Israel e o Crescimento do Antissemitismo 'Cristão'

Parte 1: Qual É a Vontade de Deus para Israel?

Autor: Jeremy James, 27 de março de 2015.

Estamos testemunhando hoje uma polarização notável dentro da igreja professa. De um lado temos a maioria, que quer uma forma mais inclusiva de Cristianismo e um modo mais flexível de interpretar a Bíblia; do outro lado, um grupo cada vez menor se agarra o máximo possível ao significado tradicional da Palavra de Deus.

Podemos testar a diferença entre essas duas posições de várias formas — por exemplo por referência às opiniões sobre moralidade sexual, casamento tradicional, adoração interfé ou cultura popular. Mas, há um teste que parece se destacar de todo o restante, um teste tão sensível e tão controverso que muitos cristãos prefeririam evitá-lo totalmente.

Trinta anos atrás a maioria dos cristãos nascidos de novo apoiava a nação de Israel. Eles acreditavam no destino profético de Israel e em seu direito de existir. Mas, agora não mais. Hoje, essas pessoas são uma minoria. Na verdade, há uma visível correlação entre o grupo cada vez menor de cristãos que apoiam Israel e o grupo cada vez menor que quer se apegar o máximo possível ao significado tradicional da Palavra de Deus.

Parte 1: Qual É a Vontade de Deus para Israel?

O teste que identificamos vai direto ao coração da nossa fé cristã. Uma resposta grandemente divergente dada pelos cristãos a uma determinada questão — como o status de Israel — é um sinal seguro que ela tem uma dimensão sobrenatural ativa. Como as forças das trevas trabalham consistentemente em oposição à vontade de Deus, uma questão desse tipo muito provavelmente dividirá os cristãos em dois campos, um dos quais está resistindo, talvez sem saber, à vontade de Deus.

Portanto, precisamos examinar esta questão delicada: Qual é a vontade de Deus para Israel?

Vamos colocar de lado por um momento a questão se a Teologia da Substituição, que ensina que a igreja substituiu Israel — é biblicamente defensábel, e considerar, em vez disso, as passagens reais nas Escrituras que iluminam o relacionamento entre Deus e o povo judeu. A não ser que conheçamos o status desse relacionamento, não podemos conhecer a vontade do Senhor Deus para Israel. Até mesmo um ardoroso defensor da Teologia da Substituição precisa reconhecer isto.

Hoje, identificamos Israel com a terra de Israel e o povo judeu com a população mundial de judeus, alguns dos quais vivem em Israel. Mas, essa distinção não é bíblica. Ela está baseada, não no "ponto de vista de Deus", mas em conceitos seculares que normalmente nos servem bem nas relações humanas. Entretanto, se examinarmos o Antigo Testamento atentamente, descobriremos que Deus não faz esse tipo de distinção. Deus sempre fala ao povo judeu, como uma nação ou grupo étnico, em uma de duas formas: ou por referência à obediência deles à Sua santa vontade, que era recompensada pela ocupação segura e usufruto da terra, ou por referência à desobediência deles, que era punida pelo exílio para longe da terra e a perda dos benefícios que eles desfrutavam como seus habitantes.

Em resumo, Deus sempre lidou com o povo judeu por referência à herança, posse, ocupação e usufruto da terra.

O principal assunto histórico da Bíblia é a nação-estado de Israel, um grupo étnico baseado em um local geográfico designado. De fato, o modo como isso foi feito desde o princípio por Deus teve claramente o objetivo de produzir uma impressão indelével nos próprios judeus. A maneira como 70 pessoas (Jacó e sua família) foram "plantados" no Egito e depois recolhidos de lá cerca de 400 anos mais tarde, com cerca de dois milhões de indivíduos sendo libertos pelo Senhor em um único dia, não tem paralelos na história. Essa ocasião singular foi precedida por dez pragas que destacaram e mostraram para o mundo a natureza surpreendente daquilo que estava para acontecer. Os gentios iriam observar o nascimento de uma nação.

O Senhor então os preservou durante 40 anos em um terreno inóspito e inclemente. O alimento e a água foram fornecidos por meios milagrosos e os sapatos e as vestes deles não envelheceram. No fim daquele período de castigo eles foram levados até a terra de Canaã. Novamente, os mesmos poderes milagrosos estiveram em operação, enquanto o Senhor destruía os inimigos deles, as sete tribos de Canaã. Durante séculos, a terra foi contaminada por práticas bárbaras e satânicas, incluindo o sacrifício de crianças, feitiçarias, vícios e perversões sexuais. As setes tribos de Canaã tinham se tornado incorrigíveis e se afundaram cada vez mais na impiedade, até o ponto em que o Senhor decidiu destrui-las. Os israelitas seriam o instrumento de Deus para esse propósito.

