Os Erros Fatais na Teoria do Intervalo:

Por Que a Terra e os Céus Têm Aproximadamente Seis Mil Anos de Idade?

Autor: Jeremy James, janeiro/2016.

Um dos maiores desafios que os cristãos verdadeiros enfrentam hoje é a realidade alternativa de Satanás, uma descrição enganosa do universo que está em conflito com o relato bíblico.

Entre os aspectos mais significativos da realidade alternativa de Satanás está a crença que o universo tem bilhões de anos de idade e trilhões de quilômetros em extensão. Ambas as magnitudes são tão extremas que é simplesmente impossível visualizá-las em termos concretos. Por exemplo, um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou 9.460.536.207.068.016 quilômetros. Este número é tão grande que realmente não faz sentido. Até para os cientistas, ele é apenas uma abstração, sem aplicação significativa para o mundo que conhecemos ao nosso redor. O mesmo pode ser dito sobre essas estatísticas geológicas comumente usadas como "cem milhões de anos atrás". Isto também é simplesmente uma abstração vaga e estéril.

A Bíblia nos diz que Deus não demora mais do que o necessário para realizar Seu propósito:

"Ainda veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la." [Jeremias 1:11-12].

Como a amendoeira é a primeira árvore a florescer após o período do inverno, ela é usada para ilustrar diligência. Como o Senhor disse ao profeta: "Eu velo sobre a minha palavra, para cumpri-la."

Não há a mínima indicação em parte alguma das Escrituras que o Senhor requer bilhões de anos, ou trilhões de quilômetros, para realizar Seu plano para a humanidade. Ele criou o mundo para um propósito e não demorará mais do que for necessário para cumprir esse propósito. Devemos nos lembrar que o Senhor criou o mundo com o conhecimento que Seu Filho iria um dia governar a Terra como Rei dos Reis. É inconcebível que Ele requeresse que Seu Filho aguardasse a passagem de um período de tempo extraordinário para a conclusão de algo que, em Sua soberania, Ele poderia produzir em um período de tempo muito menor.

Os cristãos precisam pensar profundamente sobre estas questões. Um Deus soberano não desperdiça Seu tempo. Tudo a respeito da Criação nos diz que o Senhor fez tudo com a máxima precisão e economia. O mundo à nossa volta está repleto de exemplos maravilhosos disto!

O Que Ensina a Teoria do Intervalo?

A Teoria do Intervalo ensina que um período enorme de tempo transcorreu entre os eventos descritos nos dois primeiros versos de Gênesis:

"No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas." [Gênesis 1:1-2].

A teoria foi formulada no século 19 por Thomas Chalmers, um professor escocês de teologia, para tratar apenas um problema — como explicar de uma maneira escriturística a supostamente enorme expansão do tempo geológico (centenas de milhões de anos) que os cientistas estavam então propondo. A teoria foi em grande parte rejeitada como espúria, mas ganhou tração significativa quando Scofield a endossou em algumas notas de rodapé em sua Bíblia de Referência, de 1917.

Como muitas formas de especulação bíblica, uma aparentemente pequena mudança pode ter grandes implicações para nossa compreensão das Escrituras. Os teóricos do intervalo preenchem o "intervalo" com muitos, se não todos, dos seguintes elementos:

"No princípio criou Deus os céus e a terra." Em seguida, Ele criou os anjos, todos os quais foram obedientes por um tempo, antes que um grande número se rebelasse. Antes da rebelião, os anjos habitavam tanto os céus quanto a Terra, mas o conflito cósmico maciço resultante da rebelião deles causou danos imensos à Terra que o Senhor, em julgamento, enviou um dilúvio mundial e escureceu o universou, desligando o sol, a lua e as estrelas. "E a terra estava sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas."

De acordo com os teóricos do intervalo, quaisquer referências aos eventos em itálicos foram omitidos da Bíblia por que eles não tinham uma influência direta sobre o plano do Senhor para a redenção da humanidade.

Um número surpreendente de eruditos bíblicos altamente respeitados endossou alguma forma da Teoria do Intervalo, incluindo Merrill Unger, Vernon McGee e Arnold Fruchtenbaum. O propósito deste ensaio é mostrar que a Teoria do Intervalo é falsa e que fornece um terreno fértil para o erro, a ficção científica e heresia de Nova Era. Embora muitos cristãos não tenham ouvido falar da Teoria do Intervalo, eles estão estudando livros e usando materiais produzidos por líderes que creem firmemente em alguma versão da teoria. Como resultado, muitos cristãos professos hoje estão convencidos que a Terra tem bilhões de anos de idade. Além disso, eles erroneamente acreditam que essa visão extremamente alongada da história da Terra não está em conflito com as Escrituras.

