Os Avanços Revolucionários na Engenharia Genética São um Sinal do Fim dos Tempos

Autor: Jeremy James, 9/12/2016.

Várias vezes na Palavra de Deus somos informados que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus:

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou." [Gênesis 1:26-27].

"Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Homem e mulher os criou; e os abençoou e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados. E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete." [Gênesis 5:1-3].

"Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem." [Gênesis 9:6].

A construção real de uma criança no ventre materno é descrita no Salmo 139. A partir de muitas passagens nas Escrituras, sabemos que somos vistos por Deus como indivíduos a partir do momento da nossa concepção. (Leia o ensaio intitulado "A Maldição do Aborto: Por Que a Elite Que Adora Baal Quer Matar Nossas Crianças?" para ver um exame dessas passagens.)

Isto significa que imediatamente após os gametas masculino e feminino se combinarem — quando o espermatozóide fertiliza o óvulo — um ser passa a existir à imagem e semelhança de Deus. Toda a estrutura desse ser, incluindo a composição de cada célula individual, é determinada em sua totalidade pelo nosso Criador.

Desde o início da humanidade, quando Deus criou Adão a partir do pó da terra, esse processo admirável já se repetiu bilhões de vezes e, em cada caso, o ser humano assim formado teve a imagem e semelhança de Deus. Isto é verdadeiro, independente se a criança foi concebida por meio de fertilização in vitro, ou se tinha sérias anormalidades genéticas que até colocam a vida em risco.

A Questão

A questão que desejamos tratar neste ensaio poderia parecer absurda cinquenta anos atrás, porém os avanços na tecnologia a tornaram central para nossa compreensão da profecia bíblica. A questão é a seguinte: Em que extensão o genoma humano pode ser modificado antes que o indivíduo não seja mais a imagem e semelhança de Deus?

Para compreender as ramificações desta questão, precisamos apreciar o tipo e extensão das modificações que as técnicas científicas modernas podem agora produzir no genoma humano. Na prática, estamos perguntando: Em que extensão o genoma humano pode ser modificado via reengenharia antes de deixar de ser humano?

Embora não possamos responder a esta questão, precisamos considerar suas implicações com muita atenção, pois sabemos em princípio que, se muitas modificações forem feitas ao genoma humano, então ele eventualmente deixará de ser humano. Ele pode ser similar ao humano em muitos aspectos, tanto quanto a ciência possa determinar, porém não será verdadeiramente humano aos olhos de Deus. Isto pode significar que ele não é mais feito ou constituído segundo a imagem e semelhança de Deus.

Sabemos que Satanás que destruir a obra de Deus. Até recentemente, a maioria dos eruditos bíblicos assumia — com certa razão — que Satanás pretende fazer isso principalmente por meio das doenças, da fome e das guerras. Mas, a engenharia genética agora oferece outro modo de "destruir" a humanidade, isto é, modificar o genoma humano para que a nova geração produzida dali para frente não mais seja humana no sentido bíblico.

Isto pode explicar por que a salvação será impossível para qualquer um que aceitar o sinal da besta (Apocalipse 13:16). Não há dúvida que, ao receberem o sinal, as pessoas ultrapassarão o ponto do não-retorno.

"E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome." [Apocalipse 14:11].

Não é inconcebível que o sinal da besta envolverá uma modificação genética que terá efeitos tão amplos que aqueles que o aceitarem deixarão de ser verdadeiramente humanos.

A Tecnologia

Vamos agora olhar para a tecnologia e ver exatamente o quão poderosa ela pode se tornar.

A estrutura do DNA foi identificada pela primeira vez em 1953, porém naquele tempo não foi possível modificá-lo de algum modo pré-determinado. Os cientistas puderam no máximo bombardeá-lo com radiação e produzir danos aleatórios em seus cromossomos. Trabalhando com células de plantas, por exemplo, eles conseguiram cultivar as variedades irradiadas e ver quais expressavam alguma mutação útil. Uvas vermelhas foram produzidas desse modo, além de certas variedades de cevada.

Naqueles casos, nenhuma informação foi adicionada ao genoma. Se uma mudança interessante foi produzida, isto foi totalmente devido a uma perda de informações, em que um gene específico foi danificado e não podia mais funcionar normalmente. Isto, por sua vez, afetava a altura da planta em sua maturidade, por exemplo, ou a cor de suas flores, mas a não ser que alguma nova informação fosse adicionada ao genoma, nenhuma modificação real era alcançada.

