A Gênese de uma Cosmovisão

Forcing Change, Volume 7, Edição 2.

"Eles não eram seres humanos; eles são considerados apenas como animais; nada absolutamente acontecerá conosco." — Oficiais alemães justificando para si mesmos a matança de um casal de camponeses russos, com os dois filhos pequenos e mais um bebê do sexo masculino de dois meses de idade, ao considerarem as possíveis repercussões de suas ações. [1].

"O homem, visto estritamente a partir de uma perspectiva terrena, não tem esperança nem propósito." — Phil Fernandes, em The God Who Sits Enthroned. [2].

Ao longo dos anos, muito já foi escrito sobre a importância de uma cosmovisão cristã. David A. Noebel, em seu livro de quase 900 páginas, Understanding the Times (Compreendendo os Tempos), publicado originalmente em 1991, comparou a cosmovisão cristã com o Humanismo e com o Marxismo/Leninismo. A investigação feita por Phil Fernandes em seu livro The God Who Sits Enthroned (O Deus Que se Assenta Entronizado), de 1997, explorou as cosmovisões não-cristãs — incluindo o ateísmo e o panteísmo — e ao mesmo tempo apresentou a apologética da fé cristã. Em seu livro How Should We Then Live (Como Deveríamos Viver), publicado em 1976, Francis A. Schaeffer apresentou uma análise abrangente da arte, cultura, ciência e filosofia à luz da importância da cosmovisão cristã. De fato, diversos outros autores e pensadores cristãos poderiam ser mencionados, cada um dos quais enfocou certas perspectivas bíblicas ao tratar as tendências sociais, filosóficas, psicológicas, religiosas, econômicas, políticas e tecnológicas contemporâneas.

É interessante que o termo "cosmovisão" não deriva da comunidade evangélica, onde é agora frequentemente utilizado e encontra influência — mas tem sua origem na filosofia alemã, incluindo as obras de Immanuel Kant e Hegel, antes de entrar no pensamento cristão no início dos anos 1890s. [3].

Weltanschauung, a palavra alemã, significa uma visão do mundo e incorpora a ideia de uma filosofia abrangente para a vida. Portanto, não é surpreendente que o conceito de "cosmovisão" tenha recebido aceitação nos círculos cristãos, pois é uma descrição apropriada de um modo geral de pensar baseado em uma estrutura específica para a vida. Aqueles que baseiam sua vida e valores na Bíblia e em Jesus Cristo, abraçam a cosmovisão cristã; aqueles que baseiam sua vida e modo de pensar em Karl Marx ou em Lenin, adotam a cosmovisão comunista; e assim por diante. Ao dar uma definição de "cosmovisão", David Noebel escreveu:

"O termo cosmovisão refere-se a qualquer ideologia, filosofia, teologia, movimento ou religião que forneça uma abordagem abrangente para compreender Deus, o mundo e as relações do homem com Deus e com o mundo. Especificamente, uma cosmovisão deve conter uma perspectiva particular, considerando cada uma das seguintes dez disciplinas: Teologia, Filosofia, Ética, Biologia, Psicologia, Sociologia, Direito, Política, Economia e História." [4].

Outros campos de estudo e criação poderiam ser acrescentados à lista, incluindo o papel da família, gênero, sexualidade humana, moralidade e tecnologia. Mas, para aqueles que aderem a uma estrutura cristã, um ponto central precisa estar bem claro: uma cosmovisão bíblica inicia com a Bíblia.

Compreendendo que uma cosmovisão cristã não pode ser formulada sem uma base bíblica, o propósito deste ensaio é ajudar você a pensar por meio da relevância do ponto inicial das Escrituras — o Gênesis e, em particular, o primeiro capítulo do livro.

Durante a maior parte do último mês de janeiro, fiz um estudo detalhado de Gênesis 1. Portanto, a parte principal deste ensaio é formado por algumas de minhas anotações no estudo e algumas ideias, que originalmente seriam desenvolvidas como parte do projeto de um livro. Com isto em mente, deve ser observado que minhas ideias sobre o assunto não são exaustivas, nem estão acima de qualquer crítica. Sei que estou deixando de considerar muitos conceitos neste ensaio, e que aquilo que redigi poderá ser expandido e melhor desenvolvido. Mas, quero deixar bem claro que este ensaio está baseado em anotações de estudo e não é um livro.

Basicamente, meu objetivo é fazer você pensar na importância do Gênesis como o fundamento para uma cosmovisão bíblica.

Começando no Início

Os dois primeiros capítulos de Gênesis são vistos com ceticismo por muitos cristãos e como uma fábula para a maior parte do mundo descrente. Para os frequentadores de igreja, a disputa normalmente está ligada à questão da Evolução e da idade geológica da Terra, o primado acadêmica e culturalmente aceito da ciência sobre a revelação. Como cientistas e outros autores cristãos já trataram a questão da Evolução e da geologia, somente oferecerei um rápido comentário neste ensaio, particularmente com relação à Evolução Darwiniana. Entretanto, se quisermos compreender o relacionamento histórico e contemporâneo entre o homem e Deus — o que é fundamental para a cosmovisão cristã — precisamos examinar alguns dos temas dominantes de Gênesis 1.

Ao estudar o "ponto inicial", deve ser observado que isto é parte de um contínuo maior em Gênesis. Os capítulos 1 e 2 fornecem o fundamento, demonstrando a ordem original de Deus e Sua bondade na criação. Os capítulos 3-11 revelam o afastamento do homem em relação ao projeto original de Deus, a violação da confiança que ocorreu na Queda, o pecado, a morte, a construção da primeira cidade por Caim como forma de obter segurança, aumentando o sacrilégio contra Deus e fazendo crescer a depravação, a justiça e o julgamento de Deus, e o "desejo de poder" coletivo do homem na construção da Torre de Babel. Todos esses eventos e temas fornecem pontos importantes no desenvolvimento da estrutura do "Gênesis" para a vida cristã.