Os Perigos Não Mencionados

Embora possa parecer para alguns como apenas uma questão de menor importância sobre semântica bíblica, a Teoria do Intervalo está, na verdade, carregada com confusão e perigos ocultos. Até mesmo seus apoiadores com mais discernimento subestimam a extensão em que ela abre a porta para o falso ensino e a especulação prejudicial.

Vamos assumir por um momento que a teoria seja correta. As seguintes são apenas algumas das interpretações bíblicas e ideias teológicas que surgem se um intervalo de duração não especificada for inserido entre o primeiro e o segundo versos de Gênesis 1:

1. Restauração não é criação.

A Teoria do Intervalo reduz o relato da Criação à uma obra secundária, mais adequadamente um ato de restauração do que de criação. Ao fazer isso, ela deprecia grandemente os seis dias da Criação, um período de tempo muito curto ao qual a Palavra de Deus atribui enorme significado. Ela também causa grande confusão. Por exemplo, as estrelas existiam antes de Gênesis 1:16? A lua existia durante o "intervalo"? Os teóricos do intervalo gostam de argumentar que as crateras na superfície da lua são remanescentes de uma grande guerra que alegadamente ocorreu durante o "intervalo", mas se a lua veio a existir no verso 1:1, o que Deus criou, fez ou restaurou no verso 1:16?

2. Trivializa o pecado

A Teoria do Intervalo trivializa o pecado. Como é impossível conceber um universo — "Criação" — sem formas biológicas de vida de algum tipo, então essas formas de vida precisam ter existido quando Deus criou os céus e a Terra inicialmente (em Gênesis 1:1). Em caso afirmativo, então a morte foi uma realidade antes da queda do homem. Como a Bíblia implica do início ao fim que a morte é o resultado do pecado e menciona esse fato explicitamente no livro de Romanos, então qualquer "teoria" que esteja em conflito com isto tem de ser falsa. Os defensores da Teoria do Intervalo parecem estar cegos para as horríveis consequências teológicas dessa teoria e sua complacente indiferença à terrível realidade do pecado.

3. Solapa a soberania de Deus.

A Teoria do Intervalo diminui gravemente a soberania de Deus. Em vez de apresentar Deus como o Criador, cuja vontade e palavra são finais, Deus é retratado como um ser cujas ações estão restringidas de certas formas por Sua própria criação. Se Ele somente pôde criar um ser à Sua própria imagem e semelhança após o transcurso de milhões de anos, então Seus planos iniciais foram completamente frustrados por Satanás, ou Seu plano existente para a humanidade (e Seu Filho) é tanto aleatório e imprevisível.

4. Distorção da estrutura do tempo.

A Teoria do Intervalo está em conflito com o modo cuidadoso e frequentemente meticuloso como a Bíblia trata os eventos históricos. Por exemplo, considere o Dilúvio. As genealogias em Gênesis nos dizem que esse evento espetacular ocorreu por volta de 2.350 AC. O Senhor diz especificamente que "romperam-se as fontes do grande abismo" e as chuvas começaram a cair no dia 17 do segundo mês. O Dilúvio foi claramente um evento real, que teve início em um determinado dia. O significado simples da Bíblia como um todo, e do livro do Gênesis, em particular, será prejudicado se o Dilúvio global de Gênesis 7 estiver descrito em termos concretos, porém seu suposto predecessor não é mencionado e nem implicado.

Com a defesa que fazem de hermenêutica descuidada (mesmo que somente neste ponto), os apoiadores da Teoria do Intervalo facilitam a vida dos heterodoxos e falsos mestres que distorcem versos selecionados das Escrituras para fortalecer suas teorias e ideias de Nova Era.

Eles também estão desviando a atenção das ramificações físicas do próprio Dilúvio, um evento que transformou o perfil geológico de toda a Terra e depositou imensas quantidades de materiais biológicos, alguns dos quais ainda estamos encontrando hoje na forma de fósseis.

5. O intervalo ilimitado.

O fato que o "intervalo" não tenha uma duração especificada significa que todos os tipos de especulação podem ser acrescentados à Palavra de Deus com base em que "Bem, isto poderia ter ocorrido". O fato de a Teoria do Intervalo parecer convidar esse tipo de especulação, e até justificá-la com fundamento bíblico, é um assunto para grande preocupação.