O DNA consiste de duas sequências (ou cadeias) longas e intercaladas de informações genéticas, a assim chamada hélice dobrada. As informações são codificadas em uma sequência não quebrada de apenas quatro componentes biológicos conhecidos como bases de nitrogênio — adenina, guanina, citosina e timina (normalmente designadas pelas suas iniciais A, G, C, T). Essas são as "letras" em que todas as informações genéticas são codificadas.

Grande Passo 1 — Enzimas de Restrição

O primeiro grande passo na engenharia genética ocorreu nos anos 1970s, quando os cientistas descobriram que proteínas chamadas enzimas de restrição poderiam clivar (ou cortar) uma sequência de DNA de um genoma. Essas enzimas eram extraídas a partir de certos tipos de bactéria e direcionadas a uma sequência específica de DNA, digamos, no genoma de um camundongo. Isto produzia uma alteração fundamental no genoma que de outra forma não ocorreria na natureza. Os filhotes do camundongo poderiam então ser monitorados durante várias gerações para ver quais impactos a alteração teria no metabolismo, no comportamento e no sistema imunológico deles. Um grande número de tentativas e erros ao longo de vários meses, até mesmo anos, poderia ser necessário para produzir um resultado de valor para fins de pesquisa.

Grande Passo 2 — PCR

O segundo grande passo ocorreu em 1983 com a descoberta de uma técnica admiravelmente eficaz para replicar os filamentos de DNA. Conhecida como uma reação em cadeia polimerase (PCR), ela gerava milhares de cópias da sequência do DNA que estava sendo usada para propósitos de pesquisa. É esta técnica que permite aos laboratóriso forenses gerarem DNA suficiente a partir de um minúsculo fragmento encontrado na cena de um crime para facilitar a análise química. Ela foi também uma grande dádiva para os geneticistas, pois permitia que vários membros de uma equipe de pesquisadores trabalhassem simultaneamente no mesmo filamento do DNA e compartilhassem suas descobertas.

Grande Passo 3 — Pesquisa com Células-Tronco

As células-tronco embrionárias humanas foram extraídas pela primeira vez e mantidas viáveis por pesquisadores no estado americano de Wisconsin, em 1998. Em um embrião em desenvolvimento, as células-tronco são capazes de se diferenciarem em células especializadas de diversos tipos. É assim que o corpo de uma criança, ou um embrião, se desenvolve no útero materno, com as células-tronco se dividindo e se especializando a cada etapa no processo de desenvolvimento para produzirem cada um dos órgãos internos, junto com os vasos sanguíneos, tecidos nervosos, a medula e assim por diante. Isto explica por que o sangue contido no cordão umbilical, após o nascimento, é extremamente rico em células-tronco. A capacidade de induzir essas células a se diferenciarem ou se especializarem de um determinado modo, sob as condições de um laboratório, está se tornando um instrumento de pesquisa imensamente poderoso.

As células-tronco adultas se diferenciam para regenerar somente o órgão ou tecido em que estão localizadas. Coletadas da medula espinhal, outra rica fonte de células-tronco, elas estão sendo usadas no tratamento de diversas doenças crônicas, incluindo leucemia e cirrose hepática.

A pesquisa com células-tronco humanas tem gerado muita controvérsia, pois permite a criação de quimeras, isto é, organismos formados de células humanas e animais. Por esta razão, muitos países proíbem a produção de linhagens de células-tronco embrionárias.

Grande Passo 4 — Mapeamento do Genoma Humano

O próximo grande passo ocorreu com o Projeto Genoma Humano, que foi completado e publicado em 2003. O projeto mapeou todo o DNA — a sequência fixa de bases de nitrogênio (CGAT) — no genoma humano e permitiu que os cientistas adotassem uma abordagem mais estratégica para suas pesquisas. Por exemplo, eles poderiam agora fazer melhor uso das descobertas publicadas por outros cientistas que trabalham na mesma parte do genoma.

Grande Passo 5 — CRISPR

CRISPR foi similar ao Passo 1, pois envolveu a descoberta de uma enzima que poderia cortar filamentos de DNA — mas neste caso com extraordinária precisão. Isto também foi similar ao Passo 2, no sentido que oferecia um modo barato, eficaz e altamente eficiente de fazer algo que de outro modo consumiria um tempo imenso de pesquisa e enormes recursos. Além de tudo isto, ele grandemente amplificou as vantagens obtidas nos Passos 3 e 4, permitindo que os cientistas visassem qualquer parte do genoma humano e compartilhassem suas descobertas com uma audiência em âmbito mundial.

