Investigando a Maçonaria — Parte 1: A Questão da Religião

Forcing Change, Volume 6, Edição 9.

"Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus. E quem proclamará como eu, e anunciará isto, e o porá em ordem perante mim, desde que ordenei um povo eterno? E anuncie-lhes as coisas vindouras, e as que ainda hão de vir. Não vos assombreis, nem temais; porventura desde então não vo-lo fiz ouvir, e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Porventura há outro Deus fora de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça." [Isaías 44:6-8].

"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." [João 14:6].

[Jesus falando] "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro."

"E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as." [Efésios 5:11].

A água estava um pouco agitada, os colchões de ar estavam vazando e os barcos trafegavam alheios aos dois objetos que se moviam sobre as ondas. Mas, nosso destino já estava próximo. Bastava remar por mais 150 metros para chegarmos à ilha misteriosa.

Na noite anterior um grupo de jovens da igreja — eu incluído — tinha ido de canoa até o lado ocidental de uma ilha no Lago Metigoshe, um Parque Estadual e lago de recreação que liga o estado americano do Dakota do Norte à província canadense de Manitoba. Ali, no lado mais afastado da ilha, havia uma vista estranha: dois pilares azuis, uma série 3, 5 e 7 degraus, uma estrela de enfeite na chegada, outros símbolos gravados nas escadas e uma trilha que desaparecia na mata.

Atracando nossas canoas, seguimos por essa trilha até o interior, onde uma clareira revelava um altar, bancos de pedra e cimento e um símbolo proeminente: o esquadro e o compasso com a letra "G" no meio. Após fazermos um reconhecimento em volta por alguns minutos, partimos, perplexos com aquilo que tínhamos visto.

No início da tarde do dia seguinte, como todas as canoas estavam sendo utilizadas, eu e um amigo arrastamos um par de colchões de ar vazios de nossas barracas, vestimos os calções de banho, enchemos os colchões e nos aventuramos sob o sol quente do verão. Depois de 400 metros, estávamos caminhando pela restinga até a mata na praia, percorremos com dificuldade um trecho sob as árvores baixas e passamos a melhor parte da tarde explorando aquele local peculiar. Em seguida, retornando para nossos colchões agora murchos, nós os reenchemos e remamos de volta até o acampamento.

Após o jantar, com minhas costas já vermelhas como um pimentão, tive a chance de pegar uma carona com um guarda do parque em seu barco de patrulha. Ele tinha atracado o barco perto do local das nossas barracas, de modo que alguns de nós decidimos caminhar até ele para conversar um pouco. O resultado foi uma oportunidade de sentir a brisa fresca no início da noite, enquanto o guarda ia de um barco a outro, inspecionando os coletes salva-vidas e as licenças de pesca.

Apontando para a ilha misteriosa, agora já um pouco distante, perguntei ao guarda: "— Qual é a história daquele lugar?"

"— O nome dela é Ilha Maçônica. Ela era um local de encontro para os maçons."

Sem interromper suas tarefas, o guarda disse que os maçons eram pessoas importantes. Muitos presidentes americanos tinham sido maçons, bem como muitos líderes empresariais e oficiais de polícia proeminentes. "— Se você quiser avançar nos negócios ou na política, então precisa entrar na Loja Maçônica quando atingir a maioridade."

Eu tinha 16 anos naquele tempo, porém a experiência me impactou. Aquele foi meu primeiro encontro com a Arte.

Anos depois, encontrei a Loja de um modo mais pessoal, quando certos maçons da minha cidade me pressionaram para ingressar. Naquele tempo eu trabalhava em um programa comunitário de assistência à saúde, cuja junta de diretores era constituída por maçons e membros da Estrela do Oriente, um órgão auxiliar, formado por homens e mulheres com vínculos familiares com a Ordem Maçônica. Inicialmente, respondi ao convite deles com desinteresse, pois já estava muito ocupado e não queria assumir mais um compromisso. Mas, os convites continuaram, de modo que comecei a fazer perguntas sobre a organização.

O que foi que descobri? Nada. As respostas que recebi eram tão vagas que não permitiam compreensão alguma.

