Autor: Jeremy James, Irlanda, 4/2/2026.
Quando eu era criança minha mãe usava frequentemente uma palavra que era rara de ser ouvida naquele tempo e que é, provavelmente, mais rara ainda hoje. A palavra é "cobiçoso". Ela poderia ser definida de forma bem simples como uma vontade intensa de conseguir aquilo que não precisamos especialmente se isso pertence à outra pessoa.
Há pouca necessidade de usar uma palavra como aquela hoje por que, em um mundo saturado com anúncios e comerciais de produtos e serviços de todos os tipos, desejar aquilo que não é necessário é considerado perfeitamente normal. Desde o tempo que uma criança pequena é colocada diante-de um televisor, aos dois ou três anos de idade, ela está sendo condicionada a acreditar que é natural desejar muitas coisas que não são necessárias.
É significativo que o Senhor Deus quis, por meio de um de seus Dez Mandamentos, dissuadir ou evitar que caiamos nesse estado mental de escravidão:
"Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo." [Êxodo 20:17].
Se ainda não possuímos alguma coisa, então aquilo pertence a alguma outra pessoa. O primeiro pecado, aquele que causou a Queda, foi um pecado de cobiça. Eva quis aquilo que Deus tinha reservado para Si mesmo. Na superfície, ela quis o fruto proibido. Mas, como ficamos sabendo, ela queria mais, incluindo dois dos atributos de Deus, isto é, a imortalidade e a onisciência.
Lutando Contra Nossa Natureza Caída

A rebelião do homem contra Deus está enraizada em seu desejo profundamente enraizado e, algumas vezes, incontrolável de possuir aquilo que não pertence a ele.
Os Dez Mandamentos são os dez princípios fundamentais da vida. A não ser que estejamos totalmente familiarizados com esses preceitos vitais, é quase certeza que os infringiremos de alguma maneira. Como disse o apóstolo Paulo:
"Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás." [Romanos 7:7].
A cobiça e a luxúria de nossa condição caída, o "velho homem", estarão conosco enquanto ainda estivermos em nossos corpos danificados pelo pecado. Temos de viver da melhor forma que pudermos no "novo homem" nossa natureza nascida de novo e manter nosso corpo físico em sujeição. Algumas vezes isso pode ser uma luta, ou, como o apóstolo diz na seguinte passagem, um combate:
"Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado." [1 Coríntios 9:26-27].
Nesta passagem as palavras "subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão" significam controlar e dominar o corpo, para colocá-lo em obediência, ou "sujeição" ao Senhor.
Isso requer uma fortitude que nós humanamente não possuímos, uma força que vem somente por meio da oração e da graça de Deus.
Além disso, quando Paulo usa o termo "reprovado", ele quer dizer alguém que fracassou no teste, alguém que pregou sobre a necessidade de alcançar um padrão elevado, mas que falhou em alcançá-lo. Ele não está a falar a respeito da perda da salvação, mas da perda em parte da sua posição espiritual diante de Deus.
Um Grupo de Náufragos
Assim, do mesmo modo como um cristão individual pode ter falta dessa vigilância e autodisciplina, uma congregação inteira pode, se perder de vista esse alto padrão, entrar, sem perceber, em um estado de complacência.
Tanto quanto posso dizer, essa é uma ocorrência comum e por muito tempo eu quis saber o motivo.

Recentemente a resposta me atingiu com força. A princípio, achei que eu certamente estava enganado, pois aquilo era tão simples. Eu não conseguia me lembrar de ter ouvido alguém pregar sobre aquilo. Na verdade, eu não conseguia me lembrar de algum livro ou sermão gravado que tivesse lidado com o assunto.
Antes de compartilhar minha "descoberta" se isso é o que ela é gostaria de voltar por um momento para a famosa parábola das Colheres de Cabo Comprido.
Muito tempo atrás um navio que transportava centenas de passageiros encalhou em uma ilha remota que não aparecia nos mapas dos trópicos. Os habitantes da ilha eram poucos em número, mas se ofereceram para alimentar todos os sobrevivente. Eles foram levados a um grande salão em que dezenas de mesas esplêndidas estavam repletas de muitas variedades de alimentos saborosos. Eles poderiam comer à vontade, desde que todos os alimentos fossem levados à boca usando colheres especiais. Os cabos das colheres tinham um metro e meio de comprimento. A princípio, os passageiros do navio encalhado não deram atenção a isso, até que tentaram usar as colheres. Eles enchiam as colheres das iguarias que estavam nos pratos diante deles, mas, por mais que tentassem, não conseguiam segurar a ponta do cabo de uma colher conforme era necessário e, ao mesmo tempo, levar o alimento para dentro de suas a bocas. Como resultado, todos eles morreram de fome.
