Cinco Coisas Que Você Precisa Saber Sobre a Oração Contemplativa

Cinco Coisas Que Você Precisa Saber Sobre a Oração Contemplativa

Autor: Ray Yungen.

É correto dizer que houve uma revolução mística em todo o mundo ocidental nos últimos quarenta anos. Antes, o misticismo era incomum dentro da corrente dominante da sociedade, porém agora tornou-se aceito e normal. Seguindo as leis do mercado, qualquer pessoa sensata pode deduzir isso, se observar o número de prateleiras reservadas ao misticismo oriental e ao pensamento de Nova Era em praticamente todas as grandes redes de livrarias. Na minha cidade, uma livraria local reserva 65 prateleiras para livros sobre esses assuntos; algumas décadas atrás, uma livraria tinha somente cinco prateleiras com livros sobre misticismo. Outro indicador da popularidade do misticismo foi o sucesso do programa de entrevistas apresentado por Oprah Winfrey. Nos últimos vinte anos, a apresentadora Oprah levou literalmente dezenas de milhões de leitores e espectadores à vida mística.

Muitas pessoas talvez não saibam que existe um elemento "cristão" neste fenômeno do misticismo, conhecido como oração contemplativa, ou oração centrante. Esta forma de oração mística entrou na igreja cristã principalmente por meio dos programas de formação espiritual. Apesar de a prática real ter sido criada há vários séculos, podendo ser rastreada até aos pais do deserto no início da Idade Média, somente recentemente ela despertou a atenção de muitas pessoas dentro das numerosas ramificações ou denominações que existem dentro do Cristianismo.

Seria prudente para aqueles que querem iniciar esta prática compreender realmente a dinâmica de tudo o que está envolvido. Os cristãos podem esperar que terão um encontro mais profundo com o Deus da Bíblia, ou que serão levados a uma vida espiritual mais rica e plena, porém a realidade pode ser radicalmente diferente. Neste livreto, você lerá citações, não dos críticos ou opositores da oração contemplativa, mas, ao contrário, dos grandes defensores e instrutores da oração contemplativa que mostram a verdadeira natureza daquilo em que o movimento realmente está espiritualmente enraizado. Quero dizer logo de início que essas citações não foram distorcidas e nem tiradas de seu contexto. Elas ilustram com precisão a mentalidade de seus respectivos autores.

1. A Compatibilidade da Nova Era e do Pensamento Oriental com a Oração Contemplativa

Os aderentes da Nova Era e aqueles que praticam a religião oriental consideram a oração contemplativa como parte de seu próprio movimento. Os seguintes excertos são de proponentes da Nova Era e do pensamento oriental:

"É importante observar que, em toda a história do Cristianismo, os místicos cristãos mostraram uma abertura incomum à sabedoria das filosofias e das religiões não-cristãs. Em outras palavras, o misticismo cristão parece, desde o princípio, ter tido um reconhecimento intuitivo do modo em que o misticismo é uma forma de unidade que transcende a diferença religiosa." [1 — Carl McColman, The Big Book of Christian Mysticism (ênfase adicionada)].

"O Oriente não representa uma cultura ou uma religião tanto quanto a metodologia [meditação] para alcançar uma visão maior e libertadora. Neste sentido, o 'Oriente' existiu nas tradições místicas ocidentais [isto é, na oração contemplativa]." [2 — Marilyn Ferguson, A Conspiração Aquariana; tradução nossa].

"Religiões individuais têm vários nomes para os caminhos esotéricos que podem nos levar passo a passo para essas experiências. No Budismo Mahayama existem os caminhos dos tibetanos, ou o caminho do Zen... No Hinduísmo, existem as diferentes formas de yôga. No Islã, existe o Sufismo. No Judaísmo, existe o ensino da Cabala. No Cristianismo, existe a contemplação. Todos esses caminhos podem levar as pessoas para o nível maior de todos — a consciência cósmica." [3 — Willigis Jäger, Searching for the Meaning of Life (ênfase adicionada)].

