Israel e o Crescimento do Antissemitismo 'Cristão'

Parte 4: Uma Denominação Cristã se Posiciona Contra Israel

Autor: Jeremy James, 27 de março de 2015.

Quando fui salvo, em setembro de 2008, senti um enorme senso de gratidão ao povo judeu por registrar e preservar a Bíblia. Sem ela, eu não saberia coisa alguma a respeito da santa vontade de Deus.

À medida que estudei a maravilhosa Palavra de Deus, fiquei profundamente admirado pelo amor que Ele teve por Israel. Contrariamente a tudo o que eu tinha ouvido, o Deus do Antigo Testamento foi um Deus de amor, um Deus mais carinhoso e protetor do que eu poderia imaginar. Cerca de 4.000 anos atrás, Deus escolheu e usou um homem, Abraão, e seus descendentes via seu neto Jacó, para revelar-Se à humanidade.

Hoje, como cristãos nascidos de novo, somos os beneficiários de uma herança que excede muito qualquer coisa que poderíamos esperar receber, e tudo isto por causa de Israel. Por meio da semente deles, o Senhor deu Seu Filho, encarnado como um homem, para viver entre nós. Um judeu como seus contemporâneos judeus, Ele viveu perfeitamente de acordo com a vontade de Seu Pai e, por meio de Seu sofrimento e morte, pagou totalmente a dívida do pecado para nós.

Quanto mais estudava o plano de Deus, mais eu ficava admirado pelo papel que Israel representou, e continua a representar, na redenção da humanidade. Quando os judeus rejeitaram seu Messias, eles passaram a dormir da forma como estavam; eles despertarão como uma nação somente quando estiverem na iminência de serem aniquilados pela igreja crista falsificada (a igreja cristã verdadeira, por aquele tempo, já terá sido retirada deste mundo via Arrebatamento). Como a profecia dos "ossos secos" em Ezequiel 37 predisse, eles estão agora se reunindo em sua própria terra, mas, como uma nação, ainda estão tão separados de Deus quanto estavam quando rejeitaram o Messias, cerca de 2.000 anos atrás.

Antes de discutirmos o antissemitismo, precisamos ser claros sobre a condição espiritual existente do povo judeu. Eles estão perdidos, do mesmo modo como todos aqueles que rejeitam a Cristo estão perdidos, e serão salvos do mesmo modo como todos que recebem a Cristo são salvos. Alguns judeus, uma minúscula porcentagem, já nasceram de novo, mas a Bíblia nos diz que, na plenitude dos tempos, "todo o Israel será salvo", o que significa a vasta maioria dos judeus que ainda estiverem vivos quando Cristo retornar:

"E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades." [Romanos 11:26].

Entretanto, o livro de Zacarias nos diz que dois terços de todos os judeus na terra de Israel — e possivelmente no mundo inteiro — morrerão durante a Grande Tribulação:

"E acontecerá em toda a terra, diz o SENHOR, que as duas partes dela serão extirpadas, e expirarão; mas a terceira parte restará nela." [Zacarias 13:8].

Embora o horror total do Shoah seja difícil de compreender, o futuro Holocausto será ainda pior. Apesar disto, o verso seguinte — Zacarias 13:9 — descreve a culminação maravilhosa das promessas que o Senhor fez ao Seu povo escolhido:

"E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro. Ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e ela dirá: O SENHOR é o meu Deus." [Zacarias 13:9].

Jesus pode ter aludido alegoricamente a esse evento profécio quando curou o cego em Betsaida:

"E chegou a Betsaida; e trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse. E, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia; e, cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe se via alguma coisa. E, levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam. Depois disto, tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos, e o fez olhar para cima: e ele ficou restaurado, e viu a todos claramente. E mandou-o para sua casa, dizendo: Nem entres na aldeia, nem o digas a ninguém na aldeia." [Marcos 8:22-26].

Muitos eruditos bíblicos já comentaram sobre a singularidade dessa cura milagrosa, pois ela ocorreu em duas fases, desse modo sugerindo que a primeira fase foi somente parcialmente bem-sucedida e que um passo adicional foi necessário para o cego alcançar uma cura completa. Nenhum outro milagre de Jesus foi realizado da mesma forma.

Para apreciar o significado desse milagre, precisamos observar outro aspecto singular — antes de realizá-lo, Jesus primeiro pegou o homem pela mão e o levou para fora de Betsaida.

Betsaida era uma das cidades em que Jesus proferiu uma terrível imprecação:

"Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza." [Mateus 11:21].

A comparação com Tiro e Sidom encontra eco no Apocalipse:

"E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o nosso Senhor também foi crucificado." [Apocalipse 11:8].

Podemos ver aqui um paralelo entre a rebelde Betsaida e a rebelde Jerusalém. Exatamente como Jesus levou o homem cego pela mão para fora da cidade incrédula de Betsaida e o curou em estágios de sua cegueira física, assim também Ele levará o remanescente fiel (via Miguel, o arcanjo) para fora de incrédula Jerusalém (em um ponto mediano da Tribulação) e o curará em estágios de sua cegueira espiritual. A princípio, eles verão somente vagamente que alguma coisa de imenso significado espiritual está ocorrendo, mas finalmente, quando "olharem para cima", seus olhos finalmente se abrirão e — Baruch haba b'shem Adonai – eles contemplarão chocados e maravilhados seu glorioso Messias.

Assim, quando lemos Zacarias 13:9 uma segunda vez, podemos ver como a cura de sua cegueira corresponde ao processo de purificação mencionado pelo profeta:

"E farei passar esta terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro. Ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e ela dirá: O SENHOR é o meu Deus." [Zacarias 13:9].

Como a Palavra de Deus declara, quando as escamas finalmente caírem de seus olhos, eles invocarão o nome do Senhor, e Ele os ouvirá.

Satanás está determinado a garantir que esse momento crítico nunca aconteça. Ele fará tudo o que estiver ao seu alcance para impedir que os judeus, como uma nação, invoquem o Messias e proclamem "Bendito o que vem em nome do Senhor." (Mateus 23:39) e "O SENHOR é o meu Deus." (Zacarias 13:9).

Esta é a base completa do antissemitismo. O tenebroso príncipe deste mundo precisa continuamente fazer o restante da humanidade desconfiar dos judeus e vê-los como uma ameaça. Os líderes da igreja hoje, em grande parte, não estão conscientes das impressionantes habilidades de Satanás a esse respeito e da sua influência geral em moldar o comportamento humano.

Satanás teria destruído os judeus muito tempo atrás, se tivesse a possibilidade de fazer isso, mas o Senhor nunca permitiu que ele fosse tão longe assim. Embora os judeus estejam sob o julgamento de Deus, também estão sob Sua proteção — "Mas não retirarei totalmente dele a minha benignidade, nem faltarei à minha fidelidade." [Salmos 89:33].

Por meio de sua influência sobre as mentes e corações dos homens caídos e, em particular, daqueles que têm prazer na iniquidade, Satanás, tem sido capaz de atiçar as chamas do antissemitismo com relativa facilidade.

A Bíblia nos dá uma compreensão sobre como isto funciona. Em 1 Reis 22, o Senhor enviou um "espírito de mentira" aos falsos profetas que estavam aconselhando o ímpio rei Acabe. Ele também enviou um "espírito maligno" para gerar inimizade entre o ímpio Abimeleque e os cidadãos de Siquém (Juízes 9). Nestas duas ocasiões, o Senhor estava permitindo que o ímpio colhesse totalmente aquilo que tinha semeado. Entretanto, o próprio Satanás rotineiramente despacha um "espírito da mentira" ou um "espírito maligno" para infiltrar os pensamentos e disposição de um cristão professo. A não ser que o cristão seja obediente à Palavra de Deus e se revista diariamente da armadura de Deus — conforme descrito em Efésios 6 — ele estará vulnerável a esse tipo de ataque.

A Causa-Raiz do Antissemitismo

A causa-raiz do antissemitismo é a insana aversão de Satanás aos judeus. As manifestações humanas desse estado de ânimo antigo são fundamentalmente uma expressão dessa mesma aversão. Como resultado, os homens e mulheres que permitem serem infectados por essa inimizade são geralmente incapazes de ver que sua atitude é irracional. Eles acham muito mais fácil acreditar em uma afirmação sinistra ou em uma insinuação tenebrosa do que questionar sua base e testá-la objetivamente.

Lembre-se que não estamos falando de pessoas "más". O antissemitismo também floresce na ignorância de indivíduos bem-intencionados. Em minha experiência, a maioria dos cristãos professos hoje é antissemita. Em 29 de agosto de 2013, assisti a uma apresentação no Instituto Bíblico Irlandês, em Dublin. A apresentação foi feita por um proeminente porta-voz dos "palestinos", que também era um organizador das intensamente antissemitas conferências "Cristo Diante da Barreira". As aproximadamente 60 pessoas presentes meneavam suas cabeças em aprovação durante a apresentação, que estava repleta de imprecisões históricas e desavergonhadas distorções da verdade bíblica.

