Os Cristãos e a Cremação

Autor: Jeremy James, Irlanda, 18/8/2026.

Durante um de seus excelentes sermões, o Dr. Vernon McGee falou sobre a prátia comum na igreja primitiva de celebrar a Ressurreição todos os domingos, não apenas uma vez por ano. Em outra ocasião, ele falou da necessidade de mencionar a Ressurreição em todos os sermões, pois ela é o fundamento total da nossa fé. Ele acreditava que a igreja moderna coloca corretamente grande ênfase na cruz, porém deixa de dar igual atenção à Ressurreição. Como um exemplo disso, ele referiu-se aos muitos hinos escritos sobre a cruz, em comparação com o número muito menor de hinos que enfocam a Ressurreição.

A triste realidade é que a igreja tem dado cada vez menos atenção à Ressurreição. É realmente estranho que não tenhamos um símbolo comumente aceito e amplamente usado para representar a Ressurreição, como temos para representar a cruz. Os símbolos que algumas vezes são usados não são amplamente conhecidos, ou não são compreendidos como relacionados especificamente com a Ressurreição, enquanto que alguns estão mais perto de motivos artísticos do que de um símbolo. Aqui estão alguns:

Existem também alguns símbolos do tipo de Nova Era, como a borboleta, a fênix e o pavão, que representam o conceito pagão da renovação ou imortalidade. Entretanto, esses não são cristãos e, na verdade, representam a ilusão que escraviza o homem.

O próprio Jesus nos deu um sinal que, acreditamos, Ele quis que fosse amplamente reconhecido entre os cristãos como um símbolo da Ressurreição, isto é, o "sinal de Jonas" (Lucas 11:29). Entretanto, embora isso tenha tido um lugar especial na iconografia cristã primitiva, não tem sido amplamente usado nos tempos modernos. Alguém poderia esperar ver isso em colares e broches de lapela cristãos, do mesmo modo que a cruz é mostrada, mas isso em grande parte tem sido negligenciado.

"A Câmara de Dormir"

Apesar disso, a igreja moderna tem um sinal monumental da Ressurreição, embora seja um sinal que não é sempre reconhecido como tal, mesmo pelos cristãos.

Os pagãos da antiga Roma referiam-se aos seus terrenos de sepultamento como necropoli, que significa "cidades dos mortos". Mas, os cristãos não usavam esse termo. Ao revés, eles chamavam seus terrenos de sepultamento de um coemeterium, que eles derivaram da palavra grega koimeterion, que significa uma "câmara de dormir" (Esta é a origem da nossa palavra "cemitério").

Eles queriam que os pagãos soubessem que os cristãos que partiram deste mundo deixaram "corpos adormecidos" para trás deles, não mortos. Eles morriam na esperança, o conhecimento, da ressurreição física! Eles não destinavam seus restos mortais para as "cidades dos mortos", mas para uma câmara de dormir, onde seus restos mortais descansariam por um tempo antes de serem ressuscitados de volta à vida.

Ouvimos frequentemente a expressão "ele entrou em seu descanso". Normalmente, isso é considerado com o significado que o indivíduo morreu e foi para o céu. Mas, isso somente é parcialmente correto. O "descanso" em questão é o túmulo, ou lugar de descanso, o local em que o corpo dele residirá, ou "descansará, em paz" até o dia em que for ressuscitado e reunido com a alma à qual pertenceu.

Cremação

Para os cristãos primitivos, a ideia de cremar os corpos de seus queridos era impensável. Os corpos deles tinham sido um tabernáculo enquanto eles estavam na Terra e, após eles virem à fé em Cristo, um local de habitação para o Espírito Santo. O mesmo corpo agora dormia em Cristo, aguardando sua redenção:

"E tenho por justo, enquanto estiver neste tabernáculo, despertar-vos com admoestações." [2 Pedro 1:13].

