaram-se lembretes diários das orações não respondidas. Ela se filiou a um ministério cristão, mas mesmo assim não conseguiu alcançar uma relação satisfatória com Deus. Após certo tempo, deixou o ministério para voltar à faculdade.

Peggy me procurou alguns anos mais tarde e me disse que começava a se encontrar. Sua busca a levara para além das vozes familiares que haviam dado "respostas convenientes" às suas questões espirituais. O Deus bíblico não parecia mais relevante ou benevolente. Uma professora da faculdade havia sido especialmente importante em sua jornada rumo ao autodescobrimento. Essa professora e orientadora chamava a si mesma de bruxa — alguém que acredita no poder das fórmulas e dos rituais mágicos para invocar o poder das forças espirituais.

Alguns anos se passaram. Quando me procurou novamente, ela havia se separado do marido e se mudado.

"— Eu precisava me encontrar. Minha jornada espiritual abriu meus olhos para todo um novo paradigma", explicou.

"— Um novo paradigma?"

"— Sim. Uma nova forma de ver Deus e a mim mesma — e tudo o mais. É como nascer de novo."

"— Quem é Jesus Cristo para você agora?", perguntei.

"— Ele é um símbolo da redenção. Não rejeitei a Bíblia, mas estou apenas tentando fazer minha experiência espiritual do meu jeito. Tenho de ouvir minha própria voz e não deixar que outra pessoa faça as escolhas por mim. Enquanto isso, estou disposta a viver em confusão e mistério, e sinto que estou nas mãos de Deus, independente de Deus ser ele, ou ela."

A jornada dela soa familiar para você? Como milhões de outras pessoas, Peggy anseia por uma espiritualidade prática, um senso de identidade, uma comunidade de seguidores que pensem de forma semelhante, e um Deus que ela possa sentir. Ela se recorda de versos bíblicos significativos, mas eles perderam a autoridade como diretrizes. De algum modo, a Bíblia não mais se encaixa com o modo dela de pensar ou com aquilo que ela quer.

Ela se indaga por que Deus não é mais tolerante e de mente aberta. Afinal de contas, ele é um Deus de amor, não é? Talvez uma divindade feminina fosse mais misericordiosa, compreensiva e relevante para as mulheres. Talvez seja tempo de ir além das antigas restrições da verdade bíblica, rumo ao reino ilimitado dos sonhos, das visões e do autodescobrimento.

Multidões já foram. As antigas e esparsas jornadas em experiências da Nova Era tornaram-se uma larga avenida cultural rumo a uma espiritualidade autoproduzida. Muitas mulheres que participam de igrejas fluíram para esses caminhos místicos e adaptaram suas antigas crenças às visões mais "inclusivas" de hoje. Afinal, segundo disseram para elas, a paz em um mundo pluralista exige uma visão mais aberta de todas as religiões e culturas.

Aquelas que concordam estão encontrando inúmeros caminhos para a "sabedoria" e a capacitação individual por meio de livros, revistas e novas formas de grupos femininos. Elas se reúnem em igrejas tradicionais, na YWCA (Associação Cristã de Moças), em retiros, em livrarias, em salas de estar... em qualquer lugar. Aqui, novas palavras e práticas estranhas — como eneagramas, labirintos, Círculos de Sofia, consciência global e "massa crítica" — oferecem fórmulas modernas para a transformação espiritual. Terapeutas, mentoras e diretoras espirituais prometem "locais seguros" em que as interessadas poderão descobrir sua própria verdade, aprender novos rituais, opinar sobre as experiências umas das outras e libertar-se das antigas regras e limitações.

Talvez você participe de um desses grupos. Você pode ter amigas ou parentes que estão explorando esses novos caminhos. Ou então você pode estar entre aqueles que se perguntam como essas estranhas atividades místicas poderiam tocar sua vida.

Ao contrário das mulheres que estão buscando a verdade em círculos pagãos, você pode conhecer seu destino e não sente necessidade de alternativas espirituais. Você está seguro em sua família, em sua igreja e entre seus amigos pessoais.

Tem certeza? Esse novo movimento espiritual está transformando nossas igrejas bem como nossa cultura. Ele atinge toda família que lê jornais, que assiste televisão e que envia seus filhos às escolas públicas. Ele está levando rapidamente nossa cultura para além do cristianismo, além do humanismo — e até além do relativismo — rumo a novos valores e crenças globais. Ninguém está imune às suas pressões sutis e aos seus estímulos silenciosos. O fato de ele se associar às outras mudanças sociais e movimentos globais apenas acelera a transformação. Entretanto, a maioria dos cristãos — como o sapo colocado na bacia com água fria aquecida no fogo brando — ainda não percebeu o que está acontecendo.

O movimento feminista exige novas divindades ou, pelo menos, uma redefinição das antigas deidades. Portanto, a busca por uma religião "mais relevante" propõe novas visões de Deus: imagens que troquem a santidade pela tolerância, o celestial pelo terreal e o Deus que está acima de nós por um deus que seja cada um de nós.

As imagens mais sedutoras são femininas. Elas podem parecer como os anjos dos cartões postais, fadas-madrinhas, deusas gregas terrenas, sacerdotisas radiantes da Nova Era, ou mesmo uma Maria mítica, mas todas prometem amor incondicional, paz, poder e transcendência pessoal. Para muitos, essas imagens parecem ser boas demais para rejeitar.

As Máscaras Sedutoras dos Deuses Femininos

Provavelmente você não esperaria encontrar deusas em uma cidadezinha conservadora no interior do estado do Dakota do Norte. Eu não esperava. Mas, um dia, ao visitar a cidade natal de meu marido, uma vizinha nos disse que uma livraria tinha acabado de ser aberta na casa pastoral da velha Igreja Luterana. "Vocês deveriam ir lá conhecer", ela nos incentivou.

Concordei e então fui até a linda igreja branca, caminhei até a casa pastoral ao lado e toquei a campainha. A mulher do pastor abriu a porta e me levou até um quarto amplo que ela tinha transformado em uma livraria, deixando-me à vontade para folhear os livros. Percorrendo as prateleiras ao longo das paredes, observei autores conhecidos como Lynn Andrews, que livremente mistura feitiçaria com rituais dos índios americanos, autocapacitação de Nova Era e outras tradições ocultistas para formar sua própria espiritualidade.

Entre os livros multiculturais na seção infantil, um que chamou minha atenção foi As Muitas Faces da Grande Deusa, "um livro de colorir para todas as idades". As páginas continham desenhos de deusas voluptuosos e famosas. Nuas, com os seios à mostra, grávidas ou com serpentes enroladas no corpo, elas certamente abririam as mentes dos jovens artistas para a atração o sexo "sagrado" e dos mitos antigos.

Enquanto voltava para casa, fiquei considerando a rápida mudança do cristianismo para o paganismo. Aparentemente, os mitos e a sensualidade espiritualizada pareciam bons para aqueles que buscam novas revelações e verdades "mais elevadas". Muitos dos mitos modernos retratam deidades que se encaixam em algum ponto entre uma versão feminina de Deus e as deusas atemporais retratadas nas histórias e nas culturas centradas na terra. Todavia, cada uma delas pode ser feita de encomenda para se encaixar nos gostos e exigências diversos das mulheres de hoje.

