Prova do Direito Legal e Moral de Israel Existir como um Estado Soberano

Autor: Jeremy James

O moderno Estado de Israel foi constituído sob bases morais e juridicamente legais válidas; o problema com a população de palestinos foi criado de forma artificial e planejada pelo Islã radical como forma de destrui-lo.

1. A Situação Difícil dos Árabes Palestinos

Dificilmente uma pessoa de mente equilibrada negaria que o tratamento dado aos árabes de origem palestina tem sido deplorável. Cerca de 2.345.000 deles vivem na Cisjordânia (também chamada de Margem Ocidental do Jordão) e mais 1.416.000 na Faixa de Gaza, todos em circunstâncias adversas à sua viabilidade econômica, sua segurança e sua dignidade. Muitos deles vivem em condições de abjeta pobreza, pois a taxa de desemprego é extremamente alta — cerca de 40% em Gaza. Como uma situação como esta pode ter aparecido?

Demografia

A maioria dos ocidentais é bombardeada com informações sobre o sofrimento dos palestinos, mas tem pouco conhecimento da história deles. No mundo todo, cerca de 12 milhões de pessoas se descrevem como palestinos. A maioria é muçulmana, mas existe uma proporção de 6% de cristãos.

Além dos palestinos que vivem na Cisjordânia e em Gaza, existem cerca de 1,3 milhão que vivem em Israel, onde constituem cerca de 18% da população total.

Outros países no Oriente Médio com uma população significativa de palestinos incluem a Jordânia, Síria, Líbano e Arábia Saudita.

Palestinos
População Nacional
Porcentagem de Palestinos
Jordânia
2.700.000
6.316.000
42,7%
Síria
435.000
21.900.000
2,0%
Líbano
405.000
4.224.000
9,6%
Arábia Saudita
327.000
25.700.000
1,3%

Estes números permitem imediatamente as seguintes importantes perguntas:

Mantenha estas perguntas em mente ao continuar a leitura, pois as respostas lançarão uma luz sobre toda a situação no Oriente Médio.

2. A História da Palestina

Os judeus entraram na terra de Canaã, o Israel atual, e estabeleceram residência ali por volta de 1.500 AC. No período de mil anos após o reinado de Salomão, diversos impérios diferentes — Assírio, Babilônio, Persa, Egípcio, Grego e Romano — conquistaram ou reivindicaram soberania sobre aquele território.

A Diáspora

Após a queda de Jerusalém, no ano 70, uma grande proporção da população judaica foi expulsa em massa de sua pátria pelos romanos. Essa política foi seguida com igual vigor após a Revolta de Bar Kokhba, em 132-135. Somente um número reduzido de judeus, os mais pobres dentre a população, recebeu a permissão de permanecer. Essa dispersão maciça, conhecida como Diáspora, não foi revertida de modo significativo até que os judeus começaram a retornar para sua pátria em meados do século 19, quando o território, então conhecido como Palestina, estava sob o domínio do Império Otomano. A literatura e cultura dos judeus durante todo o período da Diáspora refletiu o desejo de retornar à sua pátria, porém empecilhos sociais, econômicos e militares os impediam de fazer isso.

Impérios Sucessivos

Com a lenta desintegração da metade ocidental do Império Romano, a Palestina ficou sob a administração de Bizâncio, a metade oriental grandemente independente, no ano 324. Os muçulmanos invasores conquistaram o império em 638 e a administração central foi transferida de Bizâncio (hoje Istambul) para Damasco, durante o Califado Omíada, e depois para Bagdá, durante o Califado Abássida. Em 1096, durante a Primeira Cruzada, Jerusalém foi conquistada pelos cristãos. Os cruzados foram finalmente expulsos da Palestina pelos mamelucos — uma poderosa dinastia islâmica baseada no Egito — em 1291. Quando os mamelucos foram derrotados pelos otomanos, em 1517, a administração da Palestina passou a ser dirigida novamente por Constantinopla e permaneceu sob o domínio otomano até que o império entrou em colapso após a Primeira Guerra Mundial.

Dois pontos importantes devem ser observados nesta análise histórica. Primeiro, embora a terra de Canaã tivesse, por mais de 1.500 anos, sido identificada exclusivamente com a população judaica nativa até o prímeiro século da era cristã, com sua capital em Jerusalém, ela tinha cessado de ter uma identidade política distinta dali para frente. Em vez disso, ela se tornou uma pequena província dentro de uma série de grandes impérios. Além disso, com a expulsão da maior parte da população judaica na Diáspora, a terra deixou de ser irrigada e cultivada de forma sistemática e gradualmente se deteriorou até o ponto em que tinha pouco valor agrário. Ela era usada principalmente por beduínos nômades, uma população muito pequena de moradores urbanos e como uma rota de comércio entre a África e a Ásia.

Em segundo lugar, em toda a duração do Império Otomano, e muito antes, as áreas geográficas eram distinguidas principalmente por referências aos limites tribais, à proximidade com grandes cidades, ou por inclusão em um distrito administrativo para fins de tributação. O próprio império era a única entidade soberana no Oriente Médio e não existiam Estados-nações.

A Partilha no Pós-Guerra

Este sistema foi completamente obliterado com a queda do Império Otomano. Pela primeira vez em 1.800 anos, aquelas vastas extensões de território estavam sem uma identidade política reconhecida internacionalmente. É por isto que as potências ocidentais agiram rapidamente para reconfigurar o império, como diversos Estados soberanos, ou como um grupo de regiões autônomas supervisionadas pela Grã-Bretanha e pela França.

Os britânicos já tinham previsto esse resultado quando, em 1916, fizeram um acordo secreto com a França — conhecido como Acordo Sykes-Picot — que especificava como o Império Otomano seria partilhado entre eles quando a guerra terminasse.

Muito tempo antes já havia simpatia entre um segmento da aristocracia britânica pelo estabelecimento de uma pátria para os judeus na Palestina. Por volta desta época, esse segmento tinha alcançado uma influência política suficiente para obter um compromisso do governo britânico para a criação da pátria para os judeus. Isto recebeu efeito por meio da famosa Declaração de Balfour, quando, com a aprovação do gabinete, o Secretário Britânico das Relações Exteriores, Arthur Balfour, enviou uma carta de intenções a um dos homens mais poderosos no mundo naquele tempo, o barão Lionel Walter Rothschild. Datada de 2 de novembro de 1917, ela dizia o seguinte:

"O governo de Sua Majestade vê favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, e fará todos os esforços para facilitar a obtenção desse objetivo, ficando claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas na Palestina, ou os direitos e status políticos usufruídos pelos judeus em qualquer outro país."

Nunca uma única sentença foi tão controversa.

O governo britânico foi quase certamente influenciado em sua decisão por um desejo de reter o favor, em um tempo de guerra, do elemento judaico do sistema financeiro internacional. É provável que, em um ponto crítico em seu conflito com a Alemanha, os britânicos ofereceram a Palestina para os sionistas em troca de um compromisso judaico de trazer os EUA para a guerra. Entretanto, a atitude deles iria mudar, quando se tornasse cada vez mais aparente que, ao buscar essa política, eles estavam se indispondo com o mundo árabe.

O papel de uma instituição dinástica implacável como os Rothschilds na criação do Estado de Israel, e seu envolvimento dali para frente em aspectos de seu desenvolvimento, sugere que eles tinham planos de longo prazo, dentro da estrutura dos Illuminati, para esse novo Estado-nação que não tinham nada que ver com o bem-estar do povo judeu.

Embora este seja indubitavelmente um tema importante, ele ultrapassa o escopo deste ensaio e não será examinado aqui.

A Reação Árabe

Os árabes tnham colocado uma pressão considerável sobre os britânicos para garantirem o controle sobre o máximo possível do território ocupado por populações árabes no ex-Império Otomano. Eles estavam preparados para fazerem concessões com relação a uma pátria judaica na Palestina, se isso garantisse a transferência da vasta maioria do território remanescente para suas mãos. Eles viveram sob o controle turco por mais de 400 anos e estavam extremamente ansiosos para tirarem a máxima vantagem das mudanças que agora estavam ocorrendo.

Os árabes baseavam suas reivindicações na contribuição deles ao esforço de guerra britânico, na assim chamada Revolta Árabe contra os turcos. Essa contribuição envolveu interrupções ocasionais do tráfego na ferrovia Hedjaz, provocadas por uma força de beduínos maltrapilhos de apenas 600 homens. Embora provavelmente não grande o suficiente para sequer ser chamada de evento paralelo, a revolta foi exagerada vergonhosamente por T. E. Lawrence em sua obra autopromocional intitulada Os Sete Pilares da Sabedoria.

A Conferência de Paris de 1919

Na Conferência de Paz de Paris, de 1919, que foi convocada às pressas, a comunidade internacional definiu um acordo detalhado a respeito da divisão dos vastos territórios do extinto Império Otomano. Um encontro adicional do Supremo Conselho dos Aliados foi realizado em San Remo, em 1920, para solucionar algumas questões residuais, incluindo a criação de uma pátria judaica na Palestina. Em seguida, em 1922, a Liga das Nações atribuiu formalmente à Grã-Bretanha o Mandato para a Palestina.

