O Sinal de Jonas: Três Dias e Três Noites

Autor: Jeremy James, 18/12/2016.

"Preparou, pois, o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe." [Jonas 1:17].

"Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal. Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra." [Mateus 12:38-40].

O Senhor Jesus disse que estaria três dias e três noites no seio da terra. Isto é muito claro, não é? Três dias e três noites. Mas, se Ele foi sepultado na sexta-feira e ressuscitou no domingo, então não esteve no seio da terra durante três dias e três noites.

A Doutrina da Sexta-Feira

A tradição ensina que o sepultamento ocorreu na sexta-feira — porém isto está errado. Como acontece com muitas falsas interpretações da Palavra de Deus, esse ensino teve origem com a Igreja Católica Romana.

Os defensores da doutrina da sexta-feira argumentam que os judeus contavam parte de um dia como se fosse um dia inteiro. De forma similar, eles frequentemente considerariam parte de um ano como se fosse um ano inteiro. Portanto, os três dias nominais — sexta-feira, sábado e domingo — cada um constituía um dia inteiro e poderia ser contado assim no linguajar judaico, dando assim os "três dias". Mas, mesmo se aceitássemos essa linha de raciocínio, ainda não temos como explicar as "três noites", pois, de acordo com a doutrina da sexta-feira, o Senhor Jesus esteve sepultado por somente duas noites (a noite da sexta-feira e a noite do sábado), não três.

Os Comentários Bíblicos

O comentarista Poole tenta contornar isto argumentando que Gênesis 1:5 permite que um "dia" seja contado como um dia e uma noite — "E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro." Em seguida, ele sugere que a expressão "três dias" (parte da sexta-feira, sábado inteiro e parte do domingo) pode validamente ser considerada com o significado de "três dias e três noites" (embora claramente não possa). Esta prestidigitação semântica é indigna de um ótimo comentarista como Poole e é um modo muito inapropriado de tratar uma das principais profecias na Bíblia.

Barnes, Clarke, Gill, Lightfoot e outros, ao exporem Mateus 12:40, consideram a doutrina da sexta-feira como verdadeira com base em que, se o tempo que o Senhor esteve sepultado não pudesse ser reconciliado com o linguajar judaico desta forma, então os fariseus e herodianos teriam afirmado que Jesus profetizara falsamente. Como essa acusação não foi feita em relação a essa profecia — "três dias e três noites do seio da terra" — então argumenta-se que a interpretação idiomática precisa estar correta. Todavia, assumindo, sem análise adicional, que a doutrina da sexta-feira é verdadeira, os comentaristas deixaram de considerar a possibilidade que os fariseus e herodianos não afirmaram que a profecia de Jesus tinha falhado simplesmente por que todos em Jerusalém sabiam de forma contrária. Eles conheciam os relatos das testemunhas oculares que Jesus esteve três dias completos e três noites completas no seio da terra, exatamente como profetizara. E, se este foi o caso, então a própria doutrina da sexta-feira necessariamente está errada.

Jonas e o Grande Peixe

Quando se referiu ao profeta Jonas, o Senhor Jesus também se referiu à Ninive, a cidade à qual Jonas foi enviado para pregar:

"Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra. Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é maior do que Jonas." [Mateus 12:40-41].

A populosa cidade de Nínive estava destinada à destruição, a não ser que seus cidadãos se arrependessem. Eles necessitavam ouvir um pregador corajoso, portando uma mensagem poderosa. É claro, a partir daquilo que Cristo diz em Lucas 11:30, que a mensagem de Jonas foi, em grande parte, talvez até exclusivamente, um testemunho de sua experiência após ter fugido via Jope e chegado a Nínive, isto é, sua morte no mar e sua subsequente ressurreição após passar três dias e três noites no ventre de um grande peixe (possivelmente um tubarão-baleia):

"Porquanto, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o Filho do homem o será também para esta geração." [Lucas 11:30].

"Preparou, pois, o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites nas entranhas do peixe." [Jonas 1:17].

Muitos comentaristas deixam de salientar o fato importante que Jonas morreu no mar, antes de ter sido engolido pelo tubarão-baleia. Aqui está como ele descreveu sua morte:

"As águas me cercaram até à alma, o abismo me rodeou, e as algas se enrolaram na minha cabeça. Eu desci até aos fundamentos dos montes; a terra me encerrou para sempre com os seus ferrolhos; mas tu fizeste subir a minha vida da perdição, ó SENHOR meu Deus." [Jonas 2:5-6].