Alguns anos mais tarde, outro navio encalhou na mesma ilha, Ele também transportava centenas de passageiros, porém todos eles viveram bem na ilha até alcançarem uma boa velhice. Eles simplesmente levavam a comida na boca uns dos outros.
A maioria de nossos leitores já está familiarizada com essa parábola. Queremos ver agora como ela se relaciona com o "novo mandamento" que Jesus nos deu:
"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." [João 13:34-35].
O Novo Mandamento
Como um novo mandamento, Jesus estava certamente pedindo aos fiéis cristãos para fazerem algo que nenhum homem ou mulher fez ou poderia fazer nos tempos do Velho Testamento. Somente com Seu advento em carne os discípulos testemunharam a ´perfeição sem pecado em forma humana. Eles deveriam agora amar os outros exatamente como Ele os amou.
Isso pareceria ser uma tarefa impossível. Como podemos amar os outros do modo como o Filho de Deus nos ama? Bem, se tivéssemos de confiar em nosso próprio amor e em nossa própria força, nunca alcançaríamos esse padrão. Mas, podemos usar o amor que temos para os outros para pedir que Deus os abençoe e envie Sua graça e misericórdia sobre suas vidas.
Isto produz mais amor do que poderíamos gerenciar sozinhos, um amor que em um sentido real se aproxima do amor que Jesus teve por Seus discípulos.
E como fazemos isso? Por meio da oração!Pedimos ao nosso Pai Celestial, em nome de Seu Filho, para abençoar nossos conservos em Cristo.
O apóstolo Paulo fazia isso o tempo todo! Ele orava constantemente a favor dos santos. Sim, ele mostrava seu amor pelos outros por meio de suas obras, seu altruísmo, seu sofrimento e seus atos infindáveis de serviço, mas seu amor por eles alcançou o padrão decretado por Jesus somente quando ele deu aqueles preciosos passos adicionais e orou por eles.
Nosso amor é aperfeiçoado em Cristo. Quando oramos ao nosso Pai Celestial em nome de Seu Filho, pedindo uma bênção para nossos conservos em Cristo, estamos cumprindo o ideal estabelecido por Jesus.
Oração Restringida, Racionada ou Tímida
Quando recebi a salvação em 2008 e comecei a participar do serviço dominical, fiquei surpreso com o tempo limitado dado à oração congregacional e até mais, pelo pequeno número de orações feitas pelos participantes do serviço dominical.
Menciono isto aqui por que é algo que me incomodou muito. Algumas orações sinceras eram apresentadas a favor de um número muito pequeno de pessoas, mas a verdade clara que todos ali precisavam orar recebia pouca atenção. Era como se o pastor e aqueles que "controlavam o programa" estivessem por assim dizer, permitindo que uma maravilhosa oportunidade passasse sem ser aproveitada. O Senhor Deus tinha deixado um grande tesouro disponível parar a igreja naquele dia, mas aqueles que estavam em posições de autoridade permitiam que somente algumas poucas gemas preciosas fossem distribuídas aqui e ali.
As pessoas falam sobre as orações que aparentemente nunca foram respondidas, mas parece que nunca falam a respeito das orações que nunca foram feitas!
Devemos alimentar uns aos outros! E, devemos fazer isso zelosamente e com um coração verdadeiro. Deus deu a cada um de nós uma colher de um metro e meio de comprimento, porém muitos estão satisfeitos simplesmente em ficar sentados nos bancos das igrejas, ou diante das telas enquanto os outros fiéis cristãos passam fome.
Fiquei muito triste quando ouvi recentemente de uma pessoa, um cristão fiel, que disse não ter ninguém que orasse por ele. Como pode ser? Como foi possível para algum cristão ser abandonado desse modo?
Este Ministério
Este ministério completou recentemente seu décimo sétimo ano. Quando olho para trás, sinto um verdadeiro senso de gratidão em relação aos muitos crentes em toda parte que oram a favor dele. Sem as orações deles, o ministério teria encerrado as atividades muito tempo atrás. Repetidas vezes, ano após ano, tenho sentido uma onda de amor vindo sobre mim, uma bênção que trazia com ela a força e compreensão que eu necessitava para lidar com o próximo conjunto de estudos e continuar com minhas leituras e pesquisas.
Uma Instituição Mesquinha
A igreja de Laodiceia, que é realmente uma pseudo-igreja, é uma instituição mesquinha. Ela atende à natureza caída das pessoas, ignorando a "cobiçosa" ameaça representada pelo "velho homem". Ela ignora até a terrível ameaça representada por Satanás e seus demônios.
