Pragmatismo na Igreja: Uma Religião Orientada Para Resultados e Que Abre a Porta Para o Anticristo. Uma Apostasia Com Propósitos.

Capítulo 12: A Galeria da Fama da Igreja do Novo Paradigma: Os Flautistas de Hamelin na Igreja do Século 21

Recursos úteis para sua maior compreensão

As Igrejas Cristãs Estão Abrindo as Portas Para o Anticristo


Título do Livro 2


Título do Livro 3


Sinopse: o objetivo principal daqueles que brincam segundo as regras do Jogo da Igreja do Novo Paradigma é a transformação da igreja de Jesus Cristo. Essa transformação levará à total remoção de qualquer vestígio do fundamentalismo separatista e combativo e à plena aceitação do modelo do novo paradigma de relevância cultural, que é defendida pelo neo-evangelicalismo do século 21. Este artigo investiga os homens que foram os precursores e pais do Movimento de Crescimento de Igrejas, os facilitadores atuais e o principal centro de irradiação do novo paradigma: o Seminário Teológico Fuller.


O objetivo principal daqueles que brincam segundo as regras do Jogo da Igreja do Novo Paradigma é a transformação da igreja de Jesus Cristo. Essa transformação levará a igreja ao ponto da remoção completa de qualquer vestígio do fundamentalismo separatista e combativo e à plena aceitação do modelo do novo paradigma de relevância cultural, que é defendida pelo neo-evangelicalismo do século 21. Como foi discutido no Capítulo 3, desde sua formação, o neo-evangelicalismo buscou "manter a ortodoxia teológica histórica do fundamentalismo ao mesmo tempo em que rejeitava seu separatismo e militância." (1) Entretanto, a Bíblia é bem clara que a ortodoxia e a militância são inseparáveis, e qualquer tentativa de separar as duas resultará na corrupção da ortodoxia. Como explicado por Fred Moritz em seu livro Contending For The Faith, Judas exortou os cristãos "a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos." [Judas 1:3] O Dr. Moritz explica então que a palavra grega traduzida como "batalhar" na nossa Bíblia é definida como "lutar..., pelejar, guerrear". Portanto, Paulo, sob a direção do Espírito Santo, não estava simplesmente compondo uma bela prosa quando escreveu e exortou Timóteo a "suportar as aflições como um bom soldado de Jesus Cristo" [2 Timóteo 2:3]; e, acima de tudo, Timóteo foi instruído a "conservar o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido." [2 Timóteo 1:3] Como já foi enfatizado muitas vezes neste manuscrito, os ingredientes mais vitais do cristianismo bíblico são as doutrinas fundamentais da Palavra de Deus e, de acordo com os mandamentos (não sugestões) das Escrituras, essas doutrinas devem ser mantidas, defendidas e preservadas pela igreja. Além disso, a revelação da história mostra que Lúcifer tem repetidamente atacado aqueles que buscam cumprir essa missão mandada por Deus.

A estratégia implementada por Lúcifer em seus ataques à Palavra de Deus (bem como contra aqueles que procuram defendê-la) está também documentada no livro de Judas. Imediatamente após o chamado para a defesa da fé, Judas diz que "certos homem se introduziram sorrateiramente... homens ímpios... que convertem em dissolução a graça de Deus..." [Judas 1:3]. O aspecto mais interessante dessa afirmação é o fato que "homens ímpios...". Se esses indivíduos foram aceitos na comunhão dos santos, obviamente não foram reconhecidos como homens ímpios, mas, ao invés disso, foram totalmente aceitos como membros da igreja e, possivelmente, foram também elevados à posição de liderança. No caso da igreja no século 21, muitos homens aparentemente iniciaram seus ministérios em um rumo bíblico e desviaram-se depois ao ouvirem a canção sedutora da fama, da riqueza e do poder. Em alguns casos, ou até na maioria deles, até a digressão para a estrada da contemporização pode ter sido pavimentada com as boas intenções — ou mesmo a visão de levar milhares de vidas a Jesus Cristo. Portanto, não é a intenção deste autor julgar os corações dos homens citados neste capítulo — o próprio Deus fará isso no devido tempo. Muitos desses indivíduos podem ter intenções nobres, ou talvez mal dirigidas, ou podem até ser vítimas de instigações ocultas. Entretanto, o dever de todo filho de Deus inclui uma avaliação bíblica de todo ministro ou ministério que possa encontrar e, com base nessas avaliações, pode ser elaborada uma relação daqueles que são os membros empossados óbvios na Galeria da Fama do Novo Paradigma.

A relação dos empossados na Galeria da Fama do Novo Paradigma está dividida em várias subseções:

Os Precursores

"Faleceu, porém, Josué, filho de Num, servo do SENHOR, com a idade de cento e dez anos. E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após ela se levantou, que não conhecia ao SENHOR, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel." [Juízes 2:8,10].

Em poucas palavras, essa passagem do Velho Testamento diz muito sobre a tragédia de deixar de perpetuar a retidão para as gerações seguintes. Entretanto, no caso da igreja do século 21, as vitórias conquistadas por aqueles que defenderam a verdade desde a virada do século até o fim da Segunda Guerra Mundial (veja o Capítulo 3) começariam a ser solapadas pela rebelião dentro de suas próprias fileiras antes mesmo que a geração anterior passasse para a eternidade. Essa rebelião foi liderada por aqueles cujos pais podem ter sido evangélicos e/ou fundamentalistas "que batalharam pela fé" durante a matança do Modernismo na primeira metade do século passado. Entretanto, a geração mais nova tinha vergonha da reputação de "atrasados", "de baixa escolaridade" e de "mentalidade estreita" do fundamentalismo. Esses jovens buscavam o respeito e o aplauso da comunidade intelectual, teológica e científica e tornou-se enamorada com as novas idéias de socialização e o papel do cristianismo em solucionar os problemas das questões sociais em sua cultura. Em resumo, embora a geração mais jovem ainda professasse a ortodoxia fundamental da Palavra de Deus, estava envergonhada dos estigmas associados com o fundamentalismo até ao ponto de não quererem mais ser chamados de fundamentalistas. Dois desses indivíduos que atingiram a notoriedade para serem empossados na Galeria da Fama do Novo Paradigma sob esses auspícios foram o falecido Harold J. Ockenga e Billy Graham.

Harold Ockenga

Harold J. Ockenga certamente tinha uma sólida compreensão da Doutrina da Separação. Como aluno da Universidade de Princeton, ele foi instruído por um dos maiores presbiterianos fundamentalistas da história, o Dr. J. Gresham Machen. Ockenga até se separou com o Dr. Machen da tomada modernista de Princeton para o Seminário de Westminster. Ele era um amigo íntimo e colega de classe de um dos fundamentalistas mais combativos daquele tempo, o Dr. Carl McIntire; e o Dr. McIntire serviu como chefe dos introdutores no casamento dele. Ockenga tornou-se um dos primeiros formados pelo Seminário de Westminster. Posteriormente, Ockenga assumiu o pastorado da Igreja Congregacional da Rua do Parque, em Boston, estado de Massachusetts. Ele foi um prestigioso, dignificado e conservador pastor presbiteriano com um ministério muito bem-sucedido.

A despeito de tudo isso, o Dr. Ockenga tinha algumas questões com sua herança fundamentalista e partiu para transicionar a igreja para uma nova posição dentro da era "moderna". Ockenga foi o fundador da Associação Nacional dos Evangélicos e, embora essa organização inicialmente incluísse fundamentalistas da antiga linha, como John R. Rice, Charles Woodbridge, Bob Jones Sr., e outros — isso iria mudar. Na verdade, as coisas mudaram drasticamente. Ockenga determinou criar um novo curso para os evangélicos modernos que incluía atitudes divergentes distintivas daquelas da ortodoxia fundamentalista. Em 1947, ele cunhou o termo "neo-evangélico" para descrever aqueles que seguiam sua liderança. Como discutido no Capítulo 3 deste manuscrito, Ockenga e seus seguidores rebelaram-se contra a combatividade e separação do fundamentalismo. Além disso, ele insistia que a palavra-chave para continuar expandindo o evangelho não era mais a separação bíblica, mas a infiltração nas igrejas apóstatas. Em 1948, ele detalhou os objetivos do neo-evangelicalismo:

Além disso, Ockenga designou e promoveu especificamente quatro agências para o avanço do neo-evangelicalismo:

Por volta de 1956, a lista de credenciais de Ockenga atingiu proporções que poderiam facilmente ser descritas como incríveis.