"— Não somos religiosos nem políticos. Tornamos os homens bons melhores." Perdoem minha impertinência, mas melhores para quê? Finalmente, durante um encontro em um jantar especial, um maçom fez uma declaração tão bizarra e preocupante que tive de procurar obter algum conhecimento maior sobre a Arte sem precisar entrar na Loja Maçônica. Esta é uma história para ser contada em outra oportunidade, mas é suficiente dizer que procurei obter uma descrição dos rituais, dos livros históricos e dos textos filosóficos. Com o tempo, esse estudo me levou para caminhos que eu nunca tinha considerado anteriormente: misticismo, esoterismo, ocultismo, universalismo, internacionalismo e uma série de movimentos e perspectivas transformacionais. Além disso, fiquei sabendo que a maioria dos maçons raramente lê a literatura histórica e filosófica da Maçonaria.

Muitos anos mais tarde, retornei à Ilha Maçônica em uma viajem de motocicleta com minha mulher e um amigo. Alugamos uma canoa e tiramos algumas fotografias, examinamos os símbolos na escadaria e partimos com uma perspectiva que não tive na minha primeira visita. O local de encontro ainda estava sendo cuidado e acredito que esteja em uso até hoje.

No caminho de volta para casa paramos no Jardim Internacional da Paz, um belo parque em homenagem à maior fronteira internacional desguarnecida: o Canadá e os EUA. Construído na linha entre Manitoba e o Dakota do Norte, e somente alguns poucos quilômetros do Lago Metigoshe, esse lugar é um lembrete da amizade entre os dois países. Decidimos esticar um pouco as pernas.

Caminhando um pouco além dos jardins e da Torre da Paz, chegamos à Capela da Paz. Ela o único edifício que se estende pela fronteira internacional nos Jardins, uma ponte simbólica da boa vontade entre os dois vizinhos, e foi construída e dedicada pelo Grande Capítulo Geral da Ordem da Estrela do Oriente.

Esta capela, construída em terreno público, tem um formato que chama a atenção. Ricas janelas de cor âmbar importadas de St. Gobain, na França, formam a reluzente fachada, um telhado de concreto suportado por colunas simples, e uma pequena fonte cilíndrica dentro em uma piscina. Tudo isto cria uma atmosfera propícia para a meditação.

Mas, foi o espaço interno que chamou minha atenção. Aqui, vidraças no teto e nas paredes direcionam a luz do sol para sessenta citações gravadas nas paredes revestidas por ardósia; várias passagens bíblicas com mensagens de paz, palavras de Buda e Mahatma Gandhi, São Francisco de Assis, do Vaticano II e do Livro de Orações da Adoração Judaica, além de algumas linhas em sânscrito e de Confúcio. Existiam também outras inscrições nas paredes: citações de Abraham Lincoln, Ralph Waldo Emerson, os ex-Secretários-Gerais das Nações Unidas U Thant e Dag Hammarskjold, o membro da Sociedade Fabiana George Bernard Shaw, Lester B. Pearson (o primeiro-ministro canadense que criou a Força de Paz da ONU), e John F. Kennedy. Uma citação em particular chamou minha atenção:

"Não existem religiões que sejam falsas. Todas são verdadeiras de seu próprio modo; todas respondem, mesmo que de formas diferentes, a determinadas condições da existência humana." [Emile Durkheim; 1].

Que Segredos?

Há muito tempo que a Maçonaria é chamada de "sociedade secreta". Mas, isto não é totalmente correto.

Em sua definição mais rigorosa, uma "sociedade secreta" é uma organização ou associação que permanece virtualmente desconhecida para todos os que estão fora do grupo. Isto não acontece com a Loja Maçônica. A existência e os locais de seus edifícios são de conhecimento público. Além disso, os "segredos" internos de reconhecimento da Arte — seus apertos de mão, sinais e símbolos — há muito tempo que estão circulando fora da Loja. O mesmo é verdade a respeito dos textos ritualísticos, das constituições e monitores, dos manuais e auxílios à memorização, comentários, enciclopédias, livros de história, os escritos de seus eruditos e filósofos, e suas obras de jurisprudência.

Em 1914, Joseph Fort Newton, um eminente historiador maçônico, escreveu o seguinte:

"Existe uma noção comum que a Maçonaria é uma sociedade secreta; essa ideia está baseada nos ritos secretos usados em suas iniciações, e nos sinais e apertos de mãos pelos quais seus membros se reconhecem. Com o tempo, as pessoas assumiram que os principais objetivos da Ordem são uma política secreta ou ensino secreto, enquanto que seu grande segredo é que ela não tem segredo. Seus princípios são publicados em seus escritos; seus propósitos e leis são conhecidos, bem como os horários e locais de suas reuniões." [2].

