Falar em Línguas Hoje — Uma Prática Sem Base Bíblica e Potencialmente Perigosa para sua Vida Espiritual

Autor: Jeremy James, março de 2010.

Este ensaio procurará fazer uma análise objetiva da prática pentecostal/carismática de falar em línguas. Eu não tinha uma posição doutrinária sobre o assunto antes de escrever esta análise. Entretanto, minhas descobertas foram tão preocupantes que senti a necessidade de compartilhá-las com os outros cristãos, bem como com os "buscadores" que possam estar participando de reuniões cristãs onde línguas estranhas são faladas.

Inicialmente, devo reconhecer que a partir das várias fontes que examinei, falar em línguas é um assunto muito delicado entre os cristãos. Os praticantes ficam grandemente ofendidos com qualquer crítica que seja feita a essa prática, enquanto que muitos que não são praticantes a considerem prejudicial. Este é certamente um tópico que dá margem à visões muito polarizadas. Isto em si mesmo sugere que todas as partes deveriam se familiarizar, tanto quanto possível, com a base bíblica para a prática e pensar no assunto com muito cuidado. A razão para isto deve ser óbvia — se falar em línguas for bíblico, então deve ser uma parte padrão da adoração cristã; entretanto, se não for bíblico, então é algo potencialmente perigoso para qualquer um que esteja envolvido e deve ser abandonado.

O Pano de Fundo

Primeiro, devo falar um pouco sobre minha própria formação. Fui um católico romano até os 19 anos, depois participei ativamente no Movimento de Nova Era durante 33 anos, até vir a Cristo, em 2008. Uma coisa que me deixou chocado quando comecei a conhecer outros cristãos foi a extensão em que o Cristianismo hoje está infectado pelas crenças e conceitos de Nova Era. Muitas das mentiras que deixei para trás estão na verdade sendo adotadas pelos cristãos e incorporadas em suas vidas espirituais.

O ramo do Movimento de Nova Era em que estive envolvido não incluia falar em línguas, mas fiquei chocado com a incrível similaridade entre as "línguas" cristãs e as várias práticas religiosas pagãs e xamânicas em que os cantos rítmicos e a vocalização em transes são utilizados. Existia também um preocupante paralelo entre o estado "cheio do espírito" de um cristão que falava em línguas e que não compreendia o que dizia, e o estado "cheio do espírito" de um médium em transe.

Além disso, a partir de minha exposição no Movimento de Nova Era durante 33 anos, eu também sabia que o reino sobrenatural está repleto de entidades que estão constantemente observando algum modo de se conectarem com os humanos. Uma vez que elas se conectem, alimentam-se de seus hospedeiros como parasitas invisíveis, causando problemas emocionais, psicológicos e muitos outros. Algumas dessas entidades (ou "demônios") são mais perniciosas do que outras, de modo que se a pessoa for infeliz o bastante para se envolver com um dos tipos mais perigosos, os efeitos adversos podem ser muitos perturbadores e persistir por vários anos, talvez até durante toda a vida.

Um Ministro Batista Soou o Alerta

No curso de minha pesquisa, encontrei um artigo muito revelador, escrito por um ministro batista australiano que, a partir de uma longa experiência, achou apropriado fazer as seguintes observações surpreendentes:

"Entre as grandes ilusões que estão se propagando hoje, não existe nada que seja mais sutil ou perigoso do que o moderno movimento das línguas. Em minha experiência ao longo dos muitos anos observei que, das massas de pessoas que caem sob a influência do fenômeno das línguas, pouquíssimos escapam sem prejuízos emocionais e espirituais a si mesmos e às suas famílias..."

"Eu e outros estamos testando as línguas na Austrália há alguns anos. Na verdade, existem alguns homens que conheço que estão testando há mais de vinte anos e nenhum de nós já encontrou um genuíno dom bíblico das línguas. Quando o espírito que usa a língua é forçado a se identificar, em 95% dos casos, um demônio responde... Os outros 5% provam ser psicossomáticos." [Bryce Hartin, Today’s Tongues, 1987, Third Edition 1993].

Se o pastor Hartin estiver correto, então essa sua afirmação de causar calafrios a respeito do fenômeno das "línguas" deve ser de grande preocupação para todos os cristãos bíblicos.

O Propósito Espiritual das Línguas

De modo a compreender o que são as línguas, precisamos saber a qual propósito elas serviram no plano de Deus da redenção. Embora o fenômeno ocorra somente no Novo Testamento, há na verdade uma referência muito importante a ele no Velho Testamento:

"Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo." [Isaías 28:11].

Esta passagem profética refere-se ao evangelho, a mensagem do Messias, que "este povo" (os judeus) se recusarão a ouvir, mesmo quando ela for revelada a eles em "outra língua" (um idioma estrangeiro). Essa recusa é confirmada por Isaías no verso seguinte:

"Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir." [Isaías 28:12].

Esta é na verdade uma profecia surpreendente, cujo significado tem sido frequentemente negligenciado. Por exemplo, em seu livro Every Prophecy of the Bible (Todas as Profecias da Bíblia), John Walvoord não a identifica. Todavia, ela diz especificamente que virá um tempo em que os judeus ouvirão a palavra "vivificadora" do Messias sendo falada em um idioma estrangeiro, porém eles a rejeitarão.

Precisamos agora perguntar: "Por que o Senhor quereria pregar as palavras do Messias aos judeus em uma língua estrangeira?" A resposta contém a chave para o dom das línguas.

Vejamos as circunstâncias históricas em que a nação judaica evoluiu. Ela era uma nação separada. O Deus deles, Jeová, era profundamente diferente dos deuses dos outros povos. Todas as nações estrangeiras, sem exceções, eram pagãs, gentios idólatras que viviam debaixo de uma maldição. Eles não tinham o Deus dos judeus. A suposição infundada que eles estavam fazendo, porém, era que os estrangeiros nunca teriam (ou seriam aceitos pelo) o Deus dos judeus.