Anjos. Terry usa um broche na forma de anjo em sua jaqueta. Ela acredita que os estimados anjos de hoje ofereçam todo tipo de ajuda, direção e encorajamento pessoal. Embora Deus lhe pareça distante e impessoal, ela conta com seu anjo particular para ajudá-la e amá-la. Ela me mostrou um jogo de cartas de anjos em uma prateleira em sua loja de presentes. "Que este anjo da guarda possa... lhe dar esperança e vigor para enfrentar cada novo amanhecer", sugeria um cartão de amizade, que vinha com um broche de um anjinho dourado.

Sofia. "Sofia, Deusa Criadora, que teu leite e mel manem... Inunda-nos com teu amor..." entoaram mais de 2.000 mulheres reunidas na Conferência da Reimaginação de 1993, em Minnesota. "Celebramos a vida sensual que nos dás... Celebramos nossa corporeidade... as sensações de prazer, nossa unidade com a terra e com a água", prosseguiu uma das líderes. Representando as grandes denominações, as mulheres vieram da Igreja Presbiteriana dos EUA (cerca de 400 mulheres), da Igreja Metodista Unida (cerca de 400), da Igreja Evangélica Luterana da América (313), da Igreja Unida de Cristo (144) e das igrejas batista, episcopal e Igreja dos Irmãos (cerca de 150). Cerca de 230 eram católicas romanas. Para a maioria dessas adoradoras, Sofia simbolizava a sabedoria interna e "a imagem feminina do Divino". Brincalhona, permissiva e sensual, ela "tornou-se a mais nova febre entre as mulheres das igrejas progressistas."

Mãe Terra. Para preparar as meninas escoteiras (entre 10 e 12 anos) para uma cerimônia regional de "iniciação na vida adulta", a líder regional Tracy, do Condado de Santa Clara, na Califórnia, utiliza imagens guiadas para alterar suas consciências e ajudá-las a encontrar seu próprio espírito-guia. De acordo com outra líder preocupada, que observou a cerimônia da fogueira, Tracy, vestida como uma índia americana, invocou o Grande Espírito e os espíritos das matas, o Norte, Sul, Leste e o Oeste. Após explicar a entrada das meninas na condição de mulheres e marcar suas frontes com cinzas, ela as levou a uma jornada de meditação.

"Image um campo"... entonou sua voz misteriosa. "Veja uma moça sentada debaixo da sombra de uma árvore. Converse com ela. Essa pessoa sábia será sua companheira e auxiliadora durante toda a vida." Com esse constante e fiel espírito-guia, quem quererá seguir os conselhos da mamãe, do papai, ou de Deus? Por que convidar uma opinião contrária quando o guia fala aquilo que a pessoa quer ouvir — pelo menos no início?

Uma deusa. Sharon cresceu em um lar cristão. Desapontada com a fria resposta de sua igreja às suas preocupações com o meio ambiente, ela se voltou para a feitiçaria. Como seu conciliábulo aceita qualquer expressão panteísta, Sharon simplesmente transferiu aquilo que gostava em Deus para a sua imagem autoproduzida da deusa. Ela descreve seu substituto feminino de Deus como um ser amável e não julgador que preenche toda a criação com sua vida sagrada. Ocasionalmente, essa deusa aparece para ela e a reveste com uma luz brilhante e uma presença espiritual "amorosa".

Essas e incontáveis outras mulheres compartilham duas visões radicais: o cristianismo tradicional, com suas restrições bíblicas, está ultrapassado, e novos panoramas ilimitados de emoções e dons espirituais estão em alta. Vale tudo — exceto a verdade e os padrões absolutos de Deus. O amplo guarda-chuva da espiritualidade feminista abrange todas as religiões pagãs do mundo, mais as atuais distorções populares do cristianismo. A maioria das buscadoras simplesmente recolhe e mistura as "melhores partes" de diversas tradições. A pessoa pode iniciar como a meditação budista, depois adicionar a medicina chinesa, Yôga hindu e a iniciação no deserto dos índios americanos chamada de "Busca Espiritual". Algumas dessas combinações se encaixam melhor com as visões das feministas atuais do que outras, porém a maioria envolve o seguinte:

Panteísmo. Tudo é deus. Um espírito, força, energia ou deus(a) permeia todas as coisas, infundindo todas as partes da criação com sua vida espiritual.

Monismo. Tudo é um. Como o deus panteísta é tudo e está em todos, todas as coisas estão conectadas.

Politeísmo. Muitos deuses. Como a força panteísta ou deus(a) torna tudo sagrado, qualquer coisa pode ser adorada: o sol, as árvores, as montanhas e as águias — e inclusive nós mesmos.

Paganismo. Confiar na sabedoria e nos poderes do ocultismo. Em toda a história, xamãs tribais, curandeiros, pajés ou sacerdotes contactaram o mundo espiritual usando rituais e fórmulas mágicas atemporais que são surpreendentemente similares em todas as culturas pagãs do mundo.

Neopaganismo. Novas combinações idealizadas das antigas religiões pagãs. Para tornar o paganismo atraente na atmosfera autofocada dos dias atuais, seus promotores idealizam culturas tribais e religiões pagãs. Em vez de dizer toda a verdade e nada além da verdade, eles nos dizem que forças espirituais vinculam cada pessoa a cada outra parte da natureza. Qualquer mulher pode funcionar como uma sacerdotisa, contactar o mundo espiritual, manipular as forças espirituais e ajudar a criar a paz e a unidade globais.

Portais para a Deusa

Como a maioria dos neopagãos, Daiane acredita que a espiritualidade centrada na terra traga paz e capacitação pessoal. Ela é uma linda moça com cabelos pretos longos, delgada e com a aparência de ser vegetariana. Ela é cabeleireira, é casada, deseja ter filhos e é membro da Assembleia Pagã de San Francisco. Certa vez, enquanto cortava meu cabelo, ela me contou como descobriu a deusa que a capacita.

"— Sempre gostei de ler, especialmente livros sobre magia e feitiçaria."

"— Qual era seu favorito", perguntei.

"— Drawing Down the Moon (Baixando a Lua), de Margot Adler. (NT: O título se refere a um ritual da Wicca, em que a sacerdotisa do conciliábulo entra em transe e começa a canalizar mensagens e a representar o papel da deusa.).

"— Esse livro é quase uma enciclopédia sobre feitiçaria. Quantos anos você tinha quando o leu?"

"— Eu estava concluindo o ensino médio."

"— Onde você encontrou o livro?"

"— Na biblioteca. Mas eu já tinha lido alguns outros livros, como Medicine Women, de Lynn Andrews.

Meus pensamentos se voltaram para outra moça que tinha lido esse livro alguns anos antes. A professora de Lori no colegial a incentivou a explorar diversas tradições espirituais — até mesmo a criar sua própria religião. Fascinada com a combinação neopagã da autora Lynn Andrews do xamanismo dos índios americanos com a espiritualidade da deusa, Lori encomendou de um catálogo uma tenda indígena, armou-a em seu quintal e a utilizou para realizar rituais à luz de velas inspirados pela Wicca (magia branca). Como a maioria dos pagãos contemporâneos, ela aprendeu a misturar diversas tradições em uma expressão pessoal que se ajusta à sua própria busca por poder e "sabedoria interior".

Alguns meses antes de Daiane cortar meu cabelo pela primeira vez, eu tinha conhecido uma charmosa aluna da Universidade de Stanford que também chamava a si mesma de pagã. Bete, uma estudante de Pedagogia com Ênfase em Filosofia, tinha lido meu livro sobre espiritualidade ambiental e queria discuti-lo comigo. Um dia, durante um almoço na lanchonete da faculdade, ela compartilhou comigo suas crenças.