O Guia e Compêndio do Maçom (Freemasons’ Guide and Compendium), de Bernard E. Jones, diz basicamente a mesma coisa. [3], como também Foster Bailey, que foi um conferencista maçônico e Secretário-Nacional da Sociedade Teosófica:

"Existe pouca coisa que não seja conhecida hoje sobre a obra maçônica, ou que não possa ser descoberta por qualquer um que diligentemente procure descobrir." [4].

Entretanto, os autores Newton e Jones indicaram que há algo mais em jogo. Em uma nota de rodapé, Newton sugere uma realidade mais profunda:

"... o segredo real da Maçonaria permanece oculto para muitos." [5]. Mais tarde, ele explicou o segredo como uma posição altamente espiritual. Jones também tocou no assunto, comentando que o segredo real era mais religioso em sua natureza. [6].

Além disso, o livro The Spirit of Masonry (O Espírito da Maçonaria), de Bailey, foi dedicado a esse propósito avançado da Maçonaria — uma busca espiritual que abrange toda a história da humanidade. Outros eruditos e filósofos também salientaram o aspecto místico e espiritual da Arte.

Aqui está um ponto onde a Irmandade se contradiz e há um choque de opiniões. O que há no núcleo da Maçonaria? Ela é essencialmente religiosa e espiritual em sua natureza, ou é algo completamente diferente?

É preciso observar logo de início que a Maçonaria não tem um "texto escriturístico" com autoridade para trazer clarificação ou direção, como uma religião tem. Usando a religião como comparação, o Cristianismo tem o Velho e o Novo Testamentos, o Judaísmo tem a Torá e o Talmude, o Islã tem o Alcorão, a Fé Bahá'í tem os escritos de Baha'u'llah, o Hinduísmo baseia-se nos Vedas, etc. Mas, a Maçonaria não possui uma "escritura" que sirva como autoridade.

Novamente, usando a "religião" como uma base de comparação, de onde o maçom recebe seu conhecimento do significado da Arte se nenhuma autoridade mais elevada serve de base para a Loja? A resposta é simples e direta: das constituições e monitores da Grande Loja, dos escritos dos famosos historiadores e filósofos maçônicos, e de seus próprios rituais e experiências em cada grau. Desse modo, os maçons afirmam, legitimamente, que cada homem interpreta a Arte do seu próprio modo — independente das considerações ou conotações religiosas e espirituais.

Mas, aqui está o problema: As afirmações sobre a Maçonaria são muitas e diversas a partir de dentro da própria Fraternidade.

(1) A Maçonaria é religiosa! Não, ela não é religiosa de forma alguma, somente um modo moral e ético de viver. (2) A Maçonaria é uma instituição "cristã"! Não, ela é o repositório das antigas religiões de mistério. (3) A Arte é esotérica em sua natureza! Impossível! Não existe um grupo selecionado na Ordem que retenha conhecimento espiritual especial. (4) Os rituais da Maçonaria estão fundamentados em práticas ocultistas. Não, os rituais são encenações simbólicas, com lições para a vida. (5) A participação como membro da Loja pode abrir as portas para o ingresso em sociedades ocultistas avançadas. Não, isto é bobagem e sinal de paranoia. (6) A Maçonaria tem como objetivo trazer esclarecimento espiritual progressivo primeiro para seus membros e depois para a sociedade. Incorreto, ela é uma Ordem benevolente e filantrópica que realiza boas obras e torna os "homens bons melhores". (7) O individualismo é substituído pela identidade de grupo e uma síntese universal. De forma alguma, a própria Maçonaria exemplifica a diversidade nos graus, nas Grandes Lojas, nas ramificações e nos órgãos concordantes.

Como então saber?

1. É a Arte somente uma sociedade benéfica e benigna de boas obras, auto-aperfeiçoamento e ética social?

2. Ou, ela é uma extensão das religiões de mistério e das escolas de ocultismo, tendo dentro de si uma semente espiritual mais profunda?

