Não se Perturbe Mais: Sólidas Provas nas Escrituras Que o Arrebatamento Antecederá a Tribulação

Autor: Jeremy James, 27 de março de 2016.

Está se tornando cada vez mais difícil encontrar cristãos nascidos de novo que conheçam a Bíblia de capa a capa. Embora amem ao Senhor e queiram agradá-lo em tudo, eles estão estranhamente relutantes em estudar a Palavra com a dedicação e disciplina que era tão evidente entre os fiéis cristãos nos tempos antigos. Até mesmo os pastores e presbíteros hoje parecem ter somente uma tênue compreensão de muitos aspectos importantes das Escrituras. Além disso, devido ao contínuo ataque à suficiência e verdade literal da Bíblia, eles são lentos em vir à frente e refutar publicamente ensinos que sabem serem confusos, enganosos e até heréticos.

O Maligno está explorando este deplorável colapso no conhecimento bíblico com considerável sucesso. Os pastores que teriam "mantido sua posição" somente dez anos atrás estão agora deslizando para um estado confuso de contemporização, vagueza e tolerância. Sem possuir o conhecimento necessário para refutar um falso ensino, eles estão escolhendo a opção mais suave e ignorando-o, ou então apontam para a aparente sinceridade e boas intenções das pessoas que o promovem. Além disso, eles dizem que seria uma grande vergonha criar caso com alguma coisa que somente serviria para causar dissensão.

Isto soa familiar para você?

O Maligno usa todos os tipos de estratagemas para se infiltrar na igreja e enfraquecer o rebanho. Ele trabalha com base no conhecimento que quanto mais elementos "novos" ele apresentar, maior será a confusão causada. Esta é um estratégia simples e comprovada. Sem possuir um fundamento sólido na Santa Palavra de Deus, os pastores e presbíteros estão sendo levados pela pressão infindável para inovar, de modo a permanecerem "relevantes".

Ataque Aberto Contra o Arrebatamento Pré-Tribulação

Esta estratégia, que está em operação há várias décadas, tem sido tão bem sucedida que o Maligno está agora se movendo para uma nova fase e atacando abertamente certos ensinos evangélicos que foram estabelecidos há muito tempo. Um dos principais alvos na campanha atual é a doutrina do Arrebatamento Pré-Tribulação.

O Maligno sempre odiou esta doutrina, junto com a doutrina da Iminência, pois esta é a "bendita esperança" que sustenta o fiel cristão. Juntas, essas doutrinas ensinam que Cristo pode retornar para Sua noiva a qualquer momento, e que certamente fará isso antes do início da Tribulação.

Os muitos cristãos sinceros do passado que rejeitaram a doutrina de um Arrebatamento Pré-Tribulação fizeram isso com base na compreensão que tinham das Escrituras. Eles não sentiam compulsão em denebrir seus irmãos que aderiam a uma posição pré-tribulação. Infelizmente, esta atitude está agora mudando e muitos cristãos hoje estão sendo informados que a doutrina do Arrebatamento Pré-Tribulação impede o crescimento da igreja. Os críticos mais virulentos a classificam não apenas como escapista, irresponsável e egoísta, mas até como equivalente a uma heresia.

Esta nova e mais abrasiva atitude parece estar se propagando em sincronia com a Teologia do Domínio, que afirma que o homem, por meio do corpo corporativo da igreja, trará o Reino em nome de Cristo e que Cristo retornará pessoalmente somente quando essa tarefa estiver concluída.

A posição contra a doutrina de um Arrebatamento Pré-Tribulação foi, provavelmente, declarada com a maior força em um conjunto de DVDs lançados em 2015 por Good Fight Ministries. O conjunto é formado por uma série de entrevistas com famosos críticos do pré-tribulacionismo, suplementados aqui e ali por citações de eruditos, muitas das quais são bastante longas. Os DVDs também incluem cenas rápidas com figuras históricas, que o documentário afirma que "inventaram" a doutrina do Arrebatamento Pré-Tribulação.

O documentário, que tem uma duração de 4 horas e 24 minutos, é narrado pelo pastor Joe Schimmel, da Capela da Bendita Esperança, em Simi Valley, na Califórnia, e apresenta longos comentários de eruditos como MacPherson, Jacob Prasch, David Bennett, Joel Richardson e Mark Patterson.

Dado o tom do documentário e sua apresentação consistentemente de um lado só, até os próprios autores provavelmente o descreveriam como um ataque sustentado contra o Pré-Tribulacionismo. Ele se propõe a oferecer uma visão justa e equilibrada das muitas questões envolvidas, mas desde o início lança uma crítica incessante à visão pré-tribulacionista, atacando o tempo todo o caráter e questionando a integridade de diversos eruditos cristãos muito respeitados, incluindo J. N. Darby e H. A. Ironside. Quase todo truque teatral é usado para insinuar que o Pré-Tribulacionismo é uma heresia moderna. Os colaboradores, um de cada vez, demonstram desagrado, aversão, desprezo ou zombaria, frequentemente de um modo que parece planejado.

Absurdamente Desbalanceado

O documentário é tão absurdamente desbalanceado que bem poderia ser classificado como propaganda religiosa. O pré-tribulacionismo é reduzido a uma doutrina inventada nos anos 1830s por John Nelson Darby, que é retratado como o líder de uma seita evangélica, e promovida principalmente por pessoas com associações com o ocultismo ou com seitas. Até as Testemunhas de Jeová e os mórmons são mencionados. O documentário sugere repetidamente que a doutrina do Arrebatamento Pré-Tribulação é demoníaca em sua origem e que qualquer um que acredite nela está seriamente enganado.

O narrador insiste que o documentário foi criado por que os participantes "se preocupam" com os infelizes e iludidos cristãos que tolamente acreditam em um Arrebatamento Pré-Tribulação. Eles estão preocupados que a Tribulação possa vir sobre eles subitamente e encontrá-los "despreparados" (pelo menos têm senso de humor).

Bem, esta é a razão declarada. A razão real é que o Vaticano despreza os cristãos bíblicos nascidos de novo e identificou a crença em um Arrebatamento Pré-Tribulação como uma de suas doutrinas mais distintivas e resilientes. Um fiel que vive diariamente na expectativa que Cristo possa retornar a qualquer momento é um fiel de verdade! Como a Igreja Católica Romana vai assimilar alguém assim? A crença em um arrebatamento pós-tribulação não representa o mesmo problema para os arquitetos da vindoura Religião do Mundo Unificado, pois, ao tempo em que ela chegar, eles já terão estabelecido controle completo sobre as mentes e corações dos homens não-regenerados.

Podemos somente conjeturar que os autores desse documentário bizarro não compreenderam a extensão em que estavam ajudando a fazer avançar a agenda do Vaticano.

O Peso da Prova

Como acontece frequentemente em diatribes deste tipo, o documentário coloca todo o peso da prova sobre a "oposição". Os colaboradores oferecem somente as mais tênues evidências em apoio à sua própria posição pós-tribulação. Isto consiste principalmente de dois argumentos — (a) que a igreja consistente e (com pouquíssimas exceções) unanimamente manteve uma visão pós-tribulação desde os tempos apostólicos e (b) que uma exegese adequada de 2 Tessalonicenses 2 mostrará que tanto a grande apostasia e a revelação do homem do pecado (o Anticristo) precisam ambas ocorrer antes do Arrebatamento.

Vamos olhar para o primeiro argumento. A igreja sobre a qual estamos falando é realmente a Igreja Católica Romana (surpresa, surpresa). Eles nunca admitem que pouca evidência documental sobreviveu desde os tempos apostólicos para que possamos saber em que os cristãos verdadeiramente nascidos de novo acreditavam, ou o que estudavam, até a Reforma. Roma sempre tomou cuidado para investigar, suprimir e destruir os escritos de seus oponentes, exceto onde a disseminação deles poderia servir a algum propósito ulterior. O vão resultante no nosso conhecimento é, portanto, profundo, porém os criadores desse "documentário" tendencioso acharam adequado ignorar esse fato básico.

Exegese Seriamente Errada

O segundo argumento deles está baseado em uma interpretação seriamente incorreta de 2 Tessalonicenses 2:1-4:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus." [2 Tessalonicenses 2:1-4].

Esta passagem é citada repetidamente e até cansar no DVD Left Behind or Led Astray? Eles afirmam, em sua exegese, que Paulo está ensinando que o Arrebatamento não pode ocorrer, exceto se duas condições já tenham sido cumpridas: (1) a grande apostasia da igreja professa ocorreu e (2) a identidade do homem do pecado, o Anticristo, foi revelada. Ironicamente, eles são culpados do mesmo erro que tão frequentemente atribuem aos outros, isto é, a de tirar uma passagem das Escrituras do contexto, de modo a produzir ou impor a interpretação desejada.

Vamos ver o contexto. Os tessalonicenses estavam grandemente perturbados que o Arrebatamento já tivesse ocorrido (versos 1 e 2). Paulo tenta confortá-los dizendo que suas preocupações eram totalmente infundadas e pede que nunca mais se deixem "mover no entendimento nem se perturbar" por esse tipo de rumor, qualquer que seja a origem. De modo a tranquilizar suas mentes, ele salienta que, tivesse o Arrebatamento já ocorrido e eles tivessem sido deixados para trás, já teriam testemunhado a grande apostasia (o que não tinham) e conhecido a identidade do homem do pecado, o Anticristo (o que também não tinham).

Obviamente, Paulo não estava dizendo que, antes que o Arrebatamento pudesse ocorrer, eles primeiro teriam de testemunhar a grande apostasia e ficar sabendo a identidade do homem do pecado. Ao contrário, estava dizendo exatamente o oposto! Ele estava dizendo que, como a grande apostasia ainda não tinha acontecido e, como o homem do pecado ainda não tinha sido revelado, o Arrebatamento não poderia ter ocorrido.

Em sua inepta exegese desta passagem, os críticos preferiram ignorar o contexto em que Paulo estava falando, de modo que erraram horrivelmente.

É interessante que esses versos podem ser usados para apoiar a visão que o intervalo de tempo entre o Arrebatamento e o aparecimento do Anticristo não será maior do que um ou dois anos e, certamente, dentro do período de vida da maioria dos adultos que ficarem para trás naquele tempo.