Essencialmente, Ockenga foi um dos primeiros a propor que os cristãos conservadores e fundamentalmente ortodoxos adotassem certos aspectos da cultura popular. (Neste caso, esses aspectos eram aqueles da extremidade mais elevada da cultura popular — os atributos intelectuais, científicos e eclesiásticos da "camada superior" da sociedade). A base dessa posição originou-se como uma reação contra o fundamentalismo militante e "atrasado". Ele e seus cúmplices sentiam que a militância fundamentalista era ofensiva demais, e os indivíduos intelectualmente mais astutos afastavam-se do evangelho, em vez de serem atraídos a Cristo devido à falta de intelectualismo no fundamentalismo. Como reação a essa questão, a estratégia da infiltração incluía uma visão menos dogmática das doutrinas "não-essenciais", como a Criação recente e a inerrância das Escrituras. Como resultado da influência de Ockenga, os neo-evangélicos responderam ao sedutor chamado para o orgulho, o intelectualismo e o relativismo cultural.

Em resumo:

Os pontos acima formam os conceitos fundamentais da Religião Orientada Para Resultados da Igreja do Novo Paradigma. É verdade que a síntese do neo-evangelicalismo do século 21 do novo paradigma busca um grupo ligeiramente mais populoso em vez de o grupo intelectual como seu alvo para o consenso, mas o princípio continua o mesmo. A estratégia de um consenso entre os com igreja e os sem-igreja, de modo a facilitar o resultado que destruirá o cristianismo fundamentalista, é precisamente a essência daquilo que o Dr. Ockenga prescreveu. Como evidenciado pelas informações apresentadas nos capítulos de 8 a 11 deste manuscrito, o processo para alcançar o "propósito" da Igreja do Novo Paradigma utiliza a mesma filosofia.

Billy Graham

Billy Graham iniciou seu ministério como um fundamentalista, participava de instituições fundamentalistas e adotava uma posição militante em defesa dos princípios da Palavra de Deus. Ele se alinhou com os grandes fundamentalistas dos anos 40 contra os ataques do modernismo e pregava "todo o conselho de Deus". Em 1949, Graham foi catapultado aos holofotes nacionais quando o barão da mídia William Randolph Hearst o ouviu pregar um sermão em uma conferência evangelística e de reavivamento em Los Angeles. Subseqüentemente, Hearst instruiu os editores de seus jornais a "inflarem Graham" (7) e logo histórias vibrantes sobre Graham enfeitaram as páginas dos principais jornais de todo o país. Os holofotes nacionais não tornaram Graham imune aos ataques dos inimigos do evangelho. Em uma carta de 23/10/1950 ao Dr. Bob Jones Sr., Graham relatava:

"Os modernistas estão começando a escrever cartas contra mim... Estão começando a aparecer artigos em certos jornais atacando as coisas em defesas das quais eu luto." (8).

Entretanto, como foi o caso com Harold Ockenga, as coisas começaram a mudar. Já em 1951, o Dr. Bob Jones Sr. advertia os jovens evangelistas sobre a atração do mundo:

"A preocupação com o glamour, a ambição e o desejo de agradar a todos estão tão presentes em suas vidas que vocês estão cambaleando de um lado para o outro da rua." (9).

Por volta de 1956, as associações de Graham com os modernistas levantaram questionamentos de fundamentalistas em todo o mundo. Em uma carta de 10/1/1956 a John R. Rice, o Dr. Graham defendia a direção ecumênica de seu ministério:

"... negar a divindade de Cristo seria uma coisa; mas a questão de política, métodos e estratégia, é outra totalmente diferente. Certamente não vamos dividir a comunhão por causa de uma estratégia... desde que minha mensagem seja clara, acredito que tenho o direito de esperar seu suporte e suas orações." (10).

Essa defesa denota o conceito mais fundamental na Religião Orientada Para Resultados: o fim justifica os meios. O Dr. Graham achava que era merecedor do suporte e das orações daqueles que percebiam que ele estava em um caminho que incorporava um afastamento claro da fé porque obviamente achava que eles é que estavam errados em sua avaliação que o fim não justifica os meios. Em uma carta de 12/5/1956 a Billy Graham, o Dr. Bob Jones Jr. (um amigo íntimo de Graham) escreveu:

"... você está enganando a si mesmo e sua posição... é contrária aos ensinos da Palavra de Deus, e tudo o que é contrário à Palavra de Deus é errado." (11).

Em 17/1/1956, o Dr. Bob Jones Sr. respondeu à carta de Graham a John R. Rice com a famosa repreensão: "Billy, não é correto agir de forma errada, nem mesmo para ter uma oportunidade de fazer o certo." (12).

Não há absolutamente dúvida alguma que se o Dr. Jones estivesse vivo hoje, dirigiria a mesma repreensão a Rick Warren, Bill Hybels, Dan Southerland, Andy Stanley, e todos os outros participantes do novo paradigma que estão percorrendo exatamente o mesmo caminho. Sem qualquer dúvida, Billy Graham podia dar a si mesmo a chance de fazer o certo, e seu exemplo é muito impressionante. De acordo com a Biblioteca da História Cristã da revista Christianity Today, "Billy Graham pregou o evangelho de Cristo pessoalmente a mais de 80 milhões de pessoas em todo o mundo e aproximadamente 3 milhões responderam aos apelos no fim dos sermões." (13) Mesmo assim, na citada carta a John R. Rice, Graham recorreu a uma distorção das Escrituras que rivalizaria com a mesma tática usada hoje por Rick Warren, quase cinqüenta anos mais tarde. Graham defendeu o patrocínio de suas cruzadas pelos modernistas dizendo o seguinte: "Paulo foi patrocinado pelos estóicos e epicureus no Areópago". (14). Essa afirmação é tão risível e insultuosa quanto muitas afirmações feitas por Rick Warren que ele também não poderia defender biblicamente (veja os Capítulos de 8 a 10). Além disso, é difícil de acreditar que o Dr. Graham recorreria a essa defesa frágil diante de homens astutos em seu conhecimento das Escrituras. Entretanto, as ações e afirmações dele foram precursoras distintas ao curso seguido cinqüenta anos depois pelos participantes no Jogo da Igreja do Novo Paradigma. Esse fato somente qualifica Billy Graham para ser empossado na Galeria da Fama do Novo Paradigma como o precursor do movimento de crescimento da igreja moderna.

A Cruzada de Billy Graham na cidade de Nova York, em 1957, foi aparentemente a "hora da decisão" para o alinhamento com os modernistas e com os católicos romanos, ao mesmo tempo em que afastava os homens de Deus que suportaram seus esforços desde o início de seu ministério. Aquela cruzada foi o ponto crítico em seu ministério que levou à total capitulação ao erro; e a descida da ladeira escorregadia da contemporização continuou a se acelerar, como Graham reportou em uma carta aos seus apoiadores em maio de 1958:

"Não acredito que a base da nossa comunhão deva ser a inerrância das Escrituras, mas, ao invés disso..., a deidade de Cristo." (15).

Somente dois anos depois de declarar que as estratégias e métodos não deveriam ser a base para a separação, Billy Graham revela agora que a negação da inerrância das Escrituras também não deveria ser uma linha de separação. As coisas se tornariam tão ruins que volumes precisariam ser escritos para detalhar as afirmações blasfemas e as associações contemporizadoras que vieram depois de 1958. (16).

Embora as afirmações mais blasfemas de Graham sejam pontos que merecem um estudo adicional, este manuscrito não é o local para expor essas questões — mas ao invés disso, fazer advertências críticas àqueles que querem brincar com o Jogo da Igreja do Novo Paradigma:

O Dr. Graham levou muitas pessoas ao conhecimento da salvação em Jesus Cristo. No entanto, o resultado de seus métodos e estratégias é que muitos desses indivíduos tornaram-se totalmente ineficientes para a causa de Jesus Cristo — falhando assim em perpetuar o verdadeiro evangelho para seus filhos ou com as pessoas em seu círculo de amizades (veja o Capítulo 3). Os jogadores no Jogo da Igreja do Novo Paradigma estão buscando um curso que segue exatamente esse exemplo, e irão com a passagem do tempo, colher o mesmo fruto corrompido.

