Não Tão Rápido com o "Não Julgueis"

Um chamado para o julgamento justo.

Autor: Brad Hughes

Forcing Change, Volume 8, Edição 9.



Nota do Editor: Em um tempo em que o Ocidente desliza para a depravação moral e se afasta continuamente dos padrões bíblicos — desde a legalização da homossexualidade e a penalização dos empresários cristãos que mantêm os valores familiares em seus negócios, até o crescimento da indústria da pornografia — e a comunidade cristã cede sob a pressão, o seguinte artigo não poderia ser mais apropriado. O autor é um pesquisador em Economia e Cosmovisões no Centennial Institute, em Denver, no Colorado e concedeu permissão para a publicação deste seu importante ensaio.

"Não julgueis, para que não sejais julgados." [Mateus 7:1].

O movimento por tolerância em nossa cultura secular utiliza esta passagem bíblica para silenciar os cristãos, para que eles não expressem seu julgamento bíblico em oposição ao relativismo moral da cultura. Isto se tornou o toque do clarim da atual geração de jovens, o grupo mais desingrejado na história deste país. [1]. O silêncio resultante abriu o caminho e tornou amplamente aceitos o aborto, a homossexualidade, a pornografia, o uso de drogas, o alcoolismo, a aposta em jogos de azar, a censura, a infidelidade conjugal, os filhos gerados fora do casamento (bastardia), divórcio, abusos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a ganância, a desonestidade, a violência e a destruição das instituições judaico-cristãs no Ocidente.

A decadência moral, junto com a prosperidade econômica são as marcas características do nosso tempo. A história mostra que a decadência moral e a prosperidade econômica aparecem juntas somente por um curto período de tempo. Isto está claramente registrado na Bíblia; está registrado também pelos sociólogos sociais (Sorokin e Unrein) e pelos historiadores (Toynbee e Tytler).

Muitos cristãos erradamente acreditam que não devem julgar os outros, pois não compreendem a hermenêutica, a disciplina da interpretação da Bíblia. Um texto fora do contexto é pretexto. Os cristãos devem claramente exercer julgamento e se envolverem na cultura. Devemos examinar os diferentes tipos de julgamentos para compreender o que Jesus Cristo quis dizer com suas frequentemente citadas palavras em Mateus 7:1.

Existem dois tipos de julgamento que Jesus Cristo ensina na Bíblia. O primeiro é o julgamento injusto, o que significa que não devemos julgar hipocritamente (Mateus 7:1, Lucas 6:36-38), julgar com base na aparência (João 7:24) e deixar de exercer totalmente o julgamento (Mateus 5:13-16). Isto significa que não podemos julgar com base em um julgamento hipócrita de um pecado do qual nós mesmos somos culpados, julgar com base em informações insuficientes, ou simplesmente não julgar. Todos esses são julgamentos injustos.

Considere o seguinte: "A palavra mais comum para 'julgar' no Novo Testamento no original grego é o verbo krino, encontrado 114 vezes. Ele é traduzido para nossa língua por uma variedade de termos, como 'julgar', 'determinar', 'condenar', 'chamar em questão', etc. A palavra significa 'selecionar', depois 'chegar a uma conclusão, fazer uma determinação' — algumas vezes com a ideia adicionada de relacionar essa conclusão com um ato específico, ou com uma certa pessoa...' [veja a Nota de Rodapé 1.].

Não julgar coisa alguma pode ser o pior dos julgamentos injustos. O julgamento hipócrita tipicamente fere o indivíduo. Reter o julgamento pode prejudicar a sociedade. Isto ajuda a explicar por que nosso país está em rápido declínio moral. Isto também pode ser o exemplo mais gritante daquilo que muitos cristãos fazem hoje, por causa do temor de serem ridicularizados, perseguidos, de perder seus amigos, ou de perder dinheiro. "O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao SENHOR." [Provérbios 17:15]. A aquiescência tácita justifica o ímpio e é claramente errada, segundo a Bíblia. O cristão não deve evitar o exercício de julgamento diante de exemplos de falhas morais.

