Música Tóxica ou Verdadeira Adoração Cristã?

Autor: Jeremy James, 22 de junho de 2017.

Uma Chave Vital para a Adoração Cristã

O último verso do último Salmo contém uma chave vital para a adoração cristã:

"Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR." [Salmos 150:6].

Não é surpresa que a palavra hebraica para "fôlego" é a mesma para "Espírito".

O fôlego e o louvor caminham juntos. Quando os inimigos de Daniel procuraram uma ocasião para denunciá-lo diante de Dario, eles se reuniram do lado de fora de seu quarto para espiar as orações que ele fazia. O rei tinha ordenado que, durante um período de 30 dias, qualquer um que fizesse uma petição a qualquer homem ou qualquer deus, exceto ao próprio rei, seria lançado aos leões. Claramente, aqueles conspiradores malignos sabiam que Daniel orava em voz alta em seus aposentos três vezes ao dia e que suas petições ao Senhor Deus dos céus e da Terra eram audíveis a todos os que passavam por perto. Foi com base nisso que eles conspiraram para persuadir o rei a assinar aquele decreto absurdo.

Com que frequência devemos louvar ao Senhor? A Bíblia nos diz:

"Desde o nascimento do sol até ao ocaso, seja louvado o nome do SENHOR." [Salmos 113:3].

O salmista refere-se também à continuidade do louvor:

"Louvarei ao SENHOR em todo o tempo; o seu louvor estará continuamente na minha boca." [Salmos 34:1].

O autor de Hebreus compara essa adoração contínua a um sacrifício contínuo:

"Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome." [Hebreus 13:15].

Estes versos são muito importantes, pois apontam para algo que todo cristão nascido de novo deveria fazer continuamente. Eles também mostram como o louvor e as ações de graças estão intimamente conectados.

O Maligno quer que compreendamos incorretamente a natureza do louvor, como se Deus fosse deficiente em algum aspecto e necessitasse do nosso louvor. Os anjos caídos desejam ardentemente receber atenção e imaginam que Deus deva ser igual. Mas, ele não é! Ao contrário, o louvor é o meio glorioso pelo qual nos relacionamos com nosso Pai Celestial. Por meio do louvor, passamos a conhecer Deus mais e mais. Por meio do louvor somos abençoados com uma alegria que, de outra forma, não conheceríamos em nossa condição caída.

Fazemos isso com nossa voz, nosso fôlego! A oração mais poderosa é a verbal, não aquela feita simplesmente em pensamento silencioso em nossa mente. O louvor também é verbal. Como diz o salmista, o sacrifício de louvor é o fruto dos nossos lábios. Agradecemos a Deus diariamente do fundo dos nossos corações e mostramos a sinceridade em nossas palavras verbalizando-as. Mesmo que essa verbalização seja somente em sussurros, ela é muito mais agradável a Deus do que um pensamento no silêncio de nossa mente.

Os salmos são canções de louvor a Deus. O Senhor revela nos Salmos como devemos nos aproximar Dele. Independente se nos aproximamos em alegria ou em tristeza, em gratidão ou em sofrimento, em confusão ou em contentamento, os Salmos delineiam um caminho que é aceitável a Deus. Eles nos ensinam como orar e como louvar, como nos expressarmos espiritualmente diante do Deus Vivo, tirando toda a carga de nossos corações com amor, gratidão e respeito.

O fôlego é central para o louvor e a adoração! A mesma palavra hebraica designa fôlego e Espírito. É quase impossível pensar em algum dos profetas orando a Deus e não utilizando seus lábios em louvor e exaltação.

Os santos que estão ao redor do trono de Deus no céu expressam seu afetuoso relacionamento com o Criador por meio de canções, o sacrifício de seus lábios, em louvor contínuo. Eles também utilizam um instrumento musical, presumivelmente um meio de expressar alguma coisa adicional ou individual em suas ofertas. Reunidos em alegria e celebração, o som coletivo dessas vozes, com harpas ressoando em acordes harmoniosos, deve ser verdadeiramente extraordinário.

A Palavra de Deus revela isto, notavelmente no livro do Apocalipse, não apenas como uma atividade na sala do trono de Deus, mas como uma experiência que está além de qualquer coisa que nossas mentes pequenas podem compreender. Por meio de sua adoração, esses santos recebem algo indescritível de Deus, que dificilmente conseguimos imaginar em nossa condição humana caída.

Vamos agora examinar os instrumentos musicais que eram usados nos tempos bíblicos, tanto na adoração no templo, quanto na vida diária.

Os Primeiros Instrumentos Musicais

A Palavra de Deus nos diz que os primeiros instrumentos musicais foram inventados por Jubal, da linhagem de Caim:

"E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão." [Gênesis 4:21].

As palavras que foram traduzidas como "harpa" e "órgão" são kinnor (H3658) e uwgab (H5748), respectivamente. Elas correspondem com o que compreendemos hoje como lira e a flauta doce. A lira foi um instrumento musical que antecedeu a harpa, enquanto que a flauta (neste caso), era uma variedade de gaita, similar a um conjunto de pífanos ou de flautas doces.

Entretanto, deve ser observado que o terceiro a partir de Sete (e, portanto, anterior a Jubal), foi Maalalel, cujo nome significa "dando louvor a Deus". Isto nos diz que a linhagem piedosa de Sete estava adorando a Deus com suas vozes em canções, antes de a lira e a flauta terem sido inventadas.

Isto é muito importante, pois nos diz que a adoração a Deus por meio da voz humana sozinha, sem o apoio de instrumentos de qualquer tipo, é a adoração no sentido bíblico pleno. O nome de Maalalel é mencionado pela primeira vez em Gênesis 5:13, enquanto somos informados em Gênesis 4:26 que os homens "começaram a invocar o nome do SENHOR" quando Enos, o filho de Sete, nasceu. Enos foi o avô de Maalalel (o nome Enos significa "humanidade"). Portanto, os homens estavam dando louvor a Deus de uma maneira organizada, sem instrumentos, cerca de 250 anos após Deus ter criado Adão.

Existe um princípio da interpretação bíblica conhecida como "Lei da Primeira Menção". Isto requer que um peso especial seja dado à primeira vez que uma palavra ou conceito for usado nas Escrituras, pois o Espírito Santo não dirá nada dali para frente que esteja em conflito com a primeira menção. Se respeitarmos esse princípio básico da interpretação bíblica, reconheceremos que a adoração de Deus exclusivamente com a voz humana é adoração em todos os sentidos. Nada está ausente.