"— Quem levou você à feitiçaria e ao lesbianismo?", perguntei após certo tempo.

"— Duas professoras que tive durante o ensino médio", ela respondeu.

Eu não fiquei surpresa. Naquela época, eu já sabia que um número exorbitante de mulheres pagãs escolhem a sala de aula como plataforma para ampliar sua fé e transformar nossa cultura. Como o restante de nós, elas desejam construir um mundo melhor — que reflita suas crenças e valores.

Enquanto Bete falava, observei as joias que estava usando. O pentagrama dourado e a miniatura de uma deusa voluptuosa em uma corrente ao redor do pescoço diziam muito sobre seus valores. Assim também os brincos: dois enormes triângulos cor-de-rosa apontando para baixo, um antigo símbolo da deusa, bem como um moderno símbolo do lesbianismo.

"— E essas suas joias? As pessoas sabem o que o pentáculo e os triângulos simbolizam? Elas criticam você por usar uma miniatura da deusa?"

Ela riu. "— Não, não. Aqui, todos são tolerantes com os estilos de vida dos outros; ninguém ousaria dizer coisa alguma."

Refleti sobre essa afirmação. O que significa ser tolerante — ou intolerante — hoje em dia? Se a intolerância for a postura autocentrada, que despreza as pessoas com valores "diferentes", ela é errada. Jesus Cristo sempre demonstrou amor e compaixão em relação às mulheres excluídas e maltratadas de Seu tempo. No entanto, Ele nunca concordou com estilos de vida destrutivos ou com ações que ameaçassem os demais. O que aconteceria com uma cultura que tolerasse tudo?

Um resultado é óbvio. As três últimas décadas produziram uma abertura sem precedentes para aquilo que era antes considerado como território proibido. A adivinhação, os jogos com temática ocultista, os rituais dos índios americanos e incontáveis outras portas para o paganismo se propagaram desde os quartos secretos dos ocultistas profissionais e dos xamãs indígenas para as salas de aula, para os programas ambientais, para os acampamentos das meninas escoteiras e para as igrejas em todo o país.

Os teólogos "cristãos" mais conhecidos não mais ocultam suas preferências espirituais. "A desconstrução da religião patriarcal — em termos suaves, o suicídio assistido de Deus, o Pai — deixou muitos de nós destituídos de uma divindade", explica a teóloga feminista Mary Hunt. "Mas, a fome humana por valor e significado... encontra uma nova expressão na adoração à deusa."

Essa fome humana por significado e sentido foi planejada para levar as pessoas a Deus. Ele nos criou para que precisemos Dele, não das falsificações criadas pelo homem. Como o filósofo do século 17 Blaise Pascal escreveu: "Há um vazio no formato de Deus em todo coração." Todavia, um número extraordinário de pessoas procura encher esse vazio com substituições sedutoras.

Celebrando a Deusa

Em 2 de junho de 1994, esse desejo espiritual levou centenas de mulheres à Conferência da Renascença do Sagrado Feminino, em San Francisco. Contrariando a proximidade do Solstício de Verão, um vento frio passava pelas paredes de pedra da Catedral da Graça enquanto eu aguardava com a multidão enfileirada nas laterais — e orava.

O frio aumentou. Abotoamos nossas jaquetas e nos agrupamos mais. Algumas mulheres estudavam o programação oficial do evento. A capa mostrava uma deusa sensual dançando diante de um grande círculo — talvez um sol sagrado, ou uma roda budista da vida, ou uma roda da medicina dos índios sioux... Não fazia diferença qual fosse. A deusa do hoje é universal o suficiente para englobar todas as religiões centradas na terra e divindades femininas de todo o mundo.

Um parágrafo introdutório sugeria que essa deusa panteísta unificaria as pessoas e salvaria o planeta:

"Este evento celebra e honra a presença da Mãe Divina no centro da civilização global emergente. O Sagrado Feminino tem um papel central na restauração das nossas mentes divididas e de nosso planeta ameaçado de extinção... Sem a transformação espiritual em uma escala maciça e sem precedentes, a humanidade não conseguirá sobreviver..."

Não sobreviveremos sem uma transformação ocultista?

Olhei para os rostos das pessoas que estavam ao meu redor. Elas estavam se tornando impacientes. O horário de entrada, 18h30min tinha passado e os apelos para abrigo no interior tinham caído em ouvidos antipáticos. "Lembrem-se que estamos em um caminho cíclico, não linear como no antigo caminho patriarcal", foi a única desculpa dada. Eu ri, esperando que a espiritualidade da deusa continuasse a se mostrar como de fato é.

Com vinte e cinco minutos de atraso as portas foram abertas e a multidão entrou rapidamente, lotando a enorme catedral episcopal. Enquanto estranhos cantos à Mãe Terra ecoavam entre os pilares góticos, dei uma olhada em uma pequena folha de papel verde que uma pessoa distribuiu na porta de entrada. "Fracasso", estava escrito no meu papel.

Curiosa, voltei-me para a mulher que estava ao meu lado e perguntei: "— O que está escrito no seu papel?"

A mulher leu e respondeu, franzindo a testa: "Escravidão".

"Ah Ma-ma! Ah Ma-ma! Ah Ma-ma..." cantava o Conjunto Coral de Lésbicas de San Francisco.

À medida que outras também começaram a cantar acompanhando o conjunto, imagens da deusa de várias partes do mundo eram projetadas em um telão. As imagens iam de voluptuosas deusas da fertilidade para assustadoras e vingadoras deusas bebedoras de sangue que exigiam sacrifícios humanos.

A deusa supostamente deveria ser gentil e compassiva, pensei comigo mesma. Todavia, em muitos de seus próprios mitos, ela é mais cruel do que se pode descrever com palavras. Lembrei-me da deusa hindu Kali com sua língua sanguinária e seu colar de crânios humanos.

Uma voz invocou a presença da deusa de muitas faces: "Saudações à grande imperatriz que saiu do fogo da pura consciência..." Silenciosamente, continuei a louvar a Deus. Em seguida, Alan Jones, deão da catedral, compartilhou sua satisfação com nossa cultura "pós-tradicional" e "os novos modos e formas de expressar o espírito".

Uma jornada de quatro passos rumo à unidade consciente com esse "sagrado feminino" teve início com a rendição coletiva: "Nós nos curvamos ao teu sagrado poder, à santa sabedoria de Sofia, nossa amada mãe que está no céu e na terra..."

"Nosso Pai que estás nos céus, santificado seja o teu nome...", orei silenciosamente como forma de tapar minha mente aos outros sons.

O segundo passo, Caos e Tribulações, significava experimentar os sofrimentos do nascimento, do útero e da transformação. Fomos instruídas a imaginar a condição escrita em nosso pedaço de papel de cor verde, entrar naquelas trevas, sentir a dor, invocar a deusa-mãe, depois gemer, chorar e se lamentar. À medida que os sons de lamentos pelas dores imaginadas começaram a ser ouvidos por todo o ambiente, continuei a agradecer a Deus por Seu triunfo sobre as trevas.

O terceiro passo, Abraçar e Compreender, ofereceu somente mitos pagãos e afirmações rasas como soluções para os problemas da vida. Uma história sobre a deusa-solar japonesa terminou com uma fútil solução para o medo: um espelho para olhar para sua própria glória.