Raramente um membro da igreja contemporizada se preocupa em orar pelos outros fiéis cristãos e fazer isso com um coração amoroso. Para eles, a oração é principalmente um modo de conseguir uma vida melhor. Eles não veem a oração como o meio universal que Deus forneceu para trazer Suas bênçãos para o mundo e para o benefício de todos.
Nós nos conduzimos de um modo que agrada a Deus somente por meio de nossa fé em Sua providência e misericórdia:
"Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam." [Hebreus 11:6].
Se amamos a Jesus, guardaremos Seus mandamentos. O principal mandamento que Ele nos deu é que amemos uns aos outros, como Ele nos amou. E, para fazermos isso de verdade, precisamos orar pelos outros fiéis cristãos, pela proteção e bem-estar deles, pela paz e tranquilidade mental, para que tenham uma vida frutífera com Cristo.
Essas orações podem ser apresentadas para o conforto e suporte para os fiéis cristãos em todo o mundo. Não é necessário que conheçamos esses indivíduos pessoalmente. O apóstolo Paulo citava o maior número que ele podia, mas não há dúvida que ele tinha muitos mais em mente.
Como servos de Cristo, especialmente aqueles que estão seguindo o caminho há muitos anos, pode ser que nossa falha em fazer isso seja realmente algo que desagrade a Deus:
"E quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito." [1 Samuel 12:23].
Que Diferença Isto Faria!
O quão diferente as vidas de muitos fiéis cristãos seriam se eles acordassem todas as manhãs com o conhecimento certo e seguro que milhares de cristãos nascidos de novo em todo o mundo estão orando por eles naquele dia e que fazem isso todos os dias. Enquanto escrevo estas linhas, estou sendo tocado pela alegria que isso traz, saber que muitas e muitas pessoas que eu nunca encontrei e que sabem pouco sobre mim me incluem em suas orações.
Logo depois que encontrei a salvação em Cristo, disseram para mim que todos que incluímos em nossas orações deveriam ser identificados pelos nomes. Isso significa que eu não poderia orar por todos os santos que moram em nossa cidade, ou em nosso condado, pois conheço somente alguns deles. Eu achei isso um absurdo e ainda acho! Que melhor modo de reduzir as bênçãos trazidas para este mundo pelas nossas orações do que impor esse tipo de restrição ruinosa!
Os santos em Cristo devem orar uns pelos outros TODOS os santos em Cristo para que eles possa ter a força para resistir aos ardis do Maligno e viverem em paz com seus vizinhos, atender às necessidades de suas famílias e viver de um modo que seja agradável a Deus.
Conclusão
Como cristãos nascidos de novo, sabemos que milhões de pessoas em todo o mundo necessitam de nossas orações. Para os perdidos, oramos que eles venham à fé em Cristo. Para os que já estão salvos, oramos para que permaneçam firmes na fé e deem testemunho diariamente, com alegria e gratidão à graça e misericórdia de Cristo.
Paulo deu uma amável e muito mais profunda descrição das necessidades dos santos no primeiro capítulo da Epístola aos Colossenses.
Somos exortados , não somente a orar frequentemente, mas orar sem cessar:
"Orai sem cessar." [1 Tessalonicenses 5:17].
"Dou graças a Deus, a quem desde os meus antepassados sirvo com uma consciência pura, de que sem cessar faço memória de ti nas minhas orações noite e dia." [2 Timóteo 1:3].
À medida que o mundo se torna mais arrogante, mais rebelde, mais licencioso, mais violento, mais ganancioso e mais acorrentado à carne, é mais fácil compreendermos por que nossas orações necessitam ser incessantes. As orações por nossas próprias necessidades e as de nossas famílias podem tomar somente um tempo curto, de modo que, se somos exortados a orar continuamente ou com frequência isso somente pode ser devido ao fato que Deus deseja que dediquemos a maior parte do tempo de nossas orações para intercedermos pelas necessidades dos santos.
A igreja está fazendo isso hoje? Ela certamente está, em certo grau. Entretanto, acho que a maioria de nossos leitores concordaria que a igreja deveria estar fazendo muito mais do que está, e com mais fervor e mais reconhecimento de sua imensa importância. Isto é especialmente verdade em um tempo em que o demonismo e os ataque sobrenaturais opressivos estão se tornando mais prevalentes.
Autor: Jeremy James, artigo 448 em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 12/4/2026
A Espada do Espírito: https://www.espada.eti.br/Apocalipse/oracao-3.htm![]()