Guerras e Rumores de Guerras: A Ucrânia em Ponto de Ebulição

Forcing Change, Volume 8, Edição 3.

Esta edição de Forcing Change examinará a situação na Ucrânia, pois a parte do mundo em que esse país está situado e a região adjacente são pontos-pivôs cruciais na geopolítica. É ali, naquele território entre o Mar Negro e a confluência setentrional dos afluentes do rio Dnieper, que o Oriente e o Ocidente estão envolvidos em um jogo de puxa-e-empurra. Por quê?

A complexidade da ordem global desde a queda da União Soviética somente aumentou. Em vez de uma estrutura singularmente ocidental dominar a cena internacional, como alguns analistas esperavam após a Queda do Muro de Berlim, testemunhamos o crescimento das visões concorrentes. As mais amplas Comunidade do Atlântico, OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou NATO) e União Europeia, são e permanecem sendo blocos poderosos. Mas, existem outros atores regionais e eles se sobrepõem na arena global. A Rússia junto com a Comunidade de Estados Independentes, e a China junto com a Organização de Cooperação de Xangai, são dois exemplos. Acrescente a isto as interligações do comércio mundial, as linhas de transmissão da energia, as dívidas, acordos e tratados e o quadro torna-se cada vez mais complexo. Além disto, essas entidades em cooperação, ou em competição, interagem na Organização das Nações Unidas e dentro de outros organismos internacionais — cada uma com sua visão, cada uma com sua história. Algumas vezes, um país-chave torna-se o ponto-pivô para as influências em competição. É aqui que entra a situação da Ucrânia.

Considere os seguintes fatos:

Com o que foi descrito acima em mente, o restante desta edição de Forcing Change examinará a história moderna e os acontecimentos que levaram à situação de crise na Ucrânia. Observe, porém, que não analisaremos aquilo que ocorreu nos últimos meses, ou os acertos e erros de certas influências políticas externas. Muito já foi escrito por outros analistas sobre estas áreas e, frequentemente, com grandes doses de especulação ou de desinformação.

Ao contrário, estou apresentando artigos que têm o objetivo de ajudá-lo a compreender as emoções e complexidades que existem, com outras informações que o ajudarão a ver o quadro maior. Isto significa olhar mais para trás do que para frente, porque, sem algum conhecimento histórico, é difícil ler as entrelinhas e filtrar todo o ruído.

Finalmente, mesmo se em 2014 testemunharmos um afrouxamento das tensões na região e uma nova normalidade se estabelecer, esta edição de Forcing Change ainda assim continuará relevante. A razão básica é por que os problemas não desaparecerão no curto prazo.



Diagramas da Energia: A Rússia e a Europa

A imagem e o diagrama seguintes ajudam a colocar em perspectiva a importância da Ucrânia do modo como ela se relaciona com a Europa e com a Rússia e a vitalidade da indústria petrolífera russa — principalmente por meio da Gazprom — para os mercados europeus e mundiais.

A Ucrânia na Mira Telescópica da História

À medida que isto está sendo redigido, a Rússia e a Ucrânia estão em atrito e a ameaça de guerra é real. A situação está confusa, com tensões históricas e as complexidades dos dias atuais. Adicione a isto um déficit de integridade, conforme demonstrado em muitos círculos políticos ocidentais, não apenas sobre a situação na Ucrânia, mas como visto em outras questões das relações exteriores, e se torna dolorosamente óbvio que a instabilidade e a tensão permanecerão na Eurásia.

Para ajudar a compreender a situação da Ucrânia, uma rápida investigação do cenário de pano de fundo histórico é mostrada a seguir. Essa investigação enfoca a Revolução Russa e a Segunda Guerra Mundial. Mas, você pode perguntar: "Por que olhar para trás? Afinal, a era do conflito ideológico e as Guerras Mundiais são consideradas superadas por muitos na nossa era digital esclarecida." Descrevendo a posição de Putin e do governo russo, o Secretário de Estado John Kerry (dos EUA), disse: "É um ato do século 19 no século 21." Na Embaixada dos EUA em Kiev, ele reiterou dizendo: "Este é o século 21 e não devemos ver as nações darem passos para trás, à moda do século 19 ou 20." Outros fizeram comentários similares.

Declarações como estas acima são inadequadas. A razão é que, enquanto os eventos dos séculos 19 e 20 representam meramente notas de rodapé para a maioria de nós no Ocidente, este pano de fundo histórico fala para o dia presente.

Considere o fato que durante os últimos meses, mais de 150 estátuas de Lenin foram derrubadas em toda a Ucrânia! Ou que diversas bandeiras históricas foram usadas como estandartes durante as passeatas; a bandeira preta e vermelha do Exército Insurgente Ucraniano, um movimento nacionalista que lutou contra os nazistas e comunistas durante a Segunda Guerra Mundial; a bandeira de São Jorge com faixas em cor laranja e preta, modelada com base nas medalhas de honra dadas as soldados do Exército Vermelho; ou a bandeira vermelha-azul-preta da República de Donetsk, que foi um estado que se separou da Ucrânia, fundado em 1918, e que durou somente algumas poucas semanas.

Ou então considere a queima de bandeiras comunistas da era soviética, em Kiev, em outubro do ano passado. Houve também o impasse em Sevastopol, de 4 de março, com os soldados ucranianos que portavam seu estandarte nacional e uma bandeira da Segunda Guerra Mundial da União Soviética. Logicamente, matérias de notícias e comentários políticos estiveram repletos de referências aos séculos 19 e 20, ao Comunismo, à União Soviética, ao Nazismo e ao Fascismo, ao expansionismo russo no estilo soviético, e o nacionalismo ucraniano histórico.

Nos últimos cem anos, nunca experimentamos aqui no continente americano a profundidade da luta que caracterizou a Europa Oriental. Nossas cidades nunca foram arrasadas. Nunca testemunhamos o terror dos planejados extermínios nazistas ou comunistas. Nossa base industrial nunca foi obliterada por forças invasoras, nem nosso solo foi fertilizado pelo derramamento de sangue de nossos próprios familiares. Nunca experimentamos a execução de populações inteiras por meio de fomes criadas de forma artificial. Nunca estivemos envolvidos em execuções retaliatórias.

Isto tudo acima soa dramático demais? Mas não é. É a história moderna da Europa. Ao ler esta rápida investigação sobre a luta da Ucrânia no século 20, tenha em mente que as informações não explicam por que a crise presente está acontecendo. A investigação também não menciona o fato que no nosso tempo presente, estão ocorrendo muitas interações positivas entre nacionalidades que antigamente eram antagonistas, o que é uma coisa muito boa.

Para sermos justos com John Kerry e com os outros que falam sobre o passado como se ele já tivesse caído no esquecimento, sim, em muitos aspectos o mundo mudou. Mas, a história que moldou a Europa Oriental nunca está muito distante.

Uma História de Ocupação e de Terror

Logo após a Primeira Guerra Mundial e durante a Revolução Russa, a Ucrânia viu a ascensão e queda de vários estados de curta duração, à medida que o vácuo de poder político apareceu. Aquele foi um tempo de conflitos civis, facções hostis, movimentos de independência, intervenções estrangeiras, conquistas de territórios e guerra aberta (por exemplo, a Guerra Polonesa-Ucraniana). Batalhas foram travadas internamente à medida que as linhas políticas eram traçadas e os lados opostos lutavam pelo controle e potências estrangeiras tentavam tomar partes da Ucrânia. A fome e as doenças varreram a região, aumentando grandemente o sofrimento da população. Por volta de 1922, os soviéticos tinham consolidado seu domínio e a Ucrânia tornou-se membro da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

O número de mortos na Ucrânia e na região eurasiana vizinha durante aquele período de tempo é estimado em 10% da população existente.