Exaltação e Transformação, o quarto passo na jornada rumo ao "sagrado feminino, a fonte do nosso ser", foi liderada por Andrew Harvey, um guru para ocidentais que buscam as experiências místicas do Oriente. Como a maioria dos pagãos contemporâneos, ele mistura as crenças e práticas de muitas tradições centradas na terra para criar sua própria expressão. Sua mistura de meditação oriental, feitiçaria ocidental, mistérios do sufismo e Psicologia Junguiana pareciam ter conquistado para ele o status de um mestre reverenciado. Imitando os Dez Mandamentos, ele listou "Dez Sugestões Bastante Firmes". A nona sugestão tipifica o foco sensual do paganismo contemporâneo:

As Dez Sugestões Bastante Firmes:

  1. Adore-me... a Mãe. Saiba que eu, a Mãe, sou imanente e transcendente.
  2. Adore todo ser que sente emoções... com minha total ternura.
  3. Atreva-se a adorar a si mesma como minha criança divina.
  4. Saiba... que a natureza é o corpo sagrado da minha vida sagrada.
  5. Saiba que meu amor é eternamente ativo...
  6. Brilhe em todas as quatro direções.
  7. Dissolva todas as barreiras sociais entre seitas e religiões.
  8. Dissolva todas as barreiras entre... o sagrado e o profano.
  9. Descubra e cultive o Eros sagrado em todas suas conexões extáticas.
  10. Saiba que posso ser contactada em qualquer lugar e a qualquer momento por meio de uma sílaba sagrada: 'Ma'. Nenhum intermediário é necessário.

Como Harvey se comunica diretamente com espíritos pagãos, ele recebe os tipos místicos de mensagens que alimentam a rebelião espiritual moderna. Recentemente, a "Mãe Divina" lhe disse que "tudo será transformado quando você conhecer e me ver... Determinei o fim da homofobia. Determinei o fim da razão. Determinei o fim da negação da santidade do corpo.... Determinei o fim da exploração da natureza. Determinei que haverá um jardim..."

A Conferência Sobre o Sagrado Feminino iria continuar por mais dois dias em uma igreja unitariana da cidade, mas eu já tinha visto o suficiente. Dirigindo meu carro de volta para casa, agradeci ao meu Senhor por sua vitória sobre as deidades ocultistas e as forças que elas representam. Somente Ele pode trazer um renascimento da verdade e da luz nessas trevas que estão se propagando.

Olhando Para Frente

Haverá um jardim sob o reinado da deusa? A "Mãe Divina" de Harvey disse que sim, mas quem é ela? Ela sussurra mistérios que o mundo deseja ouvir, mas o que torna seus mitos tão aceitáveis de acreditar — até para líderes de igrejas? O que acontece com as mulheres seduzidas por suas promessas e para aonde ela está levando nossos filhos? O que acontece com as nações que se voltam para "outros deuses" e valores? O que acontece com os cristãos nessas culturas?

Estas e outras questões cruciais são discutidas no restante deste livro. [Nota do Editor: Recomendo a aquisição de A Twist of Faith.] Em cada capítulo, veremos uma frase na oração que Jesus ensinou aos Seus discípulos, depois mostramos como ela é virada de cabeça para baixo pelo movimento de espiritualidade feminista. Após a estrutura de tópicos da oração a seguir, exploraremos os principais mitos que alimentam o reavivamento pagão da atualidade e as principais verdades que nos levam de volta à intimidade com Deus. Considere as diferenças:

Orando a Deus:
Afirmando a deusa:

Para as mulheres que buscam novas direções, rostos femininos para Deus e uma imagem melhor de si mesmas, o caminho da espiritualidade feminista pode parecer brilhante e promissor. Entretanto, como Peggy, muitas se encontram nas profundezas da confusão e da solidão espiritual assim que a euforia inicial acaba. Algumas ficam presas em uma espiral espiritual descendente e da qual não conseguem escapar. Quando já é tarde demais, elas se encontram imersas na opressão e na confusão, em vez de obterem amor e paz.

Uma irmandade global de militantes feministas iradas está ascendendo ao poder. A Conferência Mundial das Nações Unidas Sobre a Mulher, em Pequim, na China, deu uma amostra de sua influência. Ela deu às líderes ordens de marcha destinadas a revolucionar nossos lares, escolas, igrejas, serviços sociais, a sociedade civil e a cultura. Se o movimento feminista receber aquilo que exige, ninguém escapará de sua influência global. Os cristãos enfrentarão o tipo de ódio e perseguição que levou os puritanos à América do Norte, mas não haverá lugar para se esconderem além de Cristo.

Conforme observamos essas transformações à luz da Sua Palavra, Deus nos ajuda a compreender esta crise e a nos prepararmos para o conflito vindouro. Quando confiamos Nele e contamos com Suas promessas, Ele não apenas nos mantém espiritualmente ilesos durante nossa jornada, mas também nos mostra um contentamento e uma vitória que apenas são possíveis para aqueles que ousam enfrentar a realidade, recusam a contemporização e concentram suas mentes em seguir o Sumo Pastor das ovelhas.



A Ascensão da Deusa e da Espiritualidade Feminista

Parte 2 — A Adoração à Deusa

Autor: Russ Wise

Nota do Editor: O artigo a seguir, usado mediante permissão de Probe Ministries, rastreia a espiritualidade da deusa da forma como ela se relaciona com a feitiçaria, com o Movimento Feminista, com o ocultismo e como se manifesta nas igrejas de base liberal.

Russ Wise é um ex-conferencista que trabalhou com Probe Ministries; ele é um observador do ocultismo e das seitas (tanto orientais quanto ocidentais) há mais de vinte anos. Ele procura esclarecer a comunidade cristã a respeito desses ensinos sem base bíblica, ajudando a impedir que os cristãos sejam vítimas dessas enganações. Atualmente, ele coopera com o Christian Information Ministries.

Probe Ministries é uma organização cristã que procura ajudar a igreja a renovar as mentes dos fiéis com a cosmovisão cristã e equipá-los a ir ao mundo e evangelizar. Mais informações podem ser encontradas na página em http://www.Probe.org.



"A deusa, ou Grande Mãe, existe desde o início dos tempos... foi das profundezas primordiais de seu útero que o Universo e toda a vida nasceram." — Morwyn, Secrets of a Witch’s Coven (Segredos de um Conciliábulo de Bruxos).

A reverência pela deusa está se tornando prevalecente nos dias atuais. A deusa é aceita pela feitiçaria, pelo feminismo radical, pelo ocultismo e pelas igrejas liberais. A Nova Era, que está prestes a alvorecer sobre nós, será, de acordo com o mundo ocultista, uma era feminina. Da mesma forma, aqueles que têm essa visão acreditam que a atual era masculina tem sido uma época de destruição e de relacionamentos rompidos entre a humanidade. A Nova Era com suas energias femininas trará equilíbrio aos aspectos destrutivos da Era de Peixes.

Rosemary Radford Ruether, em seu livro Woman­guides: Readings Toward a Feminist Theology, declara que:

"É para as mulheres que olhamos em busca de salvação nas águas curadoras e restauradoras de Aquário. É para essa Nova Era que olhamos agora com esperança à medida que a era presente do masculinismo consegue se autodestruir."

De acordo com Starhawk, uma feminista e bruxa praticante, "O simbolismo da Deusa não é uma estrutura paralela com o simbolismo de Deus, o Pai. A Deusa não governa o mundo; ela é o mundo." [1].