A genealogia em Gênesis confirma que Maalalel nasceu várias gerações antes de Jubal e que, portanto, a adoração verbal — que era plenamente aceitável a Deus — tinha sido estabelecida muito tempo antes de o primeiro instrumento musical ter sido inventado, possivelmente até mais de 200 anos (se estimarmos cerca de 70 anos para cada uma das três gerações que separaram Maalalel de Jubal):

Quando Jesus cantou um hino junto com os apóstolos no cenáculo (Mateus 26:30), foi a adoração deles deficiente em algum sentido? É claro que não! Esta é prova adicional, se prova fosse necessária, que a adoração cantada é plenamente aceitável e agradável a Deus. O uso de instrumentos musicais não é necessário.

Instrumentos Usados na Adoração no Templo

Somente um número pequeno de instrumentos musicais aparecia na adoração no templo. Isto é tornado bem claro a partir de diversas referências nos Salmos, em que dois instrumentos excedem todos os outros em importância — a harpa e o saltério (a harpa é algumas vezes referida como "um instrumento de dez cordas"):

"Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas." [Salmos 33:2].

"Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas." [Salmos 43:4].

"Desperta, glória minha; despertai, saltério e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva." [Salmos 57:8].

"Despertai, saltério e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva." [Salmos 108:2].

"Também eu te louvarei com o saltério, bem como à tua verdade, ó meu Deus; cantarei com harpa a ti, ó Santo de Israel." [Salmos 71:22].

"Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério; sobre a harpa com som solene." [Salmos 92:3].

"Cantai louvores ao SENHOR com a harpa; com a harpa e a voz do canto." [Salmos 98:5].

"A ti, ó Deus, cantarei um cântico novo; com o saltério e instrumento de dez cordas te cantarei louvores." [Salmos 144:9].

"Cantai ao SENHOR em ação de graças; cantai louvores ao nosso Deus sobre a harpa." [Salmos 147:7].

"Louvai-o com o som de trombeta; louvai-o com o saltério e a harpa." [Salmos 150:3].

Os instrumentos específicos a serem usados na adoração no templo foram prescritos por Davi. Eles eram constituídos pela harpa e o saltério, que aparecem de forma proeminente nos Salmos, junto com os címbalos e, onde apropriado, as trombetas de prata e a buzina de chifre de carneiro (shofar).

"E disse Davi aos chefes dos levitas que constituíssem, de seus irmãos, cantores, para que com instrumentos musicais, com alaúdes, harpas e címbalos, se fizessem ouvir, levantando a voz com alegria." [1 Crônicas 15:16].

"E todo o Israel fez subir a arca da aliança do SENHOR, com júbilo, e ao som de buzinas, e de trombetas, e de címbalos, fazendo ressoar alaúdes e harpas." [1 Crônicas 15:28].

"Era Asafe, o chefe, e Zacarias o segundo depois dele; Jeiel, e Semiramote, e Jeiel, e Matitias, e Eliabe, e Benaia, e Obede-Edom, e Jeiel, com alaúdes e com harpas; e Asafe se fazia ouvir com címbalos; também Benaia, e Jaaziel, os sacerdotes, continuamente tocavam trombetas, perante a arca da aliança de Deus." [1 Crônicas 16:5-6].

"E Davi, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério:" [1 Crônicas 25:1].

"Todos estes estavam sob a direção de seu pai, para a música da casa do SENHOR, com saltérios, címbalos e harpas, para o ministério da casa de Deus; e Asafe, Jedutum, e Hemã, estavam sob as ordens do rei." [1 Crônicas 25:6].

É óbvio que esses versos não estão simplesmente dando uma descrição geral da adoração no templo, mas fazendo um relato detalhado dos instrumentos que eram aceitáveis diante de Deus durante a adoração no templo. Esse conjunto fixo foi reafirmado cerca de trezentos anos depois no tempo do rei Ezequias:

"E pôs os levitas na casa do SENHOR com címbalos, com saltérios, e com harpas, conforme ao mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do SENHOR, por mão de seus profetas. Estavam, pois, os levitas em pé com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes com as trombetas." [2 Crônicas 29:25-26].

Novamente isto é muito claro, não é? De fato, eventos traumáticos subsequentes não mudaram isto. Quando o templo foi reconstruído mais de duzentos anos mais tarde por Esdras e Neemias, e a adoração no templo foi restaurada, exatamente o mesmo conjunto fixo de instrumentos foi prescrito:

"Quando, pois, os edificadores lançaram os alicerces do templo do SENHOR, então apresentaram-se os sacerdotes, já vestidos e com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, para louvarem ao SENHOR conforme à instituição de Davi, rei de Israel." [Esdras 3:10].

"E na dedicação dos muros de Jerusalém buscaram os levitas de todos os seus lugares, para trazê-los, a fim de fazerem a dedicação com alegria, com louvores e com canto, saltérios, címbalos e com harpas." [Neemias 12:27].

É importante observar que esse arranjo teria continuado até o tempo de Cristo, até à destruição do templo pelos romanos no ano 70. [Uma descrição dos instrumentos musicais usados nos templos bíblicos pode ser encontrada no Apêndice B.].

Deve ser observado que dois instrumentos musicais em uso comum naquele tempo — a flauta e o tamborim — não aparecem na adoração no templo. Como frequentemente é o caso na Palavra de Deus, não somos informados o motivo disso. Mas, o fato é que a Escritura especifica claramente os instrumentos musicais que foram aprovados por Deus para uso na adoração no templo.

Quero lembrar o leitor que o querubim protetor, Lúcifer, é descrito da seguinte forma em Ezequiel: "Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados." [Ezequiel 28:13]. É significativo que os dois instrumentos musicais que foram preparados em Lúcifer no dia em que ele foi criado — os tambores e os pífaros (um tipo de flauta) — estão excluídos da adoração no templo.

Adoração em Contexto

Surge muita confusão quando a "adoração" é estruturada de forma rígida demais e regras são feitas para uma situação que não pode racionalmente ser aplicada em outra. Com base nas várias situações descritas nos Salmos, podemos identificar quatro distintas ocasiões de adoração:

1. Adoração pessoal pelo indivíduo em seu próprio lar.

A adoração pode formar parte das nossas orações diárias pessoais a Deus. Tendemos a nos esquecer disso. É duvidoso se muitos fiéis cristãos cantam ao Senhor em suas orações, porém a Palavra de Deus claramente nos convida a fazer isso:

"De noite chamei à lembrança o meu cântico; meditei em meu coração, e o meu espírito esquadrinhou." [Salmos 77:6].

