Planejando um Novo Mundo — Parte 1: Tecnocracia e Transformação

Autor: Carl Teichrib, Forcing Change, Volume 4, Edição 7.

Nota: Este artigo é a Parte 1 de uma série. Ele está orientado para a história. Este é também um dos artigos mais importantes publicados em Forcing Change e lida com uma cosmovisão histórica que é raramente discutida, embora seja vitalmente importante para a compreensão da atual transformação global.

Introdução

"O individualismo rude precisa desaparecer... o indivíduo precisa se subordinar à comunidade..." — Graham A. Laing [1].

Estas palavras perturbadoras não vieram da Alemanha nazista, da Itália fascista ou da União Soviética sob a mão pesada de Stalin, embora esse tipo de frase fosse comum naquele tempo. Ao contrário, a ideia que o "individualismo precisa desaparecer" foi a linguagem de um movimento muito americano, um movimento que se propagou rapidamente durante os anos 1930s. A partir da Universidade de Colúmbia e chegando aos jornais de todo o país, a tecnocracia se tornou uma palavra da moda para um novo modo de organizar a humanidade.

Mencione "tecnocracia" hoje e respostas variadas virão. "— Ela aparece muito nos livros de ficção científica.", explicou para mim um amigo — um jovem. "— É um modelo para um mundo utópico gerenciado pela tecnologia."

Um homem já perto dos seus setenta anos riu quando mencionei a palavra: "— Foi uma ideia de malucos que criaram uma espécie de seita com seguidores. Felizmente, ela desapareceu muitos anos atrás."

Outro amigo, que cresceu durante os anos da Grande Depressão se lembrou que ouvia a palavra durante o jantar e que havia literatura sobre a tecnocracia em sua casa.

A tecnocracia foi tudo isso referido anteriormente: um sonho utópico, um movimento similar a uma seita e um conceito que chamou a atenção do público. Mas, ela era e é muito mais: é uma grande propulsora. Hoje, as impressões digitais da tecnocracia marcam profundamente os cenários político, econômico, militar, social e espiritual. Não há nada que a tecnocracia não tenha tocado, principalmente porque, como um tipo de metafilosofia, ela se assenta sobre o princípio mais básico da rebelião humana: buscando uma iluminação quase divina, o homem pode se tornar como Deus.

O homem, e não Deus, é o engenheiro final do destino humano — portanto, o homem é Deus. A tecnocracia representa o pináculo da busca do homem pela autodivinização: a perfeição do homem por meio dos pensamentos de sua mente e as obras subsequentes de suas mãos. É o insulto cósmico, que teve usa origem nos dias antigos. Aquilo que Deus pode fazer, o homem pode fazer. O Jardim do Éden será recriado.

No nível pessoal, vi as primeiras impressões digitais da tecnocracia em 2009. Depois de vê-las, não pude acreditar que a tivesse negligenciado em minhas pesquisas anteriores. Ironicamente, eu tinha publicado muitos artigos que tocavam no assunto, incluindo uma matéria que teve uma boa circulação em 2004, intitulada "Engenharia Social para a Mudança Global". Todavia, eu não percebi que existia um metamovimento especializado que dava energia às mudanças que estavam sendo propostas. Naquele artigo, enfatizei o "globalismo" e a "cidadania mundial", o que não estava incorreto. Mas, deixei de ver o quadro maior.

Duas citações imediatamente vêm à mente daquele artigo sobre "Engenharia Social":

"Cinquenta anos é um tempo suficiente para mudar o mundo e sua população e deixá-los irreconhecíveis. Tudo o que é necessário para a tarefa são um conhecimento sólido da engenharia social, uma visão clara do objetivo proposto — e poder." — Arthur C. Clarke [2].

"Uma sociedade mundial não surge por acaso. Como não existem precedentes, ela não pode ser tradicional neste estágio de desenvolvimento. Ela somente pode ser deliberativa e experimental, planejada e construída com objetivos particulares e com a ajuda de todo o conhecimento disponível relacionados com os princípios da organização social. A engenharia social é uma nova ciência." — Scott Nearing [3].

Existe uma dupla ironia, pois estas duas citações acima foram a inspiração para o título da minha revista eletrônica de análises e pesquisas, Forcing Change (Mudança Forçada, ou Forçando a Mudança). Além disso, essas duas citações descrevem a essência da Tecnocracia: o desejo do homem de remoldar a humanidade segundo a imagem do homem. Assim, qual foi a "impressão digital" que chamou minha atenção em 2009? A moeda do carbono, seguida por uma ligação telefônica. Em um artigo intitulado "Cash for Clunkers" (Dinheiro Pelo seu Carro Velho), mencionei o potencial para uma futura moeda global baseada nos créditos do carbono e citei a Harvard International Review:

"Uma nova moeda está emergindo nos mercados internacionais. Ao contrário do dólar, do euro ou do iene, que são trocados por bens tangíveis e por serviços, essa nova moeda é trocada pela poluição — particularmente as emissões de dióxido de carbono... Os créditos de carbono, como eles são chamados, estão destinados a transformar o sistema de energia do mundo e, portanto, a economia mundial." [4].

Considere o seguinte: em 2006, o Centro para a Energia Sustentável, do Reino Unido, sugeriu que os cidadãos recebam uma conta de crédito em CO2, "baseado em um cartão de crédito de carbono debitado sempre que o carbono for consumido". [5]. Sempre que carbono for consumido" pode ser traduzido como "sempre que energia for usada". As implicações são tremendas.

Em seguida, o telefone tocou:

"— Carlos, a ideia de uma moeda baseada na energia não é nova... Consegui rastreá-la até os anos 1930s, a um movimento chamado Tecnocracia." Patrick Wood, um amigo e colega pesquisador, que administra o site AugustReview.com, também estava investigando o aparecimento de uma economia baseada no carbono. "— Durante a Grande Depressão, esse grupo fez lóbi para substituir o sistema baseado em preços por uma nova ordem econômica. Isso seria feito substituindo-se o dinheiro físico por certificados de energia."