É importante observar que o Emir Faiçal, o principal representante árabe na Conferência de Paz em Paris, tinha anteriormente assinado um acordo formal com o principal representante judeu, Chaim Weizmann, que confirmava que o povo árabe dava as boas-vindas à criação de uma pátria judaica na Palestina. O acordo iniciava assim:

"Sua Alteza Real, o Emir Faiçal, representando e agindo em nome do Reino Árabe de Hejaz, e o Dr. Chaim Weizmann, representando e agindo em nome da Organização Sionista, cientes do parentesco racial e dos vínculos antigos que existem entre os povos árabe e judeu, e compreendendo que os meios mais seguros de trabalhar para a realização de suas aspirações naturais é pela colaboração mais próxima possível no desenvolvimento do Estado Árabe e da Palestina, e estando também desejosos de confirmar o bom entendimento que existe entre eles, concordaram com o seguinte..." — Acordo Faiçal-Weizmann, 3 de janeiro de 1919.

Os vários artigos que se seguiram tratavam questões como os direitos dos árabes que vivessem no Estado judaico da Palestina, a criação de uma comissão para definir as fronteiras desse Estado, e a implementação dessas medidas conforme fossem necessárias para a implementação eficaz da Declaração de Balfour.

Aceitação Árabe em Princípio

A partir do Acordo Faiçal-Weizmann, é claro que, a princípio, os árabes não tinham problemas com a criação de um Estado judaico na Palestina e que não viam qualquer dificuldade com os árabes que vivessem nesse Estado.

A Resolução de San Remo, de 1920, que foi confirmada pela Liga das Nações, incorporou a Declaração de Balfour. Entretanto, as fronteiras exatas dos territórios a serem alocados ao Estado judaico ainda não estavam definidas.

É interessante que a proposta judaica na Conferência de Paris foi baseada, não em uma reinvindicação a todo o Mandato Britânico da Palestina, que formava o território que correspondia tanto a Israel e a Jordânia atuais, mas somente ao território ao ocidente da ferrovia Hejaz — veja o mapa a seguir. Isto deixava muito do território para a pequena população árabe do Mandato. O primeiro censo realizado pelos britânicos na Palestina, em 1922, revelou uma população total de 757.000 em todo o território do Mandato (que abrangia cerca de 35.000 milhas quadradas). Dessa população, 78% era muçulmana, 11% judaica e 10% cristã. Os árabes teriam a permissão de viver na pátria judaica proposta (porém ainda não definida), embora aparentemente não de forma a constituir uma minoria significativa.

Os Árabes e Britânicos Ab-rogam os Acordos

Entretanto, uma vez que os árabes obtiveram o que queriam na partilha do Império Otomano, eles renegaram seu compromisso de reconhecer e de viver pacificamente com o Estado judaico proposto na Palestina. Em vez disso, eles trabalharam de perto com os britânicos, que cederam à pressão árabe, para frustrar a imigração judaica para sua nova pátria proposta e aumentar grandemente o número de árabes "nativos" que viviam na região ocidental da Palestina.

Além disso, os britânicos renegaram, pelo menos em parte, seu compromisso na Declaração de Balfour e na Resolução de San Remo e unilateralmente dividiram a Palestina em duas partes. A região a oeste do rio Jordão constituiria dali para frente o território no qual a pátria judaica proposta seria formada, enquanto que a região a leste do Jordão (o país conhecido hoje como Jordânia), que consistia de pelo menos 73% do Mandato, seria cedido exclusivamente aos árabes e os judeus não teriam permissão de se estabelecer ali.

É claro que isto foi um triunfo admirável para os árabes. Não somente eles conseguiram obter o controle sobre a vasta maioria do território otomano, mas tinham deixado os judeus com significativamente menos do que os britânicos e seus aliados lhes tinham prometido. Além disso, a questão de quanto do território restante do Mandato ficaria com os judeus ainda estava longe de ser decidida. Os árabes avaliaram que, se colocassem ainda mais pressão sobre os britânicos, a pátria judaica proposta poderia ser reduzida ainda mais, até o ponto em que seria estrategicamente indefensável.

A intransigência deles funcionou e a Secretaria das Relações Exteriores, em Londres, começou a obstruir a imigração judaica para a única parte da Palestina na qual os judeus ainda tinham a permissão de entrar — isto é, a porção ocidental do rio Jordão. Isto também estava em desacordo com as condições do Mandato aprovadas pela Liga das Nações.

Assim, a partir de uma situação em que eles podiam esperar uma fatia de bom tamanho do território original do Mandato (que era de 35.126 milhas quadradas em extensão), os judeus estavam sendo confinados a uma área de apenas 10.429 milhas quadradas, com a possibilidade real que isso fosse reduzido ainda mais. À medida que a Segunda Guerra Mundial se aproximava e as tensões cresciam entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, a Secretaria das Relações Exteriores foi cada vez mais guiada pela necessidade de reter o favor dos árabes. Apesar da chocante perseguição aos judeus na Europa durante os anos 1930s, os britânicos continuaram a dificultar ao máximo que mais judeus entrassem na Palestina Ocidental (eles já eram proibidos de entrar na Palestina Oriental). Os britânicos suplementaram essa estratégia violando os termos legais do Mandato e permitindo virtualmente a imigração ilimitada de árabes para a Palestina Ocidental — que deveria se tornar a pátria judaica.

A Duplicidade Britânica e o Terrorismo Árabe

Além disto, os árabes iniciaram um programa de assédio contra os judeus na Palestina Ocidental, cometendo uma longa série de atrocidades terroristas durante os anos 1920s. Esses ataques culminaram no assassinato de 67 judeus que viviam em Hebrom, em 23-24 de agosto de 1929. (Para seu crédito, 19 famílias árabes locais esconderam cerca de 435 judeus, colocando suas próprias vidas em risco.) O Exército britânico não fez nada para impedir esse massacre, embora pudesse facilmente ter intervido. Os judeus remanescentes tiveram de ser evacuados, para sua própria segurança.

Esta atrocidade deixou bem claro para os judeus que os britânicos estavam preparados para permitir que os árabes os erradicassem, de modo que aumentaram substancialmente sua própria organização paramilitar de defesa, a Haganah.

Os ataques árabes terroristas continuaram durante toda a década de 1930 e alcançaram seu ápice naquilo que a história descreve como "Revolta Árabe" (1936-1939). A revolta foi uma campanha organizada de violência dirigida por figuras proeminentes na comunidade árabe, com o propósito de protestar contra a contínua imigração de judeus para a Palestina Ocidental. A ironia é que o número real de imigrantes judeus, cuja entrada era rigidamente controlada pelos britânicos, era somente uma fração do que deveria ter sido sob o Mandato da Liga das Nações. Por outro lado, os árabes continuavam a migrar em grandes números para a Palestina Ocidental. De modo a disfarçar esse fluxo migratório, os britânicos registravam somente os imigrantes judeus e não os árabes. Eles também fizeram pressão sobre outros países europeus para não permitirem que os judeus imigrassem para a Palestina. Estima-se que pelo menos um milhão a mais de judeus teria emigrado da Europa para a Palestina durante os anos 1930s, se tivessem recebido permissão para fazer isso. (A maior parte desses judeus foi subsequemente morta pelos nazistas.)

Não somente os britânicos fizeram todos os esforços para restringir a imigração judaica, mas confinaram aqueles que foram admitidos em áreas designadas. Isto significava que, quando uma pátria judaica fosse finalmente estabelecida, a reivindicação judaica, que se relacionaria em grande parte às áreas colonizada por judeus, seria ainda mais restringida. Foi exatamente o que aconteceu.

De modo a quebrar o ânimo do Sionismo e ganhar o favor dos árabes, o governo britânico publicou um relatório oficial em 1939, que virava completamente de cabeça para baixo a Declaração de Balfour, e prometia criar um Estado árabe na Palestina Ocidental dentro de pouco tempo. O fato que isto era uma total violação à Lei Internacional parecia não importar para os britânicos.

A Resolução da ONU, de 1947

Após a Segunda Guerra Mundial, quando as notícias do Holocausto se tornaram amplamente conhecidas, houve um ímpeto internacional renovado para solucionar a situação dos judeus e criar uma pátria para eles na Palestina Ocidental — a única parte da Palestina que ainda estava disponível. Enfraquecidos pela guerra e perdendo a confiança em sua capacidade de lidar com a questão da Palestina, os britânicos passaram a questão para as Nações Unidas decidirem. Quando a ONU finalmente ofereceu para os judeus uma nacionalidade (Resolução 181, de 29 de novembro de 1947), as fronteiras do novo Estado foram determinadas principalmente com base na terra que eles já habitavam — exatamente como os britânicos tinham intencionado.

