Unindo as Religiões Para Obter a Transformação Global: A Cúpula Mundial de Líderes Religiosos do G8

Autor: Carl Teichrib, Forcing Change, Edição 6, Volume 4.

Um fogo sagrado foi aceso. A Mãe Terra, disseram para nós, precisa ouvir que a amamos. "Vamos então oferecer uma oração de gratidão à Terra. Da Mãe Terra vem tudo aquilo que precisamos para viver... ela nos dá o alimento, a água, os remédios e os ensinos."

Fomos solicitados a realizar privadamente um ritual da água, pois isso daria força à Mãe Terra. Tudo o que é vivo, até a água, foi explicado para os delegados e observadores, tem o espírito. Fomos então informados que religiosamente falando, "não há somente um caminho, mas muitos caminhos" — e fomos instruídos a ir até o fogo sagrado e invocar os espíritos. Os tambores invocaram o poder do espírito da águia, pois ele traz "o espírito do amor, ele traz visão; a águia carrega nossos desejos e nossas orações. E esse espírito da águia dirá ao Grande Espírito as coisas maravilhosas que estão acontecendo neste encontro."

E que encontro! Como um observador da Cúpula Mundial dos Líderes Religiosos dos Países do G8, assisti a cerimônia de abertura definir o tom para esse evento notável. O secretário-geral do Encontro de Cúpula, Dr. James Christie — Deão de Teologia na Universidade de Winnipeg — nos deu as boas-vindas como colegas religiosos, afirmando que o mais importante era que oferecêssemos nosso serviço, nosso ser e nossas vidas "para o Deus que conhecemos por tantos e tantos nomes." [1].

Esta perspectiva multifé estava evidente em todas as cores: swamis hindus com suas longas vestes cor de laranja, membros do Ministério Saudita dos Assuntos Islâmicos vestidos com suas túnicas do deserto, judeus com kipás, clérigos cristãos com seus colares e cruzes penduradas, mantos xintoístas, padres ortodoxos vestidos de preto, uniformes do Exército de Salvação, e líderes bahá'ís e evangélicos em ternos ocidentais. As religiões de todos os cantos do planeta estavam representadas. Mesmo assim, pouquíssimas pessoas já ouviram falar sobre o Encontro de Cúpula Mundial dos Líderes Religiosos do G8, realizado em Winnipeg, na província de Manitoba, no Canadá, de 21 a 23 de junho de 2010.

Em comparação com os encontros de cúpula políticos do G8/G20 que ocorreram dias mais tarde em Toronto e Huntsville, Ontário, a Cúpula dos Líderes Religiosos — o evento religioso oficial e paralelo — foi um assunto que atraiu pouca atenção. O orçamento para a segurança para o evento em Winnipeg foi zero; ninguém incendiou carros ou quebrou vidraças. Os únicos manifestantes que fizerem protestos foram alguns menonitas que, alguns dias antes do início do encontro, cantaram canções em um parque no centro da cidade. [2]. Na verdade, muitos dos participantes internacionais nunca tinham ouvido falar de Winnipeg antes. [3].

Entretanto, aquilo que ocorreu em Winnipeg provavelmente terá um impacto muito mais real no nível local que do aquilo que ocorreu em Toronto. Por que digo isto? Por causa das linhas de influência que se propagam da Cúpula dos Líderes Religiosos diretamente até os organismos individuais. É uma estratégia de cima para baixo que garante que as pessoas religiosas se enquadrem e sigam uma estrutura global emergente — um tipo de teologia mundial junto com um sistema internacional de socialismo. E isto vai funcionar, particularmente na comunidade cristã.

"Damos Graças"

A história do Encontro das Religiões do Mundo do G8 surgiu em 2005. Naquele ano, Jim Wallis, do Sojourners – um grupo cristão de ação política e com inclinações esquerdistas – se uniu ao arcebispo de Canterbury para "levantar as vozes dos líderes religiosos do mundo em unidade e em um chamado para a justiça." [4]. O evento de 2005 foi ecumênico e pequeno, formado por representantes de grupos católicos, a Associação Nacional dos Evangélicos, a Visão Mundial, o Exército de Salvação, o Comitê Menonita Central, a Aliança Evangélica Mundial e outros organismos eclesiásticos.

Esses líderes publicaram um documento intitulado "Ação Contra a Pobreza", pedindo que os governos aliviassem a pobreza e que as comunidades religiosas gerassem a necessária disposição moral. O texto em si era muito curto e ambíguo, com uma entonação socialista subjacente.

No ano seguinte, ocorreu o encontro religioso do G8 em Moscou e diversas outras religiões contribuíram: líderes das comunidades islâmica, judaica, budista, hindu e xintoísta — junto com os cristãos, discutiram outra declaração, desta vez propondo uma "parceria mais sistêmica dos líderes religiosos com as Nações Unidas". Em 2007, em Colônia, na Alemanha, a ênfase esteve nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da ONU, e o suporte para um acordo de proteção contra a mudança climática. Nos anos de 2008 e 2009 os líderes religiosos se reuniram em Sapporo/Kyoto/Osaka, no Japão, e em Roma, na Itália.

A Declaração de Sapporo propunha que as religiões se unissem em um "compromisso com a paz". Ela também reconheceu que as "comunidades religiosas são as maiores redes sociais do mundo que chegam aos cantos mais distantes da Terra". Em outras palavras, as religiões têm uma atuação poderosa no campo global.

Portanto, o texto de Sapporo exigia um sistema de "Segurança Compartilhada" baseado na interdependência, a "misteriosa aptidão de toda a existência", a formação de um "Fundo da Terra" dedicado à proteção ambiental e um tratado global e vinculante sobre o clima. Outro documento foi lançado no Japão, reconhecendo que "as tradições dhármicas, panteístas e ancestrais das sociedades orientais permanecem sendo um instrumento prático... em defesa do meio ambiente". E a diversidade religiosa foi exposta como parte da ordem cósmica e divina — portanto, "queremos ser considerados parceiros iguais". [5].

Finalmente, em Roma, os líderes religiosos enfocaram o agravamento das condições econômicas globais e pediram um "novo pacto financeiro", sem realmente explicar o que ele envolveria. Para ser justo com o evento de Roma, todo o encontro de cúpula foi ofuscado pela quase simultânea publicação da encíclica "Caridade na Verdade", do papa Bento 16, que surpreendeu a comunidade internacional com a proposta de instituição de uma autoridade política mundial "com força". (Leia o artigo "Lançando as Sementes do Governo Global" (Forcing Change, Volume 3, Edição 8).

Winnipeg, como uma potencial cidade-sede para o Encontro de Cúpula das Religiões entrou no quadro em 2008. Em Sapporo, o Dr. James Christie, um representante do Conselho Canadense de Igrejas, recomendou a escolha de Winnipeg para 2010. A proposta foi aceita.

O Dr. Christie, que é Deão de Teologia na Universidade de Winnipeg, não era o único canadense em Sapporo. Outra representante do Conselho de Igrejas do Canadá, a Dra. Karen Hamilton, estava presente e esses dois formaram o núcleo para o evento de 2010, que foi realizado na Universidade de Winnipeg.

Abaixo da superfície desse Encontro de Cúpula havia uma interessante matriz por trás dos bastidores. Christie, Hamilton e o reitor da Universidade de Winnipeg — Lloyd Axworthy, que deu a permissão inicial para o evento — são todos líderes do Movimento Federalista Mundial. Axworthy é o presidente do MFM, Christie é o presidente do Conselho e Hamilton é a presidente-executiva do MFM.

Para aqueles que não estão familiarizados com o Movimento Federalista Mundial, ele é o maior e mais influente grupo de defesa do governo mundial. Ao longo dos anos, o MFM tem proposto abertamente a criação de um Parlamento Mundial, uma força militar internacional, um regime tributário global e diversos sistemas destinados a legalmente vincular as nações sob uma estrutura central governante. O MFM também tem um histórico de trabalhar com grupos interfé globais, como a Iniciativa das Religiões Unidas, em fazer a ponte entre política e religião no nível internacional. (Para maiores informações, veja a seção intitulada "Winnipeg, os Federalistas Mundiais e os Líderes Religiosos Mundiais", adiante neste artigo; leia também o artigo "Definindo a Agenda Internacional — Compreendendo o Quadro Grande: O Movimento Federalista Mundial".)