Alguns meses antes, Patrick tinha me peguntado o que eu sabia sobre a Tecnocracia. A palavra ficou no fundo da minha mente com um sentido vago, sem que eu compreendesse plenamente seu significado. Agora, eu estava prestando atenção.

Tecnocracia é muito mais do que um enredo para livros de ficção científica.

A Maçonaria da Ciência

Em sua essência, a Tecnocracia procura criar uma "sociedade planejada" — não por meio de ideologias convencionalmente compreendidas, como o capitalismo ou o socialismo, mas por meio de uma mentalidade científica ou da engenharia. Neste sentido, a tecnologia exerce um papel de definição na sociedade e "os engenheiros sociais" possuem os meios técnicos para transformar uma população. Na economia, na indústria, no tamanho da população e na educação geral, o desejo da Tecnocracia era recriar o mundo de um modo que exemplificasse a "eficiência" e garantisse a harmonia social.

Entretanto, seria um erro grave e uma superssimplificação dizer que todos os cientistas, técnicos e engenheiros são tecnocratas, especialistas que aderem à Tecnocracia. Além disso, nem todo seguidor da Tecnocracia é um especialista, pois numerosos indivíduos que não são técnicos apoiaram o conceito. Também não seria certo dizer que a tecnologia é moralmente repreensível. Ela pode ser usada para o bem ou para o mal. Agora, a tecnologia pode desafiar sua cosmovisão; ela pode culturalmente redefinir os ideais e as posições adotadas. [6]. Esse conhecimento motivou o professor Neil Postman a perguntar: "… a quem a tecnologia dará maior poder e liberdade? E de quem o poder e a liberdade serão reduzidos por ela?" [7].

A Tecnocracia, conforme vista pelos líderes do movimento nos anos 1930s, não tinha uma agenda política tradicional. Na verdade, parte de seu argumento de vendas era seu desdém pelos governos, políticos e banqueiros. Ela não estava procurando formar um governo; estava procurando substituir todo o sistema por uma sociedade totalmente planejada. Isto seria chamado de um "Tecnato" e, dentro do tecnato, você não seria governado; você seria gerenciado pela "irmandade da eficiência, a maçonaria da ciência..." [8].

O termo "maçonaria da ciência" dificilmente poderia ser acidental e, de fato, está repleto de significado. A frase, usada no filme Things to Come (títulos em português Daqui a Cem Anos, e A Vida Futura), com roteiro de H. G. Wells, uma peça de propaganda que anunciava uma utopia tecnocrática surgindo a partir as cinzas de uma crise mundial, proclamava que uma Fraternidade supervisionaria a transformação da sociedade. No filme, a tecnologia avançada utilizada por essa "Fraternidade da Eficiência" vencia aqueles que se opunham ao "progresso". Não muito diferente da Loja Maçônica com sua "Fraternidade dos Homens", a Fraternidade de Wells estava unida no objetivo comum de aprimorar a humanidade.

Mas, o comentário da "maçonaria da ciência" é importante pois leva esse ideal do avanço humano a um nível mais profundo: ele expõe a ciência do misticismo — a perfeição e a superioridade do Homem. Isto é evidente nos símbolos da Loja, como a Pedra Polida Perfeita e foi descrito nos escritos dos filósofos mais eminentes da Maçonaria, incluindo Albert Pike, Manly P. Hall e Henry C. Clausen, que lembraram aos seus companheiros de viagem que:

"... a ciência e a religião serão fundidas em um expoente unificado de um poder espiritual que se sobreporá... O tema em essência é que as revelações do misticismo oriental e as descobertas da ciência moderna apoiam as crenças e ensinos maçônicos e do Rito Escocês." [9].

"A ciência e a filosofia, especialmente quando ligadas pelo misticismo, têm ainda de conquistar a ignorância e a superstição. Entretanto, a vitória aparece no horizonte. Laboratório e biblioteca, ciência e filosofia... técnicos e teólogos extraordinários estão agora se unindo como advogados da qualidade singular do homem, sua alma imortal e sua alma em contínua expansão." [10].

Será que H. G. Wells compreendia esse vínculo espiritual/científico? É discutível se ele era um maçom, mas certamente Wells possuía alguma compreensão da Loja. [11]. Além disso, ele era um socialista fabiano e um membro do Coeficientes — um clube formado por socialistas que se reuniam para jantares e discussões e que tinham inclinações tecnocráticas. Wells acreditava que o "supremo dever" do indivíduo era "subordinar a vida pessoal para a criação de uma junta de diretores mundiais". [12]. Ele imaginava uma civilização mundial que substituiria o socialismo e o comunismo; "Será mais, será uma religião mundial." [13].

Além de H. G. Wells e seu filme, o ponto alto público para essa "maçonaria da ciência" ocorreu na Universidade de Colúmbia em 1932 e início de 1933. Foi durante esse breve período que o Comitê Sobre Tecnocracia, um pequeno grupo que pregava o colapso do sistema baseado em preços e propunha o ordenamento técnico da América do Norte foi legitimado por uma das escolas mais prestigiosas nos EUA. Embora a existência do grupo na Universidade de Colúmbia tenha sido de curta duração, o conceito de engenharia social realizada por especialistas técnicos desde então se impregnou na academia e no governo. Como um ideal, a Tecnocracia nunca morreu.

Hoje, elementos tecnocráticos são observáveis na promoção da governança global, em organizações como o Clube de Roma, a UNESCO, a União Europeia, as Nações Unidas e no labirinto de agências especializadas que existem em torno dos governos. A pulsação da Tecnocracia pode ser sentida no movimento da eugenia e no trans-humanismo, que procura remoldar a humanidade "dirigindo a evolução". Ela está incorporada na cultura militar e é visível no aparecimento do Estado Policial. A ordem internacional e a paz global estão sob sua direção, o sistema educacional está sob sua influência, os líderes religiosos e os espiritualmente interessados paradoxalmente a desprezam e a adotam.

