Os Festivais Transformacionais / A Crença nas Fadas

Forcing Change, Volume 9, Edição 3.

"Juntos. Nós Somos Um."

A linha acima aparece na chamada para um festival transformacional que ocorrerá em breve, um evento que destaca a "unidade" por meio da música, arte e comunidade. Como outros eventos similares, grandes e pequenos, o ajuntamento incentiva um senso de unidade: o homem, a natureza e o Divino são todos Um. Esta "realidade" é experimentada por meio da energia dos encontros de grupo — descobrimos nosso potencial e unidade juntos: na pista de dança e por meio da música, interagindo com arte e criatividade, aquietando a nós mesmos em torno dos espaços sagrados e por meio da dinâmica de nossas interações sociais. Nós nos sentimos conectados como um só.

Em fevereiro, tive a oportunidade de conversar rapidamente com uma participante desse festivais. Nós nos encontramos no aeroporto de Minneapolis durante o tempo de espera de um voo de conexão até San Diego; ela estava indo para o sul da Califórnia para se apresentar em um festival como uma artista de malabarismos, e eu estava viajando para a cidade de Escondido para uma palestra sobre o mesmo fenômeno cultural. Nós nos sentamos ao lado um do outro por apenas alguns minutos, mas foi o suficiente para autenticar minha pesquisa anterior sobre o assunto.

Fiz uma pergunta simples: "— Em todos os festivais transformacionais dos quais você já participou, o que une todos eles? O que é comum no movimento como um todo? A resposta dela foi rápida e reveladora: "— É algo espiritual; tudo é muito espiritual."

De fato é. Os festivais transformacionais e o crescimento de "cultura evolucionária" representam o "reencantamento" da civilização. É o retorno para o ideal antigo de unidade cósmica e continuidade, quando a humanidade, a natureza e Deus eram vistos como constituindo um todo. Isto é o reaparecimento do interesse em torno da crença central do paganismo: Tudo É Um. Estamos rapidamente nos movendo do Pós-Modernismo para uma nova era: o Reencantamento. [Nota: Fique atento para o lançamento de meu novo livro em breve; ele delineará o ideal pagão do reencantamento e suas consequências — maiores informações serão dadas oportunamente!]

Compreendendo a Abrangência

Em 2013, redigi um ensaio sobre os eventos transformacionais intitulado Celebrações para a Transformação: Os Festivais Alternativos de Arte, Cultura e Espiritualidade.

Tanto quanto eu pude identificar, aquela foi a primeira vez que uma exposição cristã abrangente enfocou os festivais. Outros autores já tinham lidado com o evento mais conhecido, Burning Man (O Homem Queimado, ou A Queima do Homem), mas ninguém na comunidade cristã tinha conectado os pontos ao fato que aquilo era parte de um fenômeno global maior. Entretanto, embora meu ensaio "Celebrações para a Transformação", tenha sido a primeira tentativa de compreender e revelar o movimento mais amplo, cometi algumas imprecisões nas informações. Não foi uma falta de compreensão da cultura; ao contrário, o erro estava na compreensão do assunto.

Por exemplo, mencionei naquele ensaio que aproximadamente 90 eventos tinham ocorrido em todo o mundo durante o ano anterior. Agora, sei que houve muito mais e que a cultura está muito mais disseminada do que eu tinha originalmente imaginado.

No segundo trimestre de 2014, comecei a apresentar palestras sobre o lado cultural da "unicidade" e o aumento no número de encontros evolucionários. Falei sobre o assunto em Fargo, depois em Colorado Springs, em Abbotsford, em Winnipeg (Canadá) e em Dallas. Inicialmente, reportei que de 120 a 150 eventos transformacionais ocorriam anualmente. Errado outra vez. Existem centenas e centenas em todo o mundo, possivelmente mais de mil, se incluirmos as exposições de Nova Era, integralidade e os festivais de yôga — encontros que se encaixam dentro da estrutura mais ampla da cultura evolucionária.

Poucos meses depois, ficou aparente que eu precisava catalogar os muitos eventos que apareciam em meus estudos: festivais transformacionais, eventos musicais que intencionalmente pregavam a unicidade, festivais das cores e de yôga e outros ajuntamentos que incorporavam elementos espirituais de Nova Era e de transformação social. Assim, comecei a marcar e rotular esses vários eventos usando o Google Earth como minha plataforma, incorporando com cada marcação uma descrição maior das atividades e outras informações úteis para compreender o ambiente específico. Frequentemente, múltiplos encontros ocorriam em um único local. Aqui estão alguns exemplos: em um cenário rural no noroeste do estado da Geórgia, três eventos anuais são realizados — O Festival da Chama, A Queima da Alquimia e Euforia. No nordeste de Maryland você encontra três desses eventos promovidos no mesmo local: Festival das Fadas de Maryland, Ajuntamento dos Espíritos Livres e o Festival de Verão PEX. Um local no sul de Indiana recebe a Celebração no Meio do Verão, o Festival Beltaine e Alt Spirit. Muitos outros exemplos poderiam ser dados. Por volta do Natal, eu tinha mais de 200 locais marcados nos EUA e no Canadá (outros eventos ocorrem em todo o mundo, mas eu somente consegui enfocar esses dois países) Muitos outros eventos no Canadá e nos EUA serão adicionados, pois ainda tenho uma lista extensa para classificar. Eventualmente, eu gostaria de lançar o projeto desse mapa para a comunidade cristã, pois é algo que serve para abrir os olhos a respeito da transição revolucionária que está ocorrendo atualmente. [Veja aqui a imagem da captura de tela para ter uma visão geral estática das minhas marcações.]