Assim, Winnipeg sediaria o Encontro de Cúpula, organizado por membros-chave do Conselho Canadense de Igrejas, cuja cosmovisão está saturada pela ideia de um governo mundial. Além disso, o componente espiritual está completamente revestido por uma mentalidade interfé — todas as religiões são portadoras da verdade, todas as expressões espirituais são válidas. Não somente essa perspectiva interfé era evidente em outros encontros religiosos promovidos pelo G8, e em todo o evento em Winnipeg, mas ele também foi expresso nos materiais dos participantes, com uma oração recomendada que dizia o seguinte:

"Damos graças pelas religiões do mundo e pelas riquezas que trazem às nossas vidas... Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs bahá'ís, por sua genuína abertura e desejo por unidade... Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs budistas, por seu senso de paz e despreendimento... Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs cristãos, por sua mensagem de amor e pela ética da compaixão... Damos graças por nossos irmãos e irmãs hindus, por sua aceitação de coração aberto dos outros e a gentil disposição por aqueles que professam outras fés... Damos graças por nossos irmãos e irmãs humanistas, por sua ênfase na dignidade e valor de todas as pessoas... Damos graças por toda tradição de fé, nomeada ou não, pela variedade e riqueza de suas espiritualidades, por sua busca unida pela verdade... Una-nos sempre como uma comunidade..." (Para ler o texto completo da oração, veja a seção "Una-nos Sempre", adiante neste relatório.)

O cristianismo bíblico contraria essa afirmação "una-nos sempre" e que todas as religiões são válidas. Isto é evidente tanto no Velho quanto no Novo Testamento, em que Deus expressa em termos bem claros Seu desagrado com aqueles que flertam com as outras crenças. 2 Coríntios 6:14-18 diz:

"Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso."

Infelizmente, grupos cristãos estavam envolvidos com a Cúpula dos Líderes Religiosos, até nos estágios de planejamento, dando credibilidade ao movimento interfé. E não era apenas o Conselho Canadense de Igrejas, mas Sojourners, a Visão Mundial e o maior grupo guarda-chuva evangélico do Canadá, a Comunhão Evangélica do Canadá (EFC).

Em uma entrevista em março de 2010 para a publicação Christian Week, Karen Hamilton explicou que a EFC era uma parceira plena no Encontro de Cúpula das Religiões: "Na verdade, pode-se dizer que ela foi o primeira parceira a entrar."

Esse movimento, foi reconhecido, poderia criar desconfiança em alguns evangélicos que suportam a EFC. Quando questionada sobre esse ponto de contenda, a EFC declarou: "Interfé é absolutamente um lugar em que podemos trabalhar quando se tratar de justiça social." [6].

Trazer a comunidade evangélica canadense foi um lance estratégico, como também foi convidar outros grupos cristãos. A Dra. Hamilton explicou:

"Eles vêm em virtude de suas posições e esta foi uma estratégia planejada. Assim, o arcebispo de Canterbury foi convidado... Jim Wallis, do Sojourners está vindo... O secretário-geral da Conferência Africana de Igrejas será um dos oradores das seções plenárias. A posição dele significa que ele representa — institucionalmente, estruturalmente e organizacionalmente, seja lá como você queira dizer — os cristãos da África, que constituem a metade da população daquele continente." [7].

O que tudo isto representa, desde o primeiro evento em 2005 até Winnipeg, é o movimento intencional dentro do Cristianismo de se unir politicamente com outras fés "em uma comunidade". A motivação: justiça social — paz mundial, cuidado pelo planeta e diminuição da pobreza.

E quem não deseja a paz, um meio ambiente saudável e que os pobres saiam da pobreza? Todos esses são objetivos admiráveis. Entretanto, algo mais está acontecendo, o que nos faz perguntar: O que a comunidade cristã terá de sacrificar em nome da parceria interfé pela "justiça social"?

Sem qualquer surpresa, a única vez que o nome "Jesus Cristo" apareceu no Encontro de Cúpula dos Líderes Religiosos de 2010 foi quando Ele foi comparado com Buda e com Maomé como uma figura religiosa. Ninguém se atreveu a apresentá-Lo como "o caminho, a verdade e a vida... o único caminho para o Pai." (veja João 14:6). Amor, compaixão e "lei espiritual" foram repetidos livremente nos discursos. Entretanto, ninguém estava disposto a sacudir o barco aventurando-se naquilo que Francis Schaeffer chamou de "verdade verdadeira".

A abordagem interfé reconhece Jesus como um líder espiritual em uma longa lista de reformadores religiosos. Isto é tudo. Nada mais. Portanto, nos eventos interfé globais, como aquele que ocorreu em Winnipeg, os representantes cristãos permaneceram silenciosos sobre o assunto de Jesus Cristo como a verdade, "o único caminho para o Pai". A comunidade cristã tem de sacrificar a Verdade.

Portanto, não foi surpresa que em diferentes ocasiões ouvi participantes criticarem as missões cristãs e os "fundamentalistas cristãos". O representante do Conselho de Igrejas do Pacífico nos disse que tudo está interconectado e que precisamos revisitar as antigas religiões e os mitos pagãos — aqueles modos antigos que foram "deliberadamente colocados de lado pelos missionários cristãos — de modo a compreender e apreciar essa interdependência. Outro orador explicou que era tempo de colocar de lado os dogmas do passado das fés tradicionais e que o teste do anil para as religiões nesta era global seria a interdependência e a espiritualidade transcendente.

As religiões, ouvimos repetidamente os oradores dizerem, precisavam se unir para que o planeta pudesse sobreviver.

Projetos Globais

O tema principal para a cúpula de Winnipeg foram os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da ONU, principalmente a diminuição da pobreza, o cuidado pelo planeta Terra e a construção de culturas de paz.

Todas as três preocupações são nobres e nenhuma pessoa de mente sã deseja a pobreza, a degradação ambiental ou o conflito — independente de sua persuasão política ou econômica. Entretanto, o modo como respondemos a essas questões determinará o tipo de mundo em que viveremos. Considere as ideias e metodologias sugeridas:

1) Pobreza: Investir 0,7% do PIB (Produto Interno Bruto) no auxílio ao desenvolvimento, cancelar a dívida dos países pobres, dificultar a entrada de dinheiro especulativo e a fuga de capitais, combater a corrupção e patrocinar melhores condições para as pequenas empresas — entre outras ideias expressas no documento final. Assim também, o texto final propunha o acesso às necessidades básicas como alimentos, água, assistência à saúde, educação e oportunidades econômicas. A princípio, essas sugestões parecem benéficas, e podem ser no contexto correto.

O que era preocupante era o pano de fundo a partir do qual essas ideias surgiram: A substituição do capitalismo baseado na industrialização e a construção de uma nova ordem econômica — os males do petróleo, a necessidade de um tributo financeiro global, e a noção que a pobreza é o resultado de "setores mais ricos da sociedade". O rico deve sua riqueza ao pobre e o governo precisa nivelar o campo de jogo fazendo a redistribuição da riqueza. Como um participante explicou por meio de uma alegoria: "Não se trata de fazer com que cada pessoa tenha sua bicicleta, mas de aprender a compartilhar uma bicicleta na comunidade."

Em todos os três dias foi evidente que uma forma de socialismo internacional era o que estava por trás do discurso da "diminuição da pobreza". Era a mesma antiga linha marxista de luta de classes e o uso leninista da "justiça social" — a alavancagem política dos pobres de modo a derrubar o sistema capitalista, tudo com boas intenções, é claro. Mas, nunca funciona dessa forma, porque o objetivo é uma nova ordem política e econômica, o estabelecimento de um novo sistema governante em nome da "justiça" e da "paz". Um senhor é permutado por outro. Falando em termos históricos, a tributação elevada, as regulamentações onerosas e os meios mais coercitivos de "redistribuição da riqueza" de fato nivelam o campo de jogo. Todos se tornam igualmente pobres e aqueles que já eram pobres antes afundam um pouco mais.

O presidente da Comunhão Evangélica do Canadá, Bruce Clemenger, pediu que o papel do governo permaneça limitado. Esta é uma afirmação com a qual concordo, mas no contexto socialista da Cúpula dos Líderes Religiosos, foi um ponto mudo. Em vez disso, as religiões foram solicitadas a criar o ímpeto político para a governança financeira global.