Jesus Cristo repreendeu a igreja de Tiatira dizendo: "Mas algumas poucas coisas tenho contra ti que deixas Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que forniquem e comam dos sacrifícios da idolatria." [Apocalipse 2:20]. Ele nos ensinou que se tolerarmos o falso ensino sobre divórcio e recasamento (que leva o povo de Deus a cometer imoralidade sexual), Deus não nos considerará isentos de culpa (Mateus 5:31-32; 19:9; Marcos 10:11-12; Lucas 16:18). Tiago 4:17 nos diz que decidir não falar e agir diante do erro é pecado. "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado." 2 Timóteo 3:16 confirma que devemos abrir a boca e falar: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra."

Do mesmo modo, Mateus 5:13-16 nos diz para sermos o sal e luz do mundo. O sal é um conservante que impede a deterioração, porém requer contato para produzir o resultado. O Senhor Jesus condenou a indiferença da igreja de Laodiceia em Apocalipse 3:14-22, que muitos imitam quando permanecem em silêncio, em situações em que o julgamento é necessário. Em nossa conduta, precisamos exaltar a Cristo e não pensar em agradar aos homens. Dietrich Bonhoeffer disse: "O silêncio diante do mal é ele mesmo um mal. Deus não nos considerará isentos de culpa. Não falar é falar; não agir é agir..."

Muitos cristãos temem demais os homens por que têm pouco temor de Deus em seus corações.

Muitos cristãos têm uma visão depreciada de Deus e uma visão exaltada de si mesmos, o que os faz permanecer calados quando confrontados com comportamento que é condenado pela Bíblia. J. Vernon McGee disse: "Que erro terrível cometemos quando pensamos que a igreja tem a autoridade de decidir o que é certo e o que é errado. A verdadeira igreja é formada por crentes em Jesus Cristo e eles constituem aquilo que as Escrituras chamam de corpo de Cristo. Eles devem ser a luz do mundo. Para sermos luz neste mundo em trevas, precisamos ter o cuidado de nos identificarmos com a pessoa de Jesus Cristo e reconhecermos... a Palavra de Deus como nossa autoridade."

Quando ignoramos o que Cristo ensina na Bíblia, estamos exaltando a nós mesmos e permitindo que o pecado estabeleça uma fortaleza. O Senhor Jesus ensinou claramente que a maioria das pessoas irá para o inferno. Mateus 7:13 nos diz que a porta que leva para a vida é estreita e poucos são os que a encontram. Estranhamente, a maioria acredita no conceito do inferno, porém acredita que os outros irão para lá, nunca eles mesmos (apesar do fato que a maioria das pessoas terminará ali).

A decisão de não ser sal e luz em um mundo tenebroso é análoga a permitir que as crianças brinquem no cruzamento de duas ruas movimentadas, isto é, alguém será atropelado e nós poderíamos ter impedido isso com a nossa intervenção. Lucas 12:47-48 diz: "E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá." [Lucas 12:47-48. É bem claro que escolher o silêncio quando o julgamento é necessário é uma decisão errada para o cristão.

O segundo tipo de julgamento é chamado julgamento justo que precisa ser baseado em evidência conclusiva e na palavra de Deus. O julgamento justo requer uma compreensão da Bíblia e uma responsabilidade de falar corajosamente contra a decadência moral. Jesus Cristo disse: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça." [João 7:24]. Isto é uma repetição com outras palavras de Levítico 19:15, que diz: "Não farás injustiça no juízo; não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo."

O apóstolo Paulo escreveu sob a direção do Espírito Santo: "E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as." [Efésios 5:11]. Jesus disse a respeito de João Batista: "E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João o Batista; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele." [Lucas 7:28]. João Batista falava em justo julgamento contra Herodes, o tetraca, e foi decapitado pelos incômodos que causava. [Mateus 14:1-13].

Os cristãos devem julgar uns aos outros, como Paulo explicou aos coríntios: "Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai pois dentre vós a esse iníquo." [1 Coríntios 5:9-13].

Paulo incentivou o julgamento na comunidade cristã: "Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu." [2 Tessalonicenses 3:6]. Ele foi ainda mais longe no julgamento dos outros cristãos: "Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão." [2 Tessalonicenses 3:14-15].

O Antigo Testamento ensina: "O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução." [Provérbios 1:7]. O profeta Jeremias registrou: "A tua habitação está no meio do engano; pelo engano recusam conhecer-me, diz o SENHOR." [9:6]. Em Jó 21:14, lemos: "E, todavia, dizem a Deus: Retira-te de nós; porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos." Um cristão maduro e com discernimento é alguém que "está experimentado na palavra da justiça" (veja Hebreus 5:11-14) e que, portanto, sabe como aplicar as Escrituras na vida diária. Ele compara, testa ou julga tudo aquilo que vê e ouve com as Escrituras e com aquilo que Deus definiu como doutrina e teologia certas e erradas.