Entretanto, se a maior parte das informações acima sobre a cultura evolucionária é novidade para você — e está pensando: "— O que são esses festivais transformacionais?" — eu o incentivo a ler o ensaio intitulado "Celebrações para a Transformação". Leia também a Parte 2, pois acrescenta detalhes adicionais sobre o assunto.

Com tudo o que está acima como pano de fundo, esta edição de Forcing Change contém dois artigos sobre a evolução cultural, escritos por autoras convidadas. Ambos foram originalmente ensaios escritos por alunas de um curso que ministrei no fim do ano passado no Colégio Bíblico Millar — o primeiro apresenta uma visão geral sobre os festivais transformacionais e o segundo trata sobre a "fé nas fadas" como um componente do reencantamento.

Durante aquele curso de cinco dias de duração, tive a oportunidade de falar sobre o assunto das "Tendências Seculares", incluindo uma seção sobre cosmologia pagã e os festivais transformacionais. No fim do curso, minha classe de cerca de 40 alunos apresentou trabalhos de pesquisa sobre tópicos de livre escolha. Os dois ensaios seguintes, escritos por Kyla Wiebe e Christine Friesen, investigam aspectos diferentes da cultura transformacional e oferecem uma boa compreensão sobre a cosmovisão. Acredito que os dois ensaios são instrutivos sobre a transição espiritual que está ocorrendo.



Os Festivais Transformacionais

Autora: Christine Friesen

Os festivais transformacionais são um fenômeno global relativamente recente que tem suas raízes em uma filosofia de "unicidade" esotérica. Esses festivais estão ganhando popularidade e influência em todo o mundo, incluindo dentro da Igreja Emergente. Os temas nesses festivais incluem arte, música, dança extática, terapias, a ideia de mitos, rituais, espiritualidade sagrada e auto-realização que, aparentemente, resultam da combinação desses temas. É uma cultura crescente e é importante que a igreja esteja ciente das ideias e filosofias que estão por trás desse movimento.

Um festival transformacional é um evento emergente de contracultura que busca inspirar a transformação espiritual pessoal, criar uma ética de construção de comunidade e fornecer um sistema de valores que celebre a vida, a responsabilidade social, a expressão criativa e a vida saudável. Esta cultura, que evoluiu a partir da comunidade de música e dança eletrônica (EDM, de Electronic and Dance Music), tem somente algumas décadas de idade e se propagou além da comunidade EDM para incluir pessoas de todos os extratos sociais. [1]. Festivais notáveis incluem Lightning-in-a-Bottle (Califórnia, EUA), Boom (Portugal) e Burning Man (Nevada, EUA).

Estes festivais têm uma duração de vários dias e, geralmente, são realizados em ambientes a céu aberto, em locais remotos e naturais, como desertos, florestas, praias e montanhas. [2] De forma muito parecida com um típico festival musical, é um ambiente propício para festejar, fazer amizades e assistir às apresentações musicais. Em contraste, um festival transformacional é uma celebração multifacetada que integra uma variedade de componentes musicais, artísticos, educacionais e espirituais. [3]. Mais especificamente, o que distingue esses festivais de um típico festival musical é que eles incluem seminários, vários tipos de oficinas, incluindo terapias, cerimônias ou rituais, artes visuais e tridimensionais, espaços sagrados (ou templos) e conscientização ambiental extrema. [4]. Interessantemente, os participantes são cocriativos nos eventos transformacionais. [5].

Dois grandes e integrados componentes dos festivais transformacionais são a música e a dança. Embora não exclusivamente eletrônica, a maior parte da música nesses eventos é música e dança eletrônica. Jeet Kei-Leung, escritor, produtor e diretor de The Bloom Series, uma série de mídia em múltiplas partes que explora o mundo dos festivais transformacionais, diz no episódio 1: "A cultura emergente dos festivais transformacionais se desenvolve em torno do ritual essencial da música e da dança extática e incorpora artes e apresentações visionárias." [6].

Um dos principais objetivos desses festivais é encorajar e desenvolver a unidade entre os participantes e essa comunidade no estilo tribal realiza isto por meio do ritual da dança. Muitos participantes compartilham que há uma experiência "espiritual" que ocorre quando o grupo se envolve coletivamente nessa atividade, uma experiência que permite que eles sejam eles mesmos, como eles realmente são. Em essência, é uma ferramenta de auto-expressão que deixa os participantes da dança se sentindo emocionalmente abertos a um senso de liberação. [7]. Um participante explicou: "— Este é o poder da música eletrônica... além do aspecto de apenas dançar e se divertir... Você abre seu corpo, abre sua comunicação, abre sua alma, seu espírito, sua criatividade, e permite a si mesmo se sentir livre." [8].

Como mencionado anteriormente, um dos aspectos de distinção de um festival transformacional é o tema principal da cura, da profunda introspecção, autodescoberta e realização. O objetivo e filosofia coletivos desses festivais é que os participantes sejam impactados e transformados em seu interior positivamente, para se tornarem mais conscientes e conectados uns com os outros, com a Terra e com o plano espiritual.

A esperança dos produtores do festival é que os participantes saiam mais capacitados e inspirados para serem quem eles querem ser, viver o estilo de vida que quiserem, que levem essa experiência transformacional para casa e a compartilhem com outras pessoas. [9]. Essa auto-realização é algumas vezes alcançada por meio da cura. Jeet-Kei Leung explica:

"... Os festivais transformacionais estão desenvolvendo uma cultura que capacita os participantes a levarem um estilo de vida mais saudável e holístico... eles permitem que os participantes experimentem avanços espontâneos dos momentos pivôs, o que leva a uma profunda cura pessoal e liberação das tristezas e produz, fundamentalmente, uma alteração na vida." [10].