Para que essa época feminina possa se concretizar plenamente, uma mudança na consciência precisa ocorrer no mundo. Essa mudança na forma de pensar e na percepção da realidade apresentará a deusa. [2].

Segundo aqueles que acreditam na Grande Deusa, a Europa era antigamente habitada por uma sociedade matriarcal e igualitária. Eles afirmam que os europeus adoravam uma deusa matrifocal, sedentária, pacífica e amante da arte, no período de 5.000 a 25.000 anos antes da ascensão da primeira religião orientada para os homens. Eles afirmam que essa cultura igualitária foi dominada e destruída por um grupo de invasores indo-europeus seminômades, montados a cavalo, que eram patrifocais, que se deslocavam, eram guerreiros e indiferentes à arte. [3].

Esses invasores indo-europeus consideravam-se superiores aos adoradores da deusa, que eram pacíficos e amantes da arte, por causa de suas capacidades militares superiores. A religião matriarcal daqueles primeiros colonizadores da Europa foi eventualmente assimilada dentro da religião patriarcal dos invasores. À medida que esses invasores impuseram sua cultura patriarcal sobre os povos conquistados, estupros [4] e mitos sobre os guerreiros masculinos matando serpentes (símbolos dos adoradores da deusa) apareceram pela primeira vez. À medida que a assimilação cultural continuou, a Grande Deusa se fragmentou em muitas deusas menores.

De acordo com Merlin Stone, autor de When God Was a Woman (Quando Deus Era uma Mulher), a desentronização da Grande Deusa — iniciada pelos invasores indo-europeus — foi finalmente realizada pelas religiões hebraica, cristã e islâmica que surgiram mais tarde. [5] A deidade masculina assumiu a posição proeminente. As deusas femininas se desvaneceram e passaram para o segundo plano, e a posição da mulher na sociedade também seguiu o mesmo curso. [6].

A Deusa e a Feitiçaria

No mundo da bruxaria, a deusa é a doadora da vida. Jean Shinoda Bolen, uma médica, em seu livro Goddesses in Everywoman (Deusas em Toda Mulher), tem o seguinte a dizer sobre a deusa:

"A Grande Deusa era adorada como a força da vida feminina profundamente conectada com a natureza e a fertilidade, responsável tanto por criar quanto por destruir a vida." [7].

Bolen também diz que "a Grande Deusa era considerada imortal, imutável e onipotente" antes da chegada do cristianismo. Para as bruxas, a deusa é a própria Terra. A Mãe Terra, ou Gaia, como a deusa é conhecida nos círculos ocultistas, é um ser em evolução, como é toda a natureza. Starhawk, em seu livro sucesso de vendas The Spiral Dance (A Dança Espiral), diz que "o modelo da Deusa, que é imanente na natureza, patrocina o respeito pela sacralidade de todas as coisas vivas. A bruxaria pode ser vista como a religião da ecologia. Seu objetivo é a harmonia com a natureza, para que a vida possa não apenas sobreviver, mas florescer." [8].

A bruxaria vê Gaia, ou a Mãe Terra, como um biossistema. Ela atribui consciência à Terra e acredita que ela também seja espiritual. Em outras palavras, Gaia é um ser vivo e em evolução que tem um destino espiritual.

O movimento ambientalista atual é grandemente influenciado por aqueles que praticam a feitiçaria ou que aderem às crenças neopagãs. A bruxaria é uma tentativa de reintroduzir o aspecto sagrado da Terra que foi, de acordo com seus praticantes, destruído pelo mundo cristão. Portanto, a deusa é uma afronta direta contra a religião dominada pelos homens do Deus dos hebreus.

O cristianismo ensina que Deus é transcendente, está separado da natureza e é representado para a humanidade por meio da imagem masculina. A bruxaria adere a uma visão panteísta de Deus. Deus é a natureza; portanto, Deus está em todas as coisas e todas as coisas são parte de Deus. Entretanto, esse Deus é na verdade uma deusa.

Uma crença fundamental na bruxaria é a ideia que a deusa antecede o Deus masculino. A deusa é a doadora de toda a vida e é encontrada em toda a criação.

"Não se pode deixar de enfatizar a importância do símbolo da deusa para as mulheres. A imagem da Deusa inspira as mulheres a se verem como divinas, nossos corpos como sagrados, as fases de mutação de nossas vidas como santas, nossa agressão como saudável, e nossa fúria como purificadora. Por meio da Deusa, podemos descobrir nossa força, iluminar nossas mentes, possuir nossos corpos e celebrar nossas emoções." [9].

Para Betty Sue Flowers, uma professora de inglês na Universidade do Texas, o movimento da espiritualidade feminina é a resposta para a religião orientada para os homens do cristianismo. Na Conferência Internacional Sobre a Espiritualidade Feminina, em Austin, no Texas, ela declarou:

"A deusa é uma metáfora que nos faz lembrar do lado feminino da espiritualidade. As metáforas são importantes. Não podemos conhecer a Deus diretamente. Somente podemos conhecer as imagens de Deus, e cada imagem, ou metáfora, é uma porta. Algumas portas estão abertas e outras estão fechadas. Uma porta que é só masculina está aberta apenas pela metade." [10].

A Deusa e o Feminismo

Para muitos no mundo feminista, a deusa é um objeto de adoração. Aqueles que estão no movimento da espiritualidade feminista "rejeitam aquilo que chamam de tradição patriarcal judaico-cristã, deplorando a linguagem sexista, as imagens e a liderança predominantemente masculinas." [11].

De acordo com um artigo de Sonia L. Nazario, publicado no The Wall Street Journal, "As mulheres quiseram primeiro aplicar o feminismo nos campos político e econômico, depois em suas famílias. Agora, elas o querem em suas vidas espirituais." [12].

Para compreender plenamente as implicações do movimento de espiritualidade feminista, basta ler a literatura atual sobre o assunto. Os editores do livro Radical Feminism (Feminismo Radical) declaram que "As instituições políticas, como a religião, estão baseadas em filosofias de ordens hierárquicas e reforçam a opressão dos homens sobre as mulheres; portanto, elas precisam ser destruídas."

O feminismo radical acredita que a igreja tradicional precisa ser desmantelada. Naomi Goldenberg, em seu livro Changing of the Gods (A Troca dos Deuses), afirma que "… o Movimento Feminista na cultura ocidental está comprometido com a lenta execução de Cristo e de Iavé... É provável que à medida que observarmos Cristo e Iavé caírem e rolarem pelo chão, superaremos completamente a necessidade de um deus externo." [13].

A deidade que muitos no campo feminista estão procurando toma a forma de uma deusa. Alguns no movimento da deusa, de acordo com um artigo publicado no Wall Street Journal, "oram para que chegue o tempo quando a ciência tornará os homens desnecessários para a procriação." [14] A feminista radical vê o Movimento da Deusa como um veículo espiritual de expressão para suas crenças arraigadas. Mark Muesse, um professor-assistente de Estudos da Religião no Rhodes College, concorda que:

"... algumas cristãs feministas trabalham por mudanças que vão da ordenação de mulheres, o uso de termos genéricos e não-sexuais para Deus e para a humanidade até uma revisão geral da própria teologia." [15].

Talvez a palavra mais descritiva para o Movimento Feminista seja "transformação". Catherine Keller, professora-associada da Teologia na Universidade Xavier diz em seu ensaio "Feminismo e o Novo Paradigma" que "o Movimento Feminista global está produzindo o fim do patriarcado, o eclipse da política de separação e o início de uma nova era modelada com base no paradigma holístico e dinâmico. As feministas radicais veem essa era e o longo processo que levará até ela, como uma transformação abrangente."