"Exultem os santos na glória; alegrem-se nas suas camas." [Salmos 149:5].

Os santos hoje teriam uma alegria muito maior em suas vidas, para não mencionar maior força espiritual, se cantassem louvores a Deus em suas próprias casas!

2. Adoração festiva entre outros fiéis cristãos.

O Senhor chamava Seu povo a Jerusalém três vezes por ano, para a Festa dos Pães Ázimos, a Festa de Pentecostes (Shavuot) e a Festa dos Tabernáculos. A primeira e terceira duravam sete dias cada. O único dia no ano em que eles eram solicitados a "afligir suas almas" era a festa anual do Dia da Expiação (Yom Kippur). Com esta única exceção, as festas de Israel eram ocasiões alegres e festivas. Elas eram um tempo de enlevo, quando a nação de Israel se reunia como os filhos escolhidos de Deus e celebravam seu relacionamento especial com o Senhor de toda a criação.

Grande parte dessa celebração ocorria do lado de fora dos recintos do templo e não estava sujeita às regras da adoração no templo. Contudo, ela seria uma forma suave e um tanto quanto improvisada de adoração, como as seguintes passagens revelam, e podiam incluir os tamborins e flautas, bem como danças.

"Os cantores iam adiante, os tocadores de instrumentos atrás; entre eles as donzelas tocando adufes." [Salmos 68:25].

"Tomai um salmo, e trazei junto o tamborim, a harpa suave e o saltério." [Salmos 81:2].

"Louvem o seu nome com danças; cantem-lhe o seu louvor com tamborim e harpa." [Salmos 149:3].

"Louvai-o com o tamborim e a dança, louvai-o com instrumentos de cordas e com órgãos." [Salmos 150:4] [isto é, um conjunto de pífaros conectados].

3. Adoração Local Formal, como em uma Sinagoga.

O serviço semanal do sábado observava as regras da adoração no templo, com poucos instrumentos e uma forte ênfase no canto congregacional:

"Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo." [Salmos 33:3].

"Cantai louvores a Deus, cantai louvores; cantai louvores ao nosso Rei, cantai louvores." [Salmos 47:6].

A palavra que foi traduzida como "júbilo" no verso 33:3 é mencionada três vezes nos Salmos com referência ao canto e o uso de instrumentos, cada vez com uma palavra hebraica diferente. Isto não significa simplesmente cantar ou tocar em volume alto, mas fazer isso de uma maneira alegre e com o coração sincero.

4. Adoração no Templo.

As regras da adoração no templo já foram discutidas. Os únicos instrumentos permitidos eram a harpa, o saltério, címbalos, a buzina (shofar) e as trombetas de prata. Não havia instrumentos do sopro (de bronze) nem percussão, nem flauta nem tamborins. Além disso, sabemos que todo o conjunto instrumental era relativamente pequeno, formado por apenas 27 músicos no tempo de Davi (veja 1 Crônicas 25:1-6, que cita os nomes de cada músico e seus respectivos papéis). Dada a multidão de adoradores que podia ocupar o templo durante um serviço, este era um número realmente pequeno. Isto mostra que todo ato de louvor e adoração estava centrado no canto levítico, suportado, quando necessário, por um conjunto instrumental. A congregação poderia também ter uma participação limitada, possivelmente responsiva — veja o Salmos 136.

Os Salmos Como um Padrão para a Verdadeira Adoração

A Bíblia dedica um livro inteiro a um estudo do canto sacro e da adoração instrumental. Os Salmos têm, sem dúvida, o objetivo de fornecer aos fiéis um padrão para a adoração que é tanto aceitável e agradável a Deus. Por esta razão selecionamos diversos versos dos Salmos, que expõem o caráter e conteúdo da música sacra — estes podem ser encontrados no Apêndice A.

Se examinarmos esses versos, encontraremos diversos princípios importantes que devem nos instruir a respeito de toda a verdadeira adoração cristã.

- A adoração traz uma bênção:

Como a alegria de adorar é mencionada tão frequentemente nos Salmos, deve ser abundantemente claro para todos os fiéis que a adoração e o louvor trazem uma bênção sobre o fiel. Dois versos apontam diretamente para esta verdade:

"Louvai ao SENHOR, porque o SENHOR é bom; cantai louvores ao seu nome, porque é agradável." [Salmos 135:3].

"Louvai ao SENHOR, porque é bom cantar louvores ao nosso Deus, porque é agradável; decoroso é o louvor." [Salmos 147:1].

O louvor a Deus é bom, adequado e agradável. Ele traz bênçãos ao fiel e faz algo muito especial para nosso benefício. Em resumo, a verdadeira adoração — adoração da forma como Deus quer — é imensamente benéfica.

- Os cânticos de louvor estão ancorados na Palavra de Deus:

O salmista vincula o louvor diretamente com a Palavra de Deus:

"Em Deus louvarei a sua palavra, em Deus pus a minha confiança; não temerei o que me possa fazer a carne." [Salmos 56:4].

"Em Deus louvarei a sua palavra; no SENHOR louvarei a sua palavra." [Salmos 56:10].

Somos também informados que o louvor e a adoração, quando enraizados na Palavra de Deus, são mais doces do que o mel e mais desejáveis do que o ouro:

"Folgo com a tua palavra, como aquele que acha um grande despojo." [Salmos 119:162].

"Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca." [Salmos 119:103].

"Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos." [Salmos 19:10].

- A adoração está sujeita a regras:

O Maligno há muito tempo tenta convencer o homem que a adoração deve ser livre de regras e restrições. Os ímpios torcem o nariz diante da verdadeira adoração cristã. Francamente, eles sentem forte aversão a ela. Eles sabem que ela dá força ao fiel cristão e isto os deixa amargamente ofendidos. Portanto, eles inventam continuamente novas formas de fazer as coisas, esperando que os fiéis sejam enganados e, desse modo, se desviem do caminho.

