A Cosmovisão Judaico-Cristã e a Economia

Forcing Change, Volume 8, Edição 6.

Já faz algum tempo que a Forcing Change dedicou uma edição inteira às questões econômicas. Hoje, quando o Oriente Médio está implodindo, os governos estão paralisados pelas disputas políticas e a moralidade da sociedade ocidental parece estar mudando irreversivelmente, o assunto da economia pode ser facilmente negligenciado — especialmente quando uma "recuperação econômica" é anunciada pelos altos escalões do governo. Entretanto, as realidades econômicas são um reflexo da cosmovisão geral de uma sociedade e os problemas estão em fase de fermentação: a dívida pública está aumentando, as dúvidas sobre a estabilidade do dólar americano se acumulam e vozes enérgicas estão propondo "intervenção do governo" e "distribuição da riqueza". Portanto, é importante considerar a situação econômica e como as diferentes cosmovisões moldam as ideias a respeito da propriedade privada, do dinheiro e do governo.

Nota: Os artigos nesta edição refletem a situação econômica estadunidense, porém as questões tratadas impactam todos os países ocidentais.



A Cosmovisão Judaico-Cristã e a Economia

Autor: Brad Hughes

Nota do Editor: Brad Hughes é um pesquisador sobre Cosmovisões e Economia no Centennianal Institute, no estado do Colorado. Ele tem uma ampla experiência no setor das telecomunicações e ocupou cargos de chefia em diversas organizações empresariais e não-lucrativas. Ele possui cinco graduações acadêmicas e está envolvido em estudos avançados sobre economia, apologética e cosmovisões.

Este ensaio "A Cosmovisão Judaico-Cristã e a Economia" examina criticamente a questão de qual sistema econômico reflete melhor a cosmovisão bíblica.

Você pode ler mais sobre o trabalho dele em http://www.ccu.edu/centennial/blog/post/author/bradhughes.

O Socialismo incorpora um desejo pelo poder com base na enganação dos homens. O capitalismo incorpora uma cobiça por riquezas com base no serviço aos homens. Esses dois sistemas opostos reservam promessas de bênçãos ou de maldições para a nação que os adota. É o imperativo da ética, mais do que o indicativo de moralidade (o que é praticado), que eleva o destino de um país. Um país não pode receber o bem se ele próprio não for bom.

Uma cosmovisão cristã com relação à economia é essencial para que este país consiga recuperar sua dilapidada liderança econômica no mundo. A cosmovisão cristã da economia tem como fundamento o fato que o homem nasce pecador (Efésios 2:3), não prospera pela injustiça (Efésios 4:28), deve trabalhar (2 Tessalonicenses 3:10), não deve depender de ninguém (1 Tessalonicenses 5:11-12), respeita a propriedade privada (Êxodo 30:15), que o endividamento cria a servidão (Provérbios 22:7), e que a justiça pode produzir a abundância (Provérbios 16:8).

A cosmovisão cristã também eleva o poder da liberdade. A Bíblia defende a liberdade de escolher (1 Coríntios 6:12), que Deus nos criou livres (João 8:36), que a liberdade requer moralidade (Salmos 119:45), que onde quer que Deus seja honrado sempre haverá liberdade (2 Coríntios 3:17), que a verdadeira liberdade está baseada no amor (Gálatas 5:13), que a liberdade requer discernimento (1 Coríntios 8:9), e que a verdade nos libertará (João 8:32).

Muitos cristãos notáveis foram ou ainda são simpáticos aos preceitos do Socialismo, incluindo Nelson Mandela, Reinhold Niebuhr, Jim Wallis, Tony Campolo, etc. Eles acreditam que a Bíblia prescreve o Socialismo no Novo Testamento, em Atos 2:44-45 e Atos 4:32-35, e que a justiça social (redistribuição da propriedade privada) é ordenada no Antigo Testamento (Levítico 19:13,18, Deuteronômio 10:18-19, 24:19-22, Salmos 82:3-4, Salmos 112:1,9 e Isaías 1:15-17).

Esta visão representa um erro muito grande em hermenêutica. É um erro, pois os exemplos apresentados no Novo Testamento (no livro de Atos) são caracterizados pela decisão e vontade individual de compartilhar a propriedade privada. A passagem mostra explicitamente que a propriedade compartilhada era de posse privada (totalmente ao contrário do modelo de Socialismo de propriedade do Estado) e que a redistribuição não é compulsória (também totalmente ao contrário do que acontece no Socialismo controlado pelo Estado). Finalmente, o inventário e a distribuição dos bens foram efetuados pelos apóstolos e diáconos (setor privado), não pelo Estado. Este é um exemplo da igreja presente no centro da ação.

Esta visão também falha com relação ao Antigo Testamento, pois uma exegese cuidadosa dos textos confirma o desejo de Deus de mostrar compaixão e misericórdia pelos pobres e oprimidos, mas não diz que o governo deva estabelecer uma ação corretiva pela via do confisco da propriedade para a redistribuição.