Esta atitude, que permeava todo o pensamento rabínico tradicional e a comunidade judaica como um todo, é demonstrada de modo mais admirável na história do profeta Jonas. O Senhor chamou Jonas para advertir uma nação pagã — o povo de Nínive — de uma calamidade iminente. A não ser que eles se arrependessem de seus maus caminhos, a cidade de Nínive seria destruída. Jonas ficou extremamente triste com essa ordem de Deus e tentou desobedecê-la. Para ele era simplesmente impensável que o Deus de Israel se preocupasse com o bem-estar de um povo pagão.

Mesmo depois de o Senhor o ter arrastado até Nínive, onde pregou a mensagem, Jonas sentou-se fora da cidade a aguardou a destruição dela — uma cena que ele desejava ver. Mas, quando a destruição não ocorreu, ele ficou muito desgostoso!

Isto pode parecer como uma atitude muito dura para nós hoje, mas ela destaca a propriedade exclusiva que o povo judeu julgava que exercia sobre Jeová. Ele era o Deus deles e de ninguém mais.

Isto se transformou em um grande problema quando os apóstolos começaram a pregar o Evangelho para os gentios. Naturalmente, quase todos os membros iniciais da igreja primitiva eram judeus. Mas, eles carregavam consigo exatamente a mesma atitude que tinha sido ferozmente mantida pelos filhos de Israel durante séculos. Na visão deles, a igreja deveria permanecer exclusivamente judaica. A ideia que os gentios — pagãos, estrangeiros — recebessem a permissão de ingressar na igreja era repulsiva para eles. Até mesmo os apóstolos lutaram com isto e, como o livro de Atos dos Apóstolos revela, eles poderiam ter confinado a igreja aos circuncisos (os judeus) se Paulo não tivesse aparecido e os convencido que Cristo morreu por todos, e não apenas pelos judeus.

Paulo não teria feito progresso algum se, quando apresentou sua perspectiva, os cristãos primitivos (todos os quais eram judeus) não tivessem já observado algo que os tinha surpreendido, isto é, o falar em línguas — o sinal que Isaías tinha profetizado. Eles tinham testemunhado o Espírito Santo falar a Palavra de Deus no idioma dos pagãos. Isso somente poderia significar que Deus estava convidando os gentios ao Seu aprisco.

Neste estágio da nossa análise, precisamos entrar nos detalhes específicos e ver onde exatamente as línguas foram usadas no Novo Testamento e quais condições precisaram ser cumpridas antes que elas pudessem ser usadas.

Ocasiões Específicas em Que as Línguas Foram Usadas no Novo Testamento

Falar em línguas é mencionado em cinco locais separados no Novo Testamento, como segue:

  1. Marcos 16:17
  2. Atos 10:46
  3. Atos 19:6
  4. Atos 2:1-12
  5. 1 Coríntios 12-14.
Vamos examinar um de cada vez.

1. Marcos 16:15-17:

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas." [Marcos 16:15-17].

Cristo nunca falou em línguas, mas aqui está dizendo que aqueles que "crerem" (seus discípulos) irão por todo o mundo e falarão novas línguas. Isso sugere fortemente que as "línguas" em questão eram os idiomas falados em cada parte do mundo. A palavra grega original para "línguas" é glossa, que significa idiomas. Essas são línguas reais, não línguas inventadas, línguas celestiais, os línguas místicas. Isso também sugere que o dom de falar em línguas serviria, pelo menos em alguns casos, como um modo de contornar a barreira linguística ao propagar a mensagem do Evangelho. Afinal, nada do Novo Testamento tinha sido escrito quando Cristo proferiu essas palavras.

2. Atos 10:46:

"E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus. Respondeu, então, Pedro: Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?" [Atos 10:44-47].

Esta é a maravilhosa ocasião quando o primeiro gentio — Cornélio — foi batizado. Os cristãos judeus que estavam presentes ficaram "maravilhados", pois nunca tinham imaginado que o Espírito Santo entraria nos gentios. Isso significa que o Deus de Israel estava se declarando o Deus de todas as nações e não apenas para os judeus. E como eles souberam com certeza que o Espírito Santo tinha entrado naqueles gentios? Porque os ouviram falar em línguas. Falar em línguas era um sinal para os judeus que Jeová estava aceitando indivíduos de todas as etnias, tribos, povos e línguas.

3. Atos 19:6:

"Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens." [Atos 19:4-7].

Esta foi a ocasião em que, em uma visita a Éfeso, Paulo encontrou cerca de 12 judeus que tinham sido batizados muitos anos antes por João Batista. Como aquele não era o batismo cristão, Paulo os batizou outra vez. Quando o Espírito Santo entrou neles, começaram a falar em línguas. Todos os judeus que estavam presentes foram novamente deixados com a certeza que o Espírito Santo tinha entrado naqueles homens. Além disso, eles podiam ouvir aqueles conversos falarem palavras inspiradas de verdade (eles "profetizavam") em uma língua estrangeira. Esta era uma clara confirmação que Jeová estava dizendo ao mundo que Ele não era apenas o Deus para os judeus, mas para todas as etnias, povos e nações.

Agora, vamos pegar aquilo que aprendemos até aqui e ver como se aplica ao exemplo de línguas mais conhecido, o que ocorreu em Pentecostes:

4. Atos 2:1-12:

"E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia, e Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto."