É importante compreender que Jonas se afogou, que seu corpo chegou até o fundo do mar e que ali ficou enrolado nas algas marinhas. A alma dele deixou seu corpo e foi "até os fundamentos dos montes", significando o mundo do além, o mundo dos mortos, onde ele estava destinado a permanecer. Mas, um grande peixe engoliu seu corpo morto e o carregou até uma praia oriental do Mediterrâneo. À medida que seu corpo começou a se deteriorar dentro do peixe, Jonas orou ao Senhor desde o Seol (o mundo dos mortos):

"Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo." [Jonas 2:7].

O Senhor ouviu a oração — "A salvação é do SENHOR" — e o fez voltar da corrupção:

"Falou, pois, o SENHOR ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra seca." [Jonas 2:10].

O Senhor Jesus estava comparando Sua própria morte com a morte de Jonas. Ele profetizou que, exatamente como o corpo morto de Jonas ficou dentro do ventre do peixe durante três dias e três noites, Seu próprio corpo ficaria no seio da Terra por três dias e três noites.

Entretanto, o salmista nos diz que, ao contrário do corpo de Jonas, o corpo de Cristo não veria a corrupção: "Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção." [Salmos 16:10].

O Sinal de Jonas

Se podemos dizer que o Evangelho tem um sinal, é o sinal de Jonas. Três dias e três noites no seio da terra. Cristo se referiu a isto como um e único sinal para os descrentes:

"Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se." [Mateus 16:4].

O Maligno detesta este sinal e quer degradá-lo. Como a principal profecia que o Senhor Jesus fez a respeito de Sua morte referencia explicitamente o tempo total em que Seu corpo morto jazeria no sepulcro, o Maligno tem um prazer malicioso em torná-la em um objeto de ridicularização e uma fonte de confusão. Satanás sabe que, se conseguir fazer os homens vaidosos acreditarem em suas mentiras, então eles nunca reconhecerão nem aceitarão o sinal de Jonas. O próprio profeta faz uma referência admirável à esta possibilidade quando, na mesma passagem das Escrituras, escreveu:

"Os que observam as falsas vaidades deixam a sua misericórdia." [Jonas 2:8].

A Tipologia do Messias no Pentateuco

Se Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe e o Senhor Jesus comparou Sua morte com a de Jonas, dizendo especificamente que também estaria três dias e três noites no seio da Terra, então cabe a nós identificar o sinal de Jonas nos eventos que estão antes e depois da crucificação.

Todo o Antigo Testamento fala a respeito de Cristo. O livro de Levítico nos dá um relato extraordinariamente detalhado de Sua pessoa e de Sua condição espiritual diante de Deus, Sua divindade, Sua justiça, Sua extraordinária santidade e Seu papel como o único e perfeito autor da salvação. Isto pode ser visto por meio do Tabernáculo e das ofertas, o ofício do sumo sacerdote, a mobília e as vestes, a tipologia dos sacrifícios de animais, a água da separação, o propiciatório, o altar de bronze, o altar de ouro de incenso, o candelabro de ouro e muitos outros elementos. O padrão anual das festas, com seus dias prescritos a serem observados e seus aspectos simbólicos e memoriais, eram outro modo de a nação como um todo obter uma maior compreensão do Messias. Uma das mais importantes dessas festas era a Páscoa.

Cristo é o Cordeiro da Páscoa e o cordeiro sempre era sacrificado na tarde no dia 14 de Nisan (o primeiro mês no calendário litúrgico judaico). Essa festa foi observada anualmente na mesma data, por cerca de 1.400 anos antes de Jesus Cristo vir ao mundo. A mesma data todo ano, uma data estabelecida por Deus no livro de Êxodo e repetida muitas vezes em toda a Bíblia.

Se o cordeiro da páscoa apontava toda vez para o Cordeiro Pascal, e sempre era sacrificado no dia 14 de Nisan, então — de acordo com a tipologia bíblica — o Cordeiro Pascal, o próprio Jesus, precisa também ter sido sacrificado no mesmo dia.