Os Pais da Igreja do Novo Paradigma

Os precursores da Igreja do Novo Paradigma não estavam necessariamente associados com o Movimento de Crescimento de Igrejas. Na verdade, os líderes do Movimento de Crescimento de Igrejas deliberadamente evitam a estratégia da abordagem do "marketing dos disparos de revólver" das cruzadas evangelísticas urbanas, preferindo a mais precisa abordagem do "marketing do fuzil" de ter um mercado-alvo pré-selecionado, ou, como veio a ser conhecido — uma Unidade Homogênea. Portanto, muitos podem discordar da inclusão de tipos como Billy Graham na Galeria da Fama do Novo Paradigma, mas a abordagem de Graham ao "evangelismo ecumênico" possibilitou sua entrada nesse mesmo grupo seleto via uma rota alternativa daqueles que foram selecionados como os "pais" do pensamento do novo paradigma. Os Pais da Igreja do Novo Paradigma são aqueles que lançaram os alicerces para o pensamento do novo paradigma em um plano intelectual, filosófico e em parte experimental. Os facilitadores atuaram então sobre esses conceitos para iniciar esses princípios em um nível prático. Dois indivíduos que atendem o critério para aceitação na Galeria da Fama do Novo Paradigma como os "Pais do Movimento" são Donald McGavran e Robert Schuller.

Donald McGavran

Donald McGavran, formado pela Escola Teológica de Yale, foi um missionário de terceira geração que se tornou frustrado com as poucas conversões e a falta de crescimento nas dezessete igrejas sob sua responsabilidade na Índia. Ele determinou que somente haveria crescimento nessas igrejas se o trabalho da missão fosse conduzido de uma maneira nova e mais esclarecida. Portanto, ele se propôs a continuar a construir o ministério e ao mesmo tempo "descartar as teorias do crescimento de igrejas que não funcionavam, e aprender e praticar padrões produtivos que realmente discipulem as pessoas e façam aumentar a casa de Deus." (17) Ele buscou um processo de pensamento que argumentava que se existia uma metodologia para missões que produzia poucas ou nenhuma igreja, deveria haver, portanto, uma metodologia para produzir muitas igrejas. Ele então passou a pesquisar diligentemente todas as avenidas disponíveis, não apenas na Índia, mas também em outros campos missionários. O plano funcionou e ele começou a ver muitas conversões e novas igrejas plantadas nas mesmas áreas que produziram resultados limitados por diversos anos. Como resultado desses sucessos, em 1955 ele escreveu o livro monumental, The Bridges of God, e posteriormente tornou-se deão emérito e professor de Missões, Crescimento de Igrejas, e Estudos do Sudeste Asiático na Escola de Missões Mundiais do Seminário Teológico Fuller, em Pasadena, na Califórnia. Os princípios de crescimento de igrejas conquistaram-lhe o título de "Pai do Movimento de Crescimento de Igrejas" (18) por aqueles que estudaram e implementaram seus conceitos. Entretanto, um estudo dos métodos de McGavran deixa um indivíduo fundamentado na Bíblia com tantas perguntas quanto respostas. Os conceitos básicos desses métodos podem ser sumarizados pelos seguintes pontos:

A base da filosofia de McGavran é o pragmatismo. Como afirmado no Capítulo 8, o pragmatismo cristão é a filosofia que declara, "Se algo funciona, está funcionando como resultado direto das bênçãos de Deus". Entretanto, o pragmatismo não tem absolutamente lugar algum na análise do sucesso ou fracasso de um ministério. O princípio orientador de qualquer trabalho cristão deve iniciar com a pergunta: este trabalho se alinha com os ensinos da Palavra de Deus em seus conceitos, métodos, implementação e resultados? O perigo de qualquer abordagem pragmática ao ministério é atrair princípios seculares ou até ocultistas que resultem no alcance dos objetivos e propósitos pré-determinados. Se a pessoa for totalmente pragmática, os fins sempre justificarão os meios se eles produzirem os resultados desejados — e esse conceito claramente não tem base bíblica.

Em segundo lugar, uma abordagem pragmática ao ministério implica que se um ministério está lutando para crescer, deve haver uma falha em operar de acordo com a vontade de Deus. Essa implicação não considera o fato que Deus somente requer uma coisa de seus ministros: a fidelidade. Deus requer fidelidade absoluta à Sua Palavra e, portanto, qualquer metodologia que se desvie do plano prescrito de Deus, conforme revelado em Sua Palavra, não é de Sua vontade — independente do sucesso que possa aparentar na superfície.

McGavran concluiu que multidões não estavam vindo a Deus porque os missionários ocidentais estavam pregando um evangelho individualista. (19) Neste ponto, Donald McGavran se aventurou a patinar sobre uma camada muito fina de gelo. O fato da matéria é que toda a doutrina do Novo Testamento ensina um evangelho individualista. O evangelho de Jesus Cristo são as boas novas da morte, sepultamento e ressurreição de um homem — o Deus na forma de homem — que habilitou a extensão do dom gratuito da salvação a todo indivíduo — uma pessoa de cada vez. McGavran insistia que esse evangelho era uma afronta às leis sociais que governam toda a humanidade, e então propôs um "processo de conversão multi-individual e mutuamente interdependente por meio do qual famílias... clãs, vilas e tribos se tornariam cristãs ao mesmo tempo." (20).

O conceito de "pensamento de grupo" envolvido por tal filosofia já foi tratado anteriormente neste manuscrito. Os exemplos citados incluem o "aprendizado cooperativo" como um conceito na Educação Pragmática e a facilitação dos relacionamentos com os sem-igreja (Capítulo 9). Esses métodos foram discutidos para expor as ameaças dialéticas apresentadas pela infusão das estratégias de "pensamento de grupo" na igreja. Além disso, os fatos ditam que as filosofias de pensamento de grupo têm sua origem no ocultismo. Se alguém tem qualquer dúvida sobre isso, deve tomar nota da seguinte citação da Boa Vontade Mundial, uma divisão da Lucis Trust (anteriormente chamada de Lucifer Publishing Company):

"O terceiro objetivo é o crescimento da idéia de grupo com uma conseqüente ênfase geral sobre o bem do grupo, a compreensão do grupo, a inter-relação no grupo, e a boa vontade do grupo. O poder que o Novo Grupo dos Servos Mundiais eventualmente terá, será obtido de duas fontes: primeira, daquele centro ou governo mundial subjetivo... Essas são as pessoas que estão construindo a nova ordem mundial. Todas estão definitivamente servindo à humanidade, e estão por meio do poder de suas respostas à maré de oportunidade e note, emergindo de toda classe, grupo, igreja, partido, raça e nação... elas envolvem todas as religiões, todas as ciências e filosofias. Suas características são: síntese, inclusividade, intelectualidade e excelente desenvolvimento mental..."

"... Por trás dessa divisão em quatro partes da humanidade estão aqueles Iluminados, cujo direito e privilégio é zelar pela evolução humana e guiar os destinos da humanidade. No Ocidente chamamo-los de Cristo e Seus discípulos. Nas teologias do Oriente eles são chamados por muitos nomes. Também são conhecidos como os Agentes de Deus, ou a Hierarquia das almas liberadas que buscam incessantemente oferecer assistência e ajuda à humanidade. Eles fazem isso por meio da implantação de idéias nas mentes dos pensadores do mundo..." (21).

Essa citação deve fazer gelar o sangue de qualquer filho de Deus. Essa é a própria filosofia do inferno, e aderir a qualquer parte dessa filosofia deve levantar inúmeras bandeiras vermelhas. Além disso, quando a metodologia de qualquer ministério baseia sua filosofia principal nesses conceitos, o cristão baseado na Bíblia precisa se sentir compelido a levantar questões sobre a origem de tais filosofias. (Para evitar qualquer mal-entendido, esta não é uma acusação que o Dr. McGravan está intencionalmente envolvido ou que adere a quaisquer filosofias ocultistas. Entretanto, à medida que seus métodos são desdobrados, as similaridades são tais que geram perguntas concernentes à fonte das filosofias de todo o Movimento de Crescimento de Igrejas.).

McGravan desenvolveu suas filosofias infundindo as ciências do comportamento na metodologia das missões. Esse foi um erro tão grave quanto a infusão da psicologia na igreja no final dos anos 1970 (veja o Capítulo 10). McGravan sumarizou sua defesa desses métodos quando afirmou:

"Os maiores obstáculos à conversão são sociais, não teológicos. Podemos esperar uma grande conversão de muçulmanos e hindus assim que os caminhos forem encontrados para eles se tornarem cristãos sem renunciarem aos seus amados, o que parece ser uma traição." (22).