A Tecnocracia funciona dentro e frequentemente transcende as estruturas políticas existentes. Ela se associou ao aparato soviético e funcionava bem nas culturas fascista e nazista. Embora seja mais observável nos regimes totalitários, as repúblicas e democracias ocidentais não estão imunes. De fato, o mundo ocidental — que exerceu um papel de liderança em patrocinar a versão moderna — está caminhando rapidamente rumo à visão tecnocrática. A Tecnocracia é um camaleão político porque a fonte dos nossos corações rega suas raízes. Todos nós participamos em algum nível: o fim justifica os meios e, se os meios não existem, criaremos uma ferramenta que nos levará até aquele fim. Alcançar a perfeição é o objetivo.

O que isto significa para a sociedade? Dica: pense em "controle social" por meio do gerenciamento de grandes populações. Em seu fim extremo, a Tecnocracia assume o peso de uma herança mortal, uma linhagem da proficiência técnica — uma árvore genealógica em que os ramos do Darwinismo Social foram podados com eficiência letal e o fruto venenoso que ela produz tem nomes como Auschwitz e Treblinka. Portanto, é importante que investiguemos essa "maçonaria da ciência". Ao fazermos isso, compreenderemos melhor as palavras de B. F. Skinner: "Ainda não vimos o que o homem pode fazer com o homem." [14].

A Religião da Ciência

A tecnocracia no sentido moderno é uma ideia que entrou em proeminência durante as primeiras décadas do século 20. Dois filósofos franceses pouco lembrados e que tiveram um relacionamento professor-aluno, Henri de Saint-Simon (1760-1825) e Auguste Comte (1798-1857) são merecedores de uma atenção especial. Simon, o progenitor do socialismo moderno, [15] e Comte, o pai da "Filosofia Positivista" [16] são os cofundadores da Sociologia moderna. Ambos imaginaram uma "nova era para a humanidade" baseada na ciência. [17].

Saint-Simon acreditava que os "cientistas e os capitães da indústria substituiriam os sacerdotes e os senhores feudais como os líderes naturais da sociedade". [18]. Achando a ideia de Deus imperfeita, [19], ele imaginou um dia quando a ciência moldaria e governaria a humanidade:

"... é óbvio que quando o novo sistema científico tiver sido construído, uma reorganização dos sistemas religiosos, políticos, ético e educacional ocorrerá e, consequentemente, uma reorganização da igreja." [20].

Auguste Comte expandiu a cosmovisão do seu professor em uma "Religião da Humanidade" identificável por meio das leis da ciência, a humanidade era o "único Grande Ser verdadeiro" e, portanto, a humanidade deve "dirigir cada aspecto da nossa vida, individual ou coletiva." [21]. Comte chamava isso de Positivismo e o via como o estágio de pináculo do desenvolvimento humano. As leis científicas determinam a verdade; portanto, somente uma elite cientificamente iluminada deve guiar a humanidade. O Positivismo foi uma "doutrina regeneradora", um "credo que abraçava tudo" e que tiraria o mundo da ignorância, da corrupção e da anarquia por meio de uma cosmovisão positiva e científica. [22].

Construindo sobre essa teologia do homem, Comte se autonomeou "Sumo Sacerdote da Humanidade" e o "Fundador da Religião Universal". [23]. Neste processo, ele criou um sistema de rituais para marcar os estágios da vida, desde o nascimento até a 'incorporação' ou 'transformação' no Grande Ser." [24]. Isto incluía cerimônias positivistas de casamento. Além disso, prenunciando a terapia de grupo, Comte imaginou "um sistema de adoração em grupo destinado a reforçar as emoções sociais." [25].

O individualismo na "nova era para a humanidade" teria de ser substituído por um coletivismo derivado de forma científica. Comte simplificou isto com uma pergunta: "Os homens não estão autorizados a pensarem livremente sobre a Química e a Biologia. Por que então deveriam pensar livremente sobre a Filosofia Política?" [26]. A ciência produziria um sacerdócio político e social: uma classe governante tecnocrática.

Esta noção do governo científico nos assuntos sociais foi adotada pelos pensadores darwinistas do século 19. Homens como Francis Galton — o pioneiro da eugenia e primo de Charles Darwin — e Karl Pearson, o pai da Estatística Matemática e promotor da eugenia, acreditavam que o "gado" necessitava de treinamento. [27]. A evolução darwiniana, afinal de contas, ditava logicamente que certas "raças" e até classes sociais poderiam ser vistas como superiores ou inferiores com base na ciência do Darwinismo Social. [28]. Portanto, líderes esclarecidos apoiados pela fulgente "verdade da ciência" determinarão o curso da evolução humana. De que outra forma podemos gerenciar nosso progresso para um nível mais elevado?

Quem deve receber autorização para gerar filhos e quem deve ser esterilizado? Este tipo de pensamento levou William Bateson, presidente da Associação Britânica para o Progresso da Ciência, em 1914, a anunciar que certos tipos de pessoas "inferiores" não deveriam ter a permissão de procriar: "A união dessa praga social não devemos mais permitir, da mesma forma como não podemos permitir que os parasitas se multipliquem em nossos corpos." [29].

A evolução forneceu uma alternativa "científica" para o "mito" do Gênesis e o homem podia agora "brincar de ser Deus". [30]. Portanto, a administração do processo evolucionário por meio da eugenia ("higiene racial") e "controle populacional" encontraram uma justificativa técnica. Isto foi o ímpeto para "nada menos que a criação científica em uma escala universal do super-homem nietzchiano." [31]. (Nota: Fredrich Nietzche foi um filósofo alemão que ensinava a morte de Deus e o surgimento do Ubermensch — o super-homem evoluído".).

Corroborado pela "Religião da Humanidade" de Comte e pelo "novo sistema científico" de Simon, um conceito progressista de planejamento social baseado na ciência e na elite tomou forma: a Tecnocracia. Um profeta desse movimento proclamou que a Tecnocracia "produziria com o tempo uma raça humana superior em qualidade a qualquer outra que exista agora no mundo." [32].

A premissa era clara: a ciência dará poder à humanidade — "no sentido que o homem poderá se tornar mais do que um homem." [33].

