Queimadura em Lugar de Formosura: Uma Visão Bíblica do Holocausto

Autor: Jeremy James, 18/8/2017.

Em nossa condição caída, nossa mente humana afetada pelo pecado, se entregue inteiramente aos seus próprios planos e projetos, é incapaz de lidar com "este presente século mau" (Gálatas 1:4) e seu fluxo contínuo de informações enganosas.

Para aqueles que finalmente vêm a perceber que Satanás teceu uma tapeçaria fabulosa de mentiras para nos enganar, um problema totalmente novo se apresenta. Se a maior parte do que está sendo dito para nós, na mídia e em outros lugares, tem o objetivo de nos manter em servidão, então em que podemos confiar?

Este é um grande desafio que todos os que amam a Deus e que se esforçam fielmente para servi-Lo durante o breve tempo em que vivemos aqui neste mundo. Infelizmente, para aqueles que decidem questionar tudo, sem exceção, o desafio é intransponível e levará somente ao desastre.

Descartes tentou fazer isto. Ele se perguntou: "— Como posso ter certeza de alguma coisa?" Ele veio a acreditar que havia somente uma proposição que era absolutamente verdadeira — Cogito ergo sum — "Penso, logo existo". Este é o tipo de vã filosofia que os homens caídos produzem quando confiam em sua própria sabedoria. Eles se esquecem da Palavra de Deus, a voz perfeitamente confiável da Escritura, e praticam voos da imaginação que causam verdadeiro prejuízo espiritual, tanto para si mesmos quanto para os outros.

O mesmo ceticismo está afetando as mentes de muitos que estão hoje em busca da verdade. Eles se tornaram tão acostumados a questionar tudo, que muitos estão perdendo a compostura. Em vez de se firmarem na Palavra de Deus, eles confiam em sua própria sabedoria. Questões que somente podem ser resolvidas por meio de um exame atento dos fatos e um estudo cuidadoso da Palavra de Deus estão sendo decididos, em vez disso, com base em especulação e conjeturas. Os rumores se transformam em fatos, fontes de credibilidade são rejeitadas e teorias sem consistência estão tomando o lugar das explicações racionais.

Este é certamente o caso no estranho mundo da "Negação do Holocausto".

Como cristãos, precisamos examinar atenta e biblicamente este fenômeno, porque ele tem um impacto direto sobre nossa compreensão da profecia bíblica e dos eventos do fim dos tempos.

A Chave para Compreender o Holocausto

A chave para compreendermos o Holocausto pode ser encontrada em Mateus 23:39, que já citamos diversas vezes em ensaios anteriores:

"Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor."

Os cristãos realmente precisam estudar este verso! Cristo retornará fisicamente à Terra em alguma data não especificada no futuro para governar Seu Reino — toda a Terra — a partir de Seu trono em Jerusalém. Mas, Ele só retornará quando Seu povo o invocar e O reconhecer como seu rei! Isto é o que Jesus está a nos dizer. Até que os judeus, como uma nação, reconheçam que Ele, e somente Ele, é seu Messias e o herdeiro legítimo ao trono de Davi em Jerusalém, Ele continuará assentado à direita do Pai Celestial.

Quando disse isto, Jesus estava citando Salmos 118:26: "Bendito aquele que vem em nome do SENHOR; nós vos bendizemos desde a casa do SENHOR."

A multidão proclamou esta maravilhosa verdade durante Sua entrada triunfal — "E a multidão que ia adiante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosana ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!" [Mateus 21:9] — mas a nação como um todo deu um passo para trás. A multidão compreendeu e clamou estas solenes palavras, mas Israel absolutamente se recusou a fazer isto.

As palavras foram realmente solenes, a sentença de encerramento de Seu último discurso público. Como tal, elas foram as palavras finais dirigidas por Ele à nação de Israel, deste modo marcando o fim de Seu ministério público.

O apóstolo Paulo também se referiu a este evento espetacular, o arrependimento nacional que acionará o retorno de Cristo:

"Mas os seus sentidos foram endurecidos; porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do Velho Testamento, o qual foi por Cristo abolido; e até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará." [2 Coríntios 3:14-16].

A Palavra de Deus nos diz que eles somente farão esta oração nacional de contrição depois que a igreja — que consiste quase totalmente de gentios — estiver completa:

"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado." [Romanos 11:25].

Em toda sua história Israel se rebelou contra o Senhor e, como resultado direto disto, caiu muitas vezes nas mãos de seus inimigos. Sempre que Israel retornava outra vez ao Senhor em arrependimento, Ele enviava um líder, ou libertador, para redimi-los da destruição. O salvador final, a quem o Senhor enviará na iminência da destruição deles no fim dos tempos, será o próprio Messias.

"Porém se obstinaram, e se rebelaram contra ti, e lançaram a tua lei para trás das suas costas, e mataram os teus profetas, que protestavam contra eles, para que voltassem para ti; assim fizeram grandes abominações. Por isso os entregaste na mão dos seus adversários, que os angustiaram; mas no tempo de sua angústia, clamando a ti, desde os céus tu ouviste; e segundo a tua grande misericórdia lhes deste libertadores que os libertaram da mão de seus adversários." [Neemias 9:26-27].

Estas passagens das Escrituras explicam por que Satanás quer exterminar os judeus. Se eles cessassem de existir, então a Palavra de Deus seria anulada. Cristo disse que retornará somente quando eles O invocarem, porém não haverá possibilidade de essa condição ser cumprida se eles forem todos aniquilados.

Mesmo antes do Holocausto, Satanás tinha feito progresso excepcional com seu plano de destruir os judeus. Ele fez isso progressivamente, ao longo de vários séculos, atraindo-os mais e mais para longe da Palavra de Deus, até que, finalmente, consegui dividir o Judaísmo em três partes separadas.

Duas formas incrédulas de Judaísmo foram desenvolvidas durante os séculos 18 e 19, ambas na Alemanha. Foram elas o Judaísmo da Reforma e o Judaísmo Conservador. Hoje, a maioria dos judeus praticantes está afiliada a uma ou outra dessas duas. Elas são erroneamente descritas como "ramos" do Judaísmo, mas, como nenhuma das duas aceita que a Torá veio de Deus — que tem uma origem divina — nenhuma das duas cumpre o requisito básico da aliança feita no Sinai em 1446 AC. Os judeus religiosos, que continuam a reconhecer a origem divina da Torá, são categorizados depreciativamente até pelos judeus, como membros de um "ramo" antiquado e parado no tempo, conhecido como Judaísmo Ortodoxo.

Portanto, o próprio Judaísmo estava no meio de uma grande crise, muito tempo antes do Holocausto. Não há a menor dúvida que, sem essa fragmentação preliminar do Judaísmo, o Holocausto não teria ocorrido.

Essa fragmentação, por sua vez, requereu a sagaz exploração de uma ruptura anterior dentro do Judaísmo que pode ser rastreada até os dias de Neemias. Encarregado com a tarefa de reconstruir os muros de Jerusalém e transformá-la em uma cidade defensável, Neemias sofreu a oposição o tempo todo dos inimigos tradicionais de Judá, que eram liderados por Sambalate, o moabita, Tobias, o amonita, e Gesém, o árabe.

Muitos comentaristas, ao discutirem este evento, enfocam principalmente os inimigos que estão do lado de fora do muro. Eles certamente eram formidáveis, porém Neemias teve de lidar com um igualmente grave problema dentro da cidade, isto é, um grupo influente de nobres judeus, que estavam secretamente em comunicação com Tobias e tinham negócios com o inimigo.

"E percebi que não era Deus quem o enviara; mas esta profecia falou contra mim, porquanto Tobias e Sambalate o subornaram."

Incrivelmente, até mesmo o lider religioso de mais alto escalão estava trabalhando para o inimigo! Depois que os muros ficaram prontos e Neemias retornou à Babilônia, o sumo sacerdote revelou sua verdadeira afiliação, ao dar uma câmara no Templo para Tobias, para seu uso pessoal (veja Neemias 13:4-8).

