Meroz, a Vila Que Foi Amaldiçoada pelo Anjo do Senhor — Uma Advertência a Respeito da Covardia Moral na Igreja

Autor: Jeremy James, Irlanda, 20/2/2019.

Alguém poderia pesquisar nos livros e sermões dos últimos 50 anos, procurando uma referência à pequena cidade de Meroz, sem encontrar nada. Mesmo se voltasse até o tempo de Spurgeon (segunda metade do século 19), as referências a Meroz seriam poucas e esparsas. Hoje, é duvidoso se um cristão em cada grupo de cem — talvez até mil — possa dizer o que foi Meroz ou por que é tão importante.

O apóstolo Paulo fala de uma mulher que deixou seu marido e se casou com outro homem (Romanos 7:1-3). Durante anos ela viveu em pecado, como uma adúltera. Então, um dia, sem qualquer ação de sua parte, ela deixou de ser adúltera. Ela não estava mais vivendo em pecado, embora seu segundo marido ainda estivesse vivo. O que aconteceu para produzir essa mudança drástica em sua condição espiritual? A resposta é simples: o primeiro marido dela tinha morrido.

Paulo estava usando o status conjugal mutável daquela mulher para ilustrar o modo como a graça nos libertou do domínio da lei. Mas, ele também estava mostrando como o pecado é uma condição duradoura e que precisa ser tratada. No dia em que se casou com outro homem, a mulher entrou em um estado de pecado. O ato propriamente ocorreu em somente um dia, porém o efeito — o pecado — continuou sem interrupção por muitos anos dali para frente, até que o primeiro marido dela morreu.

A Ruína Produzida pelo Pecado Não Confessado

Infelizmente, os cristãos hoje se preocupam pouco com o pecado e com seus efeitos duradouros. Se deixado sem ser confessado, o pecado continua a produzir um peso espiritual. Não podemos nos dar ao luxo de ignorá-lo, pois, caso contrário, ele irá arruinar nossas vidas de um modo que dificilmente compreendemos.

A Palavra de Deus traz o relato de uma fome que ocorreu em Israel durante o reinado de Davi. A fome continuou durante três anos, até o ponto em que Davi finalmente compreendeu que algum pecado não revelado deveria ter trazido aquela calamidade sobre Israel. Quando ele consultou ao Senhor, foi-lhe dito o seguinte: "É por causa de Saul e da sua casa sanguinária, porque matou os gibeonitas." [2 Samuel 21:1].

Os gibeonitas eram amorreus que foram poupados por um acordo feito por Josué e os príncipes de Israel, após terem sido enganados por eles. Os israelitas lhes deram sua palavra. Entretanto, Saul, em um dos seus muitos ataques de fúria, tentou exterminá-los. Ele provavelmente achou que os filhos de Israel não estavam vinculados a um juramento feito com um povo gentio, especialmente um acordo firmado por meio de um engodo. Mas, por meio da fome que veio sobre Israel, o Senhor estava mostrando que aquele acordo era válido e tinha de ser respeitado.

Davi teve de entregar sete homens da família de Saul para serem enforcados pelos gibeonitas, de modo a fazer retribuição pelo crime cometido por Saul.

Podemos ver neste exemplo como Davi teve de identificar e expor o pecado antes de poder tratar o problema. Hoje, a igreja tem muitos problemas. Infelizmente, ela tem também muitos pastores que não estão dispostos a identificar e expor o pecado que está causando esses problemas.

Houve um tempo em que uma igreja era vista como um local frequentado por pecadores, uma assembleia de pessoas que reconheciam a miséria de sua própria condição espiritual e que vinham diante de Deus para desnudar suas almas e cantar os louvores do maravilhoso Salvador, que os libertou.

Onde, onde estão estas igrejas hoje?

Isto nos traz de volta a Meroz, uma localidade mencionada somente em Juízes 5:

"Amaldiçoai a Meroz, diz o anjo do SENHOR, acremente amaldiçoai aos seus moradores; porquanto não vieram ao socorro do SENHOR, ao socorro do SENHOR com os valorosos." [Juízes 5:23].