O Dia da Festa Bíblica

No calendário judaico um dia termina às 18h00min (não à meia-noite) e um novo dia inicia. Nossa sexta-feira vai da meia-noite da quinta-feira até a meia-noite da sexta-feira, mas a sexta-feira judaica inicia às 18h00min da quinta-feira e vai até às 18h00min do dia seguinte.

As Escrituras confirmam que isto se aplica também ao conjunto de festas definido pelo Senhor a Israel. Referindo-se à festa do Yom Kippur, ou Dia da Expiação, elas dizem:

"Sábado de descanso vos será; então afligireis as vossas almas; aos nove do mês à tarde, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado." [Levítico 23:32].

O Dia da Expiação cai no décimo dia do mês de Tishri, mas tem início às 18h00min do dia anterior ("aos nove do mês à tarde"). Isto significa, por analogia, que a Páscoa cai no décimo quarto dia do mês de Nisan, porém tem início às 18h00min do dia anterior — o dia 13 do mês, no fim da tarde.

Precisamos ser claros sobre este ponto para podermos estabelecer a sequência real dos eventos que ocorreram antes e depois da crucificação.

Sabemos que a própria sequência terminou no primeiro dia da semana (que foi desde as 18h00min no nosso sábado até as 18h00min do dia seguinte). A partir disso, podemos atribuir um dia específico para cada um dos eventos-chave na semana anterior à ressurreição, de um maneira consistente com a narrativa dos Evangelhos.

Os três evangelhos sinóticos — Mateus, Marcos e Lucas — descrevem, em ordem cronológica ampla, os eventos principais no ministério de Jesus. O Evangelho de João segue uma abordagem diferente, destacando os eventos que lançam luz sobre a divindade de Cristo. Entretanto, o relato de João é, de longe, o mais detalhado de todos, a respeito da semana ou dos dias que antecederam a ressurreição. Isto deve indicar que os outros relatos a respeito desse período estão, em certo sentido, subordinados ao relato de João e devem ser interpretados apropriadamente.

Dez Dias em Nisan

O relato tradicional da "Semana Santa" vai de domingo a domingo, desde a entrada triunfal ("Domingo de Ramos") até o Domingo da Ressurreição. Esse relato cobre um período de oito dias.

No nosso calendário revisado, porém, esses eventos ocorrem em um período de dez dias.

A Entrada Triunfal

Na semana anterior à Sua crucificação, Cristo viajou até Jerusalém para passar a Páscoa ali, partindo da Galiléia e seguindo até os confins da Judeia, além do Jordão [Mateus 19:1]. Grandes multidões o seguiram [Mateus 19:2]. Durante a jornada, Ele tomou os doze apóstolos à parte e explicou que, quando eles chegassem a Jerusalém, Ele seria condenado à morte e crucificado [Mateus 20:18-19].

O trajeto os fez passar por Jericó, que está situada a 24 km de Jerusalém [Mateus 20:29]. Jericó está a 240 metros abaixo do nível do mar, enquanto que Jerusalém está a 750 metros acima do nível do mar. Com uma elevação total de cerca de 1.000 metros, a jornada de 24 km foi muito mais árdua do que seria uma jornada de mesma distância por um terreno plano e deve ter requerido cerca de um dia inteiro de caminhada para completar.

Quando Jesus partiu de Jericó, foi seguido por grandes multidões. [Mateus 20:29]. Atendendo aos pedidos de dois cegos que estavam sentados junto ao caminho, Ele os curou. Imediatamente após o relato dessa cura, Mateus diz: "E, quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras..." [Mateus 21:1]. Isto confirma que Jesus chegou às imediações de Jerusalém no mesmo dia em que partiu de Jericó.

Isto apresenta aos que creem no relato tradicional do "Domingo de Ramos" um grande problema. Eles precisam compactar em um único dia a longa e cansativa jornada desde Jericó, o local de preparação da jumenta e de seu filhote, a lenta procissão feita por Jesus desde Betfagé até o templo, acompanhado durante todo o trajeto por uma grande multidão que cantava Hosana, e a dramática expulsão de "todos os que vendiam e compravam no templo." [Mateus 21:12].

O dia da entrada triunfal foi muito especial para Israel, o dia da sua "visitação" [Lucas 19:44]. O Senhor Jesus tinha reservado esse dia especial para um evento profetizado nas Escrituras. Ele não teria iniciado esse dia com a longa jornada desde Jericó, mesmo que isto fosse possível.

