Politizando a Eco-Espiritualidade: O Chamado para a Interdependência

Forcing Change, Volume 7, Edição 10.

Nota: Este artigo é o rascunho de um capítulo do projeto de um livro que, espero, será lançado no segundo trimestre de 2014. O propósito do livro, como também do capítulo que está sendo publicado aqui, é informá-lo melhor sobre a história, cosmovisão e direção do Movimento Ambientalista profundo. Isto inclui os componentes religiosos, a relação com a política e — muito importante — como o Cristianismo tradicional está sendo visado para transformação. Mais detalhes serão apresentados em capítulos posteriores e os rascunhos e excertos desses capítulos poderão ser incluídos em edições futuras de Forcing Change.

"Temos de revisar completamente nossa compreensão ocidental sobre o que significa ser um habitante do planeta Terra, nossa história humana e nossa história ocidental." — Empowerment For Sustainable Development. [1].

A religião como uma ferramenta de alavancagem para a transformação social e a política verde do ambientalismo estão inescapavelmente vinculadas.

Na Organização das Nações Unidas, o centro mundial de encontros políticos, a eco-espiritualidade está sendo adotada, ao mesmo tempo que os padrões cristãos tradicionais estão sendo reprovados como maus. Um exemplo é a Convenção da ONU Sobre Diversidade Biológica (CBD), um curto documento que não chega a ter 20 páginas em papel no tamanho carta. Considerada em seu valor de face, a CBD parece dizer muito pouco, sem ter nada no texto que possa ser interpretado como abertamente religioso em sua natureza.

Entretanto, quando o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) interpretou a CBD, o resultado foi um trabalho de mais de 1.100 páginas intitulado Avaliação da Diversidade Gloal (Global Biodiversity Assessment). Neste volume surpreendente, a ideia da eco-espiritualidade foi considerada importante o suficiente para garantir a publicação subsequente de um segundo volume maciço, apropriadamente intitulado Valores Culturais e Espirituais da Biodiversidade — Uma Contribuição Complementar para a Avaliação da Biodiversidade Global. Portanto, por que a CBD, um documento minúsculo e sem qualquer referência à religião deu origem a uma imensa resposta interpretativa, incluindo um texto que detalha especificamente os aspectos espirituais da biodiversidade? O UNEP publicou a resposta:

"... a ONU tem dedicado quantidades cada vez maiores de tempo e energia para articular medidas práticas para atender à crise ambiental global e a formação de um consenso internacional em torno de uma ética ambiental global. Muito deste esforço veio a frutificar na Cúpula da Terra de 1992, com a aprovação da Agenda 21, a Declaração do Rio de Janeiro, e a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD)." [2].

Caso você não tenha prestado atenção, a resposta está no meio da citação acima: a formação de uma "ética ambiental global".

Desenvolvendo este ponto, J. Baird Callicott, um colaborador do UNEP e professor de Filosofia no Departamento de Estudos da Religião, na Universidade do Norte do Texas, escreve em Valores Culturais e Espirituais da Biodiversidade:

"Com a dimensão global atual e mais ominosa da crise ambiental do século 20 agora na linha de frente da atenção, a filosofia ambiental precisa facilitar o aparecimento de uma consciência ambiental global que abranja as fronteiras nacionais e culturais... Em parte, isto requer uma comparação intercultural mais sofisticada dos conceitos tradicionais e contemporâneos da natureza da natureza, da natureza humana e o relacionamento entre pessoas e natureza... um novo paradigma está surgindo e que, mais cedo ou mais tarde, substituirá a obsoleta cosmovisão mecânica e seus valores associados e o espírito tecnológico."

"O que vejo para o século 21 é o aparecimento de uma ética ambiental internacional baseada na Teoria da Evolução, ecologia e a nova física... Assim, podemos ter uma cosmovisão e uma ética ambiental associada à realidade contemporânea que habitamos um planeta..." [3].

O desejo para uma nova ética internacional é endêmica no Movimento Verde. Mas, esse desenvolvimento significa que uma mudança precisa ocorrer na sociedade, particularmente relacionada com a filosofia e a religião, pois a ética historicamente depende dessas duas plataformas. Portanto, para uma nova ética global aparecer, a religião como um todo — e a liderança espiritual em particular — precisam ser incluídas no processo de transformação de valores. Uma mudança de valores é exatamente o que está previsto, como foi expresso em meados dos anos 1990s pelo Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, um centro de estudos e debates e de desenvolvimento de políticas que trabalha com governos nacionais e com a ONU. "Precisamos passar de um senso de realidade centrado no homem para um senso de realidade e de valor centrado na Terra. Agora reconhecemos a comunidade maior da Terra, e não a comunidade humana, como normativa com relação à realidade e aos valores." [4].

Lester Brown, famoso por causa da WorldWatch (Observatório Mundial), certa vez escreveu: "Os valores são a chave para a evolução de uma sociedade sustentável, não somente por que influenciam o comportamento, mas também por que determinam as prioridades da sociedade..." [5].