Os residentes de Meroz tinham deixado de vir em auxílio ao exército, "os valorosos", reunido por Débora e Baraque, para derrotar as forças reunidas de Sísera. Situada perto do sítio junto ao rio Quisom, onde a grande batalha ocorreu, Meroz recusou-se a fornecer assistência militar. Em vez disso, seus cidadãos mantiveram-se neutros, esperando colher os benefícios se Israel vencesse, ou evitar qualquer represália por parte de Sísera, se Israel fosse derrotado.

O Anjo do Senhor

Embora essas palavras fatídicas tenham sido citadas por Débora em seu cântico de vitória, elas não são de origem humana. O anjo do Senhor é o Cristo pré-encarnado. Ele pessoalmente amaldiçoou a localidade de Meroz e todos seus habitantes pelo fato de não terem vindo em apoio a Israel. A maldição é repetida e pronunciada "acremente" por uma questão de ênfase.

Existem alguns versos na Bíblia que fazem esse tipo de repreensão humilhante. Uma maldição do céu certamente precisa ser considerada o pior destino possível que pode vir a cair sobre alguém. Ela é irreversível, final e devastadora. Aos olhos de Deus, os habitantes de Meroz tinham cometido um crime terrível. Todavia, aos seus próprios olhos, eles não tinham feito nada de errado.

A localidade de Meroz não é mencionada novamente na Bíblia, de modo que podemos concluir que a maldição entrou em efeito pouco tempo depois.

Se este fosse um incidente isolado, poderíamos estar justificados em pensar que havia circunstâncias envolvendo o caso e que não são mostradas no texto, que tornaram o crime muito pior do que ele parecia. Talvez tenha sido por isto que o Senhor condenou aquela localidade com tanta fúria?

Entretanto, sabemos que deixar de dar apoio a causa de Israel teve consequências fatais em outras ocasiões. Por exemplo, quando Gideão estava perseguindo as forças dos dois príncipes do midianitas, Zeba e Salmuna, ele buscou o suporte dos cidadãos de Sucote. Tudo o que ele pediu foi pão para alimentar seus homens famintos. Mas, eles se recusaram a ajudar. Enfurecido pela atitude deles, Gideão prometeu que, ao retornar — depois de derrotar Zeba e Salmuna — ele os puniria severamente: "Então disse Gideão: Pois quando o SENHOR der na minha mão a Zeba e a Salmuna, trilharei a vossa carne com os espinhos do deserto, e com os abrolhos." [Juízes 8:7].

Na próxima cidade pela qual ele passou, recebeu a mesma rejeição. Os anciãos de Penuel responderam a Gideão com a mesma repreensão que foi lançada em seu rosto em Sucote: "E dali subiu a Penuel, e falou-lhes da mesma maneira; e os homens de Penuel lhe responderam como os homens de Sucote lhe haviam respondido. Por isso também falou aos homens de Penuel, dizendo: Quando eu voltar em paz, derribarei esta torre." [Juízes 8:8-9].

No seu retorno da vitória sobre os midianitas, Gideão fez um morador de Sucote identificar os anciãos da cidade, setenta e sete no total, e fez exatamente como tinha prometido: "E tomou os anciãos daquela cidade, e os espinhos do deserto, e os abrolhos; e com eles ensinou aos homens de Sucote." [Juízes 8:16]. Os homens de Penuel receberam um tratamento ainda pior. Após terem tentado evitar a punição, refugiando-se na torre, Gideão derrubou a torre e matou a todos eles.

A mensagem é muito clara, não é? Deixar de tomar uma posição contra o mal, quando as circunstâncias exigem que façamos isso, provoca a ira de Deus. Quando Gideão destruiu um mal, os midianitas, ele então se virou e destruiu outro, um mal que até aquela hora estava oculto da vista.

Covardia Moral

Hoje, poderíamos descrever essa falha como covardia moral. Os cristãos precisam reconhecer isto por aquilo que é, pois isto está se propagando como uma praga por toda a igreja moderna. De fato, ela é tão flagrante em nossas igrejas hoje que, se continuar desimpedida, poderá introduzir a Religião do Mundo Unificado, fornecendo um atributo amplo e abrangente para unir todas as religiões!