Estas passagens da Escritura são imensamente importantes, pois retratam em termos surpreendentes uma condição que afeta o Judaísmo como uma praga desde o tempo de Moisés — que enfrentou a revolta de Coré — até o dia presente. O inimigo exterior pode ser formidável, mas grupos de traidores dentro das próprias fileiras podem infligir danos terríveis. Sempre houve judeus dentro do Judaísmo que secretamente desprezam a Torá e que estão dispostos a ajudar os inimigos do Judaísmo, frequentemente com tanta sagacidade que é muito difícil detectá-los. Até mesmo Neemias, um indivíduo com altíssimo discernimento, um homem reto que buscava continuamente a vontade de Deus, quase foi pego por Semaías, o respeitável ancião de quem ele buscou orientação.

Exatamente como no tempo de Neemias, existe hoje um grupo dentro do Judaísmo que, embora professem ser judeus e terem os melhores interesses do povo judeu em seus corações, secretamente desprezam o Judaísmo e que estão trabalhando para a Nova Ordem Mundial. Embora a Palavra de Deus tenha advertido sobre isto, há pouca conscientização geral da ameaça que isto representa, seja entre a comunidade judaica mundial, ou entre os cristãos bíblicos nascidos de novo. Investigaremos este tema em maiores detalhes em um ensaio futuro, se Deus permitir.

Negação do Holocausto e a Nova Ordem Mundial

Sob o disfarce de livre expressão, que alguns entendem como uma licença para fazer afirmações absurdas, ao mesmo tempo que desprezam todas as evidências em contrário, diversos auto-intitulados especialistas e acadêmicos argumentam que o Holocausto foi uma farsa judaica e que, se alguns judeus foram mortos pelos nazistas, os números são compatíveis com as mortes gerais entre os grupos étnicos sob condições de guerra.

A negação do Holocausto é parte da agenda da Nova Ordem Mundial — e somente se tornará pior. Isto implica que o Holocausto foi fabricado (ou extremamente exagerado) para ganhar a simpatia internacional para a criação da nação de Israel. Se foi exagerado, então Israel também foi fundado com base em uma mentira. Os inimigos de Israel na ONU e em outros lugares agora argumentam que o país precisa ser restringido e Jerusalém colocada sob controle internacional.

A negação do Holocausto não é simplesmente um ponto de vista! Ao contrário, é uma arma política poderosa direcionada diretamente contra o povo judeu. Embora seus aderentes tentem apresentá-la como um exercício acadêmico legítimo, ela se afasta de formas erráticas e imprevisíveis dos padrões aceitos da análise histórica. Quando olhamos para os indivíduos e organizações que estão por trás disto, descobrimos que a maioria é abertamente anti-semita. Eles vilificam o povo judeu e os condenam indiscriminadamente com a mesma aversão que tem caracterizado o anti-semitismo ao longo dos séculos.

Uma das afirmações mais provocadoras é que o número oficial de mortos é uma fabricação. Eles não aceitam que seis milhões de judeus pereceram em um programa de extermínio planejado e gerenciado pelos nazistas. Alguns aceitam um número muito menor, enquanto que a maioria nega que um programa desse tipo tenha alguma vez existido.

O próprio Holocausto deve ser visto em uma perspectiva mais ampla. Ele foi uma das várias manifestações de barbarismo patrocinadas pelo Estado que ocorreram no século 20. Aqueles que negam, gostam de insinuar que o governo alemão nunca teria perpetrado um crime chocante assim e que é absurdo sugerir que eles fariam isso. Os líderes nazistas, eles dizem, eram simplesmente tão civilizados quanto os líderes das demais nações. Eles não eram assassinos em massa que poderiam brutalmente matar milhões de civis inocentes.

Se isto fosse verdade, então como eles explicam as seguintes números horríveis? Estas são estimativas dos números de civis não-judeus (principalmente) e prisioneiros de guerra assassinados pelos nazistas durante a guerra. Nada disto poderia ser classificado como "dano colateral", ou seja, mortes causadas de forma não intencional pelas ações militares. As vítimas não eram combatentes, eram civis inocentes. Em cada caso, os nazistas acharam conveniente exterminar o grupo em questão por razões ideológicas:

Eles também mataram milhares de civis por toda a Europa em represálias, surras aleatórias, torturas destinadas a extrair informações e como um adendo para as ações realizadas contra as milícias de guerrilheiros e vários grupos de resistência.

Isto ultrapassa mais de 7 milhões. O total real pode estar perto de 10 milhões, como alguns historiadores acreditam. No horror da guerra os registros são perdidos. Os perpetradores também não têm desejo algum de deixar evidências de seus crimes. Os corpos são queimados ou enterrados em valas comuns, a documentação é destruída e as testemunhas silenciadas. Quem, por exemplo, ficou para falar pelos 200.000 ciganos assassinados pelos nazistas, reunir as evidências relevantes e "provar" que eles foram mortos pela máquina de matar nazista? Se céticos de coração frios se apresentassem e zombassem das afirmações deles, como os sobreviventes responderiam?

Os historiadores têm de coletar as evidências e gradualmente montar um quadro "antes" e "depois". Por necessidade, eles precisam fazer suposições, mas eventualmente chegam a um número, ou a um intervalo de estimativa, com o qual a maioria concorda.

Se os nazistas assassinaram pelo menos 7 milhões de civis não-judeus, então por que alguém deve achar que eles seriam incapazes de matar 6 milhões de civis judeus? Eles também eram vistos como inimigos do Reich, parasitas indesejados que exploravam o povo alemão. Se uma criança alemã deficiente estava na lista da SS para ser morta, podemos estar absolutamente certos que os judeus trapaceiros e embusteiros também estavam.

Genocídios no Século 20

Como um ato de genocídio, o Holocausto não foi singular. Os céticos se esquecem que várias atrocidades similares foram cometidas nos tempos modernos. A principal entre elas é o Holodomor, em que Stalin ordenou que seus homens de confiança viajassem por toda a Ucrânia e confiscassem toda a produção de grãos, junto com todos os suprimentos de alimentos estocados. Ele estava decidido a destruir os kulaks, os fazendeiros cujo padrão de vida estava acima do camponês mediano. Ele estava preocupado que eles poderiam em algum momento se opor aos seus planos, de modo que simplesmente os fez morrer de fome, junto com milhões de camponenses que não representavam ameaça alguma para ele.

A palavra Holodomor significa morte por fome, e isto é exatamente como Stalin alcançou seu propósito. Sem ter para aonde ir e sem qualquer possibilidade de ajuda do exterior, uma grande proporção da população sofreu uma morte lenta e terrível a partir de uma catástrofre criada pelo homem. No período de 1932-1933, estima-se que o programa de Stalin de morte pela fome matou entre 7 e 10 milhões de civis inocentes.

Mao fez algo similar na China, impondo reformas econômicas radicais que tiveram consequências devastadoras para milhões de camponeses empobrecidos. Conhecidas como "Grande Salto Para Frente", essas reformas causaram severa escassez de alimentos e fome generalizada em grande parte da China, entre 1959-1961. Embora as estimativas variem, os historiadores acreditam que mais de 20 milhões morreram de fome.

Por alguma razão, o assassinato por fome não é considerado um crime tão hediondo quanto o homicídio por execução. O genocídio armênio de 1915 teve elementos dos dois, em que cerca de dois milhões de armênios desalojados foram forçados pelas autoridades turcas a realizarem uma marcha exaustiva de várias centenas de quilômetros, sob condições muito severas. Sem alimentos, sem água, assediados continuamente pelas multidões violentas, os indefesos refugiados sucumbiram um a um. Antes de a jornada terminar, mais de um milhão de armênios tinha morrido.

