Celebrações para a Transformação: Os Festivais Alternativos de Arte, Cultura e Espiritualidade — Parte 1

Forcing Change, Volume 7, Edição 8.

Nota: Nota: Este é um ensaio extremamente importante, que delineia uma grande e crescente tendência que procura fazer nascer um novo mundo de espiritualidade emergente e mudança evolucionária. Este movimento é festivo e energizante e seu apelo é extraordinário à nossa sociedade pós-moderna e sem âncoras, desejosa de significado e realidade.

Desde que iniciei Forcing Change em 2007, quis escrever um ensaio sobre este assunto, mas desejava fazer isto depois de comparecer pessoalmente a um dos eventos descritos, de modo a dar aos leitores um relato de primeira mão. Infelizmente, os recursos para isto nunca apareceram, mas acredito que a importância deste tópico torna neessário que ele seja tratado agora. Embora não tenha sido possível para mim comparecer, estou escrevendo com os fatos baseados em um sólido conhecimento secundário, pois tenho observado esse fenômeno crescente à distância, via transmissões ao vivo pela Internet, conversando com pessoas que já participaram, analisando os filmes dos eventos e ouvindo as palestras de/sobre esses festivais, lendo reportagens e ensaios, investigando a história do movimento e interagindo com os participantes dentro do Second Live (SL é um mundo virtual).

Uma vez por ano, durante o período de uma semana, uma cidade surge a partir da poeira sufocante e do calor intenso do Deserto da Rocha Preta, na região norte do estado americano de Nevada. Sim, é uma cidade real — projetada na forma de uma letra "C" gigantesca, com ruas e radiais concêntricas, uma pista de pouso temporária, posto de saúde e sua própria estação de rádio FM. A cidade não é pequena. Este ano, 68.000 pessoas convergiram para este ambiente inóspito, para morarem em tendas e trailers, trazendo sua própria comida e água, e envolvendo-se umas com as outras em uma infinidade de níveis experimentais. Em seguida, quando a semana terminou, a cidade sumiu e o deserto vazio voltou a aparecer.

Seja bem-vindo à Cidade da Rocha Preta, o local onde ocorre o Festival do Homem Queimado. Seja bem-vindo a um fenômeno internacional que fala da transformação evolucionária global.

Está surgindo em todo o mundo uma cultura de celebração transformadora. Eventos como o Homem Queimado — a razão para a cidade da Rocha Preta surgir no meio do deserto todos os anos — fornece uma combinação intensiva da arte interativa, música, dança, uma imersão em vida comunitária, inclusividade radical e experiências de grupo ritualísticas. Espaços sagrados são formados, a espiritualidade é explorada, e a participação coletiva em atividades extáticas (que causam êxtase) reforça os sentimentos de conexão e consciência cósmica. Esses eventos são festivais para a revolução evolucionária e representam a nova e emergente transição cultural que está ocorrendo agora, tornando-se a locomotiva e o resultado da transformação.

Sem que a maioria dos cristãos tenha conhecimento, há um movimento global gigantesco e crescente que está procurando ativamente criar uma nova realidade — uma emergente estrutura cultural-espiritual-tecnológica que, por meio de experiências de grupo compartilhadas, considera-se como uma reação viável e significativa à exclusividade dos dogmas e doutrinas tradicionais. Esse movimento é expansivo, com mais de 90 festivais em 2012 e novos estão sendo adicionados a cada ano. Alguns são pequenos, com somente algumas centenas de participantes, porém outros recebem milhares e alguns já tiveram até dezenas de milhares de participantes.

Sziget, um tipo de festival misto em Budapeste, na Hungria, regularmente tem quase 400.000 participantes. Além disso, esse fenômeno é geograficamente diverso; embora uma grande porcentagem dos eventos sejam encontrados na metade ocidental da América do Norte, esse movimento, definido informalmente como "festival da transformação", pode ser observado em todos os continentes. Além disso, as coloridas e exóticas comunidades que se formam dentro de muitos desses festivais são apelativas para as multidões agora levadas a esmo pelo pós-modernismo; estamos criando um Novo Mundo, e você está convidado a participar. Entretanto, os cristãos conservadores estão frequentemente despreparados para enfrentar essa tendência.

Por que estamos despreparados? Por que em grande parte nem mesmo sabemos que esta cultura existe, pois se eu mencionar "O Homem Queimado", "Universo Paralello", "BOOM", "Ligthinig-in-a-Bottle", "Rainbow Serpent", "OZORA" ou "TomorrowLand", o que vem à sua mente? Portanto, o propósito deste artigo é abrir seus olhos para um movimento que antigamente era marginal ou alternativo, mas que agora está explodindo como uma experiência social de definição de tendências, um local para a realização de comícios culturais e uma locomotiva para a espiritualidade evolucionária.