6. A mentira da Evolução.

O falso ensino da Evolução será aceito por um número maior de cristãos. Como o alegado processo evolucionário requer uma vasta quantidade de tempo para entrar em efeito, o "intervalo" fornecido pela Teoria do Intervalo pode ser deixado tão longo quanto os evolucionistas precisarem para acomodar seu falso ensino.

7. O livro de Enoque.

A Teoria do Intervalo ofusca grandemente a distinção entre ficção científica e fato científico. O Livro de Enoque, que muitos acreditam ser uma obra inspirada, conquistará ainda mais aderentes. Esse livro já está sendo usado para apoiar a falsa Teoria dos Nefilins, ou da semente dos demônios, que ensina que anjos caídos produziram filhos híbridos em mulheres humanas. Isto, por sua vez, reforçará a falsa crença que existe vida inteligente em outros pontos do universo.

Estas não são as únicas implicações da Teoria do Intervalo, mas são suficientes para nosso propósito. Elas mostram sem qualquer dúvida que a teoria é tanto espiritualmente falsa quanto espiritualmente perigosa.

Os principais argumentos textuais para a teoria estão definidos no Apêndice A. Eles dependem de uma aplicação forçada, similar a uma reinvenção, de quatro palavras hebraicas padrões. Chega a ser difícil acreditar que uma grande reinterpretação da Bíblia tenha sido aceita por eruditos respeitáveis com base em evidências tão frágeis.

A Teoria do Pequeno Intervalo

Uma nova versão da Teoria do Intervalo surgiu em anos recentes, que chamamos aqui de Teoria do Pequeno Intervalo. Essa teoria não propõe a existência de vida biológica antes dos seis dias da Criação e, desse modo, evita qualquer sugestão que a morte tinha existido antes da Queda. Ela também propõe um intervalo muito curto, constituído (assim parece) por apenas alguns anos. Esse intervalo é considerado necessário para explicar como Lúcifer pôde ter reinado em um jardim de cristal, "no meio das pedras afogueadas", conforme descrito em Ezequiel 28, antes de fomentar sua rebelião. Isso também permitiria um intervalo de tempo muito maior entre a criação dos anjos e sua subsequente celebração da ocasião quando o Senhor lançou os fundamentos da Terra (veja Jó 38:7).

Embora não possamos explorar mais detalhadamente a situação com o "intervalo pequeno", permanece o fato que vários de defeitos fatais já identificados ainda se aplicam a ele. Depois que o intervalo é admitido, não há um modo de restringir sua duração. Além do mais, até mesmo um intervalo minúsculo precisa necessariamente trivializar o relato da Criação apresentado no Gênesis. [Uma exposição detalhada da Teoria do Pequeno Intervalo pode ser encontrada em The Footsteps of the Messiah, de Arnold Fruchtenbaum, págs. 548-556.]

Os Seis Dias da Criação

Em toda a Bíblia, o Senhor afirma Sua soberania referenciando repetidamente o fato de que Ele é o autor da Criação. Ele criou os céus (a atmosfera, a expansão do espaço e o terceiro céu), bem como a Terra, o Sol, a Lua e as estrelas. Ele também criou tudo, incluindo todas as formas de vida que podem ser encontradas na Terra e no céu, e fez tudo isso em um período de seis dias. O verso seguinte declara isso de forma bem clara:

"Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou." [Êxodo 20:11].

Além disso, Ele declarou que quando completou Sua obra no fim do sexto dia, tudo era absolutamente perfeito. Isto significa que as crateras na Lua não poderiam ter sido causadas por uma guerra e destruição cósmicas.

O Senhor se refere repetidamente aos seis dias da Criação e até estabeleceu que Seu povo escolhido respeitasse o dia de sábado como um dia de descanso total, em reconhecimento da grande obra que Ele tinha realizado em seis dias. Esses seis dias são dias literais de 24 horas, durante os quais Deus criou todas as coisas na Terra e no céu (conforme Êxodo 20:11). Como os anjos estão no céu, eles também precisam ter sido criados durante os seis dias da Criação ("... e tudo o que neles há..."). Além disso, como eles testemunharam o momento em que o Senhor lançou os fundamentos da Terra no Dia 1, eles precisam ter sido criados anteriormente nesse mesmo dia.

Precisamos nos lembrar que um dia com Deus é melhor do que mil em outra parte e, provavelmente, dá a sensação de um tempo muitas vezes maior do que um dia aqui na Terra:

"Porque vale mais um dia nos teus átrios do que mil. Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas tendas dos ímpios." [Salmos 84:10].