Além disso, Steven C. Rockefeller (fotografia à direita), um curador de longa data do Fundo Irmãos Rockefellers, também compreende a importância dos valores. Escrevendo na Carta da Terra, um manifesto ambientalista que ajudou a rascunhar, Rockefeller propôs uma "Grande Transição" — uma mudança global nos valores. "Uma grande transformação social envolve uma mudança nos valores éticos de um povo... A Grande Transição requer que uma nova visão ética ocupe a imaginação e o coração dos povos do mundo." [6].

Em outro ensaio, Rockefeller expandiu essa ideia por meio do contexto da Carta da Terra: "A iniciativa da Carta da Terra é parte do movimento global para desenvolver uma nova ética global... Um elemento da segurança mundial no século 21 é a clarificação e o desenvolvimento de valores éticos compartilhados. De especial importância, a ética global fornece um fundamento essencial para a Lei Internacional." [7].

Ética, filosofia e religião são blocos de construção históricos que estruturam uma civilização, sendo que a religião exerce um papel muito mais fundamental do que normalmente é reconhecido pela nova geração de humanistas seculares, ou que até é considerado por muitas "pessoas de fé". Portanto, não é surpresa descobrir que a religião e a espiritualidade, como a ética, são de preocupação para o Movimento Verde. Relatórios de um dos mais influentes centros de estudos e debates ambientais demonstram este fato, com o Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, que trouxe a espiritualidade para a conversação por meio de suas publicações, Empowerment For Sustainable Development (Capacitação para o Desenvolvimento Sustentável) e Our Responsibility to the Seventh Generation (Nossa Responsabilidade com a Sétima Geração). Em ambos os casos, a espiritualidade ligada à terra é incentivada, enquanto que a cultura "ocidental" e o Cristianismo são depreciados, pois "a destruição da Terra é o resultado de sociedades que perderam o senso da sacralidade da Terra." [8].

Da mesma forma, o livro publicado pelo Sierra Club em 1996, The Lost Gospel: A Call for Renewing Nature, Spirit and Politics (O Evangelho Perdido: Um Chamado para Renovar a Natureza, o Espírito e a Política), de Tom Hayden, procura chegar a uma nova visão espiritual verde, ao mesmo tempo que afirma que as civilizações com um contexto religioso bíblico e humanista grego são a causa da crise ecológica.

Em tudo o que foi dito acima, duas questões surgem: Quais religiões e práticas espirituais são consideradas válidas na criação de uma nova ética centrada na Terra? Quais religiões precisam ser modificadas para melhor se adequarem dentro de uma sociedade verde global?

Nenhuma das duas questões é difícil de responder e ambas já foram indicadas. Entretanto, precisamos considerar este assunto em maior detalhe de modo a melhor apreciar o transição de valores objetivada e como isto impacta o Cristianismo. Um exemplo será suficiente antes de avançarmos para as interpretações do UNEP para a Convenção Sobre Diversidade Biológica.

Como 22 de abril, o Dia da Terra, é o evento verde mais celebrado do nosso tempo, seria sábio ver o que o The Environmental Handbook (O Manual do Meio Ambiente) diz com relação às religiões e culturas aceitáveis. Esse livro, para aqueles que não estão familiarizados com ele, foi publicado para o "Primeiro Treinamento Ambiental Nacional", realizado em 22 de abril de 1970 — o primeiro "Dia da Terra" reconhecido, que mobilizou 20 milhões de americanos para ações ecológicas. Ao celebrar este evento e informando uma nova geração a aceitar e promover a mudança planetária, cópias do livro foram colocadas nas mãos de estudantes e ele foi incorporado no currículo escolar. Ah, sim, O Manual do Meio Ambiente fala efusivamente sobre religião, desde a primeira página, com um budista tibetano, o guarda ambiental Urso Smokey, até o famoso ensaio de Lynn White propondo uma "nova religião" para substituir o Cristianismo, e uma lista de religiões e culturas apropriadas que "trabalharam ao longo da história rumo a um estado de coisas ecológica e culturalmente esclarecido." [9].

"Que os seguintes sejam incentivados: Gnósticos, marxistas engajados, Teilhard de Chardin, druídas, taoístas, biológos, bruxos, iogues, quacres, sufistas, budistas tibetanos, zen budistas, xamãs, mateiros, indígenas americanos, polinésios, anarquistas, alquimistas... a lista é longa. Todas as culturas primitivas, todos os movimentos comunitários e os ashrams hindus." [10].