Ao longo do caminho, listarei e explorarei rapidamente alguns desses festivais — celebrações para a transformação — dando-lhe um alerta a respeito de algo que agora está prestes a se mover da marginalidade para a corrente dominante. Ao mesmo tempo, deve ser observado que alguns desses eventos já estão na corrente dominante: O Homem Queimado e TomorrowLand, representando duas abordagens muito diferentes, são ambas entidades reconhecidas. O Homem Queimado atrai dezenas de milhares de participantes de todos os segmentos sociais, incluindo executivos de grandes empresas e personalidades da indústria do cinema em Hollywood e tem inspirado outras comunidades e festivais similares em todo o mundo. TomorrowLand, a supertaça da dança, teve mais de 2 milhões de pessoas disputando os 180.000 ingressos disponíveis para o encontro deste ano. Quando a venda dos ingressos começou, eles se esgotaram em questão de segundos (de acordo com alguns informes, em apénas um segundo, tornando este o evento de venda mais rápida em toda a história).

Critério para a Transformação

Os "festivais transformacionais", um termo usado pelo artista sonoro Jeet-Kei Leung durantre sua palestra Tedx, em 2010, em Vancouver, no Canadá, [1] são famosos por sua energia, atmosfera e diversidade. Aqui você encontrará diversas expressões artísticas e espirituais, várias escolhas de estilo de vida e de identificação sexual, e associações pessoais com todos os tipos de grupos temáticos. Wiccanos, aderentes da Nova Era, frequentadores de festas e raves, artistas e os apenas curiosos: todos juntos sob o estandarte da tolerância radical.

Nota: Rave é um tipo de festa que acontece em sítios (longe dos centros urbanos) ou galpões, com música eletrônica. É um evento de longa duração, normalmente acima de 12 horas, onde DJs e artistas plásticos, visuais e performáticos apresentam seus trabalhos, interagindo, dessa forma, com o público... Sub-Estilos da música eletrônica comumente tocados em Raves: House, Electro, Tecno, Minimalista, Transe Psicológico, entre outros." [Fonte: Wikipedia, http://pt.wikipedia.org/wiki/Rave].

Entretanto, no meio da diversidade, aspectos centrais comuns são evidentes. A música tecno e a dança extática são uma diversidade. Um aspecto comum inclui a interação com buscas espirituais emergentes — ioga e outras atividades para despertar a consciência, arte colaborativa e visionária, uma proliferação de símbolos esotéricos, oficinas e aulas, altares e espaços sagrados, dinâmicas de grupo ("ninguém é apenas um observador"), a construção cooperativa de "comunidade" e inclusividade profundamente enraizadas. Alguns eventos têm diferenças notáveis, mas o tema principal da transformação — cultural, espiritual e social — permanece como o paradigma dominante.

Como Jeet-Kei, um dos proponentes mais eloquentes deste movimento, explicou em seu primeiro episódio de The Bloom, uma série de documentários sobre os festivais transformacionais:

"Pode parecer difícil acreditar que a cultura da música e da dança eletrônicas já exista há aproximadamente 25 anos. E ela continua a crescer até hoje. A cultura emergente dos festivais transformacionais é construída em torno do ritual central da dança extática e da música eletrônica para incorporar arte e apresentações visionárias, oficinas de cursos em uma variedade de assuntos do novo paradigma, a criação e veneração de espaços e cerimônias sagradas, e uma próspera economia social de artesãos e fabricantes." [2].

Também deve ser observado que Jeet-Kei define um festival transformacional usando os seguintes critérios:

O critério acima fornece um modelo básico, porém com espaço para monobras. Isto posto, Jeet-Kei oferece outra importante característica: "Intenção consciente de apoiar a transformação pessoal e social." Esta, eu diria, é a estrutura sobre a qual tudo o mais é construído.

Experiência em Abrangência Total

"Por toda a parte que você olha, por toda a sua volta, está a experiência." [4].

A declaração acima reflete a realidade dos festivais transformacionais. Neste ambiente, tudo torna-se relevante para a tarefa da mudança em abrangência total: comunidade, educação, arte, paisagem e música.

O papel da comunidade em moldar o processo experimental e mudança subsequente de cosmovisão é crítico. Frequentemente expresso como "comunidade orgânica", esse encontro temático é onde o idealismo visionário se encontra com a interação social, fornecendo o contexto por meio do qual a transformação é encontrada. Isto não é abstrato: os participantes criam comunas tangíveis.

Acampamentos temáticos, tribos e microcomunidades formam-se dentro da "vila" maior do festival e, no caso no Homem Queimado, toda uma cidade é criada. Estruturas econômicas e políticas também existem. Por exemplo, o dinheiro como um meio de troca é desencorajado, substituído por um sistema de "presentes" — o escambo de produtos, doações e "participação igualitária no suor". Este é um modo singular de funcionar economicamente e inspira as pessoas a se socializarem, em vez de apenas comecializarem. A política também aparece, à medida que os acampamentos e tribos são incentivados a usar processos cooperativos de tomada de decisão e a criação do consenso.

A educação é outro aspecto comum com as oficinas e seminários realizados. Você pode participar de aulas sobre questões ambientais e vida integrada com o meio ambiente, misticismo feminino, desenvolvimento de habilidades artísticas, narrativas, espiritualidade e xamanismo indígena, desenho de trajes típicos e da moda, ioga, construção de equipes, economia alternativa, saúde e terapias, sexo sagrado — a lista é longa. A conclusão é que esses festivais são mais do que apenas um lugar para celebração e interação social, mas também de capacitação por meio do aprendizado.

