Isaías 59: Uma Carta do Céu para Israel Hoje

Autor: Jeremy James, Irlanda, 3/6/2026.

Iniciei recentemente uma nova leitura do livro do profeta Isaías, depois de já ter lido atentamente dezenas de vezes ao longo dos anos, sem contar as centenas de ocasiões em que estudei capítulos individuais.

Quando cheguei ao capítulo 59, fiquei admirado com sua incrível atualidade. Ele parece ter sido escrito na semana passada!

O capítulo se parece com uma carta de Deus para o povo judeu. É como se Deus tivesse redigido uma carta no céu somente alguns dias atrás e enviado essa carta, desde Seu trono, via Entrega Expressa, para todo judeu na face da Terra.

Fiquei impressionado pela força da tremenda sinceridade e avaliação nua e crua de Israel. O Senhor falou, não a partir do passado distante e obscuro sobre eventos enterrados profundamente nos anais da história. Não, não foi assim de forma alguma. Ele fala a Israel hoje sobre Israel hoje.

Tudo o que Ele disse relaciona-se, no mínimo, desde 1948, quando a nação foi reestabelecida. Foi como se Ele tivesse olhado para os 77 últimos anos e decidido dizer como o comportamento deles pode ser avaliados de acordo com Seus elevados e rigorosos padrões.

Convido nossos leitores a fazerem um rápido exame comigo do capítulo 59 de Isaías — apenas 21 versos — e ver se ele produz neles o mesmo sentimento positivo que produziu em mim.

A Carta de Elias

Ao fazer isso, eu me lembro da carta que Elias escreveu para o rei Jeorão:

"Então lhe veio um escrito da parte de Elias, o profeta, que dizia: Assim diz o SENHOR Deus de Davi teu pai: Porquanto não andaste nos caminhos de Jeosafá, teu pai, e nos caminhos de Asa, rei de Judá, mas andaste no caminho dos reis de Israel, e fizeste prostituir a Judá e aos moradores de Jerusalém, segundo a prostituição da casa de Acabe, e também mataste a teus irmãos da casa de teu pai, melhores do que tu: eis que o SENHOR ferirá com um grande flagelo ao teu povo, aos teus filhos, às tuas mulheres e a todas as tuas fazendas. Tu também terás grande enfermidade por causa de uma doença em tuas entranhas, até que elas saiam, de dia em dia, por causa do mal." [2 Crônicas 21:12-15].

Elias tinha sido levado fisicamente para o céu vários anos antes de essa carta ser entregue. O comentarista John Gill explicou o evento como segue: "... esta carta foi escrita por Elias antes de sua ascensão, que, prevendo pelo espírito de profecia que Jeorão seria culpado, escreveu isso, e entregou a um dos profetas, muito provavelmente Eliseu, para comunicá-la ao rei em um momento adequado..."

Ela tinha toda a objetividade de uma carta escrita no dia em que foi entregue. Tivesse a carta sido entregue um ano antes, por exemplo, ela não teria feito sentido completo. Certas coisas tiveram de acontecer na vida de Jeorão antes que esta avaliação divina de sua conduta pudesse ser totalmente compreendida. O fato de a carta ter sido escrita antes de Jeorão ocupar o trono legitimamente e cometer os crimes terríveis pelos quais ele estava sendo julgado é irrelevante. Elias escreveu sua mensagem a partir da perspectiva do dia em que ela foi entregue.

É assim que leio Isaías 59. O Senhor Deus está falando para Israel hoje sobre Israel hoje, no século 21. O fato de as palavras terem sido registradas no século 8 AC, não diminui um pingo daquilo que Ele disse. Alguém poderia argumentar que em tempo algum em sua história Isaías 59 falou com mais veemência, com mais urgência, de forma mais direta ou com mais força emocional para e a respeito de Israel do que faz agora, neste ponto no tempo.

Se o Espírito Santo fosse entregar uma versão "atualizada", por assim dizer, Ele não precisaria modificar uma única palavra! A versão que temos é atual em todos os sentidos.

A Carta para Israel — Isaías 59

1 "Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir."

O Senhor chama a atenção deles, dizendo no início que Ele é o Todo-poderoso e que sabe todas as coisas. Eles se esqueceram disso. Ele quer que eles reconheçam que Ele somente é a salvação deles. Este é um modo muito confortante de dizer "Estou aqui. Podem me chamar. Eu posso ajudar."