Durante a sessão subsequente de Perguntas e Respostas, apesar das repetidas tentativas de minha parte de questionar as muitas imprecisões e corrigir os piores erros, tornou-se depressivamente claro para mim que ninguém ali naquele sala — todos cristãos professos — estava preparado sequer para questionar a veracidade de qualquer coisa que o palestrante tinha dito.

Quando desafiei o presidente da mesa para permitir que um ponto de vista alternativo fosse apresentado em um encontro futuro, ele se recusou repetidamente a assumir esse compromisso. Mais tarde, vários participantes se recusaram a aceitar os livretos que distribui no fim da reunião. Aquelas pessoas não eram ateístas empedernidos, muçulmanos, ou um grupo marginal radical, mas (aparentemente) cristãos evangélicos e que criam na Bíblia! Mais tarde, fiquei sabendo que dois ou três deles estavam silenciosamente de acordo com aquilo que eu disse, porém estavam intimidados pela entonação do encontro para expressar suas opiniões.

O Instituto Bíblico Irlandês mostrou-se em suas verdadeiras cores naquela noite.

Antissemitismo Presbiteriano

Houve tantos manifestos, movimentos e programas antissemitas e anti-sionistas nos últimos 30 anos, todos apoiados ou endossados pela igreja cristã professa, que seria impossível tratar satisfatoriamente todos eles aqui. Em vez disso, enfocaremos apenas um documento, publicado em 2014, que parece almagamar a maior parte desses argumentos falsos, bem como as falácias e mentiras que têm sido usadas nos anos recentes pelos inimigos de Israel para produzir esse efeito venenoso.

Em janeiro de 2014, a Igreja Presbiteriana dos EUA tornou disponível para venda em sua página na Internet um livreto de 74 páginas intitulado Zionism Unsettled: A Congregational Study Guide ("O Sionismo Desmontado: Um Guia de Estudo Congregacional", em uma tradução livre), que tinha sido compilado pela Rede da Missão Israel/Palestina da Igreja Presbiteriana dos EUA. A rede foi criada em 2004 pela Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana dos EUA "para fazer a defesa dos direitos dos palestinos".

Embora o documento nunca tenha sido oficialmente endossado pela Assembleia Geral, ele recebeu endosso informal significativo desde sua distribuição (junto com um DVD acompanhante) por meio da página na Internet da Igreja Presbiteriana dos EUA, dado o fato que ele foi produzido por um órgão oficial estabelecido para esse propósito pela denominação e pela adoção oficial, por parte da igreja, de uma amplamente divulgada estratégia de distanciamento de Israel.

Nota: Todas as referências daqui para frente à Igreja Presbiteriana referem-se à Igreja Presbiteriana dos EUA somente e não a qualquer outro ramo presbiteriano, seja nos EUA ou no restante do mundo.

Após as fortes críticas dos grupos judaicos nos EUA, a Igreja Presbiteriana removeu o livreto de sua página na Internet, em junho de 2014. Um aviso, com data de 27 de junho, declarou: Na semana passada em Detroit, a 221a. Assembleia Geral aprovou uma resolução declarando que o livreto Zionism Unsettled "não representa as opiniões da Igreja Presbiteriana dos EUA". A Rede da Missão Israel-Palestina, que produziu o livreto, poderá continuar a vender e distribui-lo por meio de outros canais.

A hipocrisia que estava por trás desse anúncio ficou evidente para todos verem. Incrivelmente, a Igreja Presbiteriana não rejeitou nem condenou as muitas afirmações acusatórias contidas no documento. Retirando o livreto ofensivo de sua página na Internet, a denominação procurou meramente transmitir a impressão que não mais endossava seu conteúdo. Mas, no mesmo parágrafo, ela declarou que a Rede da Missão Israel/Palestina — sua própria subsidiária — "poderia continuar a vender e a distribui-lo por meio de outros canais". Em outras palavras, fora esse gesto simbólico, a Igreja Presbiteriana continuaria a aprovar a distribuição de um documento flagrantemente antissemita. Por implicação, os membros da denominação também poderiam continuar a usar o livreto como um guia de estudo congregacional em um ambiente de sala de aula e a disseminar sua mensagem para uma audiência mais ampla.

Linguagem Condenatória Abrasiva

O tom antagônico e emotivo do documento pode ser visto a partir do uso que faz de linguagem abrasiva e condenatória ao descrever Israel e os judeus que vivem ali. Isto somente nos diz que há algo seriamente errado com sua perspectiva supostamente "cristã". Aqui está uma lista de exemplos:

Exemplos de terminologia condenatória usada em todo o documento Zionism Unsettled:

xenofobia tribal demonização
limpeza étnica marginalização
ocupação militar colonialismo dos assentados
relacionamento tóxico práticas sectárias
confisco de terras templo-estado judaico
patologia inerente no Sionismo subjugação impostas pelo exterior
trauma psicológico imperialismo religioso
ciclo de vitimização uso de sofismas simplistas
mecanismos de neutralização da culpa perfeitamente perverso
narrativa da negação agenda maximalista
afirmações moralmente arriscadas retomada das propriedades
miopia moral nacionalismo terrorista
excepcionalismo ético tribalismo primitivo e retrógrado
comporatamento delinquente nacionalismo político idólatra
territórios ocupados opressão e exploração
terra expropriada hegemonia constantiniana
vitimização perpétua chantagem emocional
degeneração moral discurso fanático e antiliberal
judaização racismo e intolerância
desarabização imperialismo da justiça
supressão das perspectivas de dissenção violação sistemática da Lei Internacional
grupos de monitoração "dos falcões" pauperização do povo palestino
teologia do Holocausto massacre cultural
etnocracia confisco da terra
assentamentos ilegais genocídio cultural
sistema de educação racista crimes centrais
processo de socialização Israel é um anacronismo

É difícil acreditar que a maior denominação presbiteriana na América do Norte apoie esse documento. Será se os cristãos sinceros e bíblicos dentro da comunidade presbiteriana entendem o que está sendo feito em seu nome? Essa polêmica virulenta não somente faz incriminações ao povo judeu mas, ao fazer isso, apresenta uma caricatura repulsiva do Cristianismo.

Nas páginas seguintes examinaremos excertos do documento e ilustraremos, conforme o espaço permitir, exatamente o quanto a Igreja Presbiteriana se afastou da verdade imutável da Palavra de Deus.

A Nakba

"Nakba é a palavra árabe para "Catástrofe" e refere-se à maciça limpeza étnica de mais de 750.000 palestinos, o confisco da terra palestina e a destruição de mais de 500 aldeias palestinas pelas forças israelenses em 1947-48, quando os britânicos deixaram a Palestina e Israel tornou-se um Estado. O termo hebraico para o Holocausto nazista, Shoah, também pode ser traduzido como "Catástrofe". A interconexão e casualidade entre as catástrofes judaicas e palestina levou alguns a observar que os palestinos são, de algumas formas, vítimas secundárias do Holocausto nazista." [pág. 6].

O retrato apresentado neste extrato é obsceno. A remoção de "750.000" árabes — o número está grandemente exagerado — é colocado no mesmo plano moral que o homicídio de seis milhões de judeus. O fato que a maioria desses árabes deixou Israel a pé, por intimidação dos países árabes vizinhos, é simplesmente ignorado.

Além disso, a definição que os autores dão ao termo Nakba é terrivelmente enganosa. Embora certamente signifique "Catástrofe", ela se refere somente à derrota total das nações árabes invasoras — que estavam envolvidas em uma campanha de aniquilação — e não à consequênte perda de propriedade por partes dos árabes removidos. A derrota de 1948 foi certamente uma catástrofe, um grande tapa na cara do Islã. Mesmo com seis exércitos bem-treinados e com armamento superior, eles foram incapazes de derrotar um país minúsculo sitiado, em um ataque de surpresa. Foi uma "catástrofe" precisamente por que foi muito embaraçosa. Os árabes e seus orgulhosos líderes militares foram humilhados diante do mundo.

"... 1,2 milhões de árabes palestinos vivem em Israel como cidadãos de segunda classe" [citado pelo professor Rashid Khalidi, da Universidade de Colúmbia, pág. 5].

O documento deixa de dizer que os árabes que vivem em Israel hoje, como cidadãos naturalizados, desfrutam dos mesmos direitos na lei que os outros israelenses. O único direito que lhes é negado, por razões óbvias, é o de ingressar nas Forças Armadas. Além disso, o número de árabes que vivem em Israel continua a aumentar. Por quê? Porque eles desfrutam de um padrão de vida muito melhor e maior segurança pessoal em Israel do que teriam em qualquer outro país árabe.

A Pátria Judaica

"O Sionismo foi (e permanece) não apenas uma questão de colonização da terra palestina, mas também a colonização das mentes — judaicas, árabes, europeias, americanas." [citação de Nur Masallha, historiador árabe] [pág. 5].