Os homicídios em massa também foram realizados somente pela violência. Quando Lenin subiu ao poder na Rússia, em 1917, ele começou a eliminar seus opositores políticos, não apenas os líderes, mas o partido inteiro. Durante um período de cinco anos, ele supervisionou uma campanha de terror que envoveu o assassinato a sangue frio de várias centenas de milhares de cidadãos soviéticos.

Todas estas atrocidades ocorreram no século 20 e todas mostram exatamente o quão perigoso um regime tirânico pode ser. As mortes de milhões não significam nada para eles. Eles não sentem dores na consciência por usarem o homicídio em massa para alcançar um objetivo maior, seja econômico ou político. Eles estão mais do que dispostos a perverterem o aparato do Estado para eliminar seus próprios cidadãos e depois apontar para algum "bem maior" para justificar suas ações.

Dado que Hitler tinha durante anos acusado os judeus de serem parasitas degenerados e tinha criado a imagem que a existência continuada deles era uma ameaça intolerável para o bem-estar do povo alemão, não é nem um pouco surpreendente que ele também pervertesse o aparato do Estado e os eliminasse.

As Duas Fases do Holocausto

Aqueles que negam o Holocausto conseguiram estreitar os parâmetros do debate até o ponto em que a evidência que seria aceitável em qualquer tribunal é rejeitada como irrelevante, supérflua ou falsificada. É um triste fato que muitos que se apresentam para defender a historicidade do Holocausto permitiram que os fatos sejam manchados por pseudociência, acusações absurdas e teorizações vulgares. Ao fazerem isso, eles dão uma legitimidade aos negadores que a posição deles não possui.

É quase impossível querer argumentar com um indivíduo ranzinza. Infelizmente, os ranzinzas sagazmente se retrataram como historiadores pedantes e imparciais que somente estão interessados em estabelecer a verdade. Eles professam fazer as "perguntas difíceis" e descobrir o que "realmente" aconteceu. Eles professam oferecer um ponto de vista "alternativo", quando, na realidade, o principal objetivo deles é desacreditar o trabalho de historiadores genuínos, trivializar qualquer coisa que esteja em conflito com o ponto de vista "alternativo" deles e enganar o público com uma massa de "fatos" que o público não está inclinado a avaliar nem equipado para refutar. Como resultado, a negação do Holocausto cresceu muito nos anos recentes, com muitas pessoas, que de outra forma são sensatas, agora se perguntando se Hitler e os nazistas realmente mataram seis milhões de judeus.

Um dos fatos mais surpreendentes que os negadores conseguiram suprimir é que o Holocausto foi implementado em duas fases. Todos já ouviram falar das câmaras de gás, mas quantos já ouviram falar a respeito do Einsatzgruppen ou o que eles faziam?

Imediatamente após o início da Operação Barbarossa, a invasão da Rússia em 22 de junho de 1941, os nazistas deram início ao extermínio sistemático dos judeus que estavam atrás das linhas de frente. Este exercício em matança em massa era perpetrado por grupos móveis de uma milícia armada conhecida como Einsatzgruppen. Geralmente, essa milícia era composta por (a) membros da SS, (b) policiais, bombeiros e outros funcionários públicos municipais que eram velhos demais para servirem na Wehrmacht, e (c) antissemitas locais, que estavam mais do que dispostos a cercar os judeus para que eles fossem executados pelos nazistas. A palavra Einsatzgruppen normalmente significa uma força-tarefa, mas neste contexto deve ser compreendida com o significado de 'unidade móvel de matança'.

A Einsatzgruppen operava logo atrás do Exército alemão que avançava, percorrendo as cidades e aldeias devastadas, caçando os judeus atônitos de todas as idades e executando-os a sangue frio. Embora a Wehrmacht não participasse dessas matanças, dava o suporte logístico necessário. Estima-se que essas unidades móveis de matança assassinaram cerca de 1,3 milhão de judeus desarmados no curso da guerra. Uma de suas operações mais espetaculares ocorreu em Babi Yar, nas imediações de Kiev, na Ucrânia. Em apenas alguns poucos dias, eles cercaram e mataram mais de 33.000 judeus. Outra operação hedionda foi perpetrada na floresta de Rumbula, perto de Riga, na Letônia, em que 25.000 judeus foram assassinados.

Entre as muitos relatos perturbadores do Holocausto que apareceram nos anos recentes, talvez o mais desconcertante seja o de Christopher Browning, em seu livro, Ordinary Men (1992). Ele relata em detalhes arrepiantes as atividades do Batalhão de Polícia de Reserva 101, um grupo de "homens comuns", que eram membros de uma Einsatzgruppen na Polônia. Operando fora de Hamburgo, ela continha cerca de 500 policiais e homens que moravam na região de Hamburgo. A maioria tinha empregos típicos da classe trabalhadora, como estivadores, caminhoneiros, almoxarifes, operadores de máquinas, etc. Com uma idade média de 39 anos, em sua maioria eles eram considerados velhos para serem convocados pelo Exército, porém foram alistados para serviço de policial de reserva.

Quando uma falta de vagões e locomotivas em meados de 1942 causou uma interrupção no suprimento de vítimas judias para os campos de concentração em Belzec e Sobibor, diversos Einsatzgruppen foram chamados para realizar execuções por pelotão de fuzilamento na Polônia. O Einsatzgruppen 101 foi alocado para a vila de Jozefow, nas imediações de Lublin.

Este grupo nunca tinha realizado uma ação como esta antes. Na manhã em que a operação seria realizada eles receberam a informação que qualquer um que desejasse se desligar poderia fazer isto. Doze homens de retiraram. À medida que as horas passaram e o número de judeus mortos cresceu, mais homens pediram dispensa para não realizar as matanças. Browning estima que cerca de 20%, no máximo, pediram dispensa ao longo do dia. Isto significa que 80% de um grupo de "homens comuns", que nunca tinham matado ninguém a sangue frio antes, tinham, por sua própria vontade, participado de uma matança de um dia inteiro que liquidou 1.500 homens, mulheres e crianças judeus.

Todos já ouvimos a respeito da SS, o exército cuidadosamente selecionado de psicopatas que supervisionava os homicídios em massa de judeus em toda a Europa. Ouvimos a respeito da doutrinação ocultista que eles recebiam, seus sinistros rituais de iniciação e seus vis juramentos de sangue. Mas, os homem do Einsatzgroup 101 não eram treinados pela SS. Eles eram trabalhadores das prefeituras municipais, recrutados para trabalho "policial" de meio período em território ocupado pelos alemães. Havia pouco em seu histórico pessoal para indicar que eles seriam capazes de matar um civil desarmado a sangue frio, para não falar das criancinhas que choravam nos braços de suas mães.

A ação deles em Jozefow foi extensivamente documentada após a guerra. Muitos participantes no massacre fizeram um relato do que aconteceu e como o massacre foi organizado. Houve pouco nas declarações deles para indicar que os homens foram dirigidos por uma aversão aos judeus. Ao contrário, os judeus na aldeia de Jozefow foram retratados como "o inimigo" e esses homens comuns estavam simplesmente cumprindo seu dever. Embora eles pudessem ter pedido a dispensa, pelo menos 80% preferiu permanecer.

O massacre em Jozefow mostra exatamente o quão cruel era a máquina de guerra alemã, como conseguiu avançar pela Europa Oriental e exterminar milhões de civis inocentes, quer judeus ou não-judeus. Nenhum obstáculo moral pôde impedir seu avanço. Quando o império da lei é rompido, como acontece em tempos de guerra, séculos de tensões raciais são liberados. O horror resultante explodiu em uma escala que dificilmente podemos compreender, mesmo décadas após o evento.

