Compreendendo a Salvação: Uma Definição dos Termos-Chaves no Evangelho

Autor: Jeremy James, 24/1/2015.

A Bíblia usa muitos termos para descrever a salvação. Uma interpretação exata desses termos é essencial para que tenhamos uma compreensão correta da mensagem do Evangelho.

É um sinal de quão confusos até mesmo os fiéis cristãos sinceros e bem-intencionados estão hoje, que tantos deles sejam incapazes de definir a salvação de uma maneira clara e fundamentada na Escritura. Uma definição distorcida pode enfraquecer grandemente o poder do Evangelho, ou até fazer com que esse poder seja perdido. Infelizmente, muitas igrejas se afastaram tanto da Bíblia como o firme fundamento da fé, que a mensagem do Evangelho delas é frequentemente expressa de uma forma inadequada, e muitos novos convertidos estão fazendo profissões de fé que não os levam ao novo nascimento.

O poder do Evangelho reside em sua verdade, e sua verdade é prejudicada se não for expressada de forma clara e exata. Nem todos são chamados para serem evangelistas, porém todos são chamados para evangelizar. Mas, ao evangelizarmos, precisamos ser bem claros em nossas próprias mentes sobre o verdadeiro significado da salvação.

Uma definição de cada um dos termos principais é dada a seguir. (Essas definições devem ser consideradas como um "conjunto", pois o conteúdo delas está interconectado. Caso contrário, cada definição precisaria ser grandemente expandida.)

Juntos esses termos definem a salvação cristã.

1. Propiciação: Esta é a tradução em português da palavra grega hilasterion, que por sua vez é uma tradução da palavra hebraica kapporeth, que significa "propiciatório", ou "tampa", como em Êxodo 25:21: "E porás o propiciatório em cima da arca, depois que houveres posto na arca o testemunho que eu te darei." A tampa que cobria a arca, era feita de uma peça única de puro ouro. Ela representava Cristo como a cobertura protetora perfeita (kapporeth), que blindava o homem caído da ira justa de Deus. O sangue derramado de Cristo cobre o pecado de toda a humanidade, e faz isto de forma completa e perfeita. O sangue de Cristo é, portanto, o kapporeth, a propiciação por esse pecado, fazendo o pagamento total e final por ele. Em um único sacrifício, que nunca precisa ser repetido, esse sangue derramado satisfez por completo, de uma vez para sempre, a exigência imutável de um Deus santo e justo que todo pecado, sem exceção, seja punido. A propiciação, em seu sentido bíblico, é uma obra totalmente da misericórdia e graça, que tanto satisfaz a justiça de Deus quanto reconcilia o homem com Deus. Por meio dela, o Pai está dizendo: "— Isto é o que o seu pecado custou para mim, e assumi este custo em sua totalidade em meu Filho." (Algumas traduções da Bíblia usam a palavra "expiação" em vez de propiciação, mas isto é errado. A palavra propiciação necessariamente implica o acerto objetivo de uma conta, enquanto que expiação não tem essa implicação.).

2. Graça: O Dicionário Webster, de 1828, define graça como "... o amor e favor gratuitos e imerecidos de Deus, fonte e origem de todos os benefícios que o homem recebe dele... A aplicação da justiça de Cristo ao pecador..." Não há nada que algum homem possa fazer para conquistar sua salvação, mesmo em parte, independente de quão "bom" ele possa parecer aos seus próprios olhos. A salvação vem inteiramente pela graça — "pela graça sois salvos" [Efésios 2:5]. Isto significa que a graça é um dom gratuito que Deus, em Sua infinita misericórida, concede a todos os que creem em Seu Filho.

3. Justificação. Isto marca uma transição jurídica de um estado para outro, em que o indivíduo culpado é declarado justo unicamente com base em sua crença naquilo que Cristo fez por ele no Calvário. Não somente a pena pelo seu crime foi paga em sua totalidlade, mas o próprio registro do crime foi apagado. Legalmente, ele está agora coberto pelo sangue derramado de Cristo e está diante de um Deus justo, como se nunca tivesse pecado. O crime e sua penalidade foram imputados a Cristo e quitados em sua totalidade. Uma vez que o pecador nasça de novo, ele é justificado, ou declarado justo, diante de Deus e nunca mais poderá entrar em condenação. A justificação ocorre no momento da salvação, quando nascemos de novo em Cristo.