Isto significa que a jornada desde Jericó até Jerusalém ocorreu no dia anterior ao da entrada triunfal, mas se a entrada triunfal ocorreu em um domingo, então o dia anterior foi um sábado — um dia de descanso no qual não era permitido caminhar por longas distâncias.

Sabemos também que a entrada triunfal não ocorreu no sábado, pois as multidões que deram as boas-vindas a Jesus e cantaram Hosanas, cortaram ramos para pavimentar o caminho. Isto teria sido uma infração ao sábado. Além disso, Jesus não teria derrubado as mesas dos cambistas e as cadeiras daqueles que vendiam pombos no dia de sábado.

Isto significa que a entrada triunfal deve ter ocorrido na sexta-feira, antes das 18h00min e que a jornada de Jericó até Jerusalém ocorreu na quinta-feira.

Um Cordeiro Sem Mácula

O Senhor nos deu uma tipologia por meio da qual poderíamos reconhecer os eventos principais na vida de Seu Ungido. Ele queria que a nação de Israel recebesse Seu Filho e, por meio do testemunho profético em Sua Palavra, conhecesse o dia da "sua visitação".

O Cordeiro de Deus tinha de ser perfeito, sem qualquer defeito. A Escritura nos diz que o cordeiro da páscoa era selecionado no dia 10 de Nisan, colocado à parte por quatro dias, geralmente na casa da família e examinado muitas vezes durante esse período para garantir que realmente era perfeito. [Êxodo 12:3-6]. Jesus também, como o Cordeiro da Páscoa, foi selecionado no início do dia 10 de Nisan, o fim da tarde do dia de sua entrada triunfal, e permaneceu sob teste em um local público — o templo — durante quatro dias consecutivos. Isto sugere que a entrada triunfal ocorreu na tarde da sexta-feira e que a "seleção" foi feita em termos proféticos quando Jesus chegou ao templo às 18h00min, exatamente quando o dia 10 de Nisan estava começando:

"Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde." [Êxodo 12:3-6].

Os evangelhos registram muitos detalhes das discussões e debates que ocorreram no templo entre Jesus e os judeus reunidos durante os quatro dias, de 10 a 13 de Nisan. Eles estavam tentando encontrar alguma fraqueza ou imperfeição Nele ou em Sua doutrina, porém não conseguiram encontrar falha alguma. Suas respostas foram tão excepcionais que Mateus registra: "E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo." [Mateus 22:46].

Foi durante aqueles quatro dias que o Senhor Jesus fez Sua mais severa repreensão aos fariseus e à oca e hipócrita filosofia religiosa deles. O capítulo 23 de Mateus simplemente trojeva com indignação enquanto Ele denuncia os fariseus nos temos mais fortes possíveis. Não menos que oito vezes Ele veementemente condena os fariseus com as seguintes palavras: "Ai de vós...!" Ao fazer isso, Ele estava mostrando em público, no templo, por ocasião de uma grande festa, diante da multidão de líderes, sacerdotes, e nobres reunidos, que Ele próprio era perfeito e sem defeitos, que não tinha absolutamente nenhuma das falhas e defeitos que desqualificavam os mais altos líderes religiosos daquele tempo. Nenhuma falha ou imperfeição pôde ser encontrada Nele; Ele era o Cordeiro da Páscoa.

A Última Ceia

No fim do dia 13 de Nisan, às 18h00min da terça-feira, Cristo foi com Seus apóstolos compartilhar uma refeição de Páscoa, isto é, uma refeição feita durante as 24 horas da Páscoa. Os aderentes da doutrina da sexta-feira ensinam que esta foi a refeição de Páscoa prescrita no livro de Êxodo, mas isto não pode estar correto.

Vejamos o porquê. Primeiro, o livro do Èxodo diz que a refeição comemorativa na Páscoa deveria ser feita da seguinte maneira: (1) todos os participantes deveriam estar vestidos, em prontidão para partir, com suas sandálias nos pés; (2) a refeição deveria ser feita apressadamente, mais uma referência à partida iminente; (3) ela deveria ser comida com o cajado na mão, possivelmente em pé, outra referência à partida iminente; e (4) ninguém deveria sair de casa antes do amanhecer.