A acusação que o Sionismo, por sua própria natureza, é uma ideologia subversiva aparece em todo o documento. Em estágio algum ele admite que o Sionismo é nada mais que a aspiração legítima entre o povo judeu por uma pátria própria e ter essa pátria reconhecida pela comunidade internacional. Quando vários grupos árabes regionais e coalizões tribais adquiriram uma pátria reconhecida, após a queda e divisão do Império Otomano, eles não foram acusados de seguir um programa subversivo de colonização. Essa acusação nunca foi feita contra os sírios, iraquianos, sauditas, jordanianos, ou libaneses, entre outros. Mas, quando os judeus do Império Otomano adquiriram uma pátria, sob a mesma base que os outros grupos étnicos autóctones, de acordo com os mesmos protocolos e leis internacionais, eles são acusados de colonização. O documento combate vigorosamente a ideia que os judeus tenham o direito a uma pátria nacional. Repetidamente, ele equipara o Sionismo não somente com colonização, mas com opressão, racismo e limpeza étnica.

Este não é um relato cristão equilibrado da história moderna do povo judeu, mas uma tentativa profudamente incorreta e enviesada de deslegitimizar o Estado-nação de Israel.

A Vilificação do Sionismo

"... Israel pode viver em uma era pós-Sionismo adaptando-se para o mundo como ele é, ou pode morrer em uma." [citação de Ian Lustick, palestra no Carnegie Endowment, 2013] [pág. 7].

Em sua vilificação do Sionismo o documento afirma repetidamente que, como uma "ideologia", ele não pode ser tolerado no nosso mundo moderno e pluralista. A citação implica que uma "era pós-Sionista" é inevitável e que os judeus terão de aceitar isto, ou sofrer as consequências.

É profundamente perturbador que a Igreja Presbiteriana use como "guia de estudo congregacional" um documento que não somente apoia a criação de um mundo "pós-Sionista", mas até concorde com o uso da força para alcançar isto.

"Com a história de seu próprio povo em mente, os críticos judeus de Israel advertem sobre o potencial desastroso do poder do Estado judaico." [pág. 8].

Os autores exploram ao máximo os pronunciamentos anti-Israel de alguns judeus, presumivelmente para desviar de si mesmos a acusação de antissemitismo. Eles alegam que um Estado em que os judeus estão em maioria é um Estado em que as minorias serão, em algum estágio, subjugadas ou destruídas.

Os parágrafos precedentes no documento referenciam a "violência em relação aos outros povos", fanatismo, extremismo islâmico e o genocídio do povo armênio. Assim, eles estão implicando que a existência continuada de um Estado judaico precisa necessariamente representar uma ameaça ao bem-estar de outros grupos étnicos e religiosos na região. O racismo e hipocrisia que estão por trás dessa alegação são de tirar o fôlego. Nenhuma referência de qualquer tipo é feita às dezenas de regimes islâmicos despóticos que rotineiramente brutalizam, perseguem, aprisionam, torturam e matam cristãos e outras minorias, porém os autores veem como perigoso um Estado democrático que mantém e defende os direitos de todos seus cidadãos, independente de sua origem étnica ou religiosa.

Shoah

O documento condena Israel por aquilo que descreve como "sua obsessão com a Shoah" [pág. 9], afirmando que "as distorções do Holocausto criaram distorções em suas vítimas". Uma das características principais de uma aversão irracional é sua determinação em privar o grupo-alvo de toda a legitimidade moral. As vítimas precisam ter feito algo para trazer tanto sofrimento sobre si mesmas. Essa perseguição é inevitável, o documento implica, sempre que um grupo étnico ou religioso tenta colocar-se à parte. Adotando essa técnica cínica, os autores tentam explorar o horror do Shoah para seus próprios fins mesquinhos.

Como cristãos, sabemos que o próprio Deus separou Israel e deu aos judeus um papel e propósito que os distinguiu de todas as outras nações. Por que então a Igreja Presbiteriana considera adequado denigrir os judeus dessa forma? Por que eles professam serem cristãos bíblicos, porém apoiam um documento que claramente está em conflito com a Palavra de Deus?

Um Ataque aos Sionistas Cristãos

"O Sionismo cristão... tem sido protegido do debate aberto, apesar do abuso intolerável aos direitos humanos enraizado em suas crenças centrais." [pág. 9].

O documento vilifica, não apenas os Sionistas judeus, mas os Sionistas cristãos, isto é, os cristãos bíblicos que aceitam como irrevogável a aliança que o Senhor Deus fez com os filhos de Israel. As implicações dessa acusação são de longo alcance, pois os autores estão efetivamente dizendo que é imoral, não apenas apoiar o Sionismo, mas acreditar que a Bíblia endossa a reivindicação judaica à terra de Israel.

Uma linha crítica foi cruzada aqui. Os autores presumem ter a autoridade para condenar, não apenas os judeus que apoiam Israel, mas também os cristãos que fazem isso, mesmo com fundamento religioso.

Muitos leitores do documento provavelmente deixarão de compreender o significado disto. O Sionismo cristão está sendo classificado como um crime de pensamento contra a humanidade. Os cristãos bíblicos não podem mais interpretar a Bíblia como sua consciência ou sua compreensão dirigir, mas são obrigados, em vez disso, a aceitarem a interpretação passada para baixo pelos "especialistas". Os líderes das congregações presbiterianas, presumivelmente, decidirão o que a Bíblia "realmente" quer dizer e colocarão em ostracismo qualquer um que pense de forma diferente. Em resumo, o Sionismo cristão está agora sendo tratado como uma heresia, mesmo que o rótulo não esteja sendo aplicado neste caso (mas é aplicado posteriormente no documento).

No passado, uma heresia era definida exclusivamente segundo as considerações teológicas, mas agora não é mais assim. Como diz o documento, "reivindicações excepcionalistas não podem ser justificadas em nosso mundo pluralista e interconectado" [pág. 9]. Hoje, as igrejas "cristãs" da corrente dominante estão usando critérios sociais e políticos para decidir o que a Bíblia "realmente" quer dizer e, desse modo, formular uma classe totalmente nova de heresia.

Não devemos ficar surpresos que a Igreja Presbiteriana dos EUA também apoie a agenda homossexual, incluindo o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo e reinterprete (isto é, desconsidere) os versos nas Escrituras que descrevem claramente o comportamento homossexual como pecaminoso.

A Fundação de Israel

"O plano de partição de 1947 do Comitê Especial para a Palestina das Nações Unidas (UNSCOP) concedeu uma porção desproporcional do território ao sionistas em relação ou à sua população ou à sua propriedade de terras naquele tempo." [pág. 10].

A citação acima deixa de mencionar que o UNSCOP atuou de forma contrária à Lei Internacional, reduzindo o território concedido ao novo Estado de Israel a menos de um quinto da terra alocada para esse propósito, segundo o Acordo de San Remo, de 1920. Sim, a concessão do UNSCOP foi desproporcional, mas a favor dos árabes, não dos judeus! Esta é uma das várias ocasiões em que os autores emendam ou ignoram os fatos históricos para suportar sua versão dos eventos.

Também deve ser observado que os judeus que viviam em Israel naquele tempo são aqui descritos como "sionistas", desse modo implicando que o Estado de Israel em sua fundação, independente de sua extensão territorial, era ilegítimo.

A Proteção de Israel

"A decisão de 2004 da Corte Internacional de Justiça (ICJ) contra o muro de separação que Israel está construindo em terra palestina expropriada dentro da Margem Ocidental propõe que Israel 'cesse a construção do muro nos Territórios Palestinos Ocupados'..."

O documento presbiteriano condena a construção do muro que proteje os cidadãos israelenses comuns dos homens-bomba suicidas e dos assassinos islâmicos. Nenhuma menção é feita às muitas vidas que foram ceifadas nesses ataques, ou o terror gerado pelo homicídio aleatório de pessoas inocentes. Em vez disso, o documento reclama das "infrações concomitantes... à liberdade de movimento dos palestinos". Os autores não veem descontinuidade moral entre a conveniência dos árabes e o homicío dos judeus.

O documento então lança uma amarga acusação contra os EUA por usarem seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para proteger Israel de uma longa série de resoluções aversas da ONU. Sem qualquer ironia, ele afirma que "a vontade da maioria" foi colocada de lado, onde a maioria em questão invariavelmente inclui os quase 50 países islâmicos que detestam Israel e juraram destrui-lo.

Ao longo do caminho, ele cita a Resolução 267 do Conselho de Segurança, de 3 de julho de 1969, que reafirmou "o princípio estabelecido que a aquisição de território por conquista militar é inadmissível". Isto implica que Israel se envolveu em uma campanha de conquista militar, quando na verdade o país apenas procurou impedir que uma grande força de invasão anexasse seu território e, talvez, o destruísse. É um princípio estabelecido há muito tempo que quando um país se envolve em uma campanha de extermínio, ele arrisca perder parte de seu próprio território. Israel tinha tanto o direito moral quanto a obrigação militar de reter o território conquistado nessas guerras de autodefesa. Isto inclui a Judeia e Samaria (uma região conhecida como Margem Ocidental do Jordão, ou Cisjordânia), a Faixa de Gaza, as Colinas de Golã, a Península do Sinai e Jerusalém oriental.