CRISPR também fez algo tão admirável que os cientistas inicialmente quase não puderam acreditar. Além de clivar (cortar) um filamento selecionado do DNA com grande precisão, a técnica podia também inserir um filamento selecionado substituto no intervalo. Na prática, a técnica funcionava como uma ferramenta de recortar e colar, para editar ou "recriar" o genoma de qualquer organismo.

Por exemplo, se um cientista quisesse obter uma melhor compreensão da função realizada por cada uma das sequências no fragmento do DNA mostrado abaixo, poderia literalmente movê-las de um ponto para outro usando CRISPR e inserir a sequência modificada nas células reprodutoras de um camundongo. Se as alterações fossem viáveis, a nova geração resultante seria uma expressão viva do genoma modificado.

Como Surgiu CRISPR?

CRISPR foi precedida por duas outras ferramentas de edição de genes, ambas as quais eram lentas, trabalhosas e caras de usar. A primeira foi descoberta em 2002, uma categoria de enzima conhecida como nuclease de dedo de zínco, que poderia apagar e substituir genes específicos. Isto foi seguido muito de perto por outra enzima de restrição técnica, chamada TALEN. Além do custo e complexidade, ambas as técnicas requeriam uma ampla familiaridade com o genoma do organismo em estudo. Na prática, isto significava que descobertas úteis a partir dessas técnicas vieram principalmente a partir da pesquisa sobre assuntos tradicionais, como camundongos, mosca da fruta, peixe-zebra e um nematóide chamado de C elegans.

Um passo notável no desenvolvimento de CRISPR foi dado por volta de 2005, quando uma equipe de cientistas que trabalhava em um fabricante de iogurtes no estado americano de Wisconsin estava tentando encontrar uma cultura de bactérias que fosse mais resistente aos vírus. Culturas inteiras da bactéria que eram necessárias para converter leite em iogurte poderiam ser perdidas se fossem atacadas por uma nova cepa de vírus devorador de bactérias. Portanto, eles planejaram uma experiência simples em que infectavam uma importante variedade de bactérias da fermentação do leite com duas cepas de um vírus assassino. Os vírus matavam a maior parte das bactérias, porém algumas sobreviviam. Como todas as bactérias tinham inicialmente a mesma sequência de DNA e como as descendentes delas também eram resistentes, as sobreviventes deveriam ter alterado com sucesso seu DNA de algum modo.

Quando a equipe de pesquisa examinou a estrutura genética da cepa resistente, descobriu que a estrutura tinha incorporado fragmentos de DNA do vírus assassino em seu próprio DNA. Eles realizaram experiências adicionais e descobriram que quando esses fragmentos de DNA viral foram removidos do DNA bacterial, a bactéria perdia sua resistência.

Um Admirável Processo Microbiológico Que Ocorre Naturalmente

A equipe de pesquisa não tinha inventado alguma coisa nova. Ao contrário, tinha encontrado por acaso um admirável processo microbiológico, as plenas implicações do qual não seriam reconhecidas até 2012, ou por volta disso, quando outras equipes de pesquisa também a descobriram. A bactéria, como a maioria dos organismos vivos, tem um sistema imunológico. Quando os vírus assassinos atacavam, algumas das bactérias conseguiam separar parte do DNA viral e incorporá-lo em seu próprio DNA. Como resultado, cada bactéria individual em uma cultura, que cresceu exclusivamente a partir desses sobreviventes, possuía agora um "retrato criminal" do inimigo. Isto lhes permitiria no futuro reconhecer e neutralizar um vírus assassino antes que ele tivesse tempo de destruir a cultura.

A palavra CRISPR é um acrônimo a partir de um termo descritivo, "Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats" (Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas). Isto se refere ao fragmento de DNA que a bactéria do iogurte recortava do vírus invasor e acrescentava ao seu próprio DNA. Os fragmentos são geralmente encontrados em agrupamentos, são regularmente espaçados, não são muito longos e são os mesmos quando lidos para frente ou para trás (exatamente como um palíndromo).

Os organismos multicelulares não podem passar adiante informações genéticas para seus descendentes desse modo, porque as células associadas com a reprodução não são afetadas pelas adaptações em seu sistema imunológico. Todavia, um organismo unicelular pode passar as informações adiante, pois o DNA que luta contra os vírus é o mesmo que é passado adiante em uma divisão celular, o método de replicação em um organismo unicelular.