O Einsatzgrup 101 passou a matar milhares de judeus em toda a Polônia ao longo do ano seguinte, ou pouco mais. Eles também cercaram muitos milhares mais e os enviaram para o campo de concentração de Treblinka. Como uma unidade policial oficial, o grupo enviava mensalmente relatórios para seus superiores da SS, dando-lhes os números de mortos ou deportados desde o relatório anterior. Muitos desses documentos ainda existem até hoje e são evidência chocante do modo frio e burocrático como milhões de judeus foram enviados para a matança.

Incluímos no Apêndice A um resumo dos números de mortos por este Einsatzgrup particular durante o ano aproximado de sua existência. Quando você considerar estes números, tenha em mente que este era apenas um dos muitos esquadrões da morte similares que estavam em operação em toda a extensão do território ocupado pelos alemães.

Também incluímos no Apêndice B diversos extratos a partir de um ensaio escrito pelo historiador Timothy Snyder, no The New York Review of Books, de março de 2011. Embora o ensaio estivesse dedicado principalmente a fazer uma comparação entre Hitler e Stalin, ele inclui diversas referências esclarecedoras a respeito da máquina de matar nazista e como ela operava. Snyder, junto vários outros historiadores modernos, estima o número total de mortes de judeus no Holocausto em perto de 6 milhões.

Os Campos de Extermínio

Os judeus da Europa foram mortos de diversas formas, incluindo pelotão de fuzilamento, surras nas ruas, fomes, marchas forçadas e morte por excesso de trabalho. Vários campos de concentração foram construídos especificamente para explorar os judeus como uma fonte de mão de obra escrava. Os nazistas colhiam duas vantagens disso, uma óbvia e outra não tão óbvia. Não somente a mão de obra escrava permitia que os nazistas realocassem a escassa mão de obra alemã para a Wehrmacht, mas permitia-lhes convencer os judeus que, se eles obedecessem a SS e fizessem aquilo que eram instruídos a fazer, seriam "reassentados" em campos de trabalho remotos e poderiam sobreviver.

Quando comitês judaicos locais foram instruídos pela SS que os judeus da cidade estavam sendo "reassentados no leste", eles quiseram acreditar que aquilo era verdade. Eles tinham ouvido rumores a respeito dos campos da morte da SS, mas praticamente não tinham evidências sólidas para confirmar a existência dos campos. Por outro lado, os nazistas necessitavam de muita mão de obra escrava, de modo que os líderes judeus concluíram, não sem certa lógica, que eles estavam provavelmente sendo "reassentados" para este propósito. Este engodo descarado foi levado adiante pelo uso de cartões postais, supostamente enviados do "leste" pelos judeus que já tinham sido "reassentados". Esses cartões postais pareciam confirmar que eles tinham chegado em segurança e que estavam sendo bem tratados. Usando truques deste tipo, os nazistas conseguiram esconder suas reais intenções, frequentemente até a hora final, quando suas vítimas entravam nas câmaras de gás.

Ao contrário da crença popular, Auschwitz foi construído originalmente como um campo de trabalhos forçados, não como um campo de extermínio. Ele era suplementado por uma rede de campos menores e usado para esse propósito durante toda a guerra. A ala de "extermínio", conhecida como Birkenau, somente foi acrescentada após a Operação Barbarossa, a invasão alemâ à Rússia, ter começado, quando o número geral que estavam marcados para extermínio se expandiu grandemente.

A primeira câmara de gás em Birkenau tornou-se operacional em março de 1942. Entretanto, vários outros campos de extermínio dedicados tornaram-se operacionais por volta da mesma época — em Majdanek (outubro de 1941), Chelmno (dezembro de 1941), Belzec (março de 1942), Sobibor (abril de 1942), e Treblinka (julho de 1942). Todos foram projetados especificamente para matar judeus e outros "degenerados" de uma forma sistemática — rápida, eficiente e secretamente. Todos os seis campos de extermínio estavam localizados na Polônia, longe do escrutínio do Ocidente em tempos de guerra.

O Alto Comando alemão não tinha intenção de ser implicado nestas matanças. Por exemplo, Treblinka operou por somente 15 meses e foi depois totalmente desmantelado. Apesar disso, durante aquele curto período, 700.000 vítimas morreram ali. Quando o transporte ferroviário chegava, os vagões de carga fechados eram abertos e esvaziados com terrível brutalidade. Depois de duas horas, ou pouco mais, todos tinham sido despidos, mortos nas câmaras de gás e enterrados em valas comuns. Um pequeno número de judeus, que tinham sido tirados de outros comboios, recebiam a tarefa repugnante de remover os corpos amontoados nas câmaras de gás e arrastá-los para fora, para serem enterrados. O campo ficava então preparado para receber e "processar" a próxima leva de prisioneiros que chegava nos trens.

Os judeus cativos que recebiam essa tarefa repugnante eram conhecidos como Sonderkommando, ou "esquadrão especial". O tamanho dessas unidades variava. Em Treblinka o Sonderkommando responsável pela remoção desses cadáveres das câmaras de gás era formado por cerca de 200 homens. Como esses infelizes judeus geralmente trabalhavam até a morte, em vez de serem executados, vários deles sobreviveram para contar o que tinha acontecido naqueles campos. Outros conseguiram escrever um breve relato de suas experiências e esconderam seus escritos em um lugar seguro, antes de serem mortos pela SS. A imagem a seguir é um extrato de uma lista mantida por um membro do Sonderkommando em Birkenau. O extrato apresenta o número de judeus mortos a cada dia durante outubro de 1944, indicando o número de homens, mulheres e crianças em cada caso, seus locais de origem e câmaras de gás usadas (Bierkenau tinha quatro).

Depois que os campos de extermínio foram fechados, outros "esquadrões especiais" foram formados para retornar aos locais de sepultamento em Treblinka e outros lugares e exumar os corpos, que foram então empilhados em imensas piras funerárias e então incinerados. Os nazistas não queriam deixar vestígios das pavorosas obras de suas mãos.

Como as cinzas produzidas eram ricas em minerais, os alemães as usavam como fertilizante. A SS não permitia que nada fosse desperdiçado. Além disso, as vítimas eram literalmente transformadas em alimento para o Reich, em uma estranha forma de canibalismo — eles provavelmente queriam que a dimensão ocultista de seus crimes fosse intensificada deste modo.

Julgamento Predito

Nada disto aconteceu no vácuo. O Senhor Deus de toda a criação tinha feito uma aliança com os judeus em 1446 AC. Ao entrarem nessa aliança, eles concordaram em receber as bênçãos que adviriam de seu relacionamento especial com Ele — "Não fez assim a nenhuma outra nação" [Salmos 147:20]. Em retorno, eles tinham somente de guardar Seus mandamentos, nenhum dos quais era pesado demais. O mandamento mais importante, aquele que o Senhor Deus enfatizou mais do que qualquer outro, era o primeiro. O mandamento requeria simplesmente que eles não adorassem outros deuses, somente o Senhor Deus.

Por incrível que pareça, eles se recusaram a cumprir isto. A Bíblia registra suas muitas violações históricas desse acordo solene. Ela também registra as penalidades, ou punições, que eles teriam de suportar após cada violação. Essas punições tornaram-se mais severas com cada transgressão. A nação teimosa e obstinada sobreu uma dolorosa invasão após a outra. Após um tempo, eles se arrependiam e o Senhor lhes enviava um libertador. Depois de um período de paz e prosperidade, eles novamente se voltavam para seus maus caminhos e buscavam mais uma vez outros "deuses". O Senhor, em Sua misericórida, enviava mais profetas durante esses períodos de adoração aos ídolos, exortando a nação rebelde ao arrependimento. Entretanto, em cada ocasião, a paciência de Deus, chegava a um fim e a catástrofe acontecia.

Os cristãos que querem compreender o Holocausto precisam realmente analisar Deuteronômio 28, onde o Senhor descreve em surpreendentes detalhes as punições que Seu povo escolhido teria de suportar se violasse Seus mandamentos, particularmente o primeiro: "E não te desviarás de todas as palavras que hoje te ordeno, nem para a direita nem para a esquerda, andando após outros deuses, para os servires." [Deuteronômio 28:14].