Existem diversos serviços terapeêuticos que são dedicados à transformação da saúde física e emocional dos participantes, bem como classes e oficinas — tudo, desde dinâmicas de relacionamento até aulas de yôga, terapias com massagens e quiropraxia até cura pelas energias está disponível. [11]. O episódio 3 de The Bloom enfoca os temas dos mitos, rituais, cerimônias e o sagrado dentro do contexto dos festivais.

Os mitos são abstratamente descritos como "uma conscientização do nosso papel em uma realidade e história multidimensionais e maiores." [12]. Leung descreve isto como "... a magia da nossa existência em relação às forças da criação". [13].

Os festivais transformacionais tentam restabelecer um senso de mitos dentro de seu ambiente e encorajam os participantes a criarem sua própria fantasia e realidade. [14]. Mais frequentemente, esse senso de mitos é encontrado por meio da criação de histórias artísticas. Dentro da dinâmica do festival, a arte de apresentação permite a participação da auto-expressão criativa, que está no centro desses ajuntamentos. [15] As histórias podem ser contadas por meio do uso de luzes, projeções, danças e apresentações aéreas. Assim, o ritual é descrito como as pessoas incorporarm a mitologia que emerge por meio da história experimentada do grupo, onde ele "... cria a condição para um momento em que todos podem se sentir como se fossem um." [16].

O sagrado pode se referir a qualquer coisa "espiritual". Ele pode incluir qualquer número de práticas "espirituais", incluindo orações, cantochão, cantos normais, construção de altares e oferecimento de sacrifícios aos deuses/deusas. [17] Uma grande parte dessa espiritualidade está centrada em torno da crença que eles são "... divinos, seres eternos que estão aqui para viverem a experiência humana..."

Filosofia

Os festivais transformacionais pregam e operam em uma cosmovisão de unidade.

O Dr. Peter Jones explica este conceito em seu livro "One or Two" (Uma ou Duas). É uma crença que "tudo é um" e, como Jones explica, a crença que tudo "compartilha a mesma natureza essencial", ou essência. Simplesmente, é uma crença que tudo tem uma parte do divino, incluindo a natureza e a humanidade. [19]. Essa cosmovisão caminha de mãos dadas com a espiritualidade esotérica, em que o indivíduo encontra a espiritualidade, ou o divino, dentro de si mesmo. Essa perspectiva está em oposição direta com a cosmovisão cristã — a crença que, enquanto toda a criação tenha a mesma essência, Deus, o Criador e Sustentador, é um ser completamente diferente. Essa cosmovisão corresponde, portanto, à espiritualidade exotérica, em que o indivíduo encontra a espiritualidade, ou o divino, fora de si mesmo, isto é em Deus. [20]. Estas duas perspectivas entram em conflito quanto às filosofias e ideologias básicas que estão por trás do propósito e objetivos dos festivais transformacionais. Um indivíduo busca "Deus" dentro de si mesmo e o outro reconhece Deus como um ser exaltado e fora da criação.

Como mencionado anteriormente, a filosofia dos festivais transformacionais está baseada na cosmovisão da unicidade esotérica. Em toda a série The Bloom Series, que destaca o crescimento nos ajuntamentos transformacionais, há a menção de "reencantamento". Há décadas, a cultura ocidental foi imersa nas ideologias pós-modernas que abandonaram o Cristianismo teísta e adotaram o Humanismo Secularizado. Assim, a cosmovisão pós-moderna considerou o racionalismo e a ciência como sua essência fundamental e verdade real, e a espiritualidade foi quase que totalmente perdida na sociedade secular. Entretanto, a cultura ocidental está no processo de se mover para além do Pós-Modernismo e para a ideologia secular do Neopaganismo. [21]. Ela agora se tornou uma era de espiritualidade — sem religião. Este é o "reencantamento" mencionado na série referida, disponível na Internet: o restabelecimento de um senso de espiritualidade dentro da cultura e da sociedade, quer ela esteja na forma do Humanismo Cósmico ou do Panteísmo. Não há um conjunto único de crenças para o paganismo moderno. Qualquer coisa é permissível, pois tudo se move para o "Um".

A ideologia da Nova Era e o paganismo moderno são dominantes na cultura dos festivais transformacionais. A ideia da unicidade é repetida frequentemente em toda a série The Bloom. Desde a construção de templos e espaços sagrados, até a adoção de práticas pagãs de erigir altares, [22] essas ideologia e filosofia crescem de forma desmedida. Em resumo, os festivais transformacionais operam na crença que a natureza, a humanidade, e o divino são um. Isto torna a humanidade divina, bem como a Terra, e eles são tratados como tais, produzindo um sistema de valores que conecta os participantes dos festivais com a "divindade", com os outros e com a natureza. [23].

Um participante disse: "— Estamos expressando gratidão ao sol, à lua e a tudo que influencia a fartura das coisas com as quais nos sustentamos." [24].

Maraya Kerena, uma antropóloga especializada em ciborgues e participante de festivais, disse: "— Estamos compreendendo a importância da nossa própria individualidade: o poder dela, a alegria e o êxtase. Acho que o tom que caracteriza a espiritualidade nos festivais transformacionais é 'viva seus sonhos, você é importante, você é deus'..." [25].

Apelo à Sociedade

Quase não é necessário dizer que os festivais transformacionais têm um apelo tremendo ao público. A música, a arte e o senso de comunidade são apenas alguns dos muitos aspectos que atraem as pessoas de todos os estilos de vida. Este aspecto musical é frequentemente a principal atração para os novatos, [26] pois alguns dos nomes mais importantes na música e dança eletrônicas aparecem na chamada para esses eventos. Junto com essas músicas e danças vêm a cultura das raves.

