O Anticristo

Autor: Arthur W. Pink



CAPÍTULO 9

O Anticristo nos Profetas


As referências ao Anticristo nos profetas são numerosas, o que não é maravilha. É ali, mais do que em qualquer outra parte nas Escrituras que aprendemos o futuro a respeito de Israel e dos gentios. É ali que temos as informações mais completas sobre as condições no fim dos tempos e a mais completa descrição dos variados papéis que os principais personagens terão naqueles dias. Se fôssemos examinar todas as passagens nos profetas que mencionam o Homem do Pecado e os diversos papéis que ele terá, seríamos levados muito além da abrangência planejada para estes artigos. Entretanto, não desejamos ignorar as alusões mais importantes que são feitas a ele. Portanto, faremos uma seleção, mas uma seleção que, acreditamos, fornecerá um perfil completo. Certas escrituras, notavelmente aquelas que tratam do Anticristo em conexão com Babilônia, serão deixadas de lado por enquanto, pois receberão uma consideração específica em um capítulo posterior.

Outro comentário introdutório precisa ser feito. Estamos conscientes que este capítulo provavelmente será considerado insatisfatório por alguns de nossos leitores, porque seremos obrigados a tomar algumas coisas por certas. É manifesto que não podemos aqui tentar fazer uma análise completa das passagens em que as diferentes alusões ao Anticristo ocorrem, nem deve isso ser necessário. Estamos escrevendo para estudantes da Bíblia, portanto pedimos que eles vão para os diferentes textos citados e examinem os contextos de modo a conferir que eles tratam das condições do fim dos tempos. Na maioria dos casos, o contexto mostrará que não estamos lendo nas Escrituras aquilo que não está ali, porém em algumas poucas vezes pode parecer que esse não é o caso. Algumas vezes, isso é verdade com as passagens que contêm profecias referentes a Cristo. Nos livros dos profetas, frequentemente, o Espírito Santo está tratando de algo que está perto de acontecer e, então, sem qualquer aviso, projeta a visão para o futuro distante. Mas, exatamente como o Novo Testamento nos permite determinar quais passagens do Velho Testamento falam de Cristo, assim também outras escrituras nos ajudam a identificar a pessoa do Anticristo nos versos em que há apenas uma alusão indefinida e passageira a ele.

1. O Anticristo em Isaías

Um breve sinal é dado do Homem do Pecado no capítulo 16. Os versos iniciais deixam claro que as condições no período da Tribulação estão sendo descritas. Elas indicam que os judeus perseguidos fugirão para a terra de Moabe em busca de refúgio. "Esconde os desterrados, e não descubras os fugitivos" torna isto claro. Esses fugitivos são claramente identificados no v. 4, onde Jeová os chama de "meus desterrados". O mesmo verso diz por que eles são fugitivos: "Habitem contigo os meus desterrados, ó Moabe; serve-lhes de refúgio perante a face do destruidor; porque o homem violento terá fim; a destruição é desfeita, e os opressores são consumidos sobre a terra." Aqui a destruição do Anticristo é mencionada. Uma prova adicional que esses versos descrevem o que precede imediatamente o Milênio encontra-se no próximo verso, que nos conduz para o início do Milênio: "Porque o trono se firmará em benignidade, e sobre ele no tabernáculo de Davi se assentará em verdade um que julgue, e busque o juízo, e se apresse a fazer justiça." Assim, à luz de outras escrituras, há pouco espaço para dúvida que o Destruidor e o Opressor se referem a ninguém menos que ao Filho da Perdição.

No verso 22:25, temos outra referência incidental ao Anticristo. Para nossos comentários sobre esse verso, pedimos que o leitor referencie nossa discussão na seção 17 do Capítulo 4 deste livro.

"Naquele dia o Senhor castigará com a sua dura espada, grande e forte, o leviatã, serpente veloz, e o leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão, que está no mar." (Is. 27:1). Este capítulo não é de forma alguma fácil de analisar; sua estrutura parece complexa. Que seu conteúdo aponta para uma data ainda futura é indicado pelas palavras de abertura — compare outros versos em Isaías em que "naquele dia" aparece. Quando você ler o capítulo atentamente, verá que há uma alternação peculiar entre as referências ao período da Tribulação e as condições no Milênio. O verso final refere-se claramente ao fim do período da Tribulação. Assim também o primeiro verso, com o qual estamos agora mais interessados.