"O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo. Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR." [Êxodo 12:5-11].

"Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa." [Êxodo 12:22].

Compare isto com os detalhes da Última Ceia: (1) não há evidência que alguém estava vestido em preparação para partir, com as sandálias nos pés; na verdade, Cristo lavou os pés dos apóstolos e até despiu-se de sua capa exterior para poder fazer isso; (2) não há evidência que a refeição foi feita às pressas; (3) não há evidência que algum deles a comeu com o cajado nas mãos; (4) eles beberam vinho, o que não teria sido apropriado para uma refeição servida com "ervas amargas"; e (5) todos eles deixaram a casa antes do amanhecer.

A Última Ceia não poderia ter sido a refeição de Páscoa.

"Partiram, pois, de Ramessés no primeiro mês, no dia quinze do primeiro mês; no dia seguinte da páscoa saíram os filhos de Israel por alta mão, aos olhos de todos os egípcios." [Números 33:3].

O Julgamento, Crucificação e Sepultamento

O Senhor Jesus foi preso no Jardim do Getsêmani na noite da terça-feira e levado diante das autoridades respectivas. Como o Cordeiro da Páscoa, Ele foi submetido à inspeção final pelas pessoas responsáveis por Sua execução e, novamente, nenhuma falha foi encontrada Nele.

Após Sua morte, às 15h00min na tarde da quarta-feira — por volta do horário em que os cordeiros estavam sendo mortos — Seu corpo foi retirado do local de execução e ungido para o sepultamento. Este procedimento deve ter demorado algumas horas, mas teve de ser concluído antes do início do Sábado Grande às 18h00min. Assim Jesus foi colocado na tumba pouco antes das 18h00min da tarde da quarta-feira.

O Sábado Grande — o primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos — impediu que os discípulos realizasssem qualquer atividade em relação ao Seu sepultamento até as 18h01min da tarde da quinta-feira, quando o feriado terminou. As mulheres então levaram e prepararam os ungentos e especiarias com as quais iriam ungir melhor Seu corpo. Isto deve ter tomado a maior parte das horas diurnas de 16 de Nisan, após o que o sábado semanal começou (18h01min da sexta-feira, dia 16). Elas então tiveram de esperar até as primeiras horas da manhã de domingo para completar sua tarefa. (Embora o sábado semanal terminasse às 18h00min do sábado, elas não conseguiriam localizar o túmulo durante o horário noturno.)

A Resssurreição

A Bíblia nos diz que a ressurreição ocorreu no primeiro dia da semana, que teve início às 18h00min do sábado. Provavelmente, a ressurreição ocorreu logo após o sábado semanal terminar e o primeiro dia da semana começar.

O corpo de Jesus esteve no sepulcro durante três dias e três noites, desde 18h00min da quarta-feira até pouco tempo após as 18h00min do sábado. Os dias foram dias completos e as noites foram noites completas. Setenta e duas horas, exatamente como aconteceu com o profeta Jonas.

Este é o sinal de Jonas, ao qual o Senhor Jesus se referiu em Sua profecia.

Como o dia de Pentecostes ocorria 50 dias após a Ressurreição, a "manhã após o sábado" na seguinte passagem é a mesma manhã que Jesus apareceu para Maria Madalena no jardim:

"E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando houverdes entrado na terra, que vos hei de dar, e fizerdes a sua colheita, então trareis um molho das primícias da vossa sega ao sacerdote; e ele moverá o molho perante o SENHOR, para que sejais aceitos; no dia seguinte ao sábado o sacerdote o moverá. E no dia em que moverdes o molho, preparareis um cordeiro sem defeito, de um ano, em holocausto ao SENHOR, e a sua oferta de alimentos, será de duas dízimas de flor de farinha, amassada com azeite, para oferta queimada em cheiro suave ao SENHOR, e a sua libação será de vinho, um quarto de him. E não comereis pão, nem trigo tostado, nem espigas verdes, até aquele mesmo dia em que trouxerdes a oferta do vosso Deus; estatuto perpétuo é por vossas gerações, em todas as vossas habitações. Depois para vós contareis desde o dia seguinte ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; então oferecereis nova oferta de alimentos ao SENHOR." [Levítico 23:9-16].