Do mesmo modo, os textos do UNEP apresentam conceitos profundamente religiosos. Em sua interpretação da Convenção Sobre a Diversidade Biológica, o Cristianismo é atacado, enquanto que as práticas pagãs e as religiões orientais são apresentadas como modelos positivos. Considere o seguinte excerto de Avaliação da Biodiversidade Global:

"... a tradição judaico-cristã, coloca os seres humanos não como parte de uma comunidade mais ampla dos seres, mas separada, à parte. Ela chega a ver a natureza como totalmente dedicada ao cumprimento das necessidades humanas, ao bel-prazer das pessoas. As culturas orientais com tradições religiosas como o Budismo, o Jainismo e o Hinduísmo não se afastam muito da perspectiva dos seres humanos como membros de uma comunidade de seres, incluindo outros elementos vivos e inanimados. Assim, os hindus continuam a proteger os primatas... Os santuários budistas no sudeste asiático têm bosques anexados aos templos, como também os santuários xintoístas no Japão. Entretanto, isto não significa que estas sociedades orientais não permitiram a erosão em larga escala de suas diversidades biológicas, seja na Índia ou na Tailândia."

"As sociedades dominadas pelo Islão e, especialmente, pelo Cristianismo, são as que foram mais longe em colocar os seres humanos separados da natureza e em adotar um sistema de valores que converteu o mundo em um depósito de produtos para a satisfação humana. No processo, não somente a natureza perdeu suas qualidades sagradas, mas a maioria das espécies animais que têm um valor simbólico positivo nas outras culturas humanas adquiriu conotações muito negativas na cultura europeia. A conversão ao Cristianismo significou um abandono de uma afinidade com o mundo natural para muitos moradores das florestas, camponeses e pescadores em todo o mundo." [11].

Após lançar a culpa pelos problemas ambientais aos pés do Cristianismo, a Avaliação continua dando o exemplo negativo da destruição dos bosques sagrados:

"Os estados montanhosos do nordeste da Índia, que fazem fronteira com a China e Mianmar, suportavam sociedades agrícolas autônomas com rotação de culturas de pequena escala, até os anos 1950s. Esses povos seguiam suas próprias tradições religiosas que incluíam reservar de 10 a 30% da paisagem como bosques e lagos sagrados. A maioria dessas pessoas foi atraída para a economia de mercado mais ampla e se converteu ao Cristianismo por volta do fim dos anos 1950s. Ao se converterem para um sistema de crenças religiosas que rejeita a atribuição das qualidade sagradas aos elementos da natureza, eles começaram a cortar os bosques sagrados..." [12].

É interessante o reconhecimento da Avaliação que a atual ação política de estabelecer "áreas protegidas" — terra reservada para a natureza, sem interferência de projetos humanos — é o equivalente moderno da antiga ideia pagã de "bosques sagrados" protegidos". [13].

O segundo volume interpretativo do UNEP, Valores Culturais e Espirituais da Biodiversidade, faz uma abordagem ainda mais desafiadora ao Cristianismo e às posições ocidentais. Ele propõe que as religiões do mundo, "especialmente aquelas no Ocidente", redefinam seus propósitos finais para se alinharem com uma visão mais radical baseada na Terra — sugerindo que as religiões ocidentais comparem suas cosmologias com as Declarações de Assis, [14] que propagam a unidade mundial e a harmonia universal como resposta às tendências globalmente destrutivas da humanidade. [15].

Além do mais, a "filosofia cristã do homem branco" é referida como "a hegemonia orientada pelo ego da doutrina cristã". [16] Em vez dessas filosofias negativas do "homem branco", outras cosmovisões mais harmoniosas devem ser encorajadas, como a sacralidade do solo: "O solo é nossa deusa; ele é nossa religião." [17].

O eco-feminismo, antagônico ao Cristianismo tradicional e à imagem de "Deus como único, masculino e transcendente" é também trazido ao primeiro plano. O UNEP, contribuinte no eco-feminismo, sugere diversas "transformações interconectadas da nossa cosmovisão":

1. "Uma transição de uma concepção de Deus como detentor de todo o poder soberano, de fora e reinando sobre a natureza, para uma concepção de Deus que está sob e em torno de todas as coisas, sustentando e renovando a natureza e a humanidade juntos como uma comunidade biótica criacional."

2. "Uma transição... para uma visão do mundo como um todo orgânico vivo, manifestando energia, espírito, ação e criatividade."

3. "Uma transição de uma ética em que as entidades não-humanas na Terra, como os animais, plantas, minerais, água, ar e solo têm somente valor de uso utilitário... para uma visão em que todas as coisas têm valor intrínseco para serem respeitadas e celebradas por aquilo que são.

4. "Uma transição... para uma psicologia holística que reconhece a nós mesmos como totalidades psico-espirituais-físicas em interrelação com o restante da natureza como também totalidades psico-espirituais-físicas que são mutuamente interdependentes em uma comunidade de vida."

5. "Uma transição de uma visão em que o domínio patriarcal é a ordem da 'natureza'... para um reconhecimento que o domínio patriarcal é a raiz das relações distorcidas..."

6. "Uma transição do conceito de uma cultura superior (a civilização ocidental cristã) a ser imposta a todos os outros povos para 'salvá-los e civilizá-los'; para um respeito pela diversidade das culturas humanas em diálogo e mútuo aprendizado, superando a hierarquia racista e defendendo particularmente as culturas autóctones biorregionais que estão à beira da extinção."

