Planejando um Novo Mundo — Parte 3

Tecnocracia e Transumanismo: Olhando Para o Passado Para Ver Como Será Nosso Futuro Tecnológico

Autor: Carl Teichrib, Forcing Change, Volume 5, Edição 7.

Nota: "Olhando Para o Passado Para Ver Como Será Nosso Futuro Tecnológico" é uma ligeira revisão do meu capítulo no livro recém-lançado Pandemonium’s Engine (Defender Publishing, 2011) — veja maiores informações no quadro; o capítulo no livro é "Tomando de Assalto o Céu Para Ser Como Deus e Governar o Mundo". Este relatório expande os temas Tecnocracia e Transumanismo apresentados em edições anteriores da Forcing Change e ajuda a colocar a busca do Transumanismo em uma perspectiva histórica. Realmente, "nada há de novo debaixo do sol". [Eclesiastes 1:9].

"À medida que nossa compreensão da tecnologia aumenta, assim também cresce nossa compreensão do universo espiritual... nossa concepção de Deus formada e reformada segundo o molde da nossa tecnologia. Não somente isto, as figuras espirituais são vistas como um mestre da tecnologia atual e futura... Profundas mudanças tecnológicas e profundas mudanças filosóficas estão interligadas." – Matt Swayne, 2 de novembro de 2010. [1].

"Esta é uma época em que a precisão das nossas definições é excedida somente pela vagueza das filosofias que estão por trás delas." — editor de ficção científica Lester del Rey. [2].

É fácil ficar confuso ao estudar os aspectos técnicos do Transumanismo, pois ele representa o que há de mais avançado hoje e aponta para o amanhã. Sem dúvida, no século 21 haverá uma mudança de jogo em termos de história humana e, como no século passado, a ciência e a tecnologia terão papéis de liderança. De fato, os temas tecnológicos da nossa época girarão em torno da computação quântica, da inteligência artificial, da interface mente-máquina, da nanotecnologia e da manipulação do genoma — todas as quais viram avanços nos anos recentes.

Os transumanistas vêem esses desenvolvimentos como o ímpeto criativo para um Novo Homem Global e, à medida que o conhecimento aumenta e as culturas mudam a passos largos, o aparecimento de uma Nova Sociedade Global.

O Livro Pandemonium’s Engine (O Mecanismo do Pandemônio)

Pandemonium’s Engine é um novo livro lançado pela Defender Publishing. O tópico: o crescimento e desafio do transumanismo, incluindo o papel da filosofia e da tecnologia, e como nosso mundo está sendo radicalmente remodelado por meio das obras das mãos do homem. Cada um dos autores envolvidos nesse esforço colaborativo traz uma perspectiva singular, porém uma base bíblica e um amor pela vida humana marcam todo este importante livro. Você pode encomendar seu exemplar por meio da RaidersNewsNetwork.com ou da Amazon.com.

O seguinte é a lista completa dos capítulos e autores:

  • Prefácio — Jim Fletcher.
  • Cap. 1 — Pandemônio e Seus Filhos — Thomas Horn.
  • Cap. 2 — Ninrode: O Primeiro (e Futuro) Super-Soldado Transumano — J. Michael Bennett.
  • Cap. 3 — A Tolice da Vida Sintética: Modificação Genética, Antiga e Moderna — Gary Stearman.
  • Cap. 4 — O Super-Homem e o Anticristo — Douglas Woodward.
  • Cap. 5 — O Transumanismo Cristão: O Mais Recente Plano do Pandemônio — Cris D. Putnam.
  • Cap. 6 — O Transumanismo Entra na Cultura Popular — Frederick Meekins.
  • Cap. 7 — O Homem se Tornando Seu Próprio Deus? — Douglas Hamp.
  • Cap. 8 — O Transumanismo de Noé a Noé — Noah W. Hutchings.
  • Cap. 9 — O Armagedom Genético — John P. McTernan.
  • Cap. 10 — Tomar de Assalto o Céu Para Ser Como Deus e Governar o Mundo — Carl Teichrib.
  • Cap. 11 — A Caixa de Pandora Para o Século 21? O Aprendiz de Feiticeiro — Chuck Missler.
  • Cap. 12 — O Bafo do Dragão — Sharon K. Gilbert.

A ciência e a tecnologia, junto com a economia, política e religião estão se metamorfoseando e convergindo em um ponto — um ponto que aponta para uma singularidade ou ponto de fusão desconhecido, porém interessante. Esta é a nebulosa ideia de integração, ou de emergência, uma nova estrutura moldada por uma mistura radical de mente, máquina e conhecimento. A espiritualidade também entra no jogo; na verdade, a espiritualidade e as visões religiosas/filosóficas são muito mais importantes do que frequentemente percebidas pelo observador casual.

Em tempos passados, esse tecno-futurismo seria considerado ficção científica. Entretanto, grande parte da ficção de ontem se tornou fato hoje. No nível básico das invenções temos exemplos como o "comunicador", de Guerra das Estrelas: A Próxima Geração — um dispositivo de comunicação que libera as mãos, pois é usado como um distintivo afixado sobre a blusa. De modo similar, você pode agora ter em seu local de trabalho um sistema de comando por voz, sem fio, e que também libera as mãos, fornecido por empresas como a Vocera. Outros antigos "apetrechos" da ficção científica incluem a pistola de raios laser e a capa de invisibilidade. Hoje, "armas de energia direcionada" estão incluídas no orçamento militar e os princípios da capa de invisibilidade estão em teste desde pelo menos 2007. [3]. Até mesmo a leitura da mente não está mais relegada à ficção. [4].

Prevendo que a ficção se tornaria real, Hans Santesson, o último editor dá antiga e já extinta revista de ficção científica Fantastic Universe, escreveu o seguinte em 1960: "O que era impossível ontem é possível hoje e será história amanhã." [5].

Um lado mais preocupante apareceu na literatura distópica/utópica do passado. A utilização proposital das invenções, da ciência e dos processos para controlar os indivíduos e moldar a sociedade é um tema dominante. O totalitarismo opressor e que observa tudo, descrito no livro 1984, de George Orwell, vem à lembrança, como também o poder do Instituto Nacional das Experiências Coordenadas, em That Hideous Strength, de C. S. Lewis. Em seu Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley retratou uma civilização futura perfeita, em que a humanidade é condicionada para ser feliz, e é feliz por ser controlada. O filme Things to Come (O Mundo Futuro), de 1936, baseado no livro de mesmo nome de H. G. Wells, apresentou um Estado mundial tecnocrático, dirigido por uma ditadura benevolente de especialistas, "a fraternidade da eficiência, a maçonaria da ciência".

Finalmente, o livro Walden Two, de B. F. Skinner, imaginou uma sociedade contemporânea, moldada cientificamente — uma sociedade não conquistada pela força, "mas por meio da educação, da persuasão e do exemplo... um movimento religioso livre de qualquer ligação com o sobrenatural e inspirado por uma determinação para construir o céu na terra." [6].

Um tipo de "movimento religioso" acentua os exemplos literários acima; Lewis foi crítico dessa fé, Orwell viu o potencial dele para dominar, enquanto que Skinner e Wells foram seus apóstolos. Embora Huxley tenha oferecido uma advertência em Admirável Mundo Novo, ele também era um seguidor da Religião do Homem.

Essa religião é evidente em toda a história humana. Ela foi, e continua a ser, uma busca grupal, e pode ser resumida em uma curta declaração: O homem ascenderá. Se isso significa fazer guerra contra um Deus que "não existe", uma característica comum entre os Novos Ateístas, que assim seja — não importa a irracionalidade dessa posição. Da mesma forma, a hostilidade contra o Deus da Bíblia é frequentemente visível entre aqueles que aderem a uma forma alternativa de espiritualidade, como a Teosofia ou a Nova Era. Aqui, o Deus exclusivo está no caminho do Novo Gnosticismo e sua promessa da autodivinização. Embora a Religião do Homem vista muitas máscaras, incluindo o Cienticismo — a fé que a ciência natural é absoluta — a essência ainda permanece a mesma. O homem assumirá a responsabilidade por seu próprio destino; o homem afirmará EU SOU... o homem ascenderá.