Leviatã, a serpente veloz, é, acreditamos, um dos nomes do Anticristo — compare nossa discussão no Capítulo 3, Seção II, 2. Uma comparação com uma passagem em Jó 41 confirma essa conclusão. Geralmente, há concordância que o "leviatã" em Jó 41 se refere ao crocodilo, porém os comentaristas parecem que não viram ali nada mais que uma descrição dessa criatura. Mas, é claro, dificilmente todo um capítulo da Escritura seria dedicado a descrever um réptil! Pessoalmente, acreditamos que sob a figura desse monstro traiçoeiro e cruel tenhamos uma silhueta impressionante do Príncipe das trevas. Observe os seguintes pontos interessantes:

Nos versos 1 e 2 (de Jó 41), a força do Leviatã é mencionada. No v. 3, é feita a pergunta: "Porventura multiplicará as súplicas para contigo, ou brandamente falará?" Isso não tem sentido se somente um crocodilo estiver em vista, mas é muito pertinente se tivermos aqui uma descrição simbólica do Anticristo. No v. 4, é feita a pergunta: "Fará ele aliança contigo, ou o tomarás tu por servo para sempre?" e isto também não tem sentido se apenas um réptil for o assunto da passagem, mas se isto aponta para algum monstro mais pavoroso, então serve para identificá-lo. "Ninguém há tão atrevido, que a despertá-lo se atreva; quem, pois, é aquele que ousa erguer-se diante de mim?" (v. 10); o quão de perto isso corresponde com Ap. 13:4: "E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" "Quem abrirá as portas do seu rosto? Pois ao redor dos seus dentes está o terror." (v. 14); o quão adequadamente isso retrata a ferocidade e crueldade do Anticristo! "O seu coração é firme como uma pedra e firme como a mó de baixo" (v. 24); com que exatidão isto retrata a depravação moral do Anticristo! "Levantando-se ele, tremem os valentes; em razão dos seus abalos se purificam. Se alguém lhe tocar com a espada, essa não poderá penetrar, nem lança, dardo ou flecha. Ele considera o ferro como palha, e o cobre como pau podre. A seta o não fará fugir; as pedras das fundas se lhe tornam em restolho" (versos 25-28); como estas palavras sugerem a invencibilidade do Anticristo no que se refere ao poder humano! "Na terra não há coisa que se lhe possa comparar, pois foi feito para estar sem pavor. Ele vê tudo que é alto; é rei sobre todos os filhos da soberba." (verso 33-34). Certamente, estes últimos versos removem toda a dúvida sobre quem realmente está diante de nós aqui! Todo o capítulo 41 de Jó deve ser estudado com atenção, pois estamos certos que ele contém uma amplificação velada, porém impressionante, de Is. 27:1.

Em Is. 33 temos outra referência ao Anticristo. Esse capítulo, como tantos outros em Isaías, passa da descrição das condições na Tribulação para o estado no Milênio e depois volta novamente. O verso de abertura diz: "Ai de ti, despojador, que não foste despojado, e que procedes perfidamente contra os que não procederam perfidamente contra ti! Acabando tu de despojar, serás despojado; e, acabando tu de tratar perfidamente, perfidamente te tratarão." Evidentemente, esse é um julgamento pronunciado sobre a cabeça do falso messias. Duas coisas servem para identificá-lo: ele é o grande Despojador e é aquele que age de modo pérfido com Israel. É devido à perfídia e rapacidade de seu Inimigo que o remanescente fiel clamará: "SENHOR, tem misericórdia de nós, por ti temos esperado; sê tu o nosso braço cada manhã, como também a nossa salvação no tempo da tribulação." (v. 2). Uma palavra adicional referente ao Anticristo se encontra no verso 8: "As estradas estão desoladas, cessou o que passava pela vereda, ele rompeu a aliança, desprezou as cidades, e já não faz caso dos homens." As três últimas afirmações neste verso deixam claro quem está em vista aqui. É o Anticristo mostrado sem disfarce algum; aquele que romperá seu pacto com Israel, saqueará suas cidades e desafiará todo o governo humano a resistir a ele.

Uma breve observação precisa ser feita a respeito do capítulo 57 antes de deixarmos o livro do profeta Isaías. Nesse capítulo, encontramos Deus censurando Israel por suas horrendas idolatrias e iniquidades. Novamente, o verso de abertura deixa claro que é o período da Tribulação que está em vista: "Perece o justo, e não há quem considere isso em seu coração, e os homens compassivos são recolhidos, sem que alguém considere que o justo é levado antes do mal.", etc. Em seguida, temos vários indiciamentos de Deus contra os judeus infiéis — "Mas chegai-vos aqui, vós os filhos da agoureira, descendência adulterina, e de prostituição." (v. 3, etc.). O restante do capítulo continua nessa mesma veia. Entre as muitas acusações que Deus levanta contra Israel está a seguinte: "E foste ao rei com óleo, e multiplicaste os teus perfumes e enviaste os teus embaixadores para longe, e te abateste até ao inferno." (v. 9). É evidente que, como este capítulo descreve os pecados de Israel cometidos no tempo do fim, o "rei" aqui precisa ser o falso messias! A propósito, este verso fornece mais uma prova que o Anticristo será rei sobre os judeus.