Sabemos que Adão e Eva precisam ter se rebelado somente algumas poucas semanas depois de terem sido criados, pois o primeiro filhos deles, Caim, foi concebido quando eles já estavam em pecado. Como marido e mulher, Adão e Eva devem ter iniciado suas relações maritais um ou dois dias após terem sido criados e, como ambos desfrutavam de uma saúde perfeita, a concepção quase certamente teria ocorrido pouco tempo depois.

A tentação no Jardim do Éden ocorreu após o próprio Satanás ter se rebelado, o que, provavelmente, ocorreu alguns dias após sua criação. Assim, ele poderia ter governado e desfrutado de seu próprio jardim mineral por algum tempo antes de sua queda. Não há necessidade de postular um "intervalo pequeno" de modo a acomodar esse breve reinado.

Toda a tragédia da existência humana, que se estende por um período de aproximadamente seis mil anos, pode ser rastreada até alguns terríveis minutos quando o primeiro homem e a primeira mulher deliberadamente rejeitaram a autoridade de Deus. A Palavra de Deus fala sobre a fundação da história. Ela respeita a cronologia natural e trata-a de um modo estritamente linear. O Senhor até mesmo criou a Lua e as estrelas para permitir que possamos controlar e calcular a passagem do tempo.

De modo a compreender a Bíblia conforme Deus quer que a compreendamos, precisamos abordá-la como um documento histórico, um registro do nosso passado e do nosso futuro. O Maligno tenta solapar essa hermenêutica simples e direta, tentando o homem com o método alegórico de interpretação, uma pesquisa por significados e símbolos ocultos e uma identificação incorreta de Israel na profecia do fim dos tempos. Ele também procura causar confusão, interferindo com a estrutura de tempo bíblica, do qual a Teoria do Intervalo é um exemplo.

A Realidade Alternativa de Satanás

O Maligno trabalha incansavelmente há séculos para induzir a humanidade a aceitar uma realidade alternativa, uma realidade em que a Terra é apenas um ponto minúsculo em um universo inconcebivelmente vasto, onde o tempo e a distância precisam ser medidos em bilhões de anos e trilhões de quilômetros, onde a vida é um acidente evolucionário, onde as leis cósmicas são arbitrárias, onde a moralidade é relativa, e onde o próprio universo surgiu espontaneamente a partir do nada em um evento conhecido como "Grande Explosão".

Mentiras, mentiras e mais mentiras. Mas, o que devemos esperar? Afinal, o Maligno é o mestre das mentiras. Ele até mesmo convenceu a maior parte da humanidade que ele — o próprio Satanás — não existe!

Em uma excelente entrevista gravada, o cientista Dr. Raymond Damadian, que inventou a Imagem por Ressonância Magnética, referiu-se como segue à intensidade da programação à qual todos os homens e os cientistas, em particular, estão sujeitos:

"O problema é que quando você é um cientista e passa pelo tipo de educação extensiva pelos quais vocês estão passando, no processo, sem sequer saber, você está sendo programado para a sacralidade do materialismo e da evolução. O que realmente está acontecendo é que você está sendo acorrentado..."

O Dr. Damadian rompeu ele mesmo suas correntes, que chamou de "servidão do materialismo secular", quando encontrou Cristo e aceitou a salvação.

Satanás está usando seu grande arsenal de mentiras para cegar as mentes dos homens e mantê-los acorrentados. Até mesmo cristãos nascidos de novo, que deveriam ter uma fundamentação completa na santa Palavra de Deus, têm dificuldades para se evadirem de algumas dessas mentiras. Elas estão entrelaçadas tão bem e são repetidas com tanta frequência que nem sequer passa pela mente da maioria das pessoas que elas estão em uma forma de servidão.

Uma caridosa mulher cristã na nossa igreja local definiu isto da seguinte forma: "As mentiras são repetidas com tanta frequência que é mais fácil aceitá-las do que continuar lutando contra elas." É exatamente disso que Satanás depende. A repetição incansável de informações falsas e enganosas sempre alcançará resultados em um mundo em que poucas pessoas analisam seriamente a validade daquilo que lhes é ensinado.

A Bíblia nos diz que a Terra está no centro do universo, mas Satanás convenceu a humanidade que a Terra está localizada em uma periferia. A Bíblia fala de tempo e distância em termos que são inteligíveis, mas Satanás engana os homens a pensarem em termos de bilhões de anos e trilhões de quilômetros — nenhum dos quais faz qualquer sentido. Ele tomou o universo racional e repleto de significado que o Senhor criou e o transformou em uma caricatura grotesca da realidade. A Terra é supostamente uma esfera que gira e percorre o espaço a uma velocidade de milhares de quilômetros por hora, quando nosso senso comum dado por Deus nos diz que isso não pode ser verdade. A Bíblia diz que a Terra é estacionária — e a Bíblia está correta!