Aqui estão alguns princípios básicos ("regras") da verdadeira adoração cristã, todos os quais podem ser encontradas nos Salmos:

1. A adoração sempre incorpora uma expressão de ações de graças.

Mesmo quando estamos verdadeiramente atribulados ou tomados pela dor ou tristeza, sempre nos aproximamos de Deus com um coração agradecido:

"Cantai ao SENHOR em ação de graças; cantai louvores ao nosso Deus sobre a harpa." [Salmos 147:7].

"Louvarei o nome de Deus com um cântico, e engrandecê-lo-ei com ação de graças." [Salmos 69:30].

2. A adoração requer o melhor de nós.

Todos podem cantar diante de Deus! Isto posto, todo pastor tem a tarefa de elevar o padrão o máximo que puder. A adoração sempre precisa estar imbuída com o mais profundo respeito:

"Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo." [Salmos 33:3].

3. A adoração precisa ser conduzida com inteligência.

O salmista nos diz que precisamos louvar a Deus com inteligência:

"Pois Deus é o Rei de toda a terra, cantai louvores com inteligência." [Salmos 47:7].

É impossível louvar a Deus em um idioma que não compreendemos, ou usando frases repetitivas que não transmitem um sentido claro. Se a adoração estiver enraizada na Palavra de Deus, como deve ser, então precisamos ter a mesma clareza e racionalidade que encontramos na Palavra de Deus. Este é um dos princípios mais violados na adoração moderna. Como o apóstolo Paulo disse aos coríntios em termos bem claros, todas as coisas precisam ser feitas de forma sóbria e ordeira: "Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor... Mas faça-se tudo decentemente e com ordem." [1 Coríntios 14:37,40].

4. A adoração precisa ser sincera e de coração.

O Maligno enganou e levou muitos que estão na igreja hoje a acreditarem que a sinceridade do coração precisa ser demonstrada por entusiasmo ou que o verdadeiro sentimento precisa transbordar em emoção visível. Os movimentos Carismático e Pentecostal estão escravizados a essa mentalidade. A Palavra de Deus requer que sejamos completamente sinceros e envolvidos no ato de adoração, como uma criança cantando — de forma amorosa e respeitosa — ao seu pai. Quando ritmos semelhantes a um transe e emoções que satisfazem a própria pessoa tomam o controle, tanto o amor quanto o respeito estão ausentes.

O salmista nos diz para adorar em voz alta, com toda nossa força, com alegria e com todo nosso coração, ao mesmo tempo que temperamos tudo o que fazemos com respeitosa solenidade:

"Exultai a Deus, nossa fortaleza; jubilai ao Deus de Jacó." [Salmos 81:1].

"Vinde, cantemos ao SENHOR; jubilemos à rocha da nossa salvação." [Salmos 95:1].

"Eu te louvarei, de todo o meu coração; na presença dos deuses a ti cantarei louvores." [Salmos 138:1].

"Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério; sobre a harpa com som solene." [Salmos 92:3].

O Que Torna a Adoração Possível?

Existem muitos sérios mal-entendidos a respeito da música cristã na igreja hoje. Alguns deles podem ser rastreados a um mal-entendido a respeito da adoração. Como poucos separam tempo para estudar a Palavra de Deus da forma como deveriam, ou acreditam no que ela diz em todas as questões relacionadas com música e adoração, grandes números de fiés cristãos sinceros estão sendo levados para o caminho errado. Eles erroneamente acreditam que as canções que cantam e a música que estão criando são ofertas aceitáveis a Deus. O quão chocados ficarão ao lerem o seguinte:

"Na adoração bíblica, somente uma oferta conta — aquela que foi feita uma vez por todas pelo eterno Filho de Deus na cruz do Calvário. Nada deve ser imaginado como uma oferta aceitável, ou que tenha algum mérito na adoração, longe do Calvário. Nossos pensamentos e palavras não são uma 'oferta', mas expressões de louvor, ações de graças, arrependimento, súplica, dedicação e obediência, todos tornados aceitáveis por causa do Calvário." — [Peter Masters, Worship in the Melting Pot, pág. 19].

Muitos abanarão suas mãos e insistirão que já sabiam disso! Mas sabiam mesmo? Infelizmente, o estado da música cristã contemporânea mostra que a vasta maioria dos cristãos professos hoje há muito tempo se esqueceu que a ÚNICA oferta aceitável diante de Deus é a oferta feita por Cristo no Calvário. Tudo o que estamos fazendo na adoração — e tudo o que possivelmente podemos fazer — é nos alegrarmos diante do Senhor por tudo o que Cristo alcançou por nós.

Infelizmente, é muito difícil encontrar hoje uma igreja onde isto seja compreendido. E, se não é compreendido, então não está sendo colocado em prática. A doce comunhão espiritual obtida por meio do louvor e adoração sem preocupação consigo mesmo é, em grande parte, desconhecida na maioria das congregações hoje. Muitos estão contentes, ao revés, com a elevação emocional que vem de cantar canções tranquilizadoras e bem conhecidas em encontros e reuniões; a maioria dessas canções ignora a Palavra de Deus e trata, em geral, de questões pessoais e aspirações mundanas.

O Maligno enganou milhões de cristãos professos a aceitarem uma forma falsificada de adoração. Ao fazer isso, ele investiu seu simulacro com elementos contemporâneos que apelam aos nossos sentidos e evocam as emoções e doces sentimentos que nos fazem sentir amados e aceitos. Pode estar certo, caro leitor — ele sabe o que está fazendo! Toda a indústria da música existe, pelo menos em parte, para condicionar e programar nossas mentes para receberem e sentirem prazer nos sons, ritmos e sequências de acordes que são, em grande parte, incompatíveis com a verdadeira adoração cristã.

Aspectos Essenciais da Adoração Bíblica

Antes de olharmos mais de perto ao que está acontecendo na igreja hoje, analisaremos rapidamente os elementos essenciais na adoração bíblica que identificamos até aqui:

  1. Adoramos diante de Deus, alegrando-nos em tudo aquilo que Cristo alcançou para nós. A oferta feita por Cristo no Calvário é a única oferta aceitável a Deus.
  2. A adoração é conduzida por meio da voz humana, aumentada, quando for apropriado, por um pequeno conjunto de instrumentos.
  3. A adoração consiste de palavras, faladas ou cantadas.
  4. A adoração está enraizada na Palavra de Deus e possui a mesma clareza e racionalidade que encontramos na Palavra de Deus.
  5. A adoração é de coração sincero, solene, respeitosa e cheia de alegria, preenchida o tempo todo com gratidão pelas obras maravilhosas de Deus.