2. O Anticristo em Jeremias

No capítulo 4 do livro deste profeta há uma vívida descrição das pavorosas aflições que virão sobre os habitantes de Israel. Sem dúvida, aquilo que é dito ali recebeu um trágico cumprimento no passado. Mas, como muitas profecias, se não todas, esta terá um cumprimento posterior e final. Existem várias declarações encontradas nela que indicam que ela se refere ao fim dos tempos. A mais clara delas se encontra no verso final, em que lemos: "Porquanto ouço uma voz, como a de uma mulher que está de parto, uma angústia como a de que está com dores de parto do primeiro filho; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as suas mãos, dizendo: Oh! ai de mim agora, porque já a minha alma desmaia por causa dos assassinos." São as dores do parto de Mt. 24:8 que estão em vista aqui. A provação pela qual Israel passará é mostrada de forma trágica: "Anunciai em Judá, e fazei ouvir em Jerusalém, e dizei: Tocai a trombeta na terra, gritai em alta voz, dizendo: Ajuntai-vos, e entremos nas cidades fortificadas. Arvorai a bandeira rumo a Sião, fugi, não vos detenhais; porque eu trago do norte um mal, e uma grande destruição. Já um leão subiu da sua ramada, e um destruidor dos gentios; ele já partiu, e saiu do seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas cidades sejam destruídas, e ninguém habite nelas." (versos 5-7). O Destruidor dos Gentios agora se voltará para lançar sua diabólica malignidade contra a terra santa. A destruição estará em seu coração e terrível será a matança: "Eis que virá subindo como nuvens e os seus carros como a tormenta; os seus cavalos serão mais ligeiros do que as águias; ai de nós, que somos assolados!" (v. 13). Temíveis serão as devastações que sua fúria fará: "Ao clamor dos cavaleiros e dos flecheiros fugiram todas as cidades; entraram pelas matas e treparam pelos penhascos; todas as cidades ficaram abandonadas, e já ninguém habita nelas." (v. 29).

Em Jr. 6:26-27 há uma declaração notável feita sobre o Anticristo: "Ó filha do meu povo, cinge-te de saco, e revolve-te na cinza; pranteia como por um filho único, pranto de amargura; porque de repente virá o destruidor sobre nós." Esse Destruidor é o Destruidor dos Gentios. O mais interessante, porém, é o que vem no próximo verso: "Por torre de guarda te pus entre o meu povo, por fortaleza, para que soubesses e examinasses o seu caminho." Aqui, ficamos sabendo que, apesar de tudo, o Anticristo será um instrumento nas mãos de Jeová. Deus é quem o suscitará no meio de Israel para "prová-lo". Uma afirmação paralela encontra-se em Is. 10:5-6, em que o Senhor diz o seguinte a respeito do Assírio (NT: A KJV diz "Assírio" e não "Assíria"; a referência é feita a um homem, não a um país): "Ai da Assíria, a vara da minha ira, porque a minha indignação é como bordão nas suas mãos. Enviá-la-ei contra uma nação hipócrita, e contra o povo do meu furor lhe darei ordem, para que lhe roube a presa, e lhe tome o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas." Isto nos faz lembrar aquilo que lemos sobre o Faraó em Rm. 9:17. Ele foi "levantado" por Deus para cumprir Seu propósito. Da mesma forma será com este a quem Faraó prefigurou. O Anticristo será um instrumento na mão de Deus para castigar o apóstata Israel.

O cap. 15 contém breves alusões ao Anticristo. No v. 8, temos uma afirmação similar ao que esteve diante de nós na última passagem. Falando para Israel, Deus diz: "As suas viúvas mais se multiplicaram do que a areia dos mares; trouxe ao meio dia um destruidor sobre a mãe dos jovens; fiz que caísse de repente sobre ela, e enchesse a cidade de terrores." É o Senhor, então (atrás de Satanás), que traz esse Destruidor contra eles. Após Seu propósito ter sido cumprido, lemos o que o Senhor promete ao Seu povo: "E arrebatar-te-ei da mão dos malignos, e livrar-te-ei da mão dos fortes." (v. 21). Assim, Deus demonstrará Sua supremacia sobre o Filho da Perdição.

O verso 25:38 nos leva um pouco de volta para trás e observe a terrível desolação que o Anticristo trará sobre a terra de Israel: "Deixou a sua tenda, como o filho de leão; porque a sua terra foi posta em desolação, por causa do furor do opressor, e por causa do furor da sua ira."

3. O Anticristo em Ezequiel

Observaremos aqui somente duas passagens no livro deste profeta. Primeiro, em Ez. 21:25-27 — "E tu, ó profano e ímpio príncipe de Israel, cujo dia virá no tempo da extrema iniquidade, assim diz o SENHOR Deus: Tira o diadema, e remove a coroa; esta não será a mesma; exalta ao humilde, e humilha ao soberbo. Ao revés, ao revés, ao revés porei aquela coroa, e ela não mais será, até que venha aquele a quem pertence de direito; a ele a darei."

Tanto quanto é do nosso conhecimento, todos os estudantes pré-milenistas consideram esta passagem como uma descrição do Anticristo. Ela o retrata como uma paródia satânica do Filho do Homem sentado sobre o "trono da Sua glória". Ela o apresenta como o rei-sacerdote. Exatamente como no Milênio o Senhor Jesus será "sacerdote no Seu trono" (Zc. 6:13), assim também o Anticristo combinará em sua pessoa os ofícios de líder civil e líder religioso. Ele será aquilo que os papas sempre desejaram ser — chefe de um Estado Mundial e chefe da Igreja Mundial.