Outro aspecto dessa transformação é a mistura dos sexos. O Movimento Feminista busca um molde comum para toda a humanidade. O psicoterapeuta junguiano John Weir Perry acredita que precisamos descobrir nossa individualidade descobrindo a androgenia. Ele afirma:

"Para alcançar um novo consenso, temos de evitar cair novamente em estereótipos e isso requer o verdadeiro desenvolvimento de nossa individualidade. Este é um trabalho contínuo de autorrealização e auto-atualização. Para os homens, significa crescer em sua masculinidade nativa e equilibrá-la com a feminilidade. Para as mulheres, é o mesmo — crescer e atingir a plena feminilidade, e isso inclui seu lado masculino." [16].

Este processo se parece mais com a androgenia, ou uniformidade, do que com a individualidade. Essa mudança de paradigmas não é nada mais do que reordenar a compreensão do homem de Deus, uma transição na forma de pensar em Deus por meio da imagem predominantemente masculina e experimentar Deus como uma deusa, a mãe da vida.

A Deusa e o Ocultismo

O mundo do ocultismo, também conhecido como Nova Era, acredita que a deusa resida dentro do indivíduo e simplesmente necessita ser despertada. Em outras palavras, o indivíduo é inerentemente divino. Starhawk, a bruxa que trabalha com o sacerdote católico Matthew Fox em seu Instituto de Espiritualidade da Criação, diz que um indivíduo pode despertar a deusa invocando ou convidando sua presença. Ela diz: "… invocar a Deusa é despertar a Deusa que está no interior, para se tornar... esse aspecto que invocamos. A invocação canaliza poder por meio da imagem visualizada da Divindade."

Starhawk continua: "Já somos um com a Deusa — ela está conosco desde o princípio, de modo que a realização se torna... uma questão de autoconscientização. Para as mulheres, a Deusa é o símbolo do eu mais interior. Ela desperta a mente, o espírito e as emoções." [17].

Jean Shinoda Bolen, professora de Psiquiatria Clínica na Universidade da Califórnia, respondeu à pergunta "O que aflige nossa sociedade?" dizendo: "Sofremos da ausência de uma metade do nosso potencial espiritual — a Deusa." [18].

Os indivíduos que seguem os ensinos da Nova Era acreditam que a religião dominada pelo homem da época presente cometeu uma injustiça contra a humanidade e contra o ecossistema. Portanto, é necessário um balanceamento das energias. As energias masculinas precisam diminuir e as energias femininas precisam crescer para que a deusa capacite os indivíduos.

A Nova Era do ocultismo promete ser um período de paz, harmonia e tranquilidade, enquanto que a presente época das trevas da ruptura e da separação continua a produzir a guerra, conflitos e a desarmonia. Portanto, é a deusa, com seus aspectos femininos de unidade, amor e paz que oferecerá uma solução para a humanidade e impedirá sua destruição. Para muitos em nossa sociedade, esta parece ser a resposta para o dilema do homem. Entretanto, uma solução ocultista que nega a expiação de Cristo pelos pecados não pode atender plenamente os requisitos de Deus para a perfeição.

Para o pagão, a deusa representa a vida e tudo o que ela tem a oferecer. "A religião da Deusa é uma tentativa consciente de remodelar a cultura." [19]. Essa remodelagem não é nada menos que ver o homem e sua compreensão da realidade a partir de uma perspectiva centrada na mulher, o foco do qual está no Divino como mulher. Portanto, uma ênfase considerável é colocada nos atributos femininos e enfocando no fim o erotismo e a sexualidade:

"As mulheres são claramente a catálise para a formação da nova espiritualidade. São as mulheres, acima de tudo, que estão no processo de reverter o Gênesis... validando e liberando sua sexualidade." [20].

Uma parte importante desse processo de transformação é a capacitação das mulheres. A ascensão da deusa é um ataque direto aos fundamentos do cristianismo. Essa nova espiritualidade afirma a bissexualidade, o lesbianismo, a homossexualidade e a androgenia por meio da expressão do travestismo.

À medida que esse reavivamento da deusa continua, uma crescente falta de distinção entre homem e mulher se tornará a norma. O psicoterapeuta junguiano John Weir Perry acredita que "tanto a Psicologia atual quanto a história recente apontam para uma transformação emergente em nosso senso de sociedade e do eu, uma transformação que inclui a redefinição da noção do que significa ser homem e mulher." [21].

A Bíblia indica claramente que homens e mulheres foram criados como seres distintos, macho e fêmea. A crescente influência ocultista em nossa sociedade procura solapar o absoluto bíblico que dá estabilidade à nossa cultura. Novamente, a Bíblia estava correta, pois diz: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." [22].

A Deusa e as Igrejas Liberais

A mensagem da deusa também ganhou ouvidos nas igrejas liberais. A filosofia da deusa está sendo ensinada atualmente nas salas de aula de muitos seminários. Mary Daly, que se considera uma cristã feminista, diz o seguinte sobre o cristianismo tradicional: "Para falar de forma bem curta e grossa, proponho que o próprio cristianismo deva ser castrado." [23].

O objetivo principal desse tipo de "cristã" feminista é trazer ao fim aquilo que ela vê como uma religião dominada pelo homem, castrando a influência masculina da religião. Ela continua e diz: "Estou sugerindo que a ideia de salvação unicamente por meio de um salvador masculino perpetua a opressão patriarcal." [24].

A Rev. Susan Cady, coautora de Sophia: the Future of Feminist Spirituality (Sofia: o Futuro da Espiritualidade Feminista) e pastora da Igreja Metodista Unida Emanuel, na cidade de Filadélfia, é um exemplo da direção que Daly e outras estão levando a igreja. Essa autora diz que "Sofia é uma figura feminina, como uma deusa, que aparece claramente nas Escrituras da tradição hebraica." Wisdom Feast (O Banquete da Sabedoria), o livro mais recente das autoras, identifica claramente Jesus com Sofia. A sofiologia apresenta Sofia como uma deusa separada e Jesus como seu profeta. O livro toma liberdades com Jesus, substituindo-o com a deidade feminina Sofia.

Outro exemplo de como a "tealogia" (a grafia feminista para teologia) está entrando nas igrejas liberais é por meio de seminários realizados nas escolas teológicas. Um desses seminários foi realizado na Escola de Teologia Perkins, na Universidade Metodista do Sul, em fevereiro de 1990.

Linda Finnell, uma wiccana palestrante, falou sobre o assunto de "Retornar à Deusa Por Meio da Bruxaria Diânica". Dois dos conferencistas convidados eram de persuasão de Nova Era. Na verdade, um deles, José Hobday, trabalha com Matthew Fox e a bruxa Starhawk no Instituto de Espiritualidade da Criação.

Um número crescente de igrejas em todo o mundo está aderindo à mentira da Nova Era. Muitas igrejas introduziram o livro Um Curso em Milagres, Yôga, o Método Silva de Controle da Mente, e ensinos sobre unidade e metafísica em seus materiais didáticos. Algumas igrejas deram um passo adicional na Nova Era contratando indivíduos que aderem a uma cosmovisão metafísica.

Independente se o indivíduo busca a deusa por meio da bruxaria, do Movimento Feminista, da Nova Era, ou de uma igreja liberal, ele (ou ela) está começando a compreender e a descobrir o "eu maior". O eu maior, frequentemente referido como o "deus interior" é aceito como a pura verdade, a profunda sabedoria. Essa verdade ou sabedoria incorpora a mentira básica da divinização. Como cristãos, precisamos aprender a discernir os espíritos, para não sermos enganados.