Uma pesquisa adicional mostrou que a sequência de DNA inclui, perto da galeria dos "retratos criminais", um conjunto de genes que codificam para as enzimas cortadoras de vírus. No momento em que elas encontram um vírus que confere com um retrato criminal, elas o fatiam por meio de seu DNA.

A capacidade de recortar de certas enzimas foi a base para o Grande Passo 1. Todavia, uma equipe de pesquisadores na Universidade da Califórnia, em Berkeley, observou que, se a função de recorte em uma enzima CRISPR fosse guiada por um fragmento codificado no retrato criminal, então isto era em princípio programável. Se alguém substituísse o retrato criminal no DNA por um diferente fragmento de DNA — qualquer fragmento a partir de qualquer fonte — então o mecanismo CRISPR pesquisaria até que encontrasse uma ocorrência e a recortasse.

Usando esta técnica, fragmentos do DNA podem ser recortados de outras espécies e adicionados ao DNA de outra, independente se a fonte, ou o alvo, for uma planta, um peixe, um mamífero, um réptil, uma ave, um inseto, um fungo, uma bactéria ou um vírus.

Resultados Obtidos com CRISPR

Em apenas alguns poucos anos, CRISPR foi usada para reverter mutações que causam a cegueira, deter certos tipos de cânceres de se multiplicarem, tornar as células impérvidas ao vírus da AIDS, tornar o trigo imune a um determinado tipo de fungo comum, retardar o tempo de amadurecimento do tomate, alterar o DNA da fermentação para produzir etanol a partir de matéria vegetal e corrigir defeitos que causam anemia falciforme, distrofia muscular, talassemia-beta, hemofilia e fibrose cística. Com equipamento que custa apenas alguns milhares de dólares, CRISPR permite que um biólogo competente obtenha resultados que antigamente requeriam uma equipe de cientistas muitíssimos qualificados e experientes, e fazer tudo isto em somente uma fração do tempo.

Uma companhia não-lucrativa chamada Addgene foi fundada mais de uma década atrás para armazenar e distribuir dezenas de milhares de sequências genéticas criadas e prontas, incluindo praticamente todos os RNA-guias usados para editar genes com CRISPR. Cada vez que um laboratório faz uma descoberta útil, ele doa uma amostra para a Addgene e, desse modo, torna-a disponível para uso pela comunidade internacional de geneticistas.

CRISPR e Camundongos Geneticamente Modificados

Certos mamíferos, como camundongos, ratazanas e porcos são susceptíveis a doenças complexas que afetam o cérebro e o sistema imunológico. Eles contraem câncer, arterioesclerose, hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas. Isto os torna objetos incomumente bons para o estudo de doenças relacionadas nos seres humanos. Os camundongos são especialmente úteis, pois se reproduzem a cada três semanas, permitindo que os pesquisadores estudem várias gerações ao mesmo tempo.

Quando os cientistas originalmente começaram a editar DNA com CRISPR, eles tiveram de injetar tanto a enzima relevante — os pesquisadores mais frequentemente usam a enzima de corte Cas9 da bactéria comum nas infecções da garganta, Streptococcus pyogenes — e a prova do RNA necessária para guiá-la. Um laboratório no Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT) reduziu grandemente o trabalho envolvido implantando a enzima no embrião de um camundongo e tornando-o parte de seu genoma permanente. Toda vez que uma célula se dividia, a enzima relevante era levada para frente. Como a enzima para cortar o DNA estava agora presente em toda célula, os cientistas tiveram somente de adicionar o RNA-guia. Na verdade, várias guias puderam ser inseridas em uma só vez para produzir múltiplas mutações nos genes que eles desejavam estudar.

Este camundongo fácil-de-editar é apenas um exemplo do caminho que a pesquisa genética acelerou. Desenvolver um camundongo antes requeria dez anos, ou mais, de uma equipe de cientistas dedicados; agora uma só pessoa precisa de apenas quatro meses. Assim, CRISPR está agilizando o processo por meio do qual novas ferramentas estão sendo desenvolvidas.

CRISPR e a Pesquisa do Câncer

A estrutura genética do câncer que infecta um indivíduo é única para aquele indivíduo. No mesmo tipo de câncer, não existem dois casos geneticamente idênticos. Isto torna o tratamento difícil. Entretanto, a enorme queda no custo do sequenciamento de um genoma — mapear seu código genético — poderia possibilitar o desenvolvimento de um tratamento específico para cada indivíduo. Uma enzima CRISPR adequada e o RNA-guia feito sob medida poderiam ser desenvolvidos e injetados no tumor, para destruir seu DNA.