"A meditação de ocultistas avançados é idêntica à oração dos místicos avançados: não é acidente que ambas as tradições usem a mesma palavra para as realizações mais elevadas de suas respectivas atividades — a contemplação. [4 — do livro de Richard Kirby, The Mission of Mysticism].

"Há muito tempo que Kundalini é conhecida na espiritualidade taoísta, hinduísta e budista." [5] "Como essa energia [a Kundalini ocultista] está também em operação hoje em inúmeras pessoas que estão se dedicando à oração contemplativa, este livro é uma contribuição importante para a restauração da tradição cristã contemplativa." [6 — Thomas Keating, Kundalini Energy and Christian Spirituality (ênfase adicionada)].

2. Os Principais Proponentes da Oração Contemplativa Advogam a Religião Oriental

Uma das características proeminentes do movimento da oração contemplativa é aquilo que é conhecido como inter-espiritualidade. Efetivamente, isto significa que você permanece em sua religião atual, mas absorve a perspectiva espiritual daqueles que estão dentro do pensamento oriental. Por exemplo, no livro de Henry Nouwen, Pray to Live (Orar para Viver), ele descreve o proponente contemplativo Thomas Merton como alguém que foi profundamente influenciado por monges hindus. [7]. Considere as seguintes citações:

"Thomas Merton tinha encontrado o Zen Budismo, Sufismo, Taoísmo e Vedanta muitos anos antes de sua viagem pela Ásia. Merton foi capaz de descobrir o ribeiro em que a sabedoria do Oriente e do Ocidente se misturam e correm juntos, além do dogma, nas profundezas da experiência interior... Merton abotou as filosofias espirituais do Oriente e integrou essa sabedoria em sua própria vida por meio da prática direta." [8 — da revista Yoga Journal.

"O autor Thomas Ryan [um padre católico] mostra uma abertura maravilhosa para os dons do Budismo, Hinduísmo e Islamismo. Ele descobre a grande sabedoria dessas religiões para a vida espiritual do cristão e não hesita em trazer essa sabedoria para casa." [9 — Henri Nouwen, prefácio de Disciplines For Christian Living (Disciplinas para a Vida Cristã)].

"Este ribeiro místico [a oração contemplativa] é a ponte ocidental para a espiritualidade do extremo oriente... Não é acidente que a fronteira mais ativa entre as religiões cristãs e orientais hoje está entre os monges cristãos contemplativos e seus equivalentes orientais. Algumas formas de meditação oriental foram informalmente incorporadas ou adaptadas para a prática de muitos monges cristãos e, cada vez mais, por outros cristãos." [10 — Tilden Edwards, fundador do Institulo Salém para a Formação Espiritual, Spiritual Friend].

3. O Método na Oração Contemplativa é Idêntico ao Método Usado na Nova Era e no Pensamento Oriental

A marca característica da oração contemplativa é encontrada em frases como aguardar por Deus em silêncio, aquietar seus pensamentos, buscar a presença de Deus no silêncio e avançar na quietude interior, tudo com a característica de parar o fluxo normal dos pensamentos. Muitos promotores da oração contemplativa rejeitariam isto como sendo o resultado de usar um mantra, porém muitos mais aceitam isto como sendo verdadeiro.

"Aqueles que praticam a Meditação Transcendental podem estar surpresos em ficar sabendo que o Cristianismo tem sua própria forma de meditação com mantra honrada ao longo dos tempos. A técnica, chamada Oração Centrante, baseia-se nos exercícios espirituais dos Pais do Deserto, o clássico devocional inglês A Nuvem do Desconhecimento e a famosa Oração de Jesus... A dependência de um dispositivo mântrico centrante tem uma longa história no cânon místico do Cristianismo." [11 — Editores do New Age Journal, As Above, So Below].