Durante o reinado soviético de Stálin nos anos 1930s, o povo ucraniano foi marcado para eliminação por meio de uma campanha de uma fome criada de forma artificial e planejada. Embora os números de mortos sejam debatidos, devido ao registro estatístico deficiente, estima-se que o terror da fome do Holomodor (o Holocausto Ucraniano) tirou as vidas de 4-8 milhões de pessoas. A população de cidades pequenas e de vilas inteiras desapareceu. As fazendas coletivas controladas pelos soviéticos na Ucrânia exportaram a produção de grãos, enquanto "cerca de vinte mil crianças aguardavam a morte nas barracas de Kharkiv em qualquer período de tempo." [1]. Os cadáveres eram vistos espalhados pelo interior do país e o canibalismo tornou-se uma realidade. Malcolm Muggeridge, um dos poucos jornalistas ocidentais que percorreu a zona da fome, escreveu que aquilo era "um dos crimes mais monstruosos da história, tão terrível que as pessoas no futuro dificilmente conseguiriam acreditar que aquilo tinha acontecido."

A Ucrânia foi dizimada durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha nazista invadiu, ocupou e tentou entrar no território soviético profundo. Muitos na Ucrânia inicialmente viram os nazistas como libertadores da opressão estalinista. Entretanto, a visão de Hitler do povo ucraniano — e todos os povos de origem eslava — era de sub-humanos, mesmo que alguns tenham se integrado na máquina militar nazista, especialmente os cossacos em sua tentativa de lutar contra o Comunismo Soviético (é preciso observar que nem todos os oficiais alemães nas linhas de frente compartilhavam a visão de Hitler, de modo que alguns aceitaram os eslavos dispostos a ingressar no Exército.)

Apesar da aceitação de combatentes eslavos, os civis ucranianos enfrentaram a ira do regime nazista. O historiador Alexander Werth nos informa sobre os planos iniciais dos nazistas:

"Há uma citação atribuida a Goering [ministro do Reich e presidente do Reichstag], em que ele teria dito: 'A melhor coisa teria sido matar todos os homens na Ucrânia... e depois enviar os garanhões da SS.' Ele também imaginou alegremente a possibilidade em 1941 de vinte ou trinta milhões de pessoas morrerem de fome na Rússia durante o ano seguinte... Para os alemães, a Ucrânia era primeiro e mais importante de tudo, uma fonte de alimentos; segundo, de carvão, ferro e outros minerais; e, terceiro, de trabalho escravo." [2].

Na véspera da invasão alemã à Rússia, Himmler, chefe da SS nazista, reiterou o objetivo: "O propósito da campanha russa é dizimar a população eslava em 30 milhões." [3]. A Ucrânia, como território dominado pelos soviéticos com solo fértil e outros recursos naturais, estava firmemente na mira do Reich. A capital Kiev, foi listada junto com Moscou e Leningrado como uma cidade destinada para mortes em massa. [4]. Mais tarde, ela iria se tornar um grande ponto de colisão entre os exércitos nazista e soviético, e um local para o massacre dos judeus ucranianos e outros cidadãos.

Grandes números de ucranianos também foram circunscritos no Exército Vermelho, de Stalin e, por volta do fim da guerra, cerca de 1,4 milhão tinham morrido em combate. Acrescente-se a isto o fato que milhares de ucranianos foram mantidos nos campos de prisioneiros nazistas, onde morreram de frio, fome e no trabalho escravo.

Foi durante este período que um firme, porém mal-sucedido movimento ucraniano de libertação esteve ativo, o Exércio Insurgente Ucraniano, que lutou contra os nazistas, soviéticos e poloneses — e envolveu-se em atos de limpeza étnica contra cidadãos poloneses. Esse Exército continuou a operar como uma força de guerrilha após a Segunda Guerra Mundial. Estima-se que de 8 a 10 milhões de ucranianos, cidadãos e soldados, morreram durante a Segunda Guerra Mundial.

Com relação à Península da Crimeia: Em 1944, Stalin reassentou à força toda a população de tártaros da Crimeia, em um programa gigantesco de reassentamento que ocorreu em muitas regiões "politicamente questionáveis" dentro da URSS. Durante a Segunda Guerra Mundial, como tantos outros grupos étnicos sob o guarda-chuva de Moscou, os tártaros serviram no Exército Vermelho, porém alguns também lutaram com os alemães contra os soviéticos. Além disso, os tártaros que desejavam eliminar os cidadãos russos que viviam na Crimeia "organizaram uma matança em massa deles, matando entre 70 a 120 mil russos." [5]. Os tártaros da Crimeia, um grupo étnico de origem turca, nativo da região, foi rapidamente expulso de sua pátria. Em três dias, de 18-20 de maio, mais de 180.000 deles foram deportados para a Ásia Central, especialmente para o Usbequistão.

Perto do fim da guerra, os ucranianos mais uma vez estiveram nas mãos de Stalin. Mais fome, remoções forçadas da população e o expurgo de nacionalistas ocorreram. Além disso, por causa dos acordos dos Aliados com Stalin, os ucranianos e outros cidadãos soviéticos que se encontravam no lado europeu ocidental da linha aliados-soviético foram cercados por unidades militares britânicas, canadenses e americanas e, subsequentemente, enviados de volta para a União Soviética. Isto incluiu ex-combatentes e prisioneiros de guerra e famílias inteiras que tinham anteriormente se tornado refugiados. Homens, mulheres e crianças foram colocados em campos especiais, transportados em caminhões e vagões de trem e enviados para o Leste.

O coronel Golikov, oficial soviético responsável por receber os que tinham retornado da guerra, declarou que 5,2 milhões tinham sido retornados até 1 de outubro de 1945. [6]. Deste número, estima-se que 3 milhões foram enviados para os campos de concentração na Sibéria, onde muitos morreram ou foram sumariamente fuzilados quando chegaram ao território soviético. As nacionalidades daqueles que foram retornados eram russos e europeus orientais, incluindo ucranianos e cossacos.

O historiador Timothy Snyder chama o vasto território desde a Crimeia até o norte, até Leningrado (São Petersburgo), e passando para Posen e de volta a Odessa de "terras de sangue". Esta região testemunhou no espaço de algumas décadas o assassinato sistemático de 14 milhões de civis, em uma estimativa conservadora. Além disso, esse número não inclui os soldados que pereceram sob o estandarte da suástica nazista (4,5 a 5,5 milhões), ou a foice soviética (8,5 a 13,9 milhões).

Snyder coloca tudo isto dentro do contexto: "Durante os anos em que Stalin e Hitler estavam no poder, mais pessoas foram mortas na Ucrânia do que em qualquer outra parte nas terras de sangue, ou na Europa, ou no mundo."

Hoje, o mundo está observando a Ucrânia e a Rússia à medida que elas ficam uma na mira da outra e perguntamos a nós mesmos se as tensões recentes vão se desvanecer, ou se vão explodir. Enquanto isto, novas matérias de notícias aparecem e os políticos discutem. Porém, no segundo plano esconde-se uma história tenebrosa e amarga, uma história que não foi relegada a uma nota de rodapé.

Ore pelo povo da Ucrânia, da Rússia e das nações vizinhas.