"E tu, ó profano e ímpio príncipe de Israel, cujo dia é chegado no tempo da punição final; assim diz o SENHOR Deus: Remove o diadema, e tira a coroa; esta não será a mesma: exalta ao humilde, e humilha ao soberbo. Ao revés, ao revés, ao revés o porei; também o que é não continuará assim, até que venha aquele a quem pertence de direito; e lho darei a ele." (Almeida Revista e Atualizada) Este é claramente o último rei de Israel, antes do Rei dos reis e Senhor dos senhores retornar a este mundo. Ele é aqui referido como "príncipe de Israel", como o verdadeiro Cristo é denominado "Messias, o príncipe" em Dn. 9:25. "Tira o diadema, e remove a coroa" aponta para o fato de ele ter assumido as honras sacerdotais e reais. A palavra hebraica usada aqui para "diadema" é, em todas as outras passagens, usada para a mitra que cobria a cabeça do sumo sacerdote de Israel! Finalmente, a afirmação que seu "dia é chegado no tempo da punição final" estabelece, sem sombra de dúvida, a identidade desse indivíduo.

Nos versos de abertura de Ez. 28, temos uma interessante visão do Homem do Pecado sob o título de "Príncipe de Tiro", exatamente como aquilo que é dito do "rei de Tiro" na segunda metade do capítulo é uma alusão esotérica a Satanás. Primeiro, somos informados que "o seu coração se elevou" (v. 2), o que é precisamente o mesmo que é dito a respeito de seu pai, o Diabo, no v. 17. Segundo, ele se vangloria dizendo: "Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento" (v. 2), o que está em paralelo com 2Ts. 2:4. Terceiro, aqui é dito o seguinte sobre ele: "Eis que tu és mais sábio que Daniel; e não há segredo algum que se possa esconder de ti." (v. 3), o que indica que ele será capacitado com uma sabedoria sobrenatural por aquele de quem este mesmo capítulo declara: "Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura." (v. 12). Quarto, é dito sobre ele: "Pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste para ti riquezas, e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros." (v. 4). Assim, ele será capaz de impressionar profundamente os adoradores de Mamom com sua imensa riqueza e superar Salomão na glória do seu reinado. Finalmente, sua morte à espada é aqui observada; veja os versos 7-8.

4. O Anticristo em Daniel

É aqui que encontramos a descrição mais completa do Homem do Pecado. Primeiro, ele é visto sob a figura do "chifre pequeno". Como há certa disputa se essa expressão realmente se aplica a ele, propomos que façamos um exame do que é dito aqui sobre o "chifre pequeno". Pessoalmente, há muito tempo estamos convencidos que essa expressão se refere a ninguém menos que o Anticristo. Existem diversas marcas claras que tornam relativamente fácil reconhecer esse indivíduo, sempre que nas Escrituras ele é colocado diante de nós. Por exemplo, seu orgulho insolente e blasfemo, o fato de se exaltar contra Deus, sua guerra ímpia e cruel contra o povo de Deus, e seu fim repentino, terrível e sobrenatural. Vamos comparar essas características com aquilo que é dito a respeito do "chifre pequeno" em Dn. 7 e 8.

Vejamos primeiro Dn. 7. Nos versos 7 e 8, lemos: "Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres. Estando eu a considerar os chifres, eis que, entre eles subiu outro chifre pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas." Isto se refere à ascensão do "chifre pequeno" dentro dos limites do Império Romano, pois este é o império representado pelo quarto animal. A primeira coisa que é dita a respeito do chifre pequeno é que ele tem olhos, como olhos de um homem, o que indica inteligência, e uma boca que fala grandes coisas — a palavra hebraica significa "muito grandes" e a referência é, sem dúvida, às elevadas pretensões e às suas atrevidas blasfêmias.

Dn. 7:21 também diz que "este chifre fazia guerra contra os santos, e prevaleceu contra eles". Isso contempla a perseguição que ele fará aos judeus piedosos e concorda perfeitamente com Ap. 13:7: "E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação." No verso 25, lemos: "E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo." Certamente, isto serve para identificar esse "chifre pequeno" com a primeira besta de Ap. 13: "E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses." (v. 5). Se uma prova adicional for necessária, ela é fornecida pelo restante do v. 25: "E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo." Um "tempo" equivale a um ano (veja Dn. 4:23, Ap. 12:14 e confira 12:6); de modo que "um tempo, e tempos e metade de um tempo" são os três anos e meio durante os quais os santos serão entregues em suas mãos. Isso corresponde exatamente com Ap. 13:5, em que, a respeito da primeira besta, o Anticristo, lemos: "E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses." — Em um capítulo posterior mostraremos diversas provas para mostrar que a primeira besta de Ap. 13 é o Anticristo.