"As técnicas que Herbert Benson ensina — silêncio, postura corporal apropriada e, acima de tudo, esvaziar a mente por meio da repetição da oração — têm sido uma prática dos místicos em todas as grandes religiões do mundo. Além disso, elas formam a base em que a maioria dos diretores espirituais modernos guiam aqueles que querem se aproximar mais de Deus... O silêncio é a linguagem que Deus utiliza... diz Thomas Keating, que ensionu a Oração Centrante para mais de 31.000 pessoas em apenas um ano. Keating sugere que aqueles que oram repetem alguma 'palara sagrada', como Deus ou Jesus." [12 — "Talking to God", revista Newsweek].

A oração não-verbal envolve aprender como se tornar silencioso por dentro. A primeira vez que aprendi a respeito da oração não-verbal foi como parte de outras tradições religiosas. Eu não sabia que ela também tem uma longa história na tradição cristã (embora tivesse estudado em um seminário de primeira linha, não sei se ela não era ensinada ali ou, se era, eu não tomei conhecimento). Isto me deixou intrigado. Aprendi sobre o uso de mantras como um modo de dar à mente algo em que colocar o foco enquanto ela afunda no silêncio. Fiquei, portanto, satisfeito em tomar conhecimento mais tarde que a tradição cristã não somente conhece a prática da oração não-verbal, mas também inclui os mantras." [13 — Marcus Borg, The God We Never Knew].

"O século 20, que testemunhou tantas revoluções, está agora vendo a ascensão de um novo misticismo dentro do Cristianismo... Afinal, o novo misticismo aprendeu muito com as grandes religiões da Ásia. Ele sentiu o impacto do yôga, do Zen e do monasticismo do Tibete. Ele presta atenção às posturas e à respiração; ele sabe a respeito da música do mantra e do silêncio do Samadhi... Agora, aquilo que digo a respeito do Zen também é verdadeiro a respeito do misticismo cristão. Ele também leva a um estado alterado de consciência em que tudo é um em Deus." — [William Johnston, The Mystical Way].

"Sem trair de forma alguma sua fé, o cristão pode aprofundar sua contemplação dos mistérios divinos por meio dos modos hindus de oração." [15 — Kathleen Healy, Entering the Cave of the Heart].

"Não reflita no significado da palavra; pensar e refletir precisam cessar, como todos os autores místicos insistem." [16 — Willis Jäger, Contemplation: A Christian Path].

"A repetição [de uma palavra ou frase] pode, na verdade, ser tranquilizadora e muito libertadora, ajudando-nos, como Nouween diz, 'a esvaziar nossa vida interior congestionada e criar o espaço silencioso onde podemos habitar com Deus." 17 — autor evangélico Jan Johnson, When the Soul Listens].

4. Encontrando o "Deus" Interior

É importante observar aqui que o propósito da oração contemplativa é entrar em um estado alterado de consciência de modo a encontrar seu verdadeiro eu, desse modo encontrar Deus. Essa verdade se relaciona com a crença que o homem é basicamente bom. Os proponentes cristãos da oração contemplativa ensinam que todos os seres humanos têm um centro divino e que todos, não apenas os cristãos nascidos de novos, devem praticar a oração contemplativa. A crença é que no coração do homem encontramos Deus (isto é, que somos Deus).

"O Deus que habita em nosso santuário interior é o mesmo que aquele que habita no santuário interior de cada ser humano." [18 — Henri Nouwen, em seu livro Here and Now].

"Todos nós [toda a humanidade] temos esse núcleo divino em nosso interior. O Zen Budismo chama isto de 'natureza essencial'; o yôga chama de 'atman'; os cristãos chamam de 'vida eterna', o reino de Deus, ou céu... O Divino, que ele [Jesus] chamou de Pai, pulsa por meio de nós, exatamente como pulsava por meio dele." [19 — Willigis Jäger, Search for the Meaning of Life].

"Até mesmo pessoas que ainda precisam entregar suas vidas para Jesus Cristo — podem e devem praticar essas disciplinas espirituais." [20 — Richard Foster, Celebração da Disciplina]

"Quando Deus se torna importante para nós, um tipo diferente de relacionamento — se isto pode ser chamado de relacionamento — é proposto. Não mais somos dois seres separados que interagem na distância que imaginamos que exista entre os seres. Estamos agora relacionados com Deus como o corpo é para a respiração. Essenciamente, somos um." — Brian C. Taylor, Setting the Gospel Free.