No Novo Testamento, a palavra discernir (diakrisis no original em grego) significa "avaliação judicial", em outras palavras, "julgar ou avaliar". A Bíblia nos instrui a julgar, ou "examinar todas as coisas", em outras palavras, a exercer o discernimento [2]. 1 Tessalonicenses 5:21-22 diz: "Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal." E Romanos 12:2 diz: "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." Além disso, Paulo escreveu: "Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo." [Colossenses 2:8]. Atos 17:11 diz que quando Paulo pregou para os bereanos, eles "foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim."

Aqueles que não julgam são espiritualmente imaturos, estão enganados, ou estão espiritualmente mortos. O que a igreja necessita hoje é de uma classe de cristãos que julguem corretamente, confrontem o mal e se posicionem pela verdade, sem contemporizar. Contemporizar a verdade com o mal é como temperar uma boa comida com cianeto. Frequentemente, a pior mentira é uma meia-verdade e o pior pecado é, frequentemente, o pecado da omissão. Muitas vezes, por meio do desconstrucionismo, permitimos que as palavras percam seu significado intencionado. Quando as palavras perdem seu significado, as pessoas perdem suas vidas. Para ilustrar isto, basta lembrar que os campos de concentração nazistas eram supervisionados por uma organização cujo nome soava beneficente: Fundação Caritativa para a Assistência Institucional. A Bíblia nos diz que devemos "ser sóbrios e vigilantes, porque o diabo, nosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" [1 Pedro 5:8]. Se virmos uma pessoa querida prestes a ser devorada, devemos permanecer calados e dizer: "Não vamos julgar, para não sermos julgados?" É claro que não. Esta frase tornou-se um lugar-comum do Movimento da Tolerância, que está enraizado na filosofia secular.

A Bíblia ensina claramente que a justiça e o julgamento são atributos básicos do caráter de Deus. Isaías 30:18 diz que "o SENHOR é um Deus de equidade". Salmos 9:7-8 diz que, como legislador moral, é de Sua natureza julgar, pois "O SENHOR está assentado perpetuamente; já preparou o seu tribunal para julgar. Ele mesmo julgará o mundo com justiça; exercerá juízo sobre povos com retidão. O SENHOR será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia." É importante observar que a santidade de Deus é Seu atributo mais proeminente e é o único de Seus atributos que é repetido três vezes em sequência na Bíblia, para maior ênfase. A frase "santo, santo, santo" aparece duas vezes na Bíblia, uma no Antigo Testamento (em Isaías 6:3) e outra no Novo Testamento (em Apocalipse 4:8).

Lembre-se que Jesus Cristo falou sobre severo julgamento em diversas ocasiões. É útil compreender que o Senhor Jesus é eterno, parte da divindade triúna, santa e imutável. Isto significa que Jesus Cristo tem responsabilidade pela decisão tomada no Antigo Testamento de destruir Sodoma e Gomorra, de trazer o grande dilúvio que destruiu toda a humanidade, exceto oito indivíduos, de ter ordenado a morte dos filhos primogênitos no Egito do faraó, e de ter decretado a aniquilação dos amalequitas, cananeus, amorreus, filisteus e outros povos antigos. Essa realidade enfatiza o fato que Jesus Cristo realmente julga e que Seu julgamento pode ter um custo significativamente severo.

Jesus Cristo também proferiu palavras severas de julgamento no Novo Testamento: "E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro." [Mateus 12:32]. Outro exemplo de Seu julgamento é o seguinte: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia." [Mateus 23:27]. Jesus disse: "Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus." [Lucas 9:62]. Ele também disse: "Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada." [Mateus 10:34].

Jesus admoestou: "Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus." [Lucas 9:60]. Ele também repreendeu os causadores de escândalos: "Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar." [Mateus 18:6]. Ele disse: "Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o ouro?" [Mateus 23:17]. Em Mateus 23:33, ele disse aos fariseus: "Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?" Em João 8:44, Ele disse: "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai." Existem pelo menos 18 ocorrências na Bíblia em que Jesus falou severamente, fazendo esse tipo de julgamento. A maioria das pessoas retrata Jesus como apenas graça e amor, ao mesmo tempo que ignora Seus santos julgamentos. [3]. Entretanto, a Bíblia mostra que Jesus Cristo — que não era nem um pouco politicamente correto — pode até parecer severo ao julgar corretamente.