O documento presbiteriano dá a entender do início ao fim que Israel é o agressor, quando a história mostra claramente que o país é o alvo de uma campanha islâmica, que ainda está em operação, para erradicá-lo do mapa e matar ou remover toda sua população. O documento não consegue concordar, nem mesmo em princípio, que Israel tenha todo o direito de se defender usando a força. Ele também não questiona a campanha islâmica atual de homicídio e agressão ou a imposição grotesca dos valores e normas encontrados no Alcorão. De fato, qualquer um que não esteja familiarizado com as crenças religiosas da Igreja Presbiteriana nos EUA nunca adivinharia, unicamente pela leitura desse documento, que a igreja está fundamentada no Evangelho ou nos ensinos de Jesus Cristo.

"Como esperado, a guerra irrompeu entre as forças judaicas e árabes quando Israel declarou independência em maio de 1948." [pág. 14].

Isto é tratamento típico de autores que querem ser cavalheiros, mas que se mostram tendenciosos ao analisarem os fatos históricos. A guerra não "irrompeu" — implicando que ambos os lados foram culpados — mas um lado lançou uma invação militar maciça em várias frentes com planos de aniquilar o outro. Além disso, os judeus não declararam a independência unilateralmente em maio de 1948, mas, em vez disso, exerceram o direito que já tinham dentro da Lei Internacional de estabelecer uma pátria judaica na Terra Santa. A ONU já tinha aprovado formalmente a criação do Estado de Israel com a Resolução 181, de 29 de novembro de 1947.

O relato da página 14 da alegada "expulsão sistemática e total dos palestinos de sua pátria" no período de 1947-49 não é suportado pela evidência histórica. A maioria dos árabes partiu em resposta à pressão dos líderes militares dos países árabes vizinhos. Qualquer um que permanecesse corria o risco de ser rotulado como traidor da causa árabe. Além disso, eles esperavam conseguir retornar alguns meses mais tarde, depois que a "questão judaica" tivesse sido solucionada por meio de homicídios e derramamento de sangue.

Taqiyya

A credibilidade das reivindicações árabes é ainda mais solapada por uma prática islâmica que existe há muito tempo, conhecida como Taqiyya, por meio da qual um muçulmano tem a permissão, e até a obrigação, de enganar seu inimigo, com mentiras e falsidades, se necessário, de modo a fazer avançar a causa do Islã.

"... a região [norte da África e o Oriente Médio] tornou-se inflamada com a injustiça sentida da partição imposta da Palestina, a criação de um Estado Judaico, a limpeza étnica dos palestinos..." [pág. 14].

Em linha com a Taqiyya, a narrativa histórica é virada de cabeça para baixo. Os autores estão afirmando, de forma não muito honesta, que a criação do Estado judaico foi de fato injusta, que os judeus não tinham o direito legal à terra na região e que as afirmações árabes de expulsão em massa eram totalmente corretas.

Eles não reconhecem que os árabes violaram a Lei Internacional ao expulsarem cerca de 800 mil judeus dos países árabes, expropriando suas propriedades e ameaçando a segurança de Israel continuamente. Eles também deixam de mencionar que a ONU ofereceu aos árabes uma porção significativa de território — um segundo Estado "palestino" — dentro do território coberto pelo Mandato Britânico, mas eles se recusaram a aceitar. [Discutiremos o primeiro Estado "palestino" em um momento.].

A Rejeição Presbiteriana à Bíblia

"... o secularizado Ben-Gurion se apropriou das histórias bíblicas para uma religião civil nacionalista que mais tarde iria fortalecer o expansionismo [de Israel]." [pág. 15].

Ben-Gurion é criticado por consultar a Bíblia. Mais tarde no documento, os autores ridicularizam a restauração feita por Netanyahu das Classes Bíblicas regulares que Ben-Gurion realizava, rejeitando-a como uma "apropriação nacionalista da Bíblica como história". [pág. 22]. Esta é uma afirmação extraordinária. Alguém pode pensar que, de todos os povos, os judeus têm o direito de buscar orientação na Bíblia e tratá-la como um registro histórico legítimo, mas o documento presbiteriano alega que os líderes de Israel usam a Bíblia apenas como um pretexto para uma agenda expansionista. Esse tipo de cinismo é o máximo que alguém pode demonstrar.

Religião Constantiniana

"As políticas israelenses são também uma expressão da 'religião constantiniana'" [pág. 16].

Isto se refere à "fusão do poder do Estado com o Judaísmo" [pág. 16], que os autores alegam ser abusiva, de forma muito parecida como o poder estatal exercido pela Igreja Católica Romana foi abusivo (após a adoção do "Cristianismo" como religião oficial do império pelo imperador Constantino, no ano 312.) Os autores estão tentando difamar o governo civil de Israel afirmando que seu caráter judaico necessariamente o faz discriminar aqueles que não são judeus. O libelo é ampliado comparando Israel com a Igreja de Roma, que tem um longo e sadista histórico de antissemitismo. O documento está sugerindo que, como os judeus foram em certo tempo vítimas da perseguição sistemática do Estado, eles perversamente incorporaram um preconceito similar em seu próprio aparato estatal.

A mesma técnica está sendo usada novamente, em que o sofrimento passado dos judeus é imputado a um suposto defeito em seu caráter espiritual e moral. Argumentos jocosos e irracionais como este têm sido usados rotineiramente pelos antissemitas há vários séculos para provar que os judeus são, e sempre serão, uma fonte infindável de problemas para o restante da humanidade.

O "Estado" Mítico da "Palestina"

"Estas mudanças tiveram o efeito de apagar a Palestina não somente dos mapas, mas também das mentes dos israelenses." [pág. 18].

Após a anexação da "Margem Ocidental" em 1967, os israelenses a renomearam como Judeia e Samaria. Dado que esses nomes eram aplicados historicamente à região, parecia razoável incorporá-los aos mapas usados pelos estudantes israelenses. Antes de 1967, o território era governado pela Jordânia e nunca existiu como uma entidade soberana conhecida como "Palestina". Na realidade, "Palestina" não é um termo político, mas uma designação topográfica, similar à Iberia. A Iberia é formada por três entidades políticas — Espanha, Portugal e Gilbraltar — mas não tem em si mesma qualquer conotação política.

O documento presbiteriano está propagando a antiga mentira que uma entidade soberana conhecida como "Palestina" existiu na região no passado, mas que devido à perfídia dos judeus, foi depois extinta. Entretanto, essa entidade nunca existiu. Como uma região topográfica, ela nunca foi mais do que uma minúscula província do Império Otomano. Mesmo quando esteve sob o controle árabe — quando a Jordânia governou a região da Judeia e Samaria no período de 1949-67 — ela era considerada um território amorfo, sem qualquer associação étnica. A ideia de que ela pertencia a um grupo distinto de árabes conhecido como "palestinos" seria considerada ridícula, até mesmo pelos próprios árabes.

A Acusação de Racismo

"Este é um exemplo das similaridades entre o Sionismo, o apartheid sul-africano e as leis de segregação de Jim Crow no sul dos EUA." [pág. 18].

De acordo com o documento presbiteriano, os judeus são racistas por que acreditam naquilo que o Senhor disse sobre eles na Bíblia. Parece que o Sionismo é uma ideologia com "uma composição político-religiosa" [pág. 18] em que não se pode confiar. Sem qualquer evidência histórica, os autores fazem uma inexplicável conexão entre o nacionalismo judaico e a deplorável história da discriminação racial na África do Sul e nos EUA. O leitor é solicitado a acreditar em uma assertiva difamatória que não tem referência lógica alguma ao que foi dito anteriormente, isto é, que um israelense que ama seu país faz isso com fundamento religioso e precisa, por definição, ser um bruto racista. Infelizmente, esse tipo de "raciocínio" e pseudológica aparece com muita freqûencia em todo o documento.

Em várias referências depreciativas a Jabotinsky, Begin, o Irgun, o ativismo armado geralmente por parte dos israelenses, o documento implica que os judeus deveriam continuar a se submeter passivamente à mesma opressão gentia que tiveram de suportar por quase dois mil anos. Seria necessário muito mais espaço do que temos disponível para tratar as muitas falsas acusações que aparecem espalhadas por todo o documento, a repetida má-caracterização das tentativas israelenses de defender seu país e a surpreendente indiferença dos críticos de Israel à guerra continuada de agressão, terrorismo e sabotagem política que está rendo realizada contra o país pelos árabes e pelas nações do Islã.

O documento até mesmo trivializa as genuínas preocupações israelenses com sua própria sobrevivência diante da contínua agressão — "A política israelense é orientada pelo temor real e manipulado da aniquilação (outro Holocausto)..." [pág. 20]. Embora os membros da igreja presbiteriana possam se preocupar com o custo de vida ou com o desemprego crescente, os cidadãos de Israel se preocupam se seus filhos voltarão em segurança da escola, se um morteiro disparado pelo Hamas ou pelo Hezbolá explodirá no quintal de suas casas, ou se seu povoado ou cidade ainda estará em pé dentro de mais cinco anos. E eles têm genuínas (e justificáveis) preocupações que no longo prazo os grupos extremistas do Islã eventualmente conseguirão dominar o país e erradicar todos eles.