Muitas pessoas têm dificuldades com o fato que o Senhor mandou que os israelitas exterminassem as setes tribos que residiam naquele tempo na terra de Canaã. Mas, elas se esquecem que Ele fez isso por causa da maldade daquelas nações, exatamente como exterminou toda a população mundial no tempo do Dilúvio (com a exceção de oito indivíduos — a família de Noé). Os inimigos do Cristianismo gostam de evitar todas as referências ao Dilúvio como um evento histórico real e em escala global. O Dilúvio é uma prova bem clara do julgamento de Deus! Se o Senhor achou apropriado exterminar 1-2 bilhões de pessoas (isto é apenas uma estimativa) em apenas algumas semanas, por volta do ano 2350 AC — uma data comumente aceita para o Dilúvio — não devemos estar surpresos que Ele mais tarde tenha sentenciado um julgamento similar sobre as sete tribos ímpias que viviam na terra de Canaã, uma população talvez de 5-10 milhões de pessoas (isto também é uma estimativa). Tampouco devemos nos surpreender que Deus julgará toda a população mundial uma segunda vez, com igual severidade, em um futuro não muito distante.

A criação da nação-estado de Israel no tempo do Êxodo foi um sinal para o mundo que Deus estava em operação, que aquele povo foi colocado à parte pelo Seu poder e para Seu propósito e que recebeu uma parcela designada de território. Isto não era algo que o homem por si mesmo poderia fazer ou se opor. Aquilo era literalmente um ato de Deus. Para compreender Israel em um contexto bíblico, precisamos reconhecer esse fato. Nada que aconteceu desde então, ou que irá acontecer no futuro, fará sentido, a não ser que vejamos que o próprio Deus criou a nação-estado de Israel por volta do ano de 1450 AC.

A Dimensão Satânica

Outra grande barreira para compreender Israel em um contexto bíblico é a falha em reconhecer a fantástica resistência que Satanás exerceu, tanto para impedir a criação de Israel e, depois, para impedir o serviço de Israel a Deus. Ele sabia que seu papel como príncipe deste mundo somente poderia ser desafiado pelo Ungido do Senhor. Somente Cristo poderia destronar Satanás. Mas, antes de Cristo vir ao mundo, o Senhor precisou primeiro selecionar uma nação para representá-Lo, uma nação a quem Ele pudesse preparar para a chegada de Seu Filho. Ele então teve de selecionar dentro dessa nação uma tribo e, dentro dessa tribo, uma linhagem familiar por meio da qual Seu Filho viria ao mundo.

A nação-estado de Israel foi criada por Deus para um propósito verdadeiramente extraordinário — derrotar Satanás e libertar a humanidade da servidão espiritual.

Em vários estágios da história de Israel, Satanás tentou destruir os judeus. Ele até tentou matar toda a linhagem da família real de Davi por meio da vileza da perversa rainha Atalia, porém uma criança sobreviveu. Ele também tentou abolir a religião do Judaísmo por meio de seus incansáveis esforços de atrair os judeus para a idolatria, corromper o sacerdócio, matar os profetas (como no tempo de Jezabel) e, durante o reinado do rei sírio Antíoco IV, proibir muitas das práticas que eram centrais no Judaísmo.

Assim, quando estamos falando sobre o destino final da nação-estado de Israel, estamos falando sobre o resultado de um longo e antigo conflito sobrenatural entre a vontade de Deus e as forças de Satanás.

Alguns cristãos professos acreditam que esse conflito terminou três dias após o Calvário e que, portanto, a continuada existência (ou não) da nação de Israel não faz diferença no plano de Deus para a redenção da humanidade. Mas, eles estão errados. De modo a lidarmos corretamente com essa questão, precisamos examinar a aliança que o Senhor fez com o povo judeu.

A Eleição do Povo Escolhido

A visão comumente aceita é que Deus escolheu os judeus de modo a trazer Cristo, a semente predestinada de Abraão, ao mundo. Depois que o Messias veio, a nação judaica teve a opção de aceitá-Lo ou rejeitá-Lo. Depois que eles continuaram em sua desobediência e rejeitaram seu Messias, o Senhor criou a família da fé no mundo como um todo, além da nação-estado de Israel e convidou todos os judeus de toda a parte a ingressarem, exatamente na mesma base que os gentios. Isto, é afirmado, aboliu para sempre o status especial da nação de Israel, não ab-rogando qualquer acordo que o Senhor tinha feito com os judeus, mas estendendo-o para o mundo como um todo. Em um sentido, toda a Terra tornou-se a terra prometida e todos que vêm à fé em Cristo, independente de onde eles vivam, são o povo escolhido, filhos de Abraão pela fé em Cristo.

Há, certamente, uma lógica atraente neste argumento. Mas, ele tem um erro fatal — está em conflito com o que Deus realmente disse. Para facilidade de referência, chamaremos isto de tese dos "Novos Judeus", em que os membros da igreja, sejam eles gentios étnicos ou judeus étnicos, são agora receptores divinamente apontados de todas as promessas que Deus fez a Abraão, Isaque, Jacó e Davi.