Em Dn. 8, o "cifre pequeno" aparece novamente diante de nós e, que ele é o mesmo personagem pavoroso de Dn. 7, parece claro a partir daquilo que é dito a respeito dele. Primeiro, ele é referido como "um rei feroz de semblante" (8:23), o que concorda com a expressão "e cujo parecer era mais robusto do que o dos seus companheiros" (7:20). Segundo, é dito dele que "cresceu muito para o sul (primeiro), e para o oriente (segundo), e para a terra formosa (terceiro)", o que concorda com "diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados" (7:8). Terceiro, é dito que ele "destruirá maravilhosamente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os poderosos e o povo santo" (8:24), o que concorda com "eis que este chifre fazia guerra contra os santos, e prevaleceu contra eles" (7:21). Portanto, não deve haver qualquer dúvida que o "chifre pequeno" de Dn. 7 e o "chifre pequeno" de Dn. 8 se referem a uma mesma pessoa. As características morais coincidem: ambos, a partir de um início insignificante, se tornam grandes no fim; ambos perseguem o povo de Deus; ambos são derrubados por interposição direta de Deus. Podemos acrescentar que B. W. Newton, James Inglis, G. H. Pember, Sir Robert Anderson, Dr. Tregelles, J. H. Brookes, Haldeman, e diversos outros eruditos e estudiosos dedicados têm a mesma opinião, isto é, que o "chifre pequeno" de Dn. 7 e 8 e o Homem do Pecado são todos uma mesma pessoa.

Vamos agora considerar brevemente o que é revelado sobre o Anticristo com esse título de "chifre pequeno". Vamos nos confinar a Dn. 8:23-25.

Primeiro, ele será um "rei feroz de semblante". Acreditamos que esta seja uma descrição real da sua expressão facial, embora também possa ter um significado moral. Em Dt. 28:50, lemos a respeito de uma "nação feroz de rosto, que não respeitará o rosto do velho, nem se apiedará do moço". À luz desta escritura, parece claro que quando o Anticristo é chamado de "rei feroz de semblante", a referência não é apenas às suas feições reais, mas também indica que ele estará capacitado para enfrentar os perigos que causam perplexidade e pavor e presenciar as cenas mais chocantes de horror sem fraquejar e sem demonstrar espanto ou medo. É significativo que a referência em Dt. 28:50 seja aos romanos, enquanto que aquilo que é dito do Anticristo em Dn. 8:23 se relacione especialmente com suas conexões com a Grécia. As duas características dominantes dessas antigas potências estarão combinadas no Homem do Pecado. Estarão concentrados nele a disposição irresistível dos romanos e o intelecto brilhante dos gregos.

Segundo, somos informados que ele "será entendido em adivinhações". A palavra hebraica para "adivinhações" é usada para o enigma de Sansão (Jz. 14:12), para as questões difíceis da rainha de Sabá (1 Re. 10:1), e as palavras dos sábios e suas proposições (Pv. 1:6), que são profundas demais para serem compreendidas pelos símplices. Essa característica do rei de feroz catadura, que "será entendido em adivinhações", sugere uma tentativa de rivalizar com Cristo, como aquele que revela as coisas que estão escondidas. Esta será uma das fascinações pelas quais o Anticristo conseguirá atrair a admiração da humanidade. Ele se apresentará como alguém em que estão escondidos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Ele encantará o mundo com suas soluções sobre os enigmas da vida e, mais provavelmente, revelando os poderes ocultos implantados nos homens, até aqui ignorados pela maioria, e as forças e segredos da natureza ainda não descobertos.

Terceiro: "E se fortalecerá o seu poder, mas não pela sua própria força." (8:24a). Isto é explicado em Ap. 13:2b, onde lemos: "E o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio." Exatamente como lemos do Senhor Jesus: "Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras." (Jo. 14:10), assim também o Filho da Perdição realizará seus prodígios de poder por meio de seu pai, o Diabo. Isto é exatamente o que 2 Ts. 2:9 declara: "A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira." Assim, os homens serão enganados pelos milagres que ele operará.

Quarto, ele "destruirá maravilhosamente" (8:24). Isto foi expandido no capítulo anterior, em que apresentamos várias ilustrações nos Salmos que mostram as perseguições do Anticristo a Israel.

Quinto: "E pelo seu entendimento também fará prosperar o engano na sua mão" (8:25). A palavra hebraica usada para "entendimento" indica sabedoria. Ela foi a palavra usada por Davi para Salomão, quando disse: "O SENHOR te dê tão-somente prudência e entendimento, e te instrua acerca de Israel; e isso para guardar a lei do Senhor teu Deus." (1 Cr. 22:12), e foi também utilizada por Hirão ao escrever para Salomão: "Disse mais Hirão: Bendito seja o SENHOR Deus de Israel, que fez os céus e a terra; o que deu ao rei Davi um filho sábio, de grande prudência e entendimento, que edifique casa ao SENHOR, e para o seu reino." (2 Cr. 2:12). A palavra hebraica para "engano" — "fará prosperar o engano na sua mão" — é a mesma empregada por Isaque ao falar a Esaú sobre Jacó: "E ele disse: Veio teu irmão com sutileza, e tomou a tua bênção." (Gn. 27:35). Ela tem em vista aqui os métodos dissimulados e enganosos que o Anticristo empregará. "E destruirá a muitos que vivem em segurança" (v. 25) se refere ao fato que ele posará como o Príncipe da paz e, depois de obter a confiança dos homens — particularmente dos judeus — fará uso disso para executar seus esquemas sanguinários sobre eles.