Como já mencionado, o Mandato Britânico da Palestina original tinha 35.126 milhas quadradas de extensão, mas após a Palestina Oriental ter sido unilateralmente entregue aos árabes (o país conhecido hoje como Jordânia), a porção ocidental tinha apenas 10.429 milhas quadradas. A ONU decretou que 57% disso fosse entregue aos judeus para sua pátria proposta — uma área de 6.177 milhas quadradas, que incluia o semiárido e inóspito Deserto do Negueve (que cobria uma área de 4.700 milhas quadradas!).

Resolução das Nações Unidas Sobre a Palestina Ocidental, de 1947

População Árabe
População Judaica
Jerusalém
105.000
100.000
Estado Judeu
325.000
498.000
Estado Árabe
807.000
10.000

Apesar do tamanho minúsculo de sua pátria proposta, três quartos do qual era um deserto, os cerca de 500.000 judeus que viviam ali foram obrigados pela ONU a compartilharem a terra com os 325.000 árabes assentados, mais 90.000 beduínos que vagueavam pelo Negueve. Em contraste, a porção da Palestina Ocidental, que a ONU ofereceu aos árabes era habitada por apenas 10.000 judeus, aproximadamente. (Por decisão da ONU, Jerusalém, que tinha uma mistura igual de árabes e judeus, deveria ser designada uma zona internacional.).

Assim, na redistribuição do vasto território do Império Otomano, uma área de aproximadamente 1,7 milhões de quilômetros quadrados, os judeus receberam menos de 1%.

O número total de judeus no Império no início do século 20 é estimado em 500 mil, enquanto que o Império como um todo tinha cerca de 20 milhões. Tivesse o Império sido redistribuído de forma equitativa entre os vários grupos étnicos que viviam em suas fronteiras em 1917, os judeus teriam recebido uma fatia muito maior do território otamano do que receberam por meio da ONU.

(Da mesma forma, os curdos, outro grupo étnico significativo, deveriam ter recebido sua própria pátria, mas suas necessidades foram vergonhosamente ignoradas.)

Mesmo se o movimento sionista nunca tivesse pressionado a Grã-Bretanha, os EUA e a Liga das Nações para criarem uma pátria para os judeus no fim do século 19 e início do século 20, ainda haveria a necessidade de reservar um território contíguo em algum lugar dentro do antigo Império para permitir que esse grupo étnico e oprimido se estabelecesse para garantir sua própria proteção. De fato, a Declaração de Balfour foi um reconhecimento implícito desse fato.

Duas Surpresas Impressionantes

Parecia que não havia base para que os judeus pudessem aceitar a oferta da ONU. O território oferecido a eles era ridiculamente pequeno. Além disso, eles precisariam compartilhar esse território com uma população árabe igualmente grande que, em tempos de guerra, poderia atuar como uma quinta coluna. Para tornar as coisas piores, o território proposto foi dividido em três segmentos indefensáveis. Por exemplo, o território junto ao Mediterrâneo era um corredor estreito de menos de 16 Km de largura (veja o mapa a seguir).

Um historiador observou as contradições nesta "solução" da seguinte maneira:

"As fronteiras entre os Estados árabes e judaico [segundo a Resolução da ONU] eram um pesadelo de pontos e linhas de fricção, de áreas isoladas que não têm continuidade viável, e, por último mas não menos importante, um absurdo demográfico caracterizava o Estado judaico, em que 500 mil judeus precisavam coexistir com uma 'minoria' árabe quase que do mesmo tamanho." [Bel-Ami, pág. 34].

Por outro lado, aos árabes estava sendo feita uma oferta incrivelmente generosa. Eles já tinham a Palestina Oriental (a Jordânia) — na qual não existiam judeus — e estavam agora recebendo um segundo Estado autônomo — em que havia somente um número reduzido de judeus assentados. Não somente eles terminariam com 82% do Mandato Britânico da Palestina, mas poderiam também ter confiança que, a partir de um ponto de vista estratégico, as três pequenas porções de território que formavam a pátria judaica nunca representariam uma grande ameaça aos seus vizinhos árabes.

Contra todas as expectativas, os judeus aceitaram a declaração da ONU, mas os árabes a rejeitaram. A perversidade da atitude árabe, que foi afirmada muitas vezes desde então, foi resumida por Ben-Ami como segue:

"Os próprios palestinos, naquilo que se tornou um triste padrão de comportamento político de autoderrota, agiram como os piores inimigos de sua própria causa e fizeram tudo o que estava ao seu alcance para impedir a criação de seu Estado." [pág. 60].

Estava claro para todos os envolvidos que a rejeição árabe baseava-se na crença que o Estado judaico recém-formado era pequeno demais para se defender de uma invasão militar coordenada. Os britânicos tinham reforçado a percepção que Israel poderia ser estrangulado ao nascer, fornecendo aos árabes armamentos e pessoal militar experiente. Ao mesmo tempo, eles bloquearam todas as tentativas feitas pelos judeus de importar armamento para finalidade defensiva.

Os árabes também esperavam enfraquecer Israel nos meses anteriores à independência realizando uma campanha perversa de terror contra alvos civis judaicos. Muitos judeus, incluindo mulheres e crianças, foram assassinadas em uma tentativa frenética de solapar a moral israelense e incitar a população árabe local nas áreas colonizadas por judeus a se levantarem contra o sionismo. (Quando a invasão ocorreu, somente 4.000 árabes dentro de Israel deram apoio aos exércitos invasores.)

A Fundação de Israel

Apesar da rejeição árabe, a ONU manteve sua decisão e os judeus declararam o Estado independente de Israel, em 14 de maio de 1948. Era a primeira vez, desde que Sargão II conquistou o Reino do Norte de Israel, em 722 AC, que uma pátria judaica unida e com governo próprio existia.

No dia seguinte, 15 de maio, exércitos árabes combinados atacaram Israel por três frentes diferentes. O objetivo declarado deles era a aniquilação total de Israel, o que, presumivelmente, incluiria a matança de todos os judeus que resistissem, e a expulsão (ou algo pior) dos que sobrassem. Tenha em mente, ao considerar este cenário, que esses exércitos árabes — do Egito, Síria, Iraque, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita — estavam convergindo para uma minúscula faixa de território que estava ao lado do mar. Além disso, os invasores já possuíam três ativos estratégicos significativos — as Colinas do Golã, a Margem Ocidental e Gaza.

É notável que o Exército Jordaniano incluía 48 oficiais britânicos experientes, liderados pelo general John Glubb ("Paxá Glubb"). Parece que a determinação britânica de impedir a criação de um Estado judaico não diminuiu após a Segunda Guerra Mundial, apesar de toda a matança no Holocausto.

A Guerra de 1948

Embora ainda estivesse em enorme desvantagem estratégica, Israel sobreviveu à invasão e até garantiu um território adicional, crescendo de 6.177 para 7.820 milhas quadradas — um aumento de quase 27%. Embora ainda fosse um país minúsculo e vulnerável, cercado por inimigos formidáveis, ele estaria agora em melhor condição de se defender de um ataque similar no futuro. Mas, o sucesso teve um preço elevado. No curso da guerra, o país perdeu 1% de sua população judaica — uma redução muito alta pelos padrões internacionais.

A maioria dos observadores esperava que os invasores destruísse Israel. Os árabes, que dispunham de diversas vantagens militares significativas — e normalmente decisivas, estavam supremamente confiantes na vitória. Como Azzam Pasha, Secretário-Geral das Ligas Árabes, disse imediatamente antes da invasão: "— Esta será uma guerra de extermínio e um massacre espetacular, sobre os quais muito se falará, como os massacres mongóis e os das cruzadas."

O choque da derrota e a vergonhosa humilhação tiveram um efeito devastador sobre a psiquê islâmica. Até hoje ela é referida entre os árabes como "A Catástrofe" (al-Nakba).

A derrota deles refletiu, não apenas sobre sua força militar e seu profundo senso de superioridade racial, mas em sua religião e na suposta onipotência de seu deus, Alá. Perder dessa maneira para um minúsculo Estado dhimmi, que tinha sido fundado somente um dia antes, e possuindo vantagens estratégicas massacrantes desde o início, foi realmente uma catástrofe.

É impossível compreender a obstinação, intransigência e arrogância da atitude árabe contra Israel nos últimos 60 anos, sem reconhecer a pavorosa vergonha e o surpreendente golpe em seu orgulho que a derrota em 1948 provocou.

Apesar de duas guerras subsequentes, em 1967 e 1973, em que exércitos árabes reunidos tentaram novamente exterminar o minúsculo Estado judaico, os israelenses prevaleceram e até conseguiram fortalecer sua posição. A Guerra de 1967 lhes deu a Península do Sinai (incluindo Gaza), o lado oriental de Jerusalém, a Margem Ocidental (Cisjordânia) e as Colinas do Golã, todos os quais, como vitoriosos em uma guerra defensiva contra um invasor genocida, eles têm o direito de reter para sempre.

Perguntas e Respostas

Análises históricas adicionais do conflito árabe-israelense serão apresentadas onde apropriado no restante deste ensaio.

Tendo definido o cenário da forma como ele existia, iremos agora enfocar as principais perguntas que a maioria dos ocidentais parece ter com relação à legitimidade do Estado de Israel e seu tratamento aos árabes palestinos, tanto antes quanto após sua fundação em 1948.