7. "Uma transição de uma política de sobrevivência dos mais aptos que aloca recursos e poder para os mais poderosos; para uma comunidade política baseada na democracia participativa, para a tomada de decisões com base na comunidade e na representação do bem-estar de toda a biorregião." [18].

Encaixando-se com o eco-feminismo, o relatório Valores Culturais e Espirituais da Biodiversidade apresenta a ideia de Gaia como um paradigma de pedra de esquina. Essa hipótese "cientificamente" favorecida, assim chamada em honra à deusa-mãe grega — uma entidade feminina primordial que infunde vida ao planeta Terra — foi criada com base nos princípios da interdependência e de um planeta vivo. [19]. Ajudando a compreender essa hipótese, Lawrence E. Joseph, autor de Gaia: The Growth of an Idea, explica:

"Gaia, a deusa grega da Terra, renasceu por meio da ciência moderna. A hipótese de Gaia é a primeira expressão científica abrangente da crença profundamente antiga que o planeta Terra é uma criatura viva... Tomado como um todo, o planeta se comporta, não como uma esfera inanimada de rochas e solos... mas mais como um super-organismo biológico — um corpo planetário — que se ajusta e regula a si mesmo." [20].

O relatório do UNEP adota a hipótese de Gaia:

"Pertencemos a um emaranhado de seres — a Terra — a Gaia... Ansiamos e somos inseparáveis da nossa cultura — de uns dos outros — de Gaia. Somos interdependentes com tudo o mais que existe... Pertencemos a uma emaranhamdo de seres e somos responsáveis por ele — o universo — Terra — Gaia... As culturas construídas com base em valores diferentes de pertencer estão condenadas a se auto-destruírem. Uma cultura baseada em 'domínio sobre a Terra e de tudo o que nela há' está condenada a desaparecer." [21].

Esta linha, "uma cultura baseada no 'domínio sobre a terra e de tudo o que nela há' está condenada a desaparecer", é uma referência negativa à ordem judaico-cristã da natureza, conforme apresentada em Gênesis 1: que a humanidade está colocada acima do mundo natural e que a Terra foi criada para suportar a vida humana. Portanto, não é surpresa ler:

"... as religiões e culturas primitivas, frequentemente concebidas como constituídas de uma forma única e primitiva de religião, funcionaram constantemente como uma contraparte positiva ou negativa para a civilização e vida ocidentais. No período do ambientalismo elas têm funcionado predominantemente como modelos positivos, algumas vezes até paradisíacos, de uma cosmovisão e sociedade ecologicamente sólidas. O período do ambientalismo coincide com um período de pensamento de Nova Era..." [22].

Em todo o relatório Valores Culturas e Espirituais da Biodiversidade, do UNEP, lemos a respeito das heróicas cosmovisões que preservam a ecologia, a importância do xamanismo em fazer a ligação entre as comunidades tribais e o mundo natural, a espiritualidade indígena norte-americana como um modelo para o serviço ao planeta Terra, o papel do Taoísmo em preservar as montanhas sagradas, as crenças Dai tradicionais em Colinas Sagradas, onde animais e deuses sagrados residem, a conectividade interior e exterior do Budismo, a unidade mundial prevista pela Fé Baha'í, a interrelação espiritual-ecológica no animismo, as visões védicas do espírito manifesto na natureza, a importância das árvores no Islão, as antigas crenças celtas como o germe para a ecologia profunda, etc. A interdependência, bebendo do poço pagão da unidade — a humanidade, a natureza e tudo o mais são um [23] — está colocada como a estrutura para uma profunda cosmovisão ecológica.

"A ecologia profunda não separa os seres humanos do ambiente natural, nem separa qualquer coisa dele. Ela não vê o mundo como uma coleção de objetos isolados, mas, ao contrário, como uma rede de fenômenos que estão fundamentalmente interconectados e interdependentes. A ecologia profunda reconhece os valores intrínsecos de todos os seres vivos e vê os seres humanos como um simples fio específico na teia da vida.... A ecologia profunda está enraizada em valores 'ecocêntricos'." [25].

O Judaísmo e o Cristianismo, a partir de uma perspectiva ecológica, são considerados em uma luz positiva desde que ambos enfatizem a importância da mordomia (ou serviço). Um exemplo cristão dado foi a comunidade Amish, com seu estilo de vida intensamente agrário e "profunda conexão com seu lugar na Terra". [26]. Outro acontecimento positivo, segundo o texto do UNEP, é o envolvimento cristão em ação "intercultural e interreligiosa" alinhada com valores ecológicos e "unidade na diversidade", como "transformar os pátios e terrenos das igrejas cristãs em... espaços ecologicamente sólidos" como parte do interfé "Projeto do Terreno Sagrado". [27].