Sexto: "Ele se levantará contra o Príncipe dos príncipes." Isto inegavelmente o identifica com a besta de Ap. 19:19, onde lemos: "E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército."

Sétimo: "Mas sem mão será quebrado" (8:25). Esta expressão significa que ele chegará à sua perdição sem intervenção humana — veja Dn. 2:45, 2 Co. 5:1, etc. O fato de o rei de semblante feroz ser quebrado sem mão se refere à sua destruição pelo próprio Senhor: "Mas julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com equidade aos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio." (Is. 11:4).

Vamos nos voltar agora para Dn. 9:26-27. Isto forma uma parte da famosa profecia das Setenta Semanas, ou setenta hebdômadas. Não poderemos tentar fazer aqui uma exposição da profecia inteira, mas será suficiente salientar suas divisões principais e examinar a parte que é mais relevante para nosso tema presente.

A profecia começa com o v. 24 e se refere às setenta hebdômadas, uma palavra que significa "sete". Cada hebdômada é igual a sete anos, de modo que um período total de 490 anos está aqui compreendido. Esses setenta "setes" estão divididos em três partes: Primeiro, sete "setes" estão relacionados com a reconstrução de Jerusalém, após o cativeiro na Babilônia. Segundo, sessenta e dois "setes" até o Messias, o príncipe", isto é, até o tempo em que Ele formalmente se apresentou a Israel como seu Rei: isto teve cumprimento na assim chamada "Entrada Triunfal em Jerusalém". Terceiro, o último "sete", que está separado dos outros. Observe que somos informados expressamente que "depois das sessenta e duas semanas (que adicionadas, às sete precedentes formam 69 semanas até este ponto), será cortado o Messias". A referência é à cruz, quando Cristo foi cortado de Israel e da terra dos viventes. Isso ocorreu após a sexagésima nona semana, antes da septuagésima iniciar.

A sexagésima nona terminou com a apresentação formal de Cristo a Israel como seu "príncipe". Isto está descrito em Mateus (um evangelho apresentado de forma distintamente judaica) capítulo 21. A rejeição do príncipe causou o rompimento/separação entre Cristo e Israel. É muito interessante observar que (após a rejeição) Mateus registra três provas distintas, ou evidências, desse rompimento. A primeira se encontra em Mt. 21:19 na maldição da figueira, que significou a rejeição da nação. A segunda foi o lamentoso anúncio feito no Monte das Oliveiras que o tempo da visitação de Israel tinha passado e que sua destruição agora era certa (Mt. 23:37; confira Lc. 19:41-44). Isto foi o abandono da cidade. A terceira foi Seu solene pronunciamento referente ao templo: "Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor." (Mt. 23:38-39) Isto foi o abandono do Santuário.

Toda a dispensação cristã (que teve início com a crucificação de Cristo) passa sem ser observada nesta profecia das setenta semanas. A dispensação ocorre como um parêntesis, entre a sexagésima nona e a septuagésima semanas. O que se segue em Dn. 9:26-27 se refere ao que acontecerá após a dispensação cristã terminar, quando Deus novamente voltar a lidar com Israel e cumprir Seus propósitos com a nação. Esses propósitos serão cumpridos por meio de um severo julgamento, que será a resposta de Deus à rejeição de Seu Filho. Vamos agora examinar mais de perto a forma que esse julgamento terá.

O julgamento de Deus sobre o povo que foi o responsável principal pela morte do Messias foi decretar a destruição da cidade e do santuário deles (9:26). Essa destruição seria produzida pelo povo de um príncipe que apareceria subsequentemente, mas seria ele mesmo também destruído. O príncipe aqui citado é o Anticristo, mas o Anticristo conectado e encabeçando o Império Romano em sua forma final. [1] Agora, sabemos que isto aconteceu no ano 70, porém que esse "príncipe" aqui não se refere àquele que chefiou os exércitos romanos, é claro a partir do fato que Dn. 9:27 nos diz que esse príncipe terá um papel a cumprir na ainda futura septuagésima semana — prova adicional é fornecida em que o v. 26 nos leva até o fim (isto é, das desolações de Israel) que serão marcadas por uma "inundação", e Is. 28:14-15 indica que isso será após a aliança de Israel com o Anticristo: "Ouvi, pois, a palavra do SENHOR, homens escarnecedores, que dominais este povo que está em Jerusalém. Porquanto dizeis: Fizemos aliança com a morte, e com o inferno fizemos acordo; quando passar o dilúvio do açoite, não chegará a nós, porque pusemos a mentira por nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos escondemos." A isto, Deus responde: "E a vossa aliança com a morte se anulará; e o vosso acordo com o inferno não subsistirá; e, quando o dilúvio do açoite passar, então sereis por ele pisados." (v. 18). O dilúvio do açoite é, literalmente, o açoite que virá como uma inundação.