O Antigo Testamento deseja uma mudança dentro do coração do indivíduo para que ele mostre amor e preocupação pelo próximo. É risível sugerir que Deus sancione a força e a coerção para mostrar amor e misericórdia. Isto seria contrário ao Seu caráter e contrário à doutrina da graça. É uma hermenêutica deficiente sugerir que Deus ensina o Socialismo. A Bíblia ensina a caridade, um ato de vontade do coração, não a redistribuição, que é um ato compulsório executado pelo Estado.

O Socialismo está fundamentado no ateísmo; portanto ele não propõe a fundação de igrejas, mas somente o Estado. Além disso, o Socialismo não propõe a ação livre dos indivíduos, mas a força compulsória para obter seus desejos. O Socialismo é uma criação do homem e para o homem, para determinar quais benefícos um homem recebe de outro homem. Não há previsão para Deus em um Estado socialista. É claro que os teólogos liberais que citam as passagens bíblicas referidas anteriormente como suporte para o Socialismo não têm ideia sobre o que estão falando. Não há apoio bíblico algum para o Socialismo administrado pelo Estado. Aqueles que tentam torcer as Escrituras para apoiar o Socialismo não compreendem a verdade da Palavra de Deus e nem como este mundo opera. É uma enganação. Um texto tirado do seu contexto é um pretexto.

Similarmente, teólogos liberais, como Wallis e Compolo, citam a "justiça social" como suporte para o Socialismo. Eles frequentemente citam o relato bíblico do Ano do Jubileu como um exemplo. "O exame cuidadoso das regulamentações para o Ano do Jubileu refuta as afirmações que ele requeria alguma redistribuição ou equalização da riqueza. As regulamentações não cancelavam ou perdoavam as dívidas, mas asseguravam o pagamento do empréstimo e depois a devolução das garantias. Além disso, as regulamentações notavelmente nada diziam sobre a riqueza recém-criada. Se um fazendeiro produzisse muito mais por hectare do que outro, ou obtivesse riquezas por meio da fabricação ou do comércio, as regulamentações do Ano do Jubileu não requeriam a redistribuição dessa riqueza, ou qualquer equalização da produção, entre ele e seus vizinhos." [1].

Os advogados da justiça social tipicamente defendem o primado da igualdade de resultados sobre a igualdade de oportunidade, pois eles não aceitam a soberana distribuição de Deus, que abençoa alguns mais do que outros (Mateus 25:14-30 e Lucas 19:12-28). A justiça social é um conceito que foi cooptado pelos socialistas para distorcer o ensino bíblico, justificar a redistribuição da riqueza e servir aos interesses do Estado. "É importante compreender que toda a teoria moderna de justiça social é a racionalização dos interesses de um determinado grupo, ou de uma deteminada classe." [2].

Justiça social é um artifício usado pelos socialistas para persuadir os cristãos sem discernimento a apoiarem os objetivos socialistas. A justiça social requer a deliberada violação do oitavo e do décimo mandamentos. Obviamente, qualquer coisa que incentive a infração dos mandamentos não é de Deus.

O teste final da verdade é se ela corresponde à realidade. Sabemos que o Socialismo é uma mentira, por causa das promessas que faz e dos resultados que depois produz. O Socialismo não reflete a realidade da vida e nem a condição humana. O Socialismo (e os sistemas relacionados, como Comunismo, Fascismo, Intervencionismo, etc.) está fundamentado na anulação dos três últimos dos Dez Mandamentos: não furtarás, não dirás falso testemunho contra teu próximo e não cobiçarás. A quebra desses três mandamentos pode trazer benefícios de curto prazo, mas produz custos no longo prazo. Por outro lado, seguir um ou todos os mandamentos traz custos no curto prazo, porém benefícios no longo prazo.

O Socialismo tem suas raízes na Revolução Francesa, quando o secularismo moderno nasceu. As ideias do Socialismo avançaram substancialmente com a publicação do Manifesto Comunista, em 1848, por Karl Marx (gravura à direita) e Frederic Engels. Ele alcançou a glória total no século 20 com a Revolução Russa de 1917. O contágio propagou as ideias socialistas para a Europa Oriental, partes da África, América Latina, Cuba, Vietnã, Coreia do Norte e outros países. O veredito sobre o Socialismo foi dado em 9 de novembro de 1989 com a queda do Muro de Berlin. Pouco tempo depois (em 1991), a União Soviética entrou em colapso e se transformou em Comunidade de Estados Independentes. Hoje, a Federação Russa é um país que tem uma economia do tamanho aproximado da Itália. A economia russa é menor que a de sete outros países que seguiram o sistema capitalista. A China mudou de suas práticas econômicas socialistas para um capitalismo patrocinado pelo Estado e sua economia floresceu. Uma análise dos países classificados pelo PIB (Produto Interno Bruto) confirma claramente que o capitalismo produz crescimento, prosperidade, abundância e liderança, enquanto que o Socialismo produz estagnação econômica, pobreza, escassez, miséria e submissão. [3]. As únicas economias de desempenho pior do que as socialistas são as dos países que seguem o Islão. É claro que a cosmovisão de uma nação determina em grande parte seu destino.