Não há nada de controverso em cada um desses pontos. Todos podem ser deduzidos sem dificuldades a partir das passagens bíblicas já citadas. Todavia, a maioria das igrejas hoje desconsidera ou viola pelo menos um desses pontos.

Os Instrumentos Musicais Modernos

A questão que surge naturalmente é a seguinte: De que forma os instrumentos musicais modernos se aproximam daqueles que eram usados nos tempos bíblicos? Eles atendem ao padrão definido por Deus?

A resposta usual hoje é mais ou menos a seguinte: Como os instrumentos musicais são neutros, podemos usar qualquer um que quisermos, desde que eles sejam tocados de acordo com o padrão requerido de excelência. As "regras" do Antigo Testamento eram parte da Lei Mosaica e não são aplicáveis hoje. Muitos estilos de música são aceitáveis para Deus. O que importa é a condição do nosso coração e a sinceridade e fervor da nossa adoração.

Muitos "diretores musicais" concordariam com esses pontos, porém eles estão errados em todos os quatro. Vamos ver o porquê:

1. Os instrumentos musicais diferem em seus efeitos fisiológicos. Isto já foi demonstrado repetidamente em laboratório. Certos sons elevam nossa pressão arterial, enquanto que outros a reduzem. Alguns levam ao sono, enquanto que outros atuam como estimulantes. Alguns são tranquilizadores e outros são irritantes. Poderia alguma coisa ser mais óbvia? Todavia, o mito que os instrumentos são neutros ainda persiste.

2. As regras musicais do Velho Testamento não são encontradas nos livros da Lei. Elas não são similares às leis alimentares que se aplicavam somente aos fiéis do Velho Testamento. Elas permanecem tão relevantes para nós hoje como no tempo em que a Palavra de Deus as transmitiu para a humanidade.

3. Um estilo musical é um conjunto de padrões acústicos e técnicas que juntos definem um gênero. Embora não possamos dizer que "estilo" de música era tocado durante a adoração nos tempos bíblicos, podemos dizer que ele precisava estar em conformidade com o livro dos Salmos. Isto mostra que somente um "estilo" sempre foi utilizado.

4. O coração sozinho não pode nos guiar para decidirmos o que deve ser agradável a Deus. A Bíblia nos diz que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" [Jeremias 17:9]. O coração humano geralmente busca somente agradar a si mesmo. Provérbios 18:2 poderia servir bem como uma definição da música cristã contemporânea: "O tolo não tem prazer na sabedoria, mas só em que se manifeste aquilo que agrada o seu coração."

Precisamos nos aproximar de Deus da forma como Ele definiu, não da nossa própria forma. Ele definiu padrões e diretrizes para a adoração — independente de onde eles possam ser encontrados em Sua Palavra — nosso dever é examiná-los, estudá-los cuidadosamente e aplicá-los.

A Palavra de Deus nos diz claramente que quando instrumentos musicais são usados na adoração, eles devem ser constituídos somente pelos seguintes: harpa, saltério, címbalos e trombetas. A flauta e o tambor não eram usados na adoração do templo — de modo que não devem ser usados hoje no nosso serviço na igreja.

Sabemos também, a partir de referências na Bíblia aos címbalos e trombetas — sejam a buzina de chifre de carneiro ou a trombeta de prata — que eles eram usados somente em determinadas circunstâncias (notavelmente as trombetas de prata) e serviam principalmente como um modo de controlar o tempo (os címbalos).

A harpa e o saltério eram instrumentos de corda com uma cavidade ressoante. As cordas da harpa eram puxadas, enquanto que o saltério era provavelmente dedilhado. A Palavra de Deus menciona um "instrumento de dez cordas" que, como observamos anteriormente, parece ser uma lira.

Considerando seu alcance tonal, os instrumentos modernos que parecem atender a essa definição genérica são: harpa, violino, viola, violoncelo, violão acústico, o dulcimer e o piano.

Ao listar esses instrumentos não estamos tentando ser prescritivos. Desejamos simplesmente mostrar como os princípios bíblicos podem e devem ser aplicados no nosso mundo moderno.

A maioria das igrejas hoje usa o piano e o violão padrão na adoração. Isto parece ser plenamente consistente com aquilo que o Senhor nos pede para fazer. Outras igrejas incluem algum tipo de bateria — o que não é bíblico. Entretanto, muitas igrejas estão agora usando um instrumento que viola praticamente todo princípio de adoração bíblica — a guitarra elétrica.

Para compreender por que a guitarra elétrica é tão prejudicial na adoração cristã, precisamos voltar e identificar o elemento que é comum em todos os instrumentos bíblicos. Este elemento comum é tão óbvio que talvez sequer o observemos — no caso de todo instrumento musical aprovado por Deus, a música, ou som, origina-se no ar. Isto pode parecer uma característica que não vale a pena observar, pois os israelitas não tinham meios de gerar som sem ser pelo contato direto com o ar — seja soprando, tangendo, chacoalhando ou batendo. Entretanto, seu significado é imediatamente óbvio em uma época em que outra possibilidade existe.

Fôlego

Para apreciar plenamente por que isto é importante, precisamos ver a potência espiritual excepcional do "fôlego" na Palavra de Deus:

"E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente." [Gênesis 2:7].

"O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida." [Jó 33:4].

A Palavra de Deus conecta o fôlego com a própria vida. O homem têm fôlego por que Deus soprou a vida para dentro dele!

Quando adoramos a Deus, estamos nos envolvendo na mais exaltada de todas as atividades humanas. Além disso, fazemos isso por meio do nosso fôlego!

A própria Palavra de Deus foi proferida pelo fôlego de Deus. É por este motivo que ela é tão central na adoração cristã. Os anjos também foram criados pelo fôlego de Deus:

"Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca." [Salmos 33:6].

A Palavra de Deus nos lembra que nosso próximo fôlego de vida está nas mãos de Deus, que continuamos a viver e respirar por causa de Sua graciosa vontade e infinita misericórdia.

"Na sua mão está a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda a carne humana." [Jó 12:10].

Também não devemos nos esquecer que, na plenitude dos tempos, o Senhor "com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio" [Isaías 11:4].

Todos os instrumentos musicais da adoração cristã criam som por meio do impacto que produzem no ar ao redor. Até mesmo nossa voz! Nosso fôlego e nossa adoração estão intimamente conectados.