A prática do enterro do corpo todo era, em um sentido real, um ato de fé. Os pagãos podiam cremar seus mortos, pois não tinham perspectiva alguma de ressuscitar em um corpo imortalizado, mas os cristãos procuravam honrar todas as promessas de Deus. A ressurreição do corpo era uma promessa gloriosa para todos que tinham nascido de novo em Cristo. Portanto, um cristão não faria nada para corromper o corpo.

Até mesmo na morte eles queriam ser testemunhas do Evangelho. O túmulo era uma mensagem para os o mundo pagão que Cristo tinha ressuscitado e que, por meio de Sua expiação substitutiva, Ele tinha garantido a vida eterna para todos que creram em Sua obra de salvação. O marcador do túmulo, ou a lápide, eram uma declaração da expectativa deles, uma confirmação visível — para as gerações futuras — que a pessoa enterrada ali tinha fé na ressurreição de Cristo e que a morte não tinha domínio sobre ela.

Tyndale e Wycliffe

William Tyndale, que traduziu a Bíblia para o inglês em desafio à Coroa, foi perseguido por toda parte até ser encontrado e condenado à morte na Bélgica, em 6 de outubro de 1536. Ele foi estrangulado publicamente e queimado amarrado a uma estaca. As cinzas dele foram depois espalhadas para que ele não tivesse um túmulo físico para marcar sua existência ou seu testemunho.

John Wycliffe, que morreu em 1385, foi outra grande testemunha na Inglaterra da verdade da Palavra de Deus. A Wikipedia descreve o tratamento de seu corpo morto como segue:

"O Concílio de Constança declarou Wycliffe como um herege em 4 de maio de 1415 e baniu os escritos dele. O Concílio decretou que as obras de Wycliffe deveriam ser queimadas e seus restos mortais removidos do terreno consagrado da igreja, de acordo com a costumeira lógica que os hereges tinham colocado a si mesmos fora da igreja. Essa ordem, confirmada pelo papa Martinho V, foi eventualmente executada em 1428. O cadáver de Wycliffe, ou o de um vizinho, foi exumado; de forma incomum, por ordem do bispo, os restos mortais foram queimados e as cinzas lançadas no rio Swift, que passa por Lutterworth." [tradução nossa].

Esses são apenas dois exemplos de crentes que testificaram corajosamente a respeito da autoridade incondicional da Palavra de Deus. O Maligno cremou e dispersou as cinzas de ambos os homens. É assim que Satanás trata aqueles que se opõem a ele. Não foi permitido a eles terem um enterro cristão tradicional com o corpo todo. Os corpos deles foram profanados e suas cinzas espalhadas.

Compare isto com muitas práticas pagãs em que o corpo era queimado ou desmembrado, em que toda a esperança de sua ressurreição física tinha sido perdida. O máximo pelo qual eles poderiam esperar era uma existência desencarnada em um mundo sobrenatural em que o futuro deles seria determinado pelos mesmos seres espirituais que eles procuravam apaziguar por meio de seus rituais religiosos enquanto viviam aqui na terra.

O poder da morte estava gravado nas mentes e corações dos pagãos exatamente como é hoje entre os ateus e materialistas. Até aqueles que possuem mentes brilhantes são incapazes de destravar as correntes que os prendem. Alguns poderão professar ser "praticamente perfeitos em todos os sentidos", mas Satanás exerce um controle fatal sobre suas almas.

O Maligno Tem Aversão ao Enterro Cristão Tradicional do Corpo Inteiro

Satanás detesta o corpo humano e deseja danificá-lo. Os servos dele trabalham juntos em segredo para planejar modos muito bem disfarçados de envenenarem o ar, a água, o solo e os alimentos que comemos, e desenvolvem produtos pseudomedicinais e ambientais que encurtam nossas vidas. Satanás quer que a humanidade imagine um futuro em que a tecnologia oferece aquilo que ele afirma que Deus não pode fornecer, isto é, a vida eterna. É por isso que ele odeia o enterro do corpo inteiro, em que aqueles que acreditam em Cristo declaram sua fé na ressurreição e deixam visíveis as evidências de sua fé como um testemunho para as gerações futuras. O koimeterion. o cemitério cristão da cidade, é uma rejeição dessa filosofia sombria.