Vemos isto pela primeira vez no relato do Gênesis sobre a Queda do Homem (Gênesis 3:1-7) e, mais tarde, na Torre de Babel (Gênesis 11:1-9). A Queda é nosso exemplo fundamental, com Lúcifer lançando dúvidas sobre a crença na palavra de Deus, o homem atraído pela promessa de conhecimento especializado junto com imortalidade e mais o fruto tantalizador de ser igual a Deus. Aqui, vemos a primeira mentira em ação: você também pode ser como Deus. A implicação é clara: O homem, sujeito às exigências sem sentido de Deus, não pode ser completo. Lúcifer, por outro lado, oferece a plenitude por meio do conhecimento — e, assim, uma existência aperfeiçoada. Portanto, na interpretação ocultista, Lúcifer é um ser exaltado que oferece escolha, progresso e iluminação, enquanto que o Deus Iavé representa repressão, petulância e vingança. Não importa que a promessa luciferiana de imortalidade tenha caído por terra — a advertência prévia de Iavé com relação à causa e efeito não era vã. O custo para a humanidade nessa "transação de confiança" foi nosso relacionamento com o Criador. O homem tomou uma decisão consciente de seguir outro caminho: conhecimento, tanto devastadoramente real e ilusório — e o subsequente desejo de recriar o Jardim do Éden por suas próprias mãos. (Uma especulação interessante que vem à mente é a seguinte: o que a humanidade teria obtido em verdadeiro conhecimento e bênçãos se Lúcifer tivesse sido rejeitado?)

A continuidade deste tema é evidente no relato de Gênesis 11 sobre a Torre de Babel, desta vez com a construção de uma torre e uma cidade representativas do poder do homem em um objetivo unificado. O erudito hebreu Yehezkel Kaufmann descreveu isto como uma tentativa de "tomar de assalto o céu; ser como Deus para governar o mundo". [7]. Uma perspectiva interessante pode ser encontrada na tradição do Targum (o Targum é a tradução em língua aramaica do Tanakh — o Antigo Testamento em hebraico). Aqui, a torre teria em sua cúpula um ídolo com uma espada e estaria pronta para "fazer formações para a batalha". [8]. Em outras palavras, o homem, aliado a uma força espiritual exterior, conforme retratada pelo ídolo, estava se preparando para fazer guerra contra Deus e assumir o controle do destino. As obras das mãos do homem, a tecnologia de um complexo formado por uma cidade e uma torre, atuavam como pontos focais nesse drama (Babel, na etimologia acadiana/babilônia, significa "Porta de Deus"). As palavras do admirado maçom e teósofo J. D. Buck, vêm à lembrança: "O Reino do Céu é tomado à força". [9]. De um modo similar, uma declaração do filósofo evolucionista Benjamim Kidd nos faz lembrar da experiência de Babel: "A civilização será absolutamente invencível quando reconhecer o segredo de sua própria unidade." [10].

O relato da Torre de Babel mostra um tema do Velho Testamento: A falsa religião — o abandono do verdadeiro Deus Iavé por uma alternativa — é frequentemente acompanhada por um edifício ou um sistema tangível. Deuteronômio 4 descreve isto como "as obras das mãos dos homens", ídolos feitos de madeira e pedra. Outras "obras" incluem monumentos como obeliscos, erigidos para divindades pagãs, e simbolismos destinados a reforçar as doutrinas esotéricas. A técnica seguia um comportamento religioso formularizado, como os rituais completos prescritos com experiências e resultados espirituais desejados (no caso da adoração a Moloque, esse processo incluía o sacrifício humano). Os sistemas de adivinhação, proibidos em Deuteronômio 18, são parte dessa construção. Neste sentido, o ocultismo se torna a ciência da espiritualidade alternativa.

A advertência de Iavé em Jeremias 25:6-7 é um sério lembrete:

"E não andeis após outros deuses para os servirdes, e para vos inclinardes diante deles, nem me provoqueis à ira com a obra de vossas mãos, para que não vos faça mal. Porém não me destes ouvidos, diz o SENHOR, mas me provocastes à ira com a obra de vossas mãos, para vosso mal."

Um comentarista diz: "Tudo o que é contra a glória de Deus é prejudicial ao homem; e tudo o que O provoca é pernicioso ao homem em suas consequências." [11].

Consequências neste sentido operam em dois níveis. O homem intencionalmente prejudicando a humanidade, algo em que somos especialistas; e Deus trazendo julgamentos específicos — a expulsão da humanidade do Jardim do Éden é um exemplo, a dispersão na Torre de Babel é outro, e um julgamento definitivo e final, conforme retratado no livro do Apocalipse.

Fazendo o avanço rápido para a era moderna, encontramos a Religião do Homem florescendo, florindo a partir dos brotos do passado não tão distante. Indivíduos extraordinários, como Francis Bacon, Baruch de Spinoza e Thomas Hobbes empurraram as antigas fronteiras, colocando em movimento e fazendo avançar a Era da Razão. O Iluminismo gerou o secularismo, a racionalidade humanista, a alta crítica e a ciência contemporânea. Benefícios e maldições se seguiram à medida que nos gloriamos naquilo que nossas mãos produziram — a industrialização, o materialismo e a capacidade de fazer guerra com um apetite sem paralelos para a destruição. Ao mesmo tempo, sociedades esotéricas se espalharam gradualmente: as filosofias da Sociedade Rosa-Cruz e da Maçonaria influenciaram os homens da ciência, educadores e políticos na Grã-Bretanha, na Europa continental e nos Estados Unidos.

O mundo ocidental correu para os braços da ciência e da tecnologia e caladamente adotou uma filosofia mais ampla.

A Fé na Ciência

Ao contrário do que dizem muitos bitolados em tecnologia que escrevem na blogosfera, o Transumanismo não é um movimento recente. É verdade que sua atual incorporação deve muito a Max More e ao seu Instituto da Extropia, mas as bases modernas são muito mais profundas — surgindo do pensamento pós-Iluminismo, da Revolução Tecnológica, das experiências intelectuais e teológicas da Era Dourada do fim do século 19, e as várias cosmovisões que disputaram posição durante o século 20. [12].

Dois filósofos franceses pouco lembrados e que tiveram um relacionamento professor-aluno, Henri de Saint-Simon (1760-1825) e Auguste Comte (1798-1857) são merecedores de uma atenção especial. Simon, o progenitor do socialismo moderno, [13] e Comte, o pai da "Filosofia Positivista" [14] são os cofundadores da Sociologia moderna. Ambos imaginaram uma "nova era para a humanidade" baseada na ciência. [15].

Saint-Simon acreditava que os "cientistas e os capitães da indústria substituiriam os sacerdotes e os senhores feudais como os líderes naturais da sociedade". [16]. Achando a ideia de Deus imperfeita, ele imaginou um dia quando a ciência moldaria e governaria a humanidade:

"... é óbvio que quando o novo sistema científico tiver sido construído, uma reorganização dos sistemas religiosos, políticos, ético e educacional ocorrerá e, consequentemente, uma reorganização da igreja." [17].

Acreditando que o homem tinha inventado Deus, ele era, porém, aberto ao uso da religião como um instrumento político. Isto era claro em sua visão de um "Novo Cristianismo", que deveria ser a religião final e universal sob uma moralidade central. "Todos os homens devem tratar os outros como irmãos." [18].

O pilar dessa nova fé era uma forma de socialismo que seria organizada e gerenciada por diretores científicos, artísticos e industriais. Para a elite, as verdades científicas seriam a nova religião. Para as massas, essa fé tomaria a forma de mistério. [19]. A santidade viria por meio das obras das nossas mãos.

"O Novo Cristianismo está convocado para pronunciar anátema sobre a teologia e condenar como maligna qualquer doutrina que tente ensinar os homens que há outro modo de obter a vida eterna, que não o de trabalhar com toda a sua força para a melhoria das condições de vida dos outros homens." [20].

A adoração seria considerada "somente como um modo de lembrar os homens... dos sentimentos e ideias filantrópicos, e o dogma deveria ser concebido somente como uma coletânea de comentários destinados para a aplicação geral dessas ideias e sentimentos para os desenvolvimentos políticos." [21].