1. Os árabes que já estavam assentados na Palestina Ocidental e que viviam ali há várias gerações ("tempos imemoriais") tinham igualmente direito à terra e deveriam ter recebido seu próprio Estado?

Existem quatro grandes suposições incorporadas nesta questão:

Primeiro, ela assume que a Palestina Ocidental foi continuamente colonizada durante séculos por uma população substancial de árabes, exatamente como as regiões vizinhas (Síria, Líbano e Jordânia). Entretanto, este não é o caso. A terra foi significativamente sub-povoada durante o período otomano. Tendo sido negligenciado por tanto tempo, o solo ficou deteriorado até o ponto em que era de pouco valor para a agricultura. Os visitantes na Terra Santa no século 19, como Mark Twain e Karl Marx, ficaram grandemente surpresos pelo vazio do terreno, a pobreza do solo e o tamanho minúsculo da população. O povo nativo, principalmente árabes, judeus e cristãos, estava confinado principalmente em algumas poucas cidades pequenas, onde as condições de vida eram primitivas. Os otomanos não tinham investido no país e não havia uma infra-estrutura observável.

Em segundo lugar, os judeus tinham mantido continuamente uma presença na Palestina, desde a destruição do templo, no ano 70. Os números não eram grandes, mas um remanescente sempre permaneceu ali. Independente se a terra era controlada pelo Império Romano do Oriente, os Impérios (Califados) Omíada, Abássida, ou Fatímida, os cruzados cristãos (que assassinaram muitos judeus), ou os turcos otomanos, os judeus continuaram a manter uma presença suficiente na terra para serem reconhecidos por esses conquistadores como um povo nativo.

Eles também continuaram a migrar para a Palestina Ocidental, porém em números pequenos, durante todo o período da Diáspora. Como Katz observou:

"Apesar das proibições e interdições, apesar das circunstâncias mais improváveis e difíceis, nunca houve um período ao longo dos séculos de exílio sem uma imigração judaica para a Palestina." [pág. 95].

Em terceiro lugar, a pergunta assume que os árabes palestinos nunca receberam um Estado próprio. Como já vimos, essa suposição é totalmente falsa. Os britânicos deram aos árabes toda a região do Mandato a leste do rio Jordão (77% da Palestina) em 1922 e a chamaram de Transjordânia — presumivelmente para disfarçar o fato que ela era na verdade Palestina. Eles fizeram isso de forma unilateral, em violação ao Acordo de San Remo e à Lei Internacional. Além disso, os judeus foram proibidos de se estabelecerem nesse novo Estado Palestino.

Finalmente, a pergunta assume que os árabes na Palestina Ocidental — que poderiam ter sido realocados para o novo Estado Palestino da Transjordânia — tiveram negado o direito soberano à parte da Palestina Ocidental. Como vimos, a ONU ofereceu aos árabes um Estado próprio na Palestina Ocidental em 1947 (além daquele que eles já tinham recebido na Palestina Oriental), mas eles recusaram, quase certamente por que esperavam derrubar e destruir o recém-fundado Estado de Israel no ano seguinte, matar ou expulsar toda a população judaica e reivindicar toda a Palestina, tanto a Oriental quanto a Ocidental, como sua.

Surgiram muitas discórdias e incompreensões, mesmo entre aqueles que deveriam saber melhor, por causa da falha em reconhecer essas suposições sem fundamento.

2. Mas muitas famílias árabes perderam suas casas na Palestina Ocidental após os judeus os forçarem a sair. Como isto pode ser justo?

Quando os judeus começaram a retornar para a Palestina em grandes números em meados do século 19, eles foram obrigados a pagar preços exorbitantes pelas terras que compraram do effendis, os proprietários árabes ausentes que viviam em Aleppo, Damasco, Amman e em outras localidades. Os preços eram 4-5 vezes o valor justo pela propriedade.

Muitos desses judeus foram retirados de seus lares em outros países árabes, pelos quais eles não receberam compensação alguma. (Em 1945, cerca de 800.000 judeus viviam em países árabes. Hoje, esse número é de apenas 8.000.) Estima-se que o número de judeus que perderam propriedades desse modo foi pelo menos o dobro do número de árabes que deixaram a Palestina Ocidental "temporariamente" em 1947-1948 e perderam propriedades como resultado.

Muitos também assumem que os árabes estavam assentados na Palestina Ocidental há várias gerações, mas este não é o caso. Um número significativo, pelo menos 200.000, chegou no século 20, atraído pelas perspectivas de empregos abertas pelos imigrantes judeus que estavam edificando construções e investindo na produção agrícola em terras onde nada foi cultivado durante várias gerações. Valia a pena se mudar, pois os fazendeiros judeus estavam oferecendo salários e condições de trabalho melhores do que os mesmos trabalhadores gozavam em seus próprios países. É por esta razão que os árabes palestinos continuam a viver em Israel hoje — as condições de vida e o tratamento geral que eles recebem é melhor do que eles poderiam usufruir em qualquer país muçulmano vizinho.

3. Isto pode ser verdade, mas não justifica o fato que muitos árabes deixaram a Palestina Ocidental por que foram expulsos pelas ameaças judaicas. Certamente isto não pode ser justificado?

É preciso considerar a magnitude das ameaças que os judeus na Palestina Ocidental estavam sujeitos. Como Ben-Ami observou:

"Foi então (imediatamente antes da invasão árabe) que os judeus realmente sentiram que enfrentariam uma matança se fossem derrotados e que a sobrevivência do incipiente Estado judeu dependia de um simples fio. [pág. 56].

Apesar de terem inicialmente facilitado a criação de uma pátria judaica, os britânicos dali para frente obstruíram consistentemente todas as tentativas de criar um Estado judaico, enquanto que os árabes cometeram atrocidades contra os colonos judeus de forma regular desde o início do século 20. Esses ataques aumentaram em frequência e intensidade após o massacre de Hebrom de 1929 e inúmeros líderes árabes, incluindo o Grande Mufti de Jerusalém, propunham a total aniquilação dos judeus na Palestina Ocidental. Esta não era uma retórica vazia. O Grande Mufti tinha aconselhado Adolf Hitler a respeito da matança em massa de judeus na Europa e tinha até mesmo requerido que grandes números de judeus europeus fossem transferidos à força para a Polônia para que não migrassem para a Palestina Ocidental.

Sabemos bem o destino que os aguardava na Polônia, onde milhões morreram nas mãos dos nazistas.

"O Mufti foi um dos iniciadores da extermínio sistemático dos judeus europeus e tinha sido um colaborador de Eichmann e Himmler na execução desse plano... Ele era um dos melhores amigos de Eichmann e tinha constantemente incitado a aceleração das medidas de extermínio." – Dieter Wisliceny (suplente de Eichmann) dando evidência nos Julgamentos de Nuremberg [Wisliceny foi enforcado como um criminoso de guerra em 1949].

Após o Holocausto, os judeus da Palestina Ocidental sabiam muito bem que a ameaça de genocídio por parte dos árabes era muito real. Como resultado, seus temores foram traduzidos em alguns casos para ações que não podem ser justificadas. Entretanto, a afirmação popular que os árabes saíram da Palestina Ocidental por causa das ameaças e agressões dos judeus não se sustenta diante de uma investigação. Eis aqui como Samuel Katz descreveu isto em seu livro Battleground: Fact and Fantasy in Palestine (1973):

"A fabricação pode muito facilmente ser detectada pela simples circunstância que no tempo em que a suposta expulsão dos árabes pelos sionistas estava em progresso, ninguém a observou. Muitos jornalistas estrangeiros viviam no país... até aqueles mais hostis aos judeus não viram coisa alguma para sugerir que a luta dos árabes não era voluntária. Nos três meses que a maior parte da luta ocorreu, o London Times, um jornal notavelmente hostil ao Sionismo, publicou 11 artigos de destaque sobre a situação na Palestina, além de extensas reportagens. Em nenhuma delas havia a mais remota indicação que os sionistas estavam expulsando os árabes de suas casas... Ainda mais pertinente: nenhum porta-voz árabe fez esse tipo de acusação. No auge da luta, o principal representante na ONU dos árabes palestinos, Jamal Husseini, fez uma longa declaração política (em 27 de abril de 1948) que não faltava em hostilidade em relação aos sionistas, porém ele não mencionou os refugiados... O secretário-geral da Liga Árabe, Azzam Pasha, fez uma declaração política com palavras agressivas sobre a Palestina, mas ela não continha nem uma palavra sobre os refugiados... Quando, quatro meses depois [da guerra ter começado], a possibilidade dos combates retornarem em algumas semanas ter diminuído, houve algumas recriminações. Emil Ghoury, um membro da liderança nacional dos árabes palestinos, disse em uma entrevista ao Beirut Daily Telegraph: "O fato que existem esses refugiados árabes é a consequência direta da ação dos Estados árabes em se oporem à partição e ao Estado judaico. Os Estados árabes concordaram unanimemente com essa política e precisam compartilhar na solução do problema."