2 "Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça."

Em seguida, o Senhor aponta para a fonte de TODOS os problemas deles. Os pecados deles os separaram de Deus. Eles não conseguem reconhecer quem Ele é. Eles não parecem compreender que Ele não dará ouvidos aos apelos deles enquanto eles permanecerem em seus pecados e recusarem se arrepender.

3 "Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniquidade; os vossos lábios falam falsidade, a vossa língua pronuncia perversidade."

O Senhor Deus descreve os pecados deles em quatro categorias. Podemos considerar que essas categorias denotam violência ("sangue"), idolatria ("dedos" necessários para dar forma aos ídolos), falsidades ("mentiras", rejeitar conscientemente a verdade) e formular falsas doutrinas (as mentes e orações deles desenvolvem suas próprias perversões da verdade e as "línguas" deles ensinam essas perversões para os outros).

A ideia que os judeus "tinham aprendido sua lição" em Babilônia e deixado a idolatria é falsa. Eles simplesmente mudaram o modo da sua ídolatria da expressão externa para observância interna. Como Jesus disse, eles não acreditavam em Moisés (João 5:46), mas voltavam-se para o farisaísmo. Eles inventaram uma "tradição oral" e a usavam para reinterpretar a Torá escrita dada para eles por meio de Moisés. Essa tradição oral, com seus incrivelmente longos e complexos comentários sobre a Torá, foi mais tarde codificada por escrito por volta do século 2 DC. Conhecido como Talmude, ele tornou-se em todo sentido um substituto para a Torá escrita e para o Tanach (o Velho Testamento) como um todo. Examinamos o pano de fundo disso em nosso ensaio anterior, "Por Que as Leis de Noé São Perigosas?").

A Palavra de Deus refere-se expressamente a essa forma de idolatria no capítulo 14 do livro do profeta Ezequiel, quando condena "todo homem da casa de Israel' por levantar "seus ídolos em seu coração".

As práticas mágicas de Babilônia os seguiram quando eles retornaram para a terra de Canaã. Essas práticas mais tarde foram codificadas no sistema conhecido como Cabala (Cabalá, ou Kabballah). Entre seus textos mais antigos estava o Sefer Yetzirah, que descreve a criação do universo por meio de uma combinação das 22 letras do alfabeto hebraico e dez números primevos (os Sefirot). Como explicamos no artigo "Por Que as Leis de Noé São Perigosas?", essas Sefirot representavam as emanações divinas, ou pares de deidades masculina e feminina. Naturalmente, esse politeísmo foi disfarçado por trás de uma insistência rígida a respeito da unidade estrita de Deus. Tendo se afastado da verdade literal da Torá escrita, o Judaísmo tornou-se um modo tortuoso, frequentemente planejado e engenhoso de afirmar a vontade do homem acima da vontade de Deus. O legalismo, magia e superstição combinaram-se para dominar a mente judaica e enrijecer toda comunhão pessoa com Javé (IHWH) Até mesmo as quatro letras do nome de Deus tornaram-se um veículo para a magia, um nome que ninguém poderia se atrever a proferir.

Outro texto cabalista influente foi o Sefer Hekhalot, que relata como Enoque, o sétimo depois de Adão, ascendeu ao céu e foi transformado no arcanjo Metatron. Este foi um dos textos Merkavah (Carruagem) influentes que afirmavam descrever a ascensão pessoal por vários níveis de céu por instrutores influentes, como o rabino Ishmael e o rabino Akiva. Assim, usando o Talmudismo em uma mão e a Cabala na outra, Satanás tomou o controle da elite judaica e a usou ao longo dos séculos para impor um código rígido de regimentos de conduta social e detalhada conformidade sobre todos os judeus. A justiça era definida unicamente por cuidadosa aderência de uma pessoa a uma infinidade de regras e regulações que governavam todos os aspectos de suas vidas. O Senhor Deus foi totalmente ignorado, esquecido ou reimaginado.

4 "Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniquidade."

O Senhor Deus está destacando o egoísmo e a ganância deles nesse verso, a falta de empatia e de compaixão, a enganosidade e exploração de seus semelhantes judeus e estrangeiros. Quando Ele diz que eles "confiam na vaidade", está chamando a atenção para a crença deles em si mesmos, a confiança que eles têm em suas próprias capacidades de solucionar todos os problemas.