O estudo bíblico seria desencorajado, pois leva ao pensamento metafísico e à perda de ideias positivas e isso lembraria as pessoas dos "vícios vergonhosos" que não existem mais — como a "bestialidade e o incesto de todos os tipos". O estudo bíblico também promoveria as sociedades bíblicas, melhor reconhecidas como agências missionárias, o que desperdiçaria energias produtivas encorajando uma doutrina contrária às necessidades de uma civilização científica. Além disso, o estudo das Escrituras "impede os protestantes de trabalharem por um sistema político em que os interesses comuns são gerenciados pelos homens mais hábeis na ciência, nas artes e na indústria — a melhor forma de sistema social." [22].

Em 1803, Saint-Simon propôs que um grupo de 21 homens esclarecidos recebessem a responsabilidade permanente de supervisionar o progresso humano e, para realizarem essa tarefa, eles receberiam "as duas grandes armas de dominação — prestígio e riqueza." [23]. Os cientistas portariam "poder espiritual" e, por sua vez, receberiam a estima da humanidade. [24]. Ele também imaginou uma Europa politicamente unida e, em 1814, fez circular um "plano de organização" para um Parlamento europeu chefiado por um rei europeu; "homens de negócio, cientistas, magistrados e administradores são as únicas classes que devem ser convocadas para formar a Câmara dos Comuns no grande Parlamento." [25].

Um Novo Cristianismo gerenciado sob o socialismo científico traria o céu na Terra. "A Era de Ouro do gênero humano não está no passado, mas no nosso futuro; está na perfeição da ordem social. Nossos ancestrais nunca a viram; nossos filhos um dia chegarão lá; nós é que devemos abrir o caminho." [26].

Auguste Comte, que foi treinado na Escola Politécnica antes de trabalhar sob a supervisão de Saint-Simon, expandiu a cosmovisão de seu professor em uma "Religião da Humanidade". Compreendida por meio das leis da ciência, a humanidade era o "único verdadeiro Grande Ser" e, assim, a humanidade deveria "dirigir cada aspecto da nossa vida, individual ou coletiva". O Deus da fé tradicional estava espojando-se, de acordo com o intelectualismo esclarecido, e o Positivismo de Comte — o conhecimento firmado na ciência, em vez de na teologia — fez avançar um novo paradigma: As leis científicas determinam a verdade e essas regras imutáveis governam tanto o mundo natural quando o meio ambiente social. O Positivismo era uma "doutrina regeneradora", um "credo que abraça tudo e todos" e que lideraria a humanidade, tirando-a da ignorância e levando-a para a luz da razão baseada na ciência.

A Ordem e o Progresso viriam em seguida.

Comte se autonomeou "Sumo Sacerdote da Humanidade" e o "Fundador da Religião Universal". Ele criou um sistema de rituais para marcar os estágios da vida, desde o nascimento até a 'incorporação' ou 'transformação' no Grande Ser." Isto incluía "cerimônias positivistas de casamento". Além disso, prenunciando a terapia de grupo, Comte imaginou "um sistema de adoração em grupo destinado a reforçar as emoções sociais." [27].

O individualismo na "nova era para a humanidade" teria de ser substituído por um coletivismo derivado de forma científica. Comte simplificou isto com uma pergunta: "Os homens não estão autorizados a pensarem livremente sobre a Química e a Biologia. Por que então deveriam pensar livremente sobre a Filosofia Política?" [28].

Comentando sobre a cosmovisão de Comte, Herbert E. Cushman escreveu:

"A ciência somente precisa ser o novo fundamento — uma ciência de fatos. A era da liberdade de consciência cessará quando a ciência indubitável governar o homem em sua ética, psicologia e governo, como agora governa nas ciências naturais." [29].

Este seria um processo natural que culminaria em uma nova dinâmica social. Primeiro, a evolução da mente moveria de uma estrutura teológica para uma cosmovisão positiva. Ao fazer isso, uma mudança ocorreria no modo como as pessoas se comportam. A sociedade seguiria esse padrão e a maré das leis evolucionárias inevitavelmente se moveria da experiência humana coletiva para novas alturas. Demonstrando esse avanço, Comte usou analogias biológicas para ilustrar a evolução social bem antes do pensamento darwinista entrar na cena intelectual. A humanidade iria progredir.

A influência de Comte foi profunda. Seu trabalho foi analisado e considerado por tipos como Hegel, John Stewart Mill, Nietzsche, Karl Marx e Friedrich Engels (Marx zombava de Comte/Simon, mas Engels mostrou empatia — de modo que Comte deixou sua marca em Lenin e Stalin). [30] Durkheim, Herbert Spencer, Lester Ward, Max Weber, John Dewey, Andrew Carnegie, H. G. Wells, and B. F. Skinner foram tocados pela cosmovisão positivista. As ideias de Comte foram adotadas por muitos nas elites da América Latina e o lema na bandeira brasileira, "Ordem e Progresso", foi tirado diretamente do filósofo francês.

A evolução darwiniana emergiu logo após a passagem de Comte e Saint-Simon, e indivíduos como Francis Galton e Karl Pearson advogaram a eugenia e o Darwinismo Social. Benjamin Kidd, um filósofo que promovia "hereditariedade social" e a ciência de organizar a unidade humana — que ele chamava de "Ciência do Poder" — descreveu a eugenia como a direção para "nada menos que a geração científica em uma escala universal do super-homem nietzscheano." [31] (Nota: Fredrich Nietzsche foi um filósofo alemão que ensinou a morte de Deus e o surgimento do Übermensch – o super-homem evoluído.).

A evolução oferecia uma alternativa científica para o "mito" do Gênesis. O homem podia agora "brincar de ser Deus". A gestão evolucionária física e social agora era possível e a ciência se tornaria o novo credo e a técnica do novo dogma. Um gênero humano melhorado e um tecido social reprojetado seriam alcançáveis; a perfeição poderia ser atingida por meio da aplicação do conhecimento.

Embora Saint-Simon e Comte sejam pouco conhecidos hoje, ambos deixaram suas impressões digitais indelevelmente marcadas no tecido da civilização. A moderna "Religião do Homem", expressa por meio do socialismo científico, o humanismo secularizado e a Tecnocracia — a crença que os engenheiros e os especialistas da ciência devam administrar a sociedade — deve muito a esses dois filósofos. O Transumanismo também encontra suas raízes nesse solo, pois o Transumanismo é muito mais do que um esforço para aprimorar os indivíduos, mas um chamado para reconfigurar a espécie humana e assim reprojetar a civilização por meio da ciência.

O professor James H. Leuba, em seu livro A Psychological Study of Religion, publicado em 1912, advogou um sistema de crenças como o de Comte em que o "homem é ao mesmo tempo humano e divino" [32].

"Uma religião em concordância com o corpo aceito de conhecimento científico e centrada em torno da humanidade concebida como a manifestação de uma Força e que esteja inclinada para a criação de uma sociedade ideal, ocuparia na vida social o lugar que a religião normalmente ocupa..." [33].

Assim, a humanidade se moveria "para a frente, rumo a um objetivo já toscamente discernível, uma sociedade perfeitamente organizada..." [34]. Isto se tornaria um "poder transumano" e uma "força transumana".

"A humanidade exerceria um papel similar ao que é dado a ela no Comtismo, mas em que a humanidade seria considerada como uma expressão de um poder transumano que se realiza na humanidade. Em sua direção, de qualquer modo, ela aponta para o Zeitgeist." [35; ênfase no original].

Sim, o Zeitgeist — o espírito do tempo — aponta para um futuro transumano. Ao mesmo tempo, ele nos direciona de volta a Saint Simon e Comte: A Religião da Humanidade.