O Senhor Jesus trará a punição de Deus sobre os ímpios e rebeldes em Sua segunda vinda: 2 Tessalonicenses 1:7-9 diz que "... quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, com labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, longe da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos..." Judas 14-15 diz: "E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele.".

O Senhor Jesus falou frequentemente sobre o "dia do juízo" em sua Segunda Vinda. Uma rápida consulta ao livro de Mateus torna isso bem claro. Mateus 10:15 diz: "Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para o país de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.". Mateus 11:22 diz: "Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós." Mateus 11:24 confirma: "Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti." Mateus 12:36 adverte: "Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo." Mateus 13:41-42 adverte: "Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes."

A Bíblia ensina claramente que Deus julga as nações e os indivíduos. A Bíblia ensina que o julgamento justo é uma parte essencial do caráter de Deus. Ela ensina que o homem foi criado à imagem de Deus e os seguidores de Deus devem ser sal e luz em um mundo em trevas. É importante para o povo de Deus compreender a Bíblia, aplicá-la em suas vidas e defender seus princípios diante de uma cultura cada vez mais hostil, que está dominada pelo secularismo. O Senhor Jesus mandou que Seus seguidores exerçam o julgamento, mas julguem corretamente, Ele os proibiu de julgar de forma injusta e os ensinou a fazer todas as coisas em amor. O secularismo tenta distorcer as passagens bíblicas para proibir o julgamento e adotar a tolerância para todos os comportamentos. Somente os ignorantes, os malignos e os indiferentes é que adotam essa premissa errônea.

Aqueles que dizem "Não julgueis para que não sejais julgados" para dar aprovação tácita à autonomia de todas as vontades, sem considerações pela moralidade, convidam o julgamento sobre si mesmos e, ao mesmo tempo, endossam a degradação moral cada vez maior de uma sociedade e cultura já afligidas pela depravação.

O Dr. Adrian Rogers disse certa vez: "Neste momento, as águas furiosas do julgamento represado de Deus fazem pressão contra o dique de Sua misericórdia."

Mais do que nunca, é urgente agora falar a verdade para a cultura e para aqueles que são importantes para nós, e fazer isto antes que o dique se arrebente.

Notas Finais:

1. http://www.patheos.com/blogs/publiccatholic/2012/10/number-of-americans-who-do-not-identify-with-any-religion-increases.

2. http://c309365.r65.cf1.rackcdn.com/SpiritualDiscernmentAndFalseTeaching.doc.

3. http://carm.org/jesus-say-mean-things.



Fatos Rápidos Sobre a Transformação Mundial

"Fatos Rápidos Sobre a Transformação Mundial" é uma curta coleção de itens interessantes e que merecem ser divulgados como notícias. Cada um deles demonstra, de um modo ou de outro, as transformações sistêmicas que estão ocorrendo em toda a sociedade.

Organização das Religiões Unidas

Em 4 de setembro passado, o ex-presidente israelense Shimon Peres, se reuniu com o papa Francisco para conversar sobre sua ideia de criar uma Organização das Religiões Unidas. O propósito, de acordo com um artigo da agência Reuters publicado no dia seguinte, seria o de "combater a violência perpetrada em nome de Deus". Reunindo-se com o papa Francisco por 45 minutos em sua residência, Peres sugeriu um "novo órgão mundial", que seria criado nos mesmos moldes que as Nações Unidas.

"Agora, tendo em vista que as Nações Unidas já estão bem estabelecidas, o que é necessário é uma Organização das Religiões Unidas, uma ONU das religiões", explicou Peres. A Reuters reportou que Peres acrescentou: "O que é necessário é uma autoridade moral inquestionável que diga com uma voz bem forte: 'Não, Deus não quer isto e não permite isto.'"

Em uma entrevista sobre essa ideia de uma Organização das Religiões Unidas, Peres explicou que acreditava que o papa deveria chefiar a nova instituição, pois "ele é, talvez, o único líder que é realmente respeitado".