Notas de Rodapé

1. Timothy Snyder, Bloodlands: Europe Between Hitler and Stalin (Basic Books, 2010), pág. 22.

2. Alexander Werth, Russia at War: 1941-1945 (E. P. Dutton, 1964), pág. 601.

3. Citado em Architects of Annihilation: Auschwitz and the Logic of Destruction, de Gotz Aly and Susanne Heim (Princeton University Press, 2002), pág. 237.

4. Architects of Annihilation, pág. 244.

5. Andrew Bell-Fialkoff, "A Brief History of Ethnic Cleansing", Foreign Affairs, Summer 1993. Este artigo pode ser lido em http://www.foreignaffairs.com/articles/48961/andrew-bell-fialkoff/a-brief-history-of-ethnic-cleansing.

6. Veja Peter J. Huxley-Blythe, The East Came West (Caxton, 1964), pág. 169.

7. Bloodlands, pág. 20.



A Linha do Tempo da Esperança e do Desapontamento: A Ucrânia, a Rússia e o Mundo

A seguinte linha do tempo demonstra importantes marcos na dinâmica Ucrânia-Rússia.

Nota: Esta linha do tempo não está completa em abrangência ou focada nos acontecimentos dos últimos meses. Ao contrário, as listagens estão fortemente concentradas na década dos anos 1990s, pois este foi o período da imediata instabilidade pós-Guerra Fria — e um tempo de esperança e desapontamento que energizou a região. O que esta linha do tempo representa é um ponto inicial básico para aqueles que estão interessados em explorar as complexidades da crise ucraniana.

1989

9 de novembro: Queda do Muro de Berlim.

Existe um enorme antecedente para este evento monumental. A "Queda do Muro" teve implicações mundiais e ajudou a moldar a história moderna da Europa Oriental. Após a Queda e durante os dois anos seguintes, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) — da qual a Ucrânia era parte — começou a se desintegrar. A Queda é, portanto, o ponto inicial para esta linha do tempo.

1990

21 de janeiro: Corrente Humana Ucraniana.

Centenas de milhares de ucranianos formaram uma corrente humana como um chamado para a independência do sistema soviético. Aquele foi um evento que lembrava a unificação de 1919 entre a República Popular Ucraniana do Ocidente, que teve uma curta duração, e a República Popular da Ucrânia e, invocando esta memória histórica, um desejo público para independência foi feito.

5-6 de julho: Declaração de Londres

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, ou NATO) se reuniu em Londres, Inglaterra, para discutir as transformações que estavam ocorrendo na Europa e a resposta a ser dada. O documento resultante foi sem precedentes na história da OTAN. Intitulado "Declaração de Londres Sobre uma Aliança do Atlântico Norte Transformado", ele comprometeu a OTAN com uma estrada de segurança mais ampla, reconhecendo que "na nova Europa, a segurança de todo país está inseparavelmente vinculada com a segurança de seus vizinhos." A Declaração de Londres observava que "a OTAN precisa se tornar uma instituição em que os europeus, canadenses e americanos trabalham junto e não somente para a defesa comum, mas para construir novas parcerias com todas as nações da Europa. A Comunidade do Atlântico precisa alcançar os países do Leste, que foram nossos adversários na Guerra Fria, e estender para eles a mão da amizade."

16 de julho: Soberania da Ucrânia.

A soberania do Estado é declarada pelo Soviete Supremo da República da Ucrânia, embora a nação ainda permanecesse na órbita de Moscou.

19 de novembro: Acordo Territorial.

O Tratado Sobre os Princípios Básicos de Relações entre a Rússia e a Ucrânia foi assinado, por meio do qual a integridade territorial foi reconhecida entre os governos soviéticos de Moscou e de Kiev. Um tratado final seria concluído sete anos mais tarde.

21 de novembro: Carta de Paris para uma Nova Europa.

Os chefes de Estado se reuniram sob o guarda-chuva da Conferência Sobre Segurança e Cooperação na Europa e assinaram um documento histórico intitulado "Carta de Paris para uma Nova Europa".

"A Era da confrontação e da divisão da Europa está terminada", o texto dizia. Baseando-se no Ato Final de Helsinque, a Carta de Paris definiu o tom para as relações internacionais em uma era pós-Guerra Fria. Os subscritores, incluindo a União Soviética, concordaram com um "continente mais unido", para "construir novas parcerias", e "estender um para o outro a mão da amizade". Uma nova Europa foi planejada com democracia, segurança e unidade de propósito. A autodeterminação nacional e a integridade da soberania foram reconhecidas.

1991

Janeiro-outubro: Política na Crimeia.

Em 20 de janeiro, a população da Crimeia votou pelo reestabelecimento da República Soviética Autônoma da Crimeia. Entretanto, esta ação escondia muitas manobras políticas, pois a Crimeia — com a notável cidadania russa — e a Ucrânia, permaneciam ambas sob certo nível de influência soviética.

Refat Chubarov, o primeiro vice-presidente do Mejlis, o órgão executivo dos Tártaros da Crimeia, com um mandato para tratar as injustiças históricas e promover a autodeterminação nacional, escreveu o seguinte com relação ao Referendo de 1991 na Crimeia:

"Moscou e as implementações diretas de sua política na Crimeia, na verdade, não ocultaram seus verdadeiros objetivos — a oposição a qualquer possibilidade de restauração da autonomia da Crimeia com base nacional-territorial em conexão com o início do retorno maciço dos tártaros da Crimeia para sua terra nativa histórica e criar alavancagem adicional, permitindo que Moscou continue controlando a Ucrânia.

Consequentemente, foi o Referendo de 20 de janeiro de 1991 que lançou uma base falsa para a restauração da autonomia da Crimeia. Em vez de prosseguirem a partir do direito inalienável do povo tártaro da Crimeia para a autodeterminação, o que deveria servir como base da restauração da autonomia da Crimeia e unir a população multi-étnica da península, os políticos daquele tempo foram para o outro caminho, levando em consideração somente a vontade da maioria russa da Crimeia, a vasta maioria da qual se estabeleceu ali após a deportação dos tártaros da região. [1].

Em 12 de fevereiro, o Soviete Supremo da República da Ucrânia concedeu à Província Autônoma da Crimeia o status da República Socialista Soviética Autônoma da Crimeia dentro das fronteiras territoriais da Ucrânia. No fim de junho, o primeiro Congresso dos Tártaros da Crimeia se reuniu em Simferopol, fazendo uma reivindicação de autodeterminação dentro da pátria Tártara-Crimeia. Pouco mais de dois meses mais tarde, o Parlamento da Crimeia fez uma declaração de soberania "como uma parte constituinte da Ucrânia". Em outubro, o Soviete Supremo da Ucrânia permitiu que a diáspora tártara retornasse para o país.

24 de agosto: Ato Ucraniano de Declaração de Independência:

Logo após a tentativa de golpe contra Gorbachev, que alguns consideraram um "golpe encenado", o Soviete Supremo da Ucrânia emitiu uma Declaração de Independência e, assim, passou a distanciar-se oficialmente da URSS. O Parlamento Ucraniano votou pela independência por 346 a 1.

26 de agosto: Suspensão Comunista.
O Presidium Parlamentar da Ucrânia, suspendeu o Partido Comunista do país.

1 de dezembro: Referendo Ucraniano.

Os ucranianos votaram em um referendo que perguntou: "Você apóia o Ato de Declaração de Independência da Ucrânia?" A aprovação recebeu de mais de 92% dos votos. No dia seguinte, o Canadá e a Polônia reconheceram a Ucrânia recém-independente, com os EUA fazendo o mesmo algumas semanas mais tarde. Esse referendo pró-independência foi visto por alguns como "o prego final no caixão" da URSS.