A Ciência do Misticismo

A ciência e a tecnologia se expandiram grandemente na segunda metade do século 19 e no início do século 20. Aquele foi um tempo emocionante de inovação, conforme demonstrado pelas grandes feiras internacionais e exposições de Paris, Bruxelas e Chicago. Dos anos 1880s até 1940s, a sociedade testemunhou um avanço técnico de proporções inacreditáveis. Tudo o que é preciso considerar é o salto da carroça puxada por cavalos às viagens de avião, e das lamparinas a óleo ou carvão à lâmpada elétrica. Um escritor, comparando a Feira de Paris de 1900 com a Exposição de Colúmbia de 1893, nos diz: "Nestes sete anos o homem se transladou para um novo universo que não tem uma escala comum de medição com o antigo." [36]

Outras mudanças estavam ocorrendo. Isto foi evidente durante o Parlamento das Religiões do Mundo, de 1893, realizado em conjunto com a Feira Mundial de Chicago. O Parlamento anunciou orgulhosamente: "Este é o dia em que uma nova fraternidade nasce no mundo do progresso humano... ESTA É A FRATERNIDADE DAS RELIGIÕES." [37]. (maiúsculas no original). Um tipo de universalismo foi defendido, um tipo que estabeleceria sobre a Terra uma ordem celestial." [38]. Um participante expressou isto da seguinte forma: "O objetivo que está diante de nós é o Paraíso; o Éden aparecerá." [39]. A religião se metamorfosearia em direção a um coletivismo espiritual: Perfeição na Unidade.

Sociedades filosóficas, grupos espíritas e novas seitas e religiões ganharam aderentes durante esse tempo — incluindo o Mormonismo, que propagou o ensino de Joseph Smith que "O próprio Deus foi no passado como somos agora e é um homem exaltado." [40]. O esoterismo também aumentou. As ordens da Maçonaria e da Sociedade Rosa-Cruz ganharam uma nova força de tração. A Teosofia, fundada por H. P. Blavatsky, foi criada e fez avanços nos EUA, Inglaterra e Índia. Um crescimento subterrâneo do misticismo nacional ocorreu na Alemanha, alimentado em parte pela Teosofia, pela influência paralela do conceito "Deus está morto", de Nietzsche, e pela propagação do Positivismo de Comte. A Ordem Hermética da Alvorada Dourada apareceu e, por meio de seus ensinos e rituais ocultistas experimentais, seus membros se esforçavam "para serem mais do que humanos, para transcenderem as limitações físicas" — "para serem mais do que humanos e, assim, gradualmente ascenderem e se unirem com o Gênio Divino e Maior" [41]. A esotérica "Era Dourada" estava aparecendo e estava casada com uma versão misteriosa e secreta da evolução: um processo passo-a-passo rumo à Ascensão.

Apresentando uma perspectiva maçônica, W. L. Wilmshurst escreveu o seguinte em seu clássico The Meaning of Masonry (O Significado da Maçonaria):

"A cada grau o candidato vai sendo levado de uma antiga para uma totalmente nova qualidade de vida. Ele inicia sua carreira maçônica como o homem natural; ele a termina tornando-se, por meio da disciplina dela, um homem regenerado e aperfeiçoado. Para atingir essa transmutação, essa metamorfose de si mesmo, ele é ensinado primeiro a purificar e subjugar sua natureza sensual; em seguida, purificar e desenvolver sua natureza mental; e, finalmente, pela profunda entrega de sua velha vida e perdendo sua alma para salvá-la, ele se levanta dos mortos como um Mestre, um homem justo tornado perfeito..."

"Isto — a evolução do homem em um super-homem — sempre foi o propósito dos antigos Mistérios (as antigas religiões da Babilônia, etc.) e o verdadeiro propósito da Maçonaria moderna não é o propósito social e filantrópico para o qual tanta atenção é dada, mas acelerar a evolução espiritual daqueles que desejam aperfeiçoar sua própria natureza e transformá-la em uma qualidade mais similar à divina. E esta é uma ciência definida, uma arte real..." [42].

Manly P. Hall, um famoso filósofo esotérico e maçônico, equiparou essa perfeição ao estado crístico ocultista: Um ofício ou posição que representa a expressão mais elevada da evolução espiritual e da aspiração humana. [43]. Manly P. Hall ensinava que grau por grau, a espécie humana está avançando, uma era após a outra. O objetivo é o despertar das "potencialidades dormentes como um germe da Divindade que reside dentro de toda a natureza humana... a perfeição divina por meio da aspiração." [44].

Novas Fés para um Novo Mundo

O ambiente religioso no século 19 e início do século 20 foi inundado com novas fés, seitas, cultos, movimentos espirituais e grupos esotéricos. Sem questão, esse período de tempo ainda está impactando a sociedade do século 21.

Embora a lista seguinte esteja longe de ser completa, ela é suficiente para dar uma ideia histórica da transformação religiosa e espiritual:

1820s: O Mormonismo finca raízes; Joseph Smith inicia sua igreja em 1830.

1825: A Associação Unitariana Americana é fundada. Em 1961, ela se uniu com a mais antiga Igreja Universalista para formar o Movimento Unitariano-Universalista.

1830s: O Movimento do Novo Pensamento ganha uma base de apoio, produzindo grupos e igrejas por bem mais de um século.

1848: Nascimento do espiritismo moderno.

1863: Construindo a partir da proclamação do Báb, feita em 1848, Bahá'u'lláh declara-se como o escolhido profetizado e surge a Fé Bahá'í.

1866: Formação da Sociedade Rosa-Cruz em Anglia, unindo elementos rosa-cruzes e maçônicos na Inglaterra.

1875: Início da Sociedade Teosófica e a introdução de filosofias orientais para as elites sociais da Europa e dos EUA. A influência da Teosofia tem sido monumental.

1879: A Ciência Cristã, via Mary Baker Eddy, é organizada como uma igreja.

1879: Charles Taze Russell inicia o movimento que agora é conhecido como Testemunhas de Jeová.

1884: A Sociedade Hermética é formada para estudar a filosofia esotérica.

1887: A Ordem Hermética da Alvorada Dourada foi formalizada sob o Templo de Ísis-Urânia na Inglaterra.

1888: Fundação da Igreja da Ciência Divina.

1891: A Escola de Cristianismo da Unidade, uma derivação do Movimento do Novo Pensamento, foi formada como Unidade.

1895-1904: Embora seu início seja difícil de determinar, a Ordem dos Templários do Oriente foi formada como um corpo esotérico e maçônico. A OTO deixou uma marca historicamente importante no ocultismo ocidental.

1909: Max Heindel organizou a Comunhão Rosa-Cruz.

1910: O Sufismo, uma forma de misticismo islâmico, foi introduzido no Ocidente por Knayat-Khan.

1915: A Antiga e Mística Ordem Rosa-Cruz, um grupo rosa-cruz, foi formado. Hoje, a sede da AMORC está localizada em San José, na Califórnia.

1916: Misturando ideias teosóficas com o movimento Católico Antigo, a Igreja Católica Liberal foi formada.

J. D. Buck absorveu esse princípio; observe a abordagem tudo-ou-nada:

"É muito mais importante que os homens se esforcem para se tornarem cristos do que acreditem que Jesus era o Cristo. Se o estado crístico pode ser obtido por somente um ser humano durante toda a evolução da espécie, então a evolução do homem é uma farsa e a perfeição humana é uma impossibilidade... Jesus não é menos Divino pelo fato de todos os homens poderem alcançar a mesma perfeição Divina." [45].

Buck via o simbolismo e operação da Maçonaria como a "Ciência Divina". Como Hall, para ele, a busca pela perfeição e superioridade move toda a espécie humana: "A humanidade como um todo, então é o único Deus Pessoal, e Cristo é a realização, ou perfeição dessa Pessoa Divina, na experiência individual consciente." [46].

A apropriação dessa "divindade humana" é feita individualmente, porém ela é completada no coletivo, de modo que todas as partes da vida eventualmente precisam ser consideradas, incluindo a ciência. Henry C. Clausen, enquanto era Grande Comandante Soberano — o posto mais elevado no Supremo Conselho do Rito Escocês da Maçonaria — deu as boas-vindas ao papel da ciência natural em seu livro Emergence of the Mystical":

"A ciência e a religião serão fundidas em um expoente unificado de um poder espiritual que se sobrepõe... O tema em essência é que as revelações do misticismo oriental e as descobertas da ciência moderna apoiam as crenças e ensinos maçônicos e do Rito Escocês." 47].

"A ciência e a filosofia, especialmente quando vinculadas por meio do misticismo, têm ainda de conquistar a ignorância e a superstição. A vitória, porém, aparece no horizonte. Laboratório e biblioteca, ciência e filosofia... técnicos e teólogos extraordinários estão agora se unindo como advogados da qualidade singular do homem, sua alma imortal e sua alma em contínua expansão." [48].