Escritos Esquecidos

De passagem, precisamos observar que muitas das afirmações e acusações contra Darby, feitas pelo pastor Schimmel e sua equipe, de que ele "inventou" a doutrina de um Arrebatamento Pré-Tribulação, foram demonstradas como infundadas por um trabalho recente realizado por William Watson, professor de história na Universidade Cristã do Colorado. Por meio de uma cuidadosa inspeção de obras teológicas respeitáveis publicadas na Inglaterra no século 17, ele conseguiu mostrar que a doutrina já era bem compreendida e substancialmente desenvolvida mais de duzentos anos antes de Darby.

O século 17 mal tinha começado quando Thomas Draxe, um teólogo inglês, publicou o seguinte:

"Aqui, podemos observar a bondade de Deus e a constância de Seu eterno amor em Cristo para Seus filhos; a quem Ele ama uma vez, ama para sempre, por causa da ingratidão de muitos, ou da maioria, Ele não perde uma ocasião de fazer o bem para os seus (embora sempre tão poucos em número e sempre tão odiados e desprezados no mundo). Se houver somente um Noé e sua família no mundo que o serve de verdade, Ele se lembrará e os salvará, enquanto todo o resto do mundo perece. Se houver apenas um Ló em Sodoma, ele será preservado, enquanto todos os demais são consumidos; embora o rebanho de Cristo possa ser pequeno, ele herdará o reino; e aqueles a quem o Senhor encontrar acordados e fazendo o bem em sua vinda (embora eles possam ser tão raros) serão abençoados."

"A razão é que a aliança de Deus é inalterável e alcança até mil gerações e a infidelidade dos homens não afeta a fidelidade e verdade de Deus na realização de Suas promessas. Em segundo lugar, Deus é justo e não (como vemos entre os homens) pune e condena o justo por causa do injusto." [citado de The World's Ressurrection, or the General Calling of the Jews, de Thomas Draxe, 1608 [O texto completo desta obra pode ser encontrada em Early English Books Online.].

Draxe está claramente ensinando um Arrebatamento Pré-Tribulação e fazendo isso com toda a paixão de alguém que estudou a questão em detalhes. Como o livro de William Watson revela, muitas outras obras apareceram no curso do século 17 — escritas por teólogos ingleses, franceses e americanos — que ecoaram a visão de um Arrebatamento Pré-Tribulação. Watson observa:

"Muito pouco daquilo que John Nelson Darby ensinou em meados do século 17 era novo. Nenhuma das fontes citadas neste trabalho (isto é, o cap. 7) foi citada no debate recente sobre o arrebatamento. Muito provavelmente isto é por que elas não são lidas há séculos" — William Watson (pág. 177) Dispensationalism Before Darby, 2015.

Um Exame do Arrebatamento nas Escrituras

Faremos agora aquilo que esse estranho "documentário" vergonhosamente deixou de fazer, e examinaremos o que as Escrituras realmente dizem acerca do Arrebatamento.

Entretanto, antes disso, precisamos primeiro considerar duas doutrinas fundamentais do Cristianismo bíblico — a doutrina da Igreja e a doutrina da Tribulação. É evidente, a partir do debate atual com relação ao Arrebatamento Pré-Tribulação, que muitos têm uma compreensão confusa de ambas as doutrinas.

O Que É a Igreja?

Todos os tipos de problemas aparecem quando confundimos um grupo — todos que são salvos desde o início até o fim dos tempos — e a entidade conhecida como ecclesia, ou igreja. A palavra ecclesia ("aqueles que foram chamados para fora") é usada diversas vezes na Bíblia (incluindo a Septuaginta, a tradução em grego do Velho Testamento, que foi feita antes do nascimento de Cristo) para denotar nada mais que uma assembleia de pessoas. Entretanto, em vários locais no Novo Testamento ela assume um significado muito especial, isto é, todos os que são salvos por meio da fé em Cristo Jesus. Nesse contexto, a palavra ecclesia significa todos os que ouviram e responderam ao chamado ao arrependimento e aceitaram Jesus como seu Senhor e Salvador. Como tais, eles são verdadeiramente os chamados para fora, tendo sido chamados do mundo para a salvação.

A formação da igreja começou quando as primeiras almas foram seladas pelo Espírito Santo, em Pentecostes. O Espírito Santo veio de um modo especial, até então desconhecido, naquela gloriosa manhã, para dar início a um processo que continuará até que Sua missão esteja concluída. Neste estágio, a igreja será constituída por qualquer um — tanto gentio e judeu — que vier a Cristo entre o dia de Pentecoste e o dia do Arrebatamento.

A partir disto, podemos ver que a igreja não é formada por todos que são salvos em toda a história — algumas vezes chamados de "eleitos" — mas somente por um subconjunto. Isto significa que as almas que vieram à fe antes do Pentecostes e após o Arrebatamento não farão parte do corpo corporativo conhecido como a igreja. Eles serão salvos, é claro, mas o papel deles no maravilhoso Plano de Deus não será idêntico ao papel da igreja, a Noiva de Cristo.

É somente quando consideramos a igreja como a Noiva de Cristo que podemos ver por que ela precisa ser uma criação singular e finalizada no tempo em que Cristo vier para levá-la para o lar celestial. No presente, ela ainda está sendo formada, de forma similar a um bebê no útero materno, "de modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito". Após sair, ela estará completa para sempre. Ela foi concebida em Pentecostes e deixará o mundo totalmente formada no Arrebatamento.

Quaisquer que sejam suas limitações e falhas como indivíduos, os fiéis da época da igreja constituirão na plenitude dos tempos um ser corporativo de extraordinária beleza, a noiva e consorte do encarnado Filho de Deus: "Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele."

A igreja é a consorte, ou auxiliadora, que o Senhor, por meio do Espírito Santo, deu ao Seu Filho. Cristo suportou as dores do Calvário "... o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta..." [Hebreus 12:2].

Quando Cristo retornar para Sua noiva, dali para frente ela permanecerá ao Seu lado, como Sua auxiliadora e companheira na eternidade. Este será um tempo de uma alegria extraordinária, superando de longe tudo o que nossas mentes limitadas podem compreender.

A cerimônia de casamento ocorrerá no céu, onde sem dúvida, o próprio Senhor oficiará, enquanto que a festa, para a qual todos os fiéis ("os eleitos") serão convidados, ocorrerá na Terra, no início do Milênio.

O Salmo 45 apresenta um quadro verdadeiramente admirável desses eventos. Incentivamos o leitor a estudar esse salmo com atenção e descobrir em seus versos exuberantes uma compreensão mais profunda daquilo que o próprio Cristo vê quando olha para Sua noiva, "a rainha ornada em finíssimo ouro de Ofir":

"O meu coração ferve com palavras boas, falo do que tenho feito no tocante ao Rei. A minha língua é a pena de um destro escritor. Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; a graça se derramou em teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre. Cinge a tua espada à coxa, ó valente, com a tua glória e a tua majestade. E neste teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da verdade, da mansidão e da justiça; e a tua destra te ensinará coisas terríveis. As tuas flechas são agudas no coração dos inimigos do rei, e por elas os povos caíram debaixo de ti. O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. Todas as tuas vestes cheiram a mirra e aloés e cássia, desde os palácios de marfim de onde te alegram. As filhas dos reis estavam entre as tuas ilustres mulheres; à tua direita estava a rainha ornada de finíssimo ouro de Ofir. Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa do teu pai. Então o rei se afeiçoará da tua formosura, pois ele é teu Senhor; adora-o. E a filha de Tiro estará ali com presentes; os ricos do povo suplicarão o teu favor. A filha do rei é toda ilustre lá dentro; o seu vestido é entretecido de ouro. Levá-la-ão ao rei com vestidos bordados; as virgens que a acompanham a trarão a ti. Com alegria e regozijo as trarão; elas entrarão no palácio do rei. Em lugar de teus pais estarão teus filhos; deles farás príncipes sobre toda a terra. Farei lembrado o teu nome de geração em geração; por isso os povos te louvarão eternamente." [Salmos 45:1-17].

O Salmo retrata Cristo quando Ele desce até a Terra, trazendo uma espada ("Cinge a tua espada à coxa") para destruir o ímpio ("a tua destra te ensinará coisas terríveis"). Ele foi enviado pelo Senhor ("Deus, o teu Deus") para realizar Sua terrível missão. Sua noiva, com quem Ele se casou no céu, está ao seu lado ("à tua direita estava a rainha ornada de finíssimo ouro de Ofir"). Ele ama grandemente sua noiva ("Então o rei se afeiçoará da tua formosura") e é orientada pelo Senhor a amar Seu Filho verdadeiramente em gratidão ("pois ele é teu Senhor; adora-o"). Após sua grande vitória sobre o ímpio Ele será anfitrião de uma festa de casamento.

Todos os justos da Terra virão a essa festa ("a filha de Tiro estará ali com presentes; os ricos do povo suplicarão o teu favor"). Dentre os santos, o Senhor selecionará assistentes ("as virgens que a acompanham a trarão a ti") e estarão com ela ("elas entrarão no palácio do rei"). Muitos indivíduos de dentro da igreja "teus filhos") governarão a Terra durante o Milênio ("deles farás príncipes sobre toda a terra"). E o Reino dele durará para todo o sempre.

O Que É a Tribulação?

Apesar de tudo o que já foi escrito e dito sobre a Tribulação, a maioria dos cristãos professos hoje tem pouca compreensão do que ela realmente é. O crescimento do Dominionismo — que é fortemente promovido pela morna Igreja de Laodiceia — obscureceu grandemente a realidade do Julgamento que está por vir.

Mesmo onde os fiéis aceitam que a Tribulação possa ser um evento real, eles a veem principalmente em termos da guerra e turbulências experimentadas intermitentemente por toda a história, mas em uma escala gigantesca. Por mais pavoroso que isto possa ser, porém, a Grande Tribulação será inimaginavelmente pior — mais severa, mais bárbara, mais horrenda do que qualquer coisa que já tenhamos visto ou conhecido.