5 de dezembro: Primeiro Presidente.

Leonid Kravchuk, que era o presidente do Verkhovna Rada (Parlamento Ucraniano) e tinha oficialmente renunciado do Partido Comunista em agosto, foi eleito pimeiro presidente da Ucrânia.

8-30 de dezembro: Comunidade dos Estados Independentes.

Como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas estava se desintegrando rapidamente, uma nova organização regional foi criada entre a Federação Russa, Belarus (que apresentou uma declaração de independência no dia seguinte ao anúncio da Ucrânia), e a Ucrânia: a Comunidade dos Estados Independentes. Em 21 de dezembro, oito outros estados soviéticos recém-independentes aderiram à CEI, e mais tarde a organização recebeu a adesão da Geórgia. Sob o guarda-chuva da CEI, todas nações participantes retiveram a independência, porém trabalhariam como uma plataforma militar/segurança e econômica/comercial organizada. Entretanto, em 30 de dezembro, a Ucrânia se recusou a ratificar a Carta de Constituição da CEI que ela ajudou a criar.

25 de dezembro: Dissolução da URSS.

Gorbachev anunciou a dissolução oficial da União Soviética. O Pacto de Varsóvia, o aparato de segurança soviético que correspondia à OTAN, é desmantelado.

1992

Janeiro: Cupom-Moeda da Ucrânia.

A Ucrânia instituiu um cupom-moeda temporário, o karbovantsy, a ser usado como uma substituição doméstica para o rublo soviético. Entretanto, os rublos ainda poderiam ser usados para transações sem papel-moeda pelas empresas. Isto foi uma etapa intermediária para uma futura unidade monetária nacional chamada de hryvnia. Para este fim, a impressão de novas notas de hryvnia foi contratada no Canadá, porém permaneceram fora de circulação.

3 de janeiro: Quem Possui o Quê.

Como um ex-satélite da URSS, a Ucrânia declarou a posse das tropas soviéticas e dos equipamentos que estavam em seu território. Portanto, as tropas precisaram prestar juramento à Ucrânia e, em três dias, 80% aceitaram fazer isto. Durante o mesmo período, a Rússia anunciou que reivindicava todos os ativos estrangeiros da era soviética.

11 de janeiro: A Frota do Mar Negro.

Um comunicado entre a Ucrânia e a Rússia recomendava colocar a Frota Soviética do Mar Negro sob controle conjunto.

23 de janeiro: Arrependimento Pela Crimeia.

Em 1954, a União Soviética transferiu a Província Autônoma da Crimeia para a República Socialista Soviética da Ucrânia e, desse modo, colocou a Crimeia sob a jurisdição territorial de Kiev. Em 23 de janeiro de 1992, o Ministério Russo das Relações Exteriores e o Parlamento Russo condenaram a ação de 1954.

30 de janeiro: CSCE.

A Ucrânia ingressa na Conferência Sobre Segurança e Cooperação na Europa, um processo de segurança e um canal diplomático para os relacionamentos e cooperação dos Estados do leste e do oeste.

3-4 de abril: A Rússia Propõe a Secessão da Crimeia.

Em uma visita à Crimeia, o vice-presidente russo propôs que a região se separasse da Ucrânia. Os políticos da Crimeia consideram a opção.

5-19 de maio: Confusão da Crimeia.

Em 5 de maio, o Parlamento da Crimeia declarou independência da Ucrânia, aprovou sua nova Constituição e anunciou um referendo para uma data posterior, durante o verão. No dia seguinte, o Parlamento da Crimeia inseriu uma linha em sua constituição recém-escrita em que afirmava-se como parte da Ucrânia. Dez dias depois de a Crimeia ter declarado independência, o Parlamento da Ucrânia anulou a ação e, por volta do dia 19, a Crimeia formalmente voltou atrás em sua afirmação de soberania, porém reteve alguns elementos da autonomia. Durante este tempo, o Movimento Republicano da Crimeia, inspirado pelos russos, estava ativo em fermentar a independência da Crimeia.

21 de maio: Reversão da Rússia.

Posteriormente em maio, o Parlamento da Rússia aprovou uma resolução para reverter a transferência de Crimeia para a Ucrãnia, feita em 1954. Isto é visto por Kiev como interferência de Moscou nos assuntos internos da Ucrânia.

25 de setembro: Revisões na Crimeia.

Uma Constituição revisada da Crimeia foi adotada, concedendo à Região Autônoma da Crimeia poderes sobre suas questões econômicas externas e políticas sociais, ao mesmo tempo que reconhecia que a península permaneceria como parte da Ucrânia e aquele "território não pode ser transferido para outro país sem o consentimento dos parlamentos da Ucrânia e da Crimeia". [2]

24 de outubro: Frente de Salvação Nacional.

A Frente de Salvação Nacional (FSN) foi formalmente organizada em oposição às reformas da Rússia e à subsequente perda da influência regional, e o papel político de Boris Yeltsin. Operando como um grupo unificado de pró-comunistas e nacionalistas, a FSN expressou sua ira contra a independência da Ucrânia. Anteriormente no ano, Sergei Baburin, da FSN, disse ao embaixador ucraniano: "Ou a Ucrânia se une novamente com a Rússia, ou haverá guerra".

13 de novembro: O Rublo É Substituído.

A Ucrânia deixa oficialmente de usar o rublo russo em todas as áreas da vida econômica, substituindo a moeda da Rússia por sua própria unidade monetária nas transações domésticas e com o exterior.

Dezembro: Talbott Sobre as Tensões.

O embaixador norte-americano Strobe Talbott, descartando as tensões dentro da Rússia a respeito da independência da Ucrânia, escreveu o seguinte: "O fato brutal é que muitos russos — notavelmente incluindo os russos que consideraríamos bons sujeitos, progressistas, reformadores — em seu governo, não aceitam a independência da Ucrânia. E os Ucranianos sabiam disto. Esta é a razão por que os ucranianos sabem que não há país na face da terra que tenha maior necessidade de garantias de segurança contra a Rússia do que a Ucrânia." [3].

1993

17 de junho: Divisão da Frota.

Os chefes de Estado da Rússia e da Ucrânia concordaram em dividir a Frota do Mar Negro em duas. A linha do tempo para isto deveria iniciar em setembro de 1993 e concluir em 1995. Mais tarde no mês, 120 oficiais da Marinha anunciaram que a frota permaneceria intacta, representando uma recusa em obedecer ao acordo russo-ucrâniano.

9 de julho: A Frota em Sevastopol.

A cidade de Sevastopol, na Crimeia, base da Frota do Mar Negro, controlada conjuntamente, é contestada pelo Parlamento da Rússia, que reivindica a cidade como sua. O Parlamento da Rússia também anunciou que a Frota do Mar Negro é uma entidade única sob o domínio de Moscou. Kiev objetou e declarou que isto era uma infração à Lei Internacional. Algumas semanas mais tarde, o Conselho de Segurança das Nações Unidas declarou o ato da Rússia como incompatível com os acordos anteriores e com a Carta da ONU.

Agosto: Atrito Devido ao Comando Duplo da Frota.

O comando conjunto da Frota do Mar Negro foi aceito pela Rússia e a Ucrânia como uma transição para a divisão oficial da força naval. Entretanto, como a maior parte dos oficiais e uma grande porcentagem da tripulação era de russos étnicos, a ideia da divisão não foi bem aceita. A maior parte da classe dos oficiais permaneceu compromissada com uma Frota do Mar Negro indivisível e controlada pela Rússia.