O autor foi membro do Irgun e serviu durante um tempo como assessor do primeiro-ministro Begin. Sem dúvida, seus inimigos teriam considerável satisfação em reprovar suas fontes e refutar sua análise, se tivessem sido capazes de fazer isso.

Ben-Ami, que apresenta uma análise muito descompromissada do conflito árabe-israelense de 1948, declarou:

"Entretanto, o êxodo em massa foi inadvertidamente encorajado pelos líderes da comunidade palestina quando, em seu desejo ardente de dar início à invasão da Palestina pelos exércitos árabes, eles fizeram explodir o número de atrocidades cometidas contra os civis árabes. Os exércitos árabes vieram eventualmente, mas inflando as atrocidades, líderes locais como o Dr. Hussein Fakhri Al-Khalidi, chefe do Comitê Nacional Árabe em Jerusalém, que deu instruções explícitas para a mídia palestina inflar as reportagens, ajudaram a aumentar a magnitude de um êxodo produzido pelo medo e pela histeria." [pág. 44].

Bard comentou da seguinte maneira:

"A Haganah utilizou guerra psicológica para incentivar os árabes a abandonarem algumas aldeias. Por exemplo, foi dito a alguns deles que uma grande força invasora judaica viria para queimar as aldeias, de modo que era melhor que eles partissem... Os temores árabes foram exacerbados por histórias inventadas de atrocidades cometidas pelos judeus após o ataque em Deir Yassin. Em suas memórias, o rei Abdullah, da Jordânia, declarou: "— A tragédia dos palestinos foi que a maioria de seus líderes os tinha paralizado com promessas falsas e não substanciadas que eles não estavam sós, que 80 milhões de árabes e 400 milhões de muçulmanos instantânea e milagrosamente viriam em seu resgate." [págs. 128 e 132].

É também significativo que a revista The Economist reportou o seguinte em 2 de outubro de 1948:

"Dos 62 mil árabes que antigamente viviam em Haifa, não mais do que 5 ou 6 mil permaneceram. Vários fatores influenciaram a decisão deles de buscar segurança. Há pouca dúvida que o mais potente dos fatores foi o anúncio feito pelo rádio, pelo Alto Executivo Árabe, exortando os árabes a partir... Foi dito claramente que os árabes que permanecessem em Haifa e aceitassem a proteção judaica seriam considerados como renegados."

Alguns anos mais tarde, o jornal diário libanês em New York, Al Hoda, reportou:

"O secretário-geral da Liga Árabe, Azzam Pasha, garantiu aos povos árabes que a ocupação da Palestina e de Tel Aviv seria tão simples quanto um desfile militar... Ele indicou que eles já estavam nas fronteiras e que tudo o que os judeus tinham investido no desenvolvimento econômico e nas terras seria tomado como despojos de guerra, pois seria uma questão simples lançar os judeus no Mediterrâneo."

Foi dado conselho fraternal aos árabes da Palestina para que deixassem suas terras, casas e propriedades e permanecessem temporariamente nos países vizinhos, para que os canhões dos exércitos árabes invasores não os despedaçassem." [Habib Issa, 8 de junho de 1951].

Katz, que fez uso de fontes árabes publicadas, bem como relatórios e despachos pelos repórteres e funcionários públicos britânicos que eram patentemente hostis à causa judaica, atraiu atenção para o fato que o governo britânico ordenou a destruição de uma quantidade significativa de dossiês oficiais de modo a ocultar sua cumplicidade na campanha árabe contra os judeus. Além da série de dossiês referentes à Haganah e outro intitulado "Propaganda Entre os Árabes", que tratava da política britânica de incitar os árabes contra os judeus, Katz observou que toda a correspondência entre a administração palestina e seus chefes na Secretaria das Colônias, em Londres, (na prática, o gabinete) tinha sido "destruída por ordem do governo".

Se esses dossiês estivessem disponíveis, lançariam muita luz sobre a extensão em que os britânicos, durante quase todo tempo do Mandato, incitaram os árabes a se revoltarem contra os judeus e tinham treinado e financiado os terroristas árabes. Eles até criaram a Liga Árabe (1945) para enrijecer a resistência árabe contra a criação do Estado judaico. Essas táticas enganosas foram similares àquelas adotadas pela Grã-Bretanha no Quênia, Áden e em outros locais durante seu declínio imperial. Finalmente, como já observamos, os britânicos publicaram um relatório oficial em 1939 que virou totalmente de cabeça para baixo a Declaração de Balfour e anunciou que a Palestina Ocidental no devido tempo se tornaria um Estado árabe.

4. Se os países árabes fizeram, e continuam a fazer, todos os esforços para solucionar o problema dos refugiados palestinos, então por que Israel não cumpre suas obrigações neste aspecto?

Este é um mito comum. A verdade da questão é que as nações islâmicas têm continuamente feito tudo o que podem para reter o problema dos refugiados palestinos e usá-lo como um pedaço de pau para bater em Israel. A ONU ofereceu-lhes seu próprio Estado (além da Jordânia) na Palestina Ocidental em 1947, mas eles recusaram a oferta. Em seguida, a Jordânia anexou a Margem Ocidental (que ela já tinha ocupado há dois anos) e esteve em condições de declarar um novo Estado palestino naquele território durante os 17 anos seguintes, antes de perder a Margem Ocidental para Israel em 1967. Entretanto, ela não fez isso. Eis como Kumaraswamy (2006) explicou (Introdução, pág. 59):

"Embora Israel seja normalmente responsabilizado pela ausência de um Estado Palestino, pelo menos até 1967, os Estados árabes foram igualmente responsáveis por essa falha. Até então, eles ocuparam a maior parte do território que foi dado à Palestina sob a partição da ONU, e sua falha em criar um estado naqueles territórios não somente enfraqueceu a causa palestina mas, mais importante ainda, criou dúvidas sobre o comprometimento deles com a unidade árabe."

Karsh, entre outros, também chamou a atenção para o flagrante cinismo da posição árabe:

"Talvez a melhor prova da presciência britânica com relação a esta questão é que o Egito e a Jordânia nunca permitiram a autodeterminação palestina nas partes da Palestina que eles conquistaram durante a Guerra de 1948: respectivamente Gaza e a Margem Ocidental. Como o representante egípcio nas conversações para o armistício disse a um jornalista britânico: '— Não nos interessa se todos os refugiados vão morrer. Existem árabes suficientes ao redor.' Mais de meio século mais tarde, muitos desses refugiados ainda vivem em condições degradantes nos campos, aguardando uma solução para a sua situação." [pág. 92].

Além disso, a baixa densidade populacional do antigo Império Otomano significava que nunca houve falta de território para alocar para os refugiados, mesmo se a Margem Ocidental não estivesse disponível. Também não havia falta de recursos financeiros, seja dos países árabes ricos em petróleo, ou de organizações internacionais e de fontes ocidentais simpatizantes, para facilitar a realocação deles. A verdade é que os palestinos foram expulsos da Jordânia em 1970 e do Líbano nos anos 1980s por causa das crescentes atividades terroristas da OLP (Organização de Libertação da Palestina). Essa agressão que continua, orquestrada por elementos radicais dentro do Islã, garante que o infeliz povo palestino seja deliberadamente abandonado pelas nações islâmicas e explorado da forma mais cínica imaginável. Eles nunca foram mais do que peões no plano genocida de destruir Israel.

Também deve ser observado que a alegada afinidade cultural dos refugiados palestinos com a terra da Palestina Ocidental tem pouco ou nenhum fundamento, pois uma grande proporção deles descende de árabes que tinham sido residentes na Palestina Ocidental por não mais do que algumas décadas.

Além de ser uma ferida aberta para fins de propaganda, os refugiados palestinos fornecem há muito tempo uma cobertura conveniente para os grupos islâmicos terroristas, como a OLP, Fatah, Hamas e Hezbolá. O fato de suas operações resultarem inevitavelmente em baixas entre os civis palestinos não é de consequência em uma sociedade em que o martírio e a morte pelo bem do Islã são estimados na mais alta conta. Com esse tipo de filosofia distorcida, mulheres e crianças podem ser usados como escudos humanos, com ou sem o consentimento deles. (Para uma compreensão perturbadora dos métodos usados pelo Hamas para controlar seus membros e sacrificar civis árabes, leia o livro O Filho do Hamas, de Mosab Hassan Yousef.) À luz desses fatos bem-estabelecidos, é impossível deixar de ver que Israel está sendo obrigado a solucionar um problema que foi criado e agravado de forma deliberada ao longo de um período de sessenta anos por elementos extremistas dentro do Islã que odeiam os judeus.

5. Dado que os árabes e judeus viveram pacificamente juntos durante séculos sob o domínio otomano, por que eles não podem conjuntamente ocupar e administrar um Estado Árabe-Israelense na Palestina?

Esta "solução" é parte da propaganda enganosa divulgada pelos muçulmanos radicais e seus simpatizantes. Ela tenta disfarçar o fato que os judeus sempre foram uma minoria oprimida dentro do Islã, expostos a extraordinários maus-tratos e abusos.