A Guitarra Elétrica

A guitarra elétrica foi inventada nos anos 1940s e adquiriu sua forma moderna nos anos 1950s. Ela é constituída por um instrumento de cordas que usa um dispositivo eletromagnético para converter as vibrações metálicas em som. Esse dispositivo é conhecido como captador magnético. De acordo com um princípio conhecido como indução eletromagnética, as cordas de aço vibrantes induzem uma tênue corrente elétrica no captador. Qualquer movimento pequeno na corda gera um correspondente pulso elétrico que pode ser convertido em som por meio de um alto-falante. Como o sinal elétrico é geralmente fraco demais para alimentar o alto-falante, um dispositivo amplificador é usado para aumentar a força dos pulsos elétricos.

Podemos ver então que uma guitarra elétrica tem duas fontes geradoras de som: o captador, que transforma as vibrações metálicas em uma sequência variável de pulsos elétricos, e um amplificador, que pode ser projetado para modificar os pulsos elétricos em uma forma específica, desse modo alterando o som produzido pelos alto-falantes.

O guitarrista não produz som algum. Ao contrário, ele produz vibrações em um conjunto de cordas de aço. O ar em torno do instrumento e a estrutura do instrumento também não têm efeito material algum sobre as vibrações. Uma guitarra elétrica ainda produziria grande parte do mesmo som se fosse tocada no vácuo. Igualmente, suas cordas produziriam muita da mesma vibração mesmo se estivessem fixadas em um bloco de concreto.

O som propriamente é produzido pelo alto-falante. Esse "som" é o som original. Ele não é uma versão amplificada de um som antecedente. O nome "amplificador" é frequentemente malcompreendido, pois muitos erradamente assumem que ele amplifica um som pré-existente, mas não. Ele somente amplifica um sinal elétrico. A "voz" de uma guitarra elétrica não está na própria guitarra, mas no alto-falante.

O termo "guitarra elétrica" é errôneo. Ela não é uma forma modificada ou "elétrica" do violão acústico, ou qualquer coisa desse tipo, mas um conjunto de cordas de aço ligadas a três componentes eletromagnéticos separados: o captador (muitas guitarras elétricas têm até quatro captadores), o amplificador e o alto-falante.

A assim chamada guitarra elétrica não é um instrumento musical, mas uma forma primitiva de sintetizador de som que consiste de quatro componentes. Os acadêmicos da Universidade de Massachusetts declararam o seguinte em um artigo publicado em 2013 pela Sociedade Acústica da América:

"A guitarra elétrica é um sistema acústico eletromecânico complexo, inventado menos de cem anos atrás. Enquanto os instrumentos mais tradicionais como as vozes, violinos, trompetes, tímpano, piano e violino possam possuir características inatas que a maioria dos ouvintes facilmente consegue identificar, a guitarra elétrica é um sintetizador de som capaz de produzir uma vasta variedade de sons.

A guitarra, o amplificador e as técnicas de gravação usadas permitem que o executante e o engenheiro de som definam e refinem os elementos de timbre, quase sem limitações. A guitarra elétrica não tem um única qualidade de timbre de referência, mas, ao contrário, convida, e até inspira os executantes e técnicos de gravação a criarem novos sons e explorarem timbres alternativos, da forma como desejarem." [Electric Guitar — A Blank Canvas for Timbre and Tone, Case, Roginska, Mathew and Anderson.]

De fato, o grande apelo da guitarra elétrica está no fato que ela não é um instrumento musical, mas um meio portátil e de baixo custo de gerar uma variedade extremamente ampla de sons sintéticos, a maioria dos quais não pode ser produzida por qualquer outro meio e que não tem equivalente natural ou instrumental.

A guitarra elétrica — ou sintetizador portátil de cordas de aço — é um dispositivo revolucionário, pois libera o executante das limitações acústicas dos instrumentos naturais. Uma grande proporção dos sons que ela produz é completamente estranha ao mundo que conhecemos ao nosso redor. Seus efeitos sônicos são novos e imprevisíveis, capazes de afetar profundamente nossas emoções, mudar nosso humor e interferir em nosso estado fisiológico normal.

Os guitarristas da música Rock procuram desenvolver um som personalizado usando captadores e outros dispositivos com características eletrônicas distintas, bem como um amplificador personalizado que "distorce" ou acrescenta "coloração" ao sinal de entrada. Algumas vezes é impossível para um guitarrista reproduzir o trabalho de outro, a não ser que ele saiba quais dispositivos e configurações forem usados no original. Mesmo assim, talvez não seja possível, se o amplificador original tinha um defeito incomum que produzia uma coloração distinta no som.

A partir de tudo isto, podemos ver que a guitarra elétrica não tem nada em comum com os instrumentos musicais aprovados na Palavra de Deus. Ela não tem um timbre fixo e também não tem uma paleta tonal fixa. Ela não emite um som reproduzível que seja prontamente identificável. Ela é capaz de produzir um intervalo quase ilimitado de sons, a maioria dos quais é discordante e estranho à experiência humana. Ela nem mesmo é um único instrumento, mas quatro componentes não-relacionados, somente um dos quais é "tocado" pelo executante. Além disso, por último de tudo, ela não tem "fôlego" — todos os seus sons são sintéticos.

A Máquina de Som de Satanás

Não é nem um pouco surpreendente que um dispositvo tão estranho assim cause uma revolução na música. O gênero Rock and Roll nunca teria iniciado sem a guitarra. A música Rock moderna é substancialmente um produto da guitarra elétrica. Uma indústria que se alegra em sua atitude rebelde e iconoclasta é alimentada por sons que somente um sintetizador portátil pode produzir. É impossível imaginar um concerto de música Rock sem uma guitarra elétrica.

Os cristãos precisam considerar estes fatos simples com muito cuidado. "O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância." [João 10:10]. Se a expressão de rebelião mais popular no mundo hoje — o ubíquo concerto de Rock — depende desse dispositivo não-natural, então que lugar ele poderia ter na igreja de Deus?

Esse dispositivo pertence por direito à igreja de Satanás. Os concertos de música Rock celebram tudo aquilo que os poderes das trevas querem promover entre os jovens. O som estranho produzido nesses eventos entra nas mentes e corações e os mudam espiritualmente. Satanás compreende a química do som! Ele é capaz de usar isto como um instrumento acústico para cortar as delicadas fibras morais que restringem nossa natureza caída.