Como o câncer, o Socialismo destrói uma nação a partir de dentro. Segundo o autor John Hawkins, o Socialismo destrói uma nação de cinco formas. [4]. Primeiro, ele mata o crescimento econômico. Os países que praticam o Socialismo invariavelmente terminam em uma situação desesperadora. Os exemplos atuais incluem a Grécia e a Espanha (e outros países europeus), onde o desemprego, a instabilidade e as falências pairam no horizonte se não houver intervenção do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia. O Banco Mundial é basicamente uma agência de desenvolvimento, enquanto que o FMI é uma instituição de cooperação que procura manter um sistema ordeiro de pagamentos e recebimentos entre as nações. Ambas as organizações estão sediadas em Washington DC e são substancialmente financiadas (como também é a ONU) pelo governo dos EUA. Os EUA são parcialmente responsáveis por manter o Socialismo em outras partes do mundo por meio da ajuda externa, subsídios e outras formas de financiamento de sistemas corruptos e fracassados. Isto é feito em um esforço de estabilizar o comportamento internacional e, ao mesmo tempo, expressar caridade aos outros países.

Segundo, o Socialismo sufoca a livre expressão. O presidente Ronald Reagan disse: "Como você identifica um comunista? Bem, um comunista é alguém que lê Marx e Lênin. E como você identifica um anticomunista? Um anticomunista é alguém que compreendeu Marx e Lenin." O Socialismo oprime a oposição, de modo a evitar o discurso. Frequentemente, ele usa o controle do Estado como uma estratégia e ataques contra a pessoa como tática.

Terceiro, ele leva a um governo cada vez mais tirânico. A história é clara que o Socialismo, sem exceção, sempre leva à perda da propriedade, à perda da liberdade e, no fim, à perda da esperança. Dado este histórico de devastação, causa perplexidade que cidadãos inteligentes de um país queiram deliberadamente adotar os mecanismos da prática socialista.

Quarto, ele cria conflitos e divisões. O Socialismo depende da cobiça, do roubo e das mentiras para alcançar seus propósitos. Esses objetivos somente podem ser alcançados com a cooperação de um povo pecador que tenha voltado suas costas para Deus. Dividir para conquistar é uma antiga estratégia militar. Todavia, "bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor." [Salmos 33:12].

Quinto, os socialistas acreditam que os fins justificam os meios. Curiosamente, os líderes dos países socialistas sempre prosperam, enquanto a população se torna cada vez mais empobrecida. O Socialismo promete um governo que traz igualdade à sociedade. Mas, a realidade é bem diferente. Como George Orwell observou em seu livro A Revolução dos Bichos, alguns membros de uma sociedade socialista sempre são mais iguais do que os outros.

A revista Forbes estimou que o presidente russo Vladimir Putin tem um patrimônio de aproximadamente US$ 75 bilhões, enquanto que o ex-presidente cubano Fidel Castro tem um patrimônio de cerca de US$ 900 milhões. (Cuba tem um PIB de aproximadamente 71 bilhões de dólares). Kim Jong-Un, o líder da Coreia do Norte, tem um patrimônio estimado de US$ 5 bilhões, enquanto que seu país tem um PIB de US$ 14 bilhões. [5]. É curioso que Muammar Kadafi, Hosni Mubarak, Yasser Arafat, e outros líderes islâmicos também são ou foram bilionários. [6]. Finalmente, a desigualdade de renda (conforme medida pelo coeficiente de Gini) mostra que, a despeito das afirmações em contrário, os EUA aumentaram em desigualdade de renda durante o governo Obama. [7].

As medidas de desigualdade de renda do mundo industrializado mostram que a Coreia do Sul (um país capitalista) tem a maior igualdade de renda, enquanto que a Itália (um governo parlamentar com fortes inclinações socialistas) tem significativa desigualdade de renda. [8]. Parece que ser um socialista ou um tirano rende ótimos dividendos, apesar do empobrecimento que provoca na nação.

Por outro lado, o capitalismo, é um sistema econômico em que a produção, distribuição e comercialização são de propriedade privada para produzir um lucro para aqueles que fizeram o investimento para apoiar aquele objetivo. O capitalismo acontece tendo como pano de fundo a liberdade, em que um mercado em grande parte livre opera, enquanto que o governo respeita a propriedade privada e o sistema jurídico protege os contratos. Os problemas aparecem devido às falhas éticas e morais dos proprietários (que podem cometer fraudes), ou do mercado (a prática do roubo), ou do governo (que pode limitar a liberdade e violar os direitos de propriedade). As falhas do capitalismo são falhas humanas. Entretanto, o capitalismo assegura o progresso (ao contrário do desespero provocado pelo Socialismo), porque assume uma cosmovisão judaico-cristã e a estrutura constitucional de uma República. O capitalismo funciona porque é a melhor expressão dos princípios de Deus comunicados na Bíblia sobre liberdade, propriedade privada e a dignidade do homem criado à Sua imagem e semelhança.