Os festivais transformacionais são também locais para a liberação artística. Pintores, escultores, construtores e coreógrafos criam e exibem suas expressões, mostrando suas visões de como a mente, o espírito e a matéria interagem. Jeet-Kei fornece certa compreensão: "... as artes visionárias parecem ter como seu próprio foco unificador a missão de criar algo tangível no cavalete — e em outros meios — uma conscientização da nossa realidade multidimensional e a natureza divina da nossa experiência humana." [5].

Como o visionário artista Alex Grey explica:

"Esta realidade visionária está agora sendo retratada por artistas visionários que foram treinados na tradição ocidental, de modo que eles podem criar um tipo de sentido espacial no modo como nossas mentes compreendem um espaço pictórico, e eles também estão familiarizados com o tipo de mapeamento intercultural da realidade psicodélica, ou visionária-mística." [6].

De acordo com a artista Autumn Skye Morrison, esses encontros criativos singulares permitem que os participantes "ascendam para suas próprias divindades". [7].

Continuando com o tema da arte, a música e a dança ocupam um espaço especial nesses festivais. Na verdade, o elemento da música e da dança — especialmente EDM (Eletronic Dance Music, ou Música e Dança Eletrônicas) — é central no fenômeno global. Colocadas neste contexto social/espiritual intencional, EDM ou "transe" torna-se um veículo para mover os indivíduos para um estado extático e uma aparente conectividade.

Os organizadores, produtores e artistas sonoros reconhecem essa função unificadora, uma função que transcende fé e ideologia, orientação sexual, origem étnica e nacionalidade. Em BOOM 2012, um festival que ocorreu em Portugal, um técnico da iluminação do palco descreveu da seguinte forma:

"... você têm este músico que é um tipo de mágico, ou mago, neo-contemporâneo, que tem este som que unifica as pessoas. E o transe é muito bom para colocar todas elas no mesmo ritmo, de modo que tento colocar a intenção em meus visuais para expandir o encantamento do produtor musical e criar uma experiência de coesão ainda maior. Assim, parte da tecnologia da principal pista de dança é criar quase uma máquina que ajude as pessoas a se liberarem e se entregarem para a experiência que estão tendo — e quanto mais coletiva puder ser essa experiência, o mais elas se liberarão de suas individualidades e poderão participar do coletivo somos-todos-um, que é parte do mantra do festival BOOM." [8].

O artista sonoro e produtor Jeet-Kei nos dá algumas informações de pano de fundo sobre a razão por que a música e a dança eletrônicas se encaixam tão bem na cena dos festivais:

"Quando a cultura das festas Rave surgiu a partir da música e dança eletrônicas, o que isto representava por meio da nova geração... era nada menos que o retorno total da tradição extática para dentro da cultura ocidental. Enquanto que a música Rock tenha retido a idolatria às bandas como um espetáculo quase religioso, as raves tendiam a enfatizar a natureza comunitária e participativa do ritual dança-transe... este é o modo mais antigo de ser, usado para propósitos espirituais e xamânicos, em inúmeras culturas desde tempos imemoriais. Alguns sugerem que talvez esta seja a raiz da própria religião." [9].

Finalmente, a paisagem física exerce um papel. Os festivais transformacionais tipicamente ocorrem em cenários naturais, como desertos, florestas, praias, sítios, ou parques. Alguns, como TomorrowLand, criam vastas e detalhadas construções artificiais em torno de recursos naturais, como lagos e matas, em uma tentativa de instilar uma qualidade quase mística. Em cada caso, a intenção é desenvolver um senso de expansividade mística: a unicidade com o planeta Terra, uma sensação de conexão e a previsão do despertamento primordial.

Jeet-Kei explica que existe uma história contextual na experiência da música e dança eletrônicas no deserto com os primeiros dias das fastas raves na "lua cheia" no Deserto de Mojave e o belíssimo Vale Elaho, na Colúmbia Britânica (Canadá). Isto, ele observou, chamou a atenção dos outros:

"Influências wiccanas, pagãs, de Nova Era e ecofeministas nos viram intuitivamente programando nossos encontros para as luas novas e os solstícios, venerando-os com algum tipo de ritual, abrindo ou fechando círculos. Desse modo, havia um realinhamento com os ciclos cósmicos e naturais. Uma sintonia com a Mãe, uma reconexão e restauração de um relacionamento honroso." [10].

Nesta experiênca de dança no deserto, ele enfatizou, "Estávamos novamente repetindo os mais antigos rituais tribais."

"Tão Dominante e Tão Poderoso"

Os festivais transformacionais são mais do que apenas dança, arte e comunidade. No nível pessoal, os resultados experimentais são frequentemente descritos de formas que espelham a linguagem dos encontros religiosos altamente carregados — a de ter um despertamento.

Chicken John, um promotor de eventos, fala sobre sua antiga experiência no festival do Homem Queimado como "simplesmente a coisa mais extraordinária em termos espirituais, políticos e culturais que já aconteceu comigo e... é claro, aquilo afetou completamente o resto da minha vida." [11].

Jesse Flemming, o produtor do festival Lightning-in-a-Bottle, que ocorre na Califórnia, credita sua visita ao festival Homem Queimado da seguinte forma: '— A experiência foi tão massacrante e tão poderosa que literalmente fez minha vida dar uma volta de 90 graus na direção em que estava indo e eu nunca olhei para trás." [12].