4. Santificação: Santificar significa separar do mundo e consagrar para Deus. Qualquer coisa que seja santificada é tornada santa e pertence a Deus. A palavra "santo" vem da mesma raiz, significando alguém "santificado", uma pessoa que pertence a Deus. Quem é santificado dai para frente está em um relacionamento privilegiado com Deus.

Enquanto a justificação é legal e instantânea, a santificação é prática e progressiva, ocorrendo durante um longo período de tempo. A partir do momento que nasce de novo, o cristão fiel passa a ser a habitação contínua do Espírito Santo. Por meio de sua submissão diária à vontade de Deus e à sua disposição em servir a Deus em todas as coisas, o fiel cristão é levado pelo Espírito Santo a um estado progressivamente mais santificado. Esta também é uma obra da graça, um dom que vem sobre todos que vivem em Cristo e aguardam Seu retorno.

5. Expiação: A palavra "expiação" está intimamente relacionada com a palavra "propiciação" e é derivada da mesma raiz hebraica, kaphar, que significa cobrir, expurgar, reconciliar. A expiação na Bíblia é sempre substitutiva ou vicária, pois é somente pelo sangue de Cristo, que sofreu e morreu em nosso lugar, que a expiação é possível. Cristo colocou-se voluntariamente como substituto para cada um de nós na cruz, fazendo a perfeita expiação por nossos pecados e, desse modo, nos reconciliou com Deus. Encontramos a salvação somente quando vemos que Cristo morreu em nosso lugar e pagou a dívida pelo nosso pecado por nós. Ele fez por cada um de nós individualmente aquilo que nunca poderíamos fazer por nós mesmos.

Portanto, a expiação é a doutrina central do Cristianismo. A reconciliação é o fruto da expiação, não a própria expiação. Além do mais, a palavra significa a remoção da condenação e a restauração do relacionamento harmonioso original entre o homem e Deus.

O Hinduísmo ensina que o homem pode se tornar "um" com Deus, mas o Cristianismo não ensina isto. O homem não é divino em sentido algum, nem pode ser.

6. Redenção: Redimir significa pagar o preço requerido para comprar alguma coisa de volta. Cristo pagou o preço, ou resgate, no Calvário por cada um de nós. O homem foi completamente escravizado pelo pecado, mas Cristo o redime e o torna livre novamente. Essa liberdade vem em três estágios: (a) a justificação, que remove o indivíduo permanentemente de toda a condenação diante de Deus; (b) a santificação, que redime o indivíduo permanentemente do poder do pecado no momento em que ele é salvo e o habilita, dai para frente, a crescer em Cristo; c) a glorificação, que o libertará completamente de sua natureza pecaminosa após a morte física, quando, na Segunda Vinda, ele receberá um corpo físico glorificado. "E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo." [Romanos 8:23]).

7. Fé: A fé bíblica significa acreditar nas promessas de Deus, em particular que Jesus de Nazaré é o Messias prometido e que, por meio de Sua morte e ressurreição, Ele nos liberta. É por isto que o fiel cristão é frequentemente chamado de um "crente". Fé significa confiar completamente, com todo o seu coração, na pessoa de Cristo, na verdade de Seus ensinos e em Sua obra redentora no Calvário. A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus. A Bíblia diz que tudo que não é de fé é pecado, e que sem fé é impossível agradar a Deus. (Romanos 14:23 e Hebreus 11:6).

8. Adoção: Cristo, nosso Redentor, restaurou o crente para um relacionamento vivo com Deus. Ele fez isso perfeitamente, para que nosso Pai Celestial olhe para cada um de nós como olha para Seu Filho. Como tal, todo fiel cristão é um filho adotivo de Deus: "O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados." [Romanos 8:16-17].



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 12/2/2015
Transferido para a área pública em 7/4/2017
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