A Cínica Rejeição dos Fatos Históricos

"É difícil encontrar alguma evidência que os governos israelenses recentes têm qualquer intenção de negociar uma paz justa com os palestinos." [pág. 20].

Esta é mais uma desdenhosa rejeição dos fatos estabelecidos. O governo israelense tem há muito tempo procurado uma base justa para um acordo negociado com os árabes, mas tem sido frustrado repetidamente pela intransigência islâmica. Apesar de terem recebido diversas grandes concessões ao longo dos anos, os árabes nunca responderam de forma gentil. Na verdade, eles se moveram na direção oposta e usaram o terror como um instrumento de "negociação", desse modo reduzindo deliberadamente as possibilidades de uma solução pacífica.

"... o reconhecimento palestino de Israel como um "Estado judaico" significaria a aceitação que os judeus existem no Oriente Médio há milhares de anos..." [pág. 21].

Mas eles existem no Oriente Médio há milhares de anos! A Igreja Presbiteriana se afastou tanto da verdade bíblica que está preparada para questionar esse fato simples.

As casas que estão sendo construídas pelos judeus na Judeia e Samaria são descritas como "assentamentos judaicos ilegais" [pág. 7]. É extraordinário que um documento chamado de "cristão" possa afirmar que os judeus não tenham o direito de edificar nesta região, mas que os árabes têm. A suposta ilegalidade desses assentamentos está baseada em resoluções aprovadas pela ONU, uma organização que consistentemente se opõe a todas as tentativas de Israel de proteger sua integridade territorial e que até mesmo aprovou uma resolução, em 1975, condenando o Sionismo como "uma forma de racismo". (Isto só foi reincidido em 1991.)

Considerando que a Carta da ONU está baseada na constituição da antiga União Soviética, que é flagrantemente hostil aos valores judaico-cristãos, e que seu propósito principal é a substituição dos Estados soberanos independentes por um sistema global de governança, essa hostilidade contínua a Israel é fácil de ser compreendida. Quando adicionamos a essa mistura o antissemitismo potente de mais de 50 países islâmicos e a prevalência da ideologia marxista entre as classes governantes dos países membros da ONU, temos uma situação em que "legal" e "legalidade" significam qualquer coisa que a maioria decidir.

Um cristão bíblico sabe que este não é o caminho de Deus, mas parece que a Igreja Presbiteriana perdeu todo o temor a Deus e encontrou um caminho próprio. Quando examinei o documento, em vários momentos pensei comigo mesmo: "Eles não podem estar dizendo isto de verdade!" Mas, eles estavam, e muito mais.

O Sionismo Cristão É Descrito como uma Heresia

"Chegou o tempo para todos nós nomearmos as falhas éticas e teológicas cristãs que permitiram o surgimento do Sionismo..." [pág. 23].

Temos aqui um ataque direto ao Sionismo cristão, em que os cristãos que apoiam Israel com base bíblica — e que consideram a profecia bíblica com seriedade — serão no futuro marginalizados e, possivelmente, até rotulados como apóstatas, por causa de suas crenças.

Alguns teólogos modernos já estão descrevendo o Sionismo cristão como uma aberração, ou como uma heresia. Como o número de cristãos que apoiam Israel caiu drasticamente ao longo das últimas décadas, o isolamento deliberado daqueles que permanecem fiéis à profecia bíblica terá um grande impacto sobre a igreja dos cristãos nascidos de novo.

Estamos testemunhando hoje, não apenas um ataque a Israel e ao Judaísmo, mas às doutrinas fundamentais do Cristianismo bíblico. Este documento, e outros similares a ele, são parte de uma campanha orquestrada de mudança dentro da igreja, em que a interpretação da doutrina bíblica será moldada principalmente por seu papel em promover a inclusividade, a tolerância e o diálogo interfé. A Bíblia não mais significará aquilo que diz de forma bem clara — e os cristãos que continuarem a acreditar naquilo que ela diz serão "responsablizados". Se você duvida disso, então considere uma das questões listadas para reflexão na página 43 do documento:

1. As organizações cristãs e judaicas nos EUA que promovem uma política externa pró-Sionista devem ser responsabilizados por promoverem a violência e a opressão em relação povo palestino? [pág. 43].

O Emirado da Transjordânia

"Quando o Mandato Britânico colonial foi encerrado em 1947, os palestinos não conquistaram a soberania e a autodeterminação, como os outros povos que emergiram do colonialismo..." [pág. 27].

Esta é uma séria distorção daquilo que realmente aconteceu. O Emirado da Transjordânia, agora conhecido simplesmente como Jordânia, foi reconhecido pela Liga das Nações em 1922 — embora o território em questão fosse parte do território administrado pela Grã-Bretanha para o propósito de estabelecer uma pátria judaica. Em outras palavras, os árabes que viviam na terra de Israel — que hoje são referenciados erroneamente como "palestinos" — receberam seu próprio Estado soberano em 1922. A reivindicação legal a esse território pelos judeus sob o Acordo de San Remo em 1920 foi simplesmente ignorada pelos britânicos.

A Jordânia tem uma área de aproximadamente 89.000 km2, enquanto que Israel hoje tem cerca de 22.000 km2. Dado que todo esse território — cerca de 111.000 km2 — tinha sido reservado sob a Lei Internacional para o estabelecimento de uma pátria judaica, os árabes terminaram possuindo quase 80% dele! Mesmo assim, eles ainda exigem uma porção maior do restante, que legalmente pertence a Israel.

O documento presbiteriano também perpetua o mito que os árabes que viviam sob o Mandato eram um grupo étnico distinto, conhecido como "palestino". Como a história mostra de forma bem clara, essa reivindicação é absurda. Em sua maioria, eles migraram por razões econômicas (primeira e segunda geração) dos países árabes vizinhos, e foram atraídos a Israel pelos empreendimentos agrícolas e industriais bem-sucedidos desenvolvidos pelos judeus. Muitos deles hoje têm nomes árabes que sugerem seus possíveis países de origem. Alguns dos nomes "palestinos" mais comuns incluem Al-Mughrabi (que significa "o marroquino)), Al-Yamani ("o iemenita"), Al-Djazair ("o argelino"), Halabi (de Alepo, Síria), Hourani (de Hauran, no sul da Síria), Al-Masri ("o egípcio"), Al-Baghdadi (de Bagdá, Iraque), etc.

Yasser Arafat foi o principal arquiteto do engodo "palestino", mas ele cometeu o erro de escolher uma bandeira para seu grupo étnico fictício que era virtualmente idêntica à bandeira jordaniana; a Jordânia é o verdadeiro lar dos assim-chamados árabes palestinos.

Como Arafat se vangloriou em sua biografia oficial, "Se existe um povo palestino, fui eu, Arafat, quem o criou." [Arafat, de Alan Hart, 1994]. A biografia contém várias outras citações de Arafat em uma veia similar.

A Hostilidade do Vaticano aos Judeus e a Israel

"Nostra Aetate deu fim às críticas teológicas católico-romanas ao Judaísmo e, consequentemente, ao Estado de Israel. Depois de 1965, as críticas a Israel estavam fundamentadas em objeções éticas, não teológicas, e na necessidade de paz baseada em uma solução justa para o compartilhamento da terra da Palestina entre os dois povos." [pág. 29]

Ao contrário do que esse excerto diz, o documento papal Nostra Aetate não terminou com a objeção teológica do Vaticano ao Judaísmo e a Israel. Embora ele na verdade faça algumas declarações relativamente positivas sobre o Judaísmo, o que nunca tinha sido feito anteriormente, a objeção teológica fundamental não foi removida. Como Nostra Aetate declara, "a igreja é o novo povo de Deus..." Esta é a velha mentira da Teologia da Substituição, com toda a antipatia, tanto política quanto teológica, que ela envolve.

Surpreendentemente, com a publicação de Nostra Aetate, muitos judeus erroneamente acreditaram que a Igreja Católica Romana tinha passado por uma grande mudança de atitude em relação ao Judaísmo e a Israel. Eles não conseguiram ver que a mentira de quatro palavras "a igreja substituiu Israel" — era a fonte original e responsável por toda a hostilidade católica-romana ao Judaísmo. Embora a acusação de deicídio, que historicamente apareceu de forma proeminente na imaginação popular, tenha sido o conduíte emocional principal para essa hostilidade, ela foi habilitada principalmente pela convicção teológica que Deus tinha decisiva e permanentemente rejeitado os judeus.

Também podemos observar que Nostra Aetate não reconhece a verdade do Judaísmo em seu próprio direito, mas somente que ele compartilhava na estima garantida por todas as grandes religiões do mundo. A partir da perspectiva papal, no que se refere a qualquer afirmação sobre a verdade revelada, o Judaísmo não é diferente do Islã, do Budismo ou do Hinduísmo.