Um participante de OZORA, um grande festival de transe na Hungria, descreve da seguinte forma: "— Ter a experiência do transe muda sua vida para sempre... Eu não acho que exista um modo de ver o mundo da mesma forma depois de passar pela experiência." [13].

Um músico que se apresentou no Festival Envision disse: "— É como ir para a igreja e depois sentar-se ali para ouvir o ministro religioso... estamos todos vindo para ouvir as transmissões de pessoas diferentes... seja música ou oradores, tentar ver alguma coisa, aprender alguma coisa, encontrar alguma coisa — conectados." [14].

A produtora do festival Debra Giusti descreve da seguinte forma:

"Estes festivais são realmente portais para produzir toda uma mudança de vida e isto deixa uma porta real aberta para as pessoas que gostam deste ato musical e elas vêm para o ato musical, mas depois descobrem outro mundo de espiritualidade ou de saúde sobre o qual já ouviram falar, mas nunca conheceram. Isto então as leva para outra jornada na vida, algo que elas nunca esperaram." [15].

Jeet-Kei pega o gancho deste aspecto espiritual:

"Não menos profundo é o surgimento de um novo tipo de cultura espiritual nestes festivais, uma cultura espiritual que está totalmente desinteressada por líderes carismáticos, dogmas ou doutrinas — onde o ritual não requer que entreguemos nossa autonomia como indivíduos de pensamento crítico, mas, em vez disso, surge como o reconhecimento compartilhado de honrar nossa experiência sagrada juntos." [16].

Aqui, precisamos compreender que esta transformação pessoal reflete um desejo coletivo mais profundo, conforme encontrado nesses festivais — uma conectividade global por meio da "unidade em espírito".

"Ao invocarmos o sagrado juntos, o espírito responde e eleva a todos nós. Você pode sentir a alegria percorrendo o círculo formado, o amor sendo ampliado — aquele amor intenso e transbordante, que nos leva às lágrimas. Além disso, nas prayerformances (rituais de grupo que invocam uma atmosfera de oração) e nas cerimônias compartilhadas pelo grupo, recebemos uma infusão de consciência sagrada, com novos fluídos criativos. Em uma cultura global, estamos cientes das muitas faces e práticas da adoração, e os fios dessas práticas e orações estão interligados a partir de muitas tradições, como devoções iguais para o Divino." [17].

Embora os festivais transformacionais estejam praticamente fora do radar em termos de conscientização da comunidade cristã, mesmo assim eles exercem uma parte importante em moldar nossa cultura pós-moderna. "Integramos esta experiência em nosso corpo cultural de conhecimento", explicou Jeet-Kei. [18].

É por isto que precisamos prestar atenção ao movimento. Ele representa o fio cortante da faca da transformação social e espiritual, uma transformação que ressoa com a geração mais nova — os adolescentes e jovens modernos. Além disso, o movimento é influente. Ele se alimenta no campo das tecnologias da informação, a aceitação cultural dos estilos de vida radicais, na arte moderna e na expressão social. Ele também forma um mapa da estrada indireto para as culturas cristãs emergentes — a ênfase em uma espiritualidade experimental, comunidade orgânica e a rejeição às afirmações de verdade exclusiva.

No mínimo, os festivais transformacionais demonstram o fato que estamos no ponto para uma mudança de cosmovisão, uma mudança que faz a ponte do passado com o futuro, espiritualidade com tecnologia, e a formação de uma nova experiência religiosa extática à medida que os dogmas e doutrinas tradicionais são rejeitadas. Considere as palavras de Jeet-Kei, quando ele expande a natureza primordial que está envolvida nessas celebrações, como ela se transfere para o amanhã.

"Isto é tanto o fortalecimento de uma linhagem atemporal, como também uma cultura futura. É a contracultura da Internet, da geração da Web 2.0. Mas, ao contrário dos ludistas, somos usuários precoces da tecnologia: a música eletrônica é um tipo de arte digital. Sempre houve nesta cultura muitos especialistas em tecnologias, desenvolvedores de páginas da Internet, artistas de mídia digital. Portanto, ao mesmo tempo que vemos essa replicação cultural mítica, antiga e tribal em movimento, também temos essa replicação tecnológica, galática, de ficção científica acontecendo ao mesmo tempo. Portanto, uma antiga cultura futura." [19].

Como um participante do BOOM disse: "O festival cria uma visão do futuro. Um espaço como este permite que a pessoa tenha uma visão do futuro — o coração da humanidade batendo como um só..." [20]. Jeet-Kei descreveu o festival como "Futuro Agora" — "não é apenas a ideia do mundo em que queremos viver, é a experiência real..." [21].

Seja Bem-Vindo ao Novo Mundo

Nesta seção, quero apresentar alguns festivais transformacionais. Alguns dados básicos são fornecidos para ajudá-lo a compreender melhor a natureza do movimento e suas particularidades. Tenha em mente que esta é apenas uma pequena amostra do número total de eventos. A lista não segue uma ordem em particular.

Burning Man (Homem Queimado)

Onde: Deserto da Rocha Preta, norte do estado americano de Nevada.
Quando: Última segunda-feira de agosto até o primeiro domingo de setembro.
Ano Inicial: 1986.
Participantes: 68.000 neste ano.