O Senhor, em Sua misericórdia, nos deu uma "prévia" da ira futura quando incluiu em Sua Santa Palavra um relato detalhado do Dilúvio.

A cronologia bíblica indica que esse evento espetacular ocorreu por volta de 2350 AC. Além das oito pessoas na Arca e seu complemento de animais e pássaros, tudo o mais que tinha fôlego na Terra morreu. Tudo. Aqueles que fugiram para as montanhas, ou que encontraram refúgio em algum tronco flutuante, morreram depois de pouco tempo. Além dos insetos e dos peixes, nada sobreviveu em toda a face da Terra: "Tudo o que tinha fôlego de espírito de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu." [Gênesis 7:22].

De quantas pessoas estamos a falar? Se fizermos a suposição muito conservadora que, cem anos após a criação de Adão e Eva, em 4000 AC, havia uma centena de adultos vivos na Terra, e que a população humana cresceu a uma taxa muito modesta de 1,5% ao ano, então havia pelo menos um bilhão de pessoas na Terra por volta do tempo do Dilúvio. Com exceção dos oito indivíduos sobreviventes, TODOS os demais morreram depois de algumas poucas semanas.

Agora, isto é julgamento, isto é tribulação, isto é a ira de Deus!

Este é o tempo sobre o qual os profetas advertiram, quando a misericordiosa paciência do Senhor se esgota, quando a Era da Graça chega a um fim súbito e dramático e o julgamento de Deus é derramado com grande fúria sobre toda a Terra.

Este não é um tempo de flagelação ou de santificação. Não é um tempo de purificação. Ao revés, é uma era completamente nova na história da Terra, um tempo de vingança, um tempo de punição, quando o Senhor Deus de toda a criação derrama Sua justa ira sobre as massas ímpias da humanidade.

É absurdo acreditar que a igreja estará na Terra quando isto acontecer!

A noiva de Cristo não passará pela Grande Tribulação, pois Cristo JÁ recebeu a ira de Deus sobre Si mesmo no lugar dela. Isto foi o que nosso Senhor alcançou para nós no Calvário! Como, então, pode a igreja precisar pagar uma dívida que o Filho de Deus já pagou?

É uma marca de quão longe a igreja professa já se afastou da verdade bíblica que tantos deixem de compreender a Noiva de Cristo ou a Tribulação. Como resultado, eles são enganados e levados a acreditar na bobagem sarcástica promovida pela cabala que produziu o DVD Left Behind or Led Astray? e outros com a mesma mentalidade.

O Arrebatamento e a Segunda Vinda São Eventos Separados

Surge também muita confusão quando eruditos bíblicos deixam de distinguir claramente entre o Arrebatamento (sendo a primeira parte da Segunda Vinda) e o evento conhecido como a "Segunda Vinda" (sendo na realidade a segunda parte da Segunda Vinda). As Escrituras tornam muito claro que esses são dois eventos distintos, separados por um período de tempo não especificado:

— O Arrebatamento Como um Evento Distinto —

No Arrebatamento, Cristo não retorna à superfície da Terra, mas apanha os fiéis cristãos para se encontrarem com Ele acima da Terra, levando-os diretamente para o céu:

"E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." [João 14:3].

"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." [1 Tessalonicenses 4:17].

No Arrebatamento, ocorrerá também a ressurreição física de todos os fiéis da Época da Igreja que já morreram:

"Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade." [1 Coríntios 15:52,53].

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro." [1 Tessalonicenses 4:16].

No Arrebatamento, os corpos dos fiéis cristãos vivos (como os corpos dos fiéis ressuscitados) imediatamente se tornarão imortais:

"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade." [1 Coríntios 15:51-53].

"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." [1 Tessalonicenses 4:17].

No momento do Arrebatamento, a Terra estará em um estado de relativa calma e ninguém estará esperando o julgamento de Deus:

"E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos. Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar." [Lucas 17:26-30].

Este foi o caso no dia em que Noé entrou na Arca e no dia em que Ló saiu da cidade de Sodoma. As Escrituras também dizem:

"Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai... Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai." [Mateus 24:36,44].

O Arrebatamento poderá ocorrer a qualquer momento.

No dia do Arrebatamento, a igreja professa estará dormindo e haverá pouca expectativa geral com o retorno do Senhor:

"E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram." [Mateus 25:5].

"Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo. E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." [Marcos 13:35-37].

Agora, vamos ver como o retorno de Cristo para Sua noiva é muito diferente da ocasião, alguns anos mais tarde, quando Ele retorna em grande glória com os anjos e os santos para punir os ímpios:

— A "Segunda Vinda" como um Evento Distinto —

Na "Segunda Vinda" Cristo retorna à Terra (no Monte das Oliveiras) para governar sobre Israel e o mundo inteiro a partir do trono de Davi em Jerusalém:

"E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul." [Zacarias 14:4].

"Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim." [Lucas 1:32-33].

Na "Segunda Vinda" a ressurreição dos mortos, que é referenciada no livro de Apocalipse (20:4), só ocorre após o Anticristo ser derrotado. Os mortos em questão são aqueles que vieram a Cristo durante a Tribulação e foram martirizados por causa de sua fé:

"E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos." [Apocalipse 20:4-6].

Esta passagem está descrevendo dois dos três grupos que formam "a primeira ressurreição", isto é, (1) os santos tomados no Arrebatamento (tanto aqueles que estavam vivos e os fiéis de Época da Igreja que já morreram) e (2) todos aqueles que foram martirizados por sua fé durante a Tribulação. O terceiro grupo, os santos do Velho Testamento (incluindo João Batista) aparentemente ressuscitarão no início do Milênio (veja Isaías 26:19, Daniel 12:2-4 e Oseias 13:14).

Na "Segunda Vinda" todos os santos da Época da Igreja retornarão à Terra com Cristo:

"E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul. E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo." [Zacarias 14:4-5].

"E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de veste tingida em sangue; e o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro." [Apocalipse 19:11-14].

Os exércitos citados não podem ser de anjos somente, pois é feita referência às vestes dos santos ("linho fino, branco e puro"). Portanto, o Arrebatamento precisa ter ocorrido antes da Segunda Vinda e precisa ser um evento totalmente separado.

Na "Segunda Vinda" o mundo está se aproximando do fim do maior período de turbulências na história, em que incontáveis milhões morrem de fome, em guerras e de doenças e toda a Terra fica exposta a uma terrível devastação: "Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver." [Mateus 24:21]. Cada um dos selos, trombetas e julgamentos das taças descritos no Apocalipse terão sido derramados sobre a Terra antes que o Senhor venha para derrotar o Anticristo.

Consideraremos agora as passagens das Escrituras que mostram que, não somente o Arrebatamento e a "Segunda Vinda" são dois eventos totalmente separados, mas que o Arrebatamento ocorrerá antes do início da Tribulação.

Versos Que Confirmam um Arrebatamento Pré-Tribulação

1. A Estrela da Manhã

Verso de Prova: 2 Pedro 1:19.

Em um ensaio anterior, intitulado "Cristo Veio Duas Vezes em Sua Primeira Vinda e Virá Duas Vezes em Sua Segunda Vinda — Alguns Fatos Sobre o Arrebatamento", vimos Cristo como a Estrela da Manhã. Incentivamos o leitor a considerar as evidências bíblicas apresentadas naquele ensaio.

O diagrama abaixo mostra o relacionamento entre a primeira e segunda vindas de Cristo. Em cada vinda Ele faz tanto uma aparição seletiva e geral.

Cristo veio duas vezes em Sua primeira vinda. É surpreendente que tão pouca atenção tenha sido dada a este fato bastante óbvio. Por que, então devemos estar surpresos que Ele também virá duas vezes em Sua segunda vinda?

2. O Dia de Cristo

Versos de Prova: Amós 5:18; 1 Coríntios 5:5; 2 Coríntios 1:14; Filipenses 1:6,10; 2:16; 1 Tessalonicenses 5:2; 2 Ts. 2:2.

O apóstolo Pedro estava se referindo à primeira parte da Segunda Vinda quando falou da "estrela da alva" (Cristo) surgindo nos corações de todos os fiéis cristãos — "E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações." [2 Pedro 1:19].

O apóstolo Paulo referiu-se a este evento como "o dia de Cristo" ou "o dia do Senhor Jesus". Paulo escolheu esses termos de modo a distinguir o dia em questão do dia do Senhor, que em todo o Velho Testamento é referido como o dia da ira de Deus sobre as massas rebeldes da humanidade.

Joel chamou esse dia de ira de "o grande e terrível dia do SENHOR" [Joel 2:31], enquanto que Sofonias o chamou de "o grande dia do SENHOR":

"O grande dia do SENHOR está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do SENHOR; clamará ali o poderoso." [Sofonias 1:14].

Não há dúvida que o dia do Senhor é a Grande Tribulação. Aqui está como Isaías se referiu ao impacto destrutivo desse dia sobre Babilônia no fim dos tempos:

"Clamai, pois, o dia do SENHOR está perto; vem do Todo-Poderoso como assolação... Eis que vem o dia do SENHOR, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação, e dela destruir os pecadores." [Isaías 13:6,9].

Há alguma coisa com relação ao dia do Senhor que devemos desejar ansiosamente? Absolutamente não. Veja o que escreveu Amós:

"Ai daqueles que desejam o dia do SENHOR! Para que quereis vós este dia do SENHOR? Será de trevas e não de luz." [Amós 5:18].

Agora, vamos comparar o dia do Senhor com o "dia de Jesus Cristo", como Paulo o chamou em Filipenses 1:6. Ele usou esse termo, ou seu equivalente, em sete ocasiões no total. Examinaremos uma de cada vez:

—— 1. ——

"Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus." [1 Coríntios 5:5].

Contexto: Paulo estava repreendendo a igreja em Corinto por tolerar a presença de fornicadores em seu meio e pede que um determinado membro seja excluído — tanto para seu próprio bem, como também para o da igreja. Era possível que aquele indivíduo caísse em si e se arrependesse de seu pecado "... para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus." Ele não está falando aqui do julgamento naquele dia, mas exatamente o oposto.

O dia do Senhor Jesus não é o dia do Senhor (implicando em ira), mas, ao revés, o dia da Ressurreição/Arrebatamento (implicando em salvação) que precede o dia do Senhor.