"É um destino glorioso ser membro da espécie humana... agora entendo o que todos somos... Se as pessoas simplesmente pudessem ver a si mesmas como elas realmente são... suponho que o grande problema seria que nos lançaríamos ao chão e adoraríamos uns aos outros... No centro do nosso ser há um ponto vazio que não está tocado pelo pecado e pelas ilusões, um ponto de pura verdade... Esse pequeno ponto... é a pura glória de Deus em nós. Ele está em todos." [22 — Thomas Merton, Conjectures of a Guilty Bystander].

"O ocultismo é definido como a ciência da evolução mística; ele é o emprego das faculdades escondidas do homem para discernir a realidade escondida da natureza, isto é, ver Deus como o tudo em todos." [23 — Richard Kirby, The Mission of Mysticism].

5. A Espiritualidade Contemplativa Tornou-se Atraente para Aqueles Que Estão na Igreja Evangélica

Apesar das barreiras teológicas que existem entre o Catolicismo e as igrejas evangélicas, estas estão se tornando cada vez mais receptivas à tradição católica contemplativa. Muitas dessas barreiras teológicas caíram ao longo das últimas décadas e um número cada vez maior de evangélicos está buscando diretores espirituais e programas de formação espiritual que são os conduítes para o reino desse paradigma místico.

Alguns autores muito conhecidos que foram aceitos pela igreja evangélica são ativistas que consideram a oração contemplativa como um modo de alcançar um relacionamento mais profundo com Deus. Esses autores escrevem e ensinam prolixamente sobre a oração contemplativa.

Richard Foster

"Todos nós deveríamos, sem pejo algum, nos inscrever como aprendizes na escola da oração contemplativa." [24] "Thomas Merton fez, talvez, mais do que qualquer outra personalidade do século 20 para tornar a vida de oração amplamente conhecida e compreendida... o interesse dele pela contemplação o levou a investigar formas de oração nas religiões orientais... ele é um mestre talentoso." [25].

Richard Rohr

"A esperança de Deus pela humanidade é que um dia todos venham a reconhecer que o lugar de habitação divina é toda a criação. Cristo vem novamente sempre que vemos que matéria e espírito coexistem. Isto realmente merece ser chamado de boas novas." [26].

"Um dos meus editores... me disse que, atualmente, o maior mercado consumidor de meus livros é os dos evangélicos jovens — evangélicos jovens. Alguns de meus livros são bem pesados. Fiquei admirado." [27].

Ruth Haley Barton

"Alguns anos atrás, comecei a reconhecer um caos na parte mais interna da minha alma... Por mais que eu orasse, lesse a Bíblia e ouvisse um bom ensino, não conseguia acalmar o rugir interno criado por perguntas sem respostas." [28].

No livro Solitude and Silence, de Ruth Haley Barton (o livro em que ela reconhece a influência de Thomas Keating em sua vida), ela cita o falecido padre católico William Shannon e seu livro Silence on Fire (a biografia de Thomas Merton). Nesse livro, Shannon diz:

"A oração sem palavras... é uma oração humilde, simples, modesta, em que experimentamos nossa total dependência de Deus e nossa conscientização de que estamos em Deus. A oração sem palavras não é um esforço de 'ir para algum lugar', pois já estamos ali (na presença de Deus). É apenas que não estamos suficientemente conscientes de estarmos ali." [29].

Adele Ahlberg Cahoun

Adele Ahlberg Calhoun é a autora de The Spiritual Disciplines Handbook: Practices That Conform Us, uma cartilha sobre oração contemplativa e centrante. As duas citações seguintes do livro expressam claramente as visões que ela tem:

"A meditação não é simplesmente uma disciplina das religiões orientais e dos gurus da Nova Era. A meditação está no coração da espiritualidade judaico-cristã; ela é um convite para compreender Deus." [30].