Logo de início, preciso declarar meu viés, pois na comunidade cristã reina hoje a confusão no que se refere ao livro de Gênesis. Creio que o relato de Gênesis seja autêntico e literal. Estou convencido (com muitos fundamentos) que Deus não usou a Evolução, que pressupõe a morte desde o início, mas que agiu na Criação, que é um ato singular e que requer envolvimento direto. Isto não significa que não vou levar em consideração outros pontos de vista — para ser intelectualmente honesto em minha pesquisa, tive e continuarei a levar em conta outros pontos de vista, tanto dentro quanto fora da estrutura cristã de referência.

Mas, é interessante que, quanto mais examino as visões alternativas das origens e suas filosofias de vida acompanhantes, e quanto mais estudo o livro de Gênesis, mais eu vejo a validade de uma visão literal da Criação.

No Princípio — Gênesis 1:1

"No princípio criou Deus os céus e a terra."

Poucos versos bíblicos são tão bem conhecidos quanto Gênesis 1:1, porém é fácil passar rapidamente e deixar de considerar o que está sendo dito. Aqui, em uma frase curta, há uma surpreendente admissão: existe um Criador. Deus não está se expressando como um arquiteto ou como um engenheiro, que depende de materiais pré-existentes. Não, Ele faz algo universalmente singular — algo que está além da mera construção — Ele Se envolve em Alta Criação, Ele fala e traz o Universo à existência. Como um comentarista cristão escreveu a partir de uma perspectiva filosófica:

"Coisas postulam pensamentos. Sempre que existe uma coisa, é por que houve um pensamento antes. A coisa é o resultado do pensamento... 'No princípio criou Deus os céus e a terra.' O pensador é Deus; portanto Ele pensou e então a coisa surgiu como resultado de Seu pensamento e de Sua ação. Deus pensou, falou o que pensou, e criou."

Gênesis 1:1 continua com o verso 2, em que o Espírito de Deus atua sobre uma Terra elemental. Assim, o verso 1 fornece o cenário relacional para o cavalete da Criação e a mecânica do universo. Um estágio foi preparado sobre o qual a história terá início e Deus se torna o ponto focal da história.

Mas, esse primeiro verso faz mais do que introduzir um ponto de origem e de início. A identidade da mão diretamente envolvida na criação é confessada: Deus criou. Mais do que isto, Ele quer que você saiba que Ele criou. Isto em si mesmo já é surpreendente. Deus, aquele que colocou seu intento e projeto (pensamento) no relacionamento das partículas, aquele que colocou as galáxias em sua dança cósmica, está Se dirigindo a nós. Sim, os caminhos de Deus são mais altos do que os nossos caminhos (Isaías 55:8-9). Como poderia ser diferente? A humanidade pode construir com os materiais existentes, mas nem o homem nem os anjos podem criar. E aqui, nesse verso fundamental, temos uma rápida visão do desejo que existe no coração de Deus — Ele quer que nós O conheçamos.

Em paralelo com Gênesis 1:1 está Gênesis 2:4 e o papel de Gênesis 2 é amplificar certos aspectos gerais do primeiro capítulo. Com isto em mente, descobrimos que Yahweh Elohim é o Criador. Javé, reconhecido na grafia hebraica YHWH, é o nome personalizado do Deus de Israel. A propriedade então entra em jogo. Ele criou o universo, portanto o universo é Dele.

Salmos 24:1 expande esse aspecto da posse, pois nos diz que Javé é o possuidor da Terra "e de tudo o que nela há". Isto é repetido em outras partes, como em Deuteronômio 10:14: "Eis que os céus e os céus dos céus são do SENHOR teu Deus, a terra e tudo o que nela há." Javé e ninguém mais, tem a reivindicação primeira e final ao universo, visível e invisível. Essa reivindicação também cai sobre Sua mais querida criação, conforme reconhecido pelo salmista de Israel: "Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto." [Salmos 100:3]. A glória, então, está reservada para o proprietário. Na verdade, o próprio mundo natural magnifica o Criador: "Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite." [Salmos 19:1-2].

O Novo Testamento traz uma compreensão mais completa. Jesus Cristo, Deus manifesto em carne — literalmente participando na natureza da humanidade com o propósito da redenção — é exclamado como Criador [6]: "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele." [Colossenses 1:16-17].

Um "Princípio" no Novo Testamento também é observado no Evangelho de João. Enquanto que Mateus e Lucas iniciam com o nascimento de Jesus Cristo e Marcos apresenta inicialmente nosso Redentor em Seu batismo, João faz algo diferente. O apóstolo João, cujo nome em hebraico significa "Javé é Gracioso", [7] usa o nome de Jesus Cristo mais do que qualquer outro autor dos Evangelhos, mantendo a humanidade de Jesus em vista, ao mesmo tempo que apresenta as provas de Sua divindade. Correspondendo com Gênesis 1:1, João inicia com "No princípio". Além disso, como o livro de Gênesis, João identifica quem estava no "princípio", o "Verbo". No desenvolvimento do Evangelho de João, torna-se aparente quem é esse, Jesus Cristo, "o Verbo que se fez carne".

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez." [João 1:1-3].

João está localizando Jesus Cristo dentro de Gênesis 1:1. O princípio introduz Deus para nós. o princípio agora apresenta Jesus Cristo em uma estrutura relacional, uma estrutura que se estende à restauração: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome." [João 1:12]. Lembre-se que lemos alguns parágrafos atrás, em Salmos 100:3 — Deus como criador e guardador das "ovelhas do seu pasto?" Como João atesta de Jesus como Criador, o próprio Jesus declara Seu papel de pastor: "Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas." [João 10:11].