Setembro: Participação como Membro Associado da CEI.

A Comunidade dos Estados Independentes, uma substituição para o agora defunto sistema soviético, ainda não tinha se tornado um organismo realmente operacional, e a dissociação da Ucrânia foi vista como um obstáculo ao funcionamento da CEI. Em setembro, a CEI trabalhou para negociar uma União Econômica e requereu uma maior participação da Ucrânia. Entretanto, como antes, Kiev estava relutante em se comprometer com uma relação mais ampla com a CEI e solicitou uma "parcipação associativa". Comentando sobre essa questão divisiva, Paul J. D'Anieri escreveu: "Embora a Ucrânia procurasse participar na união econômica, ela ainda se recusava a delegar autoridade de tal modo que a Ucrânica pudesse ficar legalmente compromissada com algo ao qual ela se opunha. O efeito da relutância da Ucrânia é solapar seriamente a capacidade da união econômica de lidar com qualquer questão, exceto as mais triviais."

3 de setembro: A Frota em Troca da Dívida.

A Ucrânia devia à Rússia as importações de petróleo e gás. Por sua vez, o governo russo declarou que Kiev tinha decidido vender sua Frota do Mar Negro a Moscou como pagamento pela dívida e arrendar a cidade de Sevastopol à Rússia. As autoridades ucranianas explicaram que aquilo tinha sido apenas uma sugestão, não uma proposta oficial.

16 de novembro: Não Proliferação.

A Ucrânia assina o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, iniciando o arcabouço legal para desmantelar todas as armas nucleares da Ucrânia e movendo o país para um novo contexto de segurança.

1994

10-11 de janeiro: Parceira pela Paz da OTAN.

No Encontro de Cúpula da OTAN em Bruxelas, um novo programa de cooperação bilateral foi lançado, a Parceria Para a Paz. Ao contrário da participação como membro tradicional da OTAN com seus compromissos de cobertura de segurança, a Parceria pela Paz é feita sob encomenda para nações individuais que desejam realizar parcerias com a OTAN sobre medidas de fortalecimento da segurança específicas para o país, exercícios e intercâmbios militares, planejamento da defesa, capacidades de resposta para emergências e desastres, e oportunidades para educação e treinamento. Os países que aderem à Parceria não são membros oficiais da OTAN, mas a inclusão no programa é reconhecido como um passo significativo rumo à adesão à comunidade Euro-Atlântica. Cada país participante precisa contribuir com recursos para o programa, desenvolver interoperabilidade militar com a OTAN, trabalhar para implementar os resultados políticos da Parceria e garantir que suas forças armadas estejam sob controle democrático.

14 de janeiro: Declaração Trilateral.

A Rússa, os EUA e a Ucrânia assinam a Declaração Trilateral. Ao concordar em abrir mão de todas as armas nucleares, Kiev recebeu garantias que seu território estaria protegido de avanços militares estrangeiros. Por sua vez, a Rússia recebeu todas as ogivas nucleares e os sistemas de mísseis e os EUA forneceram financiamento por meio da Lei Nunn-Lugar, para ajudarem no desmantelamento da infra-estrutura nuclear na Ucrânia, incluindo os silos dos mísseis balísticos intercontinentais (ICBM).

16-30 de janeiro: Votação na Crimeia.

Uma votação em dois turnos ocorreu na Crimeia quando a República da Crimeia quis eleger um presidente. O candidado pró-Rússia e pró-separatismo, Yury Meshkov, recebeu 73% dos votos. Ele exerceu o cargo de presidente até 1995.

8 de fevereiro: A OTAN e a Ucrânia.

A Ucrânia ingressa na Parceria para a Paz, da OTAN. Ela é a primeira nação pós-soviética a fazer isto.

10 de fevereiro: Meshkov, Independência e Rússia.

O presidente da Crimeia, Yury Meshkov, declarou o seguinte aos repórteres:

"O principal aspecto da minha política é a Independência da Crimeia. Somente a independência nos permitirá solucionar nossos problemas econômicos. Os resultados das eleições presidenciais confirmaram a orientação da população para vínculos econômicos, culturais e outros com a Rússia, e para reunião com a Rússia... A Frota do Mar Negro precisa ser indivisível, pertencendo à Rússia e estar baseada em Sevastopol, que é uma parte inalienável da República da Crimeia." [5].

13 de maio: Comércio Entre a Rússia e a Crimeia.

A Crimeia e a Rússia assinaram um acordo bilateral para expandir a cooperação econômica e comercial. Kiev respondeu que a estrutura não pode ser um "acordo internacional", pois a Crimeia não é independente da Ucrânia.

20 de maio: Constituição da Crimeia.

O Parlamento da Crimeia trabalhou para reinstituir a Constituição original de 1992, que removia a pensínsula da influência da Ucrânia. Kiev respondeu exigindo obediência às leis da Ucrânia e reafirmou que a Crimeia é parte do território ucraniano. A Rússia permaneceu oficialmente distante da tensão entre a Ucrânia e a Crimeia por diversas razões, incluindo a possibilidade de prejudicar suas negociações na Parceria Pela Paz, da OTAN, o temor de incitar rupturas regionais dentro do território russo e considerações com sua própria instabilidade interna.

10 de Março: Pesquisa de Opinião Pública.

O presidente da Crimeia, Meshkov, autorizou uma "consulta pública" sobre a independência da Crimeia. Reconhecendo a ação como um referendo sobre a separação da Crimeia, e a incorporação da península nas mãos da Rússia, Kiev imediatamente bloqueou e proclamou a ação como contrária à Declaração Trilateral.

14 de junho: Parceria com a UE.

A Ucrânia e a União Europeia assinaram um acordo de cooperação para expandir os interesses econômicos. Esperava-se que esse passo ajudaria a mover a Ucrânia para a associação como membro da Organização Mundial do Comércio. Cerca de um mês mais tarde, o Conselho da Europa e Kiev deram início aos diálogos políticos.

22 de junho: A OTAN e a Rússia.
A Rússia ingressa na Parceria Para a Paz, da OTAN.

19 de julho: Kuchma é eleito.

Um novo presidente ucraniano é eleito, Leonid Kuchma, que prometeu maiores vínculos econômicos com a Rússia. Os políticos da Crimeia viram isto como um passo rumo à participação como membro da CEI.

Setembro a março de 1995: Guerra das Leis.

Naquilo que foi chamado de "guerra das leis", as tensões entre a Ucrânia e a Península da Crimeia enfocam a criação e abolição de acordos juridicamente legais, leis e regulamentações. Isto incluia a aprovação pela Crimeia de uma lei que suspendia as regras da Ucrânia sobre a propriedade do Estado e a recusa da Ucrânia em fornecer financiamento para as instituições da Crimeia que solapavam a legitimidade de Kiev. A incerteza e a instabilidade políticas na Crimeia fizeram aumentar as tensões.

Outubro: Crédito Estendido.

O Fundo Monetário Internacional estende crédito para a Ucrânia no total de 700 milhões de dólares e o Banco Mundial faz um empréstimo de 500 milhões de dólares.

5 de dezembro: Memorando de Budapeste Sobre Garantias de Segurança.