O tratamento dispensado por Gideão não foi o trabalho de um homem, mas uma resposta compartilhada pelo povo de Israel ao mal em seu meio. Por exemplo, quando as tribos de Israel se uniram para lidar com o pecado de Gibeá, dando início a uma confrontação que quase erradicou a tribo de Benjamim, eles mais tarde descobriram que uma cidade não tinha participado do esforço militar. Não havia um único homem de Jabes-Gileade presente nas fileiras do exército. Assim, eles enviaram uma grande força militar para destruir completamente todos os homens, adultos e crianças, em Jabes-Gileade, e todas as mulheres que não fossem virgens. (Juízes 21:11-12).

A Palavra de Deus não deixa dúvidas que a covardia moral é um pecado mortal. Embora ela não envolva o cometimento de um ato ou obra, ou até uma blasfêmia por palavras da boca, ela é repugnante aos olhos de um Deus justo e santo. Ela é uma forma de traição, deixar de honrar o pai e a mãe, de apoiar a nação que nos criou e defender os valores que nos sustentaram.

A covardia moral também é uma forma de blasfêmia, não por palavra da boca, mas pela negação do nosso papel como sacerdotes de Deus e representantes aqui na Terra de Sua justiça e misericórdia. A covardia moral dá ampla oportunidade para os inimigos da verdade de blasfemarem do Senhor e zombarem da suficiência de Sua Palavra.

A Punição de Davi

Considere o caso de Davi. Ele planejou a morte de Urias de uma forma traiçoeira para que pudesse tomar legitimamente a mulher dele. A punição decretada pelo Senhor para essa obra ímpia incluiu a perda do filho recém-nascido daquela união com Bate-Seba. Aqui está como a Palavra de Deus explicou isto:

"Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do SENHOR blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá." [2 Samuel 12:14].

Aqueles que são cristãos há muitos anos, presbíteros e pastores que deixam de tomar posição contra o pecado em suas igrejas são culpados da mesma ofensa. Eles dão grande ocasião para os inimigos do Senhor blasfemarem.

Em seus próprios olhos, de forma muito parecida como os moradores de Meroz, eles não acreditam que fizeram alguma coisa que mereça condenação. No máximo, eles são fracos ou têm pouca convicção, mas certamente não são culpados de pecado. Mas, não é assim que o Senhor vê as coisas! Da forma como Ele vê, a culpa deles é grande, zomba de Sua Palavra, viola Seus mandamentos e traz má reputação sobre a igreja.

A maioria dos pastores e anciãos em nossas igrejas hoje está imersa nesta deliberada indiferença ao pecado e convencida além de toda dúvida que, embora a igreja deles não seja perfeita, ela certamente não está contaminada aos olhos do Senhor. Bem, eles precisam pensar novamente.

A Palavra de Deus é muito clara sobre tudo isto. Basta estudar a avaliação que o próprio Cristo fez das sete igrejas no livro do Apocalipse para compreender que Ele não julgará a igreja da forma como ela está hoje segundo os padrões humanos auto-indulgentes. Ao contrário, Ele a julgará por Seu próprio padrão imutável, aquele que é claramente apresentado em Sua Palavra. Ele não faz acepção de pessoas. Ele não levará em conta as incontáveis desculpas que os pastores e presbíteros usam hoje, as amplas e liberais interpretações de Suas palavras, que fazem com que elas não possuam efeito algum e fiquem destituídas de seus significados.

Uma Igreja Que Permanece Silenciosa...

Uma igreja que permanece silenciosa e deixa de condenar o aborto por aquilo que é, o homicídio de crianças inocentes nascituras, é uma igreja que poderia ser transplantada para Meroz. Uma igreja que permanece calada e deixa de condenar o comportamento homossexual e o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo é uma igreja que poderia ser transplantada para Sodoma. Além disso, uma igreja que permanece calada enquanto políticos ímpios promovem a feitiçaria, o humanismo, a perversãos dos gêneros, o relativismo moral e a Nova Ordem Mundial é uma igreja que poderia facilmente ser transplantada para Sucote ou para Penuel.

Lembre-se das palavras do Cristo pré-encarnado: "Amaldiçoai a Meroz... amaldiçoai-a acremente..." Estas palavras também são ditas para nós hoje.