Deus abençoa os indivíduos e as nações de acordo com Sua vontade (Salmos 67). Ele não precisa prestar contas ao homem (Romanos 11:33) e é soberano (1 Crônicas 29:11-12). Entretanto, a mordomia cristã requer responsabilidade diante de Deus para as decisões e para o comportamento. A mordomia bíblica vê Deus como o possuidor de todas as coisas e o homem (individual e coletivamente) como seu mordomo. Quando o homem abandona a autoridade de Deus nessas questões, ele se arrisca ao perigo que Lord Acton declarou: "O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente." [9].

A visão cristã da economia celebra a noção da propriedade privada. A propriedade privada está implícita nos Oitavo e Décimo Mandamentos: Não furtarás e não cobiçarás. Karl Marx, o fundador do Socialismo moderno, disse que a abolição da propriedade privada era uma condição essencial para o Socialismo. Marx desejava que o Estado possuísse (e controlasse) a produção e distribuição de bens e serviços. Ele também desejava que a propriedade privada estivesse subordinada aos interesses do Estado. Até mesmo os peregrinos abandonaram suas experiências com o Socialismo porque "não queriam morrer de fome" [10].

A Bíblia e o Dinheiro

Howard Dayton nos diz em seu livro Your Money Counts, que "a Bíblia oferece 500 versos sobre oração, menos de 500 versos sobre a fé, porém mais de 2.350 versos sobre dinheiro e bens materiais." [pág. 8].

Parte da razão para isto vem do fato que "os bens materiais são um concorrente principal com Cristo pelo senhorio de nossas vidas" [pág. 11]. Com isto em mente, aqui estão algumas perspectivas sobre dinheiro e economia, conforme encontramos nas Escrituras:

  • Deus é o proprietário de todas as coisas (Salmos 24:1). Dayton nos faz lembrar que o contentamento cristão reside neste fato.

  • Deus provê nossas necessidades e devemos buscar Seu reino e Sua justiça. (veja Mateus 6:33).

  • Devemos ser fiéis com tudo o que temos, independente se é pouco ou muito, conforme exemplificado em Mateus 25:14-15 e devemos ser fiéis com os bens dos outros (Lucas 16:12).

  • Não se deixe dominar pelas dívidas (Provérbios 22:7, 1 Coríntios 7:23). Portanto, faça todo o possível para evitar o endividamento.

  • Devemos ser honestos em nossas transações (Provérbios 20:23).

  • Não devemos cobiçar coisa alguma que nosso próximo possua e também não podemos roubar (Êxodo 20:15,17).

  • Devemos dar aos outros e ajudar os pobres (Atos 20:35, Provérbios 28:27).

  • Devemos trabalhar e ter uma atitude apropriada — "E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis." [Colossenses 3:23-24].

  • Pague um salário justo aos seus empregados pelo trabalho que eles executam; não retenha o salário deles (Malaquias 3:5 e Deuteronômio 24:14-15].

  • Coloque sua confiança em Deus e não nas riquezas. (1 Timóteo 6:17).

A responsabilidade pessoal também está inextricavelmente presente na Doutrina da Soteriologia (Doutrina da Salvação). Deus considera as criaturas livres moralmente responsáveis por suas livres escolhas. A Bíblia é clara com relação à doutrina da liberdade e da responsabilidade (1 Timóteo 3:6, Judas 6-7, 1 Timóteo 2:14 e Romanos 3:19). Embora Deus chame os indivíduos para a salvação, existe um componente de responsabilidade pessoal, ou livre arbítrio, que é claro no ensino bíblico. Se a responsabilidade pessoal é essencial para a decisão mais importante da vida, não deve ser surpresa que a responsabilidade pessoal seja um elemento necessário em outras decisões da vida. Lucas 13:3 diz: "Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis." Tiago 4:17 ensina: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.". Efésios 2:10 diz: "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas."

Gálatas 6:5 diz: "Porque cada qual levará a sua própria carga.". 2 Coríntios 5:10 confirma: "Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal."

A Bíblia defende a propriedade privada e ensina a responsabilidade pessoal. Isto está em clara oposição ao ensino socialista que prescreve a propriedade estatal dos meios de produção e a responsabilidade coletiva.

Karl Marx, o principal fundador do Comunismo disse: "... de cada um segundo sua capacidade, para cada um segundo sua necessidade" [11]. Marx estava claramente em oposição ao ensino bíblico e apresentou o Estado como um árbitro das necessidades. A Bíblia é clara com relação à importância do indivíduo.

Tiago 4:2-3 ensina que devemos pedir a Deus, não aos homens, em caso de necessidade: "Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites."

O Socialismo é claro a respeito da importância do coletivo. A Bíblia é clara a respeito da importância do indivíduo no relacionamento com Deus. O Socialismo fundamenta-se no ateísmo como componente teológico da cosmovisão marxista-leninista. O capitalismo está fundamentado na teologia da cosmovisão judaico-cristã. O Socialismo e a Bíblia estão diametralmente opostos em seus ensinos.