Perseguição Contra os Cristãos

Em todo o mundo, os cristãos estão sendo perseguidos por causa de sua fé. Na Nigéria, o grupo militante islâmico Boko Haram já matou crianças cristãs, incluindo a recente decapitação de um menino de seis anos de idade. De acordo com a Voz dos Mártires, esse incidente ocorreu em 1 de junho passado. O International Christian Concern (ICC), um grupo que monitora a perseguição contra os cristãos, observou que: "Há vários anos que o Boko Haram ataca as minorias cristãs na região norte, que é de maioria islâmica. Reportagens recentes indicam que vários homens cristãos foram decapitados após a declaração do califado em 24 de agosto." Na Argélia, as igrejas estão sendo atacadas e as famílias cristãs não conseguem encontrar moradias. Os cristãos no Iraque estão sofrendo brutalmente com o ISIS (Estado Islâmico do Iraque e da Síria): execuções em massa, decapitações, estupros e incêndios provocados.

Como o ICC escreveu no fim de agosto:

"Os perigos para os cristãos no Iraque estão levando muitos deles a procurar formas de deixar o país. A ameaça que eles enfrentam diretamente do ISIS, junto com a violência das décadas passadas deixa muitos cristãos sem a segurança de que poderão permanecer no Iraque. Embora muitos líderes exortem as pessoas a considerar a permanência, as realidades que eles enfrentam diariamente torna esta escolha praticamente impossível de tomar."

Ore pela igreja perseguida no Iraque e por nossos irmãos e irmãs em Cristo em todo o mundo que enfrentam a morte, maus tratos, humilhações e ficam sem ter onde morar, por causa de sua fé.

BRICS: Nova Ordem Econômica?

Em julho, os líderes das nações do BRICS se reuniram para considerar uma nova ordem econômica, uma ordem baseada nas realidades das cinco locomotivas regionais que formam esse grupo ainda pouco discutido: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Quando o encontro dos BRICS terminou, uma nova entidade bancária global foi anunciada: o Novo Banco de Desenvolvimento. Quando estiver operacional, esse banco deverá se tornar uma alternativa global ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial.

Como os EUA e os parceiros europeus se tornaram os membros dominantes no FMI e no Banco Mundial, alguns analistas reconhecem que o novo banco tem o potencial de se tornar a locomotiva econômica para uma "ordem mundial" não-ocidental.

Mas, nem tudo são rosas para os BRICS, pois existem tensões comerciais e até mesmo tensões militares regionais entre alguns dos países participantes, como os antigos pontos de atrito entre a Índia e a China. Como disse um comentarista na publicação African Business Review: "Se os países do BRICS forem capazes de alcançar unidade de propósito, esse grupo e seu novo banco de desenvolvimento poderão se tornar muito poderosos em desafiar a paisagem financeira global. Logicamente, a grande questão é a capacidade deles de alcançar a unidade."

Parlamento das Religiões do Mundo

O comitê organizador do Parlamento das Religiões do Mundo anunciou publicamente que a cidade-sede para a conferência de 2015 será Salt Lake City, no estado americano de Utah. Esse evento previsto, que se tornou um grande encontro global de líderes religiosos, tem sido comparado com olimpíadas espirituais.

O primeiro parlamento se reuniu em Chicago durante a exibição de 1893 (veja a fotografia abaixo). Entretanto, o encontro seguinte ocorreu somente um século mais tarde — e foi realizado também em Chicago. Desde então, parlamentos foram convocados para a Cidade do Cabo (1999), Barcelona (2004), Monterrey (2007) e Melbourne (2009). Mais de 10 mil pessoas participaram no evento de Melbourne (Austrália). Na presidência da diretoria, o imã Abdul Malik Mujahid escreveu o seguinte: "Os EUA são o lugar de origem do movimento interfé, e é hora de o Parlamento voltar para casa. O Parlamento em 2015 fortalecerá o movimento interfé e cada um de nós poderá ouvir, compartilhar e formar redes uns com os outros."

Crescimento do Orgulho Pagão

O Orgulho Pagão está em ascensão. Realizado anualmente como uma celebração do paganismo e como uma forma de alcançar a comunidade não-pagã, Orgulho Pagão é uma rede de eventos de "orgulho" comunitário que ocorrem em todo o mundo, geralmente em fins de agosto ou em setembro. Em 2013, encontros abertos ao público foram realizados em 98 locais no Canadá, EUA, México, Brasil, Itália, Áustria e República Dominicana. Aproximadamente 65.700 pessoas participaram, 20 mil a mais do que no ano anterior.