Considere os seguintes fatos: todos os que ouviram as línguas eram judeus que tinham vindo a Jerusalém de países distantes para participarem do Festival de Pentecostes. Como judeus, eles falavam o idioma comum para os judeus daquele tempo, de modo que não tinham a necessidade de "línguas" para compreender o Evangelho. Apesar disso, o Espírito Santo falou palavras de verdade pelas bocas dos discípulos na língua da região geográfica a partir da qual cada visitante judeu tinha vindo. (Como residentes naquelas regiões, os visitantes conheciam as línguas regionais). Os idiomas citados eram todos idiomas de nações gentias. Portanto, aqueles judeus estavam ouvindo louvores a Jeová, o Deus de Israel, nas línguas dos povos pagãos — algo que eles nunca esperaram testemunhar, nem em seus sonhos mais desvairados.

Tente imaginar a cena. Minutos após o Espírito Santo vir ao mundo para habitar nos corações dos homens, Ele estava falando aos gentios. Este foi um dos sinais sobre os quais Jesus falou em Marcos 16 e foi o mesmo sinal sobre o qual Isaías falara 600 anos antes (Isaías 28:11).

Um ponto crucial a observar é que falar em línguas não foi usado para comunicar o evangelho. Os discípulos falaram idiomas terreais reais, cerca de 15 ou 16 listados, mas podiam facilmente ter usado a língua comum de todos os judeus daquele tempo (o aramaico) — que virtualmente todos os peregrinos conheciam.

Antes de continuarmos a examinar a doutrina das línguas, conforme explicada por Paulo em 1 Coríntios, vamos resumir o que descobrimos até aqui:

Este último ponto pode ser inferido naturalmente a partir dos vários exemplos citados nas Escrituras. Se os faladores estivessem usando linguagem humana, porém um idioma que eles não tinham aprendido, é somente razoável assumir que eles compreendessem o significado daquilo que estavam dizendo. Não faria sentido, dados os casos citados nas Escrituras e a afirmação de Cristo em Marcos 16, os indivíduos envolvidos serem ignorantes do significado de suas palavras. Se uma pessoa diz alguma coisa em uma língua estrangeira que estudou academicamente, ela sabe o que está sendo dito. Da mesma forma, o discurso em uma língua imbuída de forma sobrenatural precisa ser exatamente tão inteligível a quem fala — caso contrário o Espírito Santo teria falhado em cumprir a profecia feita por Cristo em Marcos 16.

Vamos agora examinar a doutrina das línguas do apóstolo Paulo e ver se nossas descobertas até aqui estão consistentes com o que ele tem a dizer.

O Pano de Fundo Para a Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios

Para compreender os comentários de Paulo sobre as línguas em 1 Coríntios, precisamos compreender seu propósito geral ao escrever a epístola. Ele tinha sido informado que os cristãos coríntios tinham se afastado em muitos aspectos dos preceitos doutrinários que ele lhes tinha dado e agora queria trazê-los de volta para os trilhos. A partir dos vários comentários que ele faz na epístola, parece evidente que a Igreja em Corinto estava muito longe do padrão satisfatório no modo como lidava com seus problemas. Eles estavam abusando de seus dons espirituais, envolvendo-se em práticas imorais e sofrendo com "inveja, contendas e dissensões" (1 Coríntios 3:3).

Assim, os comentários de Paulo em relação às línguas destinam-se a corrigir mal-entendidos entre eles e garantir que dali para frente eles adotassem somente a posição doutrinária rígida no exercício das línguas.

Inclui no fim deste ensaio o texto completo dos capítulos 12, 13 e 14 de 1 Coríntios, onde todas as referências às línguas e a interpretação das línguas estão destacadas. Iremos agora "dissecar" o que Paulo escreveu e tentaremos estabelecer a posição doutrinária correta. Também veremos em que extensão ele confirma o que já descobrimos em nosso exame em Isaías, Marcos e Atos.

Observação Doutrinária 1

No capítulo 12, Paulo explica que existe uma diversidade de dons espirituais e que eles estão distribuídos dentro da igreja. Assim, precisamos concluir que o dom de falar em línguas podia ser possuído por somente alguns membros da igreja.

Observação Doutrinária 2

O capítulo 12 também menciona a interpretação de línguas como um dom espiritual. Seria um erro sério concluir, como alguns fazem, que isso se refere à interpretação das palavras faladas por uma pessoa que esteja exercendo o dom das línguas. Paulo está falando aqui de dois dons espirituais diferentes. O dom da interpretação relaciona-se com a tradução de um sermão ou de um pronunciamento inspirado, a partir de uma língua aprendida de forma natural, para a língua de uma ou mais pessoas na congregação, onde o próprio intérprete não possui naturalmente ambos os idiomas. Ele compreende a fala por meios naturais, ou pode traduzir a mensagem falando em línguas.

A descrição das línguas em Pentecostes torna bem claro que, quando uma pessoa fala em línguas, todos o ouvem em seu próprio idioma. Seria sem sentido inferir que aquilo que uma pessoa diz ao falar em línguas precise ocasionalmente ser interpretado por outra pessoa com o dom da interpretação. Isso implicaria que um dom do Espírito não seria suficiente para seu propósito.

Portanto, podemos concluir que o dom da interpretação de um idioma estrangeiro é totalmente separado e distinto do dom de falar em línguas. Ambos podem ser exercidos no mesmo foro, mas não em relação ao mesmo pronunciamento.

Observação Doutrinária 3

O verso 13:1 ("Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.") é algumas vezes considerado como uma referência de Paulo a uma linguagem angélica. Algumas vezes aqueles que adotam essa posição tentam então argumentar que essa linguagem seria por definição ininteligível aos ouvidos humanos. Assim, se alguém ao falar em línguas, falasse em linguagem angélica, não poderia ser compreendido pelos homens.

Existem sérios problemas com este argumento. Primeiro, ele é totalmente inconsistente com outras partes das Escrituras, onde a linguagem falada por uma pessoa que fala em línguas (ou a linguagem ouvida por um ou mais membros da congregação) é uma linguagem real e inteligível.