A afirmação que os obstáculos à conversão são mais sociais do que teológicos é uma antítese direta do poder de convencimento do Espírito Santo, o poder da Palavra de Deus e uma subordinação da graça de Deus aos estratagemas do homem. Além disso, a infusão das ciências sociais nas missões é similar à aderência à evolução teísta de modo a acomodar a visão ateísta da criação da intelligentsia moderna. A pesquisa científica e a aderência ao método secular no ministério não é nada mais do que se atrelar à "sabedoria deste mundo", e assim reduzir o evangelho de Jesus Cristo à "mensagem do status quo social". É exatamente esse status quo que McGravan insiste que precisa ser mantido de modo a alcançar as multidões de muçulmanos ou hindus. Assumindo que os graduados em missões do Seminário Fuller estão implementando essas teorias desde 1957, esses métodos têm falhado miseravelmente — pois o Islã é atualmente a religião de mais rápido crescimento no mundo.

As teorias sócio-missionárias culminaram com o desenvolvimento do Princípio da Unidade Homogênea. McGravan teorizou que "as pessoas querem se tornar cristãs sem cruzar as barreiras raciais, lingüísticas, ou de classe... e a conversão deve ocorrer com um mínimo de deslocamento social" (23) Ele achava que as unidades homogêneas eram relativamente isoladas e impermeáveis, e a estratégia missionária deveria ser a conversão de grupo de tribos, vilas, etc. Sua estratégia então era o uso das unidades homogêneas como "mercados-alvo", de modo a "colocar na igreja" toda a unidade com batismos em massa. Na verdade, a chave para o sucesso era visto como um "movimento popular", e batismos solitários deveriam ser evitados. Usando-se esse método, levantes sociais e danos à dignidade do grupo seriam minimizados.

Após McGravan ir para o corpo docente do Seminário Fuller, muitos alunos procuravam aplicar sua metodologia nos EUA. À medida que isso foi pesquisado, chegou-se à conclusão que os EUA são simplesmente uma vasta coleção de unidades homogêneas. Os alunos de Fuller já estavam treinados para essa abordagem intelectual ao evangelismo; e um indivíduo em particular, Win Arn, tomou o desafio com vigor suficiente para iniciar o Movimento de Crescimento de Igrejas. (24) Novamente, entretanto, a utilização de métodos mundanos levou à perversão doutrinária. Como evidência desse fato, uma frase em um livro escrito por Arn e por McGravan diz tudo:

"... A verdade que a Bíblia revela não é totalmente exemplificada em uma igreja empírica. O caminho único nunca é o que qualquer igreja faz. Seus rituais, costumes, hinos e doutrinas são todos criação do homem e imperfeitos." (25).

A análise final do "Pai do Movimento de Crescimento de Igreja" gera questões que devem ser muito desconcertantes para qualquer cristão nascido de novo:

Em conclusão, o Dr. Donald McGavran precisa receber votação unânime para essa indicação à Galeria da Fama do Novo Paradigma. Ele até recebe um voto de Rick Warren:

"McGavran desafiou brilhantemente a sabedoria convencional do seu tempo sobre o que fazia as igrejas crescerem. Quando leio um artigo de McGavran, sinto Deus me dirigindo para investir o resto de minha vida para descobrir os princípios que produzem igrejas de crescimento saudável." (29).

Seguindo o exemplo de Warren, os conceitos de McGavran estão agora sendo implementados em todos os EUA à medida que os pastores das igrejas do novo paradigma utilizam o Princípio da Unidade Homogênea ao buscarem alcançar seus "mercados-alvo" para Cristo. Os ministérios orientados para resultados implementam os princípios das ciências do comportamento à medida que buscam relacionar-se com a cultura popular na maximização dos esforços evangelísticos. O processo dialético para facilitar os "relacionamentos de integridade" com os sem-igreja via a "meta-igreja" dos grupos pequenos está baseado em esforços que utilizam "dinâmicas de grupo". Finalmente, a doutrina bíblica é subjugada para praticamente todos os outros aspectos do ministério — e sem o ensino da sã doutrina — os membros da igreja estarão vulneráveis a todas as setas atiradas por Lúcifer.

Robert Schuller

Robert Schuller não precisa de apresentações. Como fundador e pastor da famosa Catedral de Cristal, a Igreja da Comunidade de Garden Grove, em Garden Grove, Califórnia, a face de Schuller é vista em canais de televisão na América e em muitos outros países. Na verdade, ele agora tem a maior audiência entre todos os televangelistas. (30) Não há também dúvidas que Schuller merece aprovação unânime para indicação à Galeria da Fama do Novo Paradigma. A única questão é sua categorização. Embora Robert Schuller seja certamente um grande facilitador do pensamento do novo paradigma, ele próprio afirma ser o "fundador do Movimento de Crescimento de Igrejas neste país" (31). Portanto, após a devida consideração, o autor deste manuscrito concluiu que Schuller merece compartilhar o título de "Pai da Igreja do Novo Paradigma" com Donald McGravan.

Robert Schuller, um maçom de Grau 33, é o homem que assumiu o manto de Norman Vincent Peale (também um maçom de Grau 33), o originador do evangelho da auto-estima. O igualmente famoso Norman Vincent Peale foi pastor da Igreja Marble Collegiate, na cidade de Nova York, até 1984. Ele foi o autor do livro O Poder do Pensamento Positivo e da revista Guidepost, com uma circulação de 4,5 milhões de exemplares. Peale foi o fundador e principal promotor do que veio a ser conhecido como "psicologia cristã" e foi o porta-voz principal para aquilo que veio a ser chamado de "evangelho da auto-estima" (32) Schuller modelou seu ministério com base no ministério de Peale e acrescentou a ele a "abordagem do marketing ao cristianismo".

Quando Schuller fundou a Igreja da Comunidade de Garden Grove, iniciou com pouco dinheiro, mas conquistou a vizinhança perguntando às pessoas se elas freqüentariam a igreja. Se a resposta fosse não, Schuller então perguntava por que elas não iriam à igreja. Ele então perguntava o que os faria ir à igreja. Ele ouviu as respostas e decidiu "lançar o tipo de isca que eles gostariam de ver". (33) Sua filosofia básica de crescimento de igreja era simples:

Embora esses conceitos formem a própria essência do pensamento e estrutura do novo paradigma, a posição doutrinária de Robert Schuller coloca-o claramente na mesma posição que a política de Bill Clinton. Essa é a política da "Terceira Via" do centro radical. A partir de uma perspectiva religiosa, os métodos e doutrinas de Schuller emulam essa mesma posição filosófica — reter a percepção dos evangélicos conservadores ao mesmo tempo em que adota métodos e doutrinas diametralmente opostos à teologia evangélica. Os pontos-chave da teologia de Schuller podem ser observados a partir das seguintes citações:

Já basta. Robert Schuller não é um cristão — com base nessas citações, ele pode precisa e inequivocamente ser classificado como um humanista espiritual e panteísta. No entanto:

O Seminário Para o Sucesso para as Igrejas "Hora do Poder", de 1995, de Robert Schuller, uma série com seis fitas de vídeo, inclui vídeos com Bill Hybels, Rick Warren, Robert Schuller, David Yonggi Cho, e Bill Wilson. (50).

Com base nas informações precedentes, o argumento de Schuller de que ele é na realidade o "fundador do Movimento de Crescimento de Igrejas" tem certa validade. Entretanto, as perguntas que precisam ser feitas não se referem a Schuller, pois ele já tornou sua posição bem clara: ele é um humanista espiritual que adere à idéia que o Espírito de Cristo habita em certa medida em todos os homens, e que Jesus de Nazaré simplesmente desenvolveu esse espírito a um nível de proporções messiânicas. As perguntas então precisam ser perguntadas a respeito daqueles evangélicos que louvam ou recomendam Schuller, e também daqueles que participam de suas conferências sobre liderança eclesiástica:

Em conclusão, Robert Schuller pode não ser o Fundador do Movimento de Crescimento de Igrejas, mas certamente deu uma importante contribuição para seu desenvolvimento e definitivamente é um personagem na Galeria da Fama do Novo Paradigma. Com relação às respostas às perguntas precedentes — podemos apenas citar um velho adágio de um ancião não identificado, mas muito sábio: "Há algo podre no reino da Dinamarca!" Esperemos que o quadro torne-se muito mais claro até as páginas finais deste manuscrito.