As raves são festas gigantescas, ou festivais de música e dança em que a música eletrônica é apresentada em concertos com efeitos visuais de luzes. Antigamente isto era parte de uma subcultura alternativa e fora dos padrões comumente aceitos, mas agora é muito popular, especialmente entre os adultos jovens. Um festival no estilo transformacional criado em torno das músicas e danças eletrônicas / raves é Tomorrowland, que inclui centenas de apresentações de música eletrônica todos os anos.

Outro aspecto atraente desses festivais é a arte. A arte pode ser de várias formas, incluindo arte visionária, arte de apresentações e arte interativa. No contexto dos festivais, a arte é uma forma óbvia de auto-expressão e tem o objetivo de evocar a conectividade, a introspecção e a inspiração. [27]. Aqueles que estiverem interessados em arte podem assistir diretamente aos talentos que surgem no ambiente do festival, incluindo pinturas vivas, criação de esculturas, novas propostas e formas de se vestir, apresentações de artistas circenses e malabaristas, etc.

O terceiro apelo para a maioria dos participantes e, talvez, o mais importante, é o senso de comunidade e o ambiente especial de aceitação. O desejo e necessidade de aceitação é universal entre os seres humanos e os festivais transformacionais permitem uma atmosfera extremamente tolerante e que aceita tudo. De acordo com os participantes dos festivais, "Este ambiente realmente amigável e confiável... permite que as pessoas liberem seus limites..." [28]. Portanto, o festival é considerado uma comunidade de harmonia e suporte, permitindo que as pessoas sejam elas mesmas e recebam aceitação, independente de quem elas sejam. Muitas pessoas vêm com talentos únicos e exclusivos para contribuírem para a experiência e podem livremente usar seus talentos dentro de um ambiente em que ninguém julga ninguém."

Jeet-Kei Leung diz o seguinte com relação ao senso de comunidade e a liberdade de experimentar com a auto-descoberta.

"Embora tenhamos vivido a maior parte da nossa história profundamente envolvidos em família e comunidade, nossas sociedades urbanas modernas são mais frequentemente tipificadas pela experiência da separação e alienação... os festivais transformacionais estão cumprindo a necessidade humana profunda de conexão, criando ambientes seguros para que possamos revelar a nós mesmos e descobrir uns aos outros." [30].

Os Festivais Transformacionais e a Igreja Emergente

Embora a maioria dos cristãos não esteja ciente dos festivais transformacionais, existem alguns que estão ativamente envolvidos neste tipo de atividade dentro de um ambiente de igreja.

Os cristãos progresistas e muito envolvidos no movimento Igreja Emergente frequentam, suportam e organizam festivais "cristãos" que são muito similares em natureza aos festivais transformacionais.

O Festival do Ganso Selvagem (Wild Goose Festival), realizado anualmente nos EUA é um exemplo. Na página na Internet, eles dizem: "Não há um credo que seja necessário, somente a disposição de se reunir respectivamente pelas linhas de diferença, para compartilhar a sabedoria e ouvir as histórias uns dos outros e se tornar mais do que a soma das nossas partes." [31].

O Festival do Ganso Selvagem é o lugar para "... trabalho de justiça social participativo, imaginativo e corajoso, expressão criativa, prática espiritual e música surpreendente." [32].

A página do festival na Internet incentiva enfaticamente todos a participarem, independente de sua origem étnica, identidade sexual, expressão de gênero, ou afiliação religiosa, entre outros. O página afirma que os organizadores estão comprometidos com o comércio justo, a troca de presentes, sanidade ecológica e inclusão econômica. Há uma menção a Deus na seção sobre o festival, porém nem uma citação a Jesus ou ao Evangelho. Um estudo mais profundo revela que o Festival do Ganso Selvagem recebe inspiração do festival transformacional mais conhecido, o Homem Queimado, que repetidamente enfatiza o cuidado pelo planeta Terra e inclui palestrantes que apoiam e praticam a homossexualidade. Esses temas são obviamente discrepâncias dentro de um festival supostamente "cristão". Portanto, o Festival do Ganso Selvagem é um festival que recebe inspiração e prega os mesmos valores que os festivais transformacionais seculares. Valores como o ambientalismo extremista, a auto-expressão por meio da arte e da dança e a extrema tolerância são todos de alta prioridade.

Uma das principais questões com o Festival do Ganso Selvagem é que não há simplesmente menção alguma ao Evangelho. O Cristianismo como uma fé está fundado no Evangelho de Jesus Cristo e, em Mateus 28:19-20, Jesus disse: "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." Entretanto, o ambientalismo e a importância da auto-expressão são recebendo prioridade sobre o Filho de Deus. Isto é simples e profundamente errado. Além disso, o Festival do Ganso Selvagem e outros festivais similares ignoram os ensinos bíblicos sobre o pecado da homossexualidade, aceitam e abraçam o pecado por medo de serem rotulados como "intolerantes". Sim, os cristãos são instruídos a amarem os outros, porém nunca devemos contemporizar o Evangelho nesse processo.

O autor cristão Gary Gilley disse o seguinte sobre a Igreja Emergente e a cultura que ela promove: "A Igreja Emergente é um movimento em busca de uma experiência, não da verdade." [33].

No caso dos festivais transformacionais e suas derivações cristãs, isto parece ser verdade.

Conclusão

Os festivais transformacionais são uma cultura em desenvolvimento e que está experimentando rápido crescimento. A partir de uma perspectiva bíblica, esse movimento global parece epitomizar aquilo que Paulo escreveu em Romanos 1:25: "Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém."