No tempo do Memorando de Budapeste, a Ucrânia possuía o terceiro maior arsenal de armas nucleares do planeta, uma herança da União Soviética. O memorando, conectado com a aceitação por parte da Ucrânia do Tratado da Não-Proliferação das Armas Nucleares e com a Declaração Trilateral, foi assinada pela Rússia, os EUA e a Grã-Bretanha. Na prática, isto permitiu que a Ucrânia descomissionasse seu arsenal nuclear em troca de garantias de integridade territorial, incluindo salvaguardas contra o uso de pressão econômica para influenciar a vida política interna da Ucrânia.

1995

Janeiro: Inflação na Ucrânia.

O ano de 1995 inicia com uma taxa de inflação na Ucrânia de mais de 21%. O FMI forneceu três empréstimos de estabilidade e os níveis de inflação flutuaram de 4,6% em maio para 14% em setembro.

1 de janeiro: CSCE to OSCE.

A Conferência Sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE) mudou oficialmente seu nome para Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Desde a Carta de Paris, de 1990, o processo diplomático do CSCE tinha mudado para uma configuração mais formal — incluindo a declaração de ser uma organização regional de segurança, segundo o Capítulo 8 da Carta da ONU. Com o nascimento da OSCE, agora uma organização plenamente operacional, passou a existir um canal permanente de alto nível, por meio do qual a segurança e a cooperação europeias poderiam ser construídas, além do contexto da União Europeia, da OTAN e da CEI.

Fevereiro: Declaração Sobre a Divisão.

Após negociações, uma Declaração Sobre a Divisão da Frota do Mar Negro foi adotada. O acordo permitia o arrendamento da base naval de Sevastopol para a Rússia, mas não a cidade propriamente.

8 de Fevereiro: Tratado de Amizade e Cooperação.

Moscou e Kiev negociam um Tratado de Amizade e Cooperação. Entretanto, devido às questões sobre a Frota do Mar Negro e outras questões, o tratado permaneceu sem ser assinado.

17 de março: Dissolução da Presidência.
O cargo de presidente da Crimeia foi dissolvido pelo Parlamento Ucraniano.

8-9 de junho: Divisão da Base.

Autoridades russas e ucranianas se reúnem em Sochi para solucionar a situação da Frota do Mar Negro. Pelo acordo, Sevastopol permaneceria sendo um porto naval russo, e 82% da frota seria entregue a Moscou. Entretanto, o tratado ficou sem ser assinado e reemergiu em 1997.

26 de setembro: Conexão Ucrânia-Europa.

A Assembleia do Parlamento do Conselho da Europa recebe a Ucrânia como membro do Conselho e recomenda a alocação de "doze assentos à Ucrânia na Assembleia". Em 18 de outubro, o Conselho da Europa aceita formalmente a Ucrânia em sua assembleia.

Setembro-Outubro: Nova Separação.

Aparecem sugestões de oficiais pró-CEI para que a Ucrânia atue como uma zona-tampão entre a CEI e a OTAN. Além disso, o governo de Belarus recomendou uma união aduaneira de três vias, o que colocaria a Ucrânia mais perto do centro de gravidade de Moscou, criando um "triângulo eslavo". Se seguida totalmente, a separação Oriente-Ocidente na Europa seria ampliada. Kiev rejeitou ambas as sugestões.

1996

25 de janeiro: A Rússia e o Conselho.

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa recomenda que a Rússia seja recebida no Conselho, com 18 assentos reservados na Assembleia. Em 1996, a Rússia torna-se oficialmente membro. Alguns líderes europeus veem isto como um sinal positivo que a Rússia está tomando seu lugar apropriado na família europeia de nações. Eventualmente, outros veriam a participação no Conselho como um fracasso.

Junho: SS-19.

A Ucrânia anunciou que todos os mísseis balísticos intercontinentais equipados com ogivas nucleares SS-19 tinham sido desmantelados e enviados de volta para a Rússia. Isto, porém, não ocorreu sem problemas. Como as ogivas SS-19 continham substâncias tóxicas, os EUA forneceram tanques de armazenagem para 2,2 toneladas de resíduos acumulados. A Rússia absorveu e reutilizou 19 dos foguetes SS-19.

28 de junho: Constituição da Ucrânia.

Uma nova constituição foi ratificada, substituindo a antiga constituição da República Soviética da Ucrânia. A Constituição de 1996 "permitia uma exceção para a presença temporária de base estrangeiras no território ucraniano. Todavia, a Crimeia, Sevastopol e a Frota do Mar Negro ainda são motivos para manifestações para os nacionalistas russos. Na prática, a Rússia pagou o arrendamento para a Ucrânia com o fornecimento de gás." [6].

24 de agosto: Nova Moeda.

Com a inflação perto de zero, a Ucrânia aproveitou a oportunidade para substituir seu tíquete-moeda pós-soviético por uma nova unidade monetária, o hryvnia.

1997

16 de maio: Comissão Binacional EUA-Ucrânia.

O chefe de Estado da Ucrânia viajou para Washington, EUA, para uma reunião bilateral oficial, a primeira deste tipo entre a ex-nação soviética e os EUA. A pauta incluiu a exploração do gás natural da Ucrânia, questões comerciais e de segurança.

21 de maio: Declaração da Polônia e da Ucrânia.

Reconhecendo a tensão histórica e a animosidade que existem entre a Polônia e a Ucrânia, os chefes de Estado de ambos os países assinaram a Declaração Sobre Concórdia e Unidade. Ao fazerem isto, ambos os países reconheceram as remoções populacionais e as matanças que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial, e concordaram em criar um futuro com base na amizade.

28 de maio: Assinatura do Tratado Sobre a Frota do Mar Negro.

Depois de debaterem durante vários anos o destino da Frota do Mar Negro, a Rússia e a Ucrânia assinam o Acordo Entre a Federação Russa e a Ucrânia Sobre o Status e Condição da Permanência da Frota do Mar Negro da Federação Russa em Território Ucraniano (Tratado Sobre Amizade e Cooperação). Aproximadamente 82% dos navios de guerra ficam com a Rússia e Moscou retém o direito de usar a base naval de Sevastopol por 20 anos. Em compensação, a Rússia precisa arcar com todos os custos de manutenção dos portos.

9 de julho: Parceria OTAN-Ucrânia.

A OTAN e a Ucrânia criam uma "parceria distintiva", um foro especial conhecido como a Comissão OTAN-Ucrânia, com o propósito de cooperar em questões de segurança e desenvolver uma conexão mais rígida Ucrânia-Atlântico. Obviamente, essa parceria especial reenfatizou o acordo de segurança entre a Ucrânia, os EUA e a Rússia.

20 de junho: G8.

A Rússia ingressa no G7, criando o G8, quando os chefes de Estado se reuniram em Denver, Colorado, EUA. A reforma econômica dos países europeus orientais e questões comerciais foram discutidas, incluindo o papel da Ucrânia.

23-31 de agosto: Brisa do Mar.

Dentro do programa Parceria Pela Paz, da OTAN, forças militares dos EUA, Turquia, Geórgia e da Ucrânia realizaram um exercício conjunto de desembarque naval na costa do Mar Negro. O cenário fictício inicial era para ser um desembarque da OTAN na Crimeia, com o objetivo de sufocar um levante separatista. Entretanto, esse cenário foi modificado para uma ação de auxílio humanitário em um país fictício chamado de República da Laranja. Moscou expressou sua preocupação e perplexidade e manifestantes pró-Rússia protestaram nas praias do Mar Negro com cartazes e faixas anti-OTAN.

16 de setembro: Assembleia Geral das Nações Unidas.

O Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia é eleito presidente da Quinquagésima Segunda Sessão da Assembleia Geral da ONU. Essa indicação elevou o status da Ucrânia na comunidade internacional.

Outono: Agência Interna da UE.

O governo ucraniano cria uma Secretaria da Integração Europeia e Transatlântica dentro de seu Ministério das Relações Exteriores. Além disto, essa secretaria tem seu próprio Departamento para a União Europeia.

1998

1 de março: Acordo com a UE.

O Acordo de Cooperação e de Parceria União Europeia-Ucrânia entra em vigor. O acordo intensifica o movimento para a integração EU-Ucrânia.

28 de março: Votação na Ucrânia.

Eleições parlamentares são realizadas na Ucrânia e o Partido Comunista ganha a maioria dos assentos.

Junho: Estratégia de Integração com a UE.

O presidente ucraniano aprovou a "Estratégia da Ucrânia de Integração na União Europeia". A estratégia dizia em parte: "Os interesses nacionais da Ucrânia requerem a identificação da Ucrânia como um país europeu influente, um membro pleno da União Europeia".

17 de agosto: Crise Financeira Russa.

De 1992 em diante, o sistema financeiro russo experimentou tremendos reveses, com severas repercussões sociais e políticas. À medida que a sociedade pós-soviética enfrentava as lutas internas pelo controle sobre os "ativos estatais", o que feudalizou a base industrial russa, a economia geral afundou. O congelamento dos salários no longo prazo e a inflação crescente fez com que o padrão de vida de muitos russos afundasse. Agravando e alimentando a situação econômica desesperadora estava o fato que as instituições financeiras ocidentais estabeleceram-se rapidamente na Rússia para orientar as reformas, sem compreender a situação econômica e social. De 1992 a 1998, devido em parte à reestruturação "terapia do choque", de base americana, a Rússia experimentou um inverno demográfico e a criação de novos homens-fortes. A crise financeira asiática de 1997 fez aumentar ainda mais todo o estresse econômico. Por volta de agosto de 1998, o governo russo desvalorizou o rublo e declarou moratória sobre todas suas dívidas.

10 de setembro: Moratória da Ucrânia.

Em uma ordem surpreendente que não veio à luz até o dia seguinte, o governo da Ucrânia deu o calote em suas dívidas internas.

1999

23 de julho: Encontro de Cúpula da UE.

Uma nota distribuída à imprensa pela Missão da Ucrânia ao Parlamento Europeu com referência ao Encontro de Cúpula UE-Ucrânia de 1999 declara o seguinte: "Discutimos os acontecimentos recentes na Ucrânia e na UE e permutamos informações sobre a estratégia da Ucrânia de integração com a UE, bem como o desenvolvimento da Estratégia Comum da UE para a Ucrânia..." Por volta de 1999, a UE tinha se tornado a maior fonte de ajuda externa para a Ucrânia.

2001

6-7 de junho: GUAM.

A Carta da Organização GUAM para Democracia e Desenvolvimento Econômico é assinada e o grupo de quatro países está oficialmente operacional. GUAM, um acrônimo para os países pós-soviéticos da Geórgia, Ucrânia, Azerbaijão e Moldávia, é uma organização que trabalha como uma frente comum para promover a estabilidade e o desenvolvimento econômico. Ela é vista por alguns como congênere à Comunidade de Estados Independentes, de influência russa.

2004

19 de março: Rumo a uma Europa Mais Ampla.

Sob os auspícios da OSCE e na véspera das expansões históricas da OTAN e da União Europeia, nove países europeus orientais assinam uma Declaração Conjunta intitulada Rumo a uma Europa Mais Ampla: Uma Nova Agenda. O texto diz em parte: "Estamos comprometidos com o desenvolvimento de um relacionamento maior com a Ucrânia, refletindo sua vocação europeia e incentivamos a Ucrânia a realizar reformas políticas significativas. Estamos preparados para dar as boas-vindas a uma Ucrânia democrática dentro da comunidade euro-atlântica." Os nove países signatários foram: Albânia, Bulgária, Croácia, Letônia, Lituânia, Macedônia, România e Eslováquia.

29 de março: Ampliação da OTAN.

Sete países do bloco oriental — Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia — ingressam formalmente na OTAN. Isto foi sem precedentes a partir de dois pontos: 1) Foi a maior rodada de ampliação na história da OTAN; 2) Todos os países que ingressaram estavam anteriormente na órbita da União Soviética.

1 de maio: Ampliação da União Europeia.

A maior expansão da UE ocorreu logo após a expansão da OTAN. Essa expansão consistiu de sete países que anteriormente estavam no bloco oriental, um da ex-Iugoslávia, e dois países mediterrâneos.

Novembro de 2004-janeiro de 2005: Revolução Laranja.

Reportagens sobre fraude nas eleições e resultados apertados na corrida presidencial provocam agitação social e deflagram a Revolução Laranja. A princípio, o candidado pró-Rússia, Viktor Yanukovich, parecia ganhar. Quando os resultados da eleição são contestados publicamente, ocorrem distúrbios e passeatas. Como nenhum candidato atingiu o limiar de 50% requerido e devido às acusações de fraude eleitoral, uma segunda votação é realizada e o candidato pró-Ocidente, Viktor Yushchenko, é declarado vencedor. Yulia Tymoshenko, uma voz de liderança na Revolução Laranja — que é apoiada por uma coalizão políticamente diversa — é saudada como heroína pelos apoiadores pró-ocidentais.

Durante os meses de passeatas e instabilidade política, vozes ocidentais e o presidente da Rússia, Putin, fazem acusações um contra o outro de interferência nos assuntos internos da Ucrânia.

2005

Janeiro-fevereiro: Yushchenko e Tymoshenko.

Em 23 de janeiro, Viktor Yushchenko assume o cargo de presidente e Tymoshenko é indicada como primeira-ministra da Ucrânia no dia seguinte. Entretanto, a realidade política é de divisão da coalização, lutas internas e acusações públicas.

2006

25 de setembro: Forças de Paz do GUAM.

Ministros dos governos dos quatro países do grupo GUAM se reúnem nas Nações Unidas e discutem a proposta de criação de uma força de segurança baseada nos países GUAM para atuar como uma entidade regional de forças de paz. Criando suas próprias unidades militares conjuntas, esperava-se que a Organização para Democracia e Desenvolvimento Econômico de GUAM pudesse substituir as tropas de paz russas na Geórgia e participar em outras zonas de conflito regional. Ao estabelecer uma força de segurança do GUAM, duas etapas políticas poderiam ser alcançadas: uma maior remoção da influência regional de Moscou e um passo em direção à integração europeia por meio da colaboração com a OSCE.

Outubro: Proteção de Putin.

O líder russo Vladimir Putin assegurou garantias de segurança à Ucrânia se a Frota do Mar Negro pudesse ser baseada permanentemente na Crimeia. Putin também explicou que a "Crimeia forma parte do lado ucraniano e não podemos interferir nos assuntos internos de outro país". Em seguida, ele fez uma ressalva que apontava para o potencial de a Rússia se envolver, caso houvesse necessidade. "Ao mesmo tempo, porém, a Rússia não pode estar indiferente àquilo que acontece na Ucrânia e na Crimeia."

2008

1 de fevereiro: Avanço da Associação.

A UE e a Ucrânia começaram a negociar a Profunda e Abrangente Área de Livre Comércio, um precursor para a conclusão de um Acordo de Associação com a UE. Esse Acordo de Associação deixará Kiev muito perto da total aceitação como membro da União Europeia.