Iniciado em setembro de 1998, o Orgulho Pagão começou com 18 celebrações que contaram com a particpação de 800 a 1000 pessoas. Por volta de 2004, mais de 40.000 pessoas participaram nas celebrações, concertos e outros eventos que marcam o Orgulho Pagão. Criado como um alcance público, o Orgulho Pagão inclui feiras beneficentes, praças de alimentação e eventos específicos voltados para as necessidades e interesses da comunidade local.

Para 2014, mais de 160 eventos estão listados na página do Orgulho Pagão na Internet e cerca de 130 desses ocorrerão nos EUA.

Crescente Aceitação do Casamento Entre Pessoas do Mesmo Sexo

Congregações Americanas em Transformação é o nome de um estudo recente publicado por Mark Chaves, da Universidade Duke, e Shawna L. Anderson, da Universidade de Chicago. Este relatório, que utilizou de dados de seis anos do Estudo Nacional das Congregações (NCS) — ele mesmo baseado em entrevistas com 1.331 líderes de igrejas em todos os EUA — demonstrou que, em geral, as congregações no país tornaram-se muito mais abertas à aceitação da integração de casais do mesmo sexo.

"O NCS de 2006 e 2012 perguntou se um casal abertamente homossexual e de lésbicas em um relacionamento com compromisso seria recebido como membros plenos da congregação e se essas pessoas poderiam ocupar todos os cargos voluntários que estão abertos aos outros membros... Em apenas seis anos, o número de congregações cujos líderes disseram que homossexuais e lésbicas poderiam ser membros plenos aumentou de 37,4% para 48%. O número de congregações cujos líderes disseram que nenhum cargo de liderança estava vedado para homossexuais e lésbicas aumentou de 17,7% para 26,4%."

Entretanto, discrepâncias foram observadas em termos de "tradições religiosas". As paróquias católicas tinham na verdade diminuído na aceitação de homossexuais e lésbicas que trabalham como voluntários, passando de 39% para 26%. Além disso, as paróquias católicas "cujos líderes disseram que homossexuais e lésbicas poderiam ser membros plenos diminuiu de 74% para 54%." Essas descobertas, os autores concluíram, poderiam ser o resultado das súbitas reações contra a legalização dos casamentos de pessoas do mesmo sexo em certos estados.

As igrejas protestantes conservadoras e de brancos, embora mostrando um crescimento favorável na aceitação de membros homossexuais (de 16% para 24%), permaneceram, todavia, inalteradas na aceitação de líderes homossexuais (4%).

Por outro lado, as igrejas liberais de brancos, igrejas protestantes de negros e congregações não-cristãs tiveram aumentos grandes o suficiente na aceitação de homossexuais e lésbicas, de forma que a mudança agregada "é marcadamente grande para um período de apenas seis anos."

Veja os relatórios aqui: http://www.soc.duke.edu/natcong/Docs/Changing_American_Congs.pdf.

A Nova Ordem Mundial do Irã

No início de setembro, a aiatolá iraniano Khamenei declarou enfaticamente que "uma nova ordem está emergindo" e que "o Irã terá um papel forte na sua criação".

Em uma matéria na imprensa que chegou aos canais de notícias regionais e globais, o aiatolá explicou que a versão do Irã da "ordem mundial" suplantará a influência dos EUA, à medida que o Ocidente e o capitalismo entrarem em colapso.

"Temos potencial importante fora do Irã", explicou o Líder Supremo do Irã, "apoiadores, profundidade estratégica na região, alguns por causa do Isã, alguns por causa da religião xiita. Estas são nossas forças, devemos usar todas elas."

A tradução de seu discurso declarava: "E não é somente na região, mas também na América Latina e em algumas partes importantes da Ásia, temos profundidade estratégica, temos os instrumentos para usar essas oportunidades..."

Citando a recente "derrota" de Israel nas mãos da "pequena população muçulmana em Gaza", o aiatolá anunciou que o "regime sionista, como símbolo do poder do Ocidente" foi colocado de joelhos. Assim, "a atual ordem mundial não poderá continuar e uma nova ordem está emergindo".



Fonte: Forcing Change, Volume 8, Edição 6.
Data da publicação: 16/10/2014
Transferido para a área pública em 20/6/2016
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-9-2014.asp