Citaremos apenas alguns dos versos no Capítulo 28. O capítulo inteiro deve ser estudado em sua totalidade para compreender a severidade sem contemporização do julgamento que caíria sobre os judeus se eles persistissem em sua desobediência e rebelião:

"O SENHOR mandará sobre ti a maldição; a confusão e a derrota em tudo em que puseres a mão para fazer; até que sejas destruído, e até que repentinamente pereças, por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me deixaste." [20].

"O SENHOR te fará cair diante dos teus inimigos; por um caminho sairás contra eles, e por sete caminhos fugirás de diante deles, e serás espalhado por todos os reinos da terra." [25].

"E serás por pasmo, por ditado, e por fábula, entre todos os povos a que o SENHOR te levará." [37].

"E todas estas maldições virão sobre ti, e te perseguirão, e te alcançarão, até que sejas destruído; porquanto não ouviste à voz do SENHOR teu Deus, para guardares os seus mandamentos, e os seus estatutos, que te tem ordenado." [45].

"Assim servirás aos teus inimigos, que o SENHOR enviará contra ti, com fome e com sede, e com nudez, e com falta de tudo; e sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te tenha destruído." [48].

"E nem ainda entre estas nações descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; porquanto o SENHOR ali te dará coração agitado, e desfalecimento de olhos, e desmaio da alma." [65].

"E a tua vida, como em suspenso, estará diante de ti; e estremecerás de noite e de dia, e não crerás na tua própria vida." [66].

"Pela manhã dirás: Ah! quem me dera ver a noite! E à tarde dirás: ah! quem me dera ver a manhã! pelo pasmo de teu coração, que sentirás, e pelo que verás com os teus olhos." [67].

É essencial compreender as solenes implicações que esses versos tiveram para o povo judeu. Toda a história deles é uma gráfica representação do julgamento divino. Somente podemos ficar assombrados com os castigos que eles tiveram de suportar. Verdadeiramente, os justos julgamentos de Deus podem ser terríveis.

Dizem que quando o transporte ferroviário chegava em alguns dos campos de concentração, as mulheres judias estavam tão ignorantes do que as esperavam que aplicavam batom e maquiagem antes de desembarcar. Esta pungente imagem é ecoada nos seguintes versos de Isaías, em que o horror que estava para acontecer pode ser visto em diversos detalhes chocantes:

"Diz ainda mais o SENHOR: Porquanto as filhas de Sião se exaltam, e andam com o pescoço erguido, lançando olhares impudentes; e quando andam, caminham afetadamente, fazendo um tilintar com os seus pés; portanto o SENHOR fará tinhoso o alto da cabeça das filhas de Sião, e o SENHOR porá a descoberto a sua nudez. Naquele dia tirará o SENHOR os ornamentos dos pés, e as toucas, e adornos em forma de lua, os pendentes, e os braceletes, as estolas, os gorros, e os ornamentos das pernas, e os cintos e as caixinhas de perfumes, e os brincos, os anéis, e as jóias do nariz, os vestidos de festa, e os mantos, e os xales, e as bolsas, os espelhos, e o linho finíssimo, e os turbantes, e os véus. E será que em lugar de perfume haverá mau cheiro; e por cinto uma corda; e em lugar de encrespadura de cabelos, calvície; e em lugar de veste luxuosa, pano de saco; e queimadura em lugar de formosura." [Isaías 3:16-24].

"O SENHOR fará tinhoso o alto da cabeça das filhas de Sião" — a humilhante infestação de piolhos entre aqueles que trabalhavam nos campos de trabalhos forçados. "O SENHOR porá a descoberto a sua nudez" — as mulheres judias tinham de se despir antes de serem levadas em massa para as câmaras de gás. "Adornos em forma de lua, os pendentes, braceletes, brincos, anéis, jóias do nariz..." — as jóias ocultistas e cabalistas usadas por muitas mulheres. "Em lugar de perfume haverá mau cheiro" — as condições terrivelmente insalubres nos campos. "Calvice" — a tosquia forçada dos cabelos das mulheres que entravam nos campos de trabalhos forçados. "Em lugar de veste luxuosa, pano de saco" — os internos nos campos de trabalhos forçados tinham de vestir uma roupa espessa, na forma de um pijama. "Queimadura em lugar de formosura" — o resultado final, doença, desinteria, fome, apodrecimento da carne, seguida pela morte na câmara de gás e a incineração dos cadáveres.

Considere também os seguintes versos proféticos de Ezequiel:

"E cingir-se-ão de sacos, e o terror os cobrirá; e sobre todos os rostos haverá vergonha, e sobre todas as suas cabeças, calva. A sua prata lançarão pelas ruas, e o seu ouro será removido; nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia do furor do SENHOR; eles não fartarão a sua alma, nem lhes encherão o estômago, porque isto foi o tropeço da sua iniquidade." [Ezequiel 7:18-19].

Pano de saco. Calvice. Horror. "E o seu ouro será removido". Os nazistas inspecionavam as bocas de todas as vítimas mortas, tanto homens quanto mulheres, e extraíam as restaurações feitas com ouro, que encontrassem. Exatamente como a Palavra de Deus tinha predito, o ouro deles foi removido.

Questões

Veremos agora três perguntas que mais comumente são feitas sobre o Holocausto.

1. Dada a alta proporção de historiadores judeus entre os eruditos e acadêmicos que escreveram sobre o Holocausto, como podemos ter certeza que as estatísticas deles são confiáveis?

Não há evidências que historiadores profissionais, quer judeus ou não, estejam em conluio, de modo a fazer o número oficial de mortos parecer mais alto do que realmente foi. Como as fontes precisam ser documentadas e as suposições usadas ao derivar as estimativas dos dados fragmentados tornadas explícitas, existe pouco espaço para a enganação. Um número muito grande de eruditos já examinou as várias categorias de evidências, da mesma forma que um tribunal de justiça faria. Padrões muito similares são usados para analisar e conferir as atrocidades, da mesma forma como é feito em um julgamento de homicídio, ao avaliar os motivos do acusado, as evidências recuperadas da cena do crime, os relatos das testemunhas oculares, as evidências forenses, a consistência dos testemunhos e as confissões.

Além das evidências diretas, o imenso peso de evidências circunstanciais precisa ser considerado. Os nazistas reuniram um enorme arquivo de registros relacionados com as populações judaicas dos territórios ocupados; confinaram suas vítimas em guetos para garantir que não pudessem escapar, até que os detalhes finais para a execução estivessem prontos; criaram escalas intrincadas de horários dos trens para facilitar o transporte eficiente de milhares de vítimas por dia pelas fronteiras internacionais; realizaram um programa intenso de doutrinação da população civil de modo a convencer o povo alemão que os judeus eram uma praga que tinha de ser eliminada; experimentaram diferentes métodos de matança em massa, etc. A evidência circunstancial sozinha já é muito forte.

Eles também exterminaram números enormes de outros "indesejáveis" e "degenerados". Este aspecto do programa nazista geralmente é ignorado e colocado de lado por aqueles que negam o Holocausto, pois mostra que a mania genocida que inflamava a alma nazista tinha consequências devastadoras para muitos outros grupos, não apenas os judeus. (Já citamos os números de pessoas que não eram judias e que foram mortas pelos nazistas.)

A alta proporção de sérvios étnicos entre o número de civis mortos é também verdadeiramente horrível. Os nazistas desprezavam os povos não arianos (da forma como eles definiam) e viam grande mérito em reduzi-los grandemente. Pela definição deles, poloneses, sérvios, ucranianos e russos eram todos racialmente inferiores e, sempre que eram vistos como uma possível ameaça para a expansão futura do Reich, eram simplesmente exterminados. É significativo que os nazistas mataram quase duas vezes mais civis não-judeus do que judeus.