—— 2. ——

"Como também já em parte reconhecestes em nós, que somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa no dia do Senhor Jesus." [2 Coríntios 1:14].

Contexto: Paulo está lembrando a igreja de Corinto, no início de sua epístola, que está obrigado a suportar "tribulação" quando sai para propagar a mensagem do Evangelho da salvação. Ele se conforta no conhecimento que a igreja de Corinto, para quem pregou o Evangelho inicialmente, será recebida por Cristo "no dia do Senhor Jesus", que é o dia da Ressurreição/Arrebatamento. Quando ele diz "somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa no dia do Senhor Jesus", está se referindo ao fato que os fiéis em Corinto vieram a Cristo por meio de seu trabalho missionário, e que Cristo reconhecerá esse valioso serviço ao determinar o galardão de Paulo, no julgamento do Tribunal de Cristo (o Bema), que ocorrerá imediatamente após a Ressurreição/Arrebatamento. Como diz o comentarista Barnes:

Somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa no dia do Senhor Jesus. Ou, como vocês serão nossa alegria no dia em que o Senhor Jesus vier para reunir Seu povo para Si mesmo. Então, todos verão que vocês foram alcançados por meio do nosso ministério; e esta será uma ocasião para abundantes e eternas ações de graças a Deus que vocês se converteram por meio do nosso trabalho.

—— 3. ——

"Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo." [Filipenses 1:6].

Contexto: Paulo está se dirigindo aos fiéis em Filipos, na região grega da Macedônia, informando-os que tem orado por eles consistentemente, desde o dia que pregou o Evangelho para eles pela primeira vez. Ele os está lembrando que a obra de santificação, que teve início na hora em que eles foram salvos, continuará até que estejam diante de Cristo. Como a "boa obra" que Cristo realiza em cada fiel cristão está completa no Arrebatamento, este verso está dizendo claramente que "o dia de Jesus Cristo" é o dia do Arrebatamento.

—— 4. ——

"Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo." [Filipenses 1:10].

O apóstolo está exortando os filipenses a diligentemente cumprirem seu chamado como santos em Cristo e produzirem os frutos de justiça que trazem glória e louvor a Deus. Tendo estabelecido isto como um padrão, eles devem continuar fielmente neste rumo até o dia em que estarão diante de Cristo, que é o dia do Arrebatamento.

—— 5. ——

"Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão." [Filipenses 2:16].

Contexto: Paulo os está exortando a brilhar como luzeiros no mundo, pregando o Evangelho e dando testemunho dessa verdade com suas vidas exemplares e inculpáveis. Quando, no devido curso, eles estiverem com ele diante do Tribunal de Cristo, o Bema, ele está certo que se alegrará grandemente em ver como Cristo os galardoará. Mais uma vez, podemos ver como "o dia de Cristo" é um dia de alegria e celebração, não um dia de ira e tribulação.

—— 6. ——

"Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite." [1 Tessalonicenses 5:2].

Aqui Paulo faz algo incomum: usa o termo "o dia do Senhor" onde anteriormente tinha usado "o dia de Cristo" (em Filipenses). Entretanto, "o Senhor" que ele tem em mente é Cristo, não o Senhor Deus. Portanto, devemos compreender que este verso quer dizer: "Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor Jesus virá como o ladrão de noite." Sabemos, a partir do contexto, que ele não pode querer dizer "o dia do Senhor", pois esse dia não virá como um ladrão de noite, mas "com indignação derramada" (Ezequiel 20:33-34).

Os eruditos algumas vezes se esquecem que o texto grego do Novo Testamento usa Kyrios para traduzir tanto "SENHOR" (YHVH) e "Senhor" (Adonai). Considere, por exemplo, a tradução grega em Mateus 22:44 do verso em hebraico citado do Salmo 110:

"Disse o SENHOR [YHVH] ao meu Senhor [Adonai]: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés." [Salmos 110:1].

"Disse o Senhor [Kyrios] ao meu Senhor [Kyrios]: Assenta-te à minha direita,Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?" [Mateus 22:44].

A palavra grega Kyrios é usada duas vezes em Mateus 22:44, mas na primeira ocorrência ela significa SENHOR (YHVH) e na segunda Senhor (Jesus).

—— 7. ——

"Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." [2 Tessalonicenses 2:2].

Que verso maravilhoso! O apóstolo aos gentios está exortando os tessalonicenses do seu tempo, bem como os cristãos de todas as gerações futuras, a serem firmes e constantes em aderir à doutrina do Arrebatamento e não se deixarem abalar pelos muitos ataques que serão feitos contra ela. O dia de Cristo, o Arrebatamento, virá como um ladrão na noite — sem um evento em particular para sinalizar sua chegada iminente. Em resumo, um Arrebatamento Pré-Tribulação.

3. Bendita Esperança

Versos de Prova: 1 Coríntios 16:22; Apocalipse 22:20; Amós 5:18.

"Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata!" [1 Coríntios 16:22].

As palavras "Seja anátema. Maranata" significam "Que seja amaldiçoado. O Senhor está vindo." O significado técnico de anátema é "colocado de lado por Deus para a destruição", sendo a condição natural de todos os que rejeitam o dom da salvação. Assim, Paulo não está pedindo que eles sejam amaldiçoados, mas que a terrível condição deles seja reconhecida. Ao mesmo tempo, ele os lembra de seus próprios estados de bem-aventurados e que, como herdeiros da salvação, sempre deveriam ter em mente que o Senhor Jesus está vindo.

Em sua mensagem à igreja em Tessalônica, ele lhes disse que muitas outras igrejas se fortaleciam com os exemplos definidos por seus membros, que servem ao Deus vivo e verdadeiro e que "Jesus nos livra da ira futura" [1 Tessalonicenses 1:10]. Podemos ver como esse verso combina ambas as ideias, a de anátema e a de maranata. (É interessante que anátema é uma palavra de origem grega e maranata é aramaica.) A ira por vir é para aqueles que são anátema, separados para a destruição, enquanto que aqueles que são salvos vivem diariamente na oração de regozijo, maranata — o Senhor está vindo ou, como diz o Apocalipse, "Ora vem, Senhor Jesus." [22:20].

Ele se refere a esses fiéis cristãos em sua segunda carta a Timóteo como "também a todos os que amarem a sua vinda":

"Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda." [2 Timóteo 4:8].

Ele aponta novamente para este mesmo momento glorioso em sua epístola a Tito:

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo." [Tito 2:13].

Sabemos que a oração Maranata implica um Arrebatamento Pré-Tribulação porque os santos da Época da Igreja estão proibidos de orar e pedir vingança ou ira sobre seus inimigos. Se o Arrebatamento fosse um evento pós-tribulação, então toda vez que um fiel cristão orasse Maranata!, estaria pedindo que Deus apressasse a punição dos ímpios.

O profeta Amós estava apresentando o mesmo ponto quando disse que era errado desejar o dia do Senhor:

"Ai daqueles que desejam o dia do SENHOR! Para que quereis vós este dia do SENHOR? Será de trevas e não de luz." [Amós 5:18].

Para aqueles que gostam de ter um ou dois versos para poderem pendurar toda uma doutrina (o que não é algo muito sábio de fazer) então esses dois versos — Amós 5:18 e Apocalipse 22:20 — podem ser citados como prova suficiente nas Escrituras de um Arrebatamento Pré-Tribulação.

O Período Maranata

Alguns versos no Novo Testamento sugerem que este "Período Maranata" será maior do que muitos podem esperar:

"Porque ainda um pouquinho de tempo, e o que há de vir virá, e não tardará." [Hebreus 10:37].

"Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação." [2 Pedro 3:3-4].

Isto levou alguns tradutores a interpretarem a palavra grega tachy em Apocalipse 22:20 com o significado de "brevemente" ou "sem demora", em vez de "subitamente", ou "sem aviso", o que o idioma grego permite:

"Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus." [Apocalipse 22:20].

A palavra tachy tem a intenção de significar "subitamente" (além, talvez, de "brevemente") em Apocalipse 2:5:

"Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres." [Apocalipse 2:5].

A primeira referência que Cristo fez à bendita esperança no Apocalipse foi no verso 3:11:

"Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa." [Apocalipse 3:11].

Em seguida, no último capítulo do Apocalipse — sendo o capítulo de encerramento da Bíblia — Jesus colocou ênfase na bendita esperança quando apontou para ela não menos do que três vezes — no verso 22:7 ("Eis que presto venho") [subitamente], no verso 22:12 ("E, eis que cedo venho.") [subitamente] e outra vez no verso 22:20 ("Certamente cedo venho.") [subitamente].

Como muitos expositores da Bíblia já observaram, quando algo é declarado uma vez na Bíblia, aquilo é importante; quando é declarado duas vezes, é muito importante; mas quando é declarado três vezes, sabemos com certeza que aquilo é de importância muito grande e deve ser bem compreendido e aceito por todos que são verdadeiramente nascidos de novo.

As palavras "Ora vem, Senhor Jesus" (Apocalipse 22:20) constituem uma oração, mas a igreja está proibida de orar para pedir ira e destruição. Isto mostra conclusivamente que, em sua alegre expectativa pela segunda vinda de Cristo, a igreja está aguardando e orando pelo "dia de Cristo", não pelo "dia do Senhor".

A Bíblia está claramente ensinando um Arrebatamento Pré-Tribulação.

4. Conforto

Versos de Prova: 1 Tessalonicenses 1:9-10; 4:18; 5:1,9; Tito 2:13; Lucas 12:35-36.

"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras." [1 Tessalonicenses 4:18].

O Arrebatamento pode ser um conforto somente se ocorrer antes da Tribulação.

Ser "livrado da ira futura" (veja abaixo) significa evitar as provações da Tribulação:

"Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura." [1 Tessalonicenses 1:9-10].

O verso seguinte confirma que a igreja, a noiva de Cristo, não enfrentará o tempo da ira da Tribulação:

"Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva... Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." [Tessalonicenses 5:1,9].

Este conforto, esta bendita esperança, está fundamentada no retorno de Cristo para Sua noiva:

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo." [Tito 2:13].