Para ter um exemplo da atitude que Roma ainda tem em relação aos judeus, basta olhar para a Catedral de São Miguel e Santa Gudula, em Bruxelas. Entre seus muitos imponentes vitrais há uma série que retrata a alegada profanação da "hóstia" por um grupo de judeus locais, em 1370. Uma suposta confissão foi obtida sob tortura extrema e os "culpados" foram executados. Durante o alegado rito de profanação da hóstia, ela teria derramado sangue de verdade (os católicos-romanos acreditam que a hóstia é o corpo físico de Cristo) e muitos milagres reportados dali para frente foram atribuídos a esse evento sobrenatural. Mesmo depois de 645 anos desse crime deplorável contra os judeus ter sido praticado, ele ainda é celebrado anualmente na catedral, no primeiro domingo após o dia 15 de julho.

O Deus de Israel

"Uma voz que olha para o dia messiânico em que todas as nações finalmente servirão o Deus de Israel não pode ser a voz de Deus.... Os seguidores devotos de toda religião são movidos desta maneira pelas suas próprias narrativas sagradas." [pág. 30].

O documento rejeita completamente a exclusividade das verdades reveladas na Bíblia e concede às outras religiões — incluindo o Islã, Budismo e Hinduísmo — uma porção da verdade que, dentro de suas próprias "narrativas sagradas", é tão válida quando a da Escritura revelada aos judeus.

É difícil acreditar que essa heresia apareça em um "guia de estudo congregacional" recomendado pela Igreja Presbiteriana. Temos aqui uma igreja cristã que não mais ensina que a revelação de Deus de Si mesmo em Cristo é o único fundamento da verdade. De acordo com os autores, o máximo que um cristão pode afirmar é que "a vida, morte e ressurreição de Cristo é a mais completa revelação de Deus que conhecemos e que já experimentamos." [pág. 30; ênfase no original].

Esta é a velha mentira pagã que "todos os caminhos levam a Deus". Ela é também o fundamento sobre o qual a vindoura religião do mundo unificado será construída — em que toda a verdade é a verdade de Deus, em que Deus é tudo aquilo que você conceber em sua imaginação que Ele seja, em que nenhuma alma é condenada por toda a eternidade, em que todos são uma centelha divina, ou um átomo de Deus, em que todas as religiões são uma expressão da verdade divina, em que todos os homens estão evoluindo para um estado mais elevado de consciência, em que novas revelações estão sendo recebidas pelos profetas e místicos contemporâneos, e em que nenhum livro, ensino ou religião pode afirmar possuir toda a verdade.

A partir disto tudo, podemos ver que o documento objetiva, não somente solapar a validade escriturística das promessas de Deus aos judeus, mas reduzir o próprio Cristianismo ao nível das outras religiões do mundo. Talvez o Cristianismo tenha "mais" verdade, porém outras religiões têm suas porções respectivas e precisam receber a mesma estima. Desse modo, os autores são capazes de avançar a "visão do consenso" da verdade e, desse modo, negar tanto aos Sionistas cristãos e aos Sionistas judeus o direito de usar termos como "povo escolhido", "Terra Prometida" e "Deus de Israel".

Como o termo "Deus de Israel" é usado mais de duzentas vezes nas Escrituras, podemos somente assumir que a Igreja Presbiteriana dos EUA gostaria de ver mais uma nova tradução da Bíblia, em que este e outros termos igualmente indesejáveis sejam omitidos ou "saneados". Dado que eles querem "mover o diálogo interfé para níveis ainda mais profundos" [pág. 30], isto quase que certamente está na agenda, tanto para desarmar os Sionistas teologicamente, quanto para pavimentar o caminho para uma forma globalmente padronizada e totalmente inclusiva de Cristianismo de Nova Era.

"Sua [isto é do Sionismo] inspiração foi extraída não dos profundos pensamentos das Escrituras hebraicas, mas daquelas porções que revelam um conceito estreito e exclusivo de um deus tribal." [citado de Naim Ateek] [pág. 33].

O documento cita com aprovação o clérigo antissemita anglicano Naim Ateek. Embora seja nominalmente um cristão, Ateek aqui faz a famosa distinção marcionita entre o assim-chamado deus "tribal" do Velho Testamento e o verdadeiro Deus do Novo Testamento. O herético gnóstico Marcião negava a validade escriturística do Velho Testamento e rejeitava o Senhor Deus do Pentateuco, de Josué e de Juízes como um deus tribal vingador. Esta é uma tática muito apreciada pelos inimigos de Israel e do Sionismo cristão, pois permite que eles apaguem a história bíblica dos filhos de Israel e retratem os Sionistas judeus como uma sociedade tribal, voltada para o passado e inadequada para a vida no "mundo pluralista e interconectado" dos tempos atuais. [pág. 9].

Como é possível, você pode perguntar, que tanto a Igreja Anglicana e a Presbiteriana tratem a Palavra de Deus com tão pouco respeito? Se essa questão pudesse ser respondida satisfatoriamente, então talvez a mentalidade bizarra e a intensidade emocional do antissemitismo pudesse ser mais fácil de compreender.

O documento Zionism Unsettled está sendo recomendado como um "guia de estudo congregacional" para uso por milhões de presbiterianos, anglicanos, episcopais e membros de outras igrejas cristãs professas — todas as quais afirmam acreditar e defender a Palavra de Deus — porém ele está dedicado a um único propósito, a desconstrução de Israel. Em suas páginas, ele critica todos os que apoiam Israel, sejam cristãos ou judeus, rejeita ou ignora qualquer fato histórico documentado que possa confirmar a legitimidade de Israel, nega aos israelenses o direito de defender seu próprio território usando as armas e rejeita a veracidade do relato bíblico de sua história e destino profético. Todavia, eles querem que acreditemos que esse é um documento cristão!

A Igreja Presbiteriana afirma, por exemplo, que a Bíblia contém "textos que liberam" e "textos que oprimem", em que os últimos "expõem o triunfalismo, a xenofobia e o extermínio dos povos nativos..." [pág. 34]. Em resumo, ela também está confortável com a visão marcionista, pelo menos naquilo que ela faz avançar a assim-chamada agenda palestina, eliminando os "textos que oprimem". Incrivelmente, o documento até sugere que devemos ler o relato bíblico da conquista de Canaã por meio dos olhos dos cananeus e reconhecer que "o Deus dos israelitas parece sancionar a limpeza étnica, os crimes de guerra e crimes contra a humanidade". [pág. 35].

Deve ser aparente que até o leitor pouco atento que este documento não é apenas profundamente antissemita, mas também profundamente herético. Ele rejeita qualquer coisa na Bíblia que esteja em conflito com sua agenda política, mesmo que isso signifique acusar o Senhor Deus de "crimes de guerra e crimes contra a humanidade". Como o documento cinicamente observa, "a história é, como se diz, escrita pelos vitoriosos".

Entretanto, a história é também escrita na Terra, onde ela é muito mais difícil de manipular — veja as fotos a seguir. Elas mostram resíduos de enxofre encontrados próximo ao Mar Morto, similar àqueles que caíram na grande saraiva de fogo e enxofre sobre Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim. Como resultado da persistente impiedade, o Senhor Deus destruiu aquelas cidades e seus habitantes — dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças — em um único dia. As bolinhas de enxofre que ainda podem ser encontradas na região são, sem dúvida, uma relíquia daquele evento catastrófico.

De acordo com Ateek e os anti-sionistas, o Senhor Deus aparentemente não tinha o direito de executar aquele julgamento sumário sobre Sodoma e as cidades vizinhas. Exatamente como seus irmãos e irmãs no Movimento de Nova Era, eles acreditam que o deus deles é um deus de amor que nunca cometeria esse "crime contra a humanidade".

Sim, o Deus de Israel é um Deus de amor, mas o amor divino tolera a impiedade persistente somente por certo tempo. A heresia marcionista é muito aceita hoje por que permite que os homens acreditem que eles nunca serão responsabilizados diante de Deus por suas ações. Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim são lembretes históricos solenes que este absolutamente não é o caso!

A Rejeição da Profecia Bíblica

"Em vez de se envolver na obra de construção da sociedade como parte de dar ouvidos ao chamado de Cristo para compartilhar o Evangelho, essa cosmovisão pessimista incentiva os cristãos a se afastarem da sociedade, para prepararem o dia do julgamento." [pág. 45].

Esta seção do documento ataca a interpretação dispensacionalista da Bíblia, que diz que Deus está implementado Seu programa de redenção em etapas, ou em fases históricas, conhecidas como dispensações e que a dimensão profética de Sua revelação deve ser compreendida apropriadamente segundo esse princípio. Os cristãos. que adotam a interpretação direta e não-mística da profecia dos fim dos tempos reconhecem que esta época atual culminará, não em uma utopia criada pelo homem e governada pelos cristãos, mas em um período de sete anos de intensos distúrbios globais conhecido como Tribulação. Isto incluirá a guerra do Armagedom na terra de Israel e a derrota final do Anticristo.