Agora, vamos considerar o que o Senhor realmente disse sobre Seu povo escolhido. Precisamos pesar as declarações de Deus cuidadosamente, pois elas apresentam aspectos de Seu relacionamento com os judeus como uma nação que não podem ser explicados pela tese dos "Novos Judeus":

"Porque povo santo és ao SENHOR teu Deus; o SENHOR teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra." [Deuteronômio 7:6].

"Porque és povo santo ao SENHOR teu Deus; e o SENHOR te escolheu, de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu próprio povo." [Deuteronômio 14:2].

A partir desses versos, podemos ver que a seleção da nação foi incondicional e para sempre. Mas, por que Deus escolheu essa nação em particular? É extremamente importante que compreendamos a resposta bíblica a essa questão: Ele fez isso por que agradou a Ele fazer isso:

"Pois o SENHOR, por causa do seu grande nome, não desamparará o seu povo; porque aprouve ao SENHOR fazer-vos o seu povo." [1 Samuel 12:22].

Se nenhuma razão ou condição é dada, não compete a nós estipularmos um requisito que possa mais tarde fazer a nação ser rejeitada. Na verdade, o verso de 1Samuel 12 confirma que a escolha deles foi incondicional, declarando que o Senhor nunca se esquecerá deles "por causa do seu grande nome".

Alguma garantia poderia ser maior do que esta?

A Palavra de Deus está nos dizendo que a nação de Israel foi escolhida unicamente por um ato da graça soberana de Deus e que, tendo sido escolhida, nunca será esquecida, nunca será rejeitada e nunca será substituída.

A tese dos "Novos Judeus" está em conflito com esses versos, pois acrescenta uma condição — a rejeição de Cristo pela nação de Israel — o que em parte alguma é especificada ou implicada na Santa Palavra de Deus. De fato, a possibilidade de interpolar uma condição em uma data posterior é descartada pela garantia do Senhor que Ele manterá Sua escolha em perpetuidade "por causa do seu grande nome".

Como o nome do Senhor dura para sempre, assim também precisa qualquer compromisso selado pelo Seu nome. A peculiar profundidade desse relacionamento é mostrado pelo fato que Deus trouxe a nação de Israel à existência especificamente para servi-Lo e que, como Sua serva, a nação nunca será esquecida:

"Lembra-te destas coisas, ó Jacó, e Israel, porquanto és meu servo; eu te formei, meu servo és, ó Israel, não me esquecerei de ti." [Isaías 44:21].

Em toda a Bíblia, um nome frequentemente designa algo que é intrínseco a uma pessoa. Isto é certamente verdade com os muitos nomes de Deus, cada um dos quais revela algum aspecto de Seu caráter. Portanto, quando Deus conecta o povo judeu com Seu nome e o chama pelo nome (como na passagem seguinte), devemos compreender que o vínculo entre eles é tanto pessoal quanto eterno:

"Mas agora, assim diz o SENHOR que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu." [Isaías 43:1].

Essas declarações enfáticas — Isaías 44:21 e 43:1 — são imensamente significativas e exorto o leitor a examiná-las com atenção. A posse ciumenta do Senhor de Seu povo escolhido não poderia ser mais evidente. Ele diz: "Eu te criei, eu te formei, eu te remi, chamei-te pelo teu nome, tu és meu."

O Senhor Deus está declarando Sua seleção eterna e incondicional e a posse dos filhos de Israel.

Precisamos nos lembrar também que Deus entrou nesse relacionamento de aliança com o pleno e perfeito conhecimento de tudo que Israel iria subsequentemente fazer, incluindo a rejeição do Messias em Sua primeira vinda. Na verdade, no tempo em que Isaías escreveu esses versos, o reino do norte (Efraim) tinha caído tanto na idolatria que já tinha sido expulso da terra como punição.

Ao fazer isso, o Senhor estava castigando Seu filho:

"Não é Efraim para mim um filho precioso, criança das minhas delícias? Porque depois que falo contra ele, ainda me lembro dele solicitamente; por isso se comovem por ele as minhas entranhas; deveras me compadecerei dele, diz o SENHOR." [Jeremias 31:20].

A partir do dia que Ele chamou Seu povo escolhido do Egito e fez deles uma nação, o Senhor se referiu a Israel como Seu filho:

"Então dirás a Faraó: Assim diz o SENHOR: Israel é meu filho, meu primogênito. E eu te tenho dito: Deixa ir o meu filho, para que me sirva; mas tu recusaste deixá-lo ir; eis que eu matarei a teu filho, o teu primogênito." [Êxodo 4:22-23].

Como um pai, Ele ama Seu filho profundamente e cuida dele com a máxima proteção (mesmo nesta época presente quando o povo judeu está sob severo julgamento):

"Achou-o numa terra deserta, e num ermo solitário cheio de uivos; cercou-o, instruiu-o, e guardou-o como a menina do seu olho." [Deuteronômio 32:10].

A nação de Israel ainda é Seu filho, tendo vivido continuamente naquele relacionamento desde sua fundação pelo próprio Deus.