Como o professor de Economia Eric Schansberg afirmou em seu livro How Poor Government Policy Harms the Poor (Como as Más Políticas Governamentais Prejudicam os Pobres): "A solução para a pobreza não é mais governo; na maioria das vezes, o problema é o governo." Ele descreveu corretamente esse sistema como: "Um sistema dos políticos, pelos burocratas e para os grupos de interesse." [8].

[Nota: O oposto da justiça social a partir de uma perspectiva cristã é a justiça bíblica e a compaixão cristã. Justiça bíblica: Tratamento igual pela lei (Levítico 19:15). Compaixão bíblica: Ver a necessidade e agir de forma independente com compaixão para atender ao necessitado. (O Bom Samaritano). A justiça social, por outro lado, é ver uma necessidade e então alavancar a situação para alcançar um objetivo político. Os cristãos que dizem que estão envolvidos em "justiça social" por trabalharem em um orfanato ou na preparação de sopas para os famintos e desabrigados estão empregando de forma incorreta o termo; eles estão envolvidos na compaixão cristã.].

2) Cuidado com a Terra: Toda a Cúpula dos Líderes Religiosos girou em torno desta causa — salvar a Terra. Parecia que todos assobiavam a mesma melodia: o homem está destruindo a Mãe Terra e precisamos entrar em uma nova e revolucionária "comunhão com o planeta". O aquecimento global causado pelo homem está provocando uma mudança maior do que qualquer outra coisa nos últimos 300 milhões de anos, pelo menos era isso que ouvimos. Como Pandit Roopnauth Sharma, da Federação Hindu disse: "Somos os maiores parasitas sobre a Terra."

Não havia nada sutil sobre o cuidado com a Terra no Encontro de Cúpula. A mudança climática está nos levando para o ponto em que não há mais retorno e o maligno Ocidente — com o maligno capitalismo, a maligna concorrência e a maligna economia de mercado — são os culpados e, consequentemente, o Cristianismo ocidental é lançado nessa mistura de culpa planetária. Precisamos desesperadamente nos voltar para a espiritualidade indígena, para o xintoísmo, para o animismo africano, para o paganismo germânico e para outras fés que sejam amigas da Terra. Em um ponto, um delegado propôs que todas as religiões do mundo se unam e tenham uma maciça busca de visão, um rito de passagem místico modelado com base na espiritualidade indígena; "Seria a maior busca de visão no mundo." Por quê? Porque as culturas indígenas sempre foram leais à Terra, e é isto que precisamos agora — uma ética voltada para a Terra e que seja espiritualmente aceitável. Jim Wallis, do Sojourners, chamou isto de "uma nova visão".

Sua Santidade Aram I, dos Católicos da Cilícia, disse que a mudança climática precisa ser tratada a partir de uma perspectiva moral, ética e espiritual. Estava claro, a partir dos discursos daqueles que participavam, que precisamos de um "evangelho de respeito à natureza".

A degradação do meio ambiente realmente está acontecendo e o vazamento de petróleo na plataforma da BP no Golfo do México é um exemplo marcante. O vulcão Eyjafjallajökull na Islândia também é outro exemplo, mas se a própria natureza causa danos à natureza, o que faremos? Ah, eu me esqueci... isto é a fúria de Gaia contra o gênero humano, um tema que também foi discutido na Cúpula dos Líderes Religiosos.

"Nossa Mãe Terra está sofrendo tanto que pode colocar até as pessoas mais ricas do mundo de joelhos, quando elas ficam impossibilitadas de viajar devido às cinzas vulcânicas; ela é poderosa assim e irá demonstrar mais o seu poder."

O tema comum de uma ética global, voltada para a Terra e gerada espiritualmente foi apresentado em diversas ocasiões. Isto foi expresso no documento final de um modo que é paralelo com a filosofia gaiana. (A Mãe Terra é uma entidade viva), dizendo que as religiões veem "o planeta como um todo unificado, como as células de um organismo... profundamente interdependentes."

A Economia também entrou no quadro: Precisamos de um novo sistema de ecojustiça, em que os países do primeiro mundo paguem uma dívida ecológica para as nações em desenvolvimento. As indicações disso são encontradas no Rascunho Final do documento "Um Tempo Para Liderança e Ação Inspiradas". Entretanto, as palavras eram mais enfáticas no primeiro rascunho: "Os países industrializados causaram uma quantidade exagerada de danos ao meio ambiente; eles agora possuem uma dívida ecológica com os países em desenvolvimento, para toda a vida e para o futuro." Como diz o texto final: "Precisamos nos mover para além dos interesses e argumentos políticos de curto prazo sobre quem paga."

Uma voz na Cúpula dos Líderes Religiosos desafiou essas pressuposições, o representante da Igreja Anglicana, Nick Baines. Ele foi o único que teve a coragem de perguntar: "Quem pagará a conta? Quem estará disposto a abrir mão de seu telefone celular? Quem estará disposto a deixar de viajar?" As perguntas foram dirigidas aos participantes. O Sr. Baines estava com a razão — precisamos viver no mundo real. Entretanto, apesar de ter levantado um ponto válido, acredito que em grande parte, suas perguntas chegaram a ouvidos mudos.

A conclusão foi expressa pelo representante do Canadian Foodgrains Bank (NT: uma organização cristã que desenvolve projetos para erradicar a fome nos países subdesenvolvidos): Nossas igrejas, templos e mesquitas precisam guiar as mudanças de comportamento em suas bases de membros. A linguagem da fé, outro delegado nos disse, é um instrumento poderoso para incitar a transformação global. Nada menos que uma "transformação global e sistêmica" é necessária — ética, valores e prioridades espirituais precisam mudar para que a Mãe Terra possa sobreviver. As fés precisam se unir nessa causa final. Esta foi a mensagem central.

3) Paz. A união das religiões é um símbolo poderoso para a paz mundial e o documento final pediu que as nações interrompam a corrida armamentista, invistam em programas para a paz, parem com a limpeza étnica e reduzam o armamento nuclear. São clichês muito bonitos, mas não parecem ter muito peso. De alguma forma, a Cúpula dos Líderes Religiosos do G8 reduziu as discussões sobre a paz. Não que o tema não tenha sido discutido, mas parecia que a Cúpula tinha ficado sem tempo para tratar a questão, em comparação com as sessões sobre mudança climática e pobreza. Parte da razão pode ser porque esses outros assuntos podem ser agregados no contexto mais amplo da paz.

Um item de nota apareceu: o Direito de Proteger (também conhecido como R2P, de Right to Protect). O que é o Direito de Proteger? A criação de Lloyd Axworthy e do Movimento Federalista Mundial, R2P é a crença que a comunidade internacional tem uma responsabilidade de intervir militarmente em situações em que os governos nacionais deixem de proteger seu próprio povo. A princípio, a intenção parecer ser boa, mas abre a Caixa de Pandora, pois uma infinidade de desculpas questionáveis pode ser usada para justificar uma "intervenção". Este conceito tem o potencial para graves abusos. A partir da perspectiva Federalista Mundial, o Direito de Proteger se torna a justificativa juridicamente legal para uma autoridade política mundial agir militarmente. O perigo é que as sementes da tirania frequentemente são enterradas no solo das boas intenções. (Para mais sobre este tópico, leia os artigos "Kosovo and the International Community", na Edição 7 do Volume 2 da Forcing Change e "Definindo a Agenda Internacional — Compreendendo o Quadro Grande: O Movimento Federalista Mundial".).

Em geral, a noção da paz mundial parecia orbitar em torno da coexistência e da interdependência: a integração de todas as nossas instituições em um novo todo, incluindo as religiões. Além disso, os líderes das religiões se tornam quase que estadistas globais.

O Que Tudo Isto Significa?

A Cúpula Mundial dos Líderes Religiosos de 2010 foi organizada para influenciar os líderes do G8 e do G20 que se reuniriam dias depois. No fim do evento de três dias, uma cerimônia de encerramento foi realizada com orações xintoístas pela paz mundial e pela harmonia mental. O documento final "Um Tempo para Liderança e Ação Inspiradas" foi entregue a um representante do governo canadense. A propósito, quando uma proposta foi feita para uma votação para a aceitação desse documento final, ele foi adotado unanimemente. (Veja na Parte 6 o texto do rascunho final do documento.)