Utilizando filmes e outros meios, ele quer convencer os homens que a morte é uma parte natural do assim chamado círculo da vida. Incinerar um corpo e lançar as cinzas no mar ou em um local com uma bela paisagem é retratado como um ato de amor à vida quando, na realidade, isso é nada mais do que um ato de submissão, um ritual de círculo da vida que cai nas mãos de Satanás.

A cremação converte a realidade viva da pessoa que partiu em uma abstração sem forma, uma massa vaga de partículas que não carrega semelhança alguma da verdade, ou de beleza. A pessoa maravilhosa que conhecíamos é reduzida ao modo de existência mais inferior possível e é lançada para longe. Mesmo se os resíduos forem armazenados em uma urna e mantidos em uma estante, eles servem somente para nos lembrar de uma vida que passou para sempre, os restos mortais incinerados de uma personalidade vibrante que não existe mais.

Em toda a Bíblia encontramos uma mensagem muito diferente, uma determinação para encontrar nos ossos daqueles que amamos alguma indicação da promessa da vida eterna. Abraão gastou uma grande soma de dinheiro — 400 peças de prata — para comprar um local adequado de sepultamento para Sara, sua mulher (que tinha 127 anos de idade quando faleceu). Ao fazer isso, ele não estava fornecendo apenas um local de sepultamento para sua família, mas mostrando para a comunidade pagã ao redor dele que o enterro do corpo inteiro era profundamente significativo aos olhos de Deus e que seus respectivos corpos um dia ressuscitariam e seriam chamados para cumprir Seu propósito.

No capítulo 11 da Epístola aos Hebreus, o autor estabelece o fundamento da fé de vários personagens do Velho Testamento no conhecimento que eles e suas famílias sobreviveriam à aparente finalidade da morte. Abel, Enoque, Noé e os pais de Moisés, entre outros, acreditavam na promessas de Deus, em particular aquela, como D. L. Moody expressou em seu epitáfio, "Aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 João 2:17).

O capítulo 11 também se refere a José, governador do Egito:

"Pela fé José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel, e deu ordem acerca de seus ossos." [Hebreus 11:22].

Os versos seguintes registram o juramento que José pediu que seus irmãos fizessem a respeito do seu lugar final de descanso, uma tarefa que Moisés teve de cumprir muitas décadas mais tarde, isto é, recuperar os restos mortais dele e levá-los para a Terra Prometida, e enterrá-los em um terreno comprado por seu pai Jacó, por cem peças de prata:

"E disse José a seus irmãos: Eu morro; mas Deus certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra à terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó. E José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: Certamente vos visitará Deus, e fareis transportar os meus ossos daqui. E morreu José da idade de cento e dez anos, e o embalsamaram e o puseram num caixão no Egito." [Gênesis 50:24-26].

"E Moisés levou consigo os ossos de José, porquanto havia este solenemente ajuramentado os filhos de Israel, dizendo: Certamente Deus vos visitará; fazei, pois, subir daqui os meus ossos convosco." [Êxodo 13:19].

"Também os ossos de José, que os filhos de Israel trouxeram do Egito, foram enterrados em Siquém, naquela parte do campo que Jacó comprara aos filhos de Hemor, pai de Siquém, por cem peças de prata, e que se tornara herança dos filhos de José." [Josué 24:32].

O fato que quatro livros separados da Bíblia referem-se ao sepultamento de José é evidência que o pedido dele e seu cumprimento final foram uma questão de grande significado espiritual. O corpo dele seria enterrado no Egito, mas ele queria que ele descansasse na terra que Deus prometeu ao seu povo.