Como a igreja é formada por uma agregação de fiéis de todas as nações, mas não é ela mesma uma nação, a tese dos "Novos Judeus" é incapaz de acomodar esse tipo de relacionamento. Ela também cai seriamente em erro ao requerer que o Senhor repudie ou se esqueça de Seu filho, embora já tenha anteriormente declarado de forma bem clara que "não te esquecerei".

A Entrega da Terra de Canaã à Nação de Israel

Tendo estabelecido que há algo singular no relacionamento entre Deus e o povo judeu, algo que não é diretamente transferível para a igreja, examinaremos agora um aspecto desse relacionamento que o torna ainda mais singular. Como já observamos, o Senhor Deus de Israel não faz uma distinção absoluta entre a nação e a terra de Israel. Quando eles eram obedientes à Sua santa vontade, habitaram seguros na terra, desfrutando de sua fartura e fertilidade, mas quando foram desobedientes e obstinadamente desobedientes — foram temporariamente removidos da terra, ou foram dominados por potências estrangeiras. O Senhor sempre regulou e expressou Seu relacionamento com os filhos de Israel por meio da terra de Israel.

Esta conexão ficou evidente desde o momento em que o Senhor escolheu Abraão como o pai da nação judaica:

"E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus." [Gênesis 17:8].

A posse da terra e a aceitação pelo Senhor andavam de mãos dadas. E, exatamente como a nação era a possessão do Senhor para sempre, a terra era possessão da nação para sempre. Esta é uma afirmação teológica muito poderosa e não pode ser levianamente colocada de lado. A "perpetuidade" desse legado é enfatizada diversas vezes, particularmente no livro do profeta Jeremias, onde a invasão pelos babilônios e a consequente expulsão dos judeus da terra foi profetizada por um longo período de tempo. A misericórdia do Senhor foi tão grande que, mesmo naquela hora terrível, Ele enfatizou Sua intenção de trazê-los de volta outra vez.

"Eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, desde os tempos antigos e para sempre." [Jeremias 7:7].

"Quando diziam: Convertei-vos agora cada um do seu mau caminho, e da maldade das suas ações, e habitai na terra que o SENHOR vos deu, e a vossos pais, para sempre." [Jeremias 25:5].

O Senhor já tinha dito — no nascimento de Israel como uma nação — que a desobediência deles um dia levaria a essa consequência calamitosa. Ele até mesmo disse a Moisés para registrar os detalhes relevantes em um cântico e exortar os israelitas a memorizá-lo e ensiná-lo aos seus filhos, de geração em geração. O texto desse cântico — o Cântico de Moisés — que é apresentado em Deuteronômio 32 (e entoado pelos santos no livro do Apocalipse), apresenta uma pré-visualização admirável do futuro de Israel, de sua infidelidade e punição e sua posterior restauração na terra — pois na plenitude dos tempos o Senhor "terá misericórdia da sua terra e do seu povo" [Deuteronômio 32:43]. A terra é Dele e o povo é Dele; como Ele reivindica a propriedade de ambos, a aliança está garantida.

"Também eu me lembrarei da minha aliança com Jacó, e também da minha aliança com Isaque, e também da minha aliança com Abraão me lembrarei, e da terra me lembrarei." [Levítico 26:42].

Deus nunca fala de Suas promessas na aliança como algo que Ele gostaria de fazer, dependendo das contingências futuras, ou do comportamento dos filhos de Israel, mas sempre como algo que Ele fará. Nem mesmo os judeus, com todos os seus anos de desobediência podem estorvar o propósito imutável e soberano do Deus vivo.

A propriedade da terra como um legado da parte de Deus era incondicional, mas a ocupação da terra estava sujeita à obediência e, portanto, era condicional. Muita confusão teológica poderia ser evitada se essa simples distinção fosse melhor compreendida.

O próprio Deus assume o crédito por trazer os israelitas a Canaã e por extirpar os povos pagãos que ocupavam o território naquele tempo:

"E os trouxe até ao termo do seu santuário, até este monte que a sua destra adquiriu. E expulsou os gentios de diante deles, e lhes dividiu uma herança por linha, e fez habitar em suas tendas as tribos de Israel." [Salmos 78:54-55].

Ao fazer isso, Ele os trouxe a "este monte", isto é, Sião ou Jerusalém. Ele também alocou uma porção claramente delimitada do território para cada tribo, que deveria ser retida perpetuamente e passada de geração a geração.

A Palavra de Deus torna muito claro que a conquista de Canaã foi uma obra de Deus, não de Seu povo escolhido e que Seu papel em realizar essas obras poderosas ficou evidente para as nações pagãs que habitavam a terra de Canaã e suas adjacências. Por exemplo, os filisteus clamaram em desespero quando viram a Arca da Aliança no campo de batalha:

"Por isso os filisteus se atemorizaram, porque diziam: Deus veio ao arraial. E diziam mais: Ai de nós! Tal nunca jamais sucedeu antes. Ai de nós! Quem nos livrará da mão desses grandiosos deuses? Estes são os deuses que feriram aos egípcios com todas as pragas junto ao deserto." [1 Samuel 4:7-8].