A Igreja Presbiteriana dos EUA rejeita a interpretação literal da profecia bíblica e, no principal, imagina um futuro em que toda a humanidade eventualmente se converterá ao Cristianismo. Assim, a partir da perspectiva deles, os cristãos que aceitam que a Tribulação é inevitável estão presos em uma "cosmovisão pessimista" e desconectados dos problemas reais que afligem a sociedade moderna. Como tal, eles traíram o Evangelho e estão propagando um fatalismo que somente prejudicará a igreja.

Quando retratados nesta luz, os Sionistas cristãos devem ser vistos como um grupo marginal, tolo e iludido, que prega uma falsa versão de Cristianismo e que aumenta os problemas do mundo com o apoio que dão a Israel.

"Portanto, eles [os cristãos que se opõem ao sionismo] se envolvem na obra de justiça e paz, em vez de buscarem uma fuga da história e do arrasa-quarteirão final de Deus, a destruição de todos os incrédulos." [pág. 46].

A entonação desse excerto é bem típica da atitude geral aos sionistas cristãos presente em todo o documento. Eles são retratados como preconceituosos e de mente estreita, que tentam se esconder da realidade, que negligenciam a necessidade de promover a justica e a paz, e que se agarram à visão infantil do futuro em que todos os maus serão aniquilados de forma sobrenatural. A razão é por que essas pessoas iludidas até mesmo esperam uma 'segunda vinda' de Cristo. A mensagem é clara: o Sionismo cristão é perigoso e precisa ser confrontado.

Todos Possuem Israel

"O Novo Testamento... espiritualiza e universaliza as promessas de terra do Velho Testamento." [pág. 47].

Em adição à rejeição da profecia bíblica referente ao fim dos tempos, o documento rejeita a continuidade da validade das promessas feitas pelo Senhor Deus de Israel ao Seu povo escolhido. Essas promessas agora foram "espiritualizadas" e "universalizadas". Como resultado, elas foram "transformadas e abertas para toda a humanidade" [pág. 47]. Em efeito, os autores estão argumentando que a Terra Prometida agora pertence a toda a humanidade e que os israelenses não têm o direito de proclamá-la como sua própria terra.

Os marcionistas lidaram com passagens problemáticas no Velho Testamento rejeitando o Velho Testamento inteiramente, mas os modernistas escolhem, em vez disso, "espiritualizá-las" e modificar seu significado natural ou intencionado.

O documento também descaracteriza o Sionismo cristão e a posição dispensacionalista, alegando que esta ensina duas alianças, uma para a igreja e outra para Israel. Mas, este não é o caso. A igreja compartilha da mesma aliança que Deus fez com Israel, com a distinção fundamental que a igreja não é uma nação e, assim, não pode se apropriar dos aspectos relacionados com a terra da aliança.

Na seção intitulada "Que Diáspora?", o documento tenta afirma que, como nem todos os judeus que vivem longe de Israel querem se mudar para Israel, o conceito de uma Diáspora Judaica não é mais significativo. Mas, este é um argumento falso. Nem todos os irlandeses vivem na Irlanda, nem querem viver lá, mas isto não diminui de forma alguma a integridade da Irlanda como um Estado independente e soberano dentro da Lei Internacional. Isso também não impede o uso do termo Diáspora Irlandesa para referenciar os milhões de irlandeses que vivem fora da Irlanda.

Ao zombar da validade da Diáspora Judaica, o documento também contradiz a Bíblia, que em diversos lugares se refere à dispersão dos judeus pelos quatro cantos do mundo e ao retorno subsequente deles a Israel. A Escritura também diz que, depois que eles forem restaurados em sua própria terra, nunca mais serão desarraigados dela.

"E plantá-los-ei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o SENHOR teu Deus." [Amós 9:15].

As Atitudes Islâmicas em Relação aos Judeus e a Israel

Em um documento que consegue condensar múltiplas falácias ou imprecisões em praticamente cada página, a seção 8, intitulada "A Experiência de um Palestino Muçulmano com o Sionismo" pode bem estar em uma categoria própria.

Na antiga tradição da Taqiyya, que exorta os muçulmanos a enganarem seus inimigos para o bem do Islã — mesmo se isto significar negar os fatos históricos ou inventar novos fatos — a seção faz afirmações absurdas. Por exemplo, ela alega que os israelenses mataram "um número incontável de homens, mulheres e crianças palestinas" [pág. 49] durante a assim-chamada Nakba de 1947-48. Esta acusação é tão absurda que é impossível compreender como a Igreja Presbiteriana pôde achar adequado inclui-la em um documento que se propõe a oferecer uma perspectiva cristã confiável sobre o conflito árabe-israelense. Em seguida, ele passa a fazer um contraste entre aquilo que descreve como a "teologia inclusiva do Alcorão" e a "teologia exclusivista do Sionismo". Por exemplo, ele diz:

"O Alcorão insiste que os muçulmanos demonstrem o respeito especial de Deus pelos judeus e cristãos, por que Deus é revelado em todas essas três fés abraâmicas." [pág. 50].

Aqui, temos novamente a Taqiyya, falsidades descaradas sendo apresentadas como verdades bem-conhecidas. O Alcorão e a Suna na verdade dizem o contrário do que o documento afirma, exigindo que os judeus e os cristãos sejam forçados a se submeterem a um dos seguintes: (1) sujeição social perpétua como um Dhimmi, com a opressão, abuso e exploração econômica que isto envolve; (b) conversão forçada ao Islã; (c) exílio permanente, com a expropriação dos bens pessoais, ou (d) execução sumária. A Igreja Presbiteriana tentar passar isto como "respeito especial pelos judeus e cristãos".

O trecho também fala das fés abraâmicas. Existe somente uma fé abraâmica e esta é o Judaísmo-Cristianismo. O Islã não é abraâmico e não tem conexão alguma com o Judaísmo nem com o Cristianismo. Ao contrário, ele é uma tentativa de absorver e destruir ambas, dominando suas histórias, suas Escrituras e seus profetas e, via conversão forçada, exigir que os judeus e os cristãos se ajoelhem diante de Baal. O "deus" do Alcorão detesta o Senhor Deus de Israel e condena a crença na divindade de Jesus como shirk, a maior blasfêmia de todas.

A seção também ignora outro aspecto enganoso da hermenêutica do Alcorão, conhecida como ab-rogação. Isto anula os versos anteriores e menos opressivos do Alcorão, dando prioridade àqueles que foram escritos durante a parte final da vida de Maomé. Como esses versos posteriores (que estão espalhados por todo o Alcorão) expressam uma intolerância chocante em relação aos judeus e aos cristãos, eles estão por trás da atitude radical islâmica às outras religiões. O Islã não somente quer se apropriar da história, das Escrituas e dos profetas dos judeus, mas também quer tomar a terra deles e a cidade sagrada de Jerusalém.

Um Fato Profundamente Impalatável

Em uma seção intitulada "Pós-Escrito de um Cristão Palestino", escrito pelo clérigo anglicano Naim Ateek, é alegado que os cristãos sionistas apoiam Israel em parte por que eles acreditam que uma conflagração geral no Oriente Médio apressaria o "fim dos tempos" apocalípticos e o "retorno de Cristo". A seção também alega que os cristãos sionistas apoiam Israel por que a legitimação de Israel é o preço que os cristãos sentem que precisam pagar de modo a extinguir a culpa que sentem por causa do tratamento cruel que foi dado aos judeus ao longo da história.

Novamente, vemos uma cínica e má caracterização da posição do Sionismo cristão. Embora esses fatores possam se aplicar em uma pequena extensão, a razão básica e fundamental por que os cristãos apoiam Israel é por que é bíblico fazer isso. Este é um fato profundamente impalatável que críticos como Ateek não conseguem aceitar.

O Senhor Deus ama Jerusalém e a reservou para Seu Filho, que no tempo de Sua escolha, Ele enviará para governar pessoalmente sobre o remanescente salvo de Israel. Satanás detesta essa possibilidade — pois ela coroará a obra realizada no Calvário — e continuará a resistir a ela até o fim, por todos os meios possíveis.

Ateek também ataca aquilo que chama de "afirmação errônea que todos os judeus são descendentes raciais dos israelitas dos tempos bíblicos". [pág. 57]. Esta acusação amarga está sendo usada com frequência cada vez maior para solapar a reivindicação judaica à terra de Israel. Se a Teologia da Substituição não funcionar ("vocês não herdam as promessas, porque elas agora pertencem à igreja"), então outra versão da mesma técnica é usada ("vocês não herdam as promessas, porque não são judeus de verdade").

A vasta maioria das pessoas em Israel que afirmam serem judeus, tem indubitavelmente origem judaica e, como judeus, eles são judaicos no sentido bíblico pleno. Embora a Bíblia fale a respeito da "sinagoga de Satanás", "aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem" (Apocalipse 3:9), ela está se referindo a um grupo subversivo dentro da comunidade mundial de judeus que compartilha da aversão de Satanás pelos judeus. Várias profecias bíblicas deixam bem claro que a nação que retornar para a terra de Israel dos quatro cantos do mundo — para os quais foi espalhada em julgamento — será a nação para a qual as profecias e promessas se referem.