Ao ler a literatura e discutindo a Loja com os maçons que conheci, encontrei ambas as linhas de pensamento. É interessante que o argumento a partir da primeira posição eventualmente segue uma linha de raciocínio que é mais ou menos assim: "— Você não pode afirmar que a Maçonaria é [coloque um rótulo aqui] porque cada pessoa a interpreta de uma forma diferente.". Ou "— Você não pode explicar os símbolos da Arte deste modo, porque cada indivíduo os vê de um ponto de vista diferente."

Em muitos sentidos, isto deixa o observador da Maçonaria desnorteado. Como então você pode saber o que é a Arte, se após ouvir os lados opostos que existem dentro da Fraternidade, descobre que tudo é subjetivo?

Isto leva a uma observação que fiz ao discutir esse problema da identidade religiosa-espiritual com os maçons. Os maçons locais e a voz pública da Loja, sejam pela literatura abertamente distribuída ou em anúncios públicos, inevitavelmente proclamam a primeira posição — que a Maçonaria é uma sociedade benevolente sem entonações religiosas e sem significado espiritual mais profundo.

Por outro lado, a segunda posição é mais frequentemente admitida pelos homens que já alcançaram uma posição significativa dentro da instituição, como um Soberano Grande Comandante do Supremo Conselho, a literatura de historiadores e filósofos maçônicos proeminentes — frequentemente escritos com uma audiência interna em mente, aqueles que formataram os rituais e os maçons que estão pessoalmente vinculados a uma ordem esotérica exterior.

Portanto, ao retornar para o assunto da natureza subjetiva de interpretação, que ela depende das observações e experiências individuais, então tudo bem, posso aceitar esta regra. Portanto, decido interpretar a Arte por meio do segundo grupo, e não com os maçons locais, cujas experiências foram canalizadas por uma estrutura mais estreita.

Escrevendo sobre esse debate interno sobre a natureza religiosa da Maçonaria, Arthur Edward Waite — um líder maçônico, místico cristão, filósofo esotérico e ocultista — parece surpreso que este ainda seja um ponto de disputa:

"... a Religião da Maçonaria não é somente uma questão não resolvida, mas uma questão cuja determinação oferece graves dificuldades... Um curso muito comum é afirmar que a verdadeira Maçonaria não é uma religião, nem consiste de aspectos religiosos ou que suponham experiências religiosas. Um ponto de vista mais confuso dificilmente poderia ser imaginado. Sendo assim, por que ela insiste nesta raiz de disputa, a fé no Grande Arquiteto do Universo? Por que requer uma adesão intelectual à noção da ressurreição para uma vida futura — seja lá como a ressurreição seja compreendida?"

"Por que seus Ritos e Graus e todos os sistemas na realidade são simplesmente exibições de oração e aspiração? Pode o Terceiro Grau da Arte, distante da religião, ensinar um homem como morrer — como afirma fazer? O que a lição da Palestra Mística no SANTO ARCO REAL, por suas próprias afirmações, fixa na mente de seus membros com relação ao GRAU DO ARCO REAL?"

"A resposta é (a) que ela inspira seus membros com as mais exaltadas ideias de Divindade e (b) leva à prática da mais pura e mais devota piedade. O que é isto se não religião? E o que é reverência ao incompreensível Jeová? É menos uma questão-raiz de religião do que a busca pela Palavra Perdida no Grau ROSA-CRUZ, palavra essa que é Cristo...?"

"... separada da religião, a Maçonaria não tem título para existência, pois seu muito elogiado 'sistema de moralidade' é uma porta que leva à religião, ou uma porta que leva a parte alguma." [7].

Manly P. Hall, reconhecido como um dos mais importantes pensadores maçônicos do século passado, explicou da seguinte forma:

"Na verdade, existem grupos entre os irmãos que gostariam a todo custo de divorciar a Maçonaria tanto da filosofia quanto da religião. Entretanto, se pesquisarmos os escritos de maçons eminentes, descobrimos uma unanimidade de ponto de vista, isto é, que a Maçonaria é uma organização religiosa e filosófica." [8].

Assim, quais são as visões religiosas e espirituais que precisam ser consideradas ao contemplarmos esse lado do debate maçônico?

Lembre-se que os autores Newton e Jones indicaram que essas aspirações religiosas e espirituais possuem um segredo mais profundo. Portanto, o melhor modo de compreender esses componente espiritual/religioso é ler as explicações deles, tiradas de seus escritos, que sempre foram voltados — primeiro e principalmente — para estudo pelos membros da Loja.