Tudo isto representa o que a Teosofia vê como a "evolução da alma do mundo", um processo pelo qual a progressão espiritual e material é parte do drama maior da incorporação na "Grande Alma Universal". A Teosofia, a principal predecessora do atual movimento de Nova Era, considera-se a "Ciência da Religião", integrando crenças orientais com o misticismo ocidental e interpretando a ciência por meio das lentes do ocultismo — incluindo a evolução e a física quântica. Ela ensina que todas as tradições espirituais contêm elementos da verdade cósmica e que todas as fés em breve se amalmagarão em uma nova religião mundial. Portanto, a humanidade precisa evoluir e assimilar isto, de modo a manifestar a "Alma Mundial". Na edição de 1892 de Lucifer, uma revista teosófica de exploração ocultista, esse processo de tradução foi descrito como passar dos "reinos inferiores da natureza, para a divina e transumana compreensão no encerramento." [49].

É interessante que o título Lucifer não foi escolhido apenas para "amedrontar os santinhos, com sua popular e lúrida conotação de enxofre e chamas do inferno", mas, mais importante, porque "Lúcifer oferece uma filosofia de venerável antiguidade... baseada nas pesquisas dos sábios e videntes, treinados no ponto mais elevado da evolução já tocado pelo homem... Ele oferece uma ciência que percorre as avenidas da pesquisa desconhecida para o mundo ocidental [marcado pelo Cristianismo tradicional] e explora os reinos do universo que o Ocidente nega ou considera inescrutáveis para o homem. Ele oferece uma religião que não insulta o intelecto nem a consciência, uma religião que satisfaz os desejos do coração, ao mesmo tempo que se justifica no Tribunal da razão... de modo que ele vem com suas mãos cheias de dons de inestimável valor..." [50].

Na Teosofia, essa evolução inspirada de modo luciferiano ocorre por meio de sete "raças-raízes" e os Mestres Ascensionados — indivíduos que já se transfiguraram para um plano mais elevado — ajudam no aperfeiçoamento da Humanidade. Os teósofos dizem que estamos nos movendo para o sexto nível de existência e que o ato final em breve ocorrerá na arena central. Robert Ellwood explica:

"É assim que vejo a vindoura sexta raça-raiz... um amálgama de todos aqueles indivíduos relativamente iluminados, formando aquilo que é realmente um estágio transumano, a ligação neurotecnológica de todas as mentes em um grande conjunto de consciências. Essa supermente unida será a sétima raça-raiz, a última que precisaremos para este mundo físico e que esperamos viverá em um nível espiritual apropriado para seu tremendo salto para a consciência cósmica." [51].

Fé em Lúcifer, Fé no Homem

O Movimento Transumanista moderno tem uma visão em grande parte secularizada e/ou ateísta. [52]. Em vez da orientação bíblica de um Deus Santo que criou o homem e que estende sua misericórdia e executa julgamentos — conceitos desprezados por muitos proponentes do Transumanismo — a ciência se torna a luz que guia a humanidade. Ironicamente, enquanto o futuro está sendo explorado dentro do ambiente rigidamente estável dos laboratórios e das instituições técnicas, o fundamento do Transumanismo repousa sobre um antigo desejo religioso: a Apoteose, o homem se tornando "como Deus". Portanto, o Transumanismo é a busca técnica pelo Santo Graal, a ascensão por meio da engenharia. É a tecno-Alquimia, ou "Magia Futura", conforme sugerido pelo ex-diretor da Associação Transumanista Mundial, Guilio Prisco, que otimisticamente sonha com um potencial sem limites:

"A engenharia do espaço-tempo e a magia futura permitirão alcançar, por meios científicos, a maioria das promessas das religiões — e muitas coisas incríveis, jamais sonhadas por religião alguma. Eventualmente, poderemos ressuscitar os mortos, copiando-os para o futuro." [53].

Os temas religiosos são abundantes no cenário transumano, espelhando aspectos do Positivismo, ao mesmo tempo que buscam a perfeição transumana falada nos campos esotéricos. Além disso, para todo seu humanismo secular, há uma discussão considerável sobre o Deus bíblico — que supostamente não é real. Aqui, raiva e hostilidade são direcionadas contra Ele, ao mesmo tempo que existe o desejo de elevar a humanidade para uma posição que supostamente não existe: Deus. Alguns, como Max More, explicam isto como sendo simbólico e não ontológico. Todavia, é difícil ver isso como meramente emblemático.

Um exemplo pode ser encontrado no trabalho anterior de More, o fundador do Instituto da Extropia — "a organização transumanista original fundada em 1991". [54]. Max More é um ateísta, pelo menos no que se refere ao Deus cristão, uma posição declarada na Conferência Transumanismo e Espiritualidade, de 2010, em Salt Lake City, Utah (veja o artigo "A Ascensão dos Tecnodeuses — Parte 1: A Fusão do Transumanismo com a Espiritualidade"). Como muitos ateístas que procuram uma realidade pós-humana, sua animosidade em relação ao Deus da Bíblia era palpável, e ele se referiu a Deus como "uma criança petulante... um sadista cósmico que gosta de armar as coisas para nos torturar." [55]. Isso reforçou aquilo que ele escreveu durante o primeiro ano oficial da Extropia. Advogando a causa de seu instituto, ele publicou um artigo em Atheist Notes intitulado "Em Louvor ao Diabo":

"Meu objetivo é expor os valores e perspectivas da tradição cristã e demonstrar como ela está fundamentalmente em discordância com os valores mantidos por mim e por todos os extrópicos... A história que contam é que Deus lançou Lúcifer para fora dos céus porque Lúcifer começou a questionar Deus e estava disseminando a dissenção entre os anjos. Precisamos nos lembrar que essa história é contada sob o ponto de vista dos 'deusistas' (se me permitem cunhar o termo) e não a partir do ponto de vista dos luciferianos (usarei este termo para nos distinguir dos satanistas oficiais, com quem tenho diferenças fundamentais). A verdade pode ser simplesmente que Lúcifer renunciou ao céu.

"Deus, sendo o sadista bem-documentado que é, sem dúvida quis manter Lúcifer por perto para que pudesse puni-lo e tentar colocá-lo de volta sob o seu (de Deus) poder. Provavelmente o que aconteceu foi que Lúcifer começou a odiar o reino de Deus, seu sadismo, suas exigências de conformidade e obediência escravas, sua ira psicótica contra qualquer demonstração de pensamento e comportamento independentes. Lúcifer percebeu que nunca poderia pensar totalmente por conta própria e, certamente, que também não poderia agir de acordo com seu pensamento independente enquanto estivesse sob o controle de Deus. Portanto, ele deixou o céu, aquele terrível estado espiritual governado pelo sadista cósmico Iavé, e foi acompanhado por alguns dos anjos que tiveram coragem suficiente para questionar a autoridade de Deus e sua perspectiva de valores."

"Lúcifer é a incorporação da razão, da inteligência, do pensamento crítico. Ele se posiciona contra o dogma de Deus e de todos os outros dogmas. Ele se posiciona a favor da exploração de novas ideias e de novas perspectivas na busca pela verdade..."

"Louvado seja Lúcifer! Louvada seja a busca da verdade por meio da racionalidade. Deus estava certo em nos dizer para não adorarmos falsos ídolos, mas ele deixou de nos dizer que todos os ídolos são falsos, e que toda a adoração é perigosa. Até mesmo nosso louvor a Lúcifer não deve ser a adoração a um ídolo, mas, ao contrário, uma expressão de nossa concordância com sua orientação de valores e sua perspectiva. Ninguém tem autoridade sobre você — você é sua própria autoridade, você é quem escolhe seus valores e sua própria filosofia. Una-se comigo, una-se com Lúcifer e una-se com a Extropia na luta contra Deus e contra suas forças entrópicas com nossas mentes, nossas vontades e nossa coragem. O exército de Deus é forte, mas é apoiado pela ignorância, pelo medo e pela covardia. A realidade está fundamentalmente do nosso lado. Avante para a luz!" [56].