É surpreendente que tantos pastores cristãos não tenham compreensão alguma dos danos espirituais causados pela música Rock. Em sua ignorância eles até permitem que o principal instrumento da obra destrutiva dessa música entre na igreja e — incrivelmente — seja usado na adoração!

Os luciferianos estão animados com a inexplicável ignorância desses pastores. Uma ferramenta que esses agentes de Satanás usaram poderosamente nos últimos 60 anos para solapar a sociedade e subverter nossos filhos está agora sendo amplamente usada na adoração cristã! Eles são ajudados nessa ímpia empreitada, não apenas pela ignorância dos pastores sem discernimento, mas pela generalizada aceitação da música Rock dentro da sociedade em geral.

Aqui está como um luciferiano exultou na influência que os poderes das trevas podem exercer por meio da guitarra elétrica:

"Há um significado coletivo, mágico e espiritual associado com a Guitarra Elétrica. Para o Guitarrista Espiritual, ela é o misterioso Instrumento de Lúcifer, o Martelo de Thor, o Raio de Zeus, o Caduceu de Hermes, a Espada do Guerreiro, a Pedra do Filósofo e a Vara do Mago. Ela se tornou uma grande Arma de Som na Música e um símbolo dinâmico para o Espírito da Liberdade e Independência desde aproximadamente meados do século 20, e continuará a ser no futuro! — [David Cherubim, The Spiritual Guitar Guide, 2003].

Marque bem estas palavras! Os luciferianos sabem exatamente o estrago que podem causar por meio da música, desde que tenham em mãos um instrumento que pode produzir os sons sintéticos necessários. Os cristãos incautos e ingênuos não têm compreensão disto! Eles ignoram a Palavra de Deus e tolamente imitam os modos do mundo.

Os satanistas sabem que, quando usada de certa forma, a música pode ser usada para conjurar demônios. Os guitarristas da música Rock fazem isto o tempo todo. Da mesma forma, a música do tipo certo fará os demônios se afastarem. A Bíblia se refere a isto no primeiro livro de Samuel; o jovem Davi tocava a harpa e fazia o espírito mau se afastar do rei Saul:

"E sucedia que, quando o espírito mau da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia alívio, e se achava melhor, e o espírito mau se retirava dele." [1 Samuel 16:23].

Nossas igrejas hoje estão sendo infiltradas por indivíduos aparentemente retos que servem aos poderes das trevas. Nada lhes dá maior prazer do que confundir e enganar o povo de Deus. Eles promovem as traduções deficientes da Bíblia, a música cristã contemporânea, as modas e modismos de todos os tipos, conferencistas famosos, práticas de Nova Era, ecumenismo, diálogo interfé, ambivalência moral, adoração experimental, meditação, Yôga, e muitas outras coisas mais. Um dos principais objetivos deles é solapar e destruir a verdadeira adoração cristã. Eles conhecem a força e alegria que os cristãos obtêm com a adoração com base bíblica, de modo que a detestam. Eles comemoram o dia em que uma igreja começa a usar uma guitarra elétrica.

Os Teclados Eletrônicos

Precisamos chamar sua atenção para outra implicação para a igreja moderna das regras e diretrizes definidas de forma clara na Palavra de Deus. Há muitos anos que as igrejas estão substituindo o piano pelo teclado eletrônico. Isto é errado! O piano tem um som natural, enquanto que o teclado eletrônico não tem. Como a guitarra elétrica, o teclado eletrônico é um sintetizador de som, não um instrumento musical. Entretanto, ele não é tão danoso quando a guitarra elétrica, pois seu intervalo tonal é fixo. Apesar disso, ele está em conflito com a Palavra de Deus e não deveria ser usado.

Isto tudo é provavelmente mais do que muitos cristãos professos podem suportar ouvir. "Ei, este sujeito quer que nos livremos do nosso teclado eletrônico!" Não, este sujeito quer que você obedeça à Palavra de Deus, que torna muito claro que a música sintética não é aceitável na adoração. Como este é o caso, o teclado eletrônico na igreja deveria ser substituído por um piano.

Conclusão

Quantos pastores aceitarão este conselho? Quantos deixarão de lado suas opiniões mantidas há muitos anos, voltarão atrás e conferirão exatamente o que Deus nos pediu para fazer? Quantos admitirão que estavam enganados e humildemente pedirão que o SENHOR os coloque no caminho certo? Suspeito que não serão muitos. Em minha experiência, o domínio mortal exercido pela música Rock em tantas pessoas hoje não é rompido com facilidade. O espírito do Rock, o espírito da guitarra elétrica, é o espírito da rebelião.

Já tratamos aspectos dessa rebelião e seu impacto na música e adoração na igreja — veja nossos ensaios anteriores: "Como a Música Cristã Contemporânea Solapa e Destrói a Verdadeira Adoração Cristã" e "A Música Cristã Contemporânea, Hillsong e o Ataque à Verdadeira Adoração Cristã".

Infelizmente, muitas igrejas estão hoje em rebelião contra Deus. A Palavra de Deus está sendo colocada em segundo plano. O padrão de orientação na maioria das questões é a ortodoxia prevalecente. Frequentemente, a diferença é difícil de ver, mas está lá. Poucos pastores têm coragem de adotar uma posição sobre alguma coisa!

Isto está muito mais próximo da feitiçaria e das trevas do que a maioria parece perceber. Os padrões e expectativas do homem são fluídos e flexíveis, porém os de Deus não são. Ele nos disse o que quer quer façamos e é necessário que nos alegremos e façamos aquilo!

A triste realidade é que a obediência sem vacilar à Palavra de Deus é quase desconhecida na maioria das igrejas hoje. Muitos líderes estão procurando formas de interpretar a Palavra de Deus, em busca de alguma vantagem. Lembre-se da contundente repreensão de Samuel ao rei Saul, quando este tentou fazer isso:

"Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei." [1 Samuel 15:22-23].

Saul foi incumbido de destruir todos os amalequitas, incluindo o rei deles, Agague. Mas, ele deixou de fazer isso. Como Samuel reagiu? Ele pegou uma arma e despedaçou a Agague.

O profeta Amós falou explicitamente sobre a falsa adoração que tinha entrado em Israel em seus dias. Os líderes rebeldes tinham deixado de usar os instrumentos musicais aprovados por Deus — conhecidos como os instrumentos de Davi — e tinham inventado instrumentos para si mesmos:

"Que cantam ao som da viola, e inventam para si instrumentos musicais, assim como Davi." [Amós 6:5].