A ideologia espiritual que está ocorrendo hoje dentro dos festivais transformacionais não é nova, ela simplesmente foi modernizada. Todavia, com o conhecimento de seus valores centrais e da cosmovisão subjacente, os cristãos podem compreender melhor uma sociedade que está se movendo nessa direção e se conscientizarem das implicações para o Cristianismo, bem como para a cultura.

Bibliografia

Biaz, KT. The Bloom Series Sheds Light on Transformational Festivals. The Untz. Disponível em http://www.theuntz.com/news/the-bloom-series-sheds-light-on-transformational-festival-culture/ (acessado em 14-nov-2014).

Johnson, Gary L., and Ronald N. Gleason, ed., Reforming or Conforming? Wheaton, IL: Crossway Books, 2008.

Jones, Peter. One or Two: Seeing a World of Difference. Escondido, CA: Main Entry Editions, 2010.

Krasnow, Stephanie. Transformational Festivals. Reality Sandwich. Jun. 18, 2013. Disponível em http://realitysandwich.com/156783/tranformational_festivals/ (acessado em 14-nov-2014).

Leung, Jeet-Kei and Akira Chan. 2013. The Bloom Episode 1: Fundamental Frequencies. Produzido e dirigido po Jeet-Kei Leung. 39 min. Elevate Films.

Leung, Jeet-Kei and Akira Chan. 2013. The Bloom Episode 2: Practicing The New World. Produzido e dirigido por Jeet-Kei Leung. 52 min. Elevate Films.

Leung, Jeet-Kei and Akira Chan. 2013. The Bloom Episode 3: New Ways of The Sacred. Produzido e dirigido por Jeet-Kei Leung. 72 min. Elevate Films.

Perry, Elizabeth. Transformational Festivals: Where Ecstatic Spirit and Sonic Celebration Unite, Redefine Magazine. Disponível em http://www.redefinemag.com/2013/transformational-festivals-spiritual-preview-guide/5/ (acessado em 14-nov-2014).

Pitzl-Waters, Jason. Transformational Festival Culture, The Wild Hunt: A Modern Pagan Perspective. Disponível em http://www.patheos.com/blogs/wildhunt/2011/10/transformational-festival-culture.html (acessado em 16-nov-2014).

Notas Finais:

  1. Biaz (2013), documento on-line.
  2. Krasnow (2013), documento on-line.
  3. Perry (2013), documento on-line.
  4. Perry (2013), documento on-line.
  5. Krasnow (2013), documento on-line.
  6. Leung/Chan (2013).
  7. Biaz (2013), documento on-line.
  8. Leung/Chan (2013)
  9. Perry (2013), documento on-line.
  10. Leung/Chan (2013).
  11. Biaz (2013), documento on-line.
  12. Leung/Chan (2013).
  13. Leung/Chan (2013).
  14. Leung/Chan (2013).
  15. Biaz (2013), documento on-line.
  16. Leung/Chan (2013).
  17. Leung/Chan (2013).
  18. Leung/Chan (2013).
  19. Jones (2010), pág. 17.
  20. Jones (2010), pág. 87.
  21. Jones (2010), pág. 11.
  22. Pitzl-Waters (2011), documento on-line.
  23. Leung/Chan (2013), Episódio 1.
  24. Leung/Chan (2013), Episódio 3.
  25. Leung/Chan (2013), Episódio 3.
  26. Biaz (2013), documento on-line.
  27. Leung/Chan (2013), Episódio 1.
  28. Leung/Chan (2013), Episódio 1.
  29. Leung/Chan (2013), Episódio 2.
  30. Leung/Chan (2013), Episódio 1.
  31. Wild Goose Festival (2014), documento on-line.
  32. Wild Goose Festival (2014), documento on-line.
  33. Johnson/Gleason (2008), pág. 291.


A Crença nas Fadas

Autora: Kyla Wiebe

Na busca por significado e propósito no mundo, a humanidade recorre a muitas fontes.

Escolhi estudar a cultura das fadas. Essa escolha deriva de meu próprio interesse e fascínio pelas fadas durante minha infância. Cresci patrocinando a crença nas fadas, contemplando o mistério se todo o folclore sobre as fadas era real, ou não, e tendo esperanças que eram. Sou uma artista e os temas fantásticos das fadas sempre foram um aspecto presente em minhas expressões artísticas. Um dia, quando eu estava procurando livros sobre fadas, fiquei surpresa e chocada ao descobrir cartas do Tarô na seção sobre fadas.

Graças ao Senhor, em vez de explorar curiosamente o mundo das cartas e da magia do Tarô, minha reação foi pensar: "Bem, acho que não devo seguir adiante neste meu interesse pelas fadas" e nunca mais busquei maiores conhecimentos ou compreensões sobre a magia. Vejo isto como um livramento divino de um potencial controle demoníaco sobre minha vida e estou muito agradecida a Deus. Eu me interessei em estudar a literatura sobre fadas para este ensaio, não somente por que estou ansiosa para identificar a falsa cosmovisão que está por trás dela, mas por que acho genuinamente interessante, e sei que se eu não fosse uma discípula de Cristo, é praticamente certo que seria uma discípula de Brian Froud (um artista muito conhecido que se baseia no tema das fadas) e outros como ele.

As lendas sobre fadas têm suas origens em todas as culturas e existem desde os tempos antigos; estamos agora testemunhando uma ressurgência do interesse no assunto.

A variedade mais famosa das fadas vem dos países de herança cultural celta. Ela está construída em torno de um sistema de crenças totalmente pagão, com as fadas sendo originalmente adoradas ou altamente reverenciadas em todas as épocas. Elas são chamadas de "Povo Bom" e habitam em todo o ambiente natural. O reino delas é chamado de "Tir Na Nog", ou "Terra da Eterna Juventude", ou outros títulos similares.