Esta passagem mostra que, na manhã de Sua ressurreição, Cristo foi as "primícias" profetizadas de todos aqueles que ressuscitarão dos mortos para a vida eterna, exatamente como o apóstolo Paulo declarou em sua Primeira Epístola aos Coríntios:

"Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem." [1 Coríntios 15:20].

Quando fala a respeito daqueles que "dormem", Paulo está se referindo a todos os cristãos professos no curso da história que morreram na fé. A morte deles é tratada como um sono por que, por meio da promessa da ressurreição, os corpos deles despertarão em alguma data futura quando Cristo — as "primícias" — os chamar do túmulo.

A ressurreição de Cristo foi diferente da ressurreição de Lázaro no sentido que Lázaro ressuscitou para a vida em um corpo mortal, enquanto que Cristo ressuscitou em um corpo imortalizado. Como foi (e ainda é) o primeiro a fazer isso, Ele é a longamente profetizada "primícias" — os primeiros molhos da colheita.

No "dia de Cristo" [2 Tesssalonicenses 2:2) todos aqueles que creram Nele ressuscitarão dentre os mortos em corpos imortalizados, seguidos de perto pelos fiéis cristãos que ainda estiverem vivos em Sua vinda. Este é o grande harpazo (ou arrebatamento) em que o Senhor retorna para retirar os seus deste mundo. A gloriosa colheita será seguida por outros sete anos mais tarde, quando todos os santos que morreram durante a Tribulação ressuscitarão em corpos imortalizados. Os últimos incluirão também todos os santos que morreram antes de Cristo ressuscitar do sepulcro.

Todos os cristãos devem viver diariamente em alegre expectativa dessa hora maravilhosa, o grande harpazo, quando Cristo retornar para Sua noiva.

O Erro Católico Romano

A Igreja Católica Romana assumiu o controle das instituições do verdadeiro Cristianismo por volta do século quarto. Entretanto, exatamente como o apóstolo Paulo tinha profetizado, "lobos cruéis" apareceram assim que ele saiu de cena, "não poupando o rebanho". Quando o Maligno não consegue criar uma mentira, em cria uma confusão como alternativa. A crucificação na sexta-feira, embora claramente esteja em desacordo com aquilo que a Palavra de Deus revela, foi criada para parecer plausível.

Encurtando o período de tempo que o Senhor Jesus esteve no sepulcro, o Maligno fez parecer que Cristo profetizou falsamente. Isto também levantou a possibilidade que Jesus realmente não morreu, mas que esteve meramente inconsciente ou que sofreu algum tipo de dano cerebral por um dia, ou pouco mais.

A Igreja Católica Romana argumenta até hoje que Jesus esteve no sepulcro por menos de 36 horas, em vez das 72 horas dadas nas Escrituras. Esta é apenas uma das muitas formas que a antiga religião babilônia zomba e blasfema do Senhor Deus da Bíblia.

A Data da Crucificação

Sabemos que Jesus foi crucificado em um ano em que a Páscoa caiu em uma quarta-feira. Alguns sistemas de calendário computadorizados oferecem datas possíveis que se encaixam nesse critério, porém nem todos eles concordam.

Entretanto, se tomarmos a profecia de Daniel, em que ele declara que o Messias seria "cortado" após 69 "semanas" de anos desde a data do edito real para reconstruir as muralhas de Jerusalém, então a crucificação ocorreu em uma data claramente identificável.

Os detalhes da profecia de Daniel e como ela é comumente interpretada são apresentados no Apêndice A.

Como os anos em questão são "anos proféticos", eles consistem de 360, não de 365 dias. (Isto é explicado no Apêndice.) Daniel disse que 173.880 dias passariam desde o dia em que o edito foi assinado pelo rei Artaxerxes — 1 de Nisan (14 de março) de 445 AC — e o dia que o Messias foi "cortado" (ou morto) [173.880 = 69x7x360 dias]. Se usarmos a calculadora on-line disponível em www.PlanetCalc.com para calcular a data final da profecia de Daniel, quando o Messias foi "cortado", descobrimos que a crucificação ocorreu na quarta-feira, 7 de abril de 32, quando o Senhor Jesus deveria ter cerca de 35 anos de idade.

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!" [Romanos 11:33].

Apêndice A

As 70 Semanas de Daniel (Daniel 9:24-27)

[24] "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo."

[25] "Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos."