Comentário: O Homem Queimado é considerado o evento transformacional padrão — um local de arte experimental, vida boêmia (muita nudez), oficinas e aulas, música, dança e em toda a parte uma "comunidade orgânica" em ação. No sábado final, a cidade se reúne para uma festa, quando uma efígie humana de mais de 12 metros de altura é queimada. A cidade se reúne para silenciosamente observar a destruição do templo — um local sagrado onde as pessoas, durante a semana, deixam anotações e itens que refletem suas lutas individuais, suas tristezas, alegrias, curas e despertamento espiritual.

O Homem Queimado faz uma tremenda definição de tendências culturais e tem frequentemente sido descrito como "o disco de Petri do pós-modernismo". Ele também serviu de inspiração para outros festivais transformacionais, criou uma comunidade global e estimulou a criação de outros eventos de "queima" em todo o mundo. Esses festivais regionais e nacionais variam em tamanho, desde algumas centanas de participantes até muitos milhares. Hoje, queimas ocorrem em pelo menos 24 estados americanos — com vários eventos em alguns estados — e em quatro províncias canadenses.

A África do Sul também tem um festival do Homem Queimado, que atrai mais de 7.000 participantes para a fazenda isolada Stonehenge Farm, perto do Parque Nacional Tankwa Karoo. Outros países com festivais similares de "queima" incluem Suécia, Japão, Espanha, Israel, Coreia do Sul, Nova Zelândia e Irlanda.

Nota: Há um site em português em http://www.insoc.com.br/mix/burning.php.

TomorrowLand

Onde: Boon, Bélgica e, desde setembro de 2013, Chattahoochee Hills, Geórgia, EUA.
Quando: O evento em Boon ocorre em julho.
Ano Inicial: 2005.
Participantes: 180.000.

Comentário: Este é o principal festival de música eletrônica do mundo, e tem uma representação nacional maior do que as Olimpíadas. Embora não ofereça arte participativa ou espaço sagrado, o evento é construído em torno de um tema transformacional e um cenário mágico-alquímico, um cenário trazido à vida por meio de conjuntos de cenários surreais e o que tem sido descrito como "decorações fantasmagóricas". Para 2013, o enredo girou em torno de um "cientista brilhante que vive no alto de uma montanha. Alguns dias atrás ele fez uma descoberta admirável", o trailer promocional explica. "As estrelas em breve estarão perfeitamente alinhadas para fazermos o próximo passo na evolução da nossa consciência. Junte-se a ele nesta jornada para uma nova dimensão... una-se e traga à luz o conto que será escrito em TomorrowLand." [22].

Além dos múltiplos estágios temáticos e trabalho de projeto elaborativo que trazem uma atmosfera singular ao evento, TomorrowLand tem sua própria cidade — DreamVille — formada por 35.000 acampantes. Aqui, se você quiser, pode optar por se hospedar em uma mansão com seu jardim particular, banheira com hidromassagem e serviço de mordomo. DreamVille tem um mercado, centros comunitários e uma grande festa de aquecimento chamada "O Ajuntamento". Outras atrações incluem espaços de exposições e a Igreja do Amor, uma pequena capela com uma cama, administrada por duas "freiras" vestidas com pouca roupa, que alugam o espaço por dez minutos — completo e com um preservativo de cortesia.

Rainbow Serpent (Serpente do Arco-Íris) Onde: Lexton, Western Victoria, Austrália.
Quando: Dia da Austrália, em janeiro.
Ano Inicial: 1997.
Participantes: Mais de 10.000.

Comentário: Rainbow Serpent encaixa-se no critério descritivo de um festival de transformação, e tem sido considerado um dos mais coloridos e dinâmicos eventos de seu tipo no Hemisfério Sul.

Wanderlust
Onde: Locais do festival no Ocidente (para 2013:Chillan, Chile; Bondville, Vermont; Copper, Colorado; Norte do Lago Tahoe, Califórnia; Whistler, Colúmbia Britânica; Mont-Tremblant, Quebec; Austin, Texas).
Quando: As datas variam devido aos múltiplos locais.
Ano Inicial: 2009.
Participantes: Variam de acordo com o local.

Comentário: Este é um festival jovem e em crescimento com um foco dedicado ao hinduísmo e à ioga. Música, dança e palestras estão incluídas. Outro aspecto de Wanderlust é a atenção às experiências ao ar livre: caminhadas ecológicas, estações de ioga diante de paisagens naturais, escalada em montanhas rochosas, corridas de bicicleta descendo um morro, etc.

Festival Glastonbury
Onde: Perto de Glastonbury, Inglaterra.
Quando: Última semana de junho.
Ano Inicial: 1970.
Participantes: 135.000.