Os Facilitadores

Em toda a história da humanidade, muitos indivíduos geraram novas idéias geniais em todos os aspectos da vida. Alguns desses indivíduos desenvolveram eles mesmos essas idéias, mas outros, ou por escolha própria ou por alguma outra razão, abriram mão do desenvolvimento de suas idéias para terceiros. Em muitos casos, o indivíduo que teve a idéia brilhante não teve a energia, o suporte financeiro, ou a capacidade de desenvolver plenamente sua idéia. Alguns estavam satisfeitos em passar a idéia adiante para que outros a desenvolvessem ao seu pleno potencial. Esta última situação é o que aconteceu com a Igreja do Novo Paradigma. Os precursores do movimento lançaram os fundamentos para a grande experiência filosófica, os pais do movimento realizaram a experiência tanto no nível intelectual quanto no protótipo, e os facilitadores implementaram (e continuam implementando) os princípios (as idéias) desenvolvidas por seus predecessores em uma escala macrocósmica na arena pública. Portanto, à medida que o sucesso futuro percebido do movimento se acelera, os facilitadores se tornarão os mais reconhecidos e aplaudidos pelos grandes sucessos do movimento plenamente desenvolvido (particularmente em um nível local). Devido ao número de empossados na Galeria da Fama do Novo Paradigma nesta categoria, o espaço alocado a cada um estará limitado a uma curta biografia e somente aos fatos mais pertinentes que levaram à indicação deles. Alguns já foram citados longamente nas seções anteriores deste manuscrito, e outros aparecerão de uma relativa obscuridade. Entretanto, cada um representou (ou representa) um papel vital no desenvolvimento da Religião Orientada Para Resultados.

C. Peter Wagner

O Dr. Peter Wagner quase foi incluído na Galeria da Fama do Novo Paradigma como um "pai" da Religião Orientada Para Resultados, mas suas credenciais ficaram aquém das de McGavran e Schuller. Adicionalmente, ele próprio não reivindica para si essa paternidade. Entretanto, Peter Wagner exibe algumas outras credenciais muito impressionantes:

  1. Possui múltiplos diplomas pelo Seminário Teológico Fuller.

  2. Lecionou durante 28 anos na cadeira Crescimento de Igrejas, na Escola de Missões Mundiais do Seminário Fuller, e trabalhou de mãos dadas com o Dr. Donald McGavran.

  3. Foi o originador do "Movimento Carismático da Terceira Onda" (veja o Capítulo 5). Esse foi o famoso movimento de "sinais e maravilhas" que teve início a partir dos anos 80.

  4. Foi co-instrutor, junto com John Wimber, de um curso no Seminário Fuller, "Sinais, Maravilhas, e Crescimento da Igreja".

  5. Quando o curso foi extinto, Wagner e Wimber colocaram suas teorias em prática. Wimber deixou o Seminário Fuller e fundou a carismática Vineyard Christian Fellowship (Comunidade Cristã Videira), que cresceu e formou mais de 500 congregações em todo o país. A partir da Comunidade Videira surgiu a organização ecumênica Promise Keepers, bem como o infame "Reavivamento do Riso".

  6. Em 1998, Wagner fundou o Global Harvest Ministries (Ministérios da Colheita Global) e o Wagner Leadership Institute. O Instituto foi fundado para atender às necessidades daqueles que eram líderes da "Nova Reforma Apostólica".

  7. O Instituto de Liderança tem como instrutores do novo paradigma tipos como John Maxwell e George Barna.

Rick Warren

Como Rick Warren já foi o assunto de muita discussão anterior neste manuscrito, receberá pouco espaço nesta seção. Entretanto, existem alguns pontos-chave que precisam ser mencionados ou revisados aqui. Rick Warren é o principal "garoto propaganda" da Igreja do Novo Paradigma. Ele tem o diploma de Doutorado em Teologia pelo Seminário Teológico Fuller e é pastor da Igreja da Comunidade de Saddleback, ao sul de Los Angeles. Ele é muito conhecido por seus livros de grande vendagem, Uma Igreja com Propósitos e Uma Vida com Propósitos. Embora a Igreja de Saddleback esteja afiliada à Convenção Batista do Sul dos EUA, o nome "batista" não é publicamente associado com a igreja para não criar um estigma que possa afastar muitos "buscadores" dos serviços religiosos. Para esse fim, Warren gosta de dizer que Saddleback é "uma igreja para os sem-igreja". Rick Warren tem feito mais do que qualquer outra pessoa não somente para criar uma Igreja do Novo Paradigma, mas também para fazer a transição de todo o evangelicalismo para o paradigma baseado em resultados.

Bill Hybels

Billy Hybels é o fundador e pastor da Igreja da Comunidade de Willow Creek, em Barrington, Illinois. Ele é caracterizado no mesmo nível de Rick Warren no papel de liderança da Igreja do Novo Paradigma. Bill Hybels iniciou seu ministério em 1973 como líder dos "Malucos Por Jesus" (Jesus Freaks) de um grupo de jovens intitulado Son City. A abordagem de Son City era adaptar o ambiente, a música e a mensagem à cultura dos estudantes que eles procuravam alcançar. Portanto, o grupo estava perfeitamente adaptado à cena das faculdades do início dos anos 70. Eles retratavam Jesus como um "rebelde barbudo com uma causa de 2.000 anos atrás". Son City desenvolveu um relacionamento pragmático entre sua programação e a resposta dos estudantes. (51).

Após o sucesso de Son City, Hybels participou da Conferência de Liderança de Robert Schuller na Catedral de Cristal. Ele pegou a mensagem de auto-estima de Schuller e a transformou em sua própria pedagogia de "realização pessoal" e "doutrina amigável ao usuário". A mentalidade do "Henrique sem-igreja em busca de realização" da Comunidade de Willow Creek, levou a uma grande ênfase em psicologia naquela igreja. De acordo com G. A. Pritchard, "A terapia e sua estrutura psicológica são aceitas como ferramentas necessárias na compreensão de Willow Creek ao ministério... e Hybels tende a descrever as categorias psicológicas como princípios bíblicos". (52).

Em 1992, Hybels iniciou a Associação Willow Creek para treinar outros pastores e líderes no estilo de ministério adotado por sua igreja. A associação descreve sua visão em seu sítio na Internet:

"Nosso desejo primordial é inspirar, equipar e encorajar os líderes cristãos a construírem igrejas biblicamente funcionais que alcancem números crescentes de indivíduos sem-igreja — não apenas com inovações da Associação Willow Creek ou da Igreja da Comunidade de Willow Creek, mas com rupturas dadas por Deus com potencial generalizado a partir de qualquer igreja no mundo. Um componente-chave desse movimento que honra a Deus é o fornecimento de uma visão estratégica e o treinamento prático."

"Mais de 9.500 igrejas em todo o mundo fazem parte da Associação Willow Creek. Somente no ano passado, mais de 100.000 líderes de igrejas locais, equipes de apoio e voluntários — das igrejas-membro e de outras — participaram de nossas conferências ou de eventos de treinamento." (53).

Esse cenário está se tornando muito comum. As igrejas que são bem-sucedidas em construir uma mega-igreja estão treinando milhares de pastores na metodologia do novo paradigma. Independente se esses pastores são ou não bem-sucedidos em construir suas mega-igrejas, estão levando os ensinos baseados em resultados para os membros de suas igrejas. O papel estrelar de Bill Hybels nesse movimento também lhe dá um voto unânime no processo de seleção para a eleição para Galeria da Fama do Novo Paradigma.

Jerry Falwell

O Dr. Jerry Falwell é o renomado pastor da Igreja Batista da Estrada Thomas, em Lynchburg, na Virgínia. Ele também é o fundador e reitor da Universidade Liberdade. Como afirmado anteriormente no Capítulo 6 (não traduzido), o Dr. Falwell foi o fundador da Maioria Moral, é conhecido pelo público geral como um ferrenho fundamentalista e merece o respeito de todos por seu caráter pessoal que está acima de qualquer reprovação, até mesmo da mídia hostil. Embora o Dr. Falwell ainda chame a si mesmo de fundamentalista, muitos (incluindo este autor) discordam dessa classificação. Nos últimos 25 anos, ele se moveu continuamente da "ala esquerda" do fundamentalismo para o arraial neo-evangélico. Essa mudança pode ser rastreada pela sua aceitação e apoio da música cristã contemporânea, pelo fato de ter convidado muitos neo-evangélicos — incluindo Billy Graham e Tony Evans — para falar no campus da Universidade Liberdade, e a adesão de sua igreja à Convenção Batista do Sul. Entretanto, apenas esse movimento em direção à esquerda não teria qualificado o Dr. Falwell para se juntar às fileiras de Ockenga, Graham, McGavran e Schuller. Entretanto, o Dr. Falwell chegou à Galeria da Fama do Novo Paradigma com um único grande evento: em 2003, a Conferência Anual da Universidade Liberdade deu destaque a um homem — Rick Warren. Nessa conferência, o patrocínio do Dr. Falwell permitiu que Rick Warren doutrinasse mais de 10.000 pastores de todo o mundo nos princípios da Religião Orientada Para Resultados em seu seminário para pastores "com propósitos".