Há também um problema com a palavra grega angelos, que é traduzida como "anjos" em muitas Bíblias modernas, incluindo a Almeida Corrigida e Fiel. O significado literal dessa palavra é "mensageiros". Ela somente é traduzida como "anjos" quando o contexto assim requer, o que não é o caso aqui. Talvez uma tradução mais exata de angelos neste contexto atual seja "pastores" ou "pregadores" — conforme indicado pela Concordância de Strong. Isto seria plenamente consistente com o restante da epístola, que concerne à conduta apropriada da congregação em Corinto, o que inclui o pastor e os pregadores. (A palavra "evangelista" também deriva de angelos, pois um evangelista é um mensageiro da verdade.).

Uma "linguagem angélica", neste caso, também está em conflito com aquelas partes da Escritura em que, em qualquer comunicação entre anjos e homens, a comunicação sempre foi realizada em uma linguagem inteligível, isto é, na forma de comunicação do lado humano. Há também outro problema lógico com o argumento "angélico". Os homens não requerem uma linguagem angélica de modo a serem compreendidos pelos anjos.

Destarte, tendo considerado os sérios problemas com o argumento "angélico", bem como as claras referências encontradas nas Escrituras às línguas como idiomas humanos inteligíveis, podemos com segurança concluir que Paulo não está sugerindo por um momento no capítulo 13 que alguém que fala em línguas poderia, em certas circunstâncias, comunicar algo que seus ouvintes não poderiam prontamente compreender.

Observação Doutrinária 4

"O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado." [1 Coríntios 13:8-10].

Em 1 Coríntios 12, Paulo lista nove dons do Espírito Santo — sabedoria, conhecimento, fé, curas, operação de milagres, profecia, discernimento de espíritos, línguas e a interpretação de línguas. Mas, nos versos 8-9 ele declara especificamente que três deles passarão quando "vier o que é perfeito" (verso 10). O que é perfeito é a completa Palavra de Deus, a Bíblia. No tempo em que o apóstolo Paulo estava escrevendo, a Bíblia ainda estava incompleta. Os três dons revelatórios que ele diz que passarão são os três que são necessários para completar a Bíblia — conhecimento e profecia divinamente revelados e as revelações dadas por meio do falar em línguas.

Este é um importante pronunciamento feito por Paulo. O dom das línguas era temporário. Paulo sabia que esse dom estava programado para desaparecer depois que o livro final da Bíblia tivesse sido escrito. Depois disso, os cristãos não deveriam mais esperar testemunhar alguém falar em línguas.

Observação Doutrinária 5

"Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação. O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja." [1 Coríntios 14:1-4].

Alguns pensam que a "língua desconhecida" mencionada no verso 14:2 seja uma referência a "falar em línguas", mas este não é o caso. A língua (glossa) é claramente uma linguagem como qualquer outra — o mesmo sentido em que glossa é usada em outros lugares. Devemos observar o que o celebrado Matthew Poole disse sobre esses versos em seu famoso Comentário Bíblico (publicado em 1685): [Poole refere-se a Lightfoot, outro famoso comentarista, que faleceu em 1675.]

"Porque o que fala em língua desconhecida; por língua (pois desconhecida não está no grego original, mas foi necessariamente acrescentado pelos tradutores, pois Paulo se refere a esse tipo de língua) ele quer dizer uma língua não conhecida por todos, ou, pelo menos, não pela maior parte dos ouvintes. Pode-se perguntar à qual língua desconhecida o apóstolo se refere aqui. Devemos pensar que os pastores e mestres na igreja de Corinto eram tão vãos ao ponto de pregar em língua árabe, cita ou parta para um povo que somente compreendia o grego? Nosso douto Lightfoot pensa que isto não seja provável e que se um deles fosse tão vão para fins de ostentação, o apóstolo o teria repreendido por praticar esse abuso e teria proibido a continuação dessa prática, do que dar instrução, que se alguém assim falasse, deveria interpretar, como faz no verso 5. Ele pensa, portanto, que o apóstolo se referia à língua hebraica, que por volta daquele tempo tinha em grande parte sido perdida, por causa da mistura dos judeus com as outras nações, todavia estava restaurada em grande medida para os líderes das igrejas, para a melhor compreensão das Escrituras do Velho Testamento; e continuava em uso entre os judeus para a leitura da Lei nas sinagogas. Agora, com a presença de muitos judeus nesta igreja e o serviço a Deus sendo ordinariamente realizado em língua hebraica nas sinagogas, é muito provável que alguns desses judeus cristianizados (para mostrar suas capacidades) quando falavam diante da igreja em Corinto, usassem o hebraico, embora poucos, ou ninguém mais entendesse aquele idioma. O apóstolo disse que aquele que assim fazia, falava não aos homens, isto é, não aos homens que não compreendiam aquele idioma, não à sua audiência em geral, embora talvez alguns poucos pudessem compreender, mas a Deus, que sendo o autor de todos os idiomas, necessariamente conhecia o significado de todas as palavras. "Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios"; embora ele possa falar coisas misteriosas para si mesmo e para o entendimento de sua própria alma e espírito. Outros acham que era possível, que alguns que assim falavam, sendo apenas os instrumentos do Espírito Santo, não pudessem eles mesmos compreender tudo aquilo que diziam, mas isto é improvável."

Em outras palavras, esses grandes eruditos bíblicos, Poole e Lightfoot, eram da opinião que a "língua desconhecida" a qual Paulo estava se referindo era o hebraico. O orgulho era um grande problema entre aqueles irmãos "enfatuados" em Corinto, de modo que pareceria que alguns pregadores estavam usando o hebraico como uma prova de sua erudição e não para a edificação de seus ouvintes, muitos dos quais possuíam pouca instrução formal. Embora eles pudessem edificar a si mesmos ao falar em hebraico, ou ao usar inúmeros termos em hebraico, eles estavam somente se comunicando com Deus e não com os outros homens ou, como Poole diz, "seus ouvintes em geral".