Aqui estão exemplos de vários autores e personalidades maçônicos estimados e influentes. Entretanto, antes de ler a próxima seção, lembre-se da seguinte advertência bíblica:

"Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério." [2 Timóteo 4:2-5].

Religião e Universalismo

Henry C. Clausen [fotografia ao lado], Commentaries on Morals and Dogma (Conselho Supremo do Grau 33, REAA, Jurisdição Sulista, EUA, 1974).

"... O Deus Supremo é conhecido por muitos nomes, por muitos povos diferentes. Os sumérios, os egípcios, os medos e persas, os cabalistas hebreus, os druidas, os nórdicos, os brâmanes, os muçulmanos, os budistas e os índios norte-americanos, todos criam em Deus como um Governante Supremo e Criador do Universo. Essa crença, mantida pelas guildas mais antigas de maçons operativos quase seis mil anos atrás, é a mesma crença mantida hoje pela Maçonaria moderna." [pág. 161].

Melvin M. Johnson, Universality of Freemasonry (The Masonic Service Association, 1957):

"A Maçonaria não é cristã, também não é maometana nem judaica, nem pode ser classificada pelo nome de qualquer outra seita. O poder que a mantém unida, a química que causou seu crescimento, a doutrina central que a torna singular, é a oportunidade que oferece aos homens de todas as fé, de alegremente se ajoelharem juntos diante do mesmo altar, cada um em adoração ao Deus que reverencia, sob o nome universal de Grande Arquiteto do Universo." [Prefácio].

[Com relação ao universalismo religioso] "Assim, e assim somente, podemos fornecer ao mundo em geral uma base comum sobre a qual toda a humanidade civilizada poderá se unir." [pág. 10].

Joseph Fort Newton, The Builders: A Story and Study of Masonry (The Torch Press, 1914/1916):

"É verdade que a Maçonaria não é uma religião, mas é Religião, uma adoração em que todos os homens bons podem se unir, para que cada um possa compartilhar a fé de todos." [pág. 250-1].

Albert G. Mackey, A Text Book of Masonic Jurisprudence (Redding and Company, 1859):

"A Maçonaria requer somente a crença no Supremo Arquiteto do Universo... Os maçons devem apenas ser daquela religião com a qual todos os homens concordam, deixando suas opiniões particulares para si mesmos... o cristão, o judeu, o maometano e o hindu podem se unir em torno do nosso altar comum, e a Maçonaria se torna, na prática e na teoria, universal. A verdade é que a Maçonaria é inquestionavelmente uma instituição religiosa — sua religião é aquele tipo universal com o qual todos os homens concordam e que, passada ao longo das eras sucessivas, desde aquele antigo sacerdócio que foi o primeiro a ensiná-la, adotou os grandes princípios da existência de Deus e da imortalidade da alma." [pág. 95-96].

Albert E. Roberts, The Craft and Its Symbols: Opening the Door to Masonic Symbolism (Macoy Publishing and Masonic Supply Company, 1974):

"A Maçonaria chama Deus de 'Grande Arquiteto do Universo'. Este é o nome especial dos maçons para Deus, pois Deus é universal. Ele pertence a todos os homens, independente de suas persuasões religiosas. Todos os homens sábios reconhecem Sua autoridade. Em suas devoções privadas, um maçom orará a Jeová, a Maomé, a Alá, a Jesus, ou à Deidade de sua escolha. Entretanto, na Loja Maçônica, o maçom encontrará o nome de sua Deidade dentro do Grande Arquiteto do Universo." [pág. 6].

Albert Pike, Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry (Conselho Supremo da Jurisdição Sulista, REAA, EUA, 1871/1944):

"A Bíblia Sagrada, o Esquadro e o Compasso, não são apenas denominados de Grandes Luzes da Maçonaria, mas também são tecnicamente chamados de Mobília da Loja... A Bíblia é uma parte indispensável da mobília de uma Loja Cristã, somente porque é o livro sagrado da religião cristã. O Pentateuco Hebraico em uma Loja Hebraica, e o Alcorão em uma Loja Maometana, pertencem ao Altar, e um desses, mais o Esquadro e o Compasso, corretamente compreendidos, são as Grandes Luzes pelas quais um maçom precisa caminhar e trabalhar." [pág. 11].