"Reserve seu tempo e, quando uma palavra 'acender' para você, pare e dê ouvidos. Permita que a palavra ou frase percorra sua mente e coração... Quando sua mente se desviar do rumo, gentilmente traga-a de volta e continue sua meditação." [31].

O que ilustra as simpatias espirituais de Ahlberg Calhoum ainda mais é uma lista de 'tutores' que ela inclui na quarta capa do livro. Alguns desses tutores são Basil Pennington, Henri Nouwen, Richard Rohr, Teresa de Ávila, São João da Cruz e Juliana de Norwich, todos os quais absorveram aspectos inter-espirituais e panenteístas devido às suas práticas contemplativas. Muitos líderes evangélicos, incluindo Rick Warren, recomendam ou endossam o livro The Spiritual Disciplines Handbook (Manual das Disciplinas Espirituais). Na página da editora InterVarsity Press na Internt, você encontrará um endosso para o livro do famoso pastor Timothy Keller, da Igreja Presbiteriana do Remidor, de Nova York, que diz a respeito do manual de Calhoun:

"Há muito tempo que tenho me beneficiado com os talentos de Adele Ahlberg no campo do desenvolvimento espiritual e estou satisfeito em saber que ela compilou suas experiências com as disciplinas espirituais na forma de um livro. Eu o recomendo muito e estou ansioso para usá-lo como um recurso em minha igreja." [32].

Brennan Manning

Um método simples de oração contemplativa (frequentemente chamado de Oração Centrante) tem quatro etapas... escolher uma palavra sagrada... repetir para si mesmo a palavra sagrada lentamente, frequentemente." [33].

Em uma entrevista, Brennam Manning recomendou o livro de William Shannon, Silence on Fire e o livro de Thomas Keating sobre oração centrante, Open Mind, Open Heart. Em Silence on Fire, Shannon rejeita a expiação e o Deus bíblico da seguinte maneira:

"Esta é uma típica noção patriarcal de Deus. Ele é o Deus de Noé, que vê as pessoas em profundos pecados, arrepende-se de tê-las criado e decide destrui-las. Ele é o Deus do deserto, que envia serpentes para morder Seu povo por causa das murmurações contra Ele. Ele é o Deus de Davi, que praticamente dizimou uma nação... Ele é o Deus que exige como pagamento até a última gota de sangue de Seu Filho, para que Sua justa ira, evocada pelo pecado, possa ser apaziguada. Esse Deus, cujo humor se alterna entre graciosidade e ira feroz, esse Deus não existe." [34; ênfase adicionada].

Henri Nouwen

"A repetição silenciosa de uma única palavra pode nos ajudar a descer com a mente para o coração... Este modo de oração simples.... nos abre para a presença ativa de Deus." [35].

"O Deus que habita em nosso santuário interior é o mesmo que habita no santuário interior de cada ser humano." [36].

Thomas Merton

Durante uma conferência sobre oração contemplativa, a seguinte questão foi apresentada a Thomas Merton:

"— Como podemos ajudar melhor as pessoas [não apenas aos cristãos] a alcançarem união com Deus?" A resposta dele foi muito clara: '— Precisamos dizer que elas já estão unidas com Deus. A oração contemplativa não é nada mais do que chegar à conscientização daquilo que já está ali.'" [37] — declarado por Brennan Manning em seu livro The Signature of Jesus.

"Não vejo contradição entre Budismo e Cristianismo... Pretendo me tornar o melhor budista que eu puder." [38].

Conclusão

A Bíblia revela que no coração do homem, nosso verdadeiro eu não é "Deus", mas, ao contrário, é pecador e ímpio:

"Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias." [Mateus 15:18-19].

"Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as fornicações, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem." [Marcos 7:21-23; ênfase adicionada].

"Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração e provo os rins; e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações." [Jeremias 17:9-10].

A Bíblia também nos adverte claramente a respeito da oração repetitiva e também nos diz que não podemos encontrar Deus sem um mediador (isto é, sem Cristo):

"E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos." [Mateus 6:7].

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." [1 Timóteo 2:5].