Dan Southerland

Dan Southerland é pastor da Igreja da Estrada Flamingo, em Fort Lauderdale, na Flórida. Ele também é o fundador da Church Transitions Inc., e autor de Transição: Conduzindo Pessoas Através de Mudanças. Ele utilizou sua experiência de fazer a Igreja da Estrada Flamingo transicionar de sua posição de uma igreja tradicional de 300 membros para uma igreja do novo paradigma com 2.000 membros na criação de seus conceitos provados de mudança. O livro dele enfatiza a comunicação "da visão de Deus para a igreja" do pastor para os membros da igreja. Ele também enfatiza que a visão de crescimento de igreja do pastor é a visão de Deus. Além disso, o pastor Southerland mantém a mesma visão reduzida acerca da deidade de Jesus Cristo que Rick Warren. Ele diz em seu livro que Jesus separou um tempo para tecer um azorrague para expulsar os cambistas do templo "provavelmente para ter tempo de se acalmar e escolher suas palavras." (54) Para o autor deste manuscrito, o Deus encarnado não precisaria recorrer à confecção de um azorrague para ter tempo de se acalmar e escolher melhor suas palavras. Por que alguém acharia que o Criador do Universo precisaria se acalmar e não estariam as palavras do Deus onisciente escolhidas desde a eternidade passada? A afirmação de Southerland deprecia o caráter santo de Jesus Cristo ao nível da humanidade pecadora. Será se um indivíduo que tem essa visão de Jesus Cristo deve ensinar um assunto religioso qualquer aos outros cristãos? No entanto, ele viaja muito, apresentando seu seminário de transição de igrejas em centenas de igrejas em todo o país e certamente conquistou seu lugar na Galeria da Fama do Novo Paradigma.

Bob Buford

Bob Buford é o executivo presidente aposentado da Buford Television. Após sua aposentadoria, dedicou suas energias e recursos à missão de transformar a "energia latente da igreja americana em energia ativa". Ele então fundou a Leadership Network (Rede de Liderança), uma fundação privada que tem a função primordial de identificar, criar redes, e oferecer recursos aos ministros e equipes de liderança das congregações com mais de 1.000 membros. A Declaração de Missão e Valores da Rede de Liderança diz:

"A missão da Rede de Liderança é acelerar o aparecimento da igreja do século 21. Acreditamos que o paradigma emergente da igreja do século 21 requer o desenvolvimento de novos instrumentos e recursos, bem como equipar um novo tipo de líder da igreja do século 21, sejam pastores ou leigos. Esse novo paradigma não está centrado na teologia, mas, ao invés disso, está focado na estrutura, na organização e na transição de uma igreja baseada de forma institucionalmente para a igreja orientada para missões. (Ênfase adicionada). Valorizamos a inovação que leva a resultados e o trabalho com líderes de igreja que tenham a perspectiva do Reino. Valorizamos ver os frutos nas árvores das outras pessoas. E, finalmente, valorizamos fazer "certo" para aqueles a quem servimos, bem como para nossa equipe." (55).

Bob Buford é também o presidente e fundador da junta de diretores da Fundação Peter Drucker Para a Administração Não-Lucrativa. Em essência, ele e sua organização servem como conduítes por meio do qual é fornecido o financiamento à Igreja do Novo Paradigma. Esse aspecto será melhor discutido no próximo capítulo, mas neste momento um ponto precisa ser feito: Bob Buford conquistou seu lugar na Galeria da Fama do Novo Paradigma por se tornar o catalisador para obter e distribuir não somente os recursos financeiros necessários, mas também as estratégias organizacionais para a Igreja do Novo Paradigma.

John Maxwell

John Maxwell, como Rick Warren, tem Doutorado em Teologia pelo Seminário Teológico Fuller. Maxwell é o ex-pastor da Igreja da Comunidade Skyline, em San Diego, Califórnia, mas é agora um membro proeminente da Igreja da Comunidade de Northpoint, em Atlanta, Geórgia, pastoreada por Andy Stanley. Maxwell deixou o ministério para fundar uma firma de consultoria para as igrejas — a Injoy Ministries. A Injoy está subdividida em três subministérios e tem funcionários que vão de ex-executivos de marketing de empresas multinacionais até pastores e missionários carismáticos. Maxwell também tem participado como instrutor na Conferência de Lideranças de Robert Schuller e no Instituto de Liderança Wagner, de Peter Wagner. A divisão de mordomia da Injoy traz um programa completo para a igreja que promete um retorno de cinco vezes mais sobre o investimento monetário da igreja. (No caso da ex-igreja deste autor, a Injoy prometeu um retorno de 300 mil dólares sobre um investimento de 50 mil dólares.) Maxwell obteve seu lugar na Galeria da Fama do Novo Paradigma por seus esforços em construir as novas mega-igrejas combinando técnicas de marketing engenhosas com conteúdo bíblico suficiente apenas para fazer todo o programa parecer perfeitamente espiritual. A Injoy é apenas uma dentre muitas dessas organizações, mas é a mais proeminente desses "ministérios" que estão provendo os meios para construir as Igrejas do Novo Paradigma.

Carl F. George

Carl F. George dirige o Instituto de Evangelismo e de Crescimento de Igrejas Charles E. Fuller, e é professor de crescimento de igrejas no Seminário Teológico Fuller. Ele é um pastor ordenado, com interesses acadêmicos em psicologia social, sistemas, liderança e desenvolvimento organizacional, e estudos bíblicos. Ele também realiza eventos de treinamento para pastores e líderes leigos em muitas denominações. Além disso, serve como consultor para congregações locais e associações de igrejas em todo o mundo.

Como um experiente plantador de igrejas, pastor, administrador escolar e professor, ele é autor e co-autor de muitos livros que delineiam a metodologia do crescimento de igrejas e, mais importante, o crescimento por meio da utilização dos grupos pequenos. Por meio do estudo dos grupos pequenos, George é responsável pelo desenvolvimento da sua assim chamada meta-igreja. Ele tem compartilhado sua Oficina de Meta-Igreja com milhares de líderes de igrejas.

"Como um analista congregacional, ele extrai princípios de ministério de igrejas eficientes e em crescimento e mostra como esses princípios podem ser aplicados inovando-se e renovando as igrejas em toda a parte. Atualmente ele está modelando uma nova geração de métodos de treinamento utilizando a Instrução Tutorial em Vídeo e Entrevistas Estruturadas dentro de um contexto de um novo Método de Treinamento facilitado para ajudar a equipes profissionais a aprenderem a efetivamente compartilhar o ministério com os líderes leigos, de modo a expandir o cuidado pastoral e o evangelismo nas igrejas locais." (56).

Lee Strobel

O ex-ateísta Lee Strobel é um autor ganhador de vários prêmios, um conferencista muito requisitado e pastor de ensino na Igreja da Comunidade de Saddleback. Ele fala a audiências regulares de 15.000 ouvintes na Igreja de Saddleback. Strobel era anteriormente pastor de ensino na Igreja da Comunidade de Willow Creek, onde falava regularmente a 17.000 buscadores e cristãos que visitavam a igreja todo fim de semana.

"Com um diploma da Faculdade de Direito da Universidade de Yale, Strobel foi o editor de assuntos jurídicos do jornal The Chicago Tribune antes de sua conversão em 1981. Seus livros incluem dois ganhadores do Medalhão de Ouro: Inside the Mind of Unchurched Harry & Mary e Em Defesa de Cristo, que atingiu o posto de número 1 na lista dos mais vendidos. Outros livros incluem God's Outrageous Claims e What Jesus Would Say. Ele é membro fundador da Associação Willow Creek." (57).