O pai dele, Jacó, tinha estabelecido um precedente quando também pediu para ser enterrado na Terra Prometida:

O pai dele o fez jurar:

"E cumpriram-se-lhe quarenta dias; porque assim se cumprem os dias daqueles que se embalsamam; e os egípcios o choraram setenta dias. Passados, pois, os dias de seu choro, falou José à casa de Faraó, dizendo: Se agora tenho achado graça aos vossos olhos, rogo-vos que faleis aos ouvidos de Faraó, dizendo: Meu pai me fez jurar, dizendo: Eis que eu morro; em meu sepulcro, que cavei para mim na terra de Canaã, ali me sepultarás. Agora, pois, te peço, que eu suba, para que sepulte a meu pai; então voltarei. E Faraó disse: Sobe, e sepulta a teu pai como ele te fez jurar." [Gênesis 50:3-6]

Todos os anciãos do Egito subiram até a terra de Israel:

"E José subiu para sepultar a seu pai; e subiram com ele todos os servos de Faraó, os anciãos da sua casa, e todos os anciãos da terra do Egito. Como também toda a casa de José, e seus irmãos, e a casa de seu pai; somente deixaram na terra de Gósen os seus meninos, e as suas ovelhas e as suas vacas. E subiram também com ele, tanto carros como gente a cavalo; e o cortejo foi grandíssimo." [Gênesis 50:7-9]

Os cananeus viram uma grande lamentação:

"Chegando eles, pois, à eira de Atade, que está além do Jordão, fizeram um grande e dolorido pranto; e fez a seu pai uma grande lamentação por sete dia. E vendo os moradores da terra, os cananeus, o luto na eira de Atade, disseram: É este o pranto grande dos egípcios. Por isso chamou-se-lhe Abel-Mizraim, que está além do Jordão." [Gênesis 50:10-11].

José enterrou seu pai na caverna de Abraão:

"E fizeram-lhe os seus filhos assim como ele lhes ordenara. Pois os seus filhos o levaram à terra de Canaã, e o sepultaram na cova do campo de Macpela, que Abraão tinha comprado com o campo, por herança de sepultura de Efrom, o heteu, em frente de Manre. Depois de haver sepultado seu pai, voltou José para o Egito, ele e seus irmãos, e todos os que com ele subiram a sepultar seu pai." [Gênesis 50:12-14].

Fé nas Promessas de Deus

O enterro que escolhemos para nós reflete nossa fé nas promessas de Deus. Isto foi certamente o caso com Jacó e José, ambos os quais morreram em um país estrangeiro. Jacó foi colocado para descansar ao lado de seus avós (Abraão e Sara), seus pais (Isaque e Rebeca), e sua primeira mulher, Lia. Assim, os detentores das promessas patriarcais da Aliança — Abraão, Isaque e Jacó — foram enterrados juntos.

Teria sido muito estranho se José tivesse escolhido deixar seus restos mortais no Egito. Por mais de três mil anos, os servos de Deus tiveram o conforto do exemplo de José. Um ato simples, que foi significativo somente após ele morrer, passou a ser uma grande declaração de fé. Os pagãos nas nações vizinhas teriam observado o exemplo dele e sentido sua importância. Ele foi uma testemunha da ressurreição do corpo para as incontáveis gerações de judeus e gentios que viveram depois dele.

Queimar Era uma Punição Após a Morte

Na Bíblia, queimar o corpo era uma punição após a morte, um julgamento de Deus. Temos três exemplos disso e que chamam a atenção no no Pentateuco:

"Então Josué, e todo o Israel com ele, tomaram a Acã filho de Zerá, e a prata, e a capa, e a cunha de ouro, e seus filhos, e suas filhas, e seus bois, e seus jumentos, e suas ovelhas, e sua tenda, e tudo quanto ele tinha; e levaram-nos ao vale de Acor. E disse Josué: Por que nos perturbaste? O SENHOR te perturbará neste dia. E todo o Israel o apedrejou; e os queimaram a fogo depois de apedrejá-los. E levantaram sobre ele um grande montão de pedras, até o dia de hoje; assim o SENHOR se apartou do ardor da sua ira; pelo que aquele lugar se chama o vale de Acor, até ao dia de hoje." [Josué 7:24-26].