Portanto, Gênesis 1:1 afirma uma poderosa verdade, uma poderosa esperança. O comunicador bíblico Theodore H. Epp, nos faz lembrar desse fato quando diz:

"Aquilo que você pensa desse verso determina qual será sua atitude com relação ao restante das Escrituras. Se você acredita nesta simples, porém absoluta declaração de Deus, não terá problemas com o restante da Palavra de Deus. Se você crê que Deus, que sempre existiu, pôde criar todo o universo a partir do nada — desde o minúsculo átomo até a maior de todas as estrelas — então você não terá dúvidas que Ele pode fazer qualquer outra coisa que está registrada nas Escrituras... Mas, se você rejeitar as palavras 'No princípio criou Deus', então achará extremamente difícil acreditar em qualquer outra coisa nas Escrituras. Se você acha que a Bíblica inicia com um erro, para onde mais você pode ir?" [8].

Projeto Objetivado — Gênesis 1:20-25.

O primeiro capítulo de Gênesis nos acompanha por uma cronologia da Semana da Criação, um período de seis dias quando Deus falou e trouxe o universo à existência, culminando com a criação do homem, seguido por um dia de descanso. Para o propósito desta seção enfocaremos o reino animal apresentado nos Dias Cinco e Seis e trataremos da humanidade na seção seguinte. Especificamente, precisamos examinar a questão da distinção orgânica.

No Dia Cinco, o Gênesis diz que as grandes criaturas marinhas foram criadas "conforme a sua espécie", junto com todas outras formas de vida animal aquática. Os pássaros também foram criados nesse dia, "conforme sua espécie". Em ambos os ambientes, água e ar, Deus abençou esses novos habitantes para que fossem frutíferos e se multiplicassem (verso 22). No dia seguinte, o Dia Seis, Deus trouxe os animais terrestres ao contexto da criação: o gado conforme a sua espécie e todas as outras alimárias conforme a sua espécie.

"Conforme a sua espécie" é uma linguagem representativa da categorização orgânica no ambiente natural, e corresponde de grosso modo à ideia de espécie; cada tipo de criatura foi projetada geneticamente dentro de parâmetros estabelecidos e as "espécies" não se reproduzem fora de sua designação. Em outras palavras — para usar um exemplo — um peixe não forma pernas e se torna anfíbio, depois se metamorfoseia em um réptil que vive sobre a terra e, mais tarde, em um mamífero, que entra novamente no oceano, nada de um lado para outro, desenvolve nadadeiras e, eventualmente um orifício de respiração em suas costas e assim se transforma em uma baleia.

Permita-me expandir um pouco esta ilustração.

Anos atrás, eu estava ouvindo um estudioso discutir a evolução de uma baleia a partir de um animal terrestre para uma criatura dos mares. O exemplo de mamífero que ele usou era um animal similar a uma vaca, pois as baleias compartilham algumas similaridades genéticas com os mamíferos da ordem dos ungulados. Mas, a teoria científica atual relacionada com a evolução da baleia não está baseada nos bovinos propriamente, mas no Pakicetus, um mamífero semelhante ao lobo e que tinha pequenas patas fendidas. Pakicetus, vaca, urso ou hipopótamo (todos os quatro foram sugeridos), ou qualquer outra criatura que viva na terra que você escolher, não explica a realidade da natureza. Sem dúvida os problemas genéticos e outras dificuldades técnicas na teoria "do lobo até a baleia — ou "da vaca até a baleia" já foram discutidas nos círculos científicos, mas o que me chamou a atenção foi a impossibilidade de sobrevivência. Esta crítica não está baseada em uma teoria, em um modelo computacional ou na experiência em sala de aula, mas em minha vida, pois cresci em uma fazenda e meu tempo na adolescência, quando eu caçava e preparava armadilhas para prender animais silvestres. Em outras palavras, meus pensamentos se voltaram para aquilo que eu sabia sobre os animais e a ecologia com base nas observações da vida real, e aquilo que eu acreditava ser de conhecimento comum. Conclusão: as teorias evolucionárias sobre a baleia desafiam a realidade ecológica.

Todos os animais que vivem na terra firme, incluindo nadadores fenomenais como o urso polar semi-aquático (conhecido como "urso da água" pelo povo esquimó), se removidos da terra e deixados sozinhos na água a uma profundidade maior do que sua própria altura por um período prolongado de tempo, fazem a mesma coisa: eles se cansam e morrem afogados. A maioria dos animais terrestres consegue sobreviver por algumas horas, mas alguns, como o urso polar, podem sobreviver por vários dias (o recorde registrado é nadar por nove dias) [9]. Muito antes que a adaptação (uma micro-evolução) possa ocorrer, o que permite uma mudança limitada dentro das espécies, e muito antes de qualquer transformação extra-espécie assumida ocorrer (Evolução Darwiniana), o animal sucumbirá à "seleção natural" literalmente em horas, ou no máximo em alguns dias. Impossibilitado de retornar à terra firme — e isso é importante, pois se o animal pudesse retornar à terra ele não necessitaria desenvolver um sistema de suporte para a vida marinha, como a baleia possui — a criatura em pouco tempo estaria morta. Simplesmente colocar mais animais na água, como permitir mais anos para a Evolução ocorrer, talvez até milhões de anos, não ajudaria na transição de "lobo para baleia". Isto somente significaria dar mais comida para os tubarões.