Ninguém podia ignorar o fato que "a mão direita de Deus" tinha tornado aquilo possível. A obra era de Deus, não do homem. Igualmente, quando Ele trouxe os israelitas de volta, após setenta anos de exílio em Babilônia, os pagãos puderam ver que o status dos judeus era o de um povo "santificado", ou separado para o propósito santo de Deus.

"Assim diz o Senhor DEUS: Quando eu congregar a casa de Israel dentre os povos entre os quais estão espalhados, e eu me santificar entre eles, perante os olhos dos gentios, então habitarão na sua terra que dei a meu servo, a Jacó." [Ezequiel 28:25].

A Herança do Senhor

Entre todas as nações da Terra, a nação de Israel foi escolhida pelo Senhor como Sua porção, Sua única herança e possessão:

"Porque a porção do SENHOR é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança." [Deuteronômio 32:9].

Estas passagens das Escrituras nos ensinam que Israel foi reservado por Deus e designado para ser o único que receberia Suas promessas. De modo a participar dessas promessas, um estrangeiro precisaria ser santificado ou separado do mesmo modo. É significativo que essa opção foi deixada disponível para os gentios, desde o início da fundação da nação de Israel. Uma "mistura de gente" deixou o Egito junto com os israelitas no tempo do Êxodo e, em toda a Bíblia, existem muitos exemplos de gentios que foram aceitos e absorvidos na casa de Israel.

Quando Moisés se casou com uma mulher etíope, uma estrangeira, aparentemente após a morte de sua mulher midianita, sua irmã Míriam e seu irmão Arão ficaram irados com ele; provavelmente eles fizeram objeções a esse casamento com uma mulher estrangeira. Entretanto, Moisés tinha o direito de escolher aquela mulher, pois ela era uma prosélita sincera e, portanto, membro da casa de Israel (veja Êxodo 12:48). Míriam foi punida severamente pelo Senhor por causa de sua atitude em relação a Moisés, tendo de arcar temporariamente com a maldição da lepra e viver fora do acampamento durante uma semana.

É por isto que Paulo, em Romanos, fala da igreja como ramos que foram exertados na grande árvore de Israel. É por esse meio que nós, como cristãos nascidos de novo, compartilhamos as promessas perpétuas que Deus fez a Israel. Como membros da igreja "invisível", somos parte do corpo de Cristo, que, em Sua natureza física, é judeu. Não somos "judeus novos", mas gentios enxertados na obra consumada de Cristo. Encontramos salvação exatamente da mesma forma como os judeus, por meio da fé na obra expiatória do Messias judaico, que foi enviado pelo Senhor Deus de toda a Criação para redimir a humanidade.

Moisés chamou à atenção dos israelitas a natureza exclusiva do relacionamento deles com Deus quando disse:

"Pois, que nação há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o SENHOR nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?" [Deuteronômio 4:7].

Para que nenhuma outra nação presuma conhecer o Senhor, a Palavra declara:

"De todas as famílias da terra só a vós vos tenho conhecido; portanto eu vos punirei por todas as vossas iniquidades." [Amós 3:2].

É precisamente por causa de seu relacionamento singular com o Senhor, que trouxe tantos privilégios e bênçãos, que a punição deles tem sido tão severa. Contudo, ela foi — e é — uma punição temporária, não um banimento permanente.

"Pois o SENHOR não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança." [Salmos 94:14].

Israel está hoje no mesmo estado de afastamento que o filho pródigo na parábola de Jesus. Ele nunca deixou de ser um filho, mas em sua arrogância e desobediência, decidiu viver longe de seu pai e dissipar sua herança. A igreja hoje é representada pelo filho que permaneceu leal ao seu pai. Infelizmente, esse filho ficou magoado ao descobrir que seu irmão réprobo fora recebido de volta no lar e que o pai até mesmo celebrou o retorno dele com uma grande festa.

O pai viu seu filho réprobo "a uma longa distância" por que sempre esteve prestando atenção a ele. O pai nunca se esqueceu de seu filho, embora o filho, por um longo período de tempo, tenha se esquecido de seu pai. O pai vivia diariamente na expectativa do retorno daquele filho. Da mesma forma, Israel, o filho que há muito tempo se perdeu, retornará para seu pai.

A igreja professa deveria ajudar Israel a fazer isto, mas, em geral, está em oposição à própria existência de Israel. Em vez do antissemitismo direto, temos hoje a forma meio disfarçada conhecida como anti-sionismo, com seu fluxo infindável de propaganda hostil. (Examinaremos esse tema em maiores detalhes posteriormente nesta série.)

Cristo nos disse que tinha um rebanho, mas dois apriscos:

"Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor." [João 10:15-16].

Ele confirma que em algum tempo no futuro, as duas assembléias serão reunidas em um aprisco e que terão um só pastor, Jesus Cristo de Nazaré.