Estimativas do número de judeus mortos no Holocausto

Esta é uma tabela comparativa baseada nas estimativas feitas por vários historiadores diferentes especializados neste campo de pesquisa.

País
Raul Hilberg (i)
Wolfgang Benz (ii)
Gerald Reitlinger (iii)
Yisrael Gutman & Robert Rozett (iv)
Polônia
3.000.000
2.700.000
2.350.000
2.900.000
União Soviética
900.000
2.100.000
700.000
1.211.00
Hungria
até 180.000
550.000
180.000
550.000
Romênia
270.000
211.000
200.000
271.000
Alemanha
até 120.000
160.000
160.000
134.000
Tchecoslováquia
260.000
143.000
233.000
146.000
Holanda
até 100.000
102.000
104.000
100.000
França
75.000
76.000
60.000
77.000
Áustria
mais de 50.000
65.000
60.000
50.000
Iugoslávia
60.000
60.000
58.000
56.000
Grécia
60.000
60.000
57.000
60.000
Bélgica
24.000
28.000
25.000
29.000
Itália
9.000
6.000
8.000
8.000
Luxemburgo
até 1.000
1.000
3.000
2.000
Noruega
até 1.000
até 1.000
até 1.000
até 1.000
         
TOTAL
5.110.000
6.263.000
4.199.000
5.595.000

Comentários: Tanto Hilberg e Reitlinger dão uma estimativa marcadamente inferior para a União Soviética do que fizeram Benz e Gutman/Rozett. A abertura dos arquivos durante a Glasnost deu aos historiadores acesso a documentos que apoiam uma estimativa maior. As disparidades nos números para a Hungria e Tchecoslováquia parecem ser devidas, pelo menos em parte, às dificuldades em determinar a região a partir de onde as vítimas se originavam. Quando os número para ambas as regiões são combinados, as disparidades são menores — (i) 440.000, (ii) 693.000, (iii) 413.000, e (iv) 696.000. Novamente, os historiadores posteriores chegaram a uma estimativa mais alta, após evidências recém-descobertas.

À luz de tudo isto, não é difícil ver como a máquina de matar nazista poderia ter eliminado 5-6 milhões de judeus. Eles eram vistos como degenerados, indesejáveis, parasitas, uma ameaça constante ao bem-estar do povo alemão e ao seu glorioso "Terceiro Reich". Se os nazistas puderam matar 70.000 (no mímino) de seu próprio povo, simplesmente por que eram deficientes físicos, então é fácil ver por que o extermínio dos judeus era uma parte necessária do plano deles.

Os próprios historiadores estão atentos à necessidade de calcular o número de mortos de uma maneira responsável e que possa ser conferida, com referência a todas as informações e fontes disponíveis. Assim, os próprios números estão sujeitos a revisão, à medida que evidências adicionais aparecerem e os historiadores de diferentes disciplinas tratam os problemas. O insigne historiador Martin Gilbert fez a seguinte observação em relação a isto:

"Existe uma literatura substancial sobre a Solução Final, grande parte publicada nos anos 1980s e, em grande parte, testemunho dos sobreviventes. Vários diários e crônicas do gueto foram encontrados e publicados, incluindo a massa de materiais reunidos no Gueto de Varsóvia pelo historiador Emanuel Ringelblum e seu círculo, todos os quais pereceram durante a guerra. Volumes adicionais das lembranças dos sobreviventes são publicados de tempos em tempos; cada um deles adiciona algo ao nosso conhecimento existente do destino de um número estimado de dez mil comunidades judaicas em toda a Europa, cujas vidas e cultura foram destruídas entre 1939 e 1945." [De The Oxford Companion to World War II, Oxford University Press, 1995.]

Em seu livro, Denying History (Negando a História), Michael Shermer e Alex Grobman examinaram em profundidade o caso da Negação do Holocausto e a motivação por trás dele.

Com relação ao testemunho do médico nazista, Dr. Wilhelm Hoettel, no primeiro julgamento de Nuremberg, em novembro de 1945, onde ele admitiu que os nazistas assassinaram cerca de seis milhões de judeus, eles dizem:

"Como cientistas históricos, percebemos que até declarações fortes como esta feita pelos perpetradores precisam ser corroboradas. O historiador alemão Wolfgang Benz, por exemplo, comenta sobre o problema de depender somente das confissões dos nazistas: 'Mas a pesquisa histórica não é dependente das confissões dos perpetradores. Fontes originais e inegáveis estão disponíveis para a pesquisa e cálculo da dimensão do genocídio, mas ainda existem dificuldades. Uma parte importante das ações de homicídio era secreta, coberta por expressões eufemistas, como Solução Final, e provas dos crimes tinham sido destruídas durante um último esforço do regime nacional socialista (nazista). Assim, nunca será possível citar um número absoluto que contabiliza todo ser humano, mas é possível posicionar a medida fora de qualquer especulação."

Benz descreve dois métodos de cálculo: "o método de estimativa direto, que soma o número de vítimas nos campos de concentração, campos de extermínio, por meio dos esquadrões da morte mais todos os materiais adicionais sobre pessoas assassinadas; e o método indireto de comparação estatística, embora exista uma falta de estatísticas úteis (principalmente nos países europeus orientais) e as fronteiras frequentemente modificadas torna alguns deles incomparáveis." Combinando os dois métodos e procurando uma convergência da evidência em um intervalo de valores versus o outro, podemos estimar os números com um alto grau de confiança.

Reitlinger, Hilberg, Gutman e Rozett derivam seus números por vários métodos, incluindo demografia populacional antes da guerra, o número reportado de transferências para os campos, o número reportado de assassinados, o número estimado de assassinados, o número libertado dos campos, o número de mortos em "ações especiais" pelos Einsatzgruppen e o número restante após a guerra. Hilberg acautela que "as margens de erro podem ser maiores do que parecem" e que "a exatidão é impossível". Mas, essas margens não são tão amplas que, por exemplo, seis milhões se tornariam seiscentos mil. De fato, o intervalo das estimativas é típico para dados científicos, necessários quando números foram estimados e não podem ser declarados com certeza. Nas ciências físicas e biológicas, por exemplo, as estimativas frequentemente incluem barras de erros para mostrar o intervalo de possível variância de erro, não diferentes daquelas que os cientistas sociais usam na coleta de dados. Em nosso exemplo, a variãncia de erro é de cerca de 8,5%. ou aproximadamente meio milhão. Além disso, a convergência da evidências nos fornece um alto grau de certeza que o número está perto de seis milhões.

Um método usado na compilação dessas estimativas é o método da "adição", que chega ao número de vítimas contando o número de mortos por (1) privação geral (fome e doenças), especialmente nos guetos; (2) tiros, especialmente pelos Einsatzgruppen e (3) prisão nos campos, especialmente nos campos de extermínio, como Auschwitz-Birkenau, Sobibor, Majdanek, Belzec e Treblinka. Temos dados volumosos sobre privação, pois os conselhos judaicos, bem como os próprios alemães mantinham estatísticas para o propósito de racionamento de alimentos e espaço. A RSHA mantinha registros detalhados das ações dos Einsatzgruppen, incluindo o número de vítimas e grande parte desse material ainda existe hoje. Também temos muitas listas de deportação para os campos, com a lista dos nomes — listas que eram algumas vezes compiladas para que a polícia de segurança pudesse ser adequadamente cobrada e paga. Trabalhando a partir da outra extremidade, o método da "subtração" usa demografias anteriores à guerra e subtrai as emigrações, os números que restaram nos campos no momento da libertação, e número dos que permaneceram nas áreas após a guerra para estimar o número de mortos. O método da "recapitulação" utiliza tanto os métodos de adição e subtração, verificando e comparando os números.