Hoje, essa auto-consideração, essa arrogância desmensurada é tão grande que muitos rabinos ensinam que os próprios judeus, como uma nação, são divinos e que a redenção do universo, o tikkun olam, somente acontecerá por meio do comprometimento coletivo deles com esse grande empreendimento. Incrivelmente, eles consideram o capítulo 53 de Isaías como uma referência a si mesmos, para Israel como um repositório da centelha divina trabalhando junto para redimir a humanidade. O sofrimento descrito naquele capítulo é visto unicamente como uma referência às próprias provações e tribulações deles ao longo dos séculos. Essa doutrina é normalmente acoplada com a crença que os gentios, até os melhores deles, têm somente almas animais e são impedimentos potenciais para o alcance do tikkun olam.

5 "Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora."

A condenação do Senhor Deus torna-se agora mais severa. Ele fala para nós — o mundo em geral — a respeito das ambições desmedidas da elite judaica, da qual muitos judeus podem não estar cientes. Ao fazer isso, Ele está expondo esse grupo mágico secreto, esses servos de Saturno, ao total resplendor de Sua reprovação. Talvez o mais perto que chegamos para essa ardente condenação é a cena nos Evangelhos em que Jesus censura publicamente os fariseus por causa da grande hipocrisia deles.

Chocar ovos de basilisco e tecer teias de aranha é cooperar plenamente com as obras das trevas. Quantos cristãos ao longo dos séculos leram essa passagem e deixaram de ver o que ela está dizendo claramente para nós? O Senhor Deus não está a falar simplesmente de mau comportamento, ou má intenção, mas de uma conspiração altamente desenvolvida contra Sua santa vontade, uma profunda rejeição de Sua soberania e uma firme determinação para substituir o que Ele ordenou por uma Nova Ordem, Mundial, uma nova dispensação baseada totalmente nas próprias obras deles.

Nos versos seguintes, Ele nos diz o que se tornará das obras e planos deles:

6 "As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há nas suas mãos."

Eles imaginaram um mundo em que eles possuem a solução para todos os problemas, em que eles em efeito, redimiram a si mesmos e alcançaram alguma forma de imortalidade. Essa "cobertura", Ele diz, não servirá para nada! Isso será totalmente um produto do pecado e rebelião, não oferecendo proteção alguma.

O Senhor Deus então começa a falar dos muitos atos de violência que os judeus, como nação, cometerão. Novamente, os cristãos nas gerações anteriores talvez não tenham entendido claramente o significado deste texto. Os judeus têm se apresentado por tanto tempo como vítimas das nações gentias que o papel deles em financiar e fomentar guerras é frequentemente negligenciado. Mas, o Senhor Deus está apontando diretamente para esses atos de violência, aqueles atos terríveis de selvageria e destruição. Se não fosse pela grotesca demolição de Gaza — uma evidência que não pode ser ocultada — e a crueldade intencional de muitos integrantes das Forças Israelenses de Defesa de Israel e das forças de segurança. os cristãos no Ocidente ainda poderiam ter dificuldade em acreditar que a elite judaica poderia estar infectada com o terrível rastro de violência que o Senhor Deus está descrevendo:

7 "Os seus pés correm para o mal, e se apressam para derramarem o sangue inocente; os seus pensamentos são pensamentos de iniquidade; destruição e quebrantamento há nas suas estradas."

8 "Não conhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz."

A Carta do Céu continua e passa a descrever esse rastro terrível de violência, essa insana convicção que os problemas deles podem ser solucionados pela força, o exercício irrestrito do poder e autoridade deles mesmos. A avaliação do Senhor é incriminadora, retratando um povo que perdeu todo o senso de justiça e compaixão, que racionaliza o comportamento mais bárbaro e que sabida e obstinadamente segue um caminho que não pode de modo algum trazer a paz. Ele está falando de Israel hoje, uma nação liderada por um grupo de governantes cuja conduta e modo de ação correspondem exatamente com a descrição nesses versos.

O foco da carta muda então de uma avaliação objetiva da nação para um reconhecimento pelo próprio povo ("longe de nós") que alguma coisa está seriamente errada:

9 "Por isso o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão."

10 "Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos."