A pergunta é: a Cúpula dos Líderes Religiosos fez uma diferença para a reunião dos chefes de Estado em Toronto? Isto é questionável. Entretanto, ela fará uma diferença em duas outras frentes. Primeira, como um encontro global de líderes religiosos, ela legitima a abordagem interfé como uma voz política "espiritualmente inspirada". Por sua natureza, isso dá credibilidade à ideia que as fés do mundo podem se unir sob um sistema global. Daí, um novo padrão é requerido para a legitimidade religiosa — o teste do anil é o seguinte: A visão de sua religião une ou divide? A participação de cristãos nesse movimento, seja intencional ou não, precisa minimizar a singularidade de Jesus Cristo como "o único caminho para o Pai". Expressar essa opinião rotularia imediatamente a pessoa como intolerante e contrária ao novo paradigma espiritual.

Em segundo lugar, a Cúpula dos Líderes Religiosos do G8 pode fazer uma diferença nos níveis locais, dependendo da força como a agenda for empurrada por aqueles grupos guarda-chuva que participaram. O empurrão pode não ser claro, mas ser feito por meio de linguagem ou programas mais sutis que, a princípio, parecem ser bem-intencionados. Isto não significa que devemos procurar um espantalho atrás de cada moita, mas que precisamos ser diligentes, pois os grupos que participaram se comprometeram a incitar mudanças que reflitam uma perspectiva interfé/socialista. Isto poderia ser melhor descrito como Marxismo Espiritual.

Finalmente, se você participa de uma igreja ou é parte de um ministério cristão que está sob a tutela de um dos grupos envolvidos nesse evento do G8, chame-os para prestar contas. Aja com educação e cautela, mas seja fiel e faça sua posição ser bem conhecida. Se a organização guarda-chuva determinar que o movimento interfé é agora o novo jogo, então sua igreja ou denominação tem de fazer algumas perguntas difíceis: permanecer como membro e contribuir para esse movimento, ou pedir desligamento em respeito ao chamado bíblico mais elevado?

Notas Finais

1. As citações e materiais dos discursos usados neste relatório foram tiradas das minhas gravações. Caso contrário, a fonte está incluída nas notas de rodapé onde forem apropriadas.

2. Brenda Suderman, "A meeting of religious minds", Winnipeg Free Press, 18 de junho de 2010. Os "manifestantes" eram membros do coro da Comunidade Menonita de Fort Garry.

3. Idem.

4. "History of the Interfaith Leaders' Summits", 2010 G8 World Religions Summit Resource Kit, pág. 13.

5. Todos os documentos religiosos anteriores do G8 foram entregues aos delegados e aos observadores em Winnipeg em um único pacote.

6. Doug Koop, "World religions summit in Winnipeg will deliver message to G8", Christian Week, 26 de março de 2010, edição on-line.

7. Idem.

8. D. Eric Schansberg, How Poor Government Policy Harms the Poor (Westview Press, 1996), pág. 230.




Parte 2

"Una-nos Sempre" — Uma Oração Interfé para a Cúpula dos Líderes Religiosos do G8

Nota: O texto seguinte é uma oração multifé que foi incluída nos materiais dos participantes da Cúpula Mundial dos Líderes Religiosos do G8 em 2010. Os materiais e a oração deveriam ser usados nos eventos anteriores à Cúpula do G8, principalmente nos jantares interfé com os políticos canadenses convidados. Além da oração, havia um rascunho da Declaração da Cúpula, intitulada "Um Tempo para Liderança e Ação Inspiradas".

Para aqueles que seguem o padrão bíblico, a exclusividade de Deus (Isaías 44:6-8) e a singularidade de Jesus Cristo como o Filho de Deus (João 14:6, Apocalipse 1:8), a "Oração de Ação de Graças" somente pode ser vista como uma afronta à verdade.

Oração de Ação de Graças para as Religiões do Mundo

A maioria das tradições religiosas enfatiza as ações de graças. A oração a seguir reconhece as diversas e singulares qualidades das tradições espirituais existentes no mundo.

Dirigente: Damos graças pelas religiões do mundo e pelas riquezas que trazem às nossas vidas.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs bahá'ís, por sua genuína abertura e desejo de unidade.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs budistas, por seu senso de paz e despreendimento.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs cristãos, por sua mensagem de amor e pela ética da compaixão.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs hindus, por seu coração aberto em aceitar os outros e a gentil disposição em relação às pessoas de outras fés.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs humanistas, por sua ênfase na dignidade e valor de todas as pessoas.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs muçulmanos, por seu comprometimento com a oração e a fidelidade na adoração.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs jainistas, por seu profundo respeito à vida e pela rejeição ao uso da violência.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs judeus, por seus símbolos enriquecedores e por seu amor à tradição.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs aborígenes, por sua reverência à natureza e por sua antiga e ainda viva cultura.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs xintoístas, por sua fidelidade aos rituais e pela compreensão do mundo natural.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs sikhs, por sua calorosa hospitalidade e pelo testemunho público da fé.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs taoístas, por seu senso de conexão de todas as coisas e pela busca da harmonia.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs unitarianos, por sua abertura para a verdade e compromisso com a liberdade, com a razão e com a tolerância.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças pelos nossos irmãos e irmãs zoroastristas, por sua devoção ao pensamento correto, à linguagem correta e à ação correta.
Povo: Damos graças.

Dirigente: Damos graças por toda tradição de fé, citada ou não citada, pela variedade e riqueza de suas espiritualidades, por sua busca unida pela verdade, por sua dedicação comum na busca da paz, da reconciliação e da cura do espírito.
Congregação: Damos graças. Una-nos sempre como uma comunidade de alegria, amor e paz. Inspira-nos sempre a vivermos de forma mais genuína e autêntica, celebrando a diversidade, afirmando a unidade, buscando a paz, não apenas para melhores relações entre as filosofias, mas para um mundo novo e mais justo. Amém.




Parte 3

Pontos a Considerar Sobre a Participação de Cristãos no Movimento Interfé

1) A abordagem interfé é racionalmente sem direção. Se todas as religiões são igualmente válidas ou contêm algum nível de autenticidade espiritual, como o movimento interfé afirma, então nenhuma religião tem fundamento. Portanto, o incrédulo pode logicamente rejeitar o Cristianismo como uma seita sem sentido entre muitas outras seitas sem sentido. Se reconhecermos outra religião como um veículo que proclama a revelação de Deus, mesmo que experimentalmente, a natureza exclusiva de Deus que é revelada na Bíblia (Isaías 45:18-22; João 14:6-7) não pode mais ser vista como verdade exclusiva. A porta fica aberta para considerar qualquer outra afirmação espiritual como legítima e deixar de aceitar essas outras afirmações demonstra uma exclusividade intolerante.

Jesus Cristo é quem Ele reivindicou ser, o grande EU SOU — o único Deus verdadeiro — ou é somente um caminho entre muitos outros e Sua reivindicação é falsa. É uma posição tudo ou nada (veja Josué 24:14-24).

2) A posição interfé prejudica a missão cristã de levar as boas novas de Jesus Cristo como Deus encarnado que veio ao mundo para redimir a humanidade pecadora. A ponte inter-religiosa corrobora a ideia que um fiel de outra religião não deve ser teologicamente desafiado, pois isso leva à disputa religiosa. (Por exemplo: defender Jesus Cristo como o "EU SOU" e o "caminho, a verdade e a vida" seria uma afronta para o Islã — e isto seria divisivo no trabalho de construção de pontes).

O objetivo do movimento interfé é a paz, não a divisão; se uma determinada verdade leva à confrontação, então essa verdade precisa ser marginalizada ou evitada dentro do diálogo inter-religioso. Da mesma forma, a parceria interfé tem de evitar desafiar as afirmações fundamentais do Cristianismo (veja o segundo sub-ponto a seguir). Seguindo sua extensão lógica, a construção de pontes interfé produz um tipo vago de status quo com dois resultados previsíveis:

A) O testemunho cristão, o evangelismo e as missões para anunciarem o Evangelho exclusivo de Jesus Cristo precisam ser enfraquecidos ou evitados. Isto já está aparecendo por meio do vindouro Código de Conduta Sobre Conversão ecumênico/interfé, um acordo que está sendo rascunhado por meio do Conselho Mundial de Igrejas e o Vaticano — junto com sugestões de líderes muçulmanos, hindus e budistas. Esse código, que será finalizado em 2010, busca abertamente limitar o "proselitismo" e as "conversões" religiosas. Como diz a recomendação número 3, "todos devem se curar da obsessão de converter os outros".