O seguinte é uma orientação para os fiéis cristãos estarem preparados para o retorno de Cristo para Sua noiva, o que pode ocorrer a qualquer tempo:

"Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe." [Lucas 12:35-36].

Estas cinco passagens acima inequivocamente ensinam um Arrebatamento Pré-Tribulação. É necessário violentar esses versos e seus contextos para extrair algum outro significado.

5. A Igreja Está Reconciliada com Deus

Verso de Prova: Romanos 1:18.

A Tribulação é a expressão final da ira de Deus:

"O grande dia do SENHOR está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do SENHOR; clamará ali o poderoso. Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas. E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra o SENHOR; e o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne será como esterco. Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do SENHOR, mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada." [Sofonias 1:14-18].

A ira de Deus, que cairá sobre toda a Terra, é descrita como "o grande dia do Senhor". Esse dia está sendo reservado pacientemente por Deus até o fim dos tempos. O apóstolo Paulo torna muito claro que a ira de Deus será direcionada somente contra aqueles que mantêm a verdade em injustiça: "Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça." [Romanos 1:18]. Ademais, isto virá "sobre todo o mundo, para tentar os que habitam sobre a Terra." [Apocalipse 3:10]. Como a igreja não mantém a verdade em injustiça, não poderá estar na Terra durante o tempo da ira de Deus, quando "pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida."

O Senhor vê a igreja exatamente como Seu Filho a vê, "... igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível." [Efésios 5:27].

Dado que a igreja já é o corpo de Cristo, a visão que ela poderá, apesar disso, estar sujeita à ira de Deus, mesmo que somente em parte, está em conflito direto com a totalidade e perfeição da expiação vicária.

Como diz o apóstolo Paulo, "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito." [Romanos 8:1]. Nesse sentido, então, a igreja precisa passar pela Tribulação de modo a ser "purificada" aos olhos de Deus? De modo algum! A própria ideia está em conflito profundo com tudo o que a Bíblia ensina sobre a igreja e sobre nosso Pai amoroso, "cuja misericórdia dura para sempre".

6. O Espírito Santo como Restritor

Verso de Prova: 2 Tessalonicenses 2:7-8.

"Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora o retém até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda." [2 Tessalonicenses 2:7-8].

Pouco antes de destruir o mundo no Dilúvio, o Senhor disse: "Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos." [Gênesis 6:3]. O Senhor fez uma declaração similar em relação à Tribulação quando disse que removerá "aquele que agora retém". O paralelo chocante entre esses dois grandes julgamentos sugere fortemente que "meu espírito" e "aquele que agora retém" são o mesmo. Isto é consistente com a visão que somente o Espírito Santo é capaz de restringir o poder total de Satanás.

O verso acima está, portanto, declarando que o Espírito Santo, que habita nos santos da igreja desde o dia de Pentecostes e que atualmente restringe o poder da impiedade e da iniquidade, será "do meio tirado" antes de a Tribulação começar. O afastamento do poder de restrição do Espírito Santo será necessário para que o Anticristo possa seguir sua trajetória sem enfrentar obstáculos. Como o Espírito Santo habita na igreja, então a igreja também precisa ser retirada da Terra (no Arrebatamento) antes do início da Tribulação.

7. A Igreja de Filadélfia

Verso de Prova: Apocalipse 3:10.

A igreja na Terra é discutida extensamente nos capítulos 2-3 do livro do Apocalipse, porém não é vista nem mencionada novamente entre o início do capítulo 4 e o fim do capítulo 18. Isto sugere que a igreja não estará presente durante a Tribulação, que é descrita nos capítulos 4-18.

Cristo também prometeu à igreja de Filadélfia que a livraria da "hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo" Isto implica que a igreja de Filadélfia será removida da Terra antes do início da Tribulação. Como a igreja, o corpo de Cristo, não pode ser dividida em segmentos, essa promessa precisa se aplicar à noiva como um todo, isto é, a soma de todos os fiéis que viveram na Época da Igreja:

"Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra." [Apocalipse 3:10].

Alguém já observou que a palavra grega para "habitar" na frase "habitam na Terra" tem uma importante conotação que não é encontrada na nossa tradução. A palavra grega mais usual é oikeo, o que significa simplesmente habitar, enquanto que a palavra usada por João é katoikeo, que significa habitar permanentemente. Ela é usada, por exemplo, para descrever a plenitude da divindade que habita em Cristo (Colossenses 2:9). Portanto, "aqueles que habitam na Terra" são aqueles que veem a Terra como seu verdadeiro lar. Como tais, eles são cidadãos da Terra por escolha própria, em contraste com os fiéis cristãos, cuja "cidade está nos céus" (Filipenses 3:20).

8. A Ausência de Sinais

Verso de Prova: 1 Tessalonicenses 5:2.

"Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite."

A Segunda Vinda de Cristo (quando Ele derrota o Anticristo) é precedida por sinais muito específicos, conforme apresentados no livro do Apocalipse e em outras passagens das Escrituras. Entretanto, o Arrebatamento dos santos da Época da Igreja pode vir a qualquer momento, "como um ladrão na noite", sem qualquer advertência ou sinal anterior — que é a razão por que os tessalonicenses estavam preocupados que já pudesse ter ocorrido! Isto implica que o Arrebatamento precisa ocorrer antes dos chocantes fenômenos que sinalizarão o início da Tribulação.

É significativo que os tessalonicenses não eram os únicos a serem tomados pelos rumores que o Arrebatamento já tinha ocorrido. Nos anos finais de seu ministério, Paulo escreveu a Timóteo e o advertiu a respeito do mal que estava sendo feito à fé de alguns por Himeneu e Fileto, dois indivíduos que propagavam ideias vãs e errôneas:

"Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns." [2 Timóteo 2:16-18].

Como sabemos, a Ressurreição dos fiéis da época da igreja ocorrerá no mesmo dia que o Arrebatamento. Aqueles falsos mestres estavam tentando convencer as igrejas em suas localidades que, como esse evento espetacular (a Ressurreição) tinha supostamente ocorrido, então assim também tinha o Arrebatamento. Esta é evidência adicional que o Arrebatamento poderá ocorrer a qualquer tempo, e não será anunciado por sinais proféticos.

9. As Setenta Semanas de Daniel

Versos de Prova: Romanos 11:25; Daniel 9:24.

"Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado." [Romanos 11:25].

A "cegueira" de Israel persistirá até que "a plenitude dos gentios" tenha chegado ao fim. Esta frase, plenitude dos gentios, refere-se, aparentemente, ao período durante o qual as nações gentias exercem algum domínio ou controle sobre Israel após a queda de Jerusalém — "... Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem." [Lucas 21:24]. Como a interferência dos gentios nas questões internas de Israel continua até hoje, a "plenitude" ainda não foi alcançada.

O relógio profético, da forma como ele se relaciona com as profecias do fim dos tempos encontradas no Velho Testamento, está parado (como o sol parou no céu, em Josué 10:13) e não reiniciará até que o tempo dos gentios tenha alcançado sua "plenitude" no (ou perto do) tempo do Arrebatamento.

O Senhor opera Seu relógio profético somente em relação a Israel. O profeta Daniel descreveu esse relógio em sua profecia a respeito das setenta semanas:

"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo." [Daniel 9:24].

Cristo comentou que, se os líderes de Israel tivessem mantido sua atenção nesta profecia, teriam conhecido o "tempo de sua visitação" [Lucas 19:44], isto é, o dia em que o Messias entraria em Jerusalém montado sobre um jumento, como Zacarias profetizara.

As primeiras 69 semanas do calendário profético de Israel foram de 445 AC até a semana da crucificação. O relógio então parou e não voltará a operar, de acordo com Daniel, até o início do período final de sete anos, sendo o tempo da Tribulação chamado pelo profeta Jeremias de "tempo de angústia para Jacó" [Jeremias 30:7].

Uma nota detalhada sobre as 70 semanas proféticas de Israel pode ser encontrada no Apêndice.

Em certo sentido, existem dois relógios interconectados no maravilhoso calendário de redenção de Deus. O primeiro é o de Israel, cuja duração profética é especificada e o segundo é o relógio da igreja, cuja duração não é mencionada em parte alguma. O relógio da igreja foi iniciado no dia de Pentecostes, sete semanas após o relógio de Israel ter parado, e continuará até o dia em que a igreja for tirada da Terra no harpazo (Arrebatamento). Pouco tempo depois (talvez outro período de sete semanas), o relógio de Israel reiniciará novamente e funcionará sem interrupção até que os sete anos da septuagésima semana estejam concluídos.

Os relógios interconectados são similares àqueles usados pelos enxadristas, em que um jogador faz seu lance e então pressiona um pino para paralisar seu relógio. Isto ativa o relógio do segundo jogador, que começa funcionar até que ele faça seu lance e pressione o pino em seu relógio, desse modo reativando o relógio do primeiro jogador.

10. Aquele Que Perseverar Até o Fim

Versos de Prova: Mateus 24:13; Apocalipse 7:2-3.

O Espírito Santo partirá com a igreja em um Arrebatamento Pré-Tribulação.

Os fiéis nascidos de novo na época da igreja são selados pelo Espírito Santo. Consequentemente, a salvação deles está garantida. Portanto, quando o Senhor diz "Mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo" [Mateus 24:13], está se referindo àqueles que se converteram a Cristo durante a Tribulação, não àqueles que foram salvos durante a Época da Igreja.

Isto implica que o Espírito Santo deixou a Terra (no sentido especial que Ele estava presente na Terra durante a Época da Igreja) e não está mais "selando" os novos convertidos, como fez durante a Época da Igreja. Qualquer um que tentar salvar sua vida aceitando o Sinal da Besta a perderá.

Deve ser observado que os 144.000 evangelistas judeus são selados por anjos, não pelo Espírito Santo:

"E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar, dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos selado nas suas testas os servos do nosso Deus." [Apocalipse 7:2-3].

Deve ser observado também que o ataque que Satanás lança contra Israel (identificado com a "mulher" em Apocalipse 12) é dirigido ao principal representante de Cristo na Terra. Estivesse a igreja na Terra naquele tempo, também teria sido um alvo, porém não há menção a isto.