Negar que Israel como uma nação um dia invocará e aceitará seu Messias é rejeitar as palavras de Cristo e dos profetas. Infelizmente, um número cada vez maior de cristãos hoje está baseando sua teologia não na Palavra de Deus, mas na palavra do homem — em afirmações enganosas e em propaganda ardilosa.

A Terra Pertence a Deus

Como a Palavra de Deus nos diz, os filhos de Israel são a herança do Senhor. Entretanto, existem passagens na Escrituras que revelam que a terra, também, é parte dessa herança:

"Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois estrangeiros e peregrinos comigo." [Levítico 25:23].

"E primeiramente pagarei em dobro a sua maldade e o seu pecado, porque profanaram a minha terra com os cadáveres das suas coisas detestáveis, e das suas abominações encheram a minha herança." [Jeremias 16:18].

Precisamos considerar atentamente essas passagens, pois elas revelam a natureza interconectada do relacionamento que existe entre o Senhor Deus, os filhos de Israel e a terra de Canaã.

O Senhor reivindica propriedade tanto dos filhos de Israel e da terra que Ele lhes deu. Assim, eles não são os proprietários exclusivos da terra, mas co-proprietários com Deus. Como tal, eles têm o direito de habitar naquela terra e usufruir de sua generosidade e fartura, desde que sejam obedientes à santa vontade de Deus.

Como o pecado da idolatria contaminava a terra, ele não poderia ser tolerado. Os israelitas sabiam disso, mas persistiram na desobediência e, como consequência, sofreram duas terríveis expulsões, a do Reino do Norte em 722 AC, e a do Reino do Sul em 586 AC.

Podemos ver a partir desses versos que o Senhor Deus continua a exercer Seu direito de posse sobre a terra de Canaã. Ele tem um plano e um propósito para a terra que supera completamente qualquer esquema ou ambição dos homens.

Muitos cristãos professos hoje não estão familiarizados com esses fatos básicos. A divisão progressiva da Palavra de Deus em relevante, menos relevante e periférico significa que o impacto espiritual total desses versos e de outros relacionados, foi perdido. Veremos isto mais claramente na Parte 2, quando considerarmos o papel de Jerusalém no plano de Deus. É suficiente dizer neste ponto que a segmentação artificial da Bíblia nos assim chamados "Antigo Testamento" e "Novo Testamento" obscureceu grandemente a unidade da Palavra de Deus e permitiu o surgimento da falsa percepção que os últimos 27 livros da Bíblia de algum modo modificaram ou diluíram a importância dos 39 primeiros. Em um nível a Bíblia é um compêndio de 66 livros, que foram escritos por cerca de 40 autores humanos, mas no sentido pleno ela é um único livro, escrito por um único autor — "Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra permanece no céu." [Salmos 119:89].

A Terra de Canaã

Antes de examinarmos o futuro de Israel a partir da perspectiva de Deus — a única perspectiva que importa — precisamos primeiro clarificar uma terminologia vital. Até aqui temos referenciado o território que o Senhor deu aos filhos de Israel como "a terra de Canaã". Por quê? Por que foi assim que o próprio Deus o chamou em diversas ocasiões, tanto antes quanto depois de dá-la aos filhos de Israel.

"E acharam entre os moradores de Jabes-Gileade quatrocentas moças virgens, que não tinham conhecido homem; e as trouxeram ao arraial, a Siló, que está na terra de Canaã." [Juízes 21:12].

Durante o período histórico ao qual essa passagem se refere, as tribos de Israel já estavam estabelecidas na terra. Aquela terra era em todos os sentidos "Israel". É também significativo que a Palavra de Deus conecte a terra de Canaã com a cidade de Siló, que era então o local do Tabernáculo e o foco nacional da adoração judaica (a mesma conexão também é feita em Josué 21:2 e 22:9). Como tal, Siló era o centro espiritual do mundo e o lugar onde Deus habitava entre Seu povo. Siló é também uma palavra especial, pois o patriarca Jacó a usou em sua referência profética ao nascimento de Cristo:

"O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos." [Gênesis 49:10].

O Senhor também se refere à "terra de Canaã" em uma passagem de Ezequiel, onde repreende os judeus por sua obstinada idolatria:

"Antes multiplicaste as tuas prostituições na terra de Canaã até Caldéia, e nem ainda com isso te fartaste." [Ezequiel 16:29].

Além disso, a Bíblia usa outro nome para a terra que flui com leite e mel, isto é, "a terra aprazível", que aparece em Salmos 106:24 e em Daniel 8:9. O termo em hebraico, tanto em Salmos quanto em Zacarias é eretz chemdah, o que significa terra desejável, prazeirosa, agradável, excelente ou preciosa. Em Daniel, a palavra "terra" está implícita e o adjetivo tsebiy é usado, significando bela, gloriosa, ou até graciosa, como uma gazela. Zacarias também se referiu a ela como "a terra santa" (2:12).