CRISPR e o Porco Transgênico

Os cientistas há muito tempo acreditam que os seres humanos podem aceitar transplantes de órgãos do porco, por causa de certas características bioquímicas comuns. Todavia, o DNA do porco tem um grande número de retrovírus que são prejudiciais ao ser humano. Um importante pesquisador identificou uma sequência genética comum para esses vírus e usou CRISPR para cortá-los — 62 no total. Depois, ele conseguiu misturar as células do porco com células humanas sem infectar estas últimas.

CRISPR e os Genes de Ímpeto

Quase todas as alterações genéticas na natureza são propagadas dentro de uma população via reprodução sexuada, em que metade dos genes no genoma de cada descendente imediato vem do pai e metade da mãe. Isto significa que sempre existe uma probabilidade de 50% de que uma alteração genética não será passada para a próxima geração. Entretanto, os cientistas já encontraram certos genes raros, que ocorrem naturalmente, que conseguem passar adiante em um taxa de sucesso muito mais alta. Por causa da capacidade deles de se propagarem de uma geração para a seguinte, eles são chamados de genes de impulsos. Eles estão sendo usados junto com CRISPR para garantir que mutações geradas por CRISPR sejam passadas rapidamente para uma população-alvo. Em pouco tempo, todo membro tem um gene modificado, mesmo se a população estiver amplamente dispersa — como uma espécie de mosquito ou um sapo das florestas tropicais.

Modificação da Linha Germinal Humana

Em 2015, as altamente respeitadas revistas científicas Nature e Science recusaram-se a publicar os resultados de uma experiência realizada na China em que embriões humanos inviáveis foram geneticamente modificados usando CRISPR para editar o gene que codifica a proteína globulina de fração beta. Mutações nesse gene fazem o corpo produzir uma forma anormal de hemoglobina, uma doença chamada de talassemia-beta. Os editores estavam preocupados que experiências desse tipo pudessem alterar o genoma humano (ou a linha germinal). Embora aparentemente não fosse possível na experiência chinesa, acreditava-se amplamente que até mesmo pesquisa rigidamente controlada poderia levar — talvez em curto período de tempo — a experiências que inadvertidamente alterariam a linha germinal.

Em um movimento relacionado em 2016, o governo britânico aprovou um teste clínico para inibir a transmissão das doenças mitocondriais nos seres humanos. O DNA na nossa mitocôndria — a organela produtora de energia nas nossas células — vem somente da nossa mãe e é completamente separada do DNA que codifica as outras funções no nosso corpo. O teste foi aprovado com base em que o DNA mitocrondrial está localizado fora do núcleo da célula, onde nosso DNA "principal" está armazenado. Assim, os cientistas estão convencidos que as modificações feitas para DNA mitcondrial — que será passado para as gerações futuras — não afetariam nosso DNA nuclear. As duas linhas germinais, eles alegam, premaneceriam completamente independentes.

Cientistas com Preocupações Éticas

Há muito tempo que a comunidade científica está preocupada que a engenharia genética possa levar, com o passar do tempo, a resultados catastróficos. Um grupo de importantes geneticistas realizou uma convenção em Asilomar, na Califórnia, em 1975, para avaliar os riscos e aprovar um protocolo de pesquisa para garantir que um desastre nunca viesse a ocorrer. Aqueles homens e mulheres estavam soando o alarme em um tempo em que a tecnologia de edição de genes ainda era muito primitiva, pelos padrões atuais.

Por alguma razão, não muitos cientistas hoje estão expressando preocupações similares. Com algumas notáveis exceções, como a professora Jennifer Doudna, que ajudou a desenvolver o sistema CRISPR, eles não parecem apreciar os riscos representados por essa tecnologia altamente avançada. Doudna foi a principal autora de uma carta publicada na revista Science (em 20 de março de 2015) que propôs uma moratória temporária na pesquisa de edição de genes. Junto com vários outros, ela também organizou uma conferência internacional sobre segurança e ética no campo da genética na Academia Nacional de Ciências, em Washington DC.

Em uma entrevista reveladora para a revista New Yorker (16 de novembro de 2015) ela citou uma anedota que resume as preocupações de muitos cientistas:

"— Eu nunca disse isto em público, mas mostrarei para você onde está minha psiquê. Tive um sonho recentemente em que um importante cientista e pesquisador veio me visitar e disse: '— Uma pessoa muito poderosa está aqui comigo e quer conhecê-la. Peço que explique para ela como esta tecnologia funciona.' Respondi: "— Claro, quem é?"