26 de maio: A UE Olha para o Leste.

Um programa de Parceria Oriental da UE é proposto pela Polônia com o apoio da Suécia, Alemanha e França. Essa Parceria, se implementada, trabalharia para criar uma zona de livre comércio com a Ucrânia e outros Estados pós-soviéticos. A Polônia e a Suécia reconhecem que esse programa ajudaria a distanciar a Ucrânia de Moscou e aprofundaria o relacionamento de Kiev com a comunidade europeia.

Verão: Resultados das Pesquisas.

Resultados de pesquisas de opinião na Rússia demonstram uma notável mudança na visão do público a respeito dos EUA. Em 2009, 69% daqueles que foram consultados tinham uma opinião "muito boa" ou "principalmente boa" dos EUA. Por volta de julho de 2008, isto tinha mudado significativamente, com 43% respondendo de uma forma positiva. Similarmente, 46% tinham uma visão negativa dos EUA em 2008, um crescimento de 23% de oito anos atrás. Além disso, após após o conflito russo-georgiano, que ocorreu na primeira semana de agosto de 2008, o Centro Levanda perguntou aos russos o que eles viam como a principal razão para a guerra de curta duração. 48% responderam que "Os líderes dos EUA querem estender sua influência até os países vizinhos da Rússia." Em setembro, outra pesquisa de opinão revelou que 52% dos russos concordavam que a Guerra Fria ainda estava em continuação. [7].

2009

18 de fevereiro: Guerra OTAN-Rússia.

Em um artigo para o Conselho do Atlântico, Andreas Umland sugeriu que as tensões entre a OTAN e a Rússia poderiam resultar em uma catástrofe. "Neste caso, o que está reservado para o mundo não é somente uma nova Guerra Fria, mas também a possibilidade de uma Guerra Quente e, talvez, até mesmo uma guerra nuclear. Esta avaliação parece ser apocalíptica, mas também antiga, se não anacrônica."

Como Umland, um especialista em história política da Rússia e da Ucrânia, explicou em seu artigo: "Este cenário tornou-se viável novamente, pois a opinião pública russa e o discurso da elite — até agosto de 2008, em grande parte ignorados no Ocidente — fizeram uma transição fundamental durante os últimos anos. Os anos 1990s começaram com a adoção entusiástica pela Rússia do sistema de valores ocidental e parcerias com o Ocidente, porém terminaram com o ceticismo e amargura dos russos com relação ao Ocidente. Isto foi como resultado da expansão da OTAN e do bombardeio da Iugoslávia, mas também e principalmente como resultado da peculiar interpretação de Moscou dessas ações." [8].

Umland acrescentou que a desconfiança russa estava profundamente incorporada no tecido social da nação, sendo visível nos programas de entrevistas na televisão e nos eventos acadêmicos. Parte disso, ele explicou, emergiu de uma visão conspiracional largamente aceita que as agências de Inteligência americanas — especialmente a CIA — tiveram suas mãos em todas as coisas que aconteceram, desde a Revolução Laranja na Ucrânia, até os ataques terroristas de 11/9/2001. Outra razão, ele disse, foi o resultado de inconsistências observáveis na política externa dos países ocidentais e na desconsideração do Ocidente pelas questões étnicas na Europa Oriental.

2011

Outubro-novembro: União Eurasiana.

O líder russo Putin propôs uma união aduaneira que incorporaria e integraria a região pós-soviética e que isto seria construído com base nos "melhores valores" do sistema soviético. O endosso político vem do Quirguistão, Tajiquistão e Casaquistão. Essa união regional tem suas raízes no bloco aduaneiro de 1995 que foi desenvolvido entre a Rússia, Belarus e Casaquistão (o Quirguistão e o Tajiquistão ingressaram em 1996 e 1997, respectivamente.).

2012

1 de agosto: Análise da Chatham House.

O Instituto Real das Relações Internacionais (também conhecido com Chatham House) examinou o crescente desenvolvimento da União Eurasiana, baseada na Rússia, temporariamente chamada de União Aduaneira Eurasiana. Um trabalho de pesquisa do Instituto, publicado em agosto, observou que com a formação desse nosso organismo, a União Europeia não seria mais a "única diversão disponível.na cidade". O Instituto também reconheceu que a nova união aumentaria a influência de governança da Rússia e apresentaria uma "rivalidade normativa" ao bloco europeu.

Nota: A Ucrânia recebeu a oferta de participação como membro da União Eurasiana, como uma alternativa à União Europeia.

2013

Agosto: A Ucrânia e a União Eurasiana.

A Ucrânia requereu formalmente a participação como uma observadora dentro da União Eurasiana.

Nota: A pressão interna aumenta dentro da comunidade política ucraniana entre o empurra-e-puxa: mover-se em direção à União Europeia ou seguir a rota apontada pela Rússia? A tensão transborda para a sociedade.

Setembro: Advertência da Rússia e Pressão da Europa.

Moscou adverte Kiev que se a Ucrânia seguir com sua associação à União Europeia, enfrentará condições econômicas catastróficas que poderão ameaçar a própria existência da nação. A edição de 22 de setembro do jornal britânico The Guardian observou a seguinte pressão da Europa: "Em um foro de discussões na cidade turística de Yalta, no Mar Negro, durante o fim de semana, os políticos europeus se reuniram para encorajarem o presidente da Ucrânia e a elite política a cimentarem a virada do país de Moscou e em direção a Bruxelas."

Novembro-dezembro: Passeatas e Protestos.

Enormes passeatas e manifestações ocorrem na Ucrânia devido à decisão do governo de não assinar o Acordo de Associação com a União Europeia, o que teria fortalecido o relacionamento entre Kiev e Bruxelas. A pressão russa contra esse acordo é citada e a UE deplora a influência de Moscou na decisão. A instabilidade aumenta em Kiev e na Crimeia.

2014

A tensão cresce e protestos ocorrem em toda a Ucrânia. A Rússia afirma-se na Crimeia e posiciona tropas ao longo da fronteira com a Ucrânia. O Ocidente ameaça com sanções econômicas... e o mundo aguarda e se pergunta qual será o fim de tudo isto.

Notas de Rodapé

1. Refat Chubarov, "Its a Common Knowledge that Every House Must Have a Firm Foundation", página oficial na Internet de Mejlis, http://qtmm.org/en/news/1003-its-a-common-knowledge-that-every-house-must-have-a-firm-foundation, 20 de janeiro de 2012.

2. Victor Zaborsky, Crimea and Black Sea Fleet in Russian-Ukrainain Relations, Center for Science and International Affairs, setembro de 1995.

3. Citado por Victor Zaborsky, "Crimea and Black Sea Fleet in Russian-Ukrainain Relations".

4. Paul J. D'Anieri, Economic Interdependence in Ukrainian-Russian Relations (State University of New York, 1999), pág. 142.

5. Veja Zaborsky, Crimea and Black Sea Fleet in Russian-Ukraine Relations.

6. Anders Aslund, Ukraine: How Ukraine Became a Market Economy and Democracy (Peter G. Peterson Institute for International Economics, 2009), pág. 101.

7. Veja o artigo de Andreas Umlandm de 19 de fevereiro de 2009, NATO-Russian War: A Scenario, em http://www.atlanticcouncil.org/blogs/new-atlanticist/natorussia-war-a-scenario.

8. Idem.



Fonte: Forcing Change, Volume 8, Edição 3.
Data da publicação: 21/4/2014
Transferido para a área pública em 20/10/2015
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-3-2014.asp