"A Maçonaria é a religião universal, eterna e imutável, como Deus a plantou no coração da humanidade universal. Nenhum credo que já tenha uma vida longa foi construído sem possuir esse fundamento." [pág. 219].

"Em torno do altar da Maçonaria, o cristão, o hebreu, o muçulmano, o brâmane, os seguidores de Confúcio e de Zoroastro, podem se reunir como irmãos e unirem-se em oração ao Deus que está acima de todos..." [pág. 226].

"A Maçonaria reverencia a todos os grandes reformadores. Ela vê em Moisés, o Legislador dos judeus, em Confúcio e Zoroastro, em Jesus de Nazaré, e no Iconoclasta árabe, Grandes Instrutores de Moralidade, e Eminentes Reformadores, se não mais; e permite que todo irmão da Ordem atribua a cada um desses um caráter mais elevado e até Divino, conforme seu Credo e Verdade requeiram. Assim, a Maçonaria não rejeita verdade alguma e não ensina a descrença em credo algum, exceto se esse credo reduzir sua elevada consideração da Deidade..." [pág. 525].

Manly P. Hall [fotografia ao lado], em As Chaves Perdidas da Maçonaria:

"O verdadeiro maçom não está limitado por credos. Ele entende com a iluminação divina de sua loja que, como um maçom, sua religião precisa ser universal. Cristo, Buda, ou Maomé, o nome pouco significa, pois ele reconhece a luz e não o portador. Ele adora em todo santuário, inclina-se diante de todo altar, seja em templo, mesquita ou catedral, compreendendo com seu verdadeiro entendimento a unidade de toda a verdade espiritual... todas as religiões são apenas uma história contada de diferentes maneiras por pessoas cujos ideais diferem, mas cujo propósito maior está em harmonia com os ideais maçônicos... Nenhum verdadeiro maçom pode ter a mente estreita, pois sua Loja é a expressão divina de toda a amplidão." [pág. 65 no original; tradução nossa].

Foster Bailey, The Spirit of Freemasonry (Lucis Trust, 1957/1996):

"Não é possível a partir da contemplação desse lado do ensino maçônico que isso possa fornecer tudo que é necessário para a formulação de uma religião universal? Possa isto não ser verdade, como tem sido dito, que se todas as religiões e Escrituras fossem destruídas e somente a Maçonaria restasse no mundo, poderíamos ainda recuperar o grande plano de salvação? Com toda a prudência, todos os verdadeiros maçons deveriam considerar a questão..."

"O estudo dessa posição revelará para qualquer maçom prudente que para a Maçonaria alcançar esse ideal, é impossível para ele ser contrário a qualquer homem ou a qualquer religião. Ele será a favor de todos os verdadeiros buscadores da luz, independente de suas etnias ou credos." [pág. 109].

Aplicações Espirituais (Não Cristãs)

Albert E. Roberts, The Craft and Its Symbols: Opening the Door to Masonic Symbolism (Macoy Publishing and Masonic Supply Company, 1974):

[Com relação ao Grau Aprendiz] "Você entrou em um novo mundo. Simbólica e espiritualmente, você renasceu. Isto começou no momento em que você foi preparado para se tornar um maçom." [pág. 3].

W. L. Wilmshurst, The Meaning of Masonry (Gramercy Books, 1980):

"A Cerimônia do nosso primeiro grau, é um rápido e abrangente retrato da entrada de todos os homens primeiro na vida física, e segundo na vida espiritual; da mesma forma como estendemos cumprimentos quando uma criança é trazida ao mundo, assim também recebemos como aclamação o candidato à Maçonaria que, simbolicamente, está buscando seu renascimento espiritual..." [pág. 35].

Henry C. Clausen, Emergence of the Mystical (REAA da Maçonaria, 1981):

"... a ciência e a religião serão fundidas em um expoente unificado de um poder espiritual que se sobreporá... O tema em essência é que as revelações do misticismo oriental e as descobertas da ciência moderna suportam as crenças e ensinos maçônicos e do Rito Escocês." [pág. xi].

"A ciência e a filosofia, especialmente quando ligadas por meio do misticismo, têm ainda de conquistar a ignorância e a superstição. Entretanto, a vitória parece estar no horizonte. Laboratório e biblioteca, ciência e filosofia... técnicos e teólogos extraordinários estão agora se unindo como advogados da qualidade singular do homem, de sua alma imortal e em contínua expansão." [pág. 92].