Podemos concluir, a partir dos versos 1-4, que Paulo estava insistindo que todos os pregadores devem falar aos seus ouvintes em uma língua que todos possam compreender. Isto é confirmado pelo verso 5, que diz:

"E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação."

Em outras palavras, se um pregador estiver determinado a pregar em uma língua desconhecida, então pelo menos garanta que entre os presentes exista alguém que possa traduzir aquilo que ele disser para a língua comum das pessoas que estiverem na congregação. Pode ser alguém que estudou e aprendeu o hebraico, ou alguém que tenha recebido o dom da interpretação pelo Espírito Santo.

Os seguintes versos têm o objetivo de reforçar esse ponto.

"E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina? Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara? Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar. Há, por exemplo, tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro para aquele a quem falo, e o que fala será bárbaro para mim. Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja." [1 Coríntios 14:6-12].

O Dicionário Webster (1828), que catalogou rigorosamente a linguagem usada na tradução Autorizada do Rei Jaime (KJV), definiu o verbo "edificar" como segue:

"Instruir ou aprimorar a mente em conhecimentos gerais e, particularmente, em conhecimento moral e religioso, em fé e santidade."

Isto reforça o sentido do que Paulo estava tentando comunicar, isto é, que todas as palavras proferidas na igreja devem ter o objetivo de "edificar" os presentes, promovendo um maior conhecimento da fé e da santidade.

Observação Doutrinária 6

Os cinco versos seguintes desenvolvem um pouco mais a doutrina das línguas:

"Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar. Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado." [1 Coríntios 14:13-17].

O verso 13 dá origem à seguinte questão: Por que uma pessoa que está falando em uma língua estranha tem de orar "para que a possa interpretar"? Isto é facilmente explicado se compreendermos que a "língua desconhecida" é desconhecida somente para a audiência e não para aquele que está falando. O desafio para quem fala é encontrar as palavras certas no idioma local para que ele possa ser compreendido pelos seus ouvintes. Paulo está orientando que, nesses casos, ele deveria orar (talvez antecipadamente) e pedir que o Espírito Santo lhe dê a capacidade de encontrar essas palavras.

Esses versos têm particular consideração para a diversidade das línguas que eram faladas em Corinto, uma agitada cidade cosmopolita com residentes e visitantes de muitas partes do Império Romano. Dentro do espaço de alguns poucos quilômetros quadrados, era possível encontrar de dez a quinze idiomas sendo falados, cada um dos quais era um "idioma estrangeiro" para qualquer um que não o compreendesse. Assim, em uma igreja formada por membros de origem judaica e gentia, com níveis mistos de educação formal, era absolutamente vital que qualquer um recebesse exatamente a mesma instrução religiosa. Paulo estava perfeitamente ciente que a confusão apareceria se a igreja em Corinto não solucionasse esse problema.

O conselho dele foi tipicamente prático — seja por dons espirituais ou por estudo convencional, seja por meio de recursos próprios ou com a ajuda de terceiros, sempre garanta que tudo o que você disser seja compreendido por todos os ouvintes.

Isto é consistente com a epístola como um todo, onde o objetivo principal de Paulo era solucionar os problemas práticos e fazer isso de um modo claro e conciso que todos em Corinto pudessem compreender.

Portanto, podemos concluir que os versos 13-17 não apresentam um novo elemento doutrinário, mas simplesmente reforçam a mensagem dada por Paulo nos versos 6-12.

Observação Doutrinária 7

"Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos. Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida. Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento." [1 Coríntios 14:18-20].

No verso 18 Paulo está dizendo aos coríntios que, devido ao seu chamado como apóstolo aos gentios, ele tinha mais oportunidade do que qualquer um em Corinto de falar em línguas — ele está se referindo aqui ao dom espiritual das línguas concedido pelo Espírito Santo. Ele certamente adquiriu um grande conhecimento de idiomas no curso de suas extensas viagens.

Se considerado isolado, o verso 19 pode sugerir que Paulo algumas vezes falava em línguas (sobrenaturalmente) sem na verdade compreender o que estava dizendo. Mas, isso estaria em conflito direto com tudo o que ele disse até agora. Na realidade, ele está proclamando (no verso 19) que nunca, sob quaisquer circunstâncias, dizia a uma audiência algo que não pudesse ser compreendido! Ele enfatiza isso ao exortar os coríntios (no verso 20) a abrir mão do hábito infantil de pregar em um idioma que a audiência não possa compreender.

É claro então que os versos 18-20 repetem, em termos muito enfáticos, a mesma mensagem dada nos versos 6-17, isto é, "Faça-se compreender!".

Observação Doutrinária 8

"Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis." [1 Coríntios 14:21-22].

Paulo está se referindo aqui a Isaías 28:11-12, que já discutimos. Ele está confirmando que falar em línguas (de forma sobrenatural) é um sinal aos judeus ("este povo"). Como Isaías refere-se especificamente aos descrentes do povo judeu ("e ainda assim não ouvirão"), esta é a descrença sobre a qual Paulo está falando. Não haveria sentido em fazer um pronunciamente inspirado (profecia) a um judeu não convertido, mas meramente testemunhar alguém falando sobre Jeová na língua de um povo gentio seria bastante surpreendente para ele.

Estes versos confirmam que Paulo sabia que os coríntios estavam falando em línguas mesmo quando judeus não estavam presentes. Eles estavam fazendo isso simplesmente para impressionar uns aos outros e não pela razão expressa dada nas Escrituras.

Temos uma nova conclusão doutrinária aqui, isto é, que falar em línguas era um sinal para os judeus e somente para os judeus.

Observação Doutrinária 9

"Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? Mas, se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. Portanto, os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós." [1 Coríntios 14:22-25].