A posição de Max More não é nova. Ela não foi original em 1991 e não é nova hoje — é tão antiga quanto a Queda, e reflete a atitude da humanidade desde que infringimos o contrato de confiança de Deus. Assim, nós nos esforçamos para reconstruir o Éden segundo nossa imagem enquanto brandimos nossos punhos cerrados individuais e coletivos contra o céu. Esta linha de raciocínio é evidente com outros apoiadores do transumanismo. Mark Pesce, um coinventor da interface de terceira dimensão para a rede mundial da Internet, membro da mesa de discussões e juiz no programa The New Inventors (Novos Inventores) da Rede ABC de Televisão, explica da seguinte forma: em seu documentário Becoming Transhuman (Tornando-se Transumano):

"Uma vez que o genoma foi transcrito, uma vez que soubemos o que nos fazia humanos — naquele momento — passamos para o transumano. Conhecendo nossos códigos, podemos recriá-los em nossas assim chamadas linhas sintéticas de 1s e 0s. Vida Artificial."

"Agora, descobrimos o multiverso, onde nada é verdade e tudo é permissível. Agora, chegaremos ao improvável, o resequenciamento de nós mesmos para nos tornarmos um novo ser, depurar o estado natural e nos traduzir para o sobrenatural, incorruptível, eterno."

"Não existe Deus, somente o Homem." [57].

Extropia: Progresso e Transformação

O Instituto da Extropia é, talvez, o primeiro centro de estudos e debates transumanista moderno. Fundado por Max More no fim dos anos 1980s, ele desenvolveu um conjunto de princípios para atuar como uma estrutura para a evolução do progresso humano. O seguinte é um breve resumo dos Princípios da Extropia, conforme encontrados na página na Internet, onde cada ponto é explicado em maiores detalhes. (http://www.extropy.org/principles.htm).

Progresso Perpétuo

Extropia significa buscar mais inteligência, sabedoria e eficácia, uma vida com longevidade irrestrita e a remoção dos limites políticos, culturais, biológicos e psicológicos para o desenvolvimento contínuo. Superar perpetuamente as restrições ao nosso progresso e possibilidades como indivíduos, como organizações e como espécie. Crescer em direções saudáveis e sem limitações.

Autotransformação

Extropia significa afirmar um contínuo auto-aperfeiçoamento ético, intelectual e físico, por meio do pensamento crítico e criativo, do aprendizado perpétuo, da responsabilidade pessoal, da pró-atividade e da experimentação. Usar a tecnologia — no sentido mais amplo para buscar a ampliação fisiológica e neurológica junto com o refinamento emocional e psicológico.

Otimismo Prático

Extropia significa abastecer a ação com expectativas positivas — indivíduos e organizações sendo incansavelmente pró-ativos. Adotar um otimismo racional, baseado em ações ou "pró-ação", em lugar da fé cega e do pessimismo estagnante.

Tecnologia Inteligente

Extropia significa projetar e gerenciar as tecnologias não como fins em si mesmas, mas como meios eficazes de melhorar a vida. Aplicar a ciência e a tecnologia criativa e corajosamente transcender qualidades confinadoras "naturais", mas prejudiciais, derivadas da nossa herança biológica, cultural e do meio ambiente.

Sociedade Aberta — Informação e Democracia

Extropia significa suportar as ordens sociais que patrocinam a liberdade de comunicação, liberdade de ação, experimentação, inovação, questionamento e aprendizado. Opor-se ao controle social autoritário e à hierarquia desnecessária e favorecer o império da lei e a descentralização do poder e da responsabilidade. Preferir barganhar do que batalhar, permutar do que extorquir, e a comunicação sobre a compulsão. Abertura para a melhoria em vez de uma utopia estática.

Autodireção

Extropia significa valorizar o pensamento independente, a liberdade individual, a responsabilidade pessoal, a autodireção, o respeito por si mesmo e um respeito paralelo pelos outros.

Pensamento Racional

Extropia significa favorecer a razão sobre a fé cega e o questionamento sobre o dogma. Significa compreender, experimentar, aprender, desafiar e inovar, em vez de se agarrar às crenças.

Em Beyond Transhuman (Além do Transumano), Pesce mostra a ascensão em termos biblicamente distorcidos:

"Os homens morrem, os planetas morrem, até as estrelas morrem. Sabemos tudo isto. Como sabemos, buscamos algo mais — uma transcendência da transitoriedade, uma tradução para a forma incorruptível. Uma fuga, por assim dizer, uma parada na direção. Buscamos, portanto, abençoar a nós mesmos com o perfeito conhecimento e a perfeita vontade: Tornar-se um deus, tomar o universo nas mãos e transformá-lo à nossa imagem — para nossa própria satisfação. Como é na Terra, assim será também nos céus. O resultado inevitável da incrível improbabilidade, a seta da evolução está nos indicando o transumano — uma apoteose para a razão, a salvação — obtida pelas boas obras." [58].

Portanto, como será a "espiritualidade" pós-humana? Um transumanista sugere que "a cultura capacitada pela ciência... modificaria a religião, de modo a torná-la mais aceitável." [59]. Outro explica: "A espiritualidade transumanista será possível sem mitologia ou crença religiosa. Ela será altamente personalizada e baseada em práticas espirituais que têm valor científico confirmado." [60]. James J. Hughes, perceba ou não, pinta isto de um modo que reflete a Religião da Humanidade, de Comte:

"À medida que as possibilidades transumanas se desenvolvem cada vez mais, haverá uma construção com base nas compatibilidades da metafísica, teodiceia, soteriologia e escatologia entre as cosmovisões transumanista e religiosa para criar novas 'trans-espiritualidades'. Nesse cenário religioso futuro existirão alas bioconservadoras e transumanistas dentro de todas as fés mundiais e, provavelmente, novas tradições religiosas inspiradas pelo projeto transumanista. Criaremos novos rituais e novos significados religiosos em torno das capacidades biotecnológicas e cibernéticas, exatamente como fizemos em torno do fogo, da roda, das ervas medicinais e do livro." [61].

Em 1 de outubro de 2010, participei da conferência Transumanismo e Espiritualidade, na Universidade de Utah. Promovida pela Associação Mórmon Transumanista, os palestrantes convidados incluíam Max More, James Hughes e Giulio Prisco. O Sr. More sugeriu que os transumanos evitassem "falar sobre deuses, pois acho que provavelmente podemos fazer algo melhor do que isto."

Outro palestrante explicou a necessidade de destruir os mitos antigos e criar novos mitos para se encaixarem em uma visão pós-humana, com a "religião" como um tipo de física que interconecta todos os seres. A emergência ou integração é o padrão por meio do qual as religiões necessitam ser mensuradas; portanto, as fés que adotam afirmações de verdades exclusivas — como a declaração de Deus em Isaías 44:8b, "Porventura há outro Deus fora de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça" e as palavras de Jesus Cristo em João 14:6: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" — são consideradas anátemas. Qualquer um que adote uma abordagem bíblica literal e fora de moda corre o risco de ser rotulado como um "cristão maluco", uma expressão usada na conferência por um palestrante para descrever Tom Horn, um cristão crítico do Movimento Transumanista. Portanto, não foi surpresa ouvir a pergunta: "Devemos buscar diálogo com cristãos fundamentalistas e paranóicos que falam com veemência contra o H+ [Nota: H+ é outro termo para o Transumanismo], ou devemos procurar mais do que o diálogo, talvez até zombar deles?

Como no Novo Cristianismo de Saint-Simon, "que deveria condenar como maligna qualquer doutrina que tentasse ensinar que há algum outro modo de obter a vida eterna, que não o de trabalhar com toda a sua força para a melhoria das condições de vida dos outros homens", a religião transumana não pode tolerar as afirmações de verdade espiritual exclusivas e antiquadas. Essas declarações causam separação, um câncer divisivo para "a humanidade em seu todo". Nossa percepção de Deus, somos informados, precisa evoluir. Como um palestrante refletiu:

"Para mim, evoluir nossa teologia significa colocar os Ensinos da Sabedoria na frente e usar as histórias e personalidades somente com um apoio. Também pode significar romper com a exclusividade religiosa a adotar a vasta diversidade de crenças, ações e locais em que o Sagrado é encontrado. Evoluir a teologia reintroduz uma confiança no paradoxo... adotar proposições e emoções contraditórias simultaneamente. É o oposto da certeza."