Comentário: Iniciado por um fazendeiro que foi inspirado ao participar de um concerto ao ar livre e realizado na Fazenda Worthy, o evento de Glastonbury (originalmente chamado de Festival de Pilton) é famoso por seu incrível tamanho, a diversidade da música e as bandas e músicos famosos que já se apresentaram (Rolling Stones, U2, Bruce Springsteen, Kylie Minogue, etc.). Ao longo dos anos, o festival se expandiu além da experiência musical, movendo-se para a cena de um festival transformacional com arte, teatro, encontros espirituais, oficinas e reconexões tribais com a Terra. Até mesmo o cenário musical mudou, das plataformas essencialmente convencionais para as totalmente imersivas e apresentações interativas. Para todos os propósitos práticos, Glastonbury tornou-se uma cidade em seu próprio modo, com múltiplas áreas para apresentações, vilas, microcomunidades, atrações carnavalescas e espaços temáticos.

O Festival de Glastonbury ocupa 900 hectares e tem um perímetro de cerca de 14 km.

Lightning In A Bottle (LIB)
Onde: Locais no sul da Califórnia.
Quando: Maio.
Ano Inicial: 2000.
Participantes: 15.000.

Comentário: LIB é uma celebração quase mágica de arte, música, vida integrada com a ecologia, e comunidade. Suas instalações de arte e "pinturas vivas" e a vibração das cores e luzes em suas instalações são renomadas. LIB também é reconhecido por sua dimensão espiritual: ioga, aulas de meditação e de terapias e "música devocional". Muito desse aspecto espiritual é encontrado no Templo da Consciência, um "espaço sagrado" onde os participantes podem expandir suas mentes e explorar a ciência, brincadeiras e os alcances mais internos e exteriores da espiritualidade." Festival Sziget
Onde: Budapeste, Hungria.
Quando: Agosto.
Ano Inicial: 1993.
Participantes: 362.000 em 2013. O recorde foi em 2009 (390.000 participantes).

Comentário: Localizado na Ilha de Buda Antiga, no rio Danúbio, no centro de Budapeste, Sziget é um festival cultural e musical de uma semana ininterrupta de duração. Ao contrário de outros eventos transformacionais, com foco somente em dança e música eletrônica, Sziget enfoca uma variedade de estilos musicais, incluindo Popular, Rock, Heavy Metal, Jazz, Blues, Raiz-Popular, Reggae, Mundial e, é claro, muita EDM/Transe. Qual é o tamanho deste evento? Em sete dias, 1.000 apresentações ocorreram em 60 palcos diferentes.

Iniciado em 1993 como um festival musical estudantil, o evento explodiu e se transformou em uma montagem cultural de sons, efeitos visuais e experiências. Teatro, artes circenses, apresentações visuais, carnaval, desfiles de fantasias e atrações temáticas, ioga e Tai Chi, oficinas, pavilhões culturais, atividades esportivas, jogos, e uma área para interagir com grupos da sociedade civil e grupos da União Europeia são todos parte da paisagem do festival.

Sziget já foi chamado de "O Maior Festival da Europa" e "Cidade Paraíso" e está sendo descrito como uma alternativa europeia ao Homem Queimado — uma experiência unificadora fora da realidade normal.

BOOM
Onde: Idanha-a-Nova, Portugal.
Quando: Durante a Lua Nova de julho ou agosto, a cada dois anos.
Ano Inicial: 1997.
Participantes: 25.000.

Comentário: Dança e Música Eletrônica/Transe está no centro de BOOM, e os palcos são construídos com base em temas evolucionários e alquímicos. Espaços sagrados, vida sustentável, exibições de artes que objetivam apresentar novas realidades e profunda interação comunitária são partes da experiência de BOOM.

O evento tem sido chamado de "Meca dos encontros" e tem uma reputação por sua atmosfera tribal. BOOM também desenvolveu uma rede global de embaixadores, que realizam eventos de conscientização em outras partes do mundo e atuam como uma ligação entre o festival e seus participantes.

OZORA
Onde: Perto da vila de Ozora, na Hungria. Quando: Normalmente no início de agosto. Ano Inicial: 1999, durante o eclipse total do sol. Participantes: 24,000.

Comentário: OZORA, como BOOM, é um festival de transe criado em torno da dança e música eletrônicas. Como outros eventos transformacionais, existem interações em múltiplos níveis — dança, exibições de arte, oficinas de artes circenses (artistas circenses profissionais ensinam malabares, trapézio, etc.) uma arena para apresentação com fogo, uma "Roda da Sabedoria" e um mercado/bazar para artesãos.

A comunidade também exerce um papel importante na experiência e o evento é considerado um "ajuntamento tribal psicodélico". Uma nova era, um novo mundo e uma nova realidade: esta é a experiência em OZORA.

Existem muitos outros festivais similares: Three Days of Light (Carolina do Norte, EUA), Symbiosis (Nevada, EUA), Luminate (Nova Zelândia), Ascendance (México), Rootwire (Ohio, EUA), Lucidity (Califórnia, EUA), Inshala (Alberta, Canadá), Transformus (New Jersey, EUA), Open Mind (Quebec), Fusion (Alemanha), Envision (Costa Rica), e Universo Paralello (Brasil), para citar apenas alguns.

Como mencionei anteriormente, este é um movimento global e crescente — um paradigma "futuro antigo" para um mundo pós-moderno que busca espiritualidade, mas que ao mesmo tempo rejeita a "religião".

Resposta

Formular uma resposta detalhada neste artigo é irrealista. O objetivo deste ensaio, conforme inferido anteriormente, é informar sobre este movimento e sobre a cosmovisão que ele representa. Em outras palavras, o objetivo é lhe dar uma linha de partida.