A biografia de Strobel, conforme apresentada pela CNN Online (parágrafo anterior) cita os pontos que o qualificam para a Galeria da Fama do Novo Paradigma. Ele já integrou as equipes ministeriais das Igrejas das Comunidades de Willow Creek e Saddleback. Ele é um autor muito conhecido e que expressa o pensamento do Novo Paradigma. Finalmente, ele permanece como membro da diretoria da Associação Willow Creek e aparece na plataforma nacional com outros representantes da associação. Strobel, como aqueles mencionados anteriormente, está qualificado para a Galeria da Fama do Novo Paradigma com base em sua influência em milhares de indivíduos na Religião Orientada Para Resultados.

Os Centros de Facilitação

Seminário Teológico Fuller

A intenção dos reformadores com a Reforma Protestante não era nada mais do que reformar ou reestruturar o catolicismo romano. Lutero, por exemplo, percebeu as sérias questões no catolicismo com a doutrina da Justificação Pela Fé Somente, e partiu para reformar (ou modificar) o catolicismo para uma posição que se alinhasse com os ensinos da Palavra de Deus. Entretanto, a história revela que a hierarquia da Igreja de Roma não apreciou os esforços de Lutero e prontamente o excomungou, bem como aqueles que o apoiavam. Assim, a Igreja Luterana (bem como todo o "protestantismo") nasceu não como um ato premeditado de separatismo, mas, ao invés disso, como uma conseqüência inevitável. As organizações eclesiásticas que surgiram a partir dessa ação estavam então baseadas em muitos dos princípios fundamentais da Palavra de Deus, mas deixaram de cumprir a Palavra de Deus em outras questões doutrinárias e organizacionais, que mantiveram os ensinos errôneos do catolicismo (o batismo infantil, por exemplo). Essas questões que permaneceram foram fatores-chave que separaram esses corpos dos anabatistas mais conservadores e mais baseados na Bíblia, e de outros grupos que nunca fizeram parte da Igreja de Roma.

À medida que novas gerações de protestantes surgiram, o racionalismo e o relativismo começaram a se infiltrar nos seminários e nas agências das principais igrejas protestantes. Quando esses processos de pensamento eventualmente se deterioraram para o modernismo escancarado, nasceu o movimento fundamentalista. O fundamentalismo do início dos anos 20 inicialmente começou como um movimento para reformar as denominações protestantes tradicionais, mas os fundamentalistas que lutaram nessas batalhas descobriram no final que o único curso bíblico de ação seria o da separação do erro (2 Coríntios 7:14). Assim, a Doutrina da Separação foi introduzida na psique religiosa — e acoplada com a Teologia Dispensacionalista — o fundamentalismo nos EUA começou a experimentar um crescimento explosivo tanto em números quanto em maturidade espiritual. (Veja os detalhes no Capítulo 3.) Entretanto, como detalhado na discussão sobre o Dr. Harold Ockenga, surgiu uma geração de homens que estavam envergonhados do estigma do fundamentalismo. Esses homens não apreciavam a Teologia do Dispensacionalismo e também não aceitavam a Doutrina da Separação. Eles não gostavam da falta de intelectualismo "atrasado" do movimento que nasceu nos bancos dos parques e nas reuniões de acampamentos. Eles queriam um retorno à "Ortodoxia Clássica" de Agostinho e Calvino e queriam reformar o fundamentalismo da mesma maneira como foi tentado pelos reformadores protestantes do catolicismo, e como o fundamentalismo tentava reformar espiritualmente o protestantismo adúltero. Eles queriam trazer de volta a erudição mais intelectual e a ortodoxia mais generosa e gentil da igreja protestante primeva. Em essência, esse grupo de indivíduos buscava um retorno ao protestantismo original como ele existia antes da infiltração do racionalismo e do relativismo — um verdadeiro catolicismo reformado que incorporasse a teologia de Agostinho, Lutero e Calvino — sem as influências do dispensacionalismo dos anabatistas.

Emanando desses desejos emergiu o sonho de Harold Ockenga de estabelecer um seminário que fosse um componente vital e um bastião do intelectualismo em tal reforma do fundamentalismo. Ao mesmo tempo, o Dr. Charles Fuller, um extremamente bem-sucedido evangelista do rádio, sonhava em abrir um seminário para o propósito distinto de treinar os missionários para a evangelização mundial. Em 1947, esses dois sonhos uniram o fundamentalismo, o evangelismo, o intelectualismo e o dinheiro de Fuller para fundar o Seminário Teológico Fuller — "um centro da erudição evangélica" em Pasadena, na Califórnia. Com Ockenga como seu primeiro presidente, o Seminário Fuller queria se tornar "um centro de excelência do mundo evangélico" e estabelecer uma cabeça de praia para o assalto intelectual aos "atrasados e combativos fundamentalistas." (58).

A cabeça de praia que Ockenga e Fuller procuraram estabelecer não caiu em suas mãos sem sérias complicações, pois o Seminário Fuller esteve metido em um dilema desde o primeiro dia de sua existência. Os primeiros membros da junta e os professores defendiam a fundação doutrinária dos desprezados fundamentalistas, e já que Charles Fuller e seu ministério pelo rádio forneciam o capital necessário para a operação da escola, eles foram forçados a pisar de forma bem leve nas questões que poderiam ofender os patrocinadores fundamentalistas. No entanto, a própria essência do plano deles era o estabelecimento da filosofia da "Terceira Via" que iria "preparar um grande terreno intermediário onde uma saudável terceira força no protestantismo pudesse florescer." (59) Se o plano fosse bem-sucedido, um canal aberto de diálogo com figuras religiosas de importância ofereceria exponencialmente mais oportunidades evangelísticas; e eles seriam mais eficientes em evangelismo, mais respeitados pelo intelectualismo, e ainda reteriam a teologia fundamentalista de seus pais. Em vez de gloriosamente colocar os neo-evangélicos sobre o lendário "pilar da sabedoria", essa estratégia resultou em ataques pesados dos fundamentalistas (liderados por Carl McIntire), que acusavam o Seminário de uma inclinação ao modernismo, e ataques dos modernistas com base na conexão do Seminário Fuller com o fundamentalismo.

Um exemplo perfeito desse dilema foi ilustrado pela luta do Seminário Fuller de receber o reconhecimento do Presbitério Local de Los Angeles. Eles pediram, imploraram e se prostraram durante anos para terem seus professores e alunos ordenados como ministros da Igreja Presbiteriana dos EUA. Em 1949, Ockenga chegou ao ponto de contratar o famoso teólogo europeu Béla Vassady para o quadro de professores do seminário. (Vassady foi o fundador do Conselho Mundial de Igrejas). Entretanto, o tiro saiu pela culatra e o Seminário Fuller perdeu suporte financeiro e ficou sob fogo por causa da fraca posição de Vassady sobre a inerrância das Escrituras, e o Presbitério de Los Angeles ainda não aceitava a candidatura de Vassady para o presbitério.

A contemporização no cenário de Vassady foi meramente a primeira manifestação da disposição da liderança de Fuller de abandonar os ensinos da Palavra de Deus de modo a alcançar seu objetivo de restabelecer a elusiva Ortodoxia Clássica. À medida que os anos foram passando, as situações ditaram uma progressão de uma contemporização para outra e eventualmente deram à luz uma atmosfera propícia para a capitulação diante da falsa doutrina. O seguinte é simplesmente uma lista parcial dos pontos mais importantes (ou mais tristes) na estrada para a completa apostasia:

Com base nessa relação, o leitor deste manuscrito não deve expressar absolutamente surpresa alguma com o tema recorrente nas biografias anteriores dos membros da Galeria da Fama do Novo Paradigma. Esse tema é a conexão da grande maioria desses indivíduos com o Seminário Teológico Fuller. (Ockenga, Billy Graham, Donald McGavran, Peter Wagner, Rick Warren, John Maxwell e Carl F. George) Aquilo que começou com uma nobre (porém maldirigida) tentativa de restaurar aquilo que era visto como Ortodoxia Clássica resultou em uma clara infidelidade religiosa; e até mesmo Charles Fuller e Harold Ockenga certamente ficariam chocados com o abjeto fracasso de suas estratégias de reforma. A afirmação de Harold Lindsell, um ex-professor que se afastou do Seminário Fuller, em seu livro Battle for the Bible (A Batalha Pela Bíblia) realmente tornou-se profética:

"No fim do caminho, passem cinco ou cinqüenta anos, qualquer instituição que se afaste da crença em uma Escritura inerrante irá, da mesma forma, se afastar dos outros fundamentos da fé e no fim cessar de ser evangélica no sentido histórico do termo." (79).