A igreja hoje deveria refletir profundamente sobre essas palavras de Samuel e Amós!



Apêndice A

Versos dos Salmos Relacionados com Instrumentos Musicais e Cânticos

"Cantai louvores ao SENHOR, que habita em Sião; anunciai entre os povos os seus feitos." [9:11].

"O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; assim o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei." [28:7].

"Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas. Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo." [33:2,3].

"E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR." [40:3].

"Contudo o SENHOR mandará a sua misericórdia de dia, e de noite a sua canção estará comigo, uma oração ao Deus da minha vida." [42:8].

"Então irei ao altar de Deus, a Deus, que é a minha grande alegria, e com harpa te louvarei, ó Deus, Deus meu." [43:4].

"Cantai louvores a Deus, cantai louvores; cantai louvores ao nosso Rei, cantai louvores. Pois Deus é o Rei de toda a terra, cantai louvores com inteligência." [47:6-7].

"Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa." [49:4].

"Desperta, glória minha; despertai, saltério e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva." [57:8].

"Cantai a glória do seu nome; dai glória ao seu louvor." [66:2].

"Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos com equidade, e governarás as nações sobre a terra." [67:4].

"Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome; louvai aquele que vai montado sobre os céus, pois o seu nome é SENHOR, e exultai diante dele." [68:4].

"Os cantores iam adiante, os tocadores de instrumentos atrás; entre eles as donzelas tocando adufes." [68:25].

"Aqueles que se assentam à porta falam contra mim; e fui o cântico dos bebedores de bebida forte." [69:12].

"Louvarei o nome de Deus com um cântico, e engrandecê-lo-ei com ação de graças." [69:30].

"Também eu te louvarei com o saltério, bem como à tua verdade, ó meu Deus; cantarei com harpa a ti, ó Santo de Israel. Os meus lábios exultarão quando eu te cantar, assim como a minha alma, que tu remiste." [71:22-23].

"De noite chamei à lembrança o meu cântico; meditei em meu coração, e o meu espírito esquadrinhou." [77:6].

"Exultai a Deus, nossa fortaleza; jubilai ao Deus de Jacó. Tomai um salmo, e trazei junto o tamborim, a harpa suave e o saltério. Tocai a trombeta na lua nova, no tempo apontado da nossa solenidade." [81:1-3].

"Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério; sobre a harpa com som solene." [92:3].

"Vinde, cantemos ao SENHOR; jubilemos à rocha da nossa salvação." [95:1].

"Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR toda a terra." [96:1].

"Cantai ao SENHOR um cântico novo, porque fez maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a salvação... Exultai no SENHOR toda a terra; exclamai e alegrai-vos de prazer, e cantai louvores. Cantai louvores ao SENHOR com a harpa; com a harpa e a voz do canto. Com trombetas e som de cornetas, exultai perante a face do SENHOR, do Rei." [98:1,4-6].

"Cantai-lhe, cantai-lhe salmos; falai de todas as suas maravilhas." [105:2].

"Preparado está o meu coração, ó Deus; cantarei e darei louvores até com a minha glória. Despertai, saltério e harpa; eu mesmo despertarei ao romper da alva." [108:1-2].

"O SENHOR é a minha força e o meu cântico; e se fez a minha salvação." [118:14].

"Louvai ao SENHOR, porque o SENHOR é bom; cantai louvores ao seu nome, porque é agradável." [135:3].

"Junto aos rios da Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião. Sobre os salgueiros que há no meio dela, penduramos as nossas harpas. Pois lá aqueles que nos levaram cativos nos pediam uma canção; e os que nos destruíram, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos uma das canções de Sião. Como cantaremos a canção do SENHOR em terra estranha?" [137:1-4].

"Eu te louvarei, de todo o meu coração; na presença dos deuses a ti cantarei louvores." [138:1].

"A ti, ó Deus, cantarei um cântico novo; com o saltério e instrumento de dez cordas te cantarei louvores." [144:9].

"Louvai ao SENHOR, porque é bom cantar louvores ao nosso Deus, porque é agradável; decoroso é o louvor... Cantai ao SENHOR em ação de graças; cantai louvores ao nosso Deus sobre a harpa." [147:1,7].

"Louvai ao SENHOR. Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o seu louvor na congregação dos santos. Alegre-se Israel naquele que o fez, regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei. Louvem o seu nome com danças; cantem-lhe o seu louvor com tamborim e harpa. Porque o SENHOR se agrada do seu povo; ornará os mansos com a salvação. Exultem os santos na glória; alegrem-se nas suas camas." [149:1-5].

"Louvai ao SENHOR. Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder. Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza. Louvai-o com o som de trombeta; louvai-o com o saltério e a harpa. Louvai-o com o tamborim e a dança, louvai-o com instrumentos de cordas e com órgãos. Louvai-o com os címbalos sonoros; louvai-o com címbalos altissonantes. Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR." [150:1-6].



Apêndice B

Instrumentos Musicais nos Tempos Bíblicos

Kinnor ("harpa") [H3658]:

Uma lira simples feita de madeira e com várias cordas. As cordas eram puxadas, não dedilhadas. O instrumento era aparentemente pequeno o suficiente para ser segurado por uma mão e tocado com a outra.

Ugab ("orgão") [H5748]:

Uma flauta ou flautim. O bocal aparentemente não incluia uma palheta. A raiz "uu" pode ser onomatopéica, sugerindo um som de um instumento de sopro de madeira simples.

Nebel ("saltério") [H5035]:

O nebel e o kinnor são tão similares em muitas passagens das Escrituras que é difícil fazer uma distinção entre eles. Eles podem designar dois tipos de lira, diferenciadas pelo número total de cordas utilizadas ou, possivelmente, pelo tom das cordas, que eram feitas de tripa do carneiro. A madeira usada em sua construção, em ambos os casos, parece ter sido madeira trabalhada e de alta qualidade. O nebel provavelmente tinha um número maior de cordas do que um kinnor e poderia, em alguns casos, ser grande demais para carregar ou segurar com uma única mão. Com cordas mais grossas e, possivelmente, com uma caixa ressoante, ele seria parecido com a harpa moderna. Tendo um som mais alto do que um kinnor, com mais notas graves, o nebel