A tecnologia nos livrará do trabalho insalubre e os engenheiros irão eficientemente reconstruir o Jardim do Éden. A Tecnocracia foi e permanece sendo um tipo modernista de fé em que os cientistas e engenheiros atuam como o novo sacerdócio. As massas, que não pensam criticamente, usufruem os frutos da tecnologia enquanto se encontram inextrincavelmente presas a ela e genuflexas diante desses sacerdotes. A vida depende das palavras sagradas dos especialistas. Afinal, quem sabe mais do que os especialistas?

No nível contemporâneo, o dogma é assim: os recursos globais estão sendo usados em seus limites máximos, o meio ambiente está entrando em colapso e os seres humanos são os culpados. Mas, se vocês nos ouvirem, os especialistas afirmam, e nos concederem o direito de cogerenciar junto com os líderes políticos iluminados, podemos salvar a Terra. Nesta pseudo-religião, a tecnologia verde está casada com a economia global, produzindo a energia da transformação. Como um cidadão mundial, seu papel será revolucionar seus valores e alterar radicalmente seu estilo de vida; mas esse é um preço pequeno a pagar em nome da sustentabilidade e do progresso. A solução é tecnocrática: engenheiros sociais, usando uma abordagem sistemática trabalharão para transformar seu comportamento — até mesmo o que significa ser humano — enquanto que novas tecnologias sociais coletivizarão o sistema.

Este roteiro é repetido sucessivas vezes para as massas e, se não for o meio ambiente, então alguma outra crise será usada como justificativa. Seja real ou sentida, a crise exige ação e nosso comportamento precisa ser ajustado para o "bem do planeta". Na realidade, é o avanço da "Religião da Humanidade".

John L. Reed, um crítico do ideal tecnocrático, nos lembra: "A única salvação é criar uma cultura de acordo com os fatos descobertos pelos cientistas do comportamento. O ideal tecnocrático segue como uma verdade que os cientistas comportamentais devem ser os criadores da Nova Ordem." [34].

B. F. Skinner, o pai da Psicologia Comportamental, uma mentalidade completamente tecnocrática, descreveu esse utopismo científico como "um movimento religioso liberado de qualquer interesse pelo sobrenatural e inspirado por uma determinação de construir o céu na terra." [35].

Céu na terra? Os sonhos utópicos do homem tipicamente se transformam em pesadelos sangrentos. Além disso, quando o homem declara que o homem não é nada mais que uma entidade biológica que pode ser moldada (e numerada) pela ciência do planejamento da elite, então o homem se torna um componente descartável no "Grande Ser" de Comte.

Grandes Saltos e Grandes Visões

Dos anos 1880s até os 1940s, a sociedade testemunhou um salto técnico/científico de proporções inacreditáveis. Tudo o que é preciso considerar é o salto da carroça puxada por cavalos às viagens de avião, e das lamparinas a óleo ou carvão à lâmpada elétrica. Hoje, ainda estamos enamorados com a tecnologia, mas esse período anterior foi muito mais vibrante; as maravilhas da engenharia que agora consideramos coisas normais da vida estavam transformando a história.

Esse entusiasmo era evidente nas grandes feiras e exposições internacionais de Paris, Bruxelas, St. Louis e Chicago, onde as invenções eram mostradas aos olhos do mundo. Aquele foi um tempo em que a ciência e a engenharia se fundiram com o teatro de espetáculos, criando a subcultura de exposições dos inventores. As feiras forneciam entretenimento e alimentavam a sociedade com as antecipações das maravilhas técnicas e das grandes mudanças. Um escritor, comparando a Feira de Paris de 1900 com a Exposição de Colúmbia de 1893, nos diz: "Nestes sete anos o homem se transladou para um novo universo que não tem uma escala comum de medição com o antigo." [36]. (Se ele apenas pudesse ter visto mais 100 anos no futuro!).

O impulso para o progresso tecnológico foi melhor demonstrado por meio dos laboratórios de pesquisa industrial e as dezenas de instalações científicas que foram criadas. Considere o seguinte: em 1920, existiam cerca de 300 laboratórios industriais e de pesquisa científica nos EUA; por volta de 1940, existiam mais de 3.400. [37]. Universidades, governos e banqueiros saltaram a bordo, pois a pesquisa e desenvolvimento eram ambas muito caras... e muito lucrativas.

A necessidade de trabalhadores altamente qualificados cresceu de forma exponencial e inúmeras associações técnicas e de engenharia foram formadas durante aquelas décadas iniciais. As universidades criaram departamentos especializados que atuavam como incubadoras para ideias "progressistas". A ciência se viu casada com o novo conceito de socialismo, pois este era visto como uma "abordagem científica para a civilização" [38]. A equidade e a solidariedade podiam ser patrocinadas e diretorias de planejamento e conselhos consultivos foram formados, trazendo um número cada vez maior de especialistas para os salões do governo. Foi o nascimento de um período de crescimento industrial que unia a ciência, a economia e o peso da lei. [39].

Alemanha, Grã-Bretanha, França, EUA e Rússia [40] testemunharam essa superioridade da influência técnica e cada país experimentou resultados variados da cosmovisão de Saint-Simon. Nos EUA, surgiu uma nova base de poder: as fundações filantrópicas.

As principais fundações isentas de impostos eram, e ainda são, ferramentas indispensáveis para a transformação cultural, dando aos líderes acadêmicos e governamentais acesso a vastas somas de riqueza privada alocadas para a transformação social. Os grupos empresariais Carnegie e Rockefeller são particularmente conhecidos por seu trabalho em promover o internacionalismo. O Relatório Dodd, preparado para o Comitê Reece Sobre as Fundações, de 1954, junto com os relatórios finais do Comitê Reece, observaram que essas organizações têm historicamente enfocado a "engenharia social" e as "técnicas de controle". De acordo com o Relatório Dodd, esses grupos empresariais e seus cientistas sociais estão inclinados para o controle do comportamento humano, planejamento internacional, centralização do poder e a substituição da liberdade individual pelo pensamento de grupo. [41].