Mas, vamos assumir que de milhões de animais que tentassem e morressem, uma única "vaca" ou um animal qualquer "similar ao lobo" conseguisse nadar indefinidamente como um caõzinho, isto é, que conseguisse obter alimento suficiente e água doce para continuar vivo por um período superprolongado de tempo em um ambiente hostil de água salgada; que ele de alguma forma fizesse o impossível e obtivesse uma enciclopedia de novas informações genéticas que permitisse que sua estrutura física se transformasse sem repercussões fatais, e que o animal não fosse atacado por predadores marinhos (especialmente durante as vulneráveis fases de transição). Então, para qualquer outra "mudança" acontecer, uma coisa mais seria necessária para a linhagem da loba ou da "vaca" continuar — um igualmente milagroso "lobo" ou "touro". Queiram os céus que as águas do oceano não causem separação! E se, com sorte, o macho conseguir montar e se acasalar sem que a fêmea morra afogada, a primeira geração mutante — assumindo que o filhote apresentasse uma mutação e de uma forma raramente positiva dominasse mais algumas façanhas improváveis, como sobreviver a um nascimento na água e possuir a capacidade de mamar debaixo da água ("Vá em frente e tente fazer isto", disse o tubarão ao lobinho d'água que apresentou inutilmente a mutação.).

Este casal surpreendente e seu filhote para lá de mítico tiveram de existir para que a evolução da baleia a partir de um mamífero terrestre tenha acontecido. Você não pode fugir da necessidade de ter pelo menos um casal para ir incrivelmente além da fronteira da possibilidade biológica e ecológica. A seleção natural curaria o casal de sua necessidade de mutação, antes que uma pequena mudança ocorresse — provavelmente em horas, ou no início de alguns dias agonizantes.

Este cenário "de uma loba para uma baleia" é simplesmente tão ridículo quanto catapultar lagartos a milhares de metros de altura na atmosfera com a esperança de tentar obter a evolução de asas com penas. Boa sorte.

Quando apresentei este argumento acima da impossibilidade de sobrevivência para certo cavalheiro, ele sugeriu que a criatura terrestre poderia ter vivido e perambulado por uma água rasa e apenas levemente salgada. Então, ele somente precisou se adaptar a um ambiente de charcos, tornando-se semi-aquático, antes de se dirigir até as profundezas do oceano.

É isto! Do lobo até a baleia via castor! (Logicamente, não é o castor: de acordo com a teoria atual da baleia, é o Ambulocetus, seguido por uma cadeia de outros animais). Mas, os mesmos problemas fundamentais ainda existem, incluindo a razão para a transformação — que se supõe surgiu a partir de um estresse no meio ambiente. Na vida real, características ecológicas singulares e distúrbios no hábitat podem resultar em variações inter-espécies, como uma espécie animal que se adapta à pressão. Mas, até aqui existem limites, pois se a mudança no hábitat for grande demais, como a perda da fonte de alimento, os animais afligidos não se metamorfoseiam em outra criatura; eles migram, ou morrem de fome se não puderem migrar. Esta é a dura realidade da natureza (a que é observável).

O problema da vida real da sobrevivência é intransponível. Todavia, a "evolução da baleia" é considerada por muitos como um dos exemplos mais resistentes a críticas da transformação darwiniana, baseado nas similaridades nos ossos da orelha e dos dentes encontrados nas espécies de animais similares ao lobo, agora fossilizados. Mas a "similaridade" relativa não prova a causalidade relacional via Evolução; ela pode ser interessante e fornecer uma candidatura especulativa para discussões, mas isto é tudo. Reconhecidamente, o osso da orelha e os dentes podem ser análogos, como é o caso com o Pakicetus, mas as vastas diferenças genéticas restantes e a realidade das fronteiras ambientais não favorecem a Evolução. Entretanto, a similaridade das funções do corpo e certas características compartilhadas apontam para um Projetista comum.

Em Gênesis 1:20-25 vemos Deus colocando organização e complexidade na natureza, com fronteiras definidas entre as espécies. Aprecio o que Les Woodson escreveu em The Beginning: "Tudo o que foi criado foi projetado com ordem, não confusão... Cada nível de vida foi criado por Deus do modo como Ele quis, sem ambiguidade quanto à categoria ou com o tipo de vida que ela foi destinada a produzir." [10].

À Sua Imagem — Gênesis 1:26-27.

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou."

Contrariamente a alguns ensinos, "à sua imagem" não significa que somos "pequenos deuses", iguais a Deus, ou que possamos nos tornar Deus — a ideia errônea que existe em cada pessoa um "Deus em potencial". Isto é contrário às Escrituras e à lógica (um ser criado limitado não pode ser igual a um Criador ilimitado). Ao explorarmos os temas de cosmovisão nesta passagem, precisamo examinar a ideia de "semelhança" e "imagem". Aqui, alguns aspectos importantes precisam ser considerados.

Primeiro, "ser criado à imagem de Deus" fala de uma qualidade física. Deus é espírito (João 4:24), mas Ele nos criou de um modo físico que reflete como Ele se expressa. Existem diversas metáforas, analogias e exemplos no Velho Testamento que falam disso. Mas, é para o Novo Testamento que nos voltamos para encontrar a implicação mais profunda. Aqui, Deus se revela encarnando-se e habitando plenamente dentro de um corpo humano, um corpo preparado para o propósito de redimir a humanidade; este é Jesus Cristo (João 14:9, Colossenses 2:9 e Hebreus 10:5). Além disso, a obra consumada de Jesus Cristo está em paralelo com o Gênesis quando Cristo recebe o título de "último Adão" e o "homem celestial" (1 Coríntios 15:45,49). Aquele que está em Cristo Jesus, o apóstolo Paulo observa, "terá a imagem do celestial". Nota: Veja o artigo, "O Primeiro Adão Versus O Último Adão", na Parte 2.