11. Israel se Tornará a Testemunha de Deus no Mundo

Versos de Prova: Apocalipse 14:4; 2 Reis 2:8-15; Zecarias 9:12; Isaías 61:6-7.

Após o Arrebatamento, Israel substituirá a igreja como testemunha de Deus na Terra, tanto durante a Tribulação quanto em todo o Milênio. Israel realizará essa tarefa durante a Tribulação principalmente por meio das 144.000 testemunhas, 12 mil de cada uma das tribos (exceto Dã). Esses judeus individuais não são fiéis cristãos da Época da Igreja, mas "primícias" para Deus e o Cordeiro:

"Estes são os que não estão contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro." [Apocalipse 14:4].

Obviamente, eles não são os primeiros judeus na história a aceitarem a Cristo; mas são as "primícias" da nova dispensação pós-Arrebatamento. Isto é evidência que nenhum judeu virá à fé em Cristo depois do Arrebatamento enquanto os 144.000 não tiverem sido selados. Isto, por sua vez, sugere que o intervalo de tempo entre o Arrebatamento e o início da Tribulação será relativamente curto.

A Palavra de Deus nos diz que "os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria..." [1 Coríntios 1:22]. Que sinal, portanto, os 144.000 receberão? Esses homens precisam passar por uma extraordinária transformação espiritual para se converterem do Judaísmo a Cristo, todos virtualmente ao mesmo tempo, e se tornarem missionários ardorosos, dando seu testemunho no mundo inteiro. Alguns sugerem que o Arrebatamento da igreja será esse sinal. O súbito e inexplicável desaparecimento de milhões de cristãos nascidos de novo, bem como de milhares de judeus convertidos ao Cristianismo (conhecidos como judeus messiânicos) será o gatilho para esse evento espetacular. Isto, muito provavelmente, terá de ocorrer muito perto do início da Tribulação de sete anos, para que os 144.000 tenham tempo suficiente para evangelizar o mundo inteiro e levar muitos a Cristo.

Os detalhes em torno do arrebatamento, ou transladação, de Elias são de particular significado, pois prefiguram o contexto mais amplo em que o Arrebatamento do fim dos tempos ocorrerá:

"Então Elias tomou a sua capa e a dobrou, e feriu as águas, as quais se dividiram para os dois lados; e passaram ambos em seco. Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim. E disse: Coisa difícil pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará. E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho. O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, pegando as suas vestes, rasgou-as em duas partes. Também levantou a capa de Elias, que dele caíra; e, voltando-se, parou à margem do Jordão. E tomou a capa de Elias, que dele caíra, e feriu as águas, e disse: Onde está o SENHOR Deus de Elias? Quando feriu as águas elas se dividiram de um ao outro lado; e Eliseu passou. Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante dele em terra." [2 Reis 2:8-15].

Eliseu pediu a Elias "porção dobrada do seu espírito". Ele não estava pedindo o dobro da autoridade espiritual de Elias, mas o direito de primogenitura, neste caso, o direito de ser reconhecido por Deus como o sucessor de Elias. (Tradicionalmente, o primogênito recebia "porção dobrada", em reconhecimento ao fato de ser o filho mais velho.) Elias disse que essa solicitação excepcional não era sua para dar ("dura coisa") mas que ela seria concedida se Eliseu o visse quando ele fosse "tomado". Sem dúvida, essa estipulação foi feita por Elias sob a direção do Espírito Santo, que era o único que poderia conceder o dom.

Isto aponta para o inspirado reconhecimento por parte dos 144.000 do verdadeiro significado espiritual do Arrebatamento, quando milhões de cristãos nascidos de novo, bem como milhares de judeus messiânicos, desaparecerão completamente da Terra. Quando eles virem esse sinal, despertarão para a verdade do Evangelho e entregarão suas vidas a Cristo, quando então um grande derramamento do Espírito Santo os revestirá com poder. Da mesma forma como Eliseu apanhou o manto de Elias e continuou a partir do ponto em que seu mentor tinha parado, assim também o remanescente salvo de Israel, começando com os 144.000, apanhará o manto da igreja e dará continuidade ao trabalho do Senhor.

Duas outras passagens confirmam que o remanescente salvo de Israel receberá uma bênção especial, ou unção, neste tempo:

"Voltai à fortaleza, ó presos de esperança; também hoje vos anuncio que vos restaurarei em dobro." [Zacarias 9:12].

"Porém vós sereis chamados sacerdotes do SENHOR, e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis a riqueza dos gentios, e na sua glória vos gloriareis. Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra; e em lugar da afronta exultareis na vossa parte; por isso na sua terra possuirão o dobro, e terão perpétua alegria." [Isaías 61:6-7].

12. Vingança pelo Sangue Derramado

Versos de Prova: Apocalipse 6:10.

"E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?" [Apocalipse 6:10].

Esta é a oração dos santos no céu, isto é, "as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram". Ele acabam de ser perseguidos e mortos ("nosso sangue") durante a Grande Tribulação e estão pedindo vingança.

Os santos da época da igreja não têm uma oração imprecatória deste tipo, pois conhecem e são obedientes ao grande mandamento que Jesus deu à igreja, isto é, o de amar os inimigos e não invocar imprecações sobre eles. Cristo repreendeu Tiago e João por tentarem fazer isso:

"E os seus discípulos, Tiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez? Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois." [Lucas 9:54-55].

Isto mostra que os santos que morreram por sua fé durante a Grande Tribulação não eram parte da igreja. E, se isto for correto, então a igreja precisa ter sido completada e removida da Terra antes de a Tribulação ter iniciado.

13. Os Vinte e Quatro Anciãos

Versos de Prova: Apocalipse 4:4; 5:11.

"E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro." [Apocalipse 4:4].

"E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares." [Apocalipse 5:11].

Os 24 anciãos no livro do Apocalipse são de especial significado. Antes de os eventos da Tribulação começarem, eles estão assentados sobre 24 tronos e com coroas sobre suas cabeças. A tradução KJV diz "assentos", mas é na realidade uma posição de distinção, um trono no sentido real.

A coroa é dada pelo Senhor como um galardão aos santos, mas somente no dia do Tribunal do Julgamento Bema:

"Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam." [Tiago 1:12].

"Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda." [2 Timóteo 4:8].

A expressão "naquele dia" refere-se ao dia de Cristo, quando o Senhor vem para sua noiva, a igreja.

Os 24 anciãos são representantes tanto da igreja arrebatada e de todos os que morreram em Cristo e ressuscitaram no dia de Cristo. Como santos da Época da Igreja, eles são todos sacerdotes de Deus. Como estão usando coroas, precisam já ter passado pelo Arrebatamento/Ressurreição e sido julgados pelo Senhor no Tribunal de Cristo. Eles não podem ser anjos, pois não há sugestão em parte alguma das Escrituras que os anjos receberão coroas ou galardões. Além disso, eles são distintos dos anjos, bem como dos animais viventes citados em Apocalipse 5:11.

A natureza representativa dos 24 anciãos é sugerida pela indicação por Davi de 24 chefes de casas paternas para representarem todo o sacerdócio levítico:

"A vigésima terceira a Delaías, a vigésima quarta a Maazias. O ofício destes no seu ministério era entrar na casa do SENHOR, segundo lhes fora ordenado por Arão seu pai, como o SENHOR Deus de Israel lhe tinha mandado." [1 Crônicas 24:18-19].

14. As Duas Testemunhas

Versos de Prova: Apocalipse 11:3-4; Lucas 9:54-55; Zacarias 4:3.

"E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco." [Apocalipse 11:3].

As duas testemunhas em Jerusalém são as duas oliveiras que são citadas em Zacarias 4:3 — "E, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda." — também mencionadas novamente em Apocalipse 11:4: "Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra."

As duas testemunhas estão vestidas de pano de saco (um tecido espesso, fabricado com pelo de bode), que é encontrado somente no Velho Testamento e nunca no Novo, e podem invocar julgamento de fogo sobre os inimigos de Israel. Esse poder judicial é dado somente aos santos do Velho Testamento e nunca aos fiéis da Época da Igreja — como já observamos, Cristo proibiu especificamente Tiago e João de pensarem nesses termos (veja Lucas 9:54-55).

A partir disso, podemos ver que as duas testemunhas marcam um retorno do julgamento do Velho Testamento, que não tem parte nas orações, desejos ou ações dos fiéis da época da igreja. Isto sugere que a igreja deixará a Terra antes de as duas testemunhas chegarem a Jerusalém para dar início à sua notável missão.

As duas testemunhas, provavelmente, também exercerão um papel importante em preparar os 144.000 israelitas selados para o programa evangelístico mundial.

15. Noé e sua Família

Versos de Prova: Gênesis 7:1-16.

"Depois disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração." [Gênesis 7:1].

Os oito justos que então viviam na Terra foram preservados na arca durante o Dilúvio. Como uma prefiguração do Arrebatamento, eles também foram "levantados para cima" do julgamento catastrófico que pouco tempo depois caiu sobre toda a humanidade.

A arca foi revestida por dentro e por fora por betume. A palavra hebraica para betume é kaphar, e ocorre 102 no Velho Testamento e, em virtualmente todos os casos, é traduzida como "expiação" [Strong H3722]. Foi por meio da expiação de Cristo (que estava no futuro) que a família do justo Noé foi preservada da ira de Deus; é pela mesma maravilhosa expiação que a noiva de Cristo será "levantada para cima" da Terra durante os sete anos da Tribulação.

Além disso, do mesmo modo como dezenas de milhões de almas virão ao arrependimento durante a Tribulação, muitas almas também podem ter vindo ao arrependimento durante o Dilúvio, entre a hora em que a arca foi selada — um símbolo do Arrebatamento ("e o SENHOR os fechou dentro" [Gênesis 7:16]) — e o tempo, possivelmente uma semana ou pouco mais, quando todos eventualmente morreram.

16. Ló e sua Família

Versos de Prova: Gênesis 19:16.