O Seminário Fuller tornou-se agora o centro mais prolífero em abrigar e produzir os membros da "Esquerda Evangélica" com a teologia da "Terceira Via" — uma mistura de ensinos evangélicos, carismáticos e católicos que resultam em uma filosofia radical de centro. Embora seja possível argumentar que a "Ortodoxia Clássica" que Ockenga procurava restaurar era, essencialmente, uma síntese de ensinos católicos e evangélicos reformados, a infusão de crenças carismáticas levou aquilo que era, na melhor das hipóteses, um sistema de crenças questionável, para a borda da completa infidelidade. Entretanto, a despeito das óbvias heresias que estão proliferando a partir dessa instituição, a grande comunidade evangélica aplaude sua posição "moderada e equilibrada", e segue cegamente os promotores e graduados dessa instituição, que são os superastros da Igreja do Novo Paradigma do Século 21. Por causa dos vastos números de pessoas que seguem atrás desses "flautistas de Hamelin", o radicalismo da Terceira Via tornou-se moderado — ou neutro. Como isso não é exposto como um total paradoxo? Como essas contradições podem co-existir? A resposta é bem simples: a população "cristã" da cultura ocidental esqueceu-se das "antigas veredas" da Palavra de Deus e está aceitando cegamente qualquer mentira que soe religiosa e que não interfira com seu estilo de vida. Assim, é do Seminário Fuller que a Igreja do Novo Paradigma emergiu das sementes da Religião Orientada Para Resultados que continuam a serem plantadas nas mentes férteis daqueles que buscam o terreno elevado moderado e intelectual de Pasadena.

Conclusão

Toda a humanidade tem seus heróis, e os jogadores do jogo da Igreja do Novo Paradigma não são exceção a essa regra. Infelizmente, um exame do tempo e das vidas desses indivíduos revela uma progressão de apostasia sorrateira de um ponto inicial do fundamentalismo para um estado final de total infidelidade. Esses indivíduos foram (ou são) realmente os verdadeiros "flautistas de Hamelin" que estão levando as massas sem discernimento do cristianismo evangélico ao mesmo abismo de apostasia que se tornou o destino daqueles que seguiram os modernistas que negam a maioria das doutrinas fundamentais que esses mesmos evangélicos afirmam defender. Entretanto, todos os vestígios da teologia fundamentalista estão lentamente desaparecendo dos círculos evangélicos à medida que a metodologia da Religião Orientada Para Resultados, que adota e defende o relativismo cultural em uma cultura predominantemente pós-moderna de tolerância engendra questões sérias:

A maior tragédia em todo esse cenário é o fato que muitos daqueles que seguem os flautistas de Hamelin do Novo Paradigma são filhos daqueles que adotaram uma posição de combate contra o modernismo no início dos anos 70. Podemos apenas imaginar se não se dirá da próxima geração: "... e outra geração após ela se levantou, que não conhecia ao SENHOR, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel." [Juízes 2:10].

Dê um clique aqui para ler o Capítulo 13: Vivendo em um Tempo de Mudança de Paradigma

Notas Finais

  1. Moritz, Fred. Contending for the Faith, Bob Jones University Press, Greenville, SC, 2000, pág. 104.
  2. Ibidem, págs. 98-100.
  3. Dollar, George. A History of Fundamentalism in America, Bob Jones University Press, Greenville, SC. 1973. pág. 204.
  4. Woodbridge, Charles. The New Evangelicalism, Bob Jones University Press, Greenville, SC.
  5. Cloud, David. “Fundamentalism, Modernism, and New-Evangelicalism” (Part 2), Revista O Timothy, Volume 12, Issue 1, 1995.
  6. Ashbrook, John E., The New Neutralism II, http://americanpresbyterianchurch.org., pág. 2.
  7. Burns, Cathy. Billy Graham and His Friends, Sharing Press, Mt. Carmel, PA, 2001, pág. 52.
  8. Carta pessoal encontrada no “Dossiê Billy Graham”, Bob Jones University, Greenville, SC. Usada com a permissão do Dr. Bob Jones III.
  9. Ibidem.
  10. Ibidem.
  11. Ibidem.
  12. Ibidem.
  13. Christianity Today Library, http://www.ctlibrary.com/ch/2000/65/1.12.html
  14. “Dossiê Billy Graham”.
  15. Ibidem.
  16. Por exemplo, Billy Graham and His Friends, by Dr. Cathy Burns.
  17. Wagner, Peter. Understanding Church Growth, Eerdmans Publishing, Grand Rapids, MI, 1970, pág. ix.
  18. Ibidem, pág. viii.
  19. Ibidem, pág. x.
  20. Ibidem.
  21. World Goodwill Newsletter, New Group of World Servers, Lucis Trust, NY.
  22. McGavran, Donald. Understanding Church Growth, Eerdmans Publishing, Grand Rapids, MI, 1970, pág. 156.
  23. Wagner. pág. x.
  24. Ibidem, pág. xiv.
  25. McGavran, Donald and Arn, Win. Back to Basics in Church Growth, Tyndale House, Wheaton, IL, 1981, pág. 11.
  26. Koester, Robert, "The Law and Gospel in the church Growth Movement", Conferência Pastoral de 18-19 de setembro de 1984.
  27. Ibidem.
  28. Scherer, J. A., The Life and Growth of Churches in Mission, International Review of Missions, 60/237, 1971, pág. 131.
  29. Fonte desconhecida.
  30. Burns, pág. 113.
  31. Pritchard, G.A., Willow Creek Seeker Services, Baker Book House, Grand Rapids, MI, 2001, pág. 51.
  32. Ibidem, pág. 52.
  33. Ibidem, pág. 50.
  34. Ibidem, pág. 51.
  35. Ibidem.
  36. Ibidem, pág. 53.
  37. Burns, pág. 119.
  38. Ibidem, pág. 113.
  39. Ibidem, pág. 114.
  40. Ibidem.
  41. Ibidem.
  42. Ibidem, pág. 115.
  43. Pritchard, pág. 54.
  44. Burns, pág. 121.
  45. Ibidem, pág. 116.
  46. Pritchard, pág. 54.
  47. Christanity Today 11.18.02. http://www.christianitytoday.com/ct/2002/012/1.42.html.
  48. Warren, Rick. The Purpose-driven Church, Zondervan, Grand Rapids, MI, 1995, orelha da capa.
  49. Ibidem, pág. 58.
  50. http://www.norcal.org/norcal/BRC.cfm
  51. Pritchard, pág. 53.
  52. Ibidem, pág. 229,274.
  53. www.willowcreek.com/wca_info/
  54. Southerland, Dan, Transitioning, Leading Your Church Through Change, Zondervan Publishers, Grand Rapids, MI., 1999, pág. 135.
  55. www.leadnet.org.
  56. www.metachurch.com.
  57. www.ccnonline.net.
  58. Marsden, George. Reforming Fundamentalism: Fuller Seminary and the New Evangelicalism, Eardsman Publishing, Grand Rapids, MI, 1987, pág. 53-55.
  59. Ibidem, pág. 57.
  60. Ibidem, pág. 285.
  61. Ibidem, pág. 111.
  62. Ibidem, pág. 137.
  63. Ibidem, pág. 148.
  64. Ibidem, pág. 151.
  65. Ibidem, pág. 167.
  66. Ibidem, pág. 181.
  67. Ibidem, pág. 266.
  68. Ibidem, pág. 206.
  69. Ibidem, pág. 233.
  70. Ibidem, pág. 241.
  71. Ibidem, pág. 256.
  72. Ibidem, pág. 268.
  73. Ibidem, pág. 292.
  74. Aho, Barbara. "Filling in the Blanks with Fuller", http://watch.pair.com/fuller.html.
  75. Cloud, David, "The Unbelief at Fuller Theological Seminary", fbns@wayoflife.org, pág. 6
  76. Marsden. pág. 268, 269.
  77. Ibidem, pág. 7.
  78. Ibidem, pág. 9.
  79. Lindsell, Harold. Battle for the Bible, Zondervan, Grand Rapids, MI, 1976, págs. 120-121.
Autor: Mac Dominick
Data de publicação: 4/5/2004
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A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/n1506cap-12.asp

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