Alguns assim chamados líderes cristãos ficarão indignados com isto. Na Época da Graça, eles dizem, a igreja não está presa a regras inflexíveis, em que aqueles que saem para fora do caminho reto e estreito precisam prestar contas. Realmente? Quando o pecado deixou de ser pecado? Quando os Dez Mandamentos tornaram-se dez modos de comportamento amplamente aceitáveis? Quando "Amaldiçoai a Meroz" tornou-se "Agora, nós poderíamos fazer um pouco melhor, não é mesmo?"

O próprio Cristo definiu o tom, para a época em que estamos agora. Duas vezes Ele discursou com grande veemência nas premissas do Templo, protestando em alta voz contra o modo como o Templo tinha sido profanado por interesses terreais. Ele derrubou as mesas e causou grande comoção; o zelo Dele pela verdade O consumiu.

Você vê isto hoje? ALGUMA VEZ você já ouviu um pastor pregar contra a hipocrisia que existe na igreja hoje? Já ouviu alguém que tenha chegado remotamente perto de expressar em termos claros e simples os horrendos efeitos do pecado, o dano terrível que ele produz quando apodrece sem ser confrontado, quando homens e mulheres — bem-intencionados, amorosos e gentis — redefinem o pecado para que ele signifique alguma outra coisa, algo que de alguma forma, Deus, em Sua misericórdia, será capaz de tolerar?

Não? Bem, infelizmente, eu também não. Mas todos nós precisamos ouvir isto! Além disso, precisamos ouvir "alta, prolongada e claramente". Mesmo quando sabemos e compreendemos muito bem, ainda assim precisamos OUVIR isto.

Infelizmente, poucos pastores e líderes parecem saber ou compreender isto. Na melhor das hipóteses, isto é apenas um conceito que aparece de tempos em tempo em seus sermões, mas o verdadeiro significado está perdido. As pessoas cujos corações estão repletos com covardia moral nunca condenarão o pecado por aquilo que ele é. Elas conhecem alguns homens elegantes que vivem como um casal casado. Elas conhecem uma mulher amável, a pessoa mais gentil que você poderia algum dia encontrar, que já fez um aborto. "— Como podemos nós julgá-los e condenar o pecado deles? Os corações deles estão repletos de amor." Bem, temos notícias para você. Os corações deles são enganosos, mais do que todas as coisas e profundamente perversos. Eles são tão corruptos aos olhos de Deus quando o resto de nós! Eles estão tão danificados pelo pecado quanto qualquer homem ou mulher que já caminhou sobre esta Terra. O pecado é pecado e estamos falhando com eles — e ferindo-os espiritualmente — quando fingimos que o pecado deles é, de algum modo, aceitável, desculpável ou normal. Estamos falhando com eles quando deixamos de chamar o pecado por seu nome apropriado e explicar, da melhor forma que pudermos, a misericórdia purificadora do sangue de Cristo. Estamos falhando com eles quando entramos dentro do véu deles de ilusão deliberada e fingimos que a moralidade deles, de criação humana, é aceitável diante de Deus. Por que não é.

O Que Deus Não Pode Fazer

Existem algumas poucas coisas que Deus não pode fazer. Ele não pode tolerar o pecado. Ele não pode voltar atrás em Sua Palavra. Ele não pode deixar de cumprir Suas promessas. Ele não pode mentir. E Ele não pode nos perdoar se não nos arrependermos.

Felizmente, há outra coisa que Deus não pode fazer: Ele não pode recusar Seu Filho quando Ele intercede por nós. Quando confessamos nossos pecados, Ele é fiel para perdoar. Ele pode fazer isso por que Jesus Cristo pagou o preço, a pena total, por nossos pecados. Ele pagou TUDO.

Mas, para recebermos o perdão, precisamos nos arrepender.

Várias décadas atrás a igreja parou de ensinar esta verdade fundamental. A igreja morna de Laodiceia virou as costas para o sangue de Cristo e caiu de amores por sua própria imagem refletida.

Devemos meditar nestas seguintes palavras, pois elas são proferidas em voz muito alta para nós hoje: "Amaldiçoai a Meroz... amaldiçoai-a acremente..."

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Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 24/2/2019
Transferido para a área pública em 16/7/2020
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/meroz.asp