B) A parceria interfé corre o risco de induzir a preguiça intelectual, histórica e teológica, pois os cristãos não terão mais de "batalhar pela fé". Portanto, não é incomum descobrir que os cristãos envolvidos na construção de pontes interfé falam sobre a "revelação de Deus para nós" e "a revelação de Deus para eles" (aqueles que seguem outra fé, como o Islã ou o Hinduísmo).

Mas, considere o seguinte: se Deus deu revelações por meio de diferentes fés, então essas revelações precisam ser igualmente válidas. Portanto, as escrituras das diferentes religiões do mundo precisam ser isentas de contradições com relação à natureza e a identidade de Deus, se de fato elas são revelações que vieram da mesma deidade. Isto significa que os ensinos do Antigo e do Novo Testamentos, o Alcorão dos muçulmanos, os Vedas dos hindus e o Livro de Mórmon (entre outros) precisam se alinhar em suas crenças centrais.

Mas, eles não se alinham. O Alcorão, os Vedas, o Livro de Mórmon e a "iluminação" do Budismo contradizem a revelação do Velho e do Novo Testamentos sobre o caráter e a identidade de Deus.

Somente porque outra religião — como o Islã ou o Mormonismo — usa os nomes "Deus" ou "Jesus", isso não significa que é a mesma deidade adorada pelos cristãos. De fato, as revelações do Islã mostram um Deus diferente daquele que se apresenta na Bíblia; exatamente como os ensinos referentes a Jesus no Mormonismo retratam um "Jesus" diferente daquele que é encontrado no Novo Testamento.

Dizer que os nomes são os mesmos e que, portanto, a deidade é uma e a mesma, é como dizer que porque existem nove diferentes nomes em uma lista telefônica, então todos esses nomes representam uma mesma pessoa.

O diálogo interfé, por sua natureza, evita explorar as questões mais cruciais: "Quem é o verdadeiro Deus?" e "Quem é Jesus Cristo?"

3) Quando os líderes cristãos se envolvem com outras religiões para a busca da "paz", o potencial para confundir os cristãos jovens é muito real. As universidades e colégios progressistas já pressionam fortemente os jovens a rejeitarem as crenças cristãs e os princípios ocidentais. Portanto, os líderes cristãos têm uma responsabilidade de incentivar e fortalecer esses rapazes e moças e não aumentar a confusão espiritual que já permeia a sociedade.

4) Quando líderes cristãos buscam parcerias com outras religiões, cismas ocorrem dentro do corpo da igreja à medida que as congregações, líderes e leigos se encontram opostos uns aos outros teologicamente. Além disso, os pastores que se posicionam firmemente contra a colaboração interfé oficial podem se encontrar em conflito com os líderes de sua denominação e/ou associação. Além disso, se a própria igreja do pastor não estiver disposta a apoiá-lo a enfrentar a linha oficial, então se torna extremamente difícil ministrar eficazmente para a própria congregação local, e muito mais difícil ainda enfrentar as pressões dos líderes denominacionais.

Em outra frente, a animosidade e/ou a apatia em relação aos líderes e às igrejas podem fincar raízes.

5) Finalmente, os sinais culturais enviados pelos líderes cristãos que caminham na estrada interfé se combinam com a confusão da transformação social e espiritual que está acontecendo. Atualmente, uma grande porcentagem de adultos no mundo Ocidental adere a alguma forma de universalismo religioso. Para esses indivíduos, Jesus Cristo é apenas um homem moral ou um grande reformador, junto como Krishna ou Buda. Na mente dessas pessoas, isto é tudo o que Jesus sempre será, pois, na busca da paz, é tudo que o movimento interfé pode permitir.



Parte 4

Winnipeg, o Movimento Federalista Mundial e a Cúpula dos Líderes Religiosos: A Nova Genebra?

O que as cidades de Londres, Moscou, Colônia, Sapporo e Roma têm em comum com Winnipeg? Qualquer um que conheça Winnipeg, a cidade situada nas pradarias canadenses, em que o inverno é severo, provavelmente zombaria da noção que "Invernopeg" seja listada entre as grandes cidades do mundo. Todavia, em junho de 2010 Winnipeg foi contada com os centros mundiais acima mencionados, pois cada uma dessas cidades sediou um Encontro de Cúpula dos Líderes Religiosos do G8.

Como Winnipeg recebeu a oportunidade de sediar este evento é uma história interessante e que demonstra que há mais nas pradarias canadenses do que se pode ver com os olhos. Como a capital da província de Manitoba, Winnipeg tem uma população de aproximadamente 700 mil habitantes. Ela também abriga a Universidade de Winnipeg, onde a Cúpula dos Líderes Religiosos de 2010 foi realizada. Além disso, dois dos atores mais influentes no Movimento Federalista Mundial (MFM) — um organismo internacional que faz lóbi pró-governo mundial — também são figuras-chave na Universidade de Winnipeg. Ambos os indivíduos exerceram papéis significativos no Encontro de Cúpula.

1) Dr. Lloyd Axworthy: Atual reitor da Universidade de Winnipeg, Axworthy foi ministro canadense das Relações Exteriores e presidente do Conselho de Segurança da ONU no fim dos anos 1990s. Ele também foi atuante por trás dos bastidores com o Movimento Federalista Mundial e ajudou a criar a Corte Internacional de Justiça como um projeto do MFM. Além disso, ele é o indivíduo mais responsável pela promoção do princípio chamado Direito de Proteger (ou R2P, de Right to Protect). Segundo esse conceito, a soberania nacional pode ser transposta se um país não proteger sua própria população e as Nações Unidas têm então a incumbência de intervir militar e politicamente. O Dr. Axworthy é agora presidente do Movimento Federalista Mundial.

2) Dr. James Christie: Atualmente é o Deão de Teologia na Universidade de Winnipeg, também preside o Colégio Global, da universidade — uma instituição que promove a governança global. O Sr. Christie tem um longo histórico de envolvimento com os federalistas mundiais. Atualmente, ele é o presidente do Conselho do MFM. Ele também é ex-presidente do Conselho Canadense de Igrejas e um ministro na Igreja Unida do Canadá. Na verdade, quando ele ocupava o cargo de pastor de uma Igreja Unida na cidade de Ottawa, um de seus paroquianos era Lloyd Axworthy. (Nota do Autor: A primeira vez que encontrei o Sr. Christie foi durante um evento conjunto dos Federalistas Mundiais e da Iniciativa das Religiões Unidas, na cidade de Washington, EUA. A Iniciativa das Religiões Unidas, um programa interfé vinculado com a ONU, esperava formar um tipo de parlamento mundial das religiões e estava trabalhando na preparação de uma cúpula global. Para esse fim, ela estava procurando formar uma parceria com a comunidade dos Federalistas Mundiais. O Sr. Christie foi um orador nessa conferência promovida pelo Movimento Federalista Mundial e a Iniciativa das Religiões Unidas.)

Mas, por que Winnipeg? Aqui estão os fatos que poucos conhecem:

Pouco antes do Encontro de Cúpula dos Líderes Religiosos em Sapporo, no Japão, no ano 2008, James Christie e o Dr. Axworthy estavam caminhando juntos após uma convocação no Colégio Menno Simons, uma escola parceira da Universidade de Winnipeg. Naquele tempo, o Sr. Christie estava se preparando para ir ao Encontro de Cúpula em Sapporo. Durante a caminhada, ele sugeriu a Axworthy que Winnipeg sediasse o evento no ano de 2010. O Dr. Axworthy concordou, mas estipulou que a Comunidade Bahá'í deveria ter uma voz especial na Cúpula em Winnipeg — especialmente com relação aos direitos humanos e religiosos.

Para aqueles que não estão familiarizados com a Fé Bahá'í, ela é uma religião de origem persa que promove ativamente o governo mundial com um único sistema monetário, completo com uma fé mundial para toda a humanidade. [1]. Assim, a comunidade Bahá'í é uma das mais atuantes promotoras do governo mundial e do movimento interfé global. Além disso, os líderes bahá'ís frequentemente presidem as conferências da ONU sobre governança global. Atualmente, a Comunidade Bahá'í está sendo perseguida no Irã. O Dr. Christie aceitou o pedido de Axworthy.