As crenças sobre as fadas evoluíram ao longo dos anos, iniciando talvez com os antigos deuses e deusas dos povos tribais, ou as criaturas da mitologia grega. Na realidade, existe uma enorme variedade de histórias sobre a origem do folclore das fadas, mas essas histórias podem ser agrupadas em algumas poucas teorias. As origens das fadas podem ser colocadas nas seguintes categorias:

A Teoria dos Pigmeus diz: "Toda a crença nas fadas surgiu a partir de uma memória popular de uma raça real de pigmeus." [1].

A Teoria dos Pigmeus afirma que as fadas são realmente descendentes de uma tribo de antigos humanos pigmeus. Essa teoria é facilmente desmontada por vários argumentos, incluindo o fato que o folclore envolvendo as fadas está associado com anões e gigantes, o que confunde a Teoria dos Pigmeus (gigantes não podem ser pigmeus), e também, existem fadas onde os pigmeus nunca estiveram, de modo que os dois não podem estar conectados. [2].

Outras origens possíveis estão incluídas no seguinte: elas podem ser espíritos dos mortos, anjos caídos, demônios, ou divindades pagãs. Elas podem ser elementais: personificações dos diferentes elementos da natureza, tipicamente a terra, o fogo, a água, o ar e o espírito.

Outra opção é a Teoria Naturalista: "Nos tempos antigos e modernos a crença do homem em deuses, espíritos, ou fadas foi o resultado direto de suas tentativas de explicar ou racionalizar os fenômenos naturais" [3]. Segundo essa teoria, as fadas são causadoras das mudanças climáticas, da boa e da má sorte, etc. Entretanto, a Teoria Naturalista examina somente o meio ambiente e seus efeitos, e se esquece totalmente da ideia-raiz de uma fada em quem se pode atuar" [4]. Em outras palavras, a Teoria Naturalista observa somente o efeito, mas negligencia a causa.

Na Teoria dos Druidas, as histórias do folclore das fadas são explicadas como originadas nos antigos contos das antigas druidas, que eram lembradas como mulheres-fadas. "A memória coletiva dos druidas e de suas práticas mágicas é somente responsável pela Fé nas Fadas.' [5]. A ênfase nas mulheres druidas, porém, enfraquece esta teoria. As mulheres druidas nunca foram muito influentes ou importantes (especialmente quando se considera que a fé nas fadas se estende além da cultura celta), de modo que afirmar que essa vasta e complexa quantidade de histórias de folclore das fadas veio delas é risível.

Outra teoria — a Teoria Mitológica — "é de importância muito grande. Ela diz que as fadas são as figuras diminutas das antigas divindades pagãs dos povos celtas primitivos. Muitas autoridades modernas em mitologia e folclore celtas aceitam essa teoria." [6].

A última teoria plausível é a "Teoria Psicológica", que inclui ou absorve as quatro teorias (Naturalista, Pigmeus, Druidas e Mitológica) já avançadas para explicar a crença nas fadas." [7].

Mais importante do que as origens do folclore das fadas é que as pessoas pensam sobre elas hoje. A cultura das fadas está fortemente influenciada e conectada com a Teosofia (que um conhecimento de Deus pode ser alcançado por meio do êxtase espiritual, intuição direta ou relações individuais especiais), com o Budismo (afirma que não existe um Deus criador e dá um papel central para a doutrina do Carma), com o Movimento Verde (conscientização ambiental e ênfase em estar unido com a Terra), e com o Ocultismo (leitura das cartas do Tarô, usar as fadas para discernir as verdades espirituais, utilizar as energias, etc.), com o Paganismo (decididamente anticristão) e com a Cultura Tribal (comunidades nômades, Movimento Hippie). Aqueles que acreditam nas fadas afirmam que elas existem não somente com o nome "fadas", mas também com muitos outros nomes, embora sejam constitucionalmente a mesma coisa.

"... Os antigos chamavam seus habitantes de deuses, gênios, espíritos-guardiões e tons; o Cristianismo os conhece como anjos, santos, demônios, e almas dos mortos; para as tribos não civilizadas, eles são deuses, demônios e espíritos dos ancestrais; e os celtas pensam neles como deuses e como fadas de muitos tipos."

Isto, porém, não explica a atração. A verdadeira força de atração da fé nas fadas é a experiência de ver uma fada, de se comunicar com uma criatura subumana/transumana ou de outro mundo, ter uma experiência mística além da vida ordinária e regular e estar em unidade com toda a Terra. A proeminência da Natureza (letra "N" maiúscula intencional) no folclore das fadas é muito óbvia.

"Os aspectos naturais dos países celtas... impressionam o homem e despertam nele alguma parte não familiar dele mesmo — chamada de Eu Subconsciente, Eu Subliminar, Ego, ou o que você quiser — o que lhe dá um poder incomum para conhecer e sentir influências invisíveis ou psíquicas." [8].

Os seguidores das fadas amam a Natureza e têm aversão à vida nas cidades. Evens-Wents disse a respeito dos moradores nas cidades:

"Eles deixaram de ser naturais. Sempre que sob as condições modernas, grandes multidões de homens e mulheres são agrupados juntos, é certo que haverá uma atmosfera física pouco saudável que nunca é encontrada no campo — uma atmosfera que inevitavelmente tende a se desenvolver no homem mediano que não é fisicamente forte o suficiente para resistir a ela, reduz à custa de forças ou qualidades mais elevadas e, assim, inibe quaisquer tentativas normais do Eu Subliminar (uma entidade psicológica bem-reconhecida) de se manifestar na consciência." [9].