Manly P. Hall, As Chaves Perdidas da Maçonaria:

"Todavia, se os assim chamados segredos da Maçonaria fossem proclamados do alto dos telhados para todos ouvirem, a Fraternidade estaria absolutamente segura, pois certas qualidades espirituais são necessárias para que os verdadeiros segredos maçônicos possam ser compreendidos pelos próprios irmãos." [pág. 69 no original; tradução nossa].

Foster Bailey, The Spirit of Freemasonry (Lucis Trust, 1957/1996):

"Mais tarde, quando a natureza do ritmo a ser estabelecido por meio dos rituais for compreendido e os maçons forem treinados para trabalhar ao longo das linhas do pensamento unido, ação unida e ideias e objetivos unidos, a Loja então trabalhará como um grupo para a humanidade como um todo. Os maçons criarão um ponto focal para a luz espiritual e se organizarão como aqueles que conscientemente têm a custódia dos mistérios, agindo como uma agência de distribuição do conhecimento e para o despertamento do espírito imortal..."

"Quando esse aspecto do trabalho maçônico for compreendido, as atividades de uma Loja, reunida para o trabalho, assumirão um significado verdadeira e profundamente espiritual. Os maçons se reunirão para servirem à humanidade." [pág. 96].

"A Maçonaria é uma busca. Não uma busca material, mas uma busca espiritual, uma busca mística. Não somente uma busca individual, embora como indivíduos lutemos para aprender e para alcançar, mas basicamente uma busca grupal." [pág. 122].

George H. Steinmetz, The Royal Arch: Its Hidden Meaning (Macoy Publishing and Masonic Supply Company, 1946):

"Aqui está o PRINCIPAL SEGREDO da Maçonaria do Arco Real, ou na verdade de TODA A MAÇONARIA. O fato supremo relativo ao ser do homem. Que os aspectos físico e mental são apenas fases passageiras dessa evolução rumo à perfeição, que básica e intrinsecamente o homem é inerentemente e POR NECESSIDADE, se de fato é a imagem e semelhança de seu Criador, ESSENCIALMENTE UM SER ESPIRITUAL!" [pág. 73; maiúsculas no original].

O Segredo da Ascensão Humana

W. L. Wilmshurst, The Meaning of Masonry (Gramercy Books, 1980):

"... é claro, portanto, que de um grau a outro, o candidato está sendo levado de uma antiga qualidade de vida para outra totalmente nova. Ele inicia sua carreira maçônica como o homem natural; ele a termina tornando-se, por meio da disciplina dessa carreira, um homem perfeitamente regenerado. Para alcançar essa transmutação, essa metamorfose de si mesmo, ele aprende primeiro a purificar e dominar sua natureza sensual; em seguida, a purificar e desenvolver sua natureza mental; finalmente, pela profunda entrega de sua vida antiga e perdendo sua alma para salvá-la, ele se levanta dentre os mortos como um Mestre, um homem justo que foi tornado perfeito..." [pág. 46].

"Isto — a evolução do homem para um super-homem — sempre foi o propósito dos antigos Mistérios. O real propósito que está por trás da moderna Maçonaria não é o propósito social e beneficente para o qual tanta atenção é dada, mas a agilização da evolução espiritual daqueles que aspiram aperfeiçoar sua própria natureza e transformá-la em uma qualidade mais divina. Esta é uma ciência definida, uma arte real..." [pág. 47].

"... quando o Mestre da Loja conclui seu mandato, o esquadro, emblemático do HOMEM COMPLETO, é tomado dele e lhe é dado de presente a joia de um Mestre Aprovado, um compasso aberto em 60 graus, símbolo do HOMEM PERFEITO. Isto é colocado sobre um quadrante para enfatizar os 30 graus que ele progrediu desde o ângulo reto de 90 graus do esquadro até o ângulo de 60 graus do triângulo equilátero, do qual os compassos são apenas um substituto. Isto é simbólico de seu 'RENASCIMENTO' no plano espiritual." [págs. 54-55; maiúsculas no original].

"O HOMEM É IMPELIDO RUMO À PERFEIÇÃO! Há isto dentro do homem — sua divindade no seu interior mais profundo — que o informa da possibilidade de obter plenitude do ser e o incentiva a lutar por essa conquista." [pág. 84; maiúsculas no original].