Talvez o nome que mais chama a atenção de todos, pois conecta a terra com seu proprietário, seja aquele encontrado em Isaías 8:8:

"E passará a Judá, inundando-o, e irá passando por ele e chegará até ao pescoço; e a extensão de suas asas encherá a largura da tua terra, ó Emanuel."

A terra de Canaã é a Terra de Emanuel, a terra dada pelo Pai ao Seu Filho, que, como Emanuel, habitará entre nós. O quão insignificantes e tolas são as reivindicações dos homens quando eles colocam de lado este simples verso!

Por que, então, comentaristas cristãos modernos usam a palavra "Palestina" ao se referirem à terra que pertence a Emanuel, a terra que o Senhor Deus Todo-Poderoso chamou de santa, formosa e aprazível?

Será se eles não sabem o que "Palestina" significa, que esse nome foi escolhido deliberadamente como um insulto e imposto à região pelo imperador romano Adriano após a revolta judaica de 132-135 DC? O imperador decidiu punir os judeus, renomeando o país com base no nome do povo que tinha sido historicamente um inimigo amargo dos hebreus, os filisteus. Ele também renomeou Jerusalém, novamente visando causar grande ofensa, chamando-a de Aelia Capitolina, em homenagem ao deus pagão Júpiter, cujo templo principal estava situado na colina Capitolina, em Roma. (A palavra Aelia é uma referência ao nome da família do imperador.) Adriano chegou até mesmo a construir um templo pagão em homenagem a Júpiter no sítio das ruínas do templo judaico em Jerusalém.

A Aliança Que Concedeu a Terra de Canaã

Humanamente vemos os eventos em uma sequência que somente pode ser compreendida por referência aos seus efeitos observáveis, mas não podemos ver além do presente. Nunca conseguimos ver a totalidade de todas as coisas, mas Deus fala somente a partir da totalidade daquilo que Ele vê — e Ele vê tudo!

Uma das grandes tragédias e falhas da igreja moderna é a negligência ao estudo das profecias bíblicas. A Palavra nos fala sobre o futuro por que Deus quer que nós o compreendamos. Ele quer que conheçamos o plano Dele para a humanidade e como esse plano será cumprido. Mas, muitos líderes cristãos, em seu orgulho, estão trabalhando em um plano diferente. Embora muitos cristãos neguem isto, a negligência ao estudo das profecias bíblicas dentro da igreja professa é um grande pecado.

Com os avanços significativos na ciência e na tecnologia nos últimos cem anos, é amplamente aceito hoje que o homem tem agora poder suficiente para moldar seu próprio destino e, desse modo, evitar as tribulações futuras retratadas na Bíblia. É por isto que a maioria das igrejas alegoriza a profecia bíblica, ou então se convence que os eventos preditos já ocorreram. Alguns até chegam a colocar a profecia bíblica de lado totalmente. A causa-raiz desse grande pecado é a Teologia da Substituição, a crença que a igreja substituiu Israel nas promessas de Deus.

Há muito tempo que Satanás reconheceu que a destruição de Israel está vinculada com a corrupção de todas as profecias relacionadas com a sobrevivência futura da nação. Como ele não pode falar nada contra essas profecias da Bíblia, precisa neutralizar nossa capacidade de ler aquilo que elas dizem de forma bem clara. O significado óbvio ou natural precisa ser suprimido. E ele fez isso com uma mentira que pode ser encapsulada em uma única frase bem curta, de apenas quatro palavras: "A igreja substituiu Israel.". Depois que o cristão professo engole essa cápsula, ele se torna incapaz de ver o que a Palavra de Deus diz sobre Israel.

Satanás usou essa mentira para apagar Israel de Bíblia, do mesmo modo como usou o ódio étnico para apagá-lo dos mapas islâmicos do Oriente Médio.

Se alguém estiver determinado a acreditar que a Teologia da Substituição está correta, então que assim seja. Entretanto, como um cristão professo, terá de encarar uma questão profundamente desafiadora e que deixa qualquer um perplexo: Ele conseguirá explicar sua posição em termos bíblicos quando estiver diante do Bema, o Trono de Julgamento de Cristo?

Lembre-se que se você estiver enganado com relação à Teologia da Substituição, corre o risco de uma grande perda quando estiver diante do Bema. A Bíblia não poderia ter declarado de forma mais clara aquilo que Deus planejou para Israel. Por exemplo, os três últimos capítulos de Zacarias poderiam ser publicados em um jornal dos tempos modernos e o amplo significado deles seria perfeitamente compreendido pela maioria dos leitores, até mesmo por aqueles que não são cristãos. Assim, se você estiver preparado para colocar de lado mais de um quarto da santa Palavra de Deus com base em uma proposição sucinta, de apenas quatro palavras, que não tem fundamente bíblico, é melhor você ter a absoluta certeza de que está certo.