Portanto, os moradores das cidades, devido à ausência ou carência do "Natural", são também carentes de um "poder subconsciente natural", e caem tristemente sob o "poder hipnótico das influências da cidade". Na cidade, as pessoas desenvolvem obsessão pelos negócios, política e sociedade. Eles estão divorciados da Natureza e vivem em um mundo de incertezas e preocupações, ar contaminado pela poluição, e escuridão. O artificial substitui o natural, o tráfego substitui a solidão silenciosa, a 'Civilização' e a 'Cultura' substituem a Natureza.

É argumentado que as pessoas simples e rústicas do interior, por outro lado, têm uma intuição e facilidade de crer que os moradores das cidades não têm:

"Não somente eles têm a disposição de crer, mas têm o direito de crer, porque a crença deles não é uma questão de ter instrução e raciocinar logicamente, nem uma questão de fé e teologia — é um fato de suas próprias experiências individuais, como eles mesmos podem lhe dizer. Esses homens do campo videntes frequentemente argumentam comigo que 'Não é necessário ter instrução para conseguir ver as fadas.'" [10].

Fiona McLeod resumiu isto poeticamente: "Na Beleza do Mundo está a redenção final da nossa mortalidade. Quando nos tornarmos unidos com a natureza, em um sentido mais profundo até que as imagens poéticas da maioria de nós, compreenderemos aquilo que agora deixamos de discernir."

O escritor inglês Arthur Conan Doyle [retrato à direita], ao se referir às fotógrafas das Fadas de Cottingley — que, segundo se dizia, provaram a existência das fadas — falou com grande esperança. Ele cita E. L. Gardner, um descobridor de fadas e uma autoridade no ensino na Teosofia:

"Em grande parte, no meio de todo o interesse comercial dos tempos modernos, o fato da existência das fadas caiu gradualmente sob uma sombra e um charmoso e agradabilíssimo campo de estudos da natureza ficou encoberto por tempo demais. Neste século 20, há a promessa de o mundo sair para fora de suas sombras mais escuras. Talvez seja indicação que estamos já alcançando um ponto promissor, quando subitamente nos são apresentadas as fotografias reais dessas criaturinhas encantadoras — relegadas há muito tempo ao reino da fantasia e da imaginação." [11].

As pessoas veem as fadas como um elo para sua felicidade. Se alguém colocasse "a fé nas fadas" em passos concisos destinados a mover o indivíduo em direção à felicidade, ficaria assim:

Passo 1: Vá para a Natureza e una-se com ela. Você pode fazer isso participando de uma caminhada na natureza que tenha como base um tema espiritual, como "O Passeio Encantado", que existe na Flórida. À medida que você caminha na floresta, o guia lhe mostra os espíritos do jardim, o povo da árvore, os elementos do ar, água e terra. Você experimenta a alegria e a energia do reino das fadas durante a caminhada, sente os cheiros da floresta, ouve as vozes do mundo invisível e vê a beleza da natureza. O propósito é "despertar e se tornar um com seu mundo". [12].

Passo 2. Quanto mais tempo você passar na Natureza, maior a chance de encontrar uma fada, ou uma porta para o reino das fadas, Tir Na Nog. A chance de ir para a Terra da Eterna Juventude é atraente e, se você puder entrar, terá a chance de ser adotado pelo povo-fada."

"É bem-conhecido que as fadas, bem como os feens, ao mesmo tempo que possuem atributos inatos distintos, não são contrários a obter aderentes de outras raças, que assim se tornam feens e fadas por adoção" (itálico adicionado). [13].

Se você retornar de Tir Na Nog, emerge como uma pessoa "renascida", com compreensões de um mundo diferente e com verdadeira unicidade com a Terra. Esse processo de "nascer de novo" é, na verdade, reencarnação, que é o Passo 3.

"Na mitologia grega, como na irlandesa, o conceito de renascimento prova ser um fator dominante do mesmo sistema religioso em que os Campos Elísios (o local no fim da terra para o qual certos heróis favorecidos, após a morte, eram transportados pelos deuses) são da mesma forma um aspecto essencial.' (~Alfred Nutt) A morte, como muitos iniciados proclamaram em seus escritos místicos, é apenas uma ida a esse outro mundo a partir deste mundo, e o nascimento é um retorno; e Buda anunciou que era sua missão ensinar os homens o modo de se libertarem desse eterno Círculo de Existência." [14].

Outra coisa atraente na cultura das fadas é a comunidade. Em www.monstrous.com, na seção sobre religião, o autor conforta o leitor da seguinte maneira: "Se você se sente diferente da multidão, não se envergonhe. Existem outras pessoas como você: vampiros, teriantropos, bruxos, pessoas que veem fantasmas ou conversam com os mortos, pessoas que voam pelo céu à noite e que se transformam em animais." [15].

Indivíduos esquisitos de todos os tipos são bem-vindos para ingressarem nesta comunidade, ou tribo, de crenças. Existem muitas conferências e festivais [16] que são organizados para as pessoas irem, onde elas podem realmente experimentar o lado espiritual e conhecerem outras pessoas de mente similar. Nas conferências FaerieWorlds, existem muitas atividades de diversão, como concertos, eventos de representação de papéis ao vivo e oficinas [17], como "Misturando Arte e Espírito", "Floresta da Mente", "Ser Sobrenatural Neste Mundo", "Reencantando o Mundo", "Espírito da Bruxa", "O Encantamento do Desejo: Manifestando uma Vida Que Tenha Importância", e mais. Os festivais de fadas são atraentes para nossa cultura e incluem atividades divertidas, um senso de comunidade, amor pela Terra e um modo de se conectar com o espiritual.