11 "Todos nós bramamos como ursos, e continuamente gememos como pombas; esperamos pelo juízo, e não o há; pela salvação, e está longe de nós."

Eles estão começando a ver que foram levados para o caminho errado por seus líderes. Como qualquer despertar, isso não ocorre subitamente, mas de forma gradual. É nesse ponto que Israel está hoje. Muitos judeus em todo o mundo estão agora reconhecendo o horror e a tolice daquilo que seus líderes estão fazendo em nome deles. Eles não veem solução e se sentem angustiados com a possibilidade que Israel possa ser destruído.

Os seguintes versos — 12 a 14 — mostram a próxima fase desse despertar:

12 "Porque as nossas transgressões se multiplicaram perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós; porque as nossas transgressões estão conosco, e conhecemos as nossas iniquidades;"

13 "Como o prevaricar, e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade."

14 "Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar."

Até agora as mentes deles foram dominadas pela cosmovisão apresentada no Talmude e na Cabala, onde o Senhor Deus está esquecido e o pecado não tem um significado real. Essa compreensão vem somente a partir da Torá escrita, que a maioria rejeita. Esses versos (12 a 14) estão sendo falados por aqueles que se voltaram para a Torá escrita e, por meio da luz que ela lançou em seus entendimentos, viram, talvez somente de forma tosca no início, a magnitude de seus pecados. Eles podem realmente ver que mentiram para o Senhor e deram as costas para Ele. Eles próprios não conheceram a justiça e a paz por que rejeitaram a verdade revelada para eles por Deus em Sua Torá escrita.

Neste ponto o Senhor Deus se dirige a esse grupo de judeus. Ele usa a palavra "Sim" como uma interjeição no início do verso 15 para confirmar que eles estão na trilha correta:

15 "Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado; e o SENHOR viu, e pareceu mal aos seus olhos que não houvesse justiça."

16 "E vendo que ninguém havia, maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; por isso o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve."

17 "Pois vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete da salvação na sua cabeça, e por vestidura pôs sobre si vestes de vingança, e cobriu-se de zelo, como de um manto."

Esta é uma passagem admirável da Escritura. Em um capítulo em que o Senhor condena os filhos de Israel em termos muito severos, Ele também se mostra atento ao mais leve sinal que alguns deles estejam ouvindo, e quando — nos versos 12-14 — alguns levantam a voz e confessam seus pecados. Ele registra a resposta deles e acrescenta Suas próprias palavras para confirmar que eles disseram a verdade. Ele então prossegue — nos versos 15-17 para mostrar como lidará com a arriscada condição deles.

O "intercessor" ao qual Ele se refere no verso 16 é o líder justo que Ele escolheu para trazer salvação para Israel. Sabemos que Ele está fazendo referência ao Messias. Somos também informados no verso 17, que o Messias será um homem de guerra, que usará um capacete e uma couraça peitoral. Em Seu grande zelo, Ele vingará os filhos de Israel, isto é, o remanescente arrependido que retornar para o Senhor e receber o seu Salvador.

Depois de assegurar ao remanescente justo que Ele enviará um Salvador, o Senhor passa a descrever o impacto da chegada dele no mundo inteiro:

18 "Conforme forem as obras deles, assim será a sua retribuição, furor aos seus adversários, e recompensa aos seus inimigos; às ilhas dará ele a sua recompensa."

19 "Então temerão o nome do SENHOR desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do SENHOR arvorará contra ele a sua bandeira."

20 "E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o SENHOR."

Observe o verso 20. O Messias — Jesus Cristo de Nazaré — virá e redimirá "aos que em Jacó se converterem da transgressão". Ele virá para preservar Sião e trazer salvação para todos aqueles judeus que se arrependerem de seus pecados, o que inclui a falha deles de viverem de acordo com a Torá escrita, amar e honrar o Deus de Israel, e receber aquele a respeito de quem Moisés disse que seria enviado pelo Senhor — "O SENHOR teu Deus te levantará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis." [Deuteronômio 18:15].

O verso 18 fala dos "seus adversários" e "seus inimigos". Os inimigos do remanescente justo de Israel são os inimigos de Cristo. A fúria com que Ele lidará com eles, tanto na terra de Israel e em todo o mundo, levará todas as nações a reconhecerem que "só o SENHOR é Deus, em cima no céu e embaixo na terra; nenhum outro há." [Deuteronômio 4:39].