Mas, como um todo, a cosmovisão judaico-cristã tradicional, especialmente o Cristianismo com sua mensagem de "pecado e salvação" e o histórico de atividades missionárias em todo o mundo, recebe um ataque negativo. As razões são evidentes e implícitas: O Deus da Bíblia está elevado acima da Criação e a humanidade é colocada acima da natureza; além disso, a exclusividade desse Deus, com a afirmação de Jesus Cristo de divindade em paralelo com o Velho Testamento, [28] representa a antítese da inclusividade espiritual e do paradigma pagão em que a natureza se equipara à humanidade, que se equipara a Deus. Na "sociedade global" do mundo atual, e sua crescente "ética global", tudo direcionado à unidade, a ideia de um Deus separado e acima da natureza em caráter, personalidade e fato é considerado uma heresia internacional. Não somente essa exclusividade se coloca em oposição ao objetivo de igualdade espiritual exigida dos seres humanos, mas está relacionada com o relato do Gênesis, em que a humanidade é colocada acima da natureza." [29].

Um contribuinte judeu ao relatório Valores Espirituais e Culturais da Biodiversidade, ao escrever sobre as tradições judaicas sobre a terra, redigiu algo que certamente aborreceu aqueles que estão imersos na mentalidade verde profunda:

"Ao abordar o assunto da proteção ambiental, precisamos ter o cuidado de manter o equilíbrio apropriado entre a proteção ao meio ambiente e a proteção ao homem. O equilíbrio apropriado neste contexto certamente não é de igualdade entre o homem e a natureza. O relacionamento entre o homem e a natureza é um relacionamento de propriedade — ainda que limitada. Em nosso entusiasmo em proteger o meio ambiente, não devemos nos esquecer dos interesses do homem, ou de seu papel no esquema da criação. O amor à natureza não pode ter precedência sobre o amor ao homem. Precisamos evitar a todo custo o erro daqueles que eram conhecidos como protetores dos animais, porém perpetraram os piores crimes imagináveis contra os outros homens, seus semelhantes." [30].

Embora este colaborador judeu não diga isto, para qualquer um que esteja familiarizado com as fortes políticas de direitos dos animans que existiam na Alemanha durante o período do Nacional Socialismo (Nazismo), a última sentença na citação acima é um pavoroso lembrete do que aconteceu quando "aqueles que eram conhecidos como protetores dos animais, porém perpetraram os piores crimes imagináveis contra os outros homens, seus semelhantes."

Com tudo isto acima em mente, é óbvio que o fundamento religioso para a vindoura ética global está sendo construído com base em cosmovisões pagãs. O Cristianismo tradicional, que proclama que Deus está acima da Criação e a humanidade está em uma posição superior à natureza, não se encaixa. Tampouco a posição que Jesus Cristo é o único Salvador e Redentor (João 14:6 e Efésios 1:7). Ao contrário, uma inclusividade religiosa amiga da Terra é requerida: uma cooperação interfé para promover a interdependência. Entretanto, essa inclusividade é seletiva. Marcus Braybrooke, que há muitos anos preside o Congresso Mundial das Fés e é promotor da tolerância religiosa global em nome da paz e da harmonia planetárias, lança um ataque contra os "fundamentalistas" — aqueles que adotam uma afirmação "estreita" de verdade.

"Os fundamentalistas, porém, adotam uma atitude histórica para as 'verdades' centrais de uma religião. Elas são imutáveis e não estão abertas para reinterpretação em um mundo em transformação... Para os fundamentalistas há somente uma verdade — a que eles possuem. Eles não podem então aceitar uma sociedade pluralista em que status igual é dado para uma variedade de afirmações de verdade..."

"A visão interfé pluralista repousa sobre pressupostos radicalmente diferentes. Ela assume a possibilidade de pessoas de diferentes fés se respeitarem entre si e afirmarem juntos certos valores morais básicos. Ela também abre a possibilidade para a teologia se tornar uma disciplina inter-religiosa e também a possibilidade de pessoas de uma fé absorverem as práticas de vida espiritual de outras fés."

"Para mim, a visão interfé está em sintonia com o caráter da sociedade global pós-moderna emergente. De fato, ela oferece a esperança de uma civilização global baseada em valores espirituais, enquanto que a abordagem fundamentalista provavelmente levará apenas ao confronto e ao conflito..."

Portanto, em meu quadro de uma sociedade mundial emergente, nossa interdependência é reconhecida e a sociedade é moldada pela cooperação." [31].

Logicamente, a ironia não tão sutil é que Braybrooke, bem como aqueles que promovem a inclusividade global, defendem uma cosmovisão de afirmações de verdade auto-aceitas e parâmetros que não podem ser contemporizados. Em outras palavras, o "fundamentalismo", completo com uma visão que "oferece a esperança de uma civilização mundial" — uma declaração de salvação planetária. Paradoxalmente, a posição deles não é diferente do ataque que fazem contra o Cristianismo tradicional: inflexível e sem disposição de aceitar outras posições.