Sobre o autor: Russ Wise é um escritor e pesquisador cristão sobre ocultismo e várias tendências religiosas mundiais. Atualmente, trabalha com o Christian Information Ministries.

Notas Finais

  1. Starhawk, The Spiral Dance (New York: Harper & Row 1989), pág. 23.
  2. Elinor W. Gadon, The Once and Future Goddess (New York: HarperCollins, 1989), pág. xiv.
  3. Ibidem, págs. xii-xiii. Veja também Lynnie Levy, Of a Like Mind (Madison, Wis., 1991), vol. viii, no. 3, págs. 2-3.
  4. Veja também Zsuzsanna Emese Budapest, The Holy Book of Women’s Mysteries (Oakland, Calif., Susan B. Anthony Coven No. 1, 1986), pág. 12.
  5. Veja também Gadon, The Once and Future Goddess, pág. xiii.
  6. Jean Shinoda Bolen, Goddesses in Everywoman (San Francisco, Harper & Row, 1984), pág. 21.
  7. Ibidem, pág. 20.
  8. Starhawk, The Spiral Dance, pág. 25.
  9. Ibidem, pág. 24.
  10. Carlos Vidal Greth, The Spirit of Women, The Austin-American Statesman, 5 de março de 1991, sec. D.
  11. Ibidem.
  12. Sonia L. Nazario, Is Goddess Worship Finally Going to Put Men in Their Place?, The Wall Street Journal, 7 de junho de 1990, sec. A.
  13. Naomi Goldenberg, Changing of the Gods: Feminism and the End of Traditional Religions (Boston, Beacon Press, 1979), págs. 4, 25.
  14. Nazario, Goddess Worship.
  15. Deirdre Donahue, Dawn of the Goddesses, USA Today, 26 de setembro de 1990, sec. D.
  16. John Weir Perry, Myth, Ritual, and the Decline of Patriarchy, Magical Blend 33 (janeiro de 1992), pág. 103.
  17. Starhawk, The Spiral Dance, pág. 99.
  18. Jean Shinoda Bolen, The Women’s Movement in Transition: The Goddess and the Grail, Magical Blend 33 (janeiro de 1992), pág. 8.
  19. Starhawk, The Spiral Dance, pág. 11.
  20. Donna Steichen, The Goddess Goes to Washington, Fidelity Magazine (dezembro de 1986), pág. 42.
  21. Perry, Decline of Patriarchy, pág. 62.
  22. 2 Timóteo 4:3-4.
  23. Alice Hageman, Theology After the Demise of God the Father: a Call for the Castration of Sexist Religion (New York, Association Press, 1974), pág. 132.
  24. Hageman, Theology, pág. 138.


A Ascensão da Deusa e da Espiritualidade Feminista

Parte 3 — O Fascínio da Deusa

Autor: Carl Teichrib (http://www.ForcingChange.org)

"A Deusa agora emergiu da fase da lua escura de um ciclo lunar de longo prazo em um tempo quando a humanidade está passando coletivamente por uma fase tenebrosa no ciclo solar da era precedente. Com o renascimento da Deusa, estamos recebendo a oportunidade de recuperar seu aspecto escuro." [Demetra George, Mysteries of the Dark Moon: The Healing Power of the Dark Goddess (Mistérios da Lua Escura: O Poder Curativo da Deusa Negra), pág. 266].

A adoração à deusa está viva e bem de saúde. Minha boa amiga, a autora cristã Berit Kjos, relata diversas histórias de entrada das concepções da deusa na cultura cristã dominante. Em seu excelente livro A Twist of Faith, ela descreve uma visita à cidade natal de seu marido.

"Provavelmente você não esperaria encontrar deusas em uma cidadezinha conservadora no interior do estado do Dakota do Norte. Eu não esperava. Mas, um dia, ao visitar a cidade natal de meu marido, uma vizinha nos disse que uma livraria tinha acabado de ser aberta na casa pastoral da velha Igreja Luterana. 'Vocês deveriam ir lá conhecer', ela nos incentivou."

"Concordei e então fui até a linda igreja branca, caminhei até a casa pastoral ao lado e toquei a campainha. A mulher do pastor abriu a porta e me levou até um quarto amplo que ela tinha transformado em uma livraria, deixando-me à vontade para folhear os livros. Percorrendo as prateleiras ao longo das paredes, observei autores conhecidos como Lynn Andrews, que livremente mistura feitiçaria com rituais dos índios americanos, autocapacitação de Nova Era e outras tradições ocultistas para formar sua própria espiritualidade."

"Entre os livros multiculturais na seção infantil, um que chamou minha atenção foi As Muitas Faces da Grande Deusa, 'um livro de colorir para todas as idades'. As páginas continham desenhos de deusas voluptuosos e famosas. Nuas, com os seios à mostra, grávidas ou com serpentes enroladas no corpo, elas certamente abririam as mentes dos jovens artistas para a atração o sexo 'sagrado' e dos mitos antigos."

"Enquanto voltava para casa, fiquei considerando a rápida mudança do cristianismo para o paganismo. Aparentemente, os mitos e a sensualidade espiritualizada pareciam bons para aqueles que buscam novas revelações e verdades 'mais elevadas'. Muitos dos mitos modernos retratam deidades que se encaixam em algum ponto entre uma versão feminina de Deus e as deusas atemporais retratadas nas histórias e nas culturas centradas na terra. Todavia, cada uma delas pode ser feita de encomenda para se encaixar nos gostos e exigências diversos das mulheres de hoje." (A Twist of Faith, págs. 10-11)

Embora o Movimento de Nova Era tenha colocado a adoração à deusa em um cenário contemporâneo, seu contexto histórico se estende a milhares de anos atrás. Nas religiões de mistério do antigo Egito, Ísis era venerada como uma deusa universal. Barbara Watterson, autora de Gods of Ancient Egypt (Os Deuses do Egito Antigo), observa que Ísis era "conhecida como 'a Deusa de Muitos Nomes' e, de fato, ela é encontrada como uma forma de toda grande deidade feminina, de Nut a Hathor, até a deusa fenícia da lua Astarte." [pág. 72].

O eminente autor e historiador Will Durant escreveu sobre essa conexão Ísis-deusa:

"Profundo também era o mito de Ísis, a Grande Mãe. Ela não somente era a irmã leal e esposa de Osíris; em certo sentido ela era maior do que ele, pois - como as mulheres em geral - tinha vencido a morte pelo amor. Ela também não era meramente o solo escuro do Delta, fertilizado pelo toque do Nilo-Osíris, que tornava todo o Egito rico com sua fecundidade. Ela era, acima de tudo, o símbolo daquele misterioso poder criativo que produziu a terra e todos os seres vivos... Ela representava no Egito - como Kali, Ishtar e Cibele representavam na Ásia, Deméter na Grécia e Ceres em Roma - a prioridade original e a independência do princípio feminino na criação... " (The Story of Civilization, Volume 1, pág. 200).