Acã e sua família foram mortos por apedrejamento e seus corpos foram queimados. Os restos mortais foram depois enterrados sob "um grande montão de pedras" como um memorial, um lembrete para as gerações futuras do terrível julgamento que Acã trouxe sobre si mesmo e sobre seus filhos.

O próprio local foi dali para frente chamado de Vale de Acor (Achor significa "turbado" e Acã significa "perturbador") A punição severa foi mais tarde citada como uma metáfora da ira de Deus sobre Israel. Tanto Isaías (65:10) e Oseias (2:15) usaram a restauração futura do mesmo vale como uma referência à redenção final e restauração de Israel.

O Senhor Deus também expressou Sua ira usando fogo para executar os sacerdotes displicentes Nadabe e Abiú: "Então saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR." [Levítico 10:2]. Eles não foram cremados no sentido usual, pois estavam vivos quando o fogo veio sobre eles, mas a condição deles foi provavelmente similar ao de corpos cremados.

Os 250 rebeldes que se juntaram a Coré em sua rebelião foram também atingidos pelo fogo da parte do Senhor: "Então saiu fogo do SENHOR, e consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam o incenso." [Números 16:35]. O Senhor Deus também ordenou que um memorial fosse criado para esse julgamento chocante. Os incensários dos rebeldes foram esmagados e transformados em folhas metálicas para cobrir o Altar de Bronze. Dali para frente, sempre que os filhos de Israel olhavam para o Altar de Bronze — que era ele mesmo um símbolo da devastação causada pelo pecado — eles se lembravam da terrível punição infligida sobre os 250 rebeldes. (Vale a pena observar que a maioria das representações do Altar de Bronze omite esse aspecto importante.)

À Imagem e Semelhança de Deus

O livro de Gênesis nos diz que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. É por isso que Deus pôde encarnar em um corpo humano. Esse corpo possuía os atributos que Cristo precisaria para se manifestar plenamente na Terra. "Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade." [Colossenses 2:9].

Depois de ser retirado da cruz, o corpo de Jesus poderia facilmente ter sido lançado no fogo consumidor que ardia no Vale de Hinom. Esse era o destino de todos os falecidos cujos corpos não eram reivindicados pelos parentes. Felizmente, José de Arimateia interveio e ofereceu seu próprio jazigo para o enterro de nosso Senhor.

Este detalha somente deveria nos dizer que não é vontade de Deus que nosso corpo seja cremado e triturado após a morte. O enterro do corpo inteiro é uma expressão de nossa fé na ressurreição. Se nosso Pai Celestial escolheu o enterro após a morte para Seu Filho, é razoável inferir que Ele espera que façamos o mesmo.

Nosso Corpo Ressuscitado

Gostaríamos de observar neste ponto que nosso corpo na ressurreição é o mesmo corpo que vestimos enquanto estávamos na Terra. Não receberemos um novo corpo, exceto no sentido que após ser redimido, ele possui atributos celestiais que nosso corpo terreal não possui.

Portanto, estamos falando da ressurreição, não de substituição. O Espírito Santo nos deu uma compreensão verdadeira disso quando registrou o primeiro encontro (após a Ressurreição) entre Jesus e Tomé. O apóstolo tinha grande dificuldade em crer que Jesus, tendo sido crucificado e passado por outros tormentos, pudesse ainda estar diante dele no mesmo corpo que foi para a cruz. Jesus convidou Tomé a inspecionar suas feridas. Somente após fazer isso Tomé ficou satisfeito que Jesus tinha de fato passado por uma ressurreição física.