Os "infiéis" no verso 23 estão ligados com os "indoutos". Assim, Paulo está se referindo aqui aos gentios descrentes. Ele diz que quando esses indivíduos compareciam a um serviço da igreja e ouviam muitos na congregação falar em línguas (por meio do dom concedido a eles pelo Espírito Santo), eles naturalmente pensavam que os "cristãos "estavam loucos". Se compreendessem o que estava sendo dito de forma sobrenatural, eles não ficariam confusos e não pensariam que os cristãos coríntios estavam loucos. O problema é que, por não serem judeus, eles não compreendiam o que estava sendo dito. Os coríntios estavam fazendo mau uso do dom das línguas. Com isto, eles estavam somente confundindo os indivíduos sinceros que comparecim às reuniões da igreja para ouvir o Evangelho de Cristo. Se eles enfocassem apenas a pregação do Evangelho de um modo bíblico e inspirado (profetizando), então esses visitantes poderiam prontamente compreender e vir a Cristo.

Observação Doutrinária 10

"Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus. E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados." [1 Coríntios 14:26-31].

Paulo censura os coríntios por serem tão ansiosos em expressarem suas aptidões evangélicas que negligenciavam aquilo que era realmente importante — a edificação dos ouvintes. Ele pede que eles limitem o número dos que falam ou pregam a dois ou três. Se um deles estiver falando em uma língua que parte da audiência não compreende, então que outra pessoa interprete aquilo que está sendo dito para que todos os presentes sejam edificados. Se não houver alguém que possa interpretar, então aquele indivíduo deve permanecer calado e orar a Deus.

Ele os faz lembrar também que, se o Espírito Santo motivar outra pessoa a falar, pode fazer isso para o benefício de todos, mas não de forma a criar confusão. Cada um deve falar, um de cada vez, de forma ordeira.

Observação Doutrinária 11

"E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos." [1 Coríntios 14:32-33].

O verso 32 diz que as faculdades dos santos ou profetas (aqueles que estão falando) devem estar o tempo todo sob o controle deles mesmos. A palavra traduzida como "espírito" é pneuma (Strong, item 4151), o que significa alma racional ou disposição mental. Em hipótese alguma deve um cristão falar na igreja sem ter pleno controle ou sem compreender suas palavras e ações, pois Deus não é o autor de confusão.

Observação Doutrinária 12

"As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja. Porventura saiu dentre vós a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor. Mas, se alguém ignora isto, que ignore. Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem." [1 Coríntios 14:34-41].

Paulo está impondo uma disciplina rígida aqui. Nos versos 36 e 37 ele diz que, independente do que alguém em Corinto possa pensar — não importa quem seja — aquilo que ele, Paulo, diz aqui é para ser seguido por todos, exatamente como definido. Ele não os proíbe de falar em línguas, mas somente podem fazer isso da forma como eles os instruiu. A palavra traduzida como "decentemente" (euschemonos) também significa "honestamente". Ele deseja que eles ajam de forma honesta nesta questão e que mantenham os preceitos de ordem que ele delineou para eles.

Resumo do Dom Bíblico de Falar em Línguas

A partir desta nossa análise, podemos ver que a Bíblia é muito específica sobre o papel das línguas, como e quando esse dom do Espírito Santo podia ser usado. A Bíblia definiu algumas condições que tinham de ser satisfeitas antes que isso pudesse ser feito de uma maneira sadia. As condições são as seguintes:

  1. Judeus precisam estar presentes.
  2. Os judeus precisam ser descrentes — ao contrário da evangelização dos gentios.
  3. A "língua" precisa ser uma linguagem natural falada pelos homens.
  4. Quem fala precisa compreender o que está dizendo.
  5. Quem fala precisa ter pleno controle sobre aquilo que está dizendo.
  6. O dom cessaria quando a Bíblia ficasse completa (isto é, por volta do ano 96 DC, quando o Apocalipse foi escrito).

Usando essas conclusões bíblicas, podemos responder à diversas questões que os cristãos modernos têm a respeito do dom das línguas:

Podem os cristãos modernos falar em línguas de um modo biblicamente correto?

A resposta é obviamente não. Isto não impede a possibilidade que o Senhor possa fazer uma pessoa falar espontaneamente em outro idioma, como fez com a mula de Balaão, mas as Escrituras dizem que o dom bíblico das línguas cessou.

Os pentecostais e carismáticos falam em línguas na oração privada — isto é biblicamente aceitável?

Novamente, a resposta é não. As línguas bíblicas não eram uma forma particular de oração. Elas tinham um propósito muito específico, que era servir como um sinal para os judeus. O dom das línguas era demonstrado em um foro público.

Os pentecostais e carismáticos falam em uma forma ininteligível de línguas — isto é biblicamente aceitável?

Novamente, não. A Bíblia mostra claramente que falar em línguas sempre envolvia expressar-se em uma linguagem conhecida em alguma parte do mundo. Além disso, precisava ser um idioma compreendido por pelo menos uma pessoa no recinto.

Os pentecostais e carismátivos que falam em línguas geralmente não sabem o que aquilo que proferem de forma ininteligível significa — isto é biblicamente aceitável?

Absolutamente não. Mais uma vez, a Bíblia é muito clara sobre isto. Quem fala precisa sempre compreender o significado daquilo que está dizendo.

Os que falam em línguas hoje frequentemente perdem o controle dos movimentos de seus corpos — isto é biblicamente aceitável?

Não, não é. A Bíblia diz que quem fala precisa sempre estar em pleno controle de si mesmo.

Que Espírito Está Trabalhando por Meio Daqueles Que Falam em Línguas Hoje?