Ateek faz então uma declaração que tem sérias implicações:

"O leitor casual pode deixar de compreender a severidade destas acusações. Isto é o equivalente de declarar o Sionismo herético, uma doutrina que patrocina tanto a injustiça política quanto a teológica. Esta é a condenação mais forte que uma confissão cristã pode fazer contra qualquer doutrina que promova a morte, e não a vida." [pág. 57].

A hostilidade que está incorporada nessas palavras é claramente compartilhada pelos líderes da Igreja Presbiteriana nos EUA. Os Sionistas cristãos são heréticos, eles afirmam, e corretamente merecem "a mais forte condenação".

Peço que você faça uma pausa e pense sobre isto por um momento. Até este ponto, usando uma série de argumentos fajutos e distorções históricas, o documento condenou o Sionismo cristão como uma heresia e exigiu que os cristãos sionistas sejam "responsabilizados". Ele agora vai um passo além e classifica essa nova heresia como a variedade mais perigosa de ensino falso, isto é, uma "doutrina que promove a morte, e não a vida".

Como o repúdio à heresia precisa em algum estágio resultar em censura formal e punição salutar, podemos esperar que a Igreja Presbiteriana adote as medidas que forem necessárias para lidar com este problema. De fato, Ateek sugere que "a punição da exclusão seja assegurada" [pág. 58].

Dada a repercussão deste documento e a disposição da Igreja Presbiteriana de usá-lo como material de ensino, os sionistas cristãos provavelmente serão excluídos das igrejas protestantes liberais em um futuro próximo e condenados como uma seita.

A Igreja Presbiteriana já está apoiando uma campanha coercitiva que envolve boicote, remoção dos investimentos e sanções para punir Israel. Isto inclui o boicote de produtos fabricados em Israel, remoção dos investimentos (como participação acionária, etc.) de empresas vinculadas com Israel, e a imposição de sanções que inibam o comércio de produtos de fabricação israelense. Basta apenas um pequeno ajuste para estender essa campanha para as empresas que pertencem ou que empregam conhecidos sionistas cristãos.

A Igreja Presbiteriana dos EUA

Embora o documento seja verdadeiramente malicioso, um compêndio extraordinário de lixo antissemita, nossa procupação real é o grau em que uma igreja considerada cristã está disposta a se expor ao seu conteúdo e até mesmo recomendar seu uso como um "guia de estudo congregacional". A Igreja Presbiteriana virou suas costas para o verdadeiro Cristianismo. Ao fazer isso, ela não somente torceu a Palavra de Deus de inúmeras formas, de modo a seguir uma agenda política reprovável, mas se desviou para posiçoes que são claramente heréticas.

Se existem cristãos genuínos no rol de membros da Igreja Presbiteriana dos EUA, eles devem começar a ficar profundamente preocupados com aquilo que seus líderes denominacionais estão fazendo. O Senhor Deus considerará cada um de nós responsável por nossa conduta nesta questão.

Que futuro pode haver para uma igreja que blasfema o Senhor? A Igreja Presbiteriana dos EUA se alinha com Naim Ateek quando ele acusa o Deus de Israel de "crimes de guerra" contra as nações que viviam em Canaã. Os cristãos são cegos à malignidade que está em operação aqui? Eles se afastaram tanto da Santa Palavra de Deus que podem agora tolerar uma apostasia tão flagrante em seu meio?

Como a Bíblia adverte, a rebelião é como o pecado da feitiçaria. Todavia, temos hoje um número crescente de cristãos professos que são indiferentes à feitiçaria ou que praticamente não compreenden que este tipo de coisa existe.

Conclusão

Israel vive diariamente sob uma sentença de morte imposta pelas forças do Islã, que odeiam os judeus. Nenhum outro país no mundo enfrenta esse tipo de ameaça. Os inimigos de Israel já tentaram em diversas ocasiões desarraigá-lo do mapa e continuam a acumular recursos e os materiais necessários para alcançar esse objetivo. Eles já mostraram repetidas vezes uma clara disposição de sacrificar milhares, se não milhões, de seu próprio povo de modo a aniquilar Israel. Os infelizes "palestinos" foram selecionados pelos líderes mais altos do Islã como "bucha de canhão", ou um "escudo humano" neste conflito que está aumentando em intensidade. Para esses líderes, se milhares de árabes inocentes tiverem de ser sacrificados de modo a matar uma dezena de israelenses, então este é um preço que vale a pena pagar.

Os israelenses são apenas humanos, como as mesmas falhas e imperfeições que o restante da humanidade. Podemos orar pela paz de Jerusalém — como a Palavra de Deus nos orienta a fazer (Salmos 122) — sem necessariamente apoiar tudo o que eles fazem em sua própria defesa.

Também precisamos nos lembrar que os tumultos que vimos até aqui são somente uma minúscula fração do que ainda irá acontecer. Um grande número de judeus morrerá nesta fase final do terrível julgamento de Deus sobre Seu povo escolhido. Todavia, por causa de Sua graça imensurável e Sua misericórdia que dura para sempre, o remanescente justo sobreviverá e Israel triunfará sobre seus adversários.

Os sete anos da Tribulação serão diferentes de tudo aquilo que a humanidade já viu. As nações da Terra, aparentemente com poucas exceções, se unirão em sua condenação a Israel e conspirarão para destrui-lo. Isto poderá ocorrer logo após uma ação drástica por parte de Israel para impedir a ameaça de uma invasão árabe.

As nações que procurarem a destruição de Israel e de seu povo serão obrigadas pelo Senhor a beberem do mesmo cálice que elas forçaram os filhos de Israel a beber durante 2.000 anos. A dor e o sofrimento que os judeus tiveram de suportar durante todo esse tempo será compactado em meros sete anos e dado às nações, cada uma das quais será destruída:

"Tu não temas, servo meu, Jacó, diz o SENHOR, porque estou contigo; porque porei termo a todas as nações entre as quais te lancei; mas a ti não darei fim, mas castigar-te-ei com justiça, e não te darei de todo por inocente." [Jeremias 46:28].

Durante esses eventos cataclísmicos do fim dos tempos, o Senhor Deus de Israel vindicará Seu Santo Nome diante das nações do mundo:

"Assim diz o Senhor DEUS: Eis que levantarei a minha mão para os gentios, e ante os povos arvorarei a minha bandeira; então trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas sobre os ombros... E sustentarei os teus opressores com a sua própria carne, e com o seu próprio sangue se embriagarão, como com mosto; e toda a carne saberá que eu sou o SENHOR, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Forte de Jacó." [Isaías 49:22-26].

Sim, o povo escolhido de Deus sofrerá, mas emergirá vitorioso. Talvez no curso devido, eles possam até ver esses eventos como Deus os vê, um "breve momento" na eternidade que estará diante deles:

"Por um breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias te recolherei; com um pouco de ira escondi a minha face de ti por um momento; mas com benignidade eterna me compadecerei de ti, diz o SENHOR, o teu Redentor." [Isaías 54:7-8].

A população de Israel aumentará enormemente durante o Milênio, desse modo cumprindo uma profecia de Moisés, que por muito tempo foi negligenciada:

"O SENHOR Deus de vossos pais vos aumente, ainda mil vezes mais do que sois; e vos abençoe, como vos tem falado." [Deuteronômio 1:11].

Dado que o número total de israelitas no tempo em que essa profecia foi proferida era perto de 2 milhões, podemos esperar que a população mundial de judeus ao fim do período do Milênio alcance 2 bilhões, ou mais.

O Campo de Jeremias

Terminaremos com a humilde história do campo de Jeremias. Quando o profeta foi colocado em abjeta detenção pelo apóstata rei Zedequias, ele pediu que um parente próximo providenciasse para ele a aquisição de um campo em sua cidade natal de Anatote. O parente veio até a prisão com a escritura de venda da propriedade. Jeremias assinou a escritura na presença de testemunhas e pagou dezessete siclos de prata por um campo que ele próprio nunca viria a utilizar. Tendo predito durante várias décadas a destruição de Jerusalém, a não ser que a nação retornasse para Deus, ele agora estava deixando um testemunho para seu povo — sob a inspiração do Espírito Santo — que apesar da calamidade que iria cair sobre a Judeia, os judeus um dia retornariam para sua própria terra. Jeremias estava confiante que seus descendentes iriam, no tempo devido, herdar e usufruir o campo que ele tinha acabado de adquirir.

Hoje, por meio de seu apoio visível a Israel na profecia bíblica, os cristãos nascidos de novo são um testemunho vivo para os judeus — exatamente como a escritura do campo de Jeremias — que Deus mantém Suas promessas, que Ele é um Deus que guarda a aliança e que fará tudo o que disse que iria fazer, nos mínimos detalhes.

Nosso Deus, o Deus de Israel, é o Todo-Poderoso e Eterno Deus! Louvado seja Seu Santo Nome!



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 2/5/2015
Transferido para a área pública em 8/6/2017
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