Winston Churchill eloquentemente observou que: "O vício inerente no capitalismo é o compartilhamento desigual das bênçãos. A virtude inerente do socialismo é o compartilhamento equitativo das misérias." [12]. Thomas Jefferson repreendeu a noção de controle do governo: "Somos dirigidos por Washington quando semeamos e quando colhemos; em pouco tempo teremos falta de pão." [13]. Margaret Thatcher disse: "Tradicionalmente, os governos socialistas desorganizam as finanças de um país. Eles sempre gastam todo o dinheiro das pessoas. Esta é uma característica marcante deles." [14].

A situação atual da economia americana é precária. Uma das melhores medidas da saúde econômica de um país é a relação dívida/PIB, um indicador do relacionamento entre dívida e produção. Quando o presidente Obama foi empossado (em 20 de janeiro de 2009), a dívida americana era de US$ 10,6 trilhões. Em 21 de fevereiro de 2014, a dívida estava em US$ 17,39 trilhões. O aumento da dívida nacional foi de 64% em cinco anos, um aumento anual de 10,4%, comparado com um crescimento econômico anual de menos de 3%.

Quando Barack Obama foi eleito no primeiro mandato, a relação dívida/PIB era de menos de 70%. Hoje, a relação está em 101%. Isto inclui Medicare Part A em 36 trilhões, Medicare Part B em 37 trilhões, Medicare Part D em US$ 15 trilhões e Seguridade Social em US$ 17,5 trilhões para um passivo total sem financiamento de mais de US$ 105 trilhões. [17].

Os EUA caíram muito economicamente nos últimos anos. Isto sugere que sem medidas draconianas para cortar os direitos sociais (atualmente acima de 60% do PIB e crescendo), os EUA poderão enfrentar um cenário de bancarrota ou promessas não cumpridas. [16]. O conjunto atual de problemas econômicos (acompanhado por uma falta de disposição para lidar com eles) coloca o país em uma rota que se parece mais com a Grécia no futuro. A Grécia está atualmente em triagem econômica e é considerada um grande embaraço para a civilização ocidental. Como a Grécia, os EUA não poderão sair de suas atuais dificuldades econômicas sem uma concomitante reforma no sistema de direitos e benefícios sociais.

Os gastos do governo dos EUA, como uma porcentagem do PIB, alcançaram o valor mais alto de todos os tempos (excluindo a Segunda Guerra Mundial) durante o governo Obama. [17].

Isto aconteceu à medida que mais políticos prometeram mais benefícios para mais pessoas, que votaram uma maior abundância para si mesmos. Esta foi uma falha tanto dos líderes quanto dos eleitores. É algo insustentável e também uma falha moral de proporções épicas. No tempo de Cristo, o Império Romano impôs um tributo de 5% sobre a herança e um tributo de 1% sobre as vendas (em comparação com a alíquota média de 5,6% que os estados americanos cobram atualmente). [19]. O governo dos EUA tributa os imóveis em 35% para aqueles que possuem patrimônio imobiliário acima de US$ 5 milhões. [20]. Os EUA tributam as empresas em 35%, a alíquota mais alta na OCDE (Organização para Desenvolvimento e Cooperação Econômica). Subitamente, a opressão de Roma não parece tão má assim.

Qual é a cosmovisão bíblica da economia? Ela está baseada nos princípios judaico-cristãos de moralidade, responsabilidade individual, liberdade e a proteção da propriedade privada. O capitalismo é o sistema econômico melhor adequado para atender a esses princípios de uma cosmovisão bíblica. Aqueles que buscam soluções no governo, como o porto seguro preferido, podem colocar em risco suas próprias liberdades.

Karl Marx disse: "Há somente um modo de destruir o capitalismo — com impostos, impostos e mais impostos." [21]. Abraham Lincoln disse: "Não se pode ajudar os homens permanentemente fazendo por eles aquilo que eles poderiam e deveriam fazer por si mesmos." [22]. Thomas Jefferson disse: "Um governo grande o suficiente para fornecer tudo aquilo que você quer também é forte o suficiente para tomar tudo aquilo que você possui." [23].

A ética derivada dos absolutos morais é um suporte indispensável para uma economia sólida e uma sociedade justa.

O movimento da justiça social nasceu a partir da filosofia marxista e está fundamentado no relativismo moral, no ateísmo e na ética situacional. As táticas maquiavélicas (os fins justificam os meios) são a crença fundamental nos sistemas de justiça social. Isto está em flagrante contradição com os ensinos bíblicos sobre propriedade privada, responsabilidade pessoal e a responsabilidade do indivíduo diante de um Deus soberano. Uma cosmovisão cristã é essencial para produzir o crescimento e as oportunidades em uma sociedade. A história do século 20 corrobora claramente este fato.

Os modelos coletivistas de governo e de economia no século 20 terminaram em abjeto fracasso, ao mesmo tempo que impuseram miséria e desespero sobre a população. O sistema coletivista depende da provocação de inveja e divisão entre grupos que colocam sua fé na visão utópica do homem. Ele nunca funcionou e nunca funcionará. Entretanto, cada geração precisa lutar por esta compreensão por sua própria conta, se quiser manter os princípios bíblicos e preservar suas liberdades.