A Promessa Vinculante do Senhor

O autor do Salmo 105 estava claramente procurando confortar os corações doídos das futuras gerações quando descreveu a aliança do Senhor como segue:

"Lembrou-se da sua aliança para sempre, da palavra que mandou a milhares de gerações. A qual aliança fez com Abraão, e o seu juramento a Isaque. E confirmou o mesmo a Jacó por lei, e a Israel por aliança eterna, dizendo: A ti darei a terra de Canaã, a região da vossa herança." [Salmos 105:8-11].

A solene legalidade desse testamento vinculante é expresso em termos poderosos — aliança, mandou, juramento, confirmou, para sempre, lei, aliança eterna, herança. Os beneficiários são nomeados e a transferência do título enfaticamente declarada. Se houver na Bíblia um verso que diz "Farei aquilo que disse que faria", é este!

Lembre-se que este não foi um acordo entre duas partes, mas um comprometimento irrevogável e vinculante feito pelo Senhor. Nenhuma condição foi especificada ou tornada implícita. A condicionalidade especificada na Lei Mosaica referia-se somente à ocupação e usufruto da terra, não sua propriedade. A terra nunca poderia deixar de ser propriedade judaica. Na verdade, o território alocado a uma tribo não poderia sequer ser transferido para outra tribo.

Existem muitas outras passagens das Escrituras que confirmam a permanência e intransferibilidade da aliança do Senhor com Israel. Em Jeremias 31, o Senhor descreve várias condições impossíveis, que precisam ser satisfeitas primeiro, para que Ele possa renegar Sua promessa, desse modo enfatizando por meio do uso de uma hipérbole a imutabilidade de Seu propósito:

"Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. Assim disse o SENHOR: Se puderem ser medidos os céus lá em cima, e sondados os fundamentos da terra cá em baixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o SENHOR." [Jeremias 31:35-37].

A longa história do antissemitismo — fomentado e sustentado no Ocidente pela Igreja Católica Romana e no Oriente pela Igreja Ortodoxa Russa — depende criticamente da crença que uma condição realmente se aplicou, uma condição que o Senhor não pôde especificar antecipadamente, isto é, a morte de Seu Filho pelos judeus. Ao apresentarem esse argumento falacioso, os céticos estão preparados para rejeitar, não apenas tudo aquilo que o Senhor disse sobre a irrevogabilidade de Suas promessas a Israel, mas as muitas passagens proféticas que especificaram a maravilhosa transformação que Ele queria efetivar entre Seu povo escolhido, os filhos de Israel, na plenitude dos tempos. Entre elas estão, em particular, Ezequiel 36:

"Dize portanto à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Não é por respeito a vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes. E eu santificarei o meu grande nome, que foi profanado entre os gentios, o qual profanastes no meio deles; e os gentios saberão que eu sou o SENHOR, diz o Senhor DEUS, quando eu for santificado aos seus olhos. E vos tomarei dentre os gentios, e vos congregarei de todas as terras, e vos trarei para a vossa terra. Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis. E habitareis na terra que eu dei a vossos pais e vós sereis o meu povo, e eu serei o vosso Deus." [Ezequiel 36:22-28].

É vital compreender que o Senhor fará isto de modo a vindicar Seu santo nome — "que profanastes entre as nações para onde fostes" — e não por qualquer outra razão. Apesar de tudo o que Israel fez para profanar o nome do Senhor, Ele irá transformar profundamente a nação de acordo com Sua promessa. Ele redimirá Israel como uma nação, como um sacerdócio santo e, desse modo, santificará Seu nome diante das nações pagãs. Seu povo escolhido habitará na terra que Ele lhes deu e o próprio Cristo, o Filho de Deus encarnado, habitará entre eles.

Se o Senhor não fizer isso, então Satanás terá vencido. Se uma única profecia bíblica não for cumprida conforme Deus predisse, então Sua autoridade soberana pode ser impugnada, porque Ele proferiu uma falsidade. Sem essa autoridade, Deus não poderá julgar Satanás e seus anjos caídos.

Nem uma das impressionantes profecias em Ezequiel 36 poderia ser aplicada à igreja, como Roma tenta argumentar. Qual a terra que o Senhor deu à igreja? Para quais nações os cristãos nascidos de novo foram espalhados e de quais nações eles serão trazidos de volta? Qual nação de cristãos nascidos de novo profanou o nome do Senhor entre os pagãos? Quais cristãos nascidos de novo ainda não foram purificados de suas "imundícias" pela fé em Cristo? Quais cristãos nascidos de novo ainda não receberam um coração novo?

Esta profecia está relacionada com a nação de Israel, os descendentes das doze tribos que foram espalhados entre as nações, que foram expulsos da terra que o Senhor lhes tinha dado. Essa é a nação que, historicamente, rejeitou o Messias e profanou o nome do Senhor entre as nações pagãs. Essa é a nação que o Senhor redimirá por amor ao Seu santo nome.

Leia aqui a Parte 2: Jerusalém, a Cidade Santa de Deus



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 10/4/2015
Transferido para a área pública em 17/5/2017
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