É irônico que no último século mais cristãos morreram por sua fé em outros países do que morreram em séculos passados combinados. Muitos desses cristãos deixaram o Islã, o Hinduísmo ou o Budismo e, por isto, foram executados. O que esses mártires da fé diriam para nós, se pudessem falar da nossa prática ocidental atual de misturar o Cristianismo com as religiões orientais e com o ocultismo? A Bíblia nos adverte contra esse tipo de mistura:

"Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou irritaremos o Senhor? Somos nós mais fortes do que ele?" [1 Coríntios 10:21-22].

Jesus Cristo nunca ensinou aos Seus discípulos técnicas para alcançar unicidade com Deus mas, ao contrário, falou de Si mesmo como o caminho. Na verdade, todo o Novo Testamento foi escrito para refutar a ideia que as pessoas possam chegar a Deus por meio de esforços religiosos e revela que Jesus Cristo é a única resposta. Em conclusão, o movimento contemplativo está fundamentado nas seguintes premissas* falsas:

  1. O coração do homem é basicamente bom (tem um centro divino) Versus O coração do homem é perverso — Negação da natureza pecaminosa.

  2. O homem pode encontrar Deus por meio de seus próprios esforços, independente de qual religião ele tenha adotado Versus Jesus referiu a Si mesmo com o caminho, a verdade e a vida — Negação da expiação.

  3. Deus fica satisfeito quando entoamos cânticos repetitivos e métodos similares de oração contemplativa Versus Jesus disse que Ele não é — Negação da natureza pessoal de Deus.

Com falsas premissas como estas, as conclusões somente podem ser errôneas. A Bíblia cria a compreensão e equilíbrio adequados de que 1) o homem é um pecador, 2) necessita de um remidor, 3) com quem ele pode ter uma vida abundante.

* Nota: Na filosofia, todo "argumento" precisa ter uma premissa e uma conclusão, mas se suas premissas forem falsas, elas inevitavelmente o levarão a uma conclusão errada.

Talvez a visão mais mal-orientada de todas no movimento da oração contemplativa seja resumida na seguinte citação, de um biógrafo de Thomas Merton:

"Os cristãos também não devem iludir a si mesmos com a ideia que a graça de Deus esteja monopolizada por alguma determinada estrutura de crenças. Deus não está obedecendo às luzes de trânsito de qualquer sistema religioso." [39].

Mas, isto não é verdade, Deus criou um organismo chamado de corpo de Cristo e, para entrar, você precisa crer em algo muito específico. Se você compreender o objetivo do verdadeiro Cristianismo, verá claramente que a opinião declarada na citação acima contradiz a mensagem da cruz, que é a essência do Cristianismo. Você não pode reconciliar a afirmação acima com o seguinte verso:

"Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus." [Efésios 2:7].

Leia também sobre o mesmo assunto:

Os Perigos de Lectio Divina e da Oração Contemplativa

A Oração Contemplativa — Espíritos Enganadores e Doutrinas de Demônios

Notas Finais

1. Carl McColman, The Big Book of Christian Mysticism (Charlottesville, VA: Hampton Road Publishing Company, 2010), pág. 63.

2. Marilyn Ferguson, The Aquarian Conspiracy (Los Angeles, CA: J. P. Tarcher, 1980), pág. 368.

3. Willigis Jäger, Searching for the Meaning of Life (Liguori, MO: Triumph Books, 1995), pág. 31.

4. Richard Kirby, The Mission of Mysticism (Londres, GB, SPCK, 1979), pág. 7.

5. Philip St. Romain, Kundalini Energy and Christian Spirituality: A Pathway to Growth and Healing (Nova York, NY: Crossroad, 1995). Este excerto está no Prefácio, escrito por Thomas Keating; pág. 7.

6. Idem.

7. Henri Nouwen, Pray to Live (Fides Publishers, 1972), págs. 19-28.

8. Michael Torris (revista Yoga Journal; janeiro/fevereiro de 1999).

9. Thomas Ryan, Disciplines For Christian Living (Mahwah, NJ: Paulist Press, 1993). Este excerto é do Prefácio, escrito por Henri Nouwen; pág. 2.