Ambos os grupos Carnegie e Rockefeller surgiram e cresceram antes da Primeira Guerra Mundial. O projeto de estimação de Andrew Carnegie e que combinava com seu Fundo Carnegie para a Paz Internacional, era a criação do Palácio da Paz, em Haia. Carnegie o chamava de "Templo Sagrado da Paz" e as portas foram oficialmente abertas em agosto de 1913. [42]. Era uma grande visão e Carnegie tinha muitos dólares para ver seu Templo ser construído. Hendrik Andersen não foi tão felizardo.

Um número muito menor de pessoas sabe quem foi Hendrik C. Andersen, mas o que ele propôs demonstrou o nível de entusiasmo com o avanço humano que era sentido no início do século 20. Propondo uma "Sociedade Internacional para a Criação de um Centro Mundial", Hendrik esquematizou os planos para uma cidade global. Jardins, torres e templos seriam construídos e o mundo se centralizaria em torno das realizações do homem.

Considere parte do plano dele:

"O Centro Científico está conectado com os Centros da Arte e da Cultura Física pela ampla Avenida das Nações, flanqueada de ambos os lados por palácios que abrigarão os embaixadores e delegados que representam seus respectivos países. Ele tem como maior destaque uma gigantesca Torre do Progresso, que se eleva à altura de 320 metros."

"Essa torre, planejada em linhas de utilidade prática é capaz de fornecer escritórios para as sociedades internacionais sabidamente benéficas à humanidade e ao progresso do mundo. A Imprensa Mundial ocupará os andares inferiores desse edifício colossal e servirá para dar voz às demandas internacionais... A Torre, que será a principal atração do centro e da cidade, foi concebida como um símbolo da nossa fé na Unidade..."

"A Torre está erguida no meio de um espaço circular reservado para os Edifícios do Congresso Científico Internacional para a Medicina, Cirurgia e Higiene, Direito e Criminologia, Eletricidade e Invenção, Agricultura e Transporte, todos os quais terão seus salões, bibliotecas, museus e escritórios de apoio e serão decorados como domos, torres e arcadas. À direita e à esquerda um Salão Internacional de Justiça e um Templo das Religiões estão planejados em linhas generosas. Completando o projeto há um Banco Internacional, ou Banco de Compensações, e uma Biblioteca de Referência Mundial, enquanto em jardins próximos estão dispostos os Institutos Internacionais da Educação Superior." [43].

"Princípios espirituais" e unidade exerceram um papel-chave no planejamento dessa Nova Babilônia. Aqui estão alguns excertos do documento de planejamento que o Sr. Andersen enviou para pensadores mundiais.

"... o fato que os homens têm o poder de construir templos magnificentes e de derrubar montanhas, preenche a alma com um orgulho estranho e uma fé segura que nada pode destruir aquilo que é feito em uma causa justa." [44].

"... como estamos certos da divindade da alma humana, podemos investigar o passado com calma e julgamento sereno e tratar de fortalecer o futuro por uma compreensão mais profunda do Deus no homem e assim ajudar, por meio da unidade, força e cultura, a construir esta escada, como no sonho de Jacó, que vai da terra ao céu." [45].

"Os homens em toda a parte do mundo estão se tornando preparados para esta mudança e parecem ansiosos por sua manifestação material. Eles percebem que sua força somente pode vir por meio da unificação mundial, da paz e da comunhão — uma grande coalescência — uma centralização mundial... Esse tipo de unidade toda a ciência tende a facilitar. Aqueles que são destemidos e os puros em espírito reconhecem e dão as boas-vindas a ela." [46].

Cópias deste plano grandioso foram enviadas por todo o mundo e organizações como a Fundação para a Paz Mundial, o Comitê Internacional dos Pesos e Medidas, a Sociedade Astronômica da França e o Instituto de Física da Universidade de Estrasburgo escreveram cartas de recomendações. Assim também fizeram o Comissário de Educação dos EUA, o presidente da Universidade de Stanford e o presidente da Igreja Evangélica Luterana na América.

Afinal, era um novo século de realizações científicas e um ano de esperança — 1913, o mesmo ano em que o "Templo Sagrado da Paz", de Andrew Carnegie seria inaugurado.

Mas, em um instante, tudo mudou. Um ano mais tarde os homens começaram a se matar de modos nunca antes imaginados.

A Grande Guerra Tecnológica

É difícil para nós, quase cem anos após os fatos, compreender o choque cultural produzido pela Grande Guerra — melhor conhecida como Primeira Guerra Mundial. A ciência e a tecnologia tinham prometido abundância e unidade entre os homens, porém liberaram horrores indescritíveis. Em agosto de 1914, o poder da indústria moderna, da ciência e da engenharia batizaram a Europa com fogo, aço e sangue. Em terrível ironia, as batalhas iniciais testemunharam a Infantaria francesa marchando pelos campos em sua "farda azul e casaco vermelho, e os oficiais da Artilharia em uniforme preto e dourado" (47) — atavismos da era napoleônica. A Grande Guerra para os franceses (e para os outros também) começou com os pés no passado romântico. Mas, esta agora era a época da ciência e da mecanização; a Primeira Guerra Mundial foi o primeiro matadouro criado de forma científica pela engenharia.

Verdun, Vimy, Somme, Ypres e muitos outros locais experimentaram a tecnologia da aniquilação maciça: gases venenosos, tanques, lança-chamas, metralhadoras e avanços espetaculares nas técnicas de artilharia foram marcas características daquele tempo. Quase cem anos após a Guerra, um caça-minas, um profissional que faz uma varredura para limpar os campos de batalha da França (uma tarefa que leva várias gerações!), teve isto a dizer com relação às bombas de gás e explosivos da Grande Guerra:

"... com essas duas armas, exércitos inteiros podiam ser mortos sem que seus oponentes sequer os vissem. Quando o poder de destruir à distância veio às nossas mãos, os homens aprenderam que Deus pode abandoná-los. Com essas armas, uma religião sem Deus tinha chegado." [48].