A dupla ironia é que a estrutura bíblica, que faz afirmações de verdade sem contemporização, reconhece que a humanidade tem a livre escolha de aceitar ou rejeitar as crenças (Gênesis 3:1-6 fornece o contexto fundamental). Sim, a estrutura bíblica anuncia o padrão exclusivo de Deus como Supremo Juiz sobre a Criação, porém fornece a liberdade para nós coexistirmos, quer escolhamos seguir o padrão bíblico, ou a filosofia humanista. Igualmente importante, ela permite a ambos os lados experimentar as consequências das escolhas feitas. A conclusão é que o Deus da Bíblia declara a salvação somente por meio Dele mesmo — uma proposição do tipo aceite ou rejeite. Mas, essa declaração é inadmissível para a Humanidade Global, que afirma a salvação via interdependência. Ambos os lados professam ordenar o destino, ambos fazem uma afirmação de verdade. A ironia final é a seguinte: o Deus da Bíblia, sob o estandarte da exclusividade, concede liberdade de escolha. A Humanidade Global, com a bandeira da inclusividade a tremular, procura diminuir essa liberdade.

Outra queixa apresentada contra a cosmovisão judaico-cristã é que ela inspira o sistema "ocidental" de posse de propriedade privada e a economia de livre mercado, considerados anátemas pelo Movimento Verde radical. Em vez disso, durante os últimos quarenta anos, aqueles que estão envolvidos na ecologia profunda promoveram vigorosamente o planejamento por um governo central, a "posse comunitária" e metodologias socialistas radicais.

Múltiplos outros "ataques" estão sendo propostos contra o Cristianismo, incluindo os aparentes viéses de gênero e de superioridade racial (apesar da original igualdade de gênero em Gênesis 1:27 e a irrelevância de classe social, etnia e gênero encontrada em Romanos 3:23, que diz: "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." — e que, para aqueles que estão em Cristo, somos uma família por meio da justificação; Gálatas 3:26-29). Portanto, a antiga cultura cristã com seu Deus que está acima da Criação e com a humanidade como superior à natureza, não é mais relevante ou tolerada. Como o texto do UNEP nos faz lembrar, esse tipo de raciocício "está condenado a desaparecer". Ou, conforme sugerido no Manual do Meio Ambiente, teremos de "repensar" nossa fé. "Mais ciência e mais tecnologia não irão nos tirar desta atual crise ecológica até que encontremos uma nova religião, ou repensemos nossa religião antiga." [32]. Afinal, "continuaremos a ter uma crise ecológica que piora cada vez mais até que rejeitemos o axioma cristão que a natureza não tem razão de existir, senão a de servir ao homem." [33].

Mas, o "Cristianismo", ou uma forma dele, pode ter um assento na mesa global. Esse é um Cristianismo "politicamente correto" configurado para se encaixar com uma sociedade global harmonizada, uma fé que permanece calada a respeito dos pontos fundamentais de separação, pois não somente isto separa o homem do homem via uma afirmação de verdade que é impalatável, mas, mais importante ainda, cria uma divisão irremovível entre Deus e a humanidade. Afinal, se Jesus Cristo é o único redentor e o único "caminho para o Pai" [34], então não podemos salvar a nós mesmos — não por meio de boas obras, rituais ou sistemas religiosos, ou por nossas obras, nossos feitos, nossa engenharia ou nossa administração. Além disso, se não podemos salvar a nós mesmos do julgamento que vem de um padrão que está acima da natureza, então também não poderemos salvar o planeta.

Por outro lado, aceitar o ato singular e completo de Cristo da redenção é necessário para a restauração entre o indivíduo e Deus, pois entre outras coisas, isto é um reconhecimento da ordem divina de Deus. Mas não se engane — isto é contrário a uma ética centrada na Terra e a uma fé neopagã na unidade global. Portanto, o Cristianismo precisa se conformar a um novo paradigma, uma eco-espiritualidade politizada.

O que o mundo está dizendo para os cristãos é: Mudem e juntem-se a nós, ou então morram.

A Parte 2 será publicada em uma edição futura de Forcing Change.

Notas Finais:

1. Budd Hall and Edmund Sullivan, Transformative Education and Environmental Action in the Ecozoic Era, Empowerment for Sustainable Development: Toward Operational Strategies (International Institute for Sustainable Development, 1995), pág. 102.

2. Cultural and Spiritual Values of Biodiversity: A Complementary Contribution to the Global Biodiversity Assessment (UNEP, 1999), pág. 446.

3. Idem, pág. 447.

4. Budd Hall and Edmund Sullivan, Transformative Education and Environmental Action in the Ecozoic Era, Empowerment for Sustainable Development Toward Operational Strategies (International Institute for Sustainable Development/Fernwood Publishing, 1995), págs. 102-103.

5. Lester R. Brown, Building a Sustainable Society (W. W. Norton, 1981), pág. 349.

6. Steven C. Rockefeller, The Transition to Sustainability, The Earth Charter in Action: Toward a Sustainable World (KIT Publishers, 2005), pág. 165.

7. Steven C. Rockefeller, The Earth Charter and Human Rights, Human Rights, Environmental Law and the Earth Charter (Boston Research Center for the 21st Century, 1998), pág. 22.