[Com relação ao simbolismo do Arco Real] "Lembrete constante e repetitivo que o homem é divino e que o lugar para buscar essa divindade é DENTRO DE SI MESMO!" [pág. 123; maiúsculas no original].

Foster Bailey, The Spirit of Masonry (Lucis Trust, 1957/1996):

"Portanto, a Maçonaria não é somente um sistema de moralidade, inculcando a mais alta ética por meio da qual resulta, se seguida, o consciente desdobramento da divindade, mas é também uma grande e dramática apresentação da regeneração. Ela retrata a recuperação da divindade oculta do homem e a vinda dela para a luz; ela retrata a elevação do homem de seu estado caído para o Céu, e demonstra, por meio daquilo que é encenado no trabalho da loja, o poder de alcançar a perfeição latente em todo homem..." [pág. 105].

Joseph Fort Newton, The Builders: A Story and Study of Masonry:

"Aqui está o grande segredo da Maçonaria — que ela torna o homem ciente daquela divindade que está dentro dele..." [pág. 293].

J. D. Buck, Mystic Masonry and the Greater Mysteries of Antiquity (Regan Publishing, 1925):

"É muito mais importante que os homens se esforcem para se tornarem Cristos do que creiam que Jesus era o Cristo. Se o estado crístico somente pode ser alcançado por um único ser humano durante toda a evolução da espécie, então a evolução do homem é uma farsa e a perfeição humana é uma impossibilidade... Jesus não é menos Divino porque todos os homens podem alcançar a mesma perfeição Divina." [pág. 62].

Manly P. Hall, As Chaves Perdidas da Maçonaria:

"O homem é um deus em processo de formação e, como nos mitos místicos do Egito, na roda do oleiro ele está sendo moldado. Quando sua luz brilha para erguer e preservar todas as coisas, ele recebe a coroa tríplice da divindade, e ingressa na assembleia dos Mestres Maçons que, em seus mantos de Azul e Dourado, estão buscando dissipar as trevas da noite com a luz tríplice da Loja Maçônica." [pág. 92 no original; tradução nossa].

Conclusão

A investigação dos aspectos da Maçonaria relacionados com religião e espiritualidade revela dois fatos importantes:

1) Demonstra que a Loja Maçônica e seus ensinos representam muito mais do que apenas "tornar os homens bons melhores" e que essa frase é uma espécie de enfeite de janela para obscurecer o quadro espiritual maior.

2) O homem cristão que crê na exclusividade de Jesus Cristo e em Sua graça e misericórdia — que o dom da salvação é obtido pela fé e não por meio das obras, "para que ninguém se glorie" — encontra-se em uma posição contrária aos ensinos espirituais e sigilosos da Arte: que o homem pode alcançar a perfeição e atingir a divindade por meio das obras (rituais e graus) da Loja Maçônica.

Notas Finais

1. Todas as citações nas paredes foram impressas em um livreto intitulado Chapel of Peace (A Capela da Paz) e publicados pelo Grande Capítulo Geral da Estrela do Oriente no Jardim Internacional da Paz (Boissevain, Manitoba e Dunseith, North Dakota; não há indicação de data).

2. Joseph Fort Newton, The Builders: A Story and Study of Masonry, págs. 243-244.

3. Bernard E. Jones, Freemason’s Guide and Compendium (Londres, Grã-Bretanha, George G. Harrap and Company, 1956), pág. 281.

4. Foster Bailey, The Spirit of Masonry (Londres, Grã-Bretanha, Lucis Press, 1957/1996), pág. 77.

5. Joseph Fort Newton, The Builders: A Story and Study of Masonry (Cedar Rapids, IA: The Torch Press, 1914), pág. 243.

6. Bernard E. Jones, Freemason’s Guide and Compendium, pág. 282.

7. Arthur Edward Waite, A New Encyclopedia of Freemasonry, Volume II (Wings Books, 1996), pág. 329. A. E. Waite faleceu em 1942.

8. Manly P. Hall, Lectures on Ancient Philosophy (Philosophical Research Society, 1929/1984), pág. 434.



Fonte: Forcing Change, Edição 9, Volume 6.
Data da publicação: 31/10/2012
Transferido para a área pública em 16/10/2014
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A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-9-2012.asp