Em segundo lugar, ser à "semelhança de Deus" testifica os atributos qualitativos e comunicáveis. A humanidade, refletindo em um modo limitado algumas das características de Deus, está de posse de qualidades de ordem mais elevada, como consciência moral, amor e empatia, julgamento e racionalidade, justiça, santidade e conhecimento consciente. Todas essas características demonstram que a humanidade é uma criação especial, destinada a refletir valores transcendentes. Assim, a semelhança de Deus no homem comunica uma realidade espiritual interior que reflete a bondade, o amor e a justiça de Deus.

Entretanto, quando a humanidade escolheu infringir a confiança de Deus, conforme o relato apresentado em Gênesis 3, ela solapou seu relacionamento com Deus. Na realidade, a humanidade se colocou contra Deus, pois decidiu seguir seu próprio destino. A morte espiritual, acompanhada pela morte física, foi o resultado. Essa quebra de confiança, que ocorreu envolvendo a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal (Gênesis 2:17 e 3:1-7), abriu consequências eternas. Agora, estando fora da ordem original de Deus, o homem se esforça para salvar a si mesmo, mas como criaturas separadas de Deus e espiritualmente caídas, somos incapazes desse ato elevado, independente do esforço que possamos fazer com nossas técnicas de boas obras, "religião", rituais ou ideologias sociais e políticas. A restauração permanece fora de nosso alcance e nossa única esperança está na misericórdia de Deus — a "técnica" Dele na obra consumada de Jesus Cristo: Sua morte, sepultamento e ressurreição.

O Novo Testamento expande nossa perspectiva. Em linguagem reminiscente do Gênesis, Cristo é apresentado como "a imagem do Deus invisível" (Colossenses 1:15) por excelência, e devemos agora nos conformar à essa imagem (Romanos 8:29). Ao fazer isso, por meio da crença, arrependimento (literalmente conversão do pensamento e mudança no homem interior) e fé em Jesus Cristo, somos espiritualmente restaurados como representação de Deus, tornando-nos embaixadores das características justas que Deus incorpora: amor, misericórida, graça e verdade. Como Jesus Cristo é a "luz do mundo" (João 8:12), nós que O seguimos devemos deixar nossa luz brilhar diante dos homens. "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." [Mateus 5:16].

Pelo fato de ter sido criado à imagem de Deus, o valor do homem não é medido pelos padrões do marketing humano, ou por éditos políticos, mas pelo próprio Deus. Além disso, sabendo que fomos criados à semelhança de Deus e que, portanto, cada pessoa tem valor eterno, descobrimos o fundamento para a dignidade humana. Como Francis A. Schaeffer escreveu:

"... se alguém inicia com a posição bíblica que uma pessoa é criada por Deus e criada à imagem de Deus, há uma base para a dignidade dessa pessoa. As pessoas, a Bíblia ensina, foram feitas à imagem de Deus — elas não são programadas. Assim, cada pessoa humana tem dignidade." [11].

Sem qualquer ironia, a expressão "Ah, a desumanidade de tudo isto!" reflete na negativa aquilo que o homem foi criado para ser: amoroso, misericordioso, valorizando a vida e reconhecendo a dignidade do seu semelhante como um reflexo de Deus. Em uma palavra: humano. Assim, quando vemos atos bárbaros de crueldade e destruição, instintivamente compreendemos que aquilo é desumano.

Em terceiro e último lugar, Gênesis 1:26-27 apresenta outra faceta importante, que se encaixa com os pensamentos expressos acima: singularidade posicional. A humanidade — o homem e a mulher — está colocada em uma posição superior em relação à natureza e recebeu o direito de usá-la. Como Deus está acima de Sua obra criada, a humanidade também reflete o senhorio, a autoridade em relação ao domínio terreal: "e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra."

Contrariamente ao que pensam alguns no Movimento Verde, a superioridade posicional da humanidade não é uma licença para destruir irracionalmente o mundo natural, pois como a natureza exibe a glória de Deus, nós também reconhecemos o valor intrínseco das obras das mãos de Deus. Mas, essa posição superior solidifica nossa posição como imagem de Deus sobre a Terra, falando do fato que a humanidade é o foco central da ação criativa de Deus. Portanto, a humanidade tem valor superior e além do mundo natural. Não somos animais, nem acidentes biológicos ou ecológicos. Não estamos qualitativamente equiparados com o meio ambiente; tampouco temos menos valor que o mundo natural.

Compare isto com aquilo que o Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável publicou em 1995:

"Precisamos passar de um sentido de realidade e valor centrado no homem para um sentido que esteja centrado na terra. Reconhecemos agora a comunidade maior da terra, e não a comunidade humana, como normativa com relação à realidade e ao valor." [12].

Carl Amery, porta-voz do Partido Verde da Alemanha Ocidental no início dos anos 1980, levou essa lógica anti-humana ainda mais longe:

"Nós, no Movimento Verde, aspiramos a um modelo cultural em que a destruição de uma floresta será considerada mais vil e criminosa do que a venda de crianças de seis anos de idade para prostítulos asiáticos." [13].

Ou considere a vida e morte durante o regime comunista do Kmer Vermelho, no Camboja, que exterminou mais de 30% da população civil do país durante seu domínio de 1975-1979. A população restante ficou praticamente encarcerada dentro de seu próprio país.

"... a vida humana literalmente não tinha mais valor do que a vida de um animal. As pessoas eram mortas por deixarem um boi fugir e torturadas por terem batido em uma vaca. Os homens eram amarrados aos arados e chicoteados sem piedade para mostrar que eles eram indignos das vacas que estavam sob seus cuidados. A vida humana não valia nada..."

"... na ocasião o Kmer Vermelho realmente colocou em prática sua ameaça constantemente repetida de usar corpos humanos como fertilizantes para os campos de arroz..." [14].