"Era Adolf Hitler. Fiquei horrorizada, mas fui até uma sala e ali estava Hitler. Ele tinha a cara de um porco e somente pude vê-lo de costas; ele estava fazendo anotações. Ele me disse: '— Quero compreender os usos e implicações desta incrível tecnologia." Acordei suando frio. Aquele sonho tem me apavorado e perseguido desde aquele dia."

Por outro lado, alguns importantes geneticistas argumentam que os riscos são exagerados e que um resultado indesejável sempre pode ser revertido. Um dos citados diz: "— Em meu laboratório, fazemos mutações o tempo todo e depois as revertemos."

Biopirataria

A nova tecnologia é tão simples — relativamente falando — que até mesmo amadores autodidatas estão tentando construir experiências de edição de genes. Ela é também relativamente barata, em comparação com outros ramos de pesquisa científica. Uma pessoa interessada e com formação de nível universitário em Biologia poderia adquirir o equipamento necessário por alguns milhares de dólares. Empresas como a Addgene forneceriam os RNA-guias, enzimas e os produtos químicos auxiliares necessários por algumas centenas de dólares. Mesmo que as primeiras tentativas não sejam bem-sucedidas, o custo de realizar novas tentativas seria mínimo, enquanto que os arquivos na Internet forneceriam acesso aos trabalhos científicos relevantes.

Essas pessoas, algumas vezes chamadas de biopiratas, já existem! Até aqui elas somente usaram CRISPR para criar novos itens, como uma bactéria colorida com as cores do arco-íris, ou uma nova cepa de fermentação para alterar o sabor da cerveja. Entretanto, a natureza trivial dessas alterações não deve nos cegar para o fato que um amador completo pode modificar de forma permanente a estrutura genética de um organismo vivo — e obter resultados que nunca poderiam aparecer na natureza.

Os defensores argumentariam que isto é feito o tempo todo por criadores de plantas e de animais, que selecionam certas características e cruzam os candidatos adequados para produzir um novo genoma. Esse argumento também é usado para defender o uso dos OMG (Organismos Geneticamente Modificados, mais frequentemente associados com os alimentos). Entretanto, este argumento é totalmente falso! A abrangência para misturar genes na natureza é bastante restrita. Embora muitas variações possam frequentemente ser alcançadas, apesar dessas restrições, os criadores e produtores não conseguem ir além desses limites naturais.

A engenharia genética via edição de genes desvia-se totalmente dessas restrições. A técnica CRISPR permite a seleção de qualquer fragmento de DNA — de qualquer origem — e inseri-lo na célula-alvo. Por exemplo, o gene que codifica a bio-luminescência em certas espécies de peixes poderia ser inserido no DNA de um tomate para fazê-lo brilhar no escuro. Nada desse tipo pode ocorrer na natureza.

Conclusão

Apresentamos informações suficientes para mostrar o quão poderosa esta tecnologia se tornou. As implicações para o futuro da humanidade são profundas. Nosso estudo da profecia bíblica certamente será deficiente se deixarmos de levar em conta esta ciência em rápida transformação.

Iniciaremos nossa avaliação com algumas curtas observações.

Primeiro, a conscientização do público geral com esta tecnologia é mínima. A grande mídia está fazendo muito pouco para informar o público a este respeito. Quando a tecnologia recebe alguma atenção, normalmente a ênfase é colocada nos benefícios potenciais no campo da medicina ou na produção de alimentos. Dado o fato que as descobertas recentes na bioengenharia, notavelmente CRISPR e manipulação de células-tronco, estão entre as mais admiráveis na história da ciência, a falta de discussão séria sobre o impacto delas na sociedade é simplesmente inexplicável.

Em segundo lugar, a comunidade científica é surpreendentemente entusiasta a respeito desses avanços revolucionários. Aqueles que sabem o suficiente para compreender os sérios riscos envolvidos parecem relutantes em falar sobre eles, provavelmente por causa do efeito adverso que esta atitude teria sobre suas carreiras. Uma proporção surpreendentemente alta de acadêmicos e pós-graduados em muitos campos, incluindo Evolução, Palenteologia, Astronomia e Climatologia — são obrigados a manterem suas dúvidas para si mesmos, se quiserem reter seus cargos, publicar trabalhos científicos, participar de simpósios, ou receber financiamento para novas pesquisas.

Em terceiro lugar, mesmo quando os pesquisadores estão preparados para falar abertamente sobre os riscos, eles minimizam muito a variedade e extensão deles. Virtualmente ninguém quer falar sobre "biopirataria" ou a possibilidade que a pesquisa experimental inter-espécies já esteja ocorrendo em laboratórios secretos, não apenas na China e na Coreia do Norte, mas também nos EUA e na Europa.