Eles continuam e passam a fazer referência aos importantes documentos nazistas que ajudaram consideravelmente a corroborar suas estimativas e metodologia geral, notavelmente um relatório de 16 páginas preparado pelo estatístico da SS, o Dr. Richard Korherr para Heinrich Himmler, datado de 23 de março de 1943. Este foi, na verdade, um relatório de progresso sobre a Solução final, e mostrava que 2.790.000 judeus tinham sido mortos por volta daquele tempo. Dado que a Solução Final prosseguiu por mais dois anos e foi seguida com grande vigor em todos os territórios ocupados, podemos esperar pelo menos um número de mortos similar, talvez até maior, durante o tempo restante.

2. Se os campos de extermínio foram totalmente destruídos, que razão temos para acreditar que eles realmente existiram?

Aqueles que negam o Holocausto fazem grande caso do fato que grande parte da infraestrutura usada pela SS para assassinar os judeus foi obliterada. Eles cinicamente fingem que os nazistas teriam deixado esse tipo de evidência intacto. Sabemos que até os mais ineptos homicidas tentarão remover as evidências que os conectariam à cena do crime. O Alto Comando alemão não queria que os vestígios dos campos de Treblinka, Sobibor, Belzec, Chelmno ou Majdanek fossem encontradas (embora Birkenau tenha sobrevivido). Como observamos anteriormente, eles até fizeram as valas comuns para sepultamento serem exumadas um ano mais tarde e os restos humanos serem incinerados. Os soldados da SS explodiram os edifícios dos campos e desmantelaram os aparatos incriminadores. Além disso, antes de deixarem os campos, a SS assassinava todos os membros sobreviventes dos Sonderkommando.

Entretanto, apesar de todo o zelo com que eles tentaram cobrir seus rastros, uma riqueza de evidências ainda sobreviveu. Isto incluiu as plantas arquitetõnicas de alguns dos campos, relatos dos poucos que tiveram a sorte de escapar, dados forenses extensos dentro e em torno do terreno de cada um dos campos, ruínas arquitetônicas, horários dos trens, relatos das testemunhas oculares, confissões de alguns dos perpetradores, evidências fotográficas e documentos escondidos por alguns dos Sonderkommando. Evidências adicionais apareceram durante os julgamentos de Nuremberg, o julgamento de Eichmann em 1962 e posteriores julgamentos de funcionários que trabalharam nos campos de extermínio. A tudo isto podemos adicionar a horrível quantidade de cabelo humano tosquiado das mulheres imediatamente antes de elas entrarem nas câmaras de gás e a enorme quantidade de sapatos velhos, óculos, malas de roupa, artigos de vestuário e outros artigos saqueados pela SS, evidências que ainda puderam ser encontradas em alguns dos campos na época em que eles foram libertados.

Entretanto, a evidência mais forte de todas é o número enorme de pessoas inocentes que foram transportadas para um campo de extermínio e que nunca retornaram. A maior parte dos judeus que sobreviveram à guerra tinha perdido toda sua família, inúmeros parentes e amigos, em alguns casos toda uma comunidade.

Os cínicos dizem com desprezo: "— Mas, mostre-nos as câmaras de gás!" A ignorância deles somente se iguala à sua insensível desconsideração pelas evidências. Uma câmara de gás é simplesmente uma sala ou quarto em que uma vítima é detida, sem poder escapar e no qual gases venenosos são então injetados. Qualquer sala ou quarto pode servir a este propósito. A SS não precisaria de tubos de gás Zyklon B. Em alguns campos de extermínio, eles usaram motores velhos de tanques russos. Esses tanques podiam produzir quantidades enormes de monóxido de carbono, o suficiente para preencher uma sala grande em menos de meia hora e matar todos que estivessem ali dentro. Os tubos Zyklon de ácido prússico (que libera ácido cianídrico) eram usados simplesmente para reduzir o ciclo de sufocamento para 15 minutos, ou menos. Eles também funcionavam todas as vezes, enquanto que os motores velhos às vezes quebravam, requerendo longos intervalos de parada para manutenção, prejudicando a rígida escala de horários que os campos precisavam cumprir.

"Pelo buraco da fechadura na porta era possível ver como aquelas pessoas que estavam mais perto dos tubos caíam mortas imediatamente. Quase um terço das vítimas morria instantaneamente. As demais começavam a se amontoar, a gritar e arfar, querendo respirar. Entretanto, em pouco tempo os gritos se transformavam em um chocoalhar da morte e depois de alguns minutos todos estavam caídos no chão. Depois de vinte minutos, no máximo, ninguém mais se mexia." — Rudolph Hoss, comandante de um campo de extermínio.

3. Por que a liderança judaica nos EUA fez tão pouco para ajudar os judeus europeus?

O terreno para a destruição dos judeus europeus foi preparado com anos de antecedência. A opinião pública foi envenenada de duas formas diferentes, uma voltada principalmente para os protestantes e a outra para os católicos. Durante os anos 1920, Henry Ford, uma das figuras empresariais mais bem conhecidas nos EUA, publicou uma diatribe antissemita, The Intenational Jew (O Judeu Internacional). O livro foi distribuído amplamente nos EUA na forma de quatro livretos e panfletos, todos com o propósito de denegrir os judeus e retratá-los como uma ameaça sinistra à sociedade.

O segundo grande programa de propaganda foi organizado pelos jesuítas e transmitido pelo rádio para todo o país. Charles Coughlan era filho de emigrantes irlandeses católicos e foi ordenado padre católico em Toronto, em 1916. Ele tinha um grande talento para a retórica de incitação das massas e, eventualmente, ganhou um programa de rádio que elogiava os supostos méritos do fascismo e denunciava os estratagemas e embustes dos judeus. O programa de rádio dele foi apresentado na maior parte da década de 1930 e, provavelmente, foi tão influente quanto The International Jew, de Henry Ford, em convencer o público americano que os judeus eram trapaceiros em quem não se podia confiar. A inflamada retórica anti-semita dele ajudou a abafar os relatos de perseguição aos judeus na Europa Oriental. Quando os rumores dos campos de extermínio nazistas começaram a atravessar o Atlântico, o público americano não estava inclinado a acreditar. Henry Ford e Charles Coughlan tinham feito um bom trabalho.

Coughlan, poderia ter sido tirado do ar a qualquer momento pelos jesuítas. Várias personalidades católicas proeminentes nos EUA expressaram indignação diante da vil retórica do padre Coughlan, porém ele recebeu a permissão de continuar.

Os judeus americanos estavam também em um estado de desorganização. Muitos deles eram imigrantes de primeira ou segunda geração da Europa Oriental, lutando para ganhar a vida em um país estranho, onde eles não eram universalmente bem-vindos. Somente uma pequena proporção era leal à Torá. Os demais eram membros de congregações do Judaísmo da Reforma ou do Judaísmo Conservador, que tendiam no geral a acreditar em tudo o que ouviam de seus superiores. Nâo havia um foro nacional naquele tempo, para dar coesão à opinião e preocupação dos judeus. Em vez disso, eles eram dependentes de um número pequeno de rabinos influentes, para liderança e direção, muitos dos quais não estavam inclinados a acreditar em relatos que os obrigariam a tomar uma ação urgente. Na verdade, há razão para acreditar que alguns líderes judeus muito influentes nos EUA se opuseram ativamente a qualquer tentativa de informar a comunidade judaica, ou o público americano em geral, a respeito da catástrofe (ou Shoah) que estava ocorrendo na Europa. Em seu excelente livro, Perfidy [1961], Ben Hecht diz que ele e outros judeus tentaram colocar um anúncio de página inteira no The New York Times e em outros jornais, em fevereiro de 1943, descrevendo uma aparentemente legítima proposta nazista de permitir que 70.000 judeus deixassem a Romênia, mediante o pagamento de um resgate de $50 por cabeça. Tendo obtido uma cópia do anúncio, o Congresso Judaico Americano, sob a liderança do rabino Stephen Wise, recusou-se a endossá-lo. A Agência Judaica em Londres apoiou esse posicionamento. Como resultado, foi negada ao público americano a oportunidade de considerar a existência e magnitude da matança na Europa oriental ou a viabilidade de uma intervenção.