Um inimigo recebe menção especial, ou seja, aquele que vem "como uma corrente de águas" para aniquilar Israel (verso 19). Esta é uma referência ao Anticristo, que será destruído militarmente pelo Messias, "que arvorará contra ele a sua bandeira".

Chegamos agora ao verso de encerramento, que leva todos de volta para a fundação de Israel quando o Senhor apareceu pela primeira vez a Moisés e lhe deu seu nome da Aliança — Javé (ou Iavé, ou Jeová):

21 "Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre."

Temos aqui outro verso admirável. É como se o Senhor Deus estivesse colocando Seu selo sobre tudo que Ele acabou de dizer. Ele é um Deus pessoal, um Deus que guarda aquilo que prometeu, um Deus amoroso que fará o esforço que for necessário para redimir todos que O buscam. Ele forneceu um meio de redenção, que está disponível para todos. Ele pede que todos que colocam sua confiança Nele estejam totalmente certos que Ele fará aquilo que Ele disse que fará; e contar para seus filhos sobre isto nas gerações por vir.

Com o verso 21, Ele está, por assim dizer, assinando Sua carta do céu. Esta é uma carta "não me esqueçam". O Senhor está dizendo: "Sejam pacientes; farei tudo aquilo que prometi fazer. Sou um Deus que guarda a Aliança. Embora vocês tenham se rebelado contra mim e se comportado com enorme desconsideração por tudo o que pedi, existem alguns entre vocês que se arrependerão. Vocês podem não saber isso ainda, mas saberão. E, quando souberem, estarei aqui, ao seu lado.

Conclusão

Os leitores precisarão avaliar esta interpretação por si mesmos. Não estamos dizendo coisa alguma aqui que não seja apoiada por muitas outras passagens da Escritura. Entretanto, o que é mais impressionante a respeito do capítulo 59 de Isaías, é que ele expressa, em essência, a história e condição espiritual do povo judeu, desde o tempo em que eles rejeitaram seu Messias em Sua primeira vinda e, tendo feito isso, passam a confirmar que, até mesmo nesta hora avançada, todos aqueles que se arrependerem serão redimidos.

O Senhor Deus não está dando uma fria descrição dos fatos, mas um resumo sincero da situação de Israel. Ele está dizendo, severa e amorosamente, que aquilo que eles precisam fazer para reacender e restaurar seu relacionamento com Ele. Neste respeito, a mensagem Dele é uma carta do céu para Israel.

Peço que os leitores compartilhem este artigo com judeus e com os cristãos igualmente.


Apêndice A

Isaías 59

1 Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir.

2 Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.

3 Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniquidade; os vossos lábios falam falsidade, a vossa língua pronuncia perversidade.

4 Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniquidade.

5 Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora.

6 As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há nas suas mãos.

7 Os seus pés correm para o mal, e se apressam para derramarem o sangue inocente; os seus pensamentos são pensamentos de iniquidade; destruição e quebrantamento há nas suas estradas.

8 Não conhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz.

9 Por isso o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão.

10 Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos.

11 Todos nós bramamos como ursos, e continuamente gememos como pombas; esperamos pelo juízo, e não o há; pela salvação, e está longe de nós.

12 Porque as nossas transgressões se multiplicaram perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós; porque as nossas transgressões estão conosco, e conhecemos as nossas iniquidades;

13 Como o prevaricar, e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade.

14 Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar.

15 Sim, a verdade desfalece, e quem se desvia do mal arrisca-se a ser despojado; e o SENHOR viu, e pareceu mal aos seus olhos que não houvesse justiça.

16 E vendo que ninguém havia, maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; por isso o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.

17 Pois vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete da salvação na sua cabeça, e por vestidura pôs sobre si vestes de vingança, e cobriu-se de zelo, como de um manto.

18 Conforme forem as obras deles, assim será a sua retribuição, furor aos seus adversários, e recompensa aos seus inimigos; às ilhas dará ele a sua recompensa.

19 Então temerão o nome do SENHOR desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do SENHOR arvorará contra ele a sua bandeira.

20 E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o SENHOR.

21 Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre.


Autor: Jeremy James, artigo 460 em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 10/8/2026
A Espada do Espírito: https://www.espada.eti.br/Apocalipse/Isaias59.htm