"Grande Mãe", "Rainha do Céu", "Mãe de Deus". Todos esses títulos eram atribuídos a Ísis. Ishtar, a deusa da Babilônia, também tinha títulos similares. Além disso, as linhas entre as várias deusas da antiguidade se confundem e cada uma espelha a outra em termos de propósitos, simbolismo e significado. Comentando sobre esse aspecto universal das deusas, o professor César Vidal escreveu:

"A importância das deusas-mães nas várias mitologias do paganismo é tão evidente que uma descrição superficial poderia facilmente preencher volumes inteiros... A deusa-mãe recebeu nomes e aparências externas diferentes, mas, essencialmente, ela sempre era a mesma. No Egito, ela era chamada de Ísis. Em Creta, era representada como uma mãe que fazia contato amigável com as serpentes. Na Grécia, era conhecida como Deméter e, em Roma, era adorada como Cibele, a Magna Mater (Grande Mãe), a deusa-mãe de origem frígia. Praticamente não existe cultura antiga alguma que não adorasse esse tipo de divindade." [The Myth of Mary (O Mito de Maria), págs, 74, 75].

Até mesmo os antigos hebreus sucumbiram à adoração da deusa. Nos capítulos 7 e 44 do livro do profeta Jeremias, encontramos Deus repreendendo os israelitas por adorarem a "Rainha dos Céus", e por assarem bolos para ela, oferecendo-lhe sacrifícios, e por deliberadamente escolherem seguir a Rainha dos Céus em vez de seguir a Ele.

Da mesma forma, nossa cultura moderna tem a propensão de seguir a "Rainha dos Céus". O Movimento de Nova Era tem sido a força real por trás disto, trazendo o conceito de Gaia para o primeiro plano - a ideia de que a Terra é um organismo vivo, uma "hipótese" intrinsecamente vinculada com o movimento da deusa e com a "Mãe Terra".

Lawrence E. Joseph, um autor que escreve sobre assuntos científicos, explica:

"A prima mais próxima de Gaia é Terra, a deusa romana da terra; ambas são similares a Ísis dos egípcios, Kwan Yin dos chineses, Lakshmi dos hindus, Iemanjá de muitos povos africanos, Shekiná dos judeus desde os dias da Cabala, a Mulher Mutável dos índios navajo, e muitas outras, incluindo a Mãe Natureza, que um tempo ou outro apareceu ou ocorreu a quase todos. Todas são deidades femininas e sublimes da Terra, doadoras da vida, da sabedoria, do prazer e da morte." [Gaia: The Growth of an Idea (Gaia: O Crescimento de uma Ideia), pág. 224].

Como aludimos no início deste artigo, o cristianismo não está imune ao fascínio da deusa. Em 1993, na Conferência da Reimaginação, em Minneapolis, Minnesota, 2.000 mulheres de diversas denominações evangélicas foram apresentadas a Sofia, a personificação da deusa da "Divina Sabedoria". Além disso, esse evento em particular, que incluiu a criação de um "espaço sagrado" e invocações a Sofia, recebeu financiamento de diversos organismos eclesiásticos evangélicos/protestantes. [Para maiores informações, leia o livro A Twist of Faith.].

A "Mãe Terra", também pode ser encontrada em nossa cultura moderna na igreja - especialmente nas celebrações do Dia da Terra na comunidade cristã. [Veja Goddess Earth, de Samantha Smith e Occult Invasion: The Subtle Seduction of the World and Church, de Dave Hunt).

Entretanto, a influência da deusa dentro das igrejas vai além da Mãe Terra e de Sofia. A figura bíblica de Maria foi erroneamente elevada à categoria de deusa pelos teólogos católicos romanos. Ela é conhecida como Rainha do Céu, Mãe de Deus, Virgem Eterna, Rainha da Paz, Nossa Mãe, Senhora da Boa Morte, Co-Medianeira e Mãe Bem-Aventurada. Milhares de santuários em todo o mundo a comemoram. Visões, aparições, visitações e mensagens canalizadas acompanham as experiências místicas de seus seguidores. César Vidal explica:

"A ideia da maternidade universal de Maria, que não apareceu historicamente até o século 11, tem uma conexão muito maior com o paganismo do que com as Escrituras. O mesmo pode ser dito da representação de Maria com a criança divina. Esse conceito também era desconhecido... nos primeiros séculos do cristianismo."

"... é especialmente significativo que a adoração a Maria, que encontramos no catolicismo e nas igrejas orientais, não deriva dos conceitos bíblicos, mas da absorção das teologias pagãs, como aquelas presentes nos mitos de Ísis, Deméter e Cibele." [The Myth of Mary (O Mito de Maria), pág. 86, 89].

Com referência à influência da deusa pagã dentro do conceito católico romano de "Maria", o historiador Will Durant chega a uma conclusão similar que a de Vidal. O apologeta cristão Dave Hunt (veja Occult Invasion), junto com diversos outros historiadores e pesquisadores, também reconhece esse vínculo básico. Até mesmo fontes ocultistas, como H. P. Blavatsky (Ísis Sem Véu, Volume 2) e Manly P. Hall [The Secret Teachings of All Ages (Os Ensinos Secretos de Todas as Eras)] atestam essa interconexão entre a deusa romana e Maria. É triste dizer, mas essa Maria romanizada-paganizada está agora sendo aceita dentro de alguns círculos protestantes.

Detalhando a ampla influência do feminismo e da deusa da Nova Era sobre a igreja e a sociedade, a autora Berit Kjos escreve:

"Este novo movimento espiritual está transformando nossas igrejas bem como nossa cultura. Ele atinge toda família que lê jornais, que assiste televisão e que envia seus filhos às escolas públicas. Ele está levando rapidamente nossa cultura para além do cristianismo, além do humanismo — e até além do relativismo — rumo a novos valores e crenças globais. Ninguém está imune às suas pressões sutis e aos seus estímulos silenciosos. O fato de ele se associar às outras mudanças sociais e movimentos globais apenas acelera a transformação. Entretanto, a maioria dos cristãos — como o sapo colocado na bacia com água fria aquecida no fogo brando — ainda não percebeu o que está acontecendo."

"Este movimento feminista exige novas divindades ou, pelo menos, uma redefinição no modo de pensar nas antigas deidades. A transformação começa primeiro em mim, dizem alguns, e as mulheres não podem reinventar a si mesmas até que se livrem das antigas correntes. Portanto, a busca por uma religião 'mais relevante' requer novas visões de Deus: imagens que troquem a santidade pela tolerância, o celestial pelo terreal e o Deus que está acima de nós por um deus que seja cada um de nós."

"As imagens mais sedutoras são femininas. Elas podem parecer como os anjos dos cartões postais, fadas-madrinhas, deusas gregas da Terra, sacerdotisas radiantes da Nova Era, ou mesmo uma Maria mítica, mas todas prometem amor incondicional, paz, poder e transcendência pessoal. Para muitos, essas imagens parecem ser boas demais para rejeitar." [A Twist of Faith, pág. 9-10].

O ponto apresentado por Berit Kjos é essencial para a compreensão do nosso tempo. O cristianismo está enfrentando uma mudança de paradigma de proporção global e a promoção da deusa pelo Movimento de Nova Era é uma faceta importante dessa mudança espiritual e em escala sociológica.

Reconhecendo o impacto que essa realidade espiritual alternativa tem em nossa estrutura cultural - incluindo a pressão sobre as igrejas e sobre o cristianismo - convém que consideremos as palavras de Efésios 6:10-18:

"No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes."



Fonte: Forcing Change, Volume 4, Edição 3, http://www.ForcingChange.org
Data da publicação: 23/4/2011
Transferido para a área pública em 29/8/2012
Revisão: http://www.TextoExato.net
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/deusa.asp