Em Sapporo, James Christie sugeriu que Winnipeg sediasse a Cúpula de 2010 e a proposta foi aceita. Assim, após o Encontro de Cúpula dos Líderes Religiosos de 2009, em Roma, o ministro italiano das Relações Exteriores passou oficialmente o bastão para Winnipeg. Em janeiro daquele ano, o planejamento começou para o evento.

Outra canadense estava em Sapporo: Karen Hamilton, agora secretária-geral do Conselho Canadense de Igrejas e presidente-executiva do Movimento Federalista Mundial. (Você já começou a ver um padrão aqui?) Assim, para 2010, os principais organizadores da Cúpula Mundial dos Líderes Religiosos do G8 eram... o Dr. James Christie e a Dra. Karen Hamilton, sendo que o evento ocorreu na universidade presidida pelo Dr. Axworthy. (Em seu discurso de abertura, Axworthy promoveu sua ideia do Direito de Proteger.)

Na segunda-feira, dia 21 de junho, o Dr. Christie disse aos presentes que Winnipeg estava se tornando a "Nova Genebra" — uma ideia postulada por Arthur V. Mauro, presidente da Autoridade Aeroportuária de Winnipeg. Parte da base para essa reivindicação é a construção do Museu dos Direitos Humanos, um edifício gigantesco que está previsto para ser inaugurado no ano de 2012, colocando Winnipeg no mapa como uma cidade internacional dos "direitos humanos". A Cúpula dos Líderes Religiosos também contribuiu para esta distinção.

Como Christie explicou: "Este é um lugar em que coisas extraordinárias continuam a acontecer silenciosamente."

De fato, coisas extraordinárias acontecem em Winnipeg! Aqui estão algumas informações interessantes sobre a capital da província de Manitoba a partir de uma perspectiva tanto religiosa quanto política/internacional:

Religiosa:

- Winnipeg está localizada no centro do continente, na junção dos rios Red e Assiniboine — um ponto histórico de encontro para as tribos indígenas da América do Norte. De acordo com o povo Anishnabe, existe uma profecia que diz: "Representantes virão de todas as partes do mundo e apoiarão a revelação da verdade dos nossos propósitos, o significado de nossa existência e nossas responsabilidades em cuidar da Terra." Foi explicado que este "sítio sagrado" é o lugar em que o Grande Espírito se assentava.

- O edifício da Assembleia Legislativa de Manitoba, localizado próximo ao centro da cidade, foi projetado de acordo com linhas ocultistas e maçônicas, completo com um Sol Negro e alinhado proporcionalmente com o Templo de Salomão. Este fato, que está há décadas diante da cara dos cidadãos, foi finalmente revelado em 2006 por uma série de artigos publicados em Winnipeg Free Press. Os turistas que visitam Winnipeg podem agora comprar um livro ilustrado que mostra a natureza esotérica do local. (The Hermetic Code: Unlocking One of Manitoba’s Greatest Secrets, escrito por Carolin Vesely). Você pode até fazer o passeio "Código Hermético" no edifício da Assembleia Legislativa.

- Sir Arthur Conan Doyle, famoso por ter criado o personagem Sherlock Holmes, visitou Winnipeg em 1923 para fazer proselitismo para o espiritismo. Enquanto estava em Winnipeg, ele entrou em contato com um grupo de cidadãos proeminentes que tinham formado um centro espírita para o propósito de experimentarem o fenômeno psíquico. Falando sobre a cidade, Doyle observou: "Cheguei à conclusão que Winnipeg se destaca muito entre os lugares que visitamos por suas possibilidades psíquicas." [2].

- Existe muita diversidade religiosa em Winnipeg; existem diversas igrejas cristãs na cidade; há uma vibrante comunidade judaica; um templo hindu foi inaugurado em 2005; a Grande Mesquita abriu suas portas em 2007. A espiritualidade indígena é muito ativa e é fortemente promovida sob o guarda-chuva da cultura indígena.

Político/Internacional:

- Winnipeg foi a cidade natal de Sir William Stephenson, melhor conhecido como Intrépido, um dos espiões mais famosos do século 20.

- A sede canadense do NORAD (North American Aerospace Defense Command, ou Comando de Defesa Aeroespacial Norte-Americano) está localizada em Winnipeg. Além disso, essa instalação é o centro de controle alternativo do NORAD para a sede em Colorado Springs, no Colorado.

- O Centro Internacional das Doenças Infecciosas, um centro de pesquisas de categoria internacional que lida com as doenças transmissíveis, está localizado em Winnipeg – colocando a cidade no mapa em termos de assuntos de saúde mundial.

- Como uma precursora para a Cúpula da Terra, promovida pela ONU no Rio de Janeiro em 1992, o governo de Manitoba promoveu em 1990 a Conferência Mundial Sobre Economia, Energia e Meio Ambiente. Mais de 3.000 delegados de todo o mundo se reuniram em Winnipeg para discutirem o tema "Estratégias de Desenvolvimento Sustentável e a Nova Ordem Internacional". Uma das recomendações foi a criação de uma "Constituição Verde Global", com um sistema de "controles rígidos que alguns equipararam a um Estado policial". [3].

- Agora em Winnipeg há 20 anos, o Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável está localizado no coração da cidade. Esse instituto é conhecido mundialmente por sua pesquisa e promoção da governança global, especialmente no que se refere às políticas para o meio ambiente. Como uma das publicações do Instituto nos diz:

"A questão do meio ambiente foi definida como uma questão global que precisa de ação global. Havia exigências para fortalecer a lei internacional, que pudessem forçar as nações à disciplina... Esses esforços no nível global contribuíram diretamente para a construção de um senso de identidade global, ou uma cidadania global, que seria a primeira etapa rumo à governança global." [4].

- Winnipeg será o porto seco setentrional para o Corredor de Transporte e Comércio do Centro do Continente, ligando economicamente a América do Norte em uma rede trinacional de energia e de malha viária.

- O Museu dos Direitos Humanos está sendo construído no centro de Winnipeg, e a arquitetura foi planejada para invocar uma jornada das "trevas para a luz" em um "mundo em transformação". Um espaço de aproximadamente 5.000 metros quadrados contará as histórias de abusos dos direitos humanos e uma rampa da cerca de um quilômetro levará os visitantes a uma torre de vidro de 20 níveis, a Torre da Esperança. Além de centenas de milhões de dólares de custo, o Museu dos Direitos Humanos é controverso, pois parece inclinado a fazer propaganda para certas causas. (Nota do Autor: Alguns anos atrás participei de uma conferência da ONU sobre os Direitos Humanos em que o projeto desse museu foi discutido como um instrumento educacional para a governança global.)

- Existem propostas de tornar a cidade um centro global para os assuntos indígenas, incluindo trazer um escritório da UNESCO com uma incumbência internacional com relação aos povos aborígenes.

E agora, Winnipeg pode se orgulhar de sediar a Cúpula dos Líderes Religiosos do G8 em 2010 — organizada e dirigida por alguns dos principais líderes do Movimento Federalista Mundial!

O potencial para a cidade de Winnipeg atuar como uma "plataforma silenciosa", avançando agendas globais importantes, é inegável. Nos meses e anos futuros, observe essa cidade da pradaria canadense se transformar em uma "Nova Genebra". O Sr. Christie estava correto: "Este é um lugar em que coisas extraordinárias continuam a acontecer silenciosamente."

Notas Finais

1. Leia meu relatório "A Fé Bahá'í: Ligando a Política e a Religião na Busca pela Unificação Global".

2. Veja "Arthur Conan Doyle’s Adventures in Winnipeg", Manitoba History, Número 25, Primavera de 1993.

3. WEEEC, Sustainable Development for a New World Agenda, 1990, pág. 15.

4. Youth Sourcebook on Sustainable Development, IISD, 1994, pág. 63.




Parte 5

As Linhas de Influência da Cúpula dos Líderes Religiosos do G8, em 2010

Importante: Este documento é essencial, pois fornece um mapa da estrada da influência das organizações que participaram da Cúpula dos Líderes Religiosos do G8 e até os organismos de raiz popular, incluindo igrejas locais.