"O papel dos guias espirituais é substituir o dogma pelo questionamento, promover que as pessoas examinem seus sistemas de crenças e façam questões maiores. Parte da espiritualidade evoluída é prestar atenção em como imaginamos Deus. Deus pode ser imaginado dentro de um modelo do concreto para o conceitual... Deus pode ser visto como uma experiência. Os milagres no Novo Testamento podem ser lidos como exemplos exagerados, usando a forma de história, dos modos como Deus é expresso em nossas vidas..." [62].

Mas, como o deus transumano será expresso? No documentário Technocalyps, um filme com temas religiosos significativos, o defensor da clonagem humana Richard Seed proclamou firmemente o conceito pós-humano "lógico" de Deus:

"Vamos nos tornar deuses. Ponto final. Se você não gosta da ideia, caia fora. Você não precisa dar sua contribuição e nem é obrigado a participar. Mas, se quiser interferir e me impedir de me tornar um deus, então teremos uma grande briga. Teremos uma guerra. O único modo de me impedir é me matar. Mas, se você tentar me matar, eu o matarei." [63].

Isto se encaixa com o gene cultural da "Religião da Humanidade" — arrogância e hostilidade. Outros movimentos de orgulho excessivo demonstraram amplamente essas duas características, com alguns exemplos movendo-se da hostilidade para a violência. Dois extremos são o deus-homem do tipo Positivista do humanista soviético Josef Stalin, e o deus-homem de mente esotérica do nacional socialista alemão Adolf Hitler. Ambos viam suas ações como lógicas, corretas e justificadas com base em suas análises da natureza humana, da ciência e do progresso social.

A maioria dos transumanistas ficará constrangida ao pensar que está vinculada com esses dois monstros da história, e com toda a razão. A maioria dos que flertam com o movimento e muitos diretamente envolvidos com ele, estão trabalhando arduamente para alcançar objetivos louváveis, como o prolongamento da vida, melhorias médicas e o aumento das capacidades físicas e cognitivas. Benefícios temporais virão com a busca transumana. Todavia, ao mesmo tempo, existem graves perigos. Michael Anissimov, o Diretor de Mídia do Instituto Singularidade (uma organização transumanista), não se intimida de tratar essa realidade desconfortável:

"As tecnologias que os transumanistas falam em alterar — biotecnologia, nanotecnologia, inteligência artificial — forçarão as sociedades a radicalmente se reestruturarem ou desaparecerem. Já conversei com dezenas de transumanistas preocupados somente consigo mesmos cuja resposta a isto basicamente é: '— Bem, será muito ruim para elas!' Não, será ruim demais para você também, porque eles alegremente o arrastarão junto com eles."

"Até as tecnologias prontamente disponíveis hoje, mas raramente usadas — como os estímulos elétricos diretos nos centros de prazer e da dor no cérebro humano — poderão se tornar novas pragas temíveis contra a humanidade se caírem nas mãos de fanáticos políticos ou religiosos." [64] (ênfase no original).

A solução que está sendo postulada é a formação de algum tipo de bússola moral que "magnifique o bem em nós". Entretanto, no mundo ocidental nossa bússola moral tradicionalmente foi estabelecida com base nos princípios judaico-cristãos, com os desvios mais severos ocorrendo quando o Estado demonstrou hostilidade aberta à estrutura judaico-cristã — a União Soviética vem imediatamente à lembrança (como também dezenas de exemplos similares).

Uma bússola moral de algum tipo será estabelecida, talvez até mesmo baseada em uma espiritualidade no estilo tecnológico, mas não espere que ela seja amigável para aqueles que aderem às convicções bíblicas tradicionais. O fato permanece que o edifício do transumanismo — a "Religião do Homem" está sendo erigida sobre uma antiga arrogância, completa com uma antiga hostilidade. O homem brandindo seu punho cerrado contra o Deus Iavé e declarando: "O céu será tomado à força!". Como um participante da conferência Transumanismo e Espiritualidade observou: "— Estamos agora no ponto de retorno da Torre de Babel; tudo o que imaginarmos poderemos fazer. Nada agora está fora do nosso alcance."

Notas Finais:

1. Matt Swayne, "Is a Spiritual Singularity Near?", Singularity Weblog, 2 de novembro de 2010, http://singularityblog.singularitysymposium.com/is-a-spiritual-singularity-near/.

2. Lester del Rey, Introdução ao livro The Fantastic Universe Omnibus (Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1960), ix.

3. Uma grande variedade de Armas de Energia Dirigida estão em estágios teóricos e/ou práticos. Isto inclui projetos como o sistema Laser Aerotransportado, usando a plataforma de um avião Boeing 747, com o objetivo de derrubar mísseis balísticos, até o sistema de defesa de uma área com laser, da Raytheon — que objetiva destruir projéteis lançados por morteiros e mísseis portáteis em uma zona-base — e sua arma Silent Guardian (Guardião Silencioso), que provoca dor em uma pessoa-alvo via um feixe de energia. A teoria da tecnologia da "capa de invisibilidade" foi apresentada vários anos atrás; por exemplo, o Centro de Nanotecnologia Birck, da Universidade Purdue, em 2007, trabalhou em uma experiência de nanotecnologia que demonstrou o princípio usando um único comprimento de onda ótico.

4. O Departamento de Segurança Interna do governo dos EUA apresentou MALINTENT em 2008, um sistema de monitoração de bio-varredura que lê as funções orgânicas, como os ritmos de batimento cardíaco e de respiração, a temperatura e outros fatores e depois analisa as leituras para determinar seu nível potencial de ameaça. Além disso, em 28/2/2011, a DARPA (Defense Advanced Research Project Agency, Agência de Projetos de Pesquisa Avançada em Defesa) realizou uma oficina intitulada "Histórias, Neurociência e Tecnologias Experimentais". O propósito era estabelecer relacionamentos entre narrativas culturais — sistemas de crenças ou "histórias" — e tecnologias teóricas/avançadas de neurociência com o objetivo de eventualmente desenvolver sistemas de segurança que possam responder à mentalidade cultural de uma pessoa.

5. Hans Stefan Santesson, Segunda Introdução do livro The Fantastic Universe Omnibus, xiv.

6. B. F. Skinner, Walden Two (New York: Macmillan, 1948/1968), pág. 308.

7. Yehezkel Kaufmann, The Religion of Israel: From Its Beginnings to the Babylonian Exile (Chicago, IL: The University of Chicago Press, 1960), pág. 294.

8. Veja John Bowker, The Targums and Rabbinic Literature: An Introduction to Jewish Interpretations of Scripture (Bentley House, Londres, Inglaterra, Cambridge University Press, 1969), págs. 182–184.

9. J. D. Buck, Mystic Masonry (Chicago, IL: Regan Publishing Company, 1925), págs. 48, 57.

10. Benjamin Kidd, The Science of Power (Londres, Inglaterra, Methuen & Company, 1918), pág. 305.

11. "John Gill’s Exposition of the Bible", acessado em 27/4/2011, http://www.biblestudytools.com/commentaries/gills-exposition-of-the-bible/jeremiah-25-7.html.

12. James J. Hughes, no ensaio The Politics of Transhumanism reconhece a influência do Iluminismo e do pós-Iluminismo dentro do movimento.

13. Dante Germino, Machiavelli to Marx: Modern Western Political Thought (Chicago, IL, University of Chicago Press, 1972), pág. 273.

14. "Auguste Comte", Stanford Encyclopedia of Philosophy, acessado em 27/4/2011, http://plato.stanford.edu/entries/comte.

15. Dante Germino, Machiavelli to Marx (Chicago, IL, University of Chicago Press, 1972), pág. 273.

16. Felix Markham, introdução à coleção de Henri de Saint-Simon, Social Organization, The Science of Man, and Other Writings (Nova York, NY: Harper, 1952), pág. xxi.

17. Henri de Saint-Simon, "Essay on the Science of Man", Social Organization, The Science of Man and Other Writings (Nova York, NY: Harper, 1952), pág. 21.

18. Henri de Saint-Simon, "New Christianity", Social Organization, The Science of Man and Other Writings (New York, NY: Harper, 1952), 85.