Quando o valor intrínseco e centrado em Deus da vida humana não é mais reconhecido, a desumanidade ganha ímpeto. Quando a vida humana é degenerada até um nível animalístico, a carnificina percorre a terra. Quando a desumanização finalmente se estabelece no coração da sociedade, a matança se torna uma indústria.

Portanto, qual é a frase mais mortal proferida nos últimos quarenta anos? Vou lhe dar uma pista: Ela desumaniza imediatamente a vítima e é vendida de um modo que torna o ato de matar aceitável, até mesmo elogiável. É apenas um feto.

Conclusão

Para finalizar, aqui estão alguns pontos a considerar (e você poderá pensar em outros mais), junto com algumas das implicações sobre as quais pensar:

Finalmente, uma cosmovisão baseada no Gênesis nos leva a enfocar o lugar de Deus na história do homem e o convite Dele para nós nos convertermos a Ele e a conhecê-Lo — e tratar nosso próximo de um modo que reflita o amor de Deus.

Como Jesus Cristo explicou no livro de Mateus:

"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." [Mateus 22:37-40].

Notas Finais

1. Tapping Hitler’s Generals: Transcripts of Secret Conversations, 1942-45, (MBI Publishing, 2005/2007), pág. 193.

2. Phil Fernandes, The God Who Sits Enthroned: Evidence for God’s Existence (Bremerton, WA, IBD Press, 1997), pág. 9.

3. Veja David K. Naugle, Worldview: The History of a Concept (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing, 2002).

4. David A. Noebel, Understanding the Times: The Religious Worldviews of Our Day and the Search for Truth (Eugene, OR: Harvest House Publishers, 1991), pág. 8.

5. Gostaria de recomendar o trabalho de Creation Ministries International (http://www.Creation.com). CMI convida para a mesa indivíduos da comunidade científica que tratam a questão da Evolução/Criação com clareza e honestidade, reconhecendo e defendendo a cosmovisão bíblica e, ao mesmo tempo, envolvendo-se com o método científico. Eles têm um grande e crescente banco de dados de artigos para explorar. Além disso, diversos livros já foram escritos sobre esses tópicos, incluindo textos de fora da comunidade cristã, que discutem e debatem os dados científicos observáveis e interpretados e fazem amplas e importantes críticas à herança evolucionária. Aqui estão alguns exemplos antigos e outros mais recentes. Observe que nem todos eles concordam uns com os outros: Alfred M. Rehwinkel, The Flood: In the Light of the Bible, Geology, and Archaeology (St. Louis, MO: Concordia Publishing House, 1951) — Rehwinkel fornece perspectivas provocantes e que ainda valem a pena explorar hoje; Marvin L. Lubenow, Bones of Contention: A Creationist Assessment of Human Fossils (Grand Rapids, MI: Baker Books, 1992/2004); Walt Brown, In the Beginning: Compelling Evidence for Creation and the Flood (Phoenix, AZ: Center for Scienti9ic Creation, 2008, oitava edição); Michael J. Behe, Darwin’s Black Box: The Biochemical Challenge to Evolution (Nova York, NY: Free Press, 1996/2006) e The Edge of Evolution: The Search for the Limits of Darwinism (Nova York, NY: Free Press, 2007); Henry Morris, The Long War Against God.

6. Veja Colossenses 1:15-16, João 1:1-10 e Hebreus 1:1-10. Um estudo comparativo de Isaías 44:6-8 (e Isaías 44:24, 45:5-25) com Apocalipse capítulos 1 e 22 também é revelador. Outro conjunto fascinante de estudos comparativos é a correlação entre o Velho Testamento e o Novo Testamento com relação aos temas de Deus como Criador, Deus como Salvador, Deus como Remidor, Deus como Rei, Deus como a Rocha e Deus como o EU SOU, comparado com Jesus Cristo como o cumprimento de cada uma dessas categorias.

7. George M. Alexander, The Handbook of Biblical Personalities (Nova York, NY: The Seabury Press, 1962/1981), pág. 151.

8. Theodore H. Epp, The God of Creation (Lincoln, NE: Back to the Bible, 1972/1987), pág.13-14.

9. Anne Casselman, Longest Polar Bear Swim Recorded — 426 miles Straight, National Geographic Daily News, 20 de julho de 2011.

[http://news.nationalgeographic.com/news/2011/07/110720-polar-bears-global-warming-sea-ice-science-environment].

10. Les Woodson, The Beginning: A Study in Genesis (Wheaton, IL: Victor Books, 1974), págs. 19-20.

11. Francis A. Schaeffer, How Should We Then Live? The Rise and Decline of Western Thought and Culture (Old Tappan, NJ: Fleming H. Revell Company, 1976), pág. 86.

12. Budd Hall and Edmund Sullivan, Transformative Education and Environmental Action in the Ecozoic Era, Empowerment for Sustainable Development: Toward Operational Strategies (Winnipeg, MB: International Institute for Sustainable Development, em conjunção com Zed Books, 1995), págs. 102, 103.

13. Conforme citado por Dixy Lee Ray, Trashing the Planet (Washington, DC: Regnery Gateway, 1990), pág. 169.

14. Jean Louis Margolin, Cambodia: The Country of Disconcerting Crimes, The Black Book of Communism: Crimes, Terror, Repression (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1999), págs. 605, 610.



Parte 2: O Primeiro Adão Versus O Último Adão

Autor: Russell Grigg (http://www.Creation.com)

Nota do Editor: Este artigo, que compara o Primeiro com o Último Adão, está sendo incluído aqui com permissão da Creation Ministries International

A Bíblia apresenta Adão como o primeiro homem e dá ao Senhor Jesus Cristo o curioso título de "último Adão" (1 Coríntios 15:45). O que esse termo significa e por que ele é dado? Quais são as similaridades entre Adão e Jesus que asseguram a Jesus receber esse título? Quais são as diferenças?