Esta é uma questão muito delicada e dolorosa de responder. Muitos pentecostais são cristãos maravilhosos e desprendidos, profundamente dedicados a viver uma vida cristã. Entretanto, é óbvio a partir da análise nas Escrituras que realizamos que o Espírito Santo não confere mais o dom das línguas. Portanto, se os cristãos modernos estão falando em línguas, eles estão fingindo (talvez até para si mesmos) expressando uma forma aberrante (possivelmente inócua) de comportamento mental, ou respondendo a uma influência sobrenatural de origem imunda.

É esta última explicação que deve ser de maior preocupação.

As duas primeiras explicações (auto-engano e comportamento aberrante) são más o suficiente no sentido que desviam os cristãos de orarem ao Senhor, conforme Ele deseja, e apresentam um retrato do Cristianismo biblicamente muito distorcido para o mundo. Quantos milhares já rejeitaram o Evangelho por causa do modo estranho com o qual cristãos supostamente devotos que falam em línguas estavam se comportando?

Entretanto, o elemento demoníaco é que é verdadeiramente perigoso. Muitos observadores já notaram o quão erráticos e desbalanceados os pentecostais e carismáticos que falam em línguas podem se tornar em suas vidas emocionais e o quão sedentos eles estão por sinais e demonstrações da providência divina. Para eles, a ênfase está na experiência, e não na fé — exatamente como no Movimento de Nova Era.

Citamos os comentários do pastor Bryce Hardin no início deste ensaio e sua grande preocupação com o estrago que o falar em línguas está fazendo, tanto para os cristãos individuais quanto para o Cristianismo em geral. Ele diz que já viu incontáveis casos em que pessoas que falavam em línguas ficaram sujeitas a sérias e prolongadas perturbações quando se abriram para "o espírito". Dificilmente ocorria a qualquer uma dessas pessoas que o espírito envolvido não era o Espírito Santo, mas uma entidade demoníaca que se mascarava como um ser benigno.

Com minha própria experiência no Movimento de Nova Era, é óbvio para mim que muitos cristãos hoje pensam no Espírito Santo como uma força e não como uma pessoa (ou talvez parcialmente como uma força e uma pessoa). Assim, elas imaginam que possam chamá-lo(a), mais ou menos como um fluído sutil dos céus. Este é um erro verdadeiramente horrendo e que está fazendo um imenso mal ao Cristianismo hoje. O Espírito Santo é uma pessoa e somente uma pessoa. Ele não pode ser invocado como uma força ou uma energia. Ele também não pode receber ordens para fazer isto ou aquilo.

Lembre-se que Jesus Cristo NUNCA orava ao Espírito Santo; Ele SEMPRE orava ao Pai Celestial. Isto certamente nos diz alguma coisa. Parece que, exceto nos casos de pura ingenuidade, todos os praticantes das línguas estranhas estão terrivelmente confusos a respeito do verdadeiro Cristianismo bíblico e estão motivados principalmento pelo orgulho, a crença que de algum modo eles podem se dirigir ao Espírito Santo (o que Jesus Cristo nunca fez) e dizer-lhe o que fazer.

Ninguém gosta de ouvir isto e eu certamente não gosto de ter de dizer isto. Mas, após 33 anos no Movimento de Nova Era, quando finalmente vim a Cristo, fiquei realmente chocado em ver quantos cristãos tinham se tornado praticantes de Nova Era pela porta dos fundos, quantos tinham perdido sua fé em Cristo e substituído a fé por uma filosofia experimental que na verdade está em conflito com a verdade bíblica. Os cristãos parecem ter se esquecido do quão perigoso Satanás é e quantas versões falsificadas de Cristianismo ele já criou para enganar os incautos e atrai-los para sua rede de enganação.

A partir de longos anos de estudo neste campo, não tenho a menor dúvida que falar em línguas estranhas, ser ferido (ter desmaios) no espírito, a Bênção de Toronto (também chamada de Reavivamento do Riso), e fenômenos similares são totalmente demoníacos em sua origem, uma forma disfarçada de feitiçaria que apresenta uma ameaça espiritual real para qualquer um que seja tolo o bastante para se envover nessas práticas.

A maioria dos cristãos não está familiarizada com Grimoires, coleções de maldições e encantamentos mágicos muito antigos. Eles foram criados para conjurar e controlar os espíritos das trevas para propósitos mágicos. Muitas dessas maldições e encantamentos estão em latim (como os encantamentos que aparecem nos livros da série Harry Potter), porém outros estão em grego, inglês arcaico, hebraico e árabe. Assim, é muito fácil para um demônio induzir um cristão a proferir uma dessas maldições sob a crença errônea que está falando em línguas. Por exemplo, se você ouvisse alguém entoar "jam tibi impero", poderia imaginar que isto é uma oração que lhe foi dada pelo Espírito Santo. Na verdade, são as três palavras iniciais de um encantamento mágico para dar ordens a um demônio tenebroso.

Muitos cristãos acreditam erroneamente que falar em línguas seja um fenômeno exclusivamente cristão. Na verdade, não é nada disto. Muitas outras culturas e tradições religiosas, incluindo o Vodu e a Santeria, praticam as línguas. O fenômeno também é bem conhecido entre os seguidores da Falun Gong, o movimento religioso chinês que está baseado na antiga arte ocultista do Qigong. Por exemplo, "... centenas de pessoas em Pequim compareceram recentemente para uma tarde de risadas descontroladas até ao ponto de rolar no chão, danças em transe, curas pela fé e falar em línguas.". Eles estavam participando de uma reunião da Falun Gong, organizada por Li Hongzhi, que por volta de 1995 afirmou ser o "salvador onisciente e onipotente de todo o universo". (Citado em Qigong Fever: Body, Science and Utopia in China, David A Palmer, Columbia University Press, 2007).