Como infiéis, os judeus eram conhecidos como dhimmis, uma sub-classe com direitos sociais e políticos significativamente reduzidos em relação aos muçulmanos, com pouca segurança, expostos à possibiliade de ataques arbitrários por qualquer muçulmano (contra os quais eles tinham poucos ou nenhum recurso legal), e forçados a pagar um imposto exorbitante chamado Jizyah. Esse tributo, que era cobrado normalmente de todos os homens infiéis de físico saudável, era especialmente oneroso e podia consumir até metade da renda anual do indivíduo. Em resumo, os dhimmis eram trabalhadores sofridos cuja existência continuada era tolerada principalmente com base em algum interesse econômico. O sistema dos dhimmi também tinha uma grande vantagem social no sentido que colocava uma camada de pessoas indigentes abaixo da comunidade muçulmana. Assim, por pior que os próprios muçulmanos fossem tratados por um regime governante opressor, sempre havia uma camada abaixo deles, que era ainda mais explorada e oprimida.

Tanto o Alcorão quanto a Hadith (os dizeres de Maomé) contêm inúmeros versos que propõem a exploração e até a eliminação dos judeus. Eles são descritos várias vezes como uma maldição sobre a terra e uma classe sub-humana — "porcos" e "macacos". (Muitos sites na Internet listam esses versos.)

Hoje, é virtualmente impossível para qualquer um que não seja muçulmano viver de forma segura em alguns países muçulmanos. Embora a presença de trabalhadores imigrantes seja tolerada, eles não têm status e podem ser explusos a qualquer momento. Os cristãos coptas no Egito estão expostos a uma pavorosa perseguição e parecem ser um alvo para eliminação por grupos extremistas.

A crença muçulmana na inferioridade dos infiéis é demonstrada de muitos modos, mas talvez o mais conhecido seja a insistência no uso da Lei Sharia em qualquer país em que eles possuam influência política suficiente para forçar sua introdução. A Sharia é simplesmente a codificação da doutrina islâmica em todas as questões relacionadas com o comportamento humano. Aplicando-se a todos os aspectos da vida, a Sharia é muito mais abrangente e inclusiva do que qualquer ideia ocidental de jursiprudência. A Sharia está "acima da lei", isto é, ela se sobrepõe os estatutos de todas as nações ocidentais e qualquer outra lei constituída fora dos parâmetros do Islã.

Os árabes residentes em Israel (excluindo a Margem Ocidental e Gaza) são cerca de 1,2 milhão, oito vezes o número que existia em 1948. Eles têm direito pleno à cidadania israelense e desfrutam dos mesmos direitos que os judeus (com a exceção de não poderem ingressar nas Forças Armadas). Eles vivem em paz com os judeus, elegem seus representantes no Knesset (o Parlamento de Israel) e adoram em suas mesquitas. Até aqui eles não foram radicalizados pela filosofia islâmica extremista e parecem satisfeitos em permanecer residindo em Israel. Eles são livres e podem vender seus bens e partir quando quiserem, sem qualquer penalidade. Mas, a perspectiva de viverem sob um regime despótico, com um padrão de vida menor e com menos direitos civis não os atrai a países como Síria e Egito. Em resumo, a coexistência pacífica entre judeus e muçulmanos somente é possível quando a Lei Sharia não tem qualquer força política — uma condição que nunca poderia ser satisfeita em um Estado Árabe-Israelense.

6. Mesmo com todas estas considerações, certamente ainda há uma justificativa para permitir que os palestinos em Gaza e na Margem Ocidental estabeleçam seu próprio Estado? Isto não traria a paz?

Muitos ocidentais se inclinam em direção a essa perspectiva. Existem também muitos israelenses que acham que esta pode ser a melhor solução. No entanto, ela está baseada em uma mentira.

A maioria dos ocidentais não compreende o Islã. Eles deixam de ver que o Islã não é apenas uma religião no sentido aceito da palavra, mas também é um sistema político autocrático, onde todos os aspectos da vida do indivíduo são regulados pelo Estado. No Islamismo é lícito matar um muçulmano que se converta para outra religião. Nenhuma outra religião diferente do Islã pode ser pregada abertamente em um país islâmico. O livro sagrado deles defende a violência contra os judeus e cristãos, bem como sobre os outros infiéis e também o conceito de Jihad — a expansão agressiva do Islã está sacramentada em sua teologia. É lícito para os muçulmanos deliberadamente enganar seus inimigos na defesa de sua religião e assinar um tratado de "paz" que eles não tenham a menor intenção de honrar. (O próprio Maomé estabeleceu esse precedente quando, após fazer um tratado de dez anos com os judeus de Meca, retornou dois anos mais tarde e erradicou a todos eles. Na verdade, o código deles diz: "Faça a paz com seu inimigo até que você esteja forte o suficiente para destrui-lo.").

É difícil obter um relato objetivo de qualquer incidente controverso em que os muçulmanos estiveram envolvidos, pois a religião deles lhes permite praticar a farsa se isso ajudar na causa do Islã. Esse tipo de mentira não é imoral e nem ofensiva para Alá, pois o objetivo geral, a proteção do Islã, é o que importa no fim. Esse princípio é similar à filosofia dos jesuítas de que o fim justifica os meios, ou o estratagema supostamente ético, conhecido como reserva mental, que os bispos católicos usam para justificar suas mentiras.

Além disso, poucos ocidentais compreendem que o Alcorão não é a única escritura no Islamismo. Os Hadith, os dizeres de Maomé, que são até mais intolerantes, sectários e agressivamente antijudaicos e anticristãos do que o Alcorão, também possuem autoridade divina. Nâo existe escassez de versos em ambas as escrituras islâmicas para convencer os radicais que a campanha deles de ódio e violência é moralmente justificada. (Embora possa ser verdade dizer que a maioria dos muçulmanos dá pouca importância a esses versos, é igualmente verdade que as opiniões dos muçulmanos moderados e pacificadores não têm efeito algum em uma religião dominada por extremistas.)

As nações islâmicas nunca estarão satisfeitas até que todo vestígio do Estado de Israel tenha sido varrido da face da Terra. Nunca. Mesmo que o tamanho seja reduzido a um centímetro quadrado, eles ainda continuarão a lutar até que o insulto final a Alá seja obliterado. Os líderes israelenses cometeram alguns erros estratégicos sérios no passado quando deixaram de compreender este fato. Por exemplo, depois de obterem uma zona-tampão vital, com a anexação do Sinai, eles a devolveram ao Egito em troca de um papel. Seria um erro sério para Israel abrir mão de algum território que já possua ou controle. Todos esses territórios são seus por direito, pois foram conquistados em uma guerra defensiva contra um invasor genocida.

Durante as negociações patrocinadas pelos EUA em Camp David, em julho de 2000, o primeiro-ministro israelense Ehud Barak ofereceu aos palestinos a maior parte da Margem Ocidental, toda a Faixa de Gaza e o lado oriental de Jerusalém como capital de um novo Estado palestino; além disso, todos os refugiados palestinos poderiam requerer uma compensação pela perda de propriedade, de um fundo internacional para o qual Israel contribuiria, junto com outros países. Mas, incrivelmente, os líderes palestinos rejeitaram essa oferta surpreendente! Como Abba Eban observou após a Conferência de Paz de Genebra, em 1973: "Os árabes nunca perdem a chance de perderem uma boa oportunidade."

A atitude palestina em Camp David mostra, se prova adicional for necessária, que os governantes dos países islâmicos não têm a intenção de solucionar o problema do sofrimento dos refugiados palestinos e não têm interesse algum em um acordo negociado — o único objetivo deles é a total aniquilação de Israel.

O povo palestino tem sido usado pelos líderes do Islã de um modo muito vil, como peões em um jogo perverso que eles querem continuar jogando até que Israel seja destruído. Esses líderes cínicos conhecem o poder da opinião internacional e a simpatia que pode ser obtida para sua causa pela apresentação na televisão das imagens do sofrimento deste povo infeliz. Eles sabem que a maioria dos ocidentais se deixa enganar por esse tipo de propaganda, a infindável repetição de imagens de partir o coração. Eles sabem que o Ocidente continuará a ver os palestinos como vítimas — o que eles são — sem ver que os verdadeiros arquitetos da opressão deles são os países islâmicos vizinhos.

Katz observou (pág. 163) um artigo no jornal egípcio El Muswar, de dezembro de 1968, que francamente admitia que 'a expulsão de nossos irmãos de seus lares não nos deveria causar inquietação, especialmente quando eles são levados para países árabes... As massas do povo palestino são somente a guarda avançada da nação árabe... um plano para despertar a opinão pública aos poucos, pois ela não seria capaz de compreender ou aceitar uma guerra de cem milhões de árabes contra um país pequeno."

Em sua discussão do mesmo tema, Karsh declarou:

"De fato, tivesse o Estado judaico perdido a guerra, seu território não teria sido entregue aos palestinos, mas, ao contrário, teria sido dividido entre as forças invasoras, pela simples razão que nenhum dos regimes árabes via os palestinos como uma nação distinta. Como o acadêmico americano Philip Hitti explicou a visão árabe para uma comissão anglo-americana de inquérito em 1946: '— Não existe Palestina na história, simplesmente não existe.'" [pág. 91].