Comparando Adão com Jesus

1. Um início miraculoso

A Bíblia nos diz que o primeiro homem, Adão, foi criado por Deus à Sua imagem e semelhança, diretamente do pó da terra. Deus soprou nas narinas de Adão o fôlego da vida e ele se tornou alma vivente (Gênesis 1:26-27, 2:7). Assim, Adão não foi o produto de alguma forma de Evolução teísta. [1]. Deus não o criou à imagem e semelhança de um chimpanzé, nem de um "hominídeo inferior" por um processo prolongado ou abrupto de mutações. [2]. Ao revés, Deus criou Adão como um ato imediato, por Sua palavra (isto é, mandando ou desejando que isso acontecesse), em algum momento no sexto dia da semana da Criação. [3].

Embora Adão tenha sido criado à imagem de Deus, Cristo é a "imagem do Deus invisível" (Colossenses 1:15). A Bíblia nos diz que o último Adão, Jesus Cristo, foi aquele por meio de quem Deus criou todas as coisas (João 1:1-4, Colossenses 1:15-20, Hebreus 1:2). Assim, Jesus era pré-existente com Deus o Pai, e Deus o Espírito Santo, antes de Adão viver (João 8:58, Miquéias 5:2). [4]. Apesar disso, em Sua humanidade, Ele também teve um início miraculoso, quando encarnou como um ser humano — concebido pelo Espírito Santo e nasceu da virgem Maria (Mateus 1:20-23, Lucas 1:26-35).

2. Perfeito, inocente, santo

Adão foi criado como um homem perfeito, com posse plena de todas as faculdades humanas e com uma consciência a respeito de Deus que o habilitava a ter comunhão espiritual com Deus. Inicialmente inocente, imaculado e santo, ele estava em um relacionamento perfeito com Deus, com a mulher, consigo mesmo e com o mundo natural ao seu redor. O último Adão, Jesus, também foi perfeitamente homem, um com Deus (João 10:30, 17:21-22), inocente, imaculado e santo (Hebreus 7:26). Muitos erroneamente se referem a Jesus Cristo como o "segundo Adão", um termo que não é encontrado na Bíblia. A Bíblia se refere a Cristo como o "segundo homem" (1 Coríntios 15:47).

Muitos homens já existiram desde Adão, porém somente Jesus Cristo foi o segundo homem a existir completamente sem pecado.

Ao contrário do primeiro Adão, o Senhor Jesus foi, em adição, divino, tendo os atributos, ofícios, prerrogativas e nomes da divindade. Sendo plenamente Deus, Ele é digno de adoração (por exemplo, veja Apocalipse 5:11-14).

3. Cabeça da humanidade

Adão foi a cabeça da espécie humana. Jesus Cristo é a cabeça da humanidade redimida (veja, por exemplo, Efésios 5:23). Como Jesus morreu uma vez para sempre (Hebreus 7:27, 9:28, 10:10-14), nunca haverá a necessidade de algum outro "Adão". Portanto, Cristo é o último Adão.

4. Ambos doadores de vida

O primeiro Adão deu vida a todos os seus descendentes. O último Adão, Jesus Cristo, comunica "vida" e "luz" a todos os homens, e dá vida eterna àqueles que O recebem e creem em Seu nome, dando-lhes "poder para serem feitos filhos de Deus" (João 1:1-14).

5. Dois governantes

Adão, representando a humanidade, recebeu domínio sobre o mundo criado (Gênesis 1:26). Depois de ressuscitar dentre os mortos, Jesus Cristo foi elevado até à direita de Deus, e recebeu domínio sobre todas as coisas, que foram colocadas "sob seus pés" (1 Coríntios 15:27, Efésios 1:20-22). O primeiro Adão era senhor sobre um domínio limitado; o último Adão é Senhor de tudo (Atos 10:36).

6. Um sono profundo produz uma linda noiva

Gênesis 2:21-23 nos diz que Deus fez Adão cair em um sono profundo, durante o qual Deus criou a noiva de Adão, Eva, a partir de uma costela de Adão — uma ferida foi feita na lateral do corpo de Adão para produzir uma noiva para ele! Observe que mais uma vez a Evolução teísta é excluída. O texto diz que Deus criou homem e mulher no início (Gênesis 1:27, 2:7, Mateus 19:4). Se Adão e Eva tivessem sido sub-humanos antes de Deus ter soprado o fôlego da vida neles, eles já teriam sido macho e fêmea, sem a necessidade de Deus tê-los feito neste estágio.

Após o último Adão, Jesus, morrer na cruz — sofrendo o sono da morte por todos — um soldado perfurou a lateral de Seu corpo com uma lança (João 19:34). Em Sua morte, Ele pagou a pena pelos pecados da humanidade (1 Coríntios 15:1-4). Aqueles que se arrependem e colocam sua fé Nele, são unidos com Cristo em um relacionamento que a Bíblia compara com o de uma noiva com seu marido (2 Coríntios 11:2, Efésios 5:27, Apocalipse 19:6-8). Assim, uma ferida feita na lateral do corpo do último Adão também produziu uma noiva — a verdadeira igreja! — uma "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" [Efésios 5:27].

7. Um teste crucial

No início da vida de Adão, ele passou por um período de teste para verificar se ele iria ou não obedecer a Deus. "E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." [Gênesis 2:16-17].

No início do ministério do último Adão, Jesus foi levado pelo Espírito Santo até o deserto para ser tentado (ou testado — grego peirazo) pelo Diabo (Mateus 4:1, Lucas 4:1-3). [6].