Os inimigos de Deus e deste país têm um plano. Jim Garrison, presidente da Fundação Mikhail Gorbachev disse: "Nos próximos 20 ou 30 anos teremos um governo mundial. É inevitável. Haverá conflito, coerção e consenso. Isto é parte daquilo que será necessário para criarmos a primeira civilização global." [24].

Joseph Stalin disse: "Os EUA são como um corpo sadio e sua resistência é tripla: seu patriotismo, sua moralidade e sua vida espiritual. Se pudermos solapar essas três áreas, a América entrará em colapso a partir de dentro."

Quando a inflação se acelerar, a taxa de juros sobre a dívida pública federal explodirá. O que acontecerá se os EUA se tornarem tecnicamente insolventes devido à inflação e à impossibilidade de honrar o serviço de sua dívida?" [25].

  1. As contas de poupança poderão ser reduzidas substancialmente.
  2. Os impostos serão elevados até as alturas.
  3. O perigo pessoal dentro da sociedade aumentará
  4. Os pagamentos feitos pelo governo diminuirão drasticamente, ou serão interrompidos.
  5. As pessoas terão uma grande redução em seu padrão de vida, com pobreza generalizada.
  6. O mercado de ações cairá severamente e os mercados de crédito dominarão.
  7. Muitas instituições financeiras poderão quebrar.
  8. A maior parte dos financiamentos do governo vai diminuir ou desaparecer.
  9. Muitas empresas fecharão ou demitirão funcionários.
  10. As falhas na infra-estrutura proliferarão (telefonia, água, energia elétrica, etc.)
  11. Prováveis agitações sociais.
  12. Uma ditadura ou a Lei Marcial poderá ser imposta.

O que deve o indivíduo fazer em resposta à natureza precária da economia dos EUA e o papel cada vez maior do Estado? Devemos reconhecer que existem períodos de festa/fome e que economizar é essencial para sobreviver nos tempos difíceis (Gênesis 41:34-36), e que a dívida cria servidão (Provérbios 22:7), que ignorar os sinais dos tempos pode trazer desastres (Provérbios 22:3), confiar no Senhor (Provérbios 3:5-6), discernir o que está para acontecer (Lucas 12:54-57) e compreender os tempos em que vivemos (1 Crônicas 12:32).

A ética e o envolvimento são importantes. Somos chamados para resgatar a cultura (Atos 15:1-31), Colossenses 3:17 e Gênesis 1:28) e para sermos o sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16). O sal requer contato para preservar. A luz precisa confrontar as trevas de modo a iluminar. É crítico que a população procure líderes tementes a Deus e rejeite as promessas dos demagogos e estatistas. Nâo existe esperança para um país que pune o sucesso, força a redistribuição da riqueza e perpetua o nivelamento por baixo. É a igualdade de oportunidades que promove a mobilidade social e neutraliza a desigualdade de renda.

Finalmente, o cristão não deve correr para o Estado (para os homens) em busca de socorro, mas deve buscar a Deus (Jeremias 17:5). Portanto, é prudente se preparar para as dificuldades caso este país não reverta sua rota atual. Certamente, é aconselhável manter um nível de vida que permita economizar um pouco, restringir a tomada de empréstimos, desenvolver o hábito da poupança, adotar a moralidade da responsabilidade individual nos tempos de incerteza, tomar decisões com base na teoria da preferência (o conceito econômico relacionado com o adiamento da gratificação) e envolver-se na cultura para assegurar que tenhamos práticas econômicas justas e líderes honestos.

Deus não discrimina as nações com base em suas riquezas e poder. Entretanto, Atos 10:34-35 nos diz: "E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo.". O sucesso futuro deste país não está garantido. Provérbios 1:20-33 nos adverte que aqueles que rejeitam a sabedoria ceifarão a calamidade, enquanto que aqueles que ouvem à sabedoria viverão em segurança, sem temor ou dano. É claro que o melhor sistema econômico para assegurar que possamos sobreviver aos vindouros desafios econômicos da dívida do governo, da baixa necessidade de utilização da mão de obra e um crescimento lento da economia, é um sistema que esteja em submissão a Deus e que adote os princípios judaico-cristãos.

Os EUA retornarão à sua herança judaico-cristã no suporte à economia cristã? Sem arrependimento, não é razoável esperar bênçãos. A responsabilidade pessoal é de fundamental importância na proteção da propriedade privada e das liberdades. Uma devoção ao Socialismo (e à cosmovisão do Humanismo Secularizado), está criando os Estados Divididos da América. Somente a construção do livre mercado da iniciativa privada e de uma cosmovisão judaico-cristã preservarão os Estados Unidos da América. O sistema que escolhermos como indivíduos irá em grande parte determinar nosso destino como nação.

Notas Finais:

1. Social Justice: How Good Intentions Undermine Justice and Gospel, E. Calvin Beisner, pág. 6.

2. A Falácia da Justiça Social, Carl Teichrib, setembro de 2010.

3. http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(nominal)

4. http://townhall.com/columnists/johnhawkins/2014/02/25/5-ways-socialism-destroys-societies-n1800086/page/full.

5. http://www.celebritynetworth.com/richest-politicians/presidents/kim-jong-un-net-worth.