Bard também vai direto ao ponto:

"A Liga Árabe criou a Organização de Libertação da Palestina (OLP) no Cairo, em 1964, como uma arma contra Israel. Nem a OLP nem quaisquer outros grupos palestinos fizeram campanha para que a Jordânia ou o Egito criassem um Estado Palestino independente na Margem Ocidental ou em Gaza. O foco do ativismo palestino sempre esteve na destruição de Israel. Após a OLP ter sido expulsa da Jordânia pelo rei Hussein, em 1970, muitas de suas unidades ativas foram para o Líbano. A OLP tomou áreas inteiras do país, onde brutalizou a população e usurpou a autoridade do governo libanês." [pág. 69].

Os palestinos já têm seu próprio Estado — A Palestina Oriental (Jordânia) — mas os refugiados são impedidos de entrar lá pelos líderes islâmicos. Por meio da escolha de sua bandeira, os palestinos da Margem Ocidental e de Gaza virtualmente admitem que a Jordânia é a sua pátria — observe a grande similaridade entre as duas bandeiras:

Os refugiados palestinos também poderiam ser facilmente acomodados em outro país árabe vizinho, como o Líbano e a Síria, onde já existe uma presença palestina significativa, porém eles não recebem a permissão de entrar nesses países. Ou, eles poderiam receber do Egito uma fatia da vasta península do Sinai, ou da enorme Arábia Saudita, que é um dos países mais sub-povoados do mundo. Em resumo, o sofrimento dos árabes da Palestina Ocidental poderia ser solucionado em uma semana pela comunidade islâmica global, se ela realmente quisesse fazer isso.

Mas, isto nunca acontecerá, porque os líderes do mundo islâmico odeiam Israel e estão totalmente preparados para intimidar, oprimir, deixar passar fome e, se necessário, sacrificar milhões de seu próprio povo — os palestinos — de modo a destruir Israel.

Como Jamal al-Husseini, vice-presidente do Alto Comitê Árabe, o governo efetivo dos árabes palestinos, disse à Assembleia-Geral da ONU em 1947, pouco antes de lançar seu voto: "— Estamos sólida e permanentemente decididos a lutar até o último homem contra a existência em nosso país de um Estado judaico, por menor que ele possa ser."

O ex-diretor da UNWRA, Ralph Garroway, não mediu suas palavras quando declarou em agosto de 1958: "— Os Estados árabes não querem solucionar o problema dos refugiados. Eles querem mantê-lo como uma ferida aberta, como uma afronta à ONU e como uma arma contra Israel. Os líderes árabes não se importam nem ou pouco se os refugiados vivem ou morrem." Estas três frases simples resumem bem a atitude dos árabes com relação aos refugiados palestinos.

A essência do problema maior, a sobrevivência de Israel, é bem explicada por Ben-Ami:

"O campo de batalha como tal nunca foi o único problema para Israel; foi o contexto estratégico maior de uma nação cercada por uma imensa região de influência árabe que pode suportar, como de fato suportou, uma derrota após a outra, porém sempre se recupera e está preparada para a próxima rodada. Os israelenses sempre estiveram genuina e corretamente convencidos que não podem se dar ao luxo de perder uma guerra.

O bloco monolítico islâmico somente precisa vencer uma vez, enquanto que Israel precisa vencer todas as vezes.

No Fim Somente um Ponto de Vista É Que Importa

Para todas nossas opiniões e convicções, e a imensa diversidade de visões que se possa ter sobre a questão, no fim somente um ponto de vista é o que importa — e este é o de Deus. E Ele já o expressou com incrível clareza para todos verem:

Primeiro, Ele estabeleceu um acordo vinculante com Abraão e com todos os seus descendentes, por volta de 2.000 AC:

"E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus." [Gênesis 17:7-8].

Para que ninguém pense por um momento que Deus possa deixar de honrar Sua palavra, Ele disse, por volta de 1.500 AC:

"Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?" [Números 23:19].

Depois, por volta de 1.000 AC, Ele novamente lembrou ao Seu povo que tinha todas as intenções de honrar Sua aliança com eles:

"Lembrou-se da sua aliança para sempre, da palavra que mandou a milhares de gerações. A qual aliança fez com Abraão, e o seu juramento a Isaque. E confirmou o mesmo a Jacó por lei, e a Israel por aliança eterna." [Salmos 105:8-10].

Além disso, Ele disse que honraria Sua "aliança para sempre", mesmo que Seu povo se desviasse dos preceitos que Ele tinha definido:

"Se os seus filhos deixarem a minha lei, e não andarem nos meus juízos, se profanarem os meus preceitos, e não guardarem os meus mandamentos, então visitarei a sua transgressão com a vara, e a sua iniquidade com açoites. Mas não retirarei totalmente dele a minha benignidade, nem faltarei à minha fidelidade. Não quebrarei a minha aliança, não alterarei o que saiu dos meus lábios. Uma vez jurei pela minha santidade que não mentirei a Davi. A sua semente durará para sempre, e o seu trono, como o sol diante de mim. Será estabelecido para sempre como a lua e como uma testemunha fiel no céu." [Salmos 89:30-37].

Cerca de 400 AC, Ele novamente lembrou ao Seu povo que Ele não muda, que Sua aliança permanecerá e que aqueles que se voltarem para Ele no fim dos tempos ("naquele dia") serão poupados, como se cada homem fosse Seu próprio filho:

"Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." [Malaquias 3:6].

"E eles serão meus, diz o SENHOR dos Exércitos; naquele dia serão para mim joias; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve." [Malaquias 3:17].

Jesus Cristo confirmou esta promessa quando disse:

"E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem." [Lucas 21:24].

Jerusalém caiu no ano 70 e somente retornou totalmente para as mãos dos judeus em 1967. Este é um claro sinal que o relógio do fim dos tempos foi acionado e que está funcionando.

Finalmente, no livro do Apocalipse (escrito por volta do ano 96), o Senhor diz detalhadamente como pretende lidar com Satanás, os inimigos de Israel e a tremenda apostasia da humanidade no fim dos tempos. Se você acha por um momento que Ele não quis dizer aquilo que disse, pense novamente:

"Peso da palavra do SENHOR sobre Israel: Fala o SENHOR, o que estende o céu, e que funda a terra, e que forma o espírito do homem dentro dele. Eis que eu farei de Jerusalém um copo de tremor para todos os povos em redor, e também para Judá, durante o cerco contra Jerusalém. E acontecerá naquele dia que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão despedaçados; e ajuntar-se-ão contra ela todo o povo da terra... E acontecerá naquele dia, que procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém." [Zacarias 12:1-3, 9].

Comentários Finais

Quando iniciei a pesquisa deste tópico, não esperava terminar aqui. De algum modo, imaginei que a causa árabe teria alguma justificativa, por mais tênue que fosse. Afinal, toda história tem dois lados. Portanto, foi uma verdadeira surpresa ver o quão bem definidas as questões principais realmente são. Por um lado, temos um pequeno país sob cerco e, no outro lado, há um império despótico e espaçoso que está decidido a destrui-lo, custe o que custar.

Esta análise foi baseada em fatos que são bem fáceis de confirmar. Se você tiver dificuldades com minhas conclusões, então sugiro que pesquise os fatos que, em sua opinão têm o maior peso em minha análise. Acredito que é importante que as pessoas estabeleçam a posição histórica real por si mesmas e não dependam inteiramente de fontes de segunda mão.

Este ensaio não trata a conduta das Forças Israelenses de Defesa nas últimas décadas, as atividades do Mossad ou do Shin Bet, a influência sionista na política norte-americana ou no sistema financeiro global, o uso de Israel como um ponto crítico para a Terceira Guerra Mundial, seu papel no plano dos Illuminati de criar uma Nova Ordem Internacional, ou qualquer outro fator similar. O ensaio simplesmente procurou estabelecer (a) se o Estado de Israel (incluindo o território que ele atualmente controla) foi constituído sob bases morais e legais sólidas — a resposta é Sim — e (b) se o Estado de Israel é ou não responsável pelo atual situação dos palestinos na Margem Ocidental e em Gaza — e a resposta é Não.

Um resumo do assunto como um todo é mostrado no Apêndice A.

Nota Sobre o Autor:

Jeremy James é formado em Filosofia e Lógica na University College, em Dublin, Irlanda. Ele passou trinta anos na administração pública, lidando principalmente com a política de informatização, administração fiscal e planejamento estratégico. Ele se tornou um cristão nascido de novo em 2008 e não tem afiliação alguma com o Judaísmo e nem com organizações sionistas. Este ensaio foi escrito principalmente em resposta ao anúncio feito no início de 2010 pelo Congresso Irlandês de Sindicatos (ICTU), que tinha objeções ao tratamento dado aos palestinos em Israel e que apoiava o boicote aos produtos israelenses por parte dos consumidores irlandeses. Essa política, em sua opinião, está baseada em uma séria incompreensão da posição histórica atual e que é prejudicial aos interesses legítimos de Israel.