8. Um grande fracasso e uma grande vitória

O primeiro Adão fracassou no teste e, com isto, envolveu toda a humanidade em sua derrota, arrastando toda a espécie humana consigo. [7]. Como resultado, em Adão todos estamos condenados, espiritualmente arruinados, escravizados ao pecado e expulsos do Paraíso (Romanos 5:12 e seguintes).

O último Adão, Jesus, foi vitorioso sobre o pecado, a carne e o Maligno. Como resultado, em Cristo, os crentes estão justificados e redimidos, espiritualmente enriquecidos, libertos do pecados e incluídos no Paraíso de Deus (Romanos 5:18 e seguintes, 1 Coríntios 15:21 e seguintes, Apocalipse 2:7).

9. Desobediência versus obediência

O primeiro Adão desobedeceu a Deus. O último Adão "foi obediente até a morte, e morte de cruz" (Filipenses 2:8).

10. Julgamento e morte

O primeiro Adão experimentou o julgamento de Deus — Ele morreu um dia e seu corpo retornou ao pó. Por causa do pecado, a morte veio sobre todos os homens. "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." [Romanos 3:23].

O último Adão, Jesus Cristo, também morreu — na cruz — como expiação pelo pecado (Isaías 53:5, 1 Pedro 3:18, Hebreus 2:9). Mas, Ele não permaneceu morto, nem seu corpo "viu corrupção" (Atos 2:27, 13:35-37). No terceiro dia, Ele ressuscitou e, desse modo, venceu o Diabo e o poder da morte para todos aqueles que creem Nele (Hebreus 2:14) e trouxe ressurreição aos mortos (1 Coríntios 15:22-23).

11. Maldição e restauração

Originalmente, Deus viu que Sua criação era muito boa (Gênesis 1:31), de modo que o "último inimigo", a morte, (1 Coríntios 15:26) estava ausente. Até os animais receberam originalmente somente plantas como alimento (Gênesis 1:30). As ações do primeiro Adão trouxeram um reino de morte e derramamento de sangue a um mundo que antes era perfeito, e que desde então geme em dores (Romanos 8:22). [8]. Precisamente por causa do sangue derramado na morte pelo último Adão, essa maldição da morte e do derramamento de sangue será removida e a criação será restaurada a um estado de pureza e sem a presença da morte (Apocalipse 21:1, 21:4, 22:3).

Conclusão

Todos nós estamos conectados com o primeiro Adão (a cabeça natural e juridicamente legal da espécie humana) como pecadores depravados e culpados, de modo que estamos incluídos na sentença de morte que Deus pronunciou contra ele. Todavia, todos aqueles que estão conectados com o último Adão, Jesus, por meio do arrependimento e fé em Sua obra redentora, receberam o dom gratuito da Sua justiça e assim "passaram do morte para a vida" (Colossenses 1:14, Romanos 5:17, 1 João 3:14).

Notas Finais

1. Em Gênesis 1-5 o termo "Adão" é usado especificamente para uma única pessoa, não genericamente para a espécie humana (embora isso ocorra no Cap. 6 e seguintes). Os argumentos do apóstolo Paulo em Romanos 5:12-19 e 1 Coríntios 15:45 — que a morte veio ao mundo por meio da desobediência de um homem, e o dom da justiça por meio da obediência de um homem — cairia em terra se "Adão" não se referisse a uma pessoa específica nos relatos da Criação e da Queda. Paulo também ensinou que Adão e Eva foram indivíduos reais em 1 Timóteo 2:13-14.

2. Em Gênesis 2:7 ("e o homem foi feito alma vivente"), a expressão "foi feito" mostra que Adão ainda não era uma criatura vivente, que evoluiu de outra criatura quando foi criado. Ele se tornou vivente (uma alma vivente) somente quando foi criado. Observe também que alguns evolucionistas teístas afirmam que o pó de Gênesis 2:7 a partir do qual Adão foi formado refere-se à evolução do homem a partir de um animal, mas se é assim, então o retorno ao pó após a morte de Gênesis 3:19 significaria voltar a ser um animal qualquer. É claro que isto é um absurdo.

3. Veja Russell Grigg, Creation: How did God do it?, Creation 13 (2):36–38, março de 1991.

4. Comparando as origens dos dois homens "Adão", o apóstolo Paulo escreveu: "O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu." [1 Coríntios 15:47].

5. Como Deus criou Adão com o poder de fazer escolhas morais, a desobediência a Deus somente poderia ser confirmada em uma situação onde ele tivesse a escolha entre obedecer ou desobedecer a Deus. Assim, no início da vida de Adão, um período de prova foi necessário, embora Deus soubesse de antemão que o resultado seria a Queda.

6. Não devemos pensar que esta foi a única vez na vida de Jesus que Ele foi tentado por Satanás. Confira Lucas 4:13, 22:28, Hebreus 4:15, 5:8.

7. Observe que Adão estava em um jardim aprazível, com fartura de alimento e não passava fome. Todavia, apesar de viver nas melhores condições possíveis, mesmo assim ele pecou. Jesus estava no deserto, sem ter o que comer e faminto.

8. Esta é uma forte razão por que a "interpretação" da idade longa da Bíblia faz tanto dano à lógica da mensagem do Evangelho. Os fósseis mostram evidência de morte, sofrimento e doença. Se eles existiram milhões de anos antes do homem, isto significa que essas coisas existiram antes do pecado. Não poderia haver então uma maldição sobre a Criação por causa do pecado e nunca uma condição sem pecado e sem morte para a qual todas as coisas serão restauradas (Atos 3:21).



Fonte: Forcing Change, Edição 2, Volume 7.
Data da publicação: 10/4/2013
Transferido para a área pública em 2/6/2015
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-2-2013.asp