No primeiro dia na Batalha de Somme, a Grã-Bretanha teve 50.000 baixas. Em menos de um ano em Verdun, as baixas totais nos campos de batalha ultrapassaram 700.000. A região de Flandres foi chamada de "um dos mais vastos cemitérios na Terra", com mais britânicos mortos em Flandres "do que o total de soldados americanos mortos em ação durante toda a Segunda Guerra Mundial". [49]. As baixas alemãs e francesas em Flandres e em outras zonas de batalha, foram inacreditáveis — nunca antes números tão grandes de homens tinham sido obliterados de forma tão eficiente. Da mesma forma, vastos números de soldados austríacos, turcos, italianos e russos foram engolidos nessa máquina da morte. "Desaparecido" nos campos de batalha da Grande Guerra era um "terrível eufemismo para os homens feitos em pedaços pelas bombas, aqueles deixados para apodrecer até o ponto de não poderem ser identificados, aqueles que simplesmente desapareceram na lama." [50].

Um historiador escreveu: "A matança maciça no século 20 começou de verdade com a Primeira Guerra Mundial. Cerca de 6.000 pessoas morriam por dia, durante mais de 1.500 dias." [51].

Não posso imaginar as montanhas de cadáveres ou os rios de sangue que isto representa, nem posso compreender a dor coletiva de tantas famílias dilaceradas pela morte. Horrível? Gravíssimo? De algum modo isto parece não ter sentido. Felizmente, nunca testemunhei essa carnificina, mas sempre que leio os relatos dos indivíduos e dos eventos da Grande Guerra, fico aturdido. Toda essa carnificina está além da compreensão.

Até mesmo os motivos para a guerra são difíceis de compreender. Um motivador foi o Darwinismo Social; embora não tenha sido o único fator, ele estava profundamente impregnado na cultura europeia. O chefe do Estado Maior no Exército Alemão de 1906 a 1914, Helmuth von Moltke, via a Grande Guerra por meio dessa lente, como também muitos outros alemães daquele tempo. [52]. O darwinismo patrocinava uma "Doutrina de Força" política e militar [53] que ensinava uma versão nacionalista da "sobrevivência dos mais aptos". A Alemanha não era o único país onde isto estava na moda, pois as elites da França e da Grã-Bretanha também tinham a mesma perspectiva. [54].

Com relação à Primeira Guerra Mundial, o teórico evolucionista Benjamin Kidd nos diz: "O estado da guerra começou novamente a ser discutido entre os homens não como uma vergonha ou uma repreensão para a civilização, mas como um estado da natureza." [55].

Isto era Darwinismo no nível social e cultural e impregnava todos os níveis de classe e estrutura. Kidd explica:

"A tese darwiniana... teve um efeito impressionante sobre a civilização. Ele apresentava para os mestres da força no Ocidente um conceito do mundo que eles traduziam exclusivamente em termos de força e luta." [56].

Expandindo isto um pouco mais, Kidd explicou que: "As teorias de Darwin vieram a ser abertamente expostas nos livros-texto políticos e militares como a total justificativa para a guerra... em que a doutrina da Força tornou-se a doutrina do Direito, daquilo que é certo... Em tratados solenes de ciência social ela os viu (os super-homens da força) emergindo como 'eficientes'." [57].

O Darwinismo Social se encaixou perfeitamente com a ascensão das ciências exatas e as lições da tecnologia saltaram a partir das experiências da Primeira Guerra Mundial. Robert Hollinger, autor de The Dark Side of Liberalism, ajuda a conectar alguns pontos entre ciência, fundações e governos:

"A Primeira Guerra Mundial forneceu uma oportunidade para os cientistas ajudarem no esforço de guerra e, não por acidente, ganharem mais poder e prestígio com o governo federal, que até aquele ponto não tinha financiado a pesquisa científica que não fosse diretamente prática. Essa política fez com que cientistas e engenheiros se envolvessem com as grandes empresas e as recém-criadas fundações 'filantrópicas' de Andrew Carnegie e John Rockefeller... Isto, por sua vez, minimizava qualquer crítica ao capitalismo das grandes empresas e, ao mesmo tempo, movia os cientistas e engenheiros mais para longe das aspirações ou controles democráticos." [58].

Isto se encaixa com os comentários de Samuel P. Wilson, publicados em 1924; Wilson tinha sido um químico especialista em explosivos na Marinha dos EUA:

"... o grau mais alto de treinamento e especialização nas ciências físicas está agora sendo empregado para melhorar e controlar a parafernália da guerra. As campanhas atuais são entre forças opostas de técnicos e os campos de batalha são seus laboratórios." [59].

As lições da ciência e da engenharia não ficaram perdidas com os técnicos daquele tempo e muitos perceberam que o planejamento técnico inerente na guerra moderna precisava ser aplicado no gerenciamento do pós-guerra. Uma derivação disso foi o desenvolvimento do "movimento dos Testes Mentais Psicológicos"— que surgiu durante a guerra como um método de examinar os soldados. Derivado do Darwinismo Social, esse movimento pavimentou a estrada para a "Psicologia Industrial, para o aconselhamento acadêmico... e a criação de filhos" com a pressuposição que "as pessoas necessitavam se tornar ajustadas desde o nascimento de modo a se tornarem trabalhadores mais eficientes e produtivos na nova ordem corporativa." [60]. Isto é engenharia social "desde o berço até a sepultura".

O historiador William Akin observou que os líderes socialistas e conservadores, incluindo o ex-presidente americano Herbert Hoover, acreditavam que "o planejamento em tempos de guerra apontava para o caminho do futuro." [61].

"Por volta do fim da Primeira Guerra Mundial, um conjunto de ideias 'progressistas' sobre tecnologia e o estado industrializado, planejamento e especialização, eficiência e engenharia social tinham se tornado correntes... O planejamento requeria o uso de especialistas, que são os únicos que possuem o treinamento profissional, a capacitação técnica e a racionalidade científica para compreender a complexa máquina industrial moderna. O planejamento racional exigia que os especialistas estivessem livres da política partidária para trazerem sua racionalidade ideologicamente neutra e os métodos científicos eficientes para afetarem a engenharia dos problemas sociais." [62].