19. Felix Markham, Introdução à coleção de Henri de Saint-Simon, Social Organization, The Science of Man, and Other Writings (New York, NY: Harper, 1952), pág. xxiii.

20. Henri de Saint-Simon, "New Christianity", Social Organization, The Science of Man and Other Writings (Nova York, NY: Harper, 1952), pág. 105.

21. Idem, pág. 106.

22. Idem, pág. 107.

23. Henri de Saint-Simon, "Letters from an Inhabitant of Geneva", Social Organization, The Science of Man and Other Writings (Nova York, NY: Harper, 1952), pág. 9.

24. Idem, pág. 11.

25. Henri de Saint-Simon, "The Organization of the European Community", Social Organization, The Science of Man and Other Writings (Nova York, NY: Harper, 1952), pág. 47.

26. Idem, pág. 68.

27. Dante Germino, Machiavelli to Marx (Chicago, IL: University of Chicago Press, 1972), pág. 289–296.

28. W. H. G. Armytage, The Rise of the Technocrats: A Social History (London, England: Routledge and Kegan Paul, 1965), pág. 298.

29. Herbert Ernest Cushman, A Beginner’s History of Philosophy, Volume 2 (Boston, MA: Houghton Mifflin Company, 1920), pág. 384.

30. Editado por Robert C. Scharff e Val Dusek, Philosophy of Technology: The Technological Condition (Malden, MA: Blackwell Publishing, 2003), pág. 6.

31. Benjamin Kidd, The Science of Power (London, England: Methuen and Company, 1918), pág. 78.

32. James H. Leuba, A Psychological Study of Religion: It’s Origin, Function, and Future (Nova York, NY: The Macmillan Company, 1912), pág. 330.

33. Idem, pág. 336.

34. Idem, pág. 330.

35. Idem, pág. 328.

36. David Lindsay, Madness in the Making: The Triumphant Rise and Untimely Fall of America’s Show Inventors (Nova York, NY: Kodansha International, 1997), pág. 269.

37. Charles Carroll Bonney, "Words of Welcome", The Dawn of Religious Pluralism: Voices from the World’s Parliament of Religions, 1893 (La Salle, IL: Open Court Publishing/Council for a Parliament of the World’s Religions, 1993, editado por Richard Hughes Seager), págs. 21–22.

38. Merwin-Marie Snell, "Future of Religion", The Dawn of Religious Pluralism: Voices from the World’s Parliament of Religions, 1893 (La Salle, IL: Open Court Publishing/Council for a Parliament of the World’s Religions, 1993, editado por Richard Hughes Seager), pág. 174.

39. Emil Gustav Hirsch, "Elements of Universal Religion", The Dawn of Religious Pluralism: Voices from the World’s Parliament of Religions, 1893 (La Salle, IL: Open Court Publishing/Council for a Parliament of the World’s Religions, 1993, editado por Richard Hughes Seager), pág. 224.

40. Conforme citado em Bruce R. McConkie, Mormon Doctrine (Salt Lake City, UT: Bookcraft, 1989), pág. 321.

41. Israel Regardie, The Original Account of the Teachings, Rites and Ceremonies of the Hermetic Order of the Golden Dawn (St. Paul, MN: Llewellyn, 2003), págs. 10, 135.

42. W. L. Wilmshurst, The Meaning of Masonry (Nova York, NY: Gramercy Books, 1922/1980), pág. 47.

43. Veja Manly P. Hall, The Mystical Christ (Los Angeles, CA: The Philosophical Research Society, 1951) e Lectures on Ancient Philosophy (Los Angeles, CA: The Philosophical Research Society, 1984). Um livro pequeno, porém muito importante de Hall é The Lost Keys of Freemasonry (Nova York NY: Macoy Publishing and Masonic Supply Company, 1923/1954).

44. Manly P. Hall, Lectures on Ancient Philosophy (Los Angeles, CA: The Philosophical Research Society, 1984), pág. 169

45. J. D. Buck, Mystic Masonry and the Greater Mysteries of Antiquity (Chicago, IL: Regan Publishing Company, 1925), pág. 62.

46. J. D. Buck, Mystic Masonry, pág. 61.

47. Henry C. Clausen, Emergence of the Mystical (Washington, DC: Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, 1981), pág. xi.

48. Henry C. Clausen, Emergence of the Mystical, pág. 92.

49. "Consciousness", Lucifer, (Londres, Inglaterra: The Theosophical Publishing Society), Volume 9, setembro 1891-fevereiro 1892, pág. 125.

50. Idem, "Our Ninth Volume", págs. 2–4.

51. Robert Ellwood, "The Next Stage in Human Spiritual Evolution, Part Two", Quest Magazine, edição on-line (Theosophical Society in America), http://www.theosophia.org/publications/quest-magazine/1498.

52. Pesquisas foram realizadas com relação aos valores e orientações transumanas em 2004–2006, e reportadas no ensaio de James J. Hughes, The Compatibility of Religious and Transhumanist Views of Metaphysics, Suffering, Virtue and Transcendence in an Enhanced Future [Institute for Ethics and Emerging Technologies, (Instituto para a Ética e Tecnologias Emergentes, 2007)]. De acordo com uma pesquisa, 63% dos apoiadores do transumanismo consideram-se seculares/ateístas, com 30% desse número afirmando o ateísmo, 16% agnósticos, 9% humanistas secularizados e 7% "Outros". Na mesma pesquisa, 24% consideraram-se religiosos/espirituais, com 6% desse número sendo espirituais, 4% protestantes, 2% budistas, 2% humanistas religiosos e 2% pagãos, 2% católicos, 2% unitarianos-universalistas e 2% "Outra religião". Hinduísmo, Judaísmo e Islamismo tiveram 1% cada. Outros 14% responderam com "Outro" ou "Não Sei", conforme comparado com Secular/Ateísta ou Religioso/Espiritual. Veja a Tabela 1.2 no ensaio do Sr. Hughes.

53. Giulio Prisco sugeriu "Mágica Futura" em um "minimanifesto" publicado em um grupo on-line chamado "Ordem dos Engenheiros Cósmicos". O minimanisfesto de Prisco foi reimpresso no livro de A Cosmist Manifesto: Practical Philosophy for the Posthuman Age (Humanity+ Press, 2010), págs. 10–11.

54. Um excerto do livreto do Instituto da Extropia.

55. Veja meu relatório sobre este evento no artigo "O Aparecimento dos Tecnodeuses — Parte 1".

56. Max More, "In Praise of the Devil", Atheist Notes, No. 3, Libertarian Alliance (Londres, Inglaterra), 1991.

57. Mark Pesce, Becoming Transhuman, um filme originalmente apresentado na conferência "Mind States II" na Casa Internacional, Berkeley, CA, 25-27 de maio de 2001. Ele se tornou publicamente disponível e pode ser assistido em Viddler.com (http://www.viddler.com/explore/mpesce/videos/9/).

58. Mark Pesce, Becoming Transhuman, Idem.

59. Ben Goertzel, A Cosmist Manifesto: Practical Philosophy for the Posthuman Age (Humanity+ Press, 2010), pág. 325.

60. Michael LaTorra, "Trans-Spirit: Religion, Spirituality and Transhumanism", Journal of Evolution and Technology, agosto de 2005, pág. 52.

61. James J. Hughes, The Compatibility of Religious and Transhumanist Views of Metaphysics, Suffering, Virtue and Transcendence in an Enhanced Future (Institute for Ethics and Emerging Technologies, 2007). Veja as "Conclusões".

62. Veja meu relatório sobre este evento no artigo "O Aparecimento dos Tecnodeuses — Parte 1".

63. Richard Seed, no documentário TechnoCalyps: Part II — Preparing for the Singularity, escrito e dirigido por Frank Theys, http://www.technocalyps.com/.

64. Michael Anissimov, "Transhumanism Has Already Won", Accelerating Future blog, 29/4/2010, http://www.acceleratingfuture.com/michael/blog/2010/.../transhumanism-has-already-won/.



Autor: Carl Teichrib, artigo original em http://www.forcingchange.org, Volume 5, Edição 7.
Data da publicação: 31/8/2011
Transferido para a área pública em 3/4/2013
Revisão: http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/tecnocracia-3.asp