As organizações que ocuparam a mesa durante a Cúpula foram encorajadas a se tornarem agentes de transformação dentro de sua comunidade religiosa em particular. Karen Hamilton, uma das principais planejadoras, explicou para a publicação Christian Week a estratégia da parceria religiosa: "— As organizações participantes refletem suas bases de membros. Elas vêm em virtude de suas posições e esta foi uma estratégia muito deliberada." (Christian Week, "World religions summit in Winnipeg will deliver message to G8", 26 de março de 2010).

A estratégia é simples, porém eficaz: É uma abordagem de cima para baixo em que os grupos religiosos participantes foram escolhidos por causa de suas posições de influência, sendo assim capazes de arrastar suas bases de membros, afiliados e parceiros a uma estrutura aceita globalmente. Portanto, é importante que saibamos quem estava ocupando a mesa, e a base de membros que eles representam. Nota: Todas as organizações que participaram na mesa dos Líderes Religiosos do G8 apoiaram a agenda, pois a declaração final apresentada recebeu aprovação unânime.

Este documento contém duas listas, junto com sub-diretórios da base de membros. A primeira é uma Lista dos Parceiros Oficiais; essas são as organizações que apoiaram publicamente a Cúpula e que estavam oficialmente a bordo durante todo o processo. A segunda lista é formada por organizações que foram convidadas e que participaram na mesa de negociações. Como nenhuma lista oficial de participantes foi dada aos observadores, essa segunda lista foi montada por meio do testemunho de primeira-mão e por notas subsequentes divulgadas para a imprensa. Portanto, alguns grupos podem ter sido negligenciados.

Sub-diretórios são encontrados dentro de certas organizações, como o Conselho Canadense de Igrejas e a Comunhão Evangélica do Canadá. Esses sub-diretórios representam as linhas de influência que estão debaixo de determinadas organizações religiosas.

Nota: Isto não significa que todos os grupos listados nos sub-diretórios apoiam a agenda interfé ou o envolvimento da organização-mãe na Cúpula dos Líderes Religiosos do G8. Alguns podem ser simpatizantes; entretanto, a maioria dos grupos nos sub-diretórios provavelmente nem sequer tomou conhecimento do evento, muito menos que um grande parceiro ou uma organização-mãe estava diretamente envolvida.

Faça sua lição de casa e procure descobrir se sua igreja ou denominação está representada! Em caso afirmativo, monitore o que sua denominação está sendo solicitada a fazer para participar, para assinar ou aceitar como mudanças de comportamento. Se houver uma mudança de cosmovisão ocorrendo, em que direção ela está indo? Além disso, se sua igreja ou grupo considerar a abordagem interfé/socialista inaceitável, então educada, mas firmemente, confronte a organização-mãe. Faça-os saber que precisam prestar contas para suas bases de membros e de afiliados!

Nota do Tradutor: Na lista a seguir, os nomes de muitas das organizações foram mantidos no original; a lista não está totalmente em ordem alfabética.

Lista de Parceiros e Afiliados Oficiais

Nação Anishinabe
Comunidade Bahá'í do Canadá
Centro Canadense para a Diversidade
Centro Canadense para o Ecumenismo
Conselho Canadense de Igrejas

Membros:
Conselho Canadense de Sinagogas Conservadoras
Conselho Canadense de Imãs
Canadian Foodgrains Bank

Membros:
Congresso Judaico Canadense
CFORE (Canadian Forum on Religion and Ecology, uma derivação do Yale Forum on Religion and Ecology)
Comunhão Evangélica do Canadá (com quase 1000 igrejas individuais afiliadas em todo o Canadá; o EFC é membro da Aliança Evangélica Mundial).
Denominações Afiliadas:
Affiliate Ministries:
Institutos Educacionais Afiliados:
Grupo de Pesquisa do G8
Federação Hindu — Canadá
KAIROS (Canadian Ecumenical Justice Initiatives)
Membros:
Igreja Konko de Izuo
Conselho Interfé de Manitoba
Micah Challenge

Membros:
MOSAIC Institute
Conselho Nacional de Igrejas dos EUA
Membros (mais de 100 mil congregações e 45 milhões de pessoas):
Project Ploughshares (um braço ecumênico do Conselho Canadense de Igrejas)
Comunidade Sikh – Canadá
Sojourners
Tony Blair Faiths Act Fellows/Tony Blair Faith Foundation
Nota: O Conselho de Assessoria Religiosa da Tony Blair Faith Foundation é formado pelos seguintes:
Centro Multifé da Universidade de Toronto
Universidade de Winnipeg, Faculdade de Teologia
Associação Mundial para a Comunicação Cristã
Conselho Mundial Sobre Religiões para a Paz (com corpos afiliados no mundo inteiro)

Outros Organismos Presentes na Mesa do G8 e Afiliados

Conferência de Igrejas de Toda a África (representando mais de 120 milhões de pessoas em 39 países africanos, incluindo 23 Conselhos nacionais e 4 Comunhões sub-regionais.)

Parceiros Globais:
Igreja Ortodoxa Armênia, Canadá
Ministérios Batistas Canadenses (com pessoal no campo em todo o mundo)
Parceiros:

Conferência Canadense dos Bispos Católicos (Oficialmente reconhecida pela Santa Sé em 1948, é membro da rede mundial de Conferências Episcopais)
Igreja Anglicana (mais de 13 milhões de membros)
Igreja Evangélica Luterana na América (quase 5 milhões de membros)
Comitê Judaico Internacional Sobre Consultas Inter-religiosas
Sociedade Internacional do Xintoísmo
Conselho Judaico para Relações Públicas
Igreja Menonita do Canadá (além das igrejas-membro, conecta-se com os seguintes organismos:)
Membros e Grupos Parceiros:

Millennium Promise
Conferência de Igrejas do Pacífico
Membros:
Igreja Ortodoxa Russa
Exército de Salvação
Ministério Saudita de Assuntos Islâmicos
Igreja Unida do Canadá (a maior denominação evangélica no Canadá)
Parceiros:

NOTA: A Igreja Unida do Canadá também tem parcerias com muitas outras organizações em todo o mundo.

Aliança Mundial de Igrejas Reformadas (estava representada por uma declaração de apoio entregue na Cúpula dos Líderes Religiosos do G8. A Aliança representa mais de 75 milhões de cristãos em aproximadamente 100 países.)

Aliança Evangélica Mundial — Os membros incluem sete organizações regionais mais 128 órgãos nacionais. Outros membros incluem:

Associados:
Redes:
Visão Mundial

Conselho de Igrejas do Zimbábue (com 27 grupos de igrejas que são membros; o Conselho está afiliado com a Comissão Para Missões Mundiais e Evangelismo, um programa do Conselho Mundial de Igrejas).




Parte 6

Um Tempo para Liderança e Ação Inspiradas — Rascunho Final, 23 de junho de 2010


Nós, 80 líderes adultos de religiões e de organizações religiosas do mundo, junto com 13 delegados juvenis, de mais de 20 países, representando as tradições religiosas aborígenes, bahá'ís, budistas, cristãs, hindus, judaicas, islâmicas, xintoístas e sikhs, nos reunimos em Winnipeg, Manitoba, na véspera da realização das cúpulas globais principais no Canadá.

Neste mês de setembro, chegamos a dois terços do ponto do prazo para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio — oito objetivos que, se alcançados, trarão esperança para milhões e serão um importante passo para um futuro global mais sustentável.

No espírito de continuidade e persistência, levamos adiante o importante trabalho iniciado nos encontros anuais dos líderes religiosos durante os encontros de cúpula anteriores do G8.

Reconhecendo nossa humanidade comum e abraçando o imperativo de tratar todas as pessoas com dignidade, afirmamos que nenhuma pessoa é mais ou menos valiosa do que as outras. Exortamos os líderes políticos a considerarem primeiro os vulneráveis entre nós, particularmente nossas crianças, a trabalharem juntos para tratar os flagelos degradantes da pobreza e da injustiça, a praticarem e promoverem o cuidado pelo nosso meio ambiente comum, a Terra.