Planejamento e coletivismo são suportes para a "engenharia dos problemas sociais". Internacionalmente, diversas organizações foram criadas com a ideia de descobrir meios técnicos para superar as preocupações globais. O professor W. H. G. Armytage nos diz: "Trinta ou mais órgãos públicos desse tipo foram criados antes de 1919, bem como 500 organizações internacionais privadas, todos endossando a necessidade de uma administração coletiva..." [63].

Uma proposta foi a criação de uma Associação Técnica Mundial, para a "promoção da paz". [64].

Neste ambiente pós-guerra, os especialistas podiam agora voltar suas energias para a criação de uma nova civilização. Idealmente, ela seria uma sociedade em que o individualismo teria de se dobrar ao universal.

Em 1918, Benjamin Kidd escreveu a respeito desse coletivo humano como o passo lógico além do Darwinismo. A integração social evoluída, ele acreditava, representava a forma final do poder. "A ciência futura da civilização pode ser resumida em uma frase: será a ciência do Poder." [65].

"... o tipo vencedor de Poder baseia-se nos princípios que nos subordinam ao universal... Saia fora do caminho, ou o mundo com impaciência precisará tirá-la da frente. Dêem-nos nos jovens. Dêem-nos os jovens e criaremos uma nova mente e um novo mundo em uma única geração... O Poder em sua expressão mais elevada é a ciência de organizar a mente individual no serviço da universal. A verdade não é nada mais do que essa ciência do Poder." [66].

O "Grande Salto" tecnológico tinha incorporado culturalmente a mentalidade tecnocrática e a Grande Guerra tinha liberado os tecnocratas. Alguns gravitavam em torno dos regimes totalitários, criando estruturas para "incorporar a nova era" [67]; outros trabalhavam para transformar a América do Norte no primeiro continente "gerenciado". [68]. Uma paz planejada poderia agora ser construída.

Em 1924, o Prêmio Americano da Paz atribuiu menção honrosa a um plano de paz internacional baseado na tecnocracia.

"A resposta (à paz internacional) está no mais surpreendente fenômeno da civilização moderna — naquilo que outros rotularam de Tecnocracia. O progresso da ciência e da tecnologia é a característica deste tempo; os técnicos transformaram a face do globo e impuseram mudanças a seus habitantes que não podem ser apreciadas sem que consideremos como era o mundo apenas dois séculos atrás. Essa classe de homens supertreinados e supercapacitados é hoje absolutamente essencial para a realização das tarefas altamente especializadas da civilização moderna."

"... o fato é que hoje os cientistas treinados ocupam uma posição singular de grande importância e tremendo poder latente. Querendo ou não, eles precisam assumir uma parcela cada vez maior de influência e responsabilidade no mundo." [69].

O que parecia ser desorganizado nos anos 1920s, deu um grande passo para a frente nos anos 1930s: a organização da Tecnocracia como um movimento.

Saint Simon e Comte se reviraram em seus túmulos.

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Notas Finais

1. Graham A. Laing, Towards Technocracy (The Angelus Press, 1933), pág. 46.

2. Arthur C. Clarke, Childhood’s End (Ballantine Books, 1953), pág. 69.

3. Scott Nearing, United World (Island Press, 1944), pág. 221.

4. David F. Victor and Joshua C. House, "A New Currency: Climate Change and Carbon Credits", Harvard International Review, Summer 2004, pág. 56.

5. "A Rough Guide to Individual Carbon Trading" (Centre for Sustainable Energy, November 2006), pág. 13.

6. Um livro muito interessante sobre o papel da tecnologia na transformação cultural é Technopoly: The Surrender of Culture to Technology, de Neil Postman (Vintage, 1993).

7. Neil Postman, Technopoly: The Surrender of Culture to Technology (Vintage, 1993), pág. 11.

8. Do filme Things To Come, produzido em 1936.

9. Henry C. Clausen, Emergence of the Mystical (Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, 1981), pág. xi.

10. Henry C. Clausen, Emergence of the Mystical, pág. 92.

11. Veja a listagem de H. G. Wells na página da Grande Loja da Colúmbia Britânica e Yukon, em http://www.freemasonry.bcy.ca/biography/wells_h/wells_h.html.

12. H. G. Wells, The Open Conspiracy: Blue Prints for a World Revolution (Doubleday, Doran and Company, 1928), pág. 143.

13. Wells, The Open Conspiracy, pág.163.

14. Conforme citado no livro de Vance Packard, The People Shapers (Little, Brown and Company, 1977), pág. 3.

15. Dante Germino, Machiavelli to Marx: Modern Western Political Thought (University of Chicago Press, 1972), pág. 273.

16. "Auguste Comte", Stanford Encyclopedia of Philosophy, http://plato.stanford.edu/entries/comte.

17. Dante Germino, Machiavelli to Marx, pág. 273.

18. Felix Markham, introdução à coleção de Henri de Saint-Simon, Social Organization, The Science of Man, and Other Writings (Harper, 1952), pág. xxi.

19. Henri de Saint-Simon, "Introduction to the Scientific Studies of the 19th Century", Social Organization, The Science of Man and Other Writings (Harper, 1952), pág. 20.

20. Henri de Saint-Simon, "Essay on the Science of Man", Social Organization, The Science of Man and Other Writings (Harper, 1952), pág. 21.

21. Dante Germino, Machiavelli to Marx, pág. 296.

22. Dante Germino, Machiavelli to Marx, pág. 290.

23. Dante Germino, Machiavelli to Marx, pág. 289.

24. Dante Germino, Machiavelli to Marx, pág. 296.

25. Dante Germino, Machiavelli to Marx, pág. 296.

26. W. H. G. Armytage, The Rise of the Technocrats: A Social History (Routledge and Kegan Paul, 1965), pág. 298.

27. W. H. G. Armytage, The Rise of the Technocrats: A Social History, pág. 120.

28. Para uma perspectiva cristã, veja Ken Ham and A. Charles Ware, Darwin’s Plantation: Evolution’s Racist Roots (Master Books, 2007). Um texto mais antigo que vale a pena ler é Richard Hofstadter, Social Darwinism in American Thought (George Braziller, 1959). Veja também, Edwin Black, War Against The Weak (Four Walls Eight Windows, 2003), e a página 208 do livro de Ronald W. Clark, The Survival of Charles Darwin: A Biography of a Man and an Idea (Random House, 1984). Finalmente, Benjamin Kidd discute classe e evolução em seu livro, The Science of Power (Methuen, 1918/1919).