6. http://voices.yahoo.com/gaddafi-money-libyas-dictator-billionaire-too-7953044.html?cat=3.

7. http://en.wikipedia.org/wiki/Gini_coefficient.

8. http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_income_equality#Gini_coefficient.2C_before_taxes_and_transfers.

9. http://www.brainyquote.com/quotes/quotes/l/lordacton109401.html.

10. http://www.freerepublic.com/focus/f-news/1285981/posts.

11. http://en.wikipedia.org/wiki/From_each_according_to_his_ability,_to_each_according_to_his_need.

12. http://en.wikiquote.org/wiki/Capitalism.

13. Idem.

14. http://en.wikiquote.org/wiki/Talk:Margaret_Thatcher.

15. http://ezinearticles.com/?What-is-the-Total-Unfunded-Liability-of-the-US-Government?&id=3531013.

16. http://www.usgovernmentspending.com/united_states_total_spending_pie_chart.

17. http://www.usgovernmentspending.com/us_20th_century_chart.html.

18. Charles Adams, The Good and Evil, First Madison Books, Lanham, MD, 2001, pág. 101.

19. http://www.usa-sales-use-tax-e-commerce.com/table_sales_rates.asp.

20. http://en.wikipedia.org/wiki/Estate_tax_in_the_United_States.

21. James Cook, The Free Market and its Enemies; a Book of Quotes, IRI, Minneapolis, pág. 108.

22. Idem, pág. 100.

23. http://www.federalbudget.com/biggov.html.

24. Jim Garrison, presidente da Fundação Gorbachev nos EUA, "One World Under Gorby", San Francisco Weekly, 31 de maio de 1995.

25. http://thelawdictionary.org/article/what-would-happen-if-the-united-states-went-bankrupt/.


Iniciando a Vida Adulta com Dívidas

A dívida estudantil cresceu consideravelmente nos últimos anos, e não apenas nos EUA, mas também em outros países. Entretanto, nos EUA um novo referencial foi alcançado por aqueles que estão se formando em 2014 — eles se tornaram os mais endividados de todos os tempos.

Na edição de 16 de maio de 2014 do Wall Street Journal, foi observado que "o estudante universitário mediano que está se formando em 2014 e com financiamento estudantil tem a pagar aproximadamente US$ 33 mil..." Lembre-se, este é o valor médio. Phil Izzo, o autor da reportagem do Wall Street Journal, coloca isto em perspectiva histórica: "Mesmo após fazer o ajuste para compensar a inflação, isto é quase o dobro da dívida que os estudantes tinham a pagar 20 anos atrás."

"Enquanto isto", Izzo escreve, "uma parcela maior de estudantes está contraindo dívidas para financiar a educação superior. Cerca de 70% dos alunos que estão concluindo seus cursos neste ano estão deixando as universidades com financiamento estudantil a pagar; em 1994 eram menos da metade." Entretanto, outro fator econômico precisa ser considerado ao examinar a dívida com o financiamento estudantil: os salários dos recém-formados. As duas linhas — dívida e salários — não estão em sincronia.

Como diz Provérbios 22:7: "O rico domina sobre os pobres e o que toma emprestado é servo do que empresta."


Sinais Que a Crise Econômica Global Está se Acelerando

Autor: Michael Snyder

Nota do Editor: Michael Snyder é um autor cristão que analisa os indicadores e tendências econômicas. Este artigo dele apresenta um "chamado para o despertar", para colocarmos nossas vidas financeiras em ordem e também colocarmos nossa confiança em Deus, não no homem. Você pode ler mais sobre o trabalho dele em http://theeconomiccollapseblog.com.

Muitas pessoas com quem converso nestes dias querem saber "quando as coisas vão começar a acontecer". Bem, certamente alguns tempos trabalhosos estão no horizonte, mas tudo o que você precisa fazer é abrir seus olhos e ver a crise econômica global que está se desdobrando. Como você verá a seguir, os banqueiros centrais estão fazendo advertências assustadoras sobre "novas bolhas perigosas dos ativos" e até o Banco Mundial já declarou que "agora é hora de se preparar para a próxima crise".

A maioria das pessoas tende a se preocupar somente com o que está acontecendo em seu próprio país, mas a verdade é que sérios problemas econômicos estão em erupção na América do Sul, em toda a Europa e nas locomotivas asiáticas, como China e Japão. Além disso, os conflitos infindáveis no Oriente Médio poderão se transformar em uma grande guerra regional. Vivemos em um mundo que está se tornando cada vez mais instável e precisamos compreender que o período de relativa estabilidade em que vivemos é extremamente vulnerável e não durará por muito tempo.

Os seguintes são 18 sinais que a crise econômica global está se acelerando agora que entramos no segundo semestre de 2014:

1. O Banco das Compensações Internacionais publicou um novo relatório em que adverte que "perigosas novas bolhas de ativos" estão se formando e que poderão potencialmente levar a outra grande crise financeira. Os banqueiros centrais sabem de algo que nós não sabemos, ou estão apenas tentando colocar a culpa nos outros por toda a gigantesca bagunça que eles mesmos criaram?