10. Tilden Edwards, Spiritual Friend (Mahwah, NJ: Paulist Press, 1980), págs. 18-19.

11. Ronald S. Miller, Editor of New Age Journal, As Above So Below (Nova York, NY: Tarcher/Putnam, 1992), pág. 52.

12. Kenneth L. Woodward, "Talking to God" (revista Newsweek, 6 de janeiro de 1992), pág. 44.

13. Marcus Borg, The God We Never Knew (San Francisco, CA: HarperCollins, 1997), pág. 125.

14. William Johnston, The Mystical Way: Silent Music and the Wounded Stag (HarperCollins,1993), Prefácio, pág. 336.

15. Kathleen Healy, Entering the Cave of the Heart (Nova York, NY: Paulist Press, 1986), pág. 9.

16. Willigis Jäger, Contemplation: A Christian Path (Liguori, MO: Triumph Books, 1994), pág. 31.

17. Jan Johnson, When The Soul Listens: Finding Rest and Direction in Contemplative Prayer (Colorado Springs, CO: NavPress, 1999), pág. 93.

18. Henri Nouwen, Here and Now (Nova York, NY: Crossroad, 1994), pág. 22.

19. Willigis Jäger, Search for the Meaning of Life, op. cit., págs. 243, 245.

20. Richard Foster, Celebração da Disciplina (San Francisco, CA: HarperCollins, 1988), pág. 2.

21. Brian C. Taylor, Setting the Gospel Free (Nova York, NY: Continuum Publishing, 1996), pág. 77.

22. Thomas Merton, Conjectures of a Guilty Bystander (Garden City, NY: Doubleday Publishers, 1989), págs. 157-158.

23. Richard Kirby, The Mission of Mysticism, op. cit., pág. 6.

24. Richard Foster, Celebração da Disciplina (edição de 1978), pág. 13.

25. Richard Foster, Spiritual Classics (San Francisco, CA: HarperCollins, 2000), pág. 17.

26. Richard Rohr, "The Eternal Christ in the Cosmic Story" (National Catholic Reporter, 2009, http://www.thefreelibrary.com/The+eternal+Christ+in+the+cosmic+story.-a0214894722).

27. Kristen Hobby, "What Happens When Religion Isn’t Doing Its Job: an interview with Richard Rohr, OFM" (Presence: An International Journal of Spiritual Direction, Volume 20, No. 1, March 2014), págs. 6-11.

28. Ruth Haley Barton, "Beyond Words:Experience God’s presence in silence and solitude" (Discipleship Journal, Vol. 113 1999).

29. William Shannon, Silence on Fire (Nova York, NY: The Crossroad Publishing Company, 1995 edition), págs. 109-110.

30. Adele Ahlberg Calhoun, Spiritual Disciplines Handbook: Practices That Transform Us (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, Kindle Edition), Kindle Locations 2050-2051.

31. Idem, Kindle Locations 2071-2072.

32. Timothy Keller, InterVarsity Press: http://www.ivpress.com/cgi-ivpress/book.pl/review/code=7697.

33. Brennan Manning, The Signature of Jesus; (Multnomah Books, 1994), pág. 218.

34. William Shannon, Silence on Fire, op. cit., págs. 109-110.

35. Henri Nouwen, The Way of the Heart (San Francisco, CA: Harper, 1991), pág. 81.

36. Henri Nouwen, Here and Now, op. cit., pág. 22.

37. Brennan Manning, The Signature of Jesus, op. cit., pág. 211; citando William H. Shannon, Silence on Fire (edição de 1991), pág. 22.

38. David Steindl-Rast, "Recollection of Thomas Merton’s Last Days in the West" (Monastic Studies, 7:10, 1969).

39. James Forest, Thomas Merton: A Pictorial Biography (Nova York, NY: Paulist Press, 1980), pág. 81.



Autora: Ray Yungen, artigo em http://www.lighthousetrailsresearch.com
Data da publicação: 9/12/2016
Transferido para a área pública em 21/11/2018
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