Algumas palavras restam para serem ditas sobre Dn. 9:27: "E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador." O assunto deste verso é o Anticristo, o "príncipe que há de vir" do verso anterior. No tempo em que ele aparecer em cena, um grande número de judeus estará de volta à sua terra (cf. Is. 18). Com eles o príncipe fará um pacto, como no passado Jeová fez com Abraão, e como Cristo ainda fará com Israel — veja Jr. 31. Esse pacto de Israel com o Anticristo será visto por Deus com indignação, como uma aliança com a Morte, com um acordo com o Inferno. Mas, embora esse pacto seja aceito pela maioria dos judeus, Deus ainda reservará para Si um remanescente que se recusará a dobrar os joelhos a Baal; daí a qualificação "Ele fará um pacto com muitos", mas não com todos.

"Na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação." Os judeus que retornarem reconstruirão o templo e oferecerão sacrifícios. Entretanto, esses sacrifícios, longe se serem aceitos por Deus, serão uma ofensa. Parece haver uma clara referência a isso nos versos iniciais de Is. 66, que descreve as condições imediatamente antes do aparecimento do Senhor (veja o v. 15). E ali o Senhor diz: "Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações." (v. 3, etc.) Mas, três anos e meio antes do fim, o príncipe emitirá um decreto exigindo o fim dos sacrifícios e que a adoração a Jeová seja transferida para ele mesmo, pois será neste ponto que ele "se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus". (2 Ts. 2:4). O fato que sejamos informados aqui que ele fará cessar os sacrifícios e as oblações, identifica imediatamente esse príncipe dos romanos como sendo o Anticristo — confira Dn. 8:11. A parte restante de Dn. 9:27 será considerada quando chegarmos ao estudo de Mateus 24:14, no próximo capítulo.

Agora, vamos nos voltar para Dn. 11 que, sem dúvida, é o capítulo mais difícil do livro. Ele contém uma profecia que é admirável em sua riqueza de detalhes. Uma grande parte dela já recebeu um cumprimento muito interessante, mas, como outras profecias, temos certeza que ela ainda aguarda um cumprimento futuro final. Que Dn. 11 trata do Anticristo, todos os estudantes pré-milenistas concordam, mas sobre o quanto da profecia se refere a ele, há uma diferença considerável de opinião. Uma pequena minoria, de quem precisamos divergir, confina os primeiros 35 versos ao passado. Outros, fazem a divisão no meio do capítulo e consideram tudo a partir do verso 21 para frente como uma descrição do Homem do Pecado, e com eles este autor concorda totalmente. Alguns poucos estudantes consideram todo o capítulo, após o v. 2, como uma predição do Anticristo sob o título de "Rei do Norte" e, embora não estejamos preparados para endossar isto sem reservas, também reconhecemos que não há pouca coisa a ser dita em seu favor.

Aqui, somente nos confinaremos à segunda metade de Dn. 11. Todavia, nossos limites atuais de espaço somente permitirão algumas observações rápidas. Começando no v. 21, lemos: "Depois se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente, e tomará o reino com engano." A história desse "homem vil" está aqui dividida em três partes: primeira, os meios pelos quais ele tomará o controle do reino: versos 21-22; segunda, o intervalo entre o tempo em que ele fará uma aliança com Israel, a retirada do sacrifício cotidiano e o estabelecimento da abominação da desolação: versos 23-31; terceira, o curto período em que ele se apresenta da forma natural, sem disfarces, e inicia sua carreira de desafio aberto a Deus, culminando em sua destruição: versos 32-45. Portanto, do verso 21 até o fim do capítulo temos uma história contínua do Anticristo.

"Depois se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente, e tomará o reino com engano." O epíteto "homem vil" é uma antítese manifesta do "santo de Deus". Esse verso 21 mostra o Homem do Pecado em sua pose de Príncipe da paz. Ele obterá aquilo que seu antítipo, Absalão, tentou, porém fracassou em obter — tomar o reino por meio de lisonjas.

"E com os braços de uma inundação serão varridos de diante dele; e serão quebrantados, como também o príncipe da aliança." (v. 22). Esse homem vil é denominado de "príncipe da aliança", o que o identifica imediatamente com o príncipe de Dn. 9:26-27. Em seguida, somos informados no v. 23: "E, depois do concerto com ele, usará de engano; e subirá, e se tornará forte com pouca gente." Esse "concerto" é, sem dúvida, o tratado de sete anos confirmado com Israel, que será assinado em um ponto inicial na carreira do Anticristo e que corresponde com o fato que no início, ele parece ser um "chifre pequeno", e sua "pouca gente" são os sírios — confira nossos comentários sobre Dn. 8:8-9 no Capítulo 6.

Os versos 25 e 26 descrevem sua vitória sobre o rei do Egito. Em seguida, no v. 28, lemos: "Então tornará para a sua terra com muitos bens, e o seu coração será contra a santa aliança; e fará o que lhe aprouver, e tornará para a sua terra." A terra dele é a Assíria. A menção das suas riquezas corresponde ao que somos informados a respeito do Anticristo em Sl. 52:7, Ez. 28:4, etc.