Trituração

O processo moderno de cremação não apenas incinera a carne mas também pulveriza os ossos. Depois que o fogo alimentado por propano realiza seu trabalho, os ossos são colocados em uma máquina mecânica que tritura os materiais ósseos restantes e os transformam em um pó fino como areia, conhecido como "cinzas":

"Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água... Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado." [João 19:33-34,36]

Quem acredita realmente que esse processo de trituração é um modo respeitoso de tratar o corpo que Deus nos deu? Todo servo de Deus recebe um penhor do Espírito Santo quando nasce de novo em Cristo. Como a cremação e a trituração diferem da profanação mecânica desse vaso precioso? Que mensagem estamos enviando ao mundo pagão quando fazemos isso? E que impacto isso terá sobre nossos irmãos em Cristo, especialmente aqueles que estão fracos na fé?

"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" [1 Coríntios 3:16].

A cremação e a trituração são agradáveis a Satanás. Assim, com que base possível alguém pode afirmar que elas são apropriadas para os cristãos?

Os mestres tenebrosos da mídia moderna querem que o público considere os seres humanos como parasitas na Terra, como criaturas que precisam doar para a biosfera os materiais que Gaia alegadamente emprestou para eles no nascimento e dali para frente por meio da oferta de alimentos deles.

A mesma filosofia tenebrosa está também se propagando por meio de leis que permitem o "suicídio assistido". e autoriza o Estado a promover isso como um "tratamento médico" (exatamente como o aborto).

Conclusão

Tanto quanto podemos dizer, muitos cristãos idosos hoje estão sendo submetidos a essa propaganda do "círculo da vida". Parte dessa propaganda está sendo feita via serviços de "compostagem humana". Para citar uma companhia que fornece esse serviço: "Compostagem humana é o processo delicado e natural de transformar uma pessoa em terra". Eles afirmam que isso permite que os indivíduos "retornem à natureza ao morrerem" e se tornem parte de um ecossistema natural.

A cremação e a trituração são partes da mesma filosofia pagã em que o homem é visto apenas como outro animal que habita a biosfera e, como todos os animais, está destinado a morrer e ser dissolvido. Os átomos dele retornam para o solo para que a vida na Terra possa continuar, enquanto o eu interior dele se mescla com a grande almas cósmica.

https://earthfuneral.com/resources/complete-guide-to-human-composting

Os cristãos idosos estão sendo grandemente influenciados por filhos e netos que foram doutrinados nessa filosofia. Eles estão sendo levados a se sentirem culpados a respeito do desejo deles de um enterro cristão tradicional. Podemos resistir a esse tipo de propaganda em nossos anos de meia-idade, mas à medida que envelhecemos e nos tornamos mais fracos na mente e no corpo, a pressão para nos conformarmos com essa dialética pagã torna-se muito maior.

A morte não é parte do "círculo da vida". Ao revés, a morte é o salário do pecado. É na morte que todo pecado encontra a expressão final: "Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte." [Tiago 1:15].

Jesus chorou quando foi até o túmulo de Seu amigo Lázaro, em Betânia. A resposta Dele nos diz tudo o que precisamos saber sobre a morte e sua aparente finalidade. Se Ele não tivesse tomado sobre Si mesmo o peso dos nossos pecados, nós também pereceríamos sem esperança. Mas, não temos de perecer. Somos salvos por meio da fé na obra perfeita de expiação que Cristo realizou no Calvário e em Sua ressurreição dentre os mortos.

O enterro cristão do corpo inteiro é uma declaração pública de nossa crença na Ressurreição. Isso instiga os descrentes a perguntar por que os cristãos confiam com tanta certeza na eventual ressurreição de seus corpos falecidos. O local de sepultamento deles, à plena vista do público, mantém essa mensagem viva. Séculos podem passar, porém a mesma lápide singela permanece ali, resistindo às intempéries, declarando silenciosamente a esperança que os cristãos têm.


Autor: Jeremy James, artigo 468 em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 22/9/2026
A Espada do Espírito: https://www.espada.eti.br/Apocalipse/cremacao.htm