Em quarto lugar, não temos um relato independente e de terceiros de como esta tecnologia está sendo desenvolvida e usada. Os principais atores fornecem a maioria, se não todas, as informações que temos sobre suas atividades. Por causa disso, perguntas óbvias não estão sendo feitas. Por exemplo, quando o Grande Passo Número 1 foi dado, a comunidade internacional de cientistas que trabalha neste campo soube então que certas enzimas tinham a capacidade de clivar o DNA. Isso deveria ter estimulado imediatamente pesquisa adicional para determinar se outras enzimas poderiam alcançar resultados ainda melhores. Afinal, o Grande Passo Número 5 (CRISPR) inclui a identificação de apenas dois elementos — uma melhor enzima de clivagem de genes e o mecanismo RNA-guia que levava a enzima ao fragmento correto do código. Nada foi inventado. Nada foi projetado. Nenhuma nova teoria ou paradigma foi necessário. Os dois elementos já estavam presentes na natureza, aguardando para serem descobertos. Somos solicitados a acreditar que isto requereu os melhores cérebros na área para encontrar essa nova e mais precisa enzima de clivagem dos genes. Ao revés, é muito mais provável que esta tecnologia esteja sendo explorada em laboratórios clandestinos há várias décadas e que uma multiplicidade de quimeras e híbridos experimentais já tenham sido produzidos.

Quando o Senhor se revela à humanidade, Ele faz isso por meio de Sua Palavra. Ele se refere repetidamente ao fato indisputável que todas as coisas foram feitas por Ele. Ele somente é o Criador. Ele criou, não apenas os céus e a Terra, mas "tudo o que neles há" [Êxodo 20:11) e Atos 4:24). A partir disso, sabemos que Ele espera que todos os seres e organismos vivos retenham a forma que Ele lhes deu.

Esta interpretação é consistente com o termo "segundo a sua espécie", que aparece 12 vezes nos primeiros sete capítulos do Gênesis. Toda criatura na Criação tinha uma "espécie", ou categoria, que era singular para si mesma. Isto sugeriria que ela possuía um genótipo básico, além do qual ela nunca se desviaria, independente de quão frequentemente ela cruzasse com outros membros da mesma espécie.

Cada genótipo, por sua vez, tem um intervalo imenso de expressão. Podemos ver isto nas espécies que o homem cruzou mais do que qualquer outra, isto é, os cães. Apesar das incríveis variações em tamanho, forma, pelo, temperamento e comportamento, eles são todos membros de apenas uma espécie — canis. Entretanto, independente de quantas tentativas sejam feitas para fazer um cachorro cruzar com um gato, outra "espécie", isto não acontecerá.

A bioengenharia mudou tudo isto. Com CRISPR é possível "acasalar" um gato (felis silvestris) com um cachorro, tirando os genes extraídos do genoma de um e adicionando-os ao genoma de outro. A criatura resultante ainda pode ser considerada com um cachorro com "genes de gato" (ou um gato com "genes de cachorro"), mas ele claramente não mais se qualificará nem como um gato nem com um cachorro, se genes demais forem transferidos. Se versões masculina e feminina dessa criatura fossem criadas e lançadas na natureza, elas seriam uma nova espécie completamente nova, capaz de produzir descendência viável, exatamente como qualquer outra espécie.

Isto não é bíblico. Não é aquilo que Deus determinou. Além disso, é contrário a tudo o que Ele estabeleceu para o homem em Sua palavra.

Antes de Adão se rebelar, o Senhor lhe deu a tarefa de nomear os animais. Cada espécie veio até Adão, que então atribuiu um nome à espécie. Em toda a Bíblia, encontramos exemplos em que o nome de uma pessoa é uma expressão de sua natureza essencial. Assim, quando Adão recebeu a tarefa de nomear os animais, ele foi incumbido de avaliar as características, ou a natureza essencial, de cada espécie. Dali para frente, o nome permaneceria inalterado, exatamente como sua natureza essencial. Por meio desse exercício, Deus estava ensinando Adão que cada uma das espécies que Ele tinha criado tinha uma natureza fixa. Sabemos também, a partir da Sua Palavra, que tudo o que Deus criou era "bom" — uma expressão perfeita de Sua santa vontade. É impossível melhorar Suas obras.