Entretanto, alguns pontos precisam ser levantados, se quisermos considerar uma resposta.

Primeiro: os festivais transformacionais representam uma mudança de paradigma inegável no mundo ocidental. Esta é uma transição da estrutura bíblica — suas afirmações de verdade absoluta, pecado e arrependimento, e uma diretriz moral fundamentada nas leis de Deus — para perspectivas inclusivistas baseadas na tolerância radical, relativismo moral e subjetivismo cultural.

Segundo: a mudança representa uma rejeição intencional das atitudes de julgamento cultural e religioso. Aceitação é o nome do jogo. Todavia, aqueles poucos cristãos que já interagiram com este moviment observaram que há uma intolerância com qualquer coisa que esteja fora das normas aceitas pelos festivais.

Terceiro: esta é uma rejeição à "religião organizada", tipicamente referindo-se a qualquer forma de vida cristã na igreja. A religião organizada é substituída por comunidades orgânicas — a espiritualidade está na moda, mas a religião organizada é considerada obsoleta.

Quarto: os festivais transformacionais demonstram um anseio cultural por um modo de ser com maior significado, mais colorido e mais emocionante. Infelizmente, o mundo ocidental é agora um lugar onde os vizinhos não se conhecem, as famílias estão frequentemente separadas, o consumismo e o materialismo nos escravizaram, a burocracia governa nosso dia, a aversão ao risco engessa a criatividade e onde a opressão da existência entedia a alma. Por outro lado, esses festivais de celebração oferecem uma alternativa de alívio para a realidade.

Observar os pontos acima nos ajuda a reconhecer a situação. Entretanto, ao contemplar uma resposta bíblica, eu sugereria que existe um modelo que podemos considerar: Atos 17:16-34 (veja o texto adiante). Ali, o apóstolo Paulo está em Atenas, uma cidade conhecida por sua cultura e gosto pela filosofia, pela diversidade de formas de espiritualidade e pelo paganismo escancarado. Ao ler o relato no texto bíblico, observe que Paulo compreendeu, reconheceu e até alavancou a cosmovisão ateniense. Ao fazer isso, a porta se abriu para ele apresentar o verdadeiro Deus, a natureza da existência, o arrependimento, Jesus Cristo e o julgamento futuro. Alguns dos ouvintes apenas riram, outros quiseram saber mais e alguns creram.

Eu também recomendaria ver como Jesus Cristo tratou a mulher samaritana em João 4 (veja o texto adiante). Ali, Jesus interagiu com alguém que vivia fora da norma cultural aceita — uma mulher samaritana em seu ambiente social. O modo como Jesus se conectou e se comunicou naquele cenário é muito revelador.

Paul E. Little, em sua obra clássica sobre evangelismo, How To Give Away Your Faith, delineia alguns princípios básicos que Jesus usou: contato, interesse comum, despertar a curiosidade, restrição, não condenar, manter a questão principal em foco e confrontar diretamente. [23].

1) Contato social — conectar-se com os outros. Isto parece óbvio, mas para muitos cristãos a tendência é cercar-se em um casulo cultural cristianizado, como uma forma de segurança. Conectar-se com os outros de um modo significativo quase sempre significa entrar no mundo deles, entrar na zona de conforto deles. Isto não quer dizer que todos precisamos participar de um desses festivais. Entretanto, é o reconhecimento que, se queremos responder ao movimento dos festivais transformacionais, temos de interagir com aqueles que adotam essa nova cultura.

2) Observar um interesse comum. O poço e a água foram os interesses comuns em João 4. Como cristãos, tendemos a negligenciar esses tipos de detalhes rotineiros, mas a lição não pode ser ignorada, pois a realidade desse princípio é que ele abre uma conversação de mão dupla. Os interesses comuns atuam como pontos de referência que nos capacitam a criar um encontro significativo. Lembre-se que este foi o ponto de partida que Jesus usou para iniciar uma conversa.

3) Despertar a curiosidade. Ao examinar o texto de João 4:9-14, Paul Little escreve: "É fascinante ver a curiosidade daquela mulher ser acesa e começar a queimar, à medida que nosso Senhor conversa com ela. Primeiro, Ele veio até onde ela estava. Segundo, Ele mostrou interesse nas preocupações dela. Agora, Ele está usando Suas ações e Suas palavras para despertar uma resposta positiva para Si mesmo e para Sua mensagem de verdade." [24].

4) Controle-se e não vá longe demais. O próprio Jesus se conteve e deixou de apresentar todos os fatos de uma só vez. Quando a mulher estava pronta, e quando o momento estava maduro, Jesus então Se revelou a ela.

5) Não condene. Paulo Little nos faz lembrar, "No quinto princípio, vemos que nosso Senhor não condenou a mulher. Quando ela respondeu sobre seu marido, seu próprio pecado a condenou." [25]. Algo similar também aconteceu em João 8:11 com a mulher pega em flagrante adultério.

6) Permaneça com a questão fundamental. A mulher em João 4 perguntou sobre a forma apropriada de adorar a Deus. Jesus, entretanto, dirigiu a conversa para aquilo que era importante, movendo o diálogo para uma revelação final — Ele é o Messias.