8. Linda Clarkson, Vern Morrissette, and Gabriel Regallet, Our Responsibility to the Seventh Generation: Indigenous Peoples and Sustainable Development (International Institute for Sustainable Development, 1992), pág. 65.

9. The Environmental Handbook: Prepared for the First National Environmental Teach-In, April 22, 1970 (Ballantine/Friends of the Earth, 1970), pág. 331.

10. Idem.

11. Global Biodiversity Assessment (UNEP, 1995), pág. 839.

12. Idem, pág. 839.

13. Idem, pág. 839.

14. Cultural and Spiritual Values of Biodiversity, págs. 448-449.

15. As Declarações de Assis podem ser encontradas na publicação Only One Earth: A Book of Reflection for Action (UNEP, 2000).

16. Cultural and Spiritual Values of Biodiversity. pág. 451.

17. Idem, pág. 453.

18. Idem, pág. 459-460.

19. Para literatura que suporte a hipótese de Gaia, veja James Lovelock, Gaia: A New Look at Life on Earth (Oxford University Press, 1979/1995) e Lawrence E. Joseph, Gaia: The Growth of an Idea (St. Martin’s Press, 1990). Dois livros criticamente importantes que expõem a eco-espiritualidade do Movimento Ambientalista, incluindo os conceitos de Gaia, são de Michael S. Coffman, Saviors of the Earth? (Northfield, 1994) e de Samantha Smith, Goddess Earth (Huntington House, 1994).

20. Lawrence E. Joseph, Gaia: The Growth of an Idea (St. Martin’s Press, 1990), pág. 1.

21. Cultural and Spiritual Values of Biodiversity, pág. 449. Tirado do poema "All That Is — Is a Web of Being", de William N. Ellis e Margaret M. Ellis.

22. Idem, pág. 497.

23. Dr. Peter Jones de TruthXChange detalha o conceito pagão e hindu de "unidade" em seu ensaio "Confronting Neopaganism in the Culture and the Church", em http://www.truthxchange.com, 12 de abril de 2011.

24. Considere o seguinte, do autor esotérico David Spangler, que reconhece que a interdependência é uma expressão de "uma ideia de Nova Era de... totalidade." (Spangler, Reflections of the Christ, [Findhorn Foundation, 1977], pág. 128). "A Nova Era é uma época de... comunhão em três níveis: homem com o homem, conforme manifesto pela corretas e completas relações humanas...; homem com a natureza, a unidade do homem com todas as formas de vida na Terra, animais, vegetais, minerais; e homem com espírito, a unidade do homem com as formas de vida mais evoluídas, como o Cristo e a Hierarquia, e a unidade do homem com Deus. Assim pode ser demonstrada a realidade de uma humanidade, uma Terra, um planeta, de fato uma vida." (pág. 19). Além disso, a interdependência ou unidade em tudo exerce uma parte formativa na ideia da unidade global total. Como Edgar Morin escreveu para a UNESCO: "A exigência racional mínima de um mundo menor e interdependente é a união planetária." (Morin, Seven Complex Lessons in Education for the Future [UNESCO, 1999], pág. 38).

25. Cultural and Spiritual Values of Biodiversity, pág. 489.

26. Idem, pág. 309.

27. Idem, pág. 497. O Projeto Terreno Sagrado foi lançado em 1997 pelo World Wild Fund (WWW) para Nature UK, a Alliance of Religions and Conservation (a ARC foi iniciada pelo príncipe Philip) e o arcebispo de Canterbury, "com o objetivo de restaurar e criar sítios sagrados na Grã-Bretanha e no exterior" (a afirmação foi extraída da página na Internet do "ARC Project — Sacred Land", acessado em 23 de outubro de 2013).

28. Por exemplo, veja Apocalipse 1:4-8, 1:17-18, 22:12-17 e Isaías 44:6-8. Veja também 1 Coríntios 1:30 e Efésios 1:7 para uma apresentação de Cristo como o Redentor, e Isaías 43:25.

29. Contraste isto com a abordagem pagã: “Tornar-se um Sarador da Terra significa acordar: evoluir espiritualmente, cimentar nossa conexão com toda a vida, unir-se à Unidade..." — Kisma K. Stepanich, The Gaia Tradition: Celebrating the Earth in Her Seasons (Llewellyn Publications, 1991), pág. 19.

30. Cultural and Spiritual Values of Biodiversity, pág. 624. O colaborador é o professor Nahum Rakover.

31. Marcus Braybrooke, Faith and Interfaith in a Global Age (CoNexus Press, 1998), págs. 50-52.

32. Lynn White Jr., The Historical Roots of Our Ecological Crisis, The Environmental Handbook: Prepared for the First National Environmental Teach-In, 22 de abril de 1970 (Ballantine/Friends of the Earth, 1970), pág. 24.

33. Idem, pág. 25.

34. João 14:5-7 — "Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto."




Os Céticos da Catástrofe Climática: Se Você Não Consegue Derrotá-los, Silencie-os!