"Ele, porém, demorava-se, e aqueles homens lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher e de suas duas filhas, sendo-lhe o SENHOR misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade." [Gênesis 19:16]

O pequeno número de justos que vivia na região de Sodoma e Gomorra (isto é, Ló e sua família) também foi removido da cena, pela misericórdia de Deus, imediatamente antes de Sua ira cair com fogo do céu e com grande fúria sobre as cidades da planície.

O Novo Testamento se refere diversas vezes ao destino de Sodoma e Gomorra, claramente para enfatizar tanto a severidade e a certeza do justo julgamento do Senhor. Não somos salvos por causa de nossos méritos — aos olhos de Deus não temos nenhum. Somos salvos unicamente por meio de nossa fé em Cristo. Portanto, não "merecemos" escapar da Tribulação. Entretanto, se o Senhor, em Sua misericórdia, decidiu remover a igreja da Terra antes do início da Tribulação, então devemos humildemente nos regozijar, não somente em que Ele tenha feito isso, mas que, ao nos informar de antemão, está nos oferecendo o conforto dessa "bendita esperança".

É trágico que tantos cristãos professos hoje estejam dispostos e apressados em distorcer as Escrituras de todas as formas possíveis de modo a evitar reconhecer esse dom maravilhoso. Não seria mais fácil orar e refletir sobre as muitas passagens nas Escrituras que falam da gloriosa promessa de Deus e agradecer a Ele por Sua misericórdia e fidelidade?

17. Raabe e sua Família

Verso de Prova: Josué 6:17.

"Porém a cidade será anátema ao SENHOR, ela e tudo quanto houver nela; somente a prostituta Raabe viverá; ela e todos os que com ela estiverem em casa; porquanto escondeu os mensageiros que enviamos." [Josué 6:17].

O termo "anátema ao Senhor" significa entregue ao Senhor para total destruição. Raabe e sua família foram removidos da cidade antes de isso acontecer. A cidade e todos seus habitantes tinham sido destinados à destruição muito antes de os israelitas atravessarem o rio Jordão. Raabe sabia disso e decidiu dar abrigo aos dois espiões. Esta singular expressão de fé a salvou, junto com sua família — "ela e todos os que com ela estiverem em casa.".

Observe como a "casa" de Noé foi salva, junto com a "casa" de Ló e a "casa" de Raabe. A igreja também é uma casa, o templo do Espírito Santo e ela também será salva ou removida completamente da vindoura destruição, conhecida como Tribulação.

18. O Tempo de Angústia de Jacó

Verso de Prova: Jeremias 30:7-9.

"Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. Porque será naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço, e quebrarei os teus grilhões; e nunca mais se servirão dele os estrangeiros. Mas servirão ao SENHOR, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei." [Jeremias 30:7-9].

Os sete anos da Tribulação são "o tempo de angústia para Jacó", quando os filhos justos de Israel serão finalmente libertos da servidão, após um período de intensa provação e aflição. Sabemos com certeza que Jeremias está se referindo à Tribulação, porque ele diz "Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante."

Nesta passagem a Tribulação é descrita claramente como um evento que está centrado em Israel. A Bíblia apresenta muitas profecias que vinculam as "ilhas do mar" — isto é, as nações gentias não regeneradas — com os tumultuosos eventos que levarão ao Armagedom, bem como profecias ("pesos") que predizem o destino de nações gentias específicas, como o Egito, Síria, Iraque (Assíria), Irã, Turquia, Rússia, Arábia Saudita, Jordânia, Líbano, Etiópia, Sudão e Líbia. Contudo, apesar da proporção significativa das Escrituras que tratam da Tribulação, não há uma única referência explícita à presença da igreja na Terra durante este período de tempo.

A Tribulação é verdadeiramente o tempo da angústia de Jacó, a hora fatídica quando o Senhor chama Israel à Sua presença no julgamento final. O trauma será tão grande que engolfará o mundo inteiro. Todos os que não se reconciliaram com Deus — o que somente é possível por meio da fé em Cristo — precisarão passar por ela.

Como a igreja já está reconciliada com Deus, não estará sujeita à Sua ira e, portanto, não estará — e não poderá estar — na Terra quando a Tribulação começar.

19. Oração Fervorosa

Versos de Prova: Jó 1:12; 2:6; 2 Tessalonicenses 2:7-8.

Sabemos a partir de 2Tessalonicenses 2 que o "restritor" será tirado do caminho para que Satanás e todos os que estão em rebelião contra Deus possam exultar em sua malignidade. Se a igreja ainda estivesse na Terra durante a Tribulação, deveria alertar o mundo quanto à identidade do Anticristo e suas reais intenções. Os santos também orariam fervorosamente contra as obras do Anticristo e, desse modo, o atrapalhariam grandemente em seu programa mortal de engodo e destruição:

"Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." [Mateus 18:19,20].

Deve ser aparente, a partir desse fato somente, que a igreja não pode estar na Terra quando a Tribulação começar. Sabemos também, a partir do livro de Jó, que, em Sua soberania, o Senhor Deus de Israel pode alcançar Seu santo propósito nos mínimos detalhes, mesmo quando permite ao adversário toda a liberdade que ele precisa para executar seus planos:

"E disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor." [Jó 1:12].

"E disse o SENHOR a Satanás: Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida." [Jó 2:6].

O Senhor Deus dará a Satanás todas as vantagens que seu coração desejar para criar esquemas malignos; porém Seu Filho maravilhoso destruirá Satanás totalmente e, ao mesmo tempo, preservará o remanescente justo de Israel. Desse modo, o Pai dará ainda maior glória ao Seu Filho. Ele também demonstrará a toda humanidade a total futilidade do mal e a absoluta soberania do Senhor Deus de Israel.

20. Os Gentios no Milênio

Versos de Prova: Mateus 25:31-32.

Sabemos, a partir de Mateus 25, que haverá um grupo significativo de gentios naturais fiéis sobreviventes no fim da Tribulação:

"E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas." [Mateus 25:31-32].

O Arrebatamento não pode ocorrer no fim da Grande Tribulação por que, se ocorresse, então todos os gentios fiéis vivos naquele momento seriam tomados nos ares e receberiam corpos imortais. Isto não deixaria gentios naturais salvos na Terra para repovoar as nações. (O Julgamento das Ovelhas e dos Bodes garantirá que nem um único gentio natural descrente entre no Reino Milenar.)

Os gentios naturais convertidos que sobreviverem para repovoar as nações são aqueles que vieram à fé em Cristo durante a Tribulação e que não foram martirizados pelo regime do Anticristo.

21. As Bodas do Cordeiro

Versos de Prova: Apocalipse 19:7-9; João 14:1-4; 15:15.

O livro do Apocalipse diz claramente que o casamento de Cristo com Sua noiva ocorre no céu antes de Cristo retornar à Terra na Segunda Vinda para derrotar o Anticristo:

"Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos." [Apocalipse 19:7-8].

Embora a cerimônia de casamento ocorra no céu, a festa (ou ceia) ocorrerá na Terra no início do Milênio:

"E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus." [Apocalipse 19:9].

Isto mostra que o Arrebatamento e a Segunda Vinda precisam constituir dois eventos completamente separados. Sabemos também que a Bíblia traça um claro paralelo entre a tradição judaica do compromisso, noivado e casamento, que é um processo de três fases, e os preparativos especiais de construção de um lar que Cristo realiza após Seu noivado em preparação para a fase marital final.

O "comprometimento" de Cristo com Sua noiva ocorreu antes da fundação do mundo:

"Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor." [Efésios 1:4].

Cristo tornou manifesto Seu direito legal à Sua noiva por meio do noivado em Sua primeira vinda e depois foi preparar um lugar para ela. A Bíblia registra que Ele pagou o dote que acompanha o noivado:

"Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus." [1 Coríntios 6:20].

De acordo com o costume judaico nos tempos bíblicos, o noivo chegava sem aviso na casa da noiva após um intervalo de um ou dois anos para chamá-la para si. A data nunca era revelada antecipadamente e ele poderia chegar a qualquer hora do dia ou da noite. A vinda abrupta dele era anunciada por um clarim de trombetas e vozes jubilantes de seu grupo de amigos.

A Parábola das Dez Virgens, que reflete o costume judaico do casamento, fala das cinco virgens que estavam vigiando e aguardando, bem como cinco que estavam dormindo e despreparadas. Por volta do tempo em que as últimas acordaram e então correram para se preparar, o noivo chegou e se foi. As cinco virgens prudentes eram a verdadeira igreja, enquanto que as cinco tolas (que não estavam cheias com o Espírito Santo) eram a igreja professa, porém não salva.

Na cerimônia formal de noivado, que tinha validade jurídica, a noiva e o noivo selavam seu noivado bebendo vinho no mesmo cálice. Eles não beberiam novamente juntos até que se casassem. Cristo encenou esta cerimônia com Seus apóstolos pouco antes de Sua crucificação:

"E, quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai." [Mateus 26:26-29].

"E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho; e todos beberam dele. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que por muitos é derramado. Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da vide, até àquele dia em que o beber, novo, no reino de Deus." [Marcos 14:23-25].

"E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus." [Lucas 22:17,18].

Os apóstolos todos compartilharam e beberam do mesmo cálice; o cálice que Cristo lhes deu. Ele então os informou que o relacionamento deles com Ele tinha passado por uma mudança fundamental:

"Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer." [João 15:15].

Durante o tempo do noivado, a noiva trabalhava nas vestes a serem usadas no casamento. Enquanto isso, o noivo, que vivia na casa de seu pai, construía aquilo que era tradicionalmente conhecido como a pequena mansão — um ou mais cômodos que eram construídos na casa do seu pai, em que o casal casado iria viver dali para frente:

"Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho." [João 14:1-4].

Enquanto o noivo trabalhava na construção da pequena mansão, o pai dele mantinha o controle dos progressos realizados. Somente o pai do noivo tinha a autoridade para determinar quando a pequena mansão estava pronta e o tempo tinha chegado para seu filho ir e trazer a noiva para o novo lar. Cristo submeteu-se ao Pai Celestial neste aspecto, quando disse:

"Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai." [Marcos 13:32].

Quando o noivo retornava para o lar com sua noiva, a cerimônia de casamento ocorria e, após isto, a festa de casamento. A festa tradicionalmente durava sete dias e era um tempo de grande alegria e celebrações.