Deus está tratando com o homem em uma estrutura de tempo de vários milhares de anos, mas não milhões de anos. Ele criou a Terra para Seu Filho e, ao fazer isso, colocou-a na posição mais prestigiosa em toda a criação. O Sol, a Lua e as estrelas foram criados para o homem e, em relação à Terra, são muito menores e muito mais próximos do que nossas mentes sutilmente acorrentadas foram levadas a acreditar.

Os cristãos devem dar grande glória a Deus! Eles devem pensar com muito mais seriedade sobre a verdade literal da santa Palavra de Deus e considerar como melhor lançar fora as insidiosas correntes que estão mantendo suas mentes cativas. Por que não começar lançando fora a Teoria do Intervalo e aceitar aquilo que Deus diz em Sua Palavra? — Que no princípio Ele criou os céus e a Terra e tudo o que neles há, em seis dias.



Apêndice A:

Resumo dos Principais Argumentos para a Teoria do Intervalo

A palavra hebraica bara.

Os téoricos do intervalo atribuem um significado à palavra bara que ela simplesmente não possui. Segundo eles, a palavra sempre significa "criar a partir do nada" e que uma palavra relacionada, asah, não pode ter o mesmo significado, mas sempre precisa ser compreendida com o significado "criar a partir de alguma coisa'. Assim, eles pensam que Deus criou o mundo a partir do nada em Gênesis 1:1 (que usa bara) e mais tarde o restaurou (isto é, criou a partir de materiais existentes) em Gênesis 1:2 (que usa asah) após um período não especificado de tempo transcorrer. Mas, esse é um raciocínio falacioso. A Bíblia usa essas palavras intercambiavelmente para significar criação a partir do nada (ex nihilo). Muitos exemplos poderiam ser apresentados, como em Neemias 9:6: "Só tu és SENHOR; tu fizeste [asah] o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos céus te adora."

As palavras hebraicas tohu e bohu.

Os teóricos do intervalo fazem igualmente uso não erudito das palavras tohu e bohu. Como muitas palavras, seja em hebraico ou em qualquer outro idioma, o significado delas varia com o contexto em que são usadas. A tradução Almeida Corrigida e Fiel traduz tohu waw bohu em Gênesis 1:2 como "sem forma e vazia". Esta é uma descrição precisa da Terra que o Senhor tinha acabado de criar. As águas ainda cobriam a superfície e nenhuma foma ou estrutura com propósito claro tinha ainda aparecido.

Em uma passagem posterior das Escrituras, em Jeremias 4:23, a ACF traduz as mesmas palavras (tohu waw bohu) exatamente da mesma forma ("sem forma e vazia") mas neste contexto ela se refere a um julgamento destruidor que o Senhor tinha decretado sobre Jerusalém. Os teóricos do intervalo pegam o contexto de Jeremias 4:23 e o impõem em Gênesis 1:2. Em seguida, passam a argumentar que na última ocorrência o Senhor tinha julgado a Terra e destruído toda a vida em um dilúvio mundial. Mas, esse tipo de raciocínio é obviamente sem sentido. Não se pode tratar a linguagem e seu contexto desta forma.

A palavra hebraica hayah

O problema final é o uso que os teóricos do intervalo fazem da palavra hayah. Isto quase sempre significa "estava" ("E a terra estava sem forma e vazia.") Entretanto, nesta ocorrência, os teóricos do intervalo tentam fazer hayah significar "tornou-se". Esse tipo de conotação nunca tinha sido aplicada a Gênesis 1:2, seja por eruditos judeus ou cristãos, até que Chalmers decidiu, nos anos 1830s, modificar o contexto. Assim, hayah foi interpretada para significar "tornou-se" — "E a terra tornou-se sem forma e vazia" — no mesmo modo que "estava" implica um processo de mudança em uma frase como "O estádio estava lotado." Claramente o estádio precisou de uma hora ou mais para encher, de modo que tornou-se lotado. Mas, esse uso elástico da palavra hayah em Gênesis 1:2 não é justificado, seja pelo contexto ou pelas regras normais da gramática da língua hebraica.



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 4/1/2016
Transferido para a área pública em 22/8/2017
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/intervalo.asp