Se um seguidor de fadas quiser se conectar com o povo-fada de um modo diferente, a magia pode ser utilizada. Na página de Brian Froud sobre fadas, um livro intitulado The Fairy Oracle (O Oráculo das Fadas) está à venda. "Você pode invocar silfos, pãs, gnomos — e, é claro, fadas — para ser conduzido a uma agradável jornada de aventura, descoberta e esclarecimento que iluminará o futuro e curará o coração e a alma. Você pode obter um baralho com 66 cartas radiantes... para pessoalmente se conectar e se comunicar com as fadas." [18].

Muito mais poderia ser escrito sobre o crescimento da fé nas fadas. O interesse da mídia também tem aumentado, demonstrando um crescimento cultural no assunto. Por exemplo, na edição de 17 de novembro de 2014 de The Plymouth Herald, houve uma história sobre um novo "censo das fadas" [19] em que as pessoas na Grã-Bretanha e na Irlanda podiam reportar terem visto fadas. Embora seja em grande parte um estudo antropológico para descobrir em que e por que as pessoas acreditam, isto mostra que há um interesse e um desejo pelo sobrenatural.

O que está por trás de toda esta caldeirada mística? Que cosmovisão está firmada por trás dos festivais e de todo esse folclore? O resposta é: Amor do Mundo, literalmente. Aqueles que abraçam a "fé nas fadas" têm um imenso respeito e amor pela Terra e desejam simplesmente estar em união com ela. Eles têm o desejo de encontrar a iluminação espiritual, de modo a ter o poder sobre suas próprias vidas. Além disso, eles querem a perfeita comunidade e unidade entre os seres humanos, de modo a se sentirem amados e conectados.

Para um mundo que busca a espiritualidade, essas coisas parecem boas e sábias. Todavia, a Bíblia diz: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre." [1 João 2:15-17].

O problema com a cultura das fadas que é ela adora a ordem criada, em vez de o Criador. Os seguidores das fadas veem a majestade da Natureza e a reverenciam por si mesma, em vez de verem e adorarem Aquele que está acima dela. "Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém." [Romanos 1:25].

Embora existam muitas facetas na cultura e folclore das fadas, a ideia que está por trás é muito simples: criatura em lugar do Criador. Essa ideia é quase tão velha quanto o próprio mundo.

Para a maioria dos cristãos, pode ser fácil pensar que a crença em fadas é uma tendência de contracultura que simplesmente diminuirá e desaparecerá com o tempo. Não se engane. À medida que a sociedade aceita o reencantamento, a ideia que está por trás das fadas ganhará maior ímpeto. De fato, o assunto já está mais em moda do que nunca antes.

Em 1911, Evens Wents, um escritor americano, famoso por seus estudos sobre as tradições espirituais do oriente, fez a seguinte declaração:

"Acreditamos que uma grande era está vindo em breve, quando todas as antigas mitologias serão cuidadosamente estudadas e interpretadas e quando a mitologia dos celtas será reputada em alta estima." [20].

É triste ver que a predição dele está se tornando verdadeira. Todavia, aqui está nosso triunfo:

"Adorai ao SENHOR na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra. Dizei entre os gentios que o SENHOR reina. O mundo também se firmará para que se não abale; julgará os povos com retidão. Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; brame o mar e a sua plenitude. Alegre-se o campo com tudo o que há nele; então se regozijarão todas as árvores do bosque, ante a face do SENHOR, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos com a sua verdade." [Salmos 96:9-13].

O Senhor é supremo sobre toda a criação e reina soberano sobre ela. Os esquemas do Maligno não poderão resistir, pois o Senhor é Senhor de tudo. Esta é nossa esperança: a Pessoa de Deus. Ele, em Seu santo e poderoso esplendor, já provou ser mais do que digno de reinar sobre nós e por Sua mão misericordiosa é que somos salvos.

Bibliografia:

Fontes On-line:

Notas Finais:

  1. Evens-Wentz, The Fairy-Faith in Celtic Countries (Oxford University Press, 1911), pág. 33.
  2. Evens-Wentz (1911), pág. 34.
  3. Evans-Wentz (1911), pág. 31.
  4. Evens-Wentz (1911), pág. 33.
  5. Evens-Wentz (1911), pág. 35.
  6. Evens-Wentz (1911), pág. 36.
  7. Evens-Wentz (1911), pág. 31.
  8. Evens-Wentz (1911), pág. 30.
  9. Evens-Wentz (1911), pág. 36.
  10. Evens-Wentz (1911), pág. 40.
  11. Conan-Doyle, The Coming of the Fairies (George H. Doran Company, 1921, 1922), pág. 171, 172.
  12. http://www.enchangedwakabouts.com/walkabouts
  13. MacRitchie, Testimony of Tradition (Woodfall and Kinder, 1890), pág. 83.
  14. Evens-Wentz (1911), págs. 605-606, n. 358.
  15. http://www.monstrous.com (17-nov-2014)
  16. Uma lista de encontros sobre fadas: http://www.thefairytree.net/
  17. Lista de oficinas: http://faerieworlds.com
  18. Froud (2011), http://worldoffroud.com/books/faeriesoracle.php
  19. The Herald, "Have you seen any fairies in Plymouth, new census asks?", 17-nov-2014, edição on-line, http://www.plymouthherald.co.uk
  20. Evens-Wentz (1911), pág. 41-42.


Fonte: Forcing Change, Volume 9, Edição 3.
Data da publicação: 12/6/2015
Transnferido para a área pública em 29/9/2016
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-3-2015.asp