Siga o Dinheiro…

O pastor Schimmel declarou no DVD (na seção final) que ele e sua equipe tinham oferecido um cheque de 10.000 dólares para qualquer um que pudesse mostrar "um único verso ou passagem das Escrituras que ensine claramente que Jesus Cristo voltará sete anos antes da Segunda Vinda e arrebatará a igreja". Ele disse que ninguém conseguiu fornecer esse verso ou passagem e, com um ar de satisfação, rasgou o cheque em frente da câmera.

Aqui está um relato literal do que ele disse:

"No início desta apresentação mostramos que preenchemos um cheque de 10.000 dólares que oferecemos a qualquer pessoa que pudesse mostrar apenas um verso ou passagem que claramente ensine que Jesus Cristo voltará sete anos antes da Segunda Vinda e arrebatará a igreja — antes da Segunda Vinda. Ninguém conseguiu nos mostrar isso. Pedimos a várias pessoas, fizemos a proposta a muitas, muitas pessoas, porém ninguém conseguiu vir e apresentar uma escritura. Na verdade, isto não nos surpreendeu, porque, como já mostramos, os principais proponentes do pré-tribulacionismo, seus principais mestres, admitem que não há um único verso ou passagem que ensine claramente a teoria do Arrebatamento Pré-Tribulação. Portanto, ninguém conseguiu receber o cheque (ele rasga o cheque diante da câmera)... e esta é uma boa notícia, não apenas para nossa conta bancária, mas é uma boa notícia para os fiéis cristãos compreenderem que não precisamos estar confusos com a questão de quando o Arrebatamento ocorrerá. Não há um único verso que ensine que o Arrebatamento ocorrerá antes da Tribulação. Podemos compreender especificamente que Jesus falou sobre o fim dos tempos e estar preparados em nossos corações e mentes se o vindouro período da Tribulação acontecer durante nossas vidas. Podemos olhar ansiosamente para a Segunda Vinda do modo como a igreja a desejou durante dois mil anos."

É perturbador saber que pastores da Palavra de Deus, como Schimmel e Prasch, não viram nada de errado em fazer essa proposta. Eles não viram que seu desafio foi basicamente um convite para os cristãos lucrarem financeiramente com a Palavra de Deus e, desse modo, cometerem o pecado da simonia? Não conheço cristãos que busquem ou esperem recompensas financeiras simplesmente por compartilharem a verdade das Escrituras.

Há também um fator psicológico sagaz em operação aqui. As se vangloriarem que o cheque não foi pago — e rasgando-o diante da câmera — os críticos estavam na verdade afirmando que destruíram o próprio fundamento da doutrina do Arrebamento Pré-Tribulação. Se nem por dinheiro se pode estabelecer a questão — somos levados a acreditar — então os críticos certamente têm razão.

Como vimos a partir do nosso estudo das Escrituras e dos muitos versos que provam a verdade da doutrina do Arrebamento Pré-Tribulação, os críticos estão errados. Apesar de todo o sarcasmo e desenvoltura diante das câmeras, não há um modo de disfarçar ou explicar a cínica indiferença para aquilo que as Escrituras realmente dizem. Este DVD não está nem um pouco preocupado com a verdade ou não da doutrina do Arrebatamento Pré-Tribulação, mas simplesmente em esmagar a oposição.

Conclusão

As evidências nas Escrituras apresentadas neste ensaio (incluindo os artigos complementares) mostram além de qualquer dúvida que a Palavra de Deus ensina um Arrebatamento Pré-Tribulação. Além disso, é claro que todos os cristãos nascidos de novo são convidados a desejar diariamente o retorno iminente de Cristo para Sua noiva. Infelizmente, a sensibilidade laodiceiana, que prevalece hoje dentro da igreja visível, é incapaz de aceitar aquilo que a Palavra de Deus diz a respeito do Arrebatamento.

A doutrina de um Arrebatamento Pré-Tribulação está sendo atacada repetidamente por que está em conflito com tudo que os arquitetos da vindoura Religião do Mundo Unificado estão tentando alcançar. Qualquer um que acredite em um Arrebatamento Pré-Tribulação está cada vez mais sendo retratado como um legalista de mentalidade estreita, mesquinho e escapista. Alguns dos expoentes mais bem conhecidos da posição Pré-Tribulação estão sendo desqualificados como provedores de ideias ocultistas, "doutrinas de demônios" e de seitas. Se isto continuar, não demorará muito para que a mesma desqualificação seja lançada contra todos os que creem nesta doutrina.

Provavelmente, todos nós conhecemos alguns cristãos nascidos de novo que não aceitam a doutrina do Arrebatamento Pré-Tribulação, mas com certeza não os vemos como hereges. Entretanto, à luz dos muitos versos nas Escrituras que apoiam esta doutrina maravilhosa, é difícil compreender por que tantos servos de Deus, realmente nascidos de novo, estão preparados para rejeitarem a alegria e consolação que fluem a partir desta "bendita esperança".

Os escarnecedores escarnecerão, aqueles que gostam de ridicularizar os outros ridicularizarão e, sem dúvida, aqueles que são dados a falar mal falarão, mas não devemos nos surpreender com tudo isto. Em vez de permitir que sejamos movidos em nosso entendimento, ou perturbados, como diz o apóstolo Paulo, devemos encontrar nisso um incentivo para estudar e compreender a base bíblica para o Arrebatamento Pré-Tribulação e estar preparados para "dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado". [Isaías 50:4].

"Certamente ele escarnecerá dos escarnecedores, mas dará graça aos mansos." [Provérbios 3:34].

Outros ensaios do autor sobre o mesmo assunto:

Cristo Veio Duas Vezes em Sua Primeira Vinda e Virá Duas Vezes em Sua Segunda Vinda — Alguns Fatos Sobre o Arrebatamento

Compreendendo o Arrebatamento a Partir de uma Perspectiva Estritamente Bíblica



Apêndice A

As 70 Semanas de Daniel (Daniel 9:24-27)

[24] "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo."

[25] "Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos."

[26] "E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações."

[27] "E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador."

As 70 Semanas tiveram início no dia em que o rei persa Artaxerxes assinou o decreto para permitir que os judeus reconstruíssem as muralhas de Jerusalém (não o templo). O ano em que esse rei foi entronizado (465 AC) está bem estabelecido pelos historiadores. O vigésimo ano de seu reinado foi, portanto, 445 AC. O decreto foi assinado no mês de Nisan, de acordo com Neemias. Segundo o costume judaico, o primeiro dia do mês é assumido, se nenhuma data for especificada. Assim, as 70 Semanas tiveram início no primeiro dia de Nisan (isto, 14 de março) de 445 AC.

O Relógio Profético de Israel

Semanas 1-7: O encerramento deste período pode marcar a morte do último profeta que escreveu o Antigo Testamento, Malaquias, e o início do Grande Silêncio.

Semanas 8-69: No fim da semana 69 Cristo morreu ("foi cortado") no Calvário. O relógio profético de Daniel (que se refere apenas a Israel) foi então paralisado. O relógio da Igreja começou em Pentecostes e continuará até o arrebatamento ("a plenitude dos gentios"). [Cristo não retornará a este mundo no arrebatamento, mas encontrará Seus santos nos ares.]

Semana 70: O relógio para a septuagésima semana reiniciará no dia em que o Anticristo assinar uma aliança, ou tratado, de sete anos com a nação de Israel. Isto marcará o início do período de sete anos da Tribulação. Cristo retornará ao Monte das Oliveiras ao fim da septuagésima semana (2520 dias).

Duração da Tribulação (2520 Dias)

A seguinte passagem, em conjunto com Daniel 9:27 e 12:7, permite o cálculo da duração da Tribulação:

"E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses. E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco." [Apocalipse 11:2-3].

A abominação da desolação ocorrerá na metade do período de Tribulação de sete anos. Depois disso, as nações calcarão Jerusalém durante 42 meses. Durante a primeira metade da Tribulação, as duas testemunhas profetizarão durante 1260 dias. Isto é equivalente a 42 meses (42x30 = 1260). Assim, a Tribulação durará por 2520 dias (1260x2).

O Número de Dias em um Ano "Profético"

Como a septuagésima semana (um período de sete anos) é formada por anos de 360 dias (360x7=2520), então as primeiras 69 semanas também precisam ter sido constituídas de anos de 360 dias. Isto permite que a data da crucificação seja calculada como sendo quarta-feira, 7 de abril do ano 32.

O Intervalo de Tempo Entre as Semanas 69 e 70

Existem nas Escrituras outros exemplos de grandes intervalos de tempo entre eventos proféticos aparentemente contíguos. Por exemplo, Isaías 9:6 diz: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." A primeira parte foi cumprida com o nascimento de Jesus em Belém, porém a segunda ainda precisa ser cumprida. Cristo somente terá o governo sobre Seus ombros quando for aceito como rei em Sua Segunda Vinda.

Considere também a passagem das Escrituras que Cristo leu na sinagoga de Nazaré:

"O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor. E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos." [Lucas 4:18-21].

Observe que Ele omitiu deliberadamente a última parte da profecia de Isaías (61:1-2) [passagem sublinhada abaixo]:

"O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes." [Isaías 61:1,2].

Cristo proclamará o "dia da vingança do nosso Deus" e "consolará todos os tristes" em Sua segunda vinda. Há, portanto, um enorme intervalo de tempo entre esses dois conjuntos de eventos — embora ambos estejam citados no mesmo verso das Escrituras.

Considere também Zacarias 9:9-10:

"Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta. E de Efraim destruirei os carros, e de Jerusalém os cavalos; e o arco de guerra será destruído, e ele anunciará paz aos gentios; e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra."

A primeira parte da profecia foi cumprida quando Cristo entrou em Jerusalém montado em um jumentinho, porém a segunda parte ainda precisa ser cumprida, quando então Cristo defenderá Jerusalém, "anunciará paz aos gentios" e "seu domínio se estenderá de mar a mar... até as extremidades da terra.". Estas últimas profecias serão cumpridas na Segunda Vinda, exatamente como aquelas de Isaías.



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu.
Data da publicação: 19/7/2017
Transferido para a área pública em 11/2/2020
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