Nesta tentativa de editar os genes, a ciência começou a seguir por um caminho muito perigoso. Ela rejeitou a ordem natural estabelecida por Deus e descaradamente arrogou para si mesma o direito de projetar novas espécies, ou fazer alterações salientes nas existentes.

Muitos afirmam que estão fazendo isto para o bem da humanidade, porém eles não têm um modo de saber o que é "bom" para humanidade. Além disso, eles têm somente uma compreensão infantil da genética e da microbiologia, um campo tão complexo que até mesmo os processos mais simples podem ter tremendas ramificações. Virtualmente toda a pesquisa genética nos últimos 40 anos tem sido a de "vamos experimentar e ver o que acontece" — fazer uma modificação em algum lugar no código genético, depois ver como o organismo se desenvolve. A não ser que os efeitos de uma alteração específica já tenham sido analisados dentro do ambiente de um laboratório, é impossível prever o que acontecerá. Até mesmo processos que são bem compreendidos podem facilmente produzir resultados inesperados sob certas condições.

Mais do que qualquer outra atividade humana, a engenharia genética tem alta probabilidade de causar consequências não-intencionais.

Como tudo o que Deus fez no princípio foi perfeitamente planejado para dar suporte e alimentar a humanidade, qualquer desvio desse projeto terminará sendo deletério para nossa saúde, de uma forma ou de outra. É por isto que os alimentos geneticamente modificados, como a soja transgênica, são prejudiciais à saúde humana. Nosso sistema digestivo é formado por centenas de enzimas e componentes bioquímicos que precisam todos trabalhar harmoniosamente, de acordo com o projeto deles, definido por Deus, para contribuir para a boa saúde. Como o Organismo Geneticamente Modificado — por definição — se afasta desse projeto, ele claramente não cumpre mais esse elevado padrão. À medida que o consumo dos alimentos transgênicos aumentar, a carga sob nosso sistema digestivo se tornará cada vez maior. Isto resultará, com o passar do tempo, em distúrbios digestivos que poderão não ser fáceis de diagnosticar, mas que afetarão adversamente a saúde e bem-estar de toda a população.

A ratazana enorme mostrada aqui não foi criada por engenharia genética, mas se desenvolveu de forma natural, presumivelemente a partir de níveis elevados do hormônio do crescimento. Com a engenharia genética, todas as ratazanas nas nossas cidades poderiam crescer até esse tamanho, ou até maior! Basta que um técnico de laboratório qualificado, porém insatisfeito com seu empregador, aplique CRISPR para este fim e liberte algumas dezenas de versões geneticamente modificadas em um canal de esgoto. Depois de alguns anos, a cidade — ou todas as cidades que o técnico decidisse alvejar — estariam com uma grave infestação nociva e um sério problema de saúde pública. Se o técnico também desativasse os genes que limitam a agressividade, essas criaturas que se multiplicam rapidamente poderiam tornar grandes partes de nossas cidades inabitáveis.

A abrangência para uso malicioso desta tecnologia é quase infinita. Por exemplo, CRISPR torna possível dividir um vírus potente da gripe — como a gripe aviária, H5N1 — em um vírus de infecção de garganta, como o streptococcus, que já se alastrou amplamente por toda a população humana e é muito contagioso. Existem milhares de pessoas no mundo hoje com o conhecimento técnico, as instalações e equipamentos para fazer isto. A pandemia resultante poderia matar centenas de milhões de pessoas em todo o mundo.

Uma Advertência Bíblica

A Palavra de Deus nos adverte a não interferirmos nestas questões:

"Não semearás a tua vinha com diferentes espécies de semente, para que não se degenere o fruto da semente que semeares, e a novidade da vinha." [Deuteronômio 22:9].

"Guardarás os meus estatutos; não permitirás que se ajuntem misturadamente os teus animais de diferentes espécies; no teu campo não semearás sementes diversas, e não vestirás roupa de diversos estofos misturados." [Levítico 19:19].

O livro do Apocalipse se refere às pandemias e fomes tão severas que uma grande parte da população mundial será erradicada. Essas pandemias e fomes poderão ser resultado, pelo menos em parte, de microorganismos geneticamente modificados. Com o advento de CRISPR, a tecnologia necessária para produzir esses organismos está agora amplamente disponível.

Embora existam muitos sinais que estamos nos aproximando rapidamente do fim dos tempos, o poder de CRISPR para contaminar o genoma humano e criar formas de vida potencialmente letais, com toda certeza deve estar entre os mais preocupantes.



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 13/12/2016
Transferido para a área pública em 2/12/2018
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/genes.asp