7) Confrontar diretamente. No verso 26, vemos Jesus fazendo uma afirmação direta de verdade que a mulher agora tem de aceitar ou rejeitar. Se Jesus é de fato o Messias, então, como fez a mulher no poço, também precisamos responder de uma forma ou de outra. O próprio Jesus não escondeu o objetivo final da conversa quando o momento chegou, mas o declarou totalmente.

Os exemplos acima de Jesus e do apóstolo Paulo nos fornecem uma estrutura sobre a qual podemos operar ao interagirmos com a cultura pós-moderna que está em busca de espiritualidade. Sem dúvidas, quando você estudar as Escrituras e contemplar o aparecimento dos festivais transformacionais, outros pontos de resposta e considerações bíblicas se tornarão evidentes. Agora que você sabe que essa tendência evolucionária cultural existe e que está crescendo, começará a ver onde ela intercepta e impacta nossa sociedade em mutação.

Em conclusão, minha esperança é que este ensaio abra seus olhos para a mudança cultural, social e espiritual que o mundo ocidental está experimentando e que você reconheça e comece a pensar nas implicações mais amplas — incluindo as possíveis respostas e as lições a serem aprendidas.

Leia também a Parte 2.

Notas Finais:

1. Jeet-Kei Leung, "Transformational Festivals", TedxVancouver, Vancouver BC, 27 de novembro de 2010. O vídeo desta palestra pode ser acessado em http://www.ted.com/tedx/events/947.

2. The Bloom: A Journey Through Transformational Festivals, Episode 1 — Fundamental Frequencies (Dirigido e produzido por Jeet-Kei Leung, em associação com Elevate Films, Keyframe Entertainment, Multi Music, and Grounded TV; lançado em 21 de março de 2013).

3. Jeet-Kei Leung, "Guidelines for Inclusion on Transformational Festivals Map", 20 de janeiro de 2013, (http://thebloomseries.com/guidelines-for-inclusion-transformational-festivals-map).

4. The Bloom: A Journey Through Transformational Festivals, Episode 1 — Fundamental Frequencies, entrevista com o DJ e Gerente de Palco Martin Dragonfly.

5. Veja The Bloom: Vessels of the Divine – Spotlight on Visionary Art (Dirigido e produzido por Jeet-Kei Leung).

6. Idem.

7. Idem.

8. Veja o vídeo documentário Boom Festival 2012: The Alchemy of Spirit, Part 1.

9. Jeet-Kei Leung, "Transformational Festivals", Tedx Talk, Vancouver, Canadá, 2010.

10. Idem.

11. Veja o documentário Dust and Illusions: 30 Years of Burning Man History (Madnomad Films, 2009).

12. Veja, The Bloom, Episode 1.

13. OZORA Festival 2012 Official Video (Produzido por O.Z.O.R.A Festival, com Attila Nikleczy como produtor, 2012).

14. The Bloom: A Journey Through Transformational Festivals, Episode 2 — Practicing the New World (Dirigido e produzido por Jeet-Kei Leung, em associação com Elevate Films, Keyframe Entertainment, Multi Music, and Grounded TV; lançado em 21 de maio de 2013).

15. Veja The Bloom, Episode 1.

16. Jeet-Kei Leung, "Transformative Festivals", Tedx Talk, Vancouver, 2010.

17. Idem.

18. Entrevista com Jeet-Kei Leung, com Saphir Lewis. The 2013 Festival Guide: Gatherings for Cultural Transformation, Edição No.1, pág.15.

19. Jeet-Kei Leung, "Transformative Festivals", Tedx Talk, Vancouver, Canadá, 2010.

20. Veja o vídeo documentário Boom Festival 2012: The Alchemy of Spirit, Part 1.

21. Entrevista com Jeet-Kei Leung, com Saphir Lewis. The 2013 Festival Guide: Gatherings for Cultural Transformation, Edição No.1, pág.15.

22. TomorrowLand 2013 Introduction Trailer. TomorrowLand YouTube Channel.

23. Paul E. Little, How To Give Away Your Faith (InterVarsity Press, 1966), págs. 26-45.

24. Idem, pág. 34.

25. Idem, pág. 41.

Atos 17:16-34

E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria.
De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam.
E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele; e uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição.
E tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas?
Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos pois saber o que vem a ser isto (Pois todos os atenienses e estrangeiros residentes, de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir alguma novidade).
E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos;
Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio.
O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens;
Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas;
E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;
Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós;
Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração.
Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens.
Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam;
Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.
E, como ouviram falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez.
E assim Paulo saiu do meio deles.
Todavia, chegando alguns homens a ele, creram; entre os quais foi Dionísio, areopagita, uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros.

Jesus e a Mulher Samaritana — João 4:4-30

E era-lhe necessário passar por Samaria.
Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José.
E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta.
Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.
Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.
Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos).
Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?
És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede;
Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.
Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la.
Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá.
A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;
Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.
Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.
Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.
Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.
Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.
Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.
A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo.
Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.
E nisto vieram os seus discípulos, e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Por que falas com ela?
Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens:
Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo?
Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele.



Fonte: Forcing Change, Edição 6, Volume 8.
Data da publicação: 22/9/2013
Transferido para a área pública em 26/8/2015
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-8-2013.asp