2. A Argentina deixou de honrar um pagamento de US$ 539 milhões de sua dívida e está na iminência de sua segunda grande moratória em 13 anos.

3. A Bulgária está tentando desesperadamente acalmar uma corrida aos bancos, que ameaça crescer em espiral e sair fora do controle.

4. No mês passado, os financiamentos habitacionais na zona do euro declinaram no ritmo mais rápido já registrado. Por que os bancos europeus estão segurando seu dinheiro de forma tão rígida agora?

5. Na França, o número de trabalhadores desempregados e que estão em busca de um novo emprego subiu muito e alcançou um novo recorde.

6. As economias em toda a Europa estão estagnadas, ou encolhendo. Apenas confira o que um recente artigo da revista Forbes teve a dizer sobre o assunto:

"A economia da Itália encolheu 0,1% nos três primeiros meses de 2014, combinando com a média dos três trimestres anteriores. Após se expandir em 0,6% no segundo trimestre de 2013, a França registrou crescimento zero. Portugal encolheu 0,7%, após números positivos nos nove meses precedentes. Embora os números não estejam disponíveis para a Grécia e Irlanda no primeiro trimestre, nenhum dos dois países está mostrando progresso. O PIB grego caiu 2,5% nos três meses finais do ano passado e a Irlanda cresceu somente 0,2%."

7. Alguns dias atrás, foi reportado que os preços ao consumidor no Japão estão subindo no ritmo mais alto em 32 anos.

8. Os gastos das famílias no Japão caíram 8% em comparação com um ano atrás.

9. As empresas dos EUA estão afundando em débitos maciços, mas a bolha de dívida corporativa na China é tão má que a dívida corporativa na China na verdade ultrapassou a dívida corporativa nos Estados Unidos.

10. Um auditor chinês advertiu que até 80 bilhões de dólares em empréstimos foram lastreados por transações em ouro falsificado. O que isto fará com o preço do ouro e com a estabilidade dos mercados financeiros chineses quando toda essa fraude for destrinchada?

11. A taxa de desemprego na Grécia está atualmente em 26%, mas entre a população jovem, a taxa chega a 56%.

12. Na Grécia, 67% dos desempregados estão sem emprego há mais de um ano.

13. A taxa de desemprego na zona do euro como um todo é 11,8% — apenas um pouquinho menor que o recorde histórico de 12%.

14. O Banco Central Europeu está tão desesperado para obter o dinheiro que circula pelo sistema que na verdade introduziu taxas de juros negativas.

15. O FMI está projetando que há uma probabilidade de 25% para a zona do euro cair na deflação até o fim do próximo ano.

16. O Banco Mundial está advertindo que "agora é tempo de se preparar" para a próxima crise.

17. O conflito econômico entre os EUA e a Rússia continua a se aprofundar. Isto levou a Rússia a tomar uma série de medidas, afastando-se do dólar e indo em direção a outras moedas importantes. Isto terá sérias ramificações para o sistema financeiro global à medida que o tempo passar.

18. A economia dos EUA também está enfrentando dificuldades. Ela encolheu a uma taxa anual de 2,9% no primeiro trimestre de 2014, o que foi muito pior do que o previsto por todos os analistas.

Mas, se os números econômicos dos EUA forem um pouco melhores no segundo trimestre, isto não significará que o país está livre do perigo. Como já enfatizamos diversas vezes em outros artigos, as tendências de longo prazo e os números nos balanços de longo prazo são muito mais importantes do que os números econômicos no curto prazo. Por exemplo, se você for a um centro de compras hoje e gastar mil dólares em doces e jogos de computador, a "atividade econômica" de curto prazo terá uma elevação súbita acentuada. Mas, sua saúde financeira de longo prazo dará uma virada significativa para pior.

Quando falamos sobre a saúde da economia dos EUA, ou de todo o sistema financeiro global, precisamos manter o mesmo tipo de consideração em mente. Com relação aos EUA, se o nível da atividade econômica, alimentada por dívidas, sobe ou desce um pouquinho no curto prazo, não é o que realmente importa. Ao contrário, o fato de a sociedade estadunidense ter quase 60 trilhões de dólares em dívidas é o que realmente importa.

A mesma coisa se aplica para o mundo como um todo. Neste exato momento, os cidadãos do planeta estão com mais de 223 trilhões de dólares em dívidas e, em todo o mundo, os bancos "grandes demais para quebrar", têm pelo menos 700 trilhões de dólares de exposição aos derivativos.

Portanto, realmente não importa muito se os números econômicos de curto prazo sobem ou caem um pouquinho mais. O sistema todo é inerentemente um esquema fraudulento de Pirâmide de Ponzi que inevitavelmente entrará em colapso sob seu próprio peso.

Vamos esperar que o atual período de relativa estabilidade dure um pouco mais. É uma coisa boa ter tempo para se preparar. Mas, somente um louco pensaria que a maior bolha de dívida na história do mundo nunca irá estourar algum dia.



Fonte: Forcing Change, Volume 8, Edição 6.
Data da publicação: 6/8/2014
Transferido para a área pública em 14/4/2016
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-6-2014.asp