Em um encontro no Congresso, na cidade de Washington, em maio de 2005, o professor David Ownby fez uma apresentação sobre as religiões não-oficiais na China, em que discutiu Qigong e Falun Gong:

"Chefiados por mestres carismáticos, o movimento prometia curas milagrosas e poderes sobrenaturais, que podem ser obtidos por meio de exercícios físicos, meditação, visualização, transe e/ou falar em línguas. Fenômenos paralelos no Ocidente seriam chamados de novos movimentos religiosos ou Movimentos de Nova Era."

Falar em línguas também existe na Kundalini Yôga, que envolve despertar o "poder da serpente" na base da espinha dorsal — uma prática ocultista muito perigosa.

Em seu livro Devatma Shakti (Kundalini): Divine Power, o swami Vishnu Tirtha cita algumas das características relevantes, com base em um tratado escrito por seu guru, Shri Yogãnandji Mahãrãja:

"Quando seu corpo começa a tremer, os cabelos ficam eriçados, você ri ou começa a chorar sem desejar, sua língua começa a proferir sons deformados, você fica tomado por um temor ou vê visões atemorizadoras... a Kundalini Shakti se tornou ativa..."

"Quando em seguida você se senta com os olhos fechados, então em um instante o corpo começa a mostrar atividades como fazer os braços e as pernas se estenderem forçadamente, sons deformados serem proferidos em voz alta, você começa a proferir sons parecidos com as vozes de animais, como pássaros, sapo, leão, chacal, cachorro, tigre, que inspiram medo e não são agradáveis de se ouvir, compreenda que a Grande Deusa Kundalini entrou em ação..."

"Logo depois que você se assenta para as orações, seu corpo começa a tremer e em êxtase de alegria você começa a cantar hinos em tons de música agradáveis de ouvir e cuja composição e poesia vêm involuntariamente, suas mãos batem palmas ritmicamente e você pronuncia palavras em uma língua estranha que não conhece, mas o som produz êxtase em sua mente, saiba que a Deusa da linguagem, Saraswati, despertou e entrou em ação."

Se você acha que o Espírito Santo está envolvido em qualquer um desses fenômenos, está terrivelmente enganado. Eles são total, completa e profundamente demoníacos. Os demônios são até mesmo citados — Shakti, Kundalini and Saraswati.

Vou encerrrar com uma chocante advertência feita pelo pastor Bryce Hardin:

"Até tempos recentes, o Espiritismo estava em geral desacreditado. Seus supostos fenômenos eram ridicularizados e seus médiuns eram rejeitados como impostores. Tudo isto agora mudou. A prática do Espiritismo em uma forma ou outra se tornou agora aceitável na sociedade, mas ainda mais, seu aparecimento no segmento da igreja cristã que fala em línguas na verdade o tornou respeitável. O caminho está agora sendo preparado para novas esferas cada vez mais amplas de atividade demoníaca e para o fornecimento de novos e mais eficientes canais humanos por meio dos quais esses espíritos enganadores poderão operar."

"Alguém já disse muito bem que a separação entre o natural e o sobrenatural é feita por uma parede muito fina em alguns locais. Este é certamente o caso aqui. Com o surgimento nos últimos cem anos do movimento das línguas estranhas, com seu poderoso apelo emocional e suas curas psíquicas, Satanás criou agora para si mesmo uma nova fonte de autoridade e esses ensinos, tendo obtido respeitabilidade, abrem a porta ainda mais para outras doutrinas de demônios." — Today’s Tongues, 1987, pág. 12

Bibliografia Selecionada

  1. Cloud, David, The Pentecostal-Charismatic Movements.
  2. Fitton, Paul, The Alpha Course: Is it Bible-based or Hell-inspired?
  3. Hartin, Bryce, Satan Wants Your Mind, Today’s Tongues
  4. Legrand, Fernand, All About Speaking in Tongues.
  5. MacArthur, John Jr, Speaking in Tongues.
  6. Nelte, Frank, Should You Speak in Tongues?
  7. Strauss, L and Niland, B, Is Speaking in Tongues Demonic?
  8. Unger, Merrill, Biblical Demonology. What Demons Can Do to Saints.
  9. Younce, Max, Fact to Face with Tongues.

Apêndice

1 Coríntios 12:

  1. Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.
  2. Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.
  3. Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.
  4. Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
  5. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
  6. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
  7. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.
  8. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;
  9. E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;
  10. E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.
  11. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.
  12. Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também.
  13. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.
  14. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
  15. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?
  16. E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo?
  17. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
  18. Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
  19. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
  20. Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo.
  21. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós.
  22. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários;
  23. E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra.
  24. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela;
  25. Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros.
  26. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.
  27. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.
  28. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.
  29. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres?
  30. Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos?
  31. Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.

1 Coríntios 13:

  1. Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
  2. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.
  3. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.
  4. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.
  5. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
  6. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
  7. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
  8. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
  9. Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
  10. Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
  11. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
  12. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
  13. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

1 Coríntios 14:

  1. Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.
  2. Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.
  3. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação.
  4. O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja.
  5. E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação.
  6. E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina?
  7. Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara?
  8. Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?
  9. Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar.
  10. Há, por exemplo, tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação.
  11. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro para aquele a quem falo, e o que fala será bárbaro para mim.
  12. Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja.
  13. Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar.
  14. Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto.
  15. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.
  16. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?
  17. Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado.
  18. Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos.
  19. Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida.
  20. Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento.
  21. Está escrito na lei: Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor.
  22. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis.
  23. Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?
  24. Mas, se todos profetizarem, e algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado.
  25. Portanto, os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós.
  26. Que fareis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.
  27. E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete.
  28. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.
  29. E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.
  30. Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro.
  31. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados.
  32. E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.
  33. Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.
  34. As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei.
  35. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja.
  36. Porventura saiu dentre vós a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós?
  37. Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.
  38. Mas, se alguém ignora isto, que ignore.
  39. Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas.
  40. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.



Autor: Jeremy Jones, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 26/12/2012
Transferido para a área pública em 2/11/2014
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