[26] "E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações."

[27] "E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador."

As 70 Semanas tiveram início no dia em que o rei persa Artaxerxes assinou o decreto para permitir que os judeus reconstruíssem as muralhas de Jerusalém (não o templo). O ano em que esse rei foi entronizado (465 AC) está bem estabelecido pelos historiadores. O vigésimo ano de seu reinado foi, portanto, 445 AC. O decreto foi assinado no mês de Nisan, de acordo com Neemias. Segundo o costume judaico, o primeiro dia do mês é assumido, se nenhuma data for especificada. Assim, as 70 Semanas tiveram início no primeiro dia de Nisan (isto, 14 de março) de 445 AC.

O Relógio Profético de Israel

Semanas 1-7: O encerramento deste período pode marcar a morte do último profeta que escreveu o Antigo Testamento, Malaquias, e o início do Grande Silêncio.

Semanas 8-69: No fim da semana 69 Cristo morreu ("foi cortado") no Calvário. O relógio profético de Daniel (que se refere apenas a Israel) foi então paralisado. O relógio da Igreja começou em Pentecostes e continuará até o arrebatamento ("a plenitude dos gentios"). [Cristo não retornará a este mundo no arrebatamento, mas encontrará Seus santos nos ares.]

Semana 70: O relógio para a septuagésima semana reiniciará no dia em que o Anticristo assinar uma aliança, ou tratado, de sete anos com a nação de Israel. Isto marcará o início do período de sete anos da Tribulação. Cristo retornará ao Monte das Oliveiras ao fim da septuagésima semana (2520 dias).

Duração da Tribulação (2520 Dias)

A seguinte passagem, em conjunto com Daniel 9:27 e 12:7, permite o cálculo da duração da Tribulação:

"E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses. E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco." [Apocalipse 11:2-3].

A abominação da desolação ocorrerá na metade do período de Tribulação de sete anos. Depois disso, as nações calcarão Jerusalém durante 42 meses. Durante a primeira metade da Tribulação, as duas testemunhas profetizarão durante 1260 dias. Isto é equivalente a 42 meses (42x30 = 1260). Assim, a Tribulação durará por 2520 dias (1260x2).

O Número de Dias em um Ano "Profético"

Como a septuagésima semana (um período de sete anos) é formada por anos de 360 dias (360x7=2520), então as primeiras 69 semanas também precisam ter sido constituídas de anos de 360 dias. Isto permite que a data da crucificação seja calculada como sendo quarta-feira, 7 de abril do ano 32.

O Intervalo de Tempo Entre as Semanas 69 e 70

Existem nas Escrituras outros exemplos de grandes intervalos de tempo entre eventos proféticos aparentemente contíguos. Por exemplo, Isaías 9:6 diz: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." A primeira parte foi cumprida com o nascimento de Jesus em Belém, porém a segunda ainda precisa ser cumprida. Cristo somente terá o governo sobre Seus ombros quando for aceito como rei em Sua Segunda Vinda.

Considere também a passagem das Escrituras que Cristo leu na sinagoga de Nazaré:

"O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor. E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos." [Lucas 4:18-21].

Observe que Ele omitiu deliberadamente a última parte da profecia de Isaías (61:1-2) [passagem sublinhada abaixo]:

"O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes." [Isaías 61:1,2].

Cristo proclamará o "dia da vingança do nosso Deus" e "consolará todos os tristes" em Sua segunda vinda. Há, portanto, um enorme intervalo de tempo entre esses dois conjuntos de eventos — embora ambos estejam citados no mesmo verso das Escrituras.

Considere também Zacarias 9:9-10:

"Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta. E de Efraim destruirei os carros, e de Jerusalém os cavalos; e o arco de guerra será destruído, e ele anunciará paz aos gentios; e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra."

A primeira parte da profecia foi cumprida quando Cristo entrou em Jerusalém montado em um jumentinho, porém a segunda parte ainda precisa ser cumprida, quando então Cristo defenderá Jerusalém, "anunciará paz aos gentios" e "seu domínio se estenderá de mar a mar... até as extremidades da terra.". Estas últimas profecias serão cumpridas na Segunda Vinda, exatamente como aquelas de Isaías.



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 22/12/2016
Transferido para a área pública em 20/12/2018
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/SinalJonas.asp