Conclusão

Para aqueles que querem genuinamente aprender sobre o Holocausto e sua repulsiva realidade, uma vasta quantidade de informação está disponível, tanto on-line quanto nas livrarias. Para aqueles que não querem saber e preferem acreditar nas alegações de um pequeno número de céticos, bem, a decisão é deles.

Os cristãos nascidos de novo precisam dar a devida consideração a tudo o que a Palavra de Deus diz sobre os judeus e o papel futuro deles no Seu plano. Infelizmente, poucos fazem isto. Como resultado, eles também estão sendo cada vez mais seduzidos pelo chamado daqueles que detestam os judeus e que querem que eles sejam restringidos de algum modo pela comunidade internacional.

Sabemos, a partir da leitura do livro do Apocalipse, bem como inúmeras outras passagens em toda a Palavra de Deus, que os judeus, como uma nação, serão perseguidos e vilificados até o fim. O Maligno usará todos os truques e engodos em seu arsenal de mentiras para fazer todas as nações do mundo se voltarem contra eles, reunirem seus exércitos na planície do Armagedom e destrui-los completamente. Mas, você pode ter certeza de uma coisa — o remanescente justo sobreviverá e todos seus inimigos serão aniquilados. O Messias deles, Cristo Jesus, realizará a seguinte obra maravilhosa:

"Porque de Jerusalém sairá o restante, e do monte de Sião os que escaparem; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto." [Isaías 37:32].



Bibliografia



Apêndice A

Número de judeus alvejados ou enviados para extermínio pelo Einsatzgrup 101

Extraído do Apêndice do livro Ordinary Men, de Christopher R. Browning, e apresentados a seguir de forma resumida.



Apêndice B

Hitler x Stalin: Quem Matou Mais?

Autor: Timothy Snyder

The New York Review of Books, 10/3/2011.

Excerto

Hoje, após duas décadas de acesso aos arquivos da Europa Oriental e graças ao trabalho de estudiosos alemães, russos, israelenses e outros, podemos solucionar a questão dos números. O número total de não-combatentes mortos pelos alemães — cerca de 11 milhões — é aproximadamente aquilo que tínhamos pensado...

Até a Segunda Guerra Mundial, o regime de Stalin foi, de longe, o mais homicida dos dois. A Alemanha nazista começou a matar na escala soviética somente após o Pacto Molotov-Ribbentrop, no verão de 1939, e a invasão conjunta alemã-soviética à Polônia no mês de setembro. Cerca de 200.000 civis poloneses foram mortos entre 1939 e 1941, com cada regime sendo responsável por cerca de metade das mortes. Esse número inclui cerca de 50.000 cidadãos poloneses mortos a tiros pela polícia de segurança e por soldados alemães no outono de 1939, os 21.892 cidadãos poloneses mortos a tiros pela NKVD soviética, nos massacres de Katyn, no verão de 1940, e os 9.817 cidadãos poloneses mortos a tiros, em junho de 1941, em uma apressada operação da NKVD, após Hitler ter traído Stalin e a Alemanha atacar a URSS. Sob a cobertura da guerra e da ocupação da Polônia, o regime nazista também matou deficientes físicos e outros considerados inadequados em um programa de "eutanásia" de grande escala, que foi responsável por 200.000 mortes. Foi esta política que colocou a asfixia por monóxido de carbono como a técnica de matar preferencial...

Hitler chegou ao poder com a intenção de eliminar os judeus da Europa; a guerra no leste mostrou que isto poderia ser alcançado por matanças em massa. Poucas semanas depois do ataque da Alemanha (e seus aliados finlandeses, romenos, húngaros, italianos e outros) contra a URSS, os alemães, com ajuda local, estavam eliminando comunidades judaicas inteiras. Por volta de dezembro de 1941, quando parece que Hitler comunicou seu desejo que todos os judeus fossem assassinados, talvez um milhão de judeus já tinha morrido na União Soviética ocupada. A maioria tinha sido morta a tiros, já dentro das valas de sepultamento, mas milhares foram asfixiados em câmaras de gás móveis, instaladas em caminhões e ônibus. A partir de 1942, o monóxido de carbono foi usado nos campos de extermínio de Chelmno, Belzec, Sobibór e Treblinka para matar judeus poloneses e alguns outros judeus europeus. À medida que o Holocausto se propagou para o restante da Europa ocupada, outros judeus foram mortos nas câmaras de gás em Auschwitz-Birkenau, que usavam o gás cianeto de hidrogênio.

De modo geral, os alemães, com muita assistência local, mataram deliberadamente cerca de 5,4 milhões de judeus, cerca de 2,6 milhões a tiros e 2,8 milhões nas câmaras de gás (cerca de um milhão em Auschwitz, 780.863 em Treblinka, 434.508 em Belzec, cerca de 180.000 em Sobibor, 150.000 em Chelmno, 59.000 em Majdanek, e muitos dos restantes nas cãmaras móveis de gás na Sérvia e na União Soviética ocupadas). Mais algumas centenas de milhares de judeus morreram durante as deportações para os guetos, ou de fome ou de doenças nos guetos. Outros 300.000 judeus foram assassinados pela Romênia, uma aliada da Alemanha. A maioria das vítimas do Holocausto tinha sido cidadãos poloneses ou soviéticos antes da guerra (3,2 milhões e 1 milhão, respectivamente). Os alemães também mataram mais de cem mil ciganos.

No total, os alemães mataram deliberadamente cerca de 11 milhões de não-combatentes, um número que sobe para mais de 12 milhões, se as mortes previsíveis com as deportações, fomes e sentenças nos campos de concentração forem incluídos. Para os soviéticos durante o período de Stalin, os números análogos são aproximadamente 6 milhões e 9 milhões. Esses números, estão, é claro, sujeitos à revisão, mas é muito improvável que o consenso mudará outra vez de forma tão radical quanto aconteceu desde a abertura dos arquivos europeus orientais nos anos 1990s. Como os alemães mataram principalmente nas terras que mais tarde ficaram atrás da Cortina de Ferro, o acesso às fontes européias orientais tem sido quase tão importante para nossa compreensão da Alemanha Nazista quanto tem sido para pesquisar sobre a própria União Soviética. (O regime nazista matou aproximadamente 165.000 judeus alemães.)...

O Holocausto teve início quando os alemães provocaram pogroms (NT: chacinas perpetradas nas pequenas comunidades judaicas) em junho e julho de 1941, em que cerca de 24.000 judeus foram assassinados, nos territórios na Polônia anexada pelos soviéticos menos de dois anos antes. Os nazistas planejavam eliminar os judeus de qualquer forma, mas as matanças prévias perpetradas pela NKVD certamente tornaram mais fácil para os gentios locais justificarem sua própria participação nessas campanhas. Como já escrevi em Bloodlands: Europe Between Hitler and Stalin (2010), em que todas as grandes atrocidades nazistas e soviéticas são discutidas, mesmo durante a guerra alemã-soviética vemos episódios de cumplicidade beligerante, em que um lado matou mais por ter sido provocado, ou de alguma forma ajudado, pelo outro. Os alemães tomaram tantos prisioneiros de guerra soviéticos em parte por que Stalin ordenou que seus generais não recuassem. Os alemães mataram tantos civis a tiros por que os grupos de milicianos e guerrilheiros soviéticos deliberadamente provocavam as represálias. Os alemães mataram a tiros mais de cem mil civis em Varsóvia em 1944 após os soviéticos terem incentivado a população local a se rebelar, e depois se recusaram a ajudar.

Fonte: http://www.nybooks.com/articles/2011/03/10/hitler-vs-stalin-who-killed-more/.



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 22/10/2017
Transferido para a área pública em 1/4/2020
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/holocausto.asp