Em nossas diversas tradições de fé, temos ricas histórias e sonhos poderosos de erradicar a pobreza, cuidar da Terra e sermos pacificadores. Reconhecemos nossas próprias limitações e inadequações, mas nos comprometemos a continuar com essas ações de dar a vida no serviço do bem comum. Ao mesmo tempo que reconhecemos os esforços já feitos para tratar muitos desses desafios, esperamos que os representantes dos governos coloquem de lado os planos de curto prazo e trabalhem juntos para um futuro que permita que todas as pessoas neste planeta possam prosperar.

O poder militar e o domínio econômico são a base para a inclusão nos encontros de cúpula globais do G8 e do G20. As vozes dos outros 172 membros das Nações Unidas estão ausentes. Em nossas tradições de fé, procuramos ouvir os fracos e os vulneráveis. As vozes deles precisam ser incluídas nas decisões que afetam a eles mesmos e a todos nós. Nas cúpulas de 2010, esperamos que os líderes coloquem primeiro o bem-estar de maioria da população mundial, das futuras gerações e da própria Terra. A partir de nossos valores compartilhados, pedimos que os líderes tomem ações corajosas e concretas:

Tratar o Problema da Pobreza

Quase metade da população deste planeja vive na pobreza e insegurança em termos dos requisitos fundamentais para a viver com dignidade. Os mais afetados são as mulheres, as crianças, os povos indígenas e as pessoas com deficiências físicas. Um recorde de 1 bilhão de pessoas está agora cronicamente faminta — uma em cada sete não tem os alimentos necessários para a vida básica. Tudo isto está acontecendo no contexto de um crescente vão entre ricos e pobres, agravado pelos sistemas econômicos e de governança não-democráticos atuais.

A magnitude da pobreza seria desanimadora se não fosse pelo conhecimento que essa desigualdade global pode ser transformada em uma vida compartilhada de florescimento humano para todos. Juntos, temos a capacidade e os recursos globais para erradicar a pobreza extrema e seus impactos. Nos últimos 18 anos, uma combinação de intervenções na área da saúde e níveis decrescentes da pobreza resultaram em uma redução de 28% na mortalidade global para as crianças com menos de 5 anos — de 90 mortes para cada 1.000 nascidos vivos em 1990 para 65 mortes para cada 1.000 nascidos vidos em 2008. A mudança é possível.

Uma doutrina comum nas tradições de fé é que devemos tratar os outros do modo como gostaríamos de ser tratados. Essa "regra de ouro" é um princípio humano básico que existe em todas as culturas e tradições de fé e nos chama para um padrão coletivo de cuidado mútuo.

Frequentemente, a pobreza é resultado de crises econômicas, alimentares e energéticas que se originam nos setores mais ricos da sociedade. Ela também é consequência da cultura da ganância, da corrupção, do conflito e do excesso de consumo. A pobreza é local e internacional. O sofrimento de uma pessoa é preocupação para todos nós.

Em 2010, esperamos liderança e ações inspiradas para tratar o problema da pobreza!

Cuidado pela Terra

Todas as nossas tradições religiosas nos convocam para a cuidadosa mordomia da Terra. A mudança climática se tornou uma manifestação urgente do nosso abuso coletivo do próprio ambiente que sustenta a plenitude da vida. Vemos as consequências do derretimento das calotas polares e da elevação dos níveis dos mares, os hábitats perdidos para os animais e espécies vegetais ameaçados e o clima errático que ameaça as vidas de milhões.

À medida que os cientistas descobrem novos aceleradores da mudança climática e dos oceanos e observam o pouco tempo que ainda nos resta para evitarmos o dano irreparável, é claro que ação firme é necessária agora. Precisamos nos mover para além dos interesses políticos de curto prazo e das discussões sobre quem pagará a conta. Em nosso planeta indivisível todos pagaremos — e as futuras gerações pagarão muito caro — se continuarmos a retardar a tomada de ação decisiva agora.

A Terra, nosso lar, é um presente do Criador. Nossas tradições religiosas nos chamam para relacionamentos de cuidado mútuo entre as pessoas e os ecossistemas. As comunidades religiosas veem o meio ambiente por meio de uma lente em que a vida no planeta é mostrada como um todo unificado, similar às células de um organismo, infinitamente diferenciadas em formas e funções, porém profundamente interdependentes. Na atual estrutura, os países industrializados causaram uma quantidade desproporcional de danos ao meio ambiente. A estratégia de promover o desenvolvimento contínuo e os estilos de vida de alto consumo precisam ser desafiados.

As raízes desta crise são espirituais e morais. Consequentemente, precisamos de uma ética ecológica renovada que restaure as relações corretas entre Norte e Sul, gerando novos paradigmas econômicos e novas políticas que sejam compatíveis com a capacidade regenerativa da Terra e promovendo a justa distribuição dos recursos. A necessidade de uma nova geração de direitos relacionados com a ecologia está se tornando aparente. Como comunidades religiosas, precisamos nos mover para resultados orientados pelas ações, redes e construção de comunidades moralmente sustentáveis.

Em 2010, esperamos liderança e ações inspiradas que cuidem da Terra!

Investir na Paz

O bem-estar e a segurança compartilhada de todos somente podem ser obtidos quando baseados na justiça. A segurança compartilhada enfoca o fundamental inter-relacionamento de todas as pessoas e o meio ambiente (Cúpula dos Líderes Religiosos em Sapporo, em 2008). A população civil dos países mais pobres do mundo é a principal vítima da guerra, das insurgências, das atividades ilícitas e de outras formas de violência armada. Ao mesmo tempo, somos coletivamente afetados e implicados na turbulência global por causa de nossa humanidade comum e pelas prioridades que definimos.

Um exemplo claro de prioridades mal definidas são os gastos militares globais, estimados em 1.464 bilhões do dólares em 2008, enquanto que o suporte para as operações de paz da ONU custa somente 9 bilhões. Os países da OTAN (NATO) são responsáveis por mais de dois terços desse gasto militar total; os pagamentos pelos serviços militares são mais de 20 vezes maiores do que as contribuições anuais mundiais para o Auxílio Oficial para o Desenvolvimento. Outro exemplo de prioridade mal definida é a contínua ameaça das armas nucleares e de outras armas de destruição maciça, que representam uma afronta moral à dignidade humana e um grave risco à vida.

Estamos cientes que existem aqueles que usam a religião para justificar atos violentos contra os outros e que, desse modo, ofendem o verdadeiro espírito de sua fé e os valores permanentes de suas comunidades religiosas. Condenamos o terrorismo e o extremismo motivados pela religião e nos comprometemos a interromper o ensino e a justificação do uso da violência entre nossas comunidades religiosas. Nossas tradições de fé estão imersas na promoção do amor ao próximo e no profundo respeito por toda a humanidade; a paz e a justiça caminham de mãos dadas. Nossos ensinos mais inspiradores são histórias de reconciliação e compaixão. Colaboraremos para criar caminhos para a coexistência pacífica e sustentável.

Em 2010, esperamos liderança e ações inspiradas que invistam na paz!

Nosso Compromisso

Reconhecemos que compartilhamos responsabilidades para sermos e agirmos para as mudanças que desejamos ver instituídas. Reafirmamos nossos compromissos de exortar nossas comunidades e membros a:

Nosso Profundo Desejo para 2010

Como pessoas de fé e como como habitantes preocupados deste planeta, exortamos nossas comunidades a fazermos nossa parte para erradicarmos a pobreza, cuidarmos da Terra e investirmos na paz, incluindo a criação de um movimento de participação política que torne as aparentemente impossíveis mudanças possíveis. Em um espírito de colaboração positiva, reconhecendo que tanto os líderes políticos quanto os religiosos possuem a tremenda responsabilidade de definir os parâmetros para nossa vida comum, monitoraremos as decisões que nossos líderes governamentais tomarão, incluindo as decisões tomadas na cúpula dos líderes políticos no Canadá. Esperamos uma continuidade das promessas feitas no passado. Esperamos novas e firmes ações baseadas nos valores e recomendações delineados aqui. Se deixarmos de cumprir esses objetivos, estaremos frustrando as expectativas nossas crianças, que olham para nós esperando que asseguremos um futuro viável para elas. Nossas orações e votos de sabedoria e compaixão são para nossos líderes políticos neste momento crítico.




Autor: Carl Teichrib, artigo original em http://www.forcingchange.org, Edição 6, Volume 4.
Data da publicação: 17/6/2011
Transferido para a área pública em 31/10/2012
Revisão: http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/cupula.asp