Autor: Charles Clough

Nota: Charles Clough, um meteorologista com mestrado em Ciência Atmosférica pela Texas Tech University, aposentou-se como chefe da Equipe de Efeitos Atmosféricos, no Campo de Testes de Aberdeen do Exército dos EUA, em Maryland. Ali, seu foco era tecnologia de medição atmosférica, modelagem e aplicações ambientais. Hoje, ele é um conferencista e o fundador do Bible Framework Course (Curso Estrutura Bíblica).

A publicação de 2012 da Federação Nacional da Vida Silvestre, Os Efeitos Psicológicos do Aquecimento Global Sobre os Estados Unidos dá à vida silvestre um novo significado. Citando evidências que muitos na comunidade dos alarmistas com o clima estão "frustrados e esgotados", ela cita um membro que continua tentando persuadir a humanidade que um apocalipse climático está para acontecer, de modo a "não sentir remorso ou desespero" com o fracasso.

Há quase três décadas, certos ativistas nos EUA, na Grã-Bretanha e na ONU, como James Hanson, da NASA, tentaram vender aos governos políticas econômicas centralizadas draconianas, supostamente para salvar o planeta. Qualquer um que discordasse — independente de suas credenciais ou de seus argumentos — tornava-se alvo de terrorismo retórico. Mas, a resistência dos céticos é tão forte e está crescendo tão rapidamente — não apenas no público, mas também entre os cientistas — que os alarmistas cada vez mais mostram sinais de desespero e de perda do autocontrole.

Em um artigo publicado na revista Forbes, de 19 de abril de 2012, o alarmista Steve Zwick, aparentemente inspirado pelas tiradas de Hanson, quer que aqueles que não estão persuadidos cientificamente sejam caçados e que suas casas sejam queimadas. Daniel Souweine, do Citizen Engagement Lab, que é financiado por George Soros, exige que os homens do tempo na televisão, que discordam que a ação humana é a causa principal para a mudança climática sejam perseguidos até que se arrependam. Uma pessoa racional acharia que uma proposta de intervenção psicológica deveria ser direcionada contra esse tipo de comportamento. Mas, não. A Federação Nacional da Vida Silvestre (NWF) agora propõe que o governo financie uma maciça intervenção por parte da comunidade de saúde mental para lidar com os mais de 200 milhões de casos de estresse acarretados por "eventos e incidentes relacionados com o clima" que foram projetados.

Em seguida, em uma linguagem reminiscente dos campos de trabalhos forçados na China durante o governo de Mao Tsé-Tung, para os que não se submetam, a NWF ansiosamente prevê como os psicólogos especialistas financiados pelo governo derrubarão a negação e trarão "pensamento racional para a tomada de decisão".

Esses especialistas meramente estenderão a autoridade atual de reportar o abuso infantil para reportar o ceticismo com o clima. O professor Kari Norgaard, do Oregon, já argumenta que a discordância científica na causa da mudança climática é um comportamento social aberrante que precisa ser tratado.

Essas propostas estridentes para o fim da liberdade de pensamento estão baseadas, segundo a NWF, em "saber perfeitamente bem o que a ciência está nos dizendo".

O que a ciência está nos dizendo? Onde? Nas planilhas manipuladas de dados de temperatura da superfície terrestre? Nas inconsistências entre as temperaturas globais reais e as projeções nos modelos? No efeito limitado de aproximadamente 1 grau centígrado ao dobrar o dióxido de carbono? No aquecimento global do período medieval e de outras eras passadas devido a causas naturais ainda desconhecidas — causas que de algum modo cessaram misteriosamente para que "saibamos muito bem" que o atual aquecimento gradual com certeza é causado pelo homem?

A fonte real "daquilo que a ciência está nos dizendo" é o fenômeno psicológico sobre o qual o presidente Eisenhower advertiu em 1961 em seu discurso de despedida ao encerrar seu mandato — um fenômeno prontamente reconhecível no caso dos militares, mas aparentemente ignorado no caso da ciência. A maioria dos estudantes de Administração Pública está ciente dessa advertência a respeito do poder do complexo militar-industrial.

Entretanto, poucos leram dois parágrafos adiante no texto da transcrição do discurso, em que Eisenhower também advertiu: "A possibilidade de atração dos estudiosos e acadêmicos de um país ao emprego público federal, as alocações de projetos e o poder do dinheiro estão sempre presentes e precisam ser considerados com seriedade... Também precisamos estar alertas... pois a política pública pode ser capturada por uma elite tecnológica e científica."

Silenciar a voz dos opositores não é necessário para curar a doença imaginária e generalizada da discordância com base científica. Se eles querem um projeto, por que não estudam a dinâmica da elite do clima que suprime a publicação de trabalhos com posições contrárias, retém o financiamento para a pesquisa politicamente incorreta e exige a conformidade do currículo educacional com sua agenda política de globalismo?



Fonte: Forcing Change, Edição 10, Volume 7.
Data da publicação: 15/12/2013
Transferido para a área pública em 7/1/2016
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-10-2014.asp