"E braços serão colocados sobre ele, que profanarão o santuário e a fortaleza, e tirarão o sacrifício contínuo, estabelecendo a abominação desoladora." Aqui está a clara evidência que esses versos tratam daquilo que ocorrerá durante a septuagésima semana. A menção da profanação do santuário é uma referência inconfundível à "abominação da desolação", isto é, a instalação de um ídolo para o Anticristo no templo. Observe o uso repetido do pronome plural nesse verso; "eles profanarão" e "eles tirarão" se referem ao Anticristo e ao Falso Profeta, conforme Ap. 13. É significativo que no próximo verso (v. 32) haja uma alusão ao remanescente fiel — "E aos violadores da aliança ele com lisonjas perverterá, mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas."

"E este rei fará conforme a sua vontade, e levantar-se-á, e engrandecer-se-á sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas espantosas, e será próspero, até que a ira se complete; porque aquilo que está determinado será feito." (v. 36). Que "este rei" aqui é o "homem vil" não é somente indicado pela ausência de qualquer interrupção na profecia, mas também conectando-se o "e" com o qual o verso se inicia, mas é definitivamente estabelecido pelo fato que no v. 27 (observe o contexto) o homem vil é expressamente chamado de "rei"! O conteúdo desse verso 36 conecta claramente o "rei" com o Homem do Pecado de 2Ts. 2:3-4 e também o identifica com o "chifre pequeno" — confira Dn. 7:23 e 8:25. Os versos restantes de Dn. 11 já estiveram diante de nós em capítulos anteriores, de modo que não precisamos nos deter agora para comentá-los.

5. O Anticristo nos Profetas Menores

Há aqui um amplo campo para estudo, mas precisaremos nos contentar com apenas algumas poucas seleções e fazer rápidos comentários sobre elas. Oséias faz várias referências ao Homem do Pecado. Em Os. 8:10, ele é chamado de "rei dos príncipes", como tal, ele é a imitação satânica do Rei dos reis. Em Os. 10:15, ele é chamado de "rei de Israel", o que mostra sua conexão com os judeus. Em Os. 12:12, ele é chamado de "mercador" e dele se diz: "É um mercador; tem nas mãos uma balança enganosa; ama a opressão." — compare isto com Ap. 6:5. Essas palavras indicam seu caráter duplo em conexão com os judeus: primeiro ele os fará acreditar que é o verdadeiro Messias; depois ele se colocará como seu maior inimigo.

Joel faz alusão a ele como o chefe do "exército do norte", isto é, o Assírio. Deus aqui declara: "Mas removerei para longe de vós o exército do norte, e lançá-lo-ei em uma terra seca e deserta; a sua frente para o mar oriental, e a sua retaguarda para o mar ocidental; e subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão; porque fez grandes coisas."

Amós fala dele como um inimigo: "O inimigo virá, e cercará a terra, derrubará a tua fortaleza, e os teus palácios serão saqueados." (Am. 3:11) Que isto está se referindo ao fim dos tempos é claro a partir dos versos que se seguem, onde lemos: "Pois no dia em que eu punir as transgressões de Israel, também castigarei os altares de Betel...", etc. (v. 14).

Miquéias o chama de "Assírio" e a respeito dele diz: "E este será a nossa paz; quando a Assíria vier à nossa terra, e quando pisar em nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Esses consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode nas suas entradas. Assim nos livrará da Assíria, quando vier à nossa terra, e quando calcar os nossos termos." (NT: A KJV diz "Assírio" e não "Assíria", referindo-se a um homem, e não a uma nação.)

Naum tem o seguinte a dizer sobre ele: "De ti saiu um que maquinou o mal contra o SENHOR, um conselheiro vil. Assim diz o SENHOR: Por mais seguros que estejam, e por mais numerosos que sejam, ainda assim serão exterminados, e ele passará; eu te afligi, mas não te afligirei mais... porque o ímpio não tornará mais a passar por ti; ele é inteiramente exterminado." (Naum 1:11-12,15). Esses versos contêm outra das muitas antíteses entre Cristo e o Anticristo. O primeiro é o Maravilhoso Conselheiro (Is. 9:6); o segundo é o "conselheiro vil".

Habacuque o descreve como um homem soberbo, desleal, de uma cobiça insaciável e que atrairá a si todos os povos: "Tanto mais que, por ser dado ao vinho é desleal; homem soberbo que não permanecerá; que alarga como o inferno a sua alma; e é como a morte que não se farta, e ajunta a si todas as nações, e congrega a si todos os povos."

Zacarias o chama de "pastor inútil que abandona o rebanho" e depois pronuncia julgamento sobre ele: "Ai do pastor inútil, que abandona o rebanho! A espada cairá sobre o seu braço e sobre o seu olho direito; e o seu braço completamente se secará, e o seu olho direito completamente se escurecerá." (Zc. 11:17).

[1] O Homem do Pecado será o último grande César; isto ficará claro em nosso estudo do Anticristo no Apocalipse.

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Data da publicação: 13/9/2010
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A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/anticristo-cp09.asp