Publicado na Internet em 9 de junho de 2010.

Bibliografia

Apêndice A

Resumo

A principal prova do direito de Israel de existir e de reter a posse de toda a terra atualmente sob seu poder (as Colinas do Golã, Gaza e a Margem Ocidental), junto com provas que não é responsável pela situação dos árabes palestinos em Gaza e na Margem Ocidental é como segue:

  1. O território coberto pelo Mandato Britânico da Palestina (a Jordânia e Israel atuais) era significativamente sub-povoado em 1900. Apesar de seu vasto tamanho, a população de todo o Império Otomano, em 1917, era de aproximadamente 20 milhões. A mesma área hoje tem cerca de 220 milhões de habitantes (um aumento anual médio de 2,7%). Não somente era o Império como um todo subpovoado, mas a região da Palestina era ainda mais. Portanto, a noção que não havia espaço para uma pátria judaica na Palestina sem realocar a população árabe nativa, tal como ela existia, é indefensável. Uma grande proporção dos árabes que viviam na Palestina Ocidental até 1947 chegou ali após a primeira Aliyah (onda migratória) dos judeus, a partir de 1880.

  2. Não existiam fronteiras nacionais ou Estados-nações dentro do Império Otomano (que existiu durante cerca de 400 anos) e, assim, não havia identidade nacional, quer entre os árabes da Palestina Ocidental, ou em qualquer outra parte. Toda a identidade era tribal e religiosa. Um Estado na Palestina, governado pelos árabes, nunca existiu. A Palestina Ocidental (Israel) nunca foi mais do que uma província no vasto território do Islã e era tradicionalmente considerada pelos árabes como parte da Síria e da Jordânia. Os árabes nunca reconheceram os "palestinos" como um povo separado, ou como um grupo étnico.

  3. O controle soberano que os turcos exerciam sobre o Império Otomano foi quebrado em 1918 e os vitoriosos (notavelmente a Grã-Bretanha e a França) tiveram total liberdade jurídica, dentro da Lei Internacional, para decidir como o Império deveria ser dividido entre os interesses concorrentes.

  4. A Grã-Bretanha e a França concordaram com os principais representantes sionistas daquele tempo para criarem uma pátria judaica na Palestina (o território do Mandato, conhecido hoje como Jordânia e Israel).

  5. Os principais representantes árabes concordaram com a criação de uma pátria judaica na Palestina com base no entendimento que os árabes receberiam o controle sobre o território restante do Império Otomano, isto é, o Líbano, Síria, Iraque e Arábia Saudita. As fronteiras territoriais ainda não tinham sido definidas em acordo.

  6. Os principais representantes árabes declararam por escrito que davam as boas-vindas à criação de uma pátria para os judeus.

  7. A comunidade internacional (os Aliados e, mais tarde, a Liga das Nações) ratificaram o entendimento no ponto 5 acima e observaram a concordância árabe com o ponto 6 acima.

  8. Em 1922, em uma violação à Lei Internacional, a Grã-Bretanha dividiu a Palestina em duas partes, dando a área a leste do rio Jordão para os árabes (conhecida mais tarde como Transjordânia, depois Reino Hashemita da Jordânia e, finalmente, Jordânia). Os judeus foram completamente excluídos desse território. Ao fazer isso, a Grã-Bretanha reduziu sumariamente a área potencial do Estado judaico a ser criado em 75%. O restante da Palestina permaneceu sob o controle britânico.

  9. A Grã-Bretanha cooperou de um modo clandestino com os árabes, impondo restrições sobre a imigração de judeus para a Palestina Ocidental (a pátria judaica proposta), contrariamente à Lei Internacional. Essas restrições cresceram continuamente e se tornaram mais opressivas durante os anos 1930s.

  10. A Grã-Bretanha continuou a facilitar a migração irrestrita de árabes para a Palestina Ocidental, o que, novamente, era contrário aos termos do Mandato Britânico da Palestina, aprovado pela Liga das Nações.

  11. A Grã-Bretanha também continuou a apoiar a causa árabe na Palestina Ocidental, restringindo a aquisição de terras pelos judeus a certas áreas específicas. Isto foi feito com vistas a uma redução ainda maior do território que os judeus poderiam depois reivindicar como sua pátria. Além disso, o território foi dividido em três enclaves, tornando-o ainda mais vulnerável a um ataque militar em larga escala do que um único território contíguo.

  12. Instigados pelos britânicos, os árabes continuaram durante as décadas de 1920, 1930 e 1940 a perpetrar ataques terroristas contra alvos civis judaicos.

  13. Os árabes que viviam na Palestina Ocidental foram levados a acreditar pelos líderes dos países árabes vizinhos (via rádio, jornais e de boca em boca) que uma invasão militar em larga escala ocorreria imediatamente depois que o Estado judaico fosse declarado. Eles foram aconselhados a deixar a Palestina Ocidental temporariamente, de modo a não criar restrições para os exércitos árabes invasores.

  14. Grandes números de árabes partiram após a violenta resposta dos líderes à Resolução da ONU de 29 de novembro de 1947. Isto levou a um grande aumento das tensões entre as duas comunidades. As numerosas atrocidades contra os civis judeus durante este período convenceu muitos árabes que, se os judeus viessem a obter a supremacia, a segurança deles não seria garantida.

  15. O Estado judaico oficial, aprovado pelas Nações Unidas em 1947, era somente uma fração de toda a Palestina (Oriental e Ocidental) e somente 57% da Palestina Ocidental. Além disso, uma grande parte, cerca de 75% consistia do inóspito Deserto do Negueve.

  16. Se o povo judeu tivesse recebido uma pátria de tamanho proporcional ao seu número populacional dentro do Império Otomano como um todo, o território alocado deveria ser muito maior. (Os curdos também deveriam ter recebido uma pátria com base neste mesmo princípio, porém foram enganados pelos árabes.)

  17. Os árabes da Palestina Ocidental receberam da ONU a oferta de terem seu próprio Estado em 1947, porém a rejeitaram.

  18. Os judeus no recém-fundado Estado de Israel se recusaram a permitir que os árabes que tinham fugido em 1947-48 retornassem. Como resultado, os refugiados perderam uma considerável quantidade de bens e propriedades. Entretanto, a perda total que eles tiveram desse modo foi metade daquilo que os judeus perderam quando foram forçados a fugir dos vários países islâmicos por questões de segurança.

  19. A invasão maciça de Israel em 15 de maio de 1948 pelos exércitos de seis países árabes não foi bem-sucedida. Essa invasão foi ilegal sob a Lei Internacional e tinha propósitos genocidas. Embora os invasores tenham atacado por três frentes e possuíssem vantagens estratégicas suficientes, não conseguiram vencer a resistência judaica.

  20. Os países árabes se recusaram a assimilar a maioria dos árabes que abandonaram temporariamente a Palestina Ocidental em 1947-48. Outros países assimilaram números muito maiores de refugiados após a Segunda Guerra Mundial, mas os países árabes, apesar do extenso território à sua disposição e das suas amplas receitas obtidas com as exportações de petróleo, têm consistentemente se recusado a fazer isso. Essa população infeliz, que hoje é de cerca de 3,5 milhões de pessoas, tem sido usada pelas nações islâmicas nos últimos 60 anos como uma ferida aberta, um instrumento cínico de propaganda para enganar a comunidade internacional e como um escudo humano ao realizar operações terroristas contra alvos civis israelenses.

  21. Com aprovação britânica, a Jordânia anexou a Margem Ocidental em 1950 e a manteve até 1967, quando ela foi tomada por Israel na Guerra dos Seis Dias. Durante todo esse período — cerca de 17 anos — os árabes estiveram em condições de declarar um Estado independente para os árabes palestinos na Margem Ocidental, mas não fizeram isto. Similarmente, o Egito poderia ter doado Gaza quando ela estava sob o controle egípcio. Talvez esses fatos, mais do que qualquer outro, demonstrem que os árabes deliberadamente alimentam o problema dos refugiados palestinos para o propósito expresso de destruírem Israel.

  22. A liderança dos palestinos tem consistentemente rejeitado todas as propostas racionais de uma solução. Uma proposta feita em 2000 ofereceu Gaza, a maior parte da Margem Ocidental e o lado oriental de Jerusalém como capital de um novo Estado palestino, porém eles a rejeitaram.

  23. As nações islâmicas nunca reconhecerão o Estado de Israel e não têm intenção de alcançar um acordo pacífico e duradouro. Israel cometeu um grande erro estratégico quando devolveu a Península do Sinai ao Egito, em 1979. Israel não deve abrir mão de território adicional algum, por qualquer razão que seja. Sob o código moral do Islã, os árabes não são obrigados a honrar um tratado feito com uma nação infiel.

  24. O objetivo do Islã radical, que é financiado pesadamente pelo Irã e pela Arábia Saudita, entre outros, é a total destruição de Israel e o assassinato de toda sua população.



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 21/5/2013
Transferido para a área pública em 17/3/2015
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