29. Citado por Benjamin Kidd, The Science of Power (Methuen, 1918/1919), pág. 92.

30. Diversos livros importantes sobre o assunto da eugenia já foram publicados. Sugiro de Edwin Black, War Against the Weak (Four Walls Eight Windows Publishing, 2003) por sua minuciosa investigação sobre a eugenia nos EUA e na Alemanha.

31. Benjamin Kidd, The Science of Power (Methuen, 1918/19), págs. 73-74.

32. Harold Loeb, Life In A Technocracy: What It Might Be Like (Syracuse University, 1933/1996), pág. 178.

33. Harold Loeb, Life In A Technocracy, pág. 174.

34. John L. Reed, The Newest Whore of Babylon: The Emergence of Technocracy — A Study in the Mechanization of Man (Branden Press, 1975), pág. 120.

35. B. F. Skinner, Walden Two (Macmillan, 1968 edição de capa mole), pág. 308.

36. David Lindsay, Madness in the Making: The Triumphant Rise and Untimely Fall of America’s Show Inventors (Kodansha, 1997), pág. 269.

37. W. H. G. Armytage, The Rise of the Technocrats: A Social History, pág. 246.

38. W. H. G. Armytage, The Rise of the Technocrats, pág. 249. Veja também as páginas 120-121.

39. Para uma exploração detalhada desses eventos, veja Armytage, The Rise of the Technocrats: A Social History, pág. 202-358.

40. Veja Don K. Rowney, Transition to Technocracy: The Structural Origins of the Soviet Administrative State (Cornell University Press, 1989). Veja também W. H. G. Armytage, The Rise of the Technocrats: A Social History.

41. Norman Dodd, "The Dodd Report to the Reece Committee on Foundations, 1954". Este curto relatório pode ser lido enquanto você toma uma xícara de café. Entretanto, as oitivas do Comitê Reece e os relatórios finais são documentos muito substanciais, explorando em detalhes o aparecimento e influência das fundações como agentes para a transformação social tanto nos EUA quanto internacionalmente.

42. Robert M. Gates, conforme explicado em um discurso que ele fez ao Fundo Carnegie para a Paz Internacional, em Washington, em 28 de outubro de 2008.

43. Hendrik C. Andersen, World-Conscience: An International Society for the Creation of a World-Centre (1913), pág. 4.

44. Andersen, World-Conscience: An International Society for the Creation of a World-Centre, pág. 8.

45. Andersen, World-Conscience: An International Society for the Creation of a World-Centre, pág. 11.

46. Andersen, World-Conscience: An International Society for the Creation of a World-Centre, pág. 11.

47. Winston Groom, A Storm in Flanders — The Ypres Salient, 1914-1918: Tragedy and Triumph on the Western Front (Atlantic Moody Press, 2002), págs.18-19. Veja também de John Keegan, The First World War (Alfred A. Knopf, 1999), pág. 755.

48. Conforme citado por Donovan Webster, Aftermath: The Remnants of War (Pantheon, 1996), pág. 53.

49. Winston Groom, A Storm in Flanders, pág. 260.

50. Ian Ousby, The Road to Verdun (Doubleday, 2002), pág. 7.

51. Richard L. Rubenstein, The Cunning of History, pág. 7.

52. Richard F. Hamilton and Holger H. Herwig (editor), The Origins of World War I (Cambridge University Press, 2003), págs. 164, 186.

53. Benjamin Kidd, The Science of Power (Methuen & Co., 1918/1919), págs. 46-47.

54. Leonard V. Smith, Stephane Audoin-Rouzeau, and Annette Becker, France and the Great War, 1914-1918 (Cambridge University Press, 2003), págs. 58-59. Veja também Ian Ousby, The Road to Verdun, págs. 243-248.

55. Benjamin Kidd, The Science of Power, pág. 12.

56. Kidd, The Science of Power, pág. 9.

57. Kidd, The Science of Power, pág. 47.

58. Robert Hollinger, The Dark Side of Liberalism: Elitism vs. Democracy (Praeger Publishers, 1996), pág. 33.

59. Samuel Peter Wilson, "The Organization of Scientists for Peace", Ways to Peace (Charles Scribner’s Sons, 1924), págs.136-137.

60. Robert Hollinger, The Dark Side of Liberalism: Elitism vs. Democracy, pág. 33.

61. William E. Akin, Technocracy and the American Dream, pág. 4.

62. William E. Akin, Technocracy and the American Dream, págs. 4-5.

63. W. H. G. Armytage, The Rise of the Technocrats: A Social History, pág. 352.

64. Samuel Peter Wilson, "The Organization of Scientists for Peace", Ways to Peace (Charles Scribner’s Sons, 1924), pág. 144.

65. Kidd, The Science of Power, pág. 258.

66. Benjamin Kidd, The Science of Power, pág. 298.

67. Roger Griffin, Tunnel Visions and Mysterious Trees: Modernist Projects of National and Racial Regeneration, 1880-1939, Blood and Homeland: Eugenics and Racial Nationalism in Central and Southeast Europe, 1900-1940 (Central European University Press, 2007), pág. 435.

68. Technocracy Study Course (Technocracy Inc, 1934).

69. Samuel Peter Wilson, "The Organization of Scientists for Peace", Ways to Peace (Charles Scribner’s Sons, 1924), págs.135, 138-139.



Autor: Carl Teichrib, artigo original em http://www.forcingchange.org, Volume 4, Edição 7.
Data da publicação: 21/8/2011
Transferido para a área pública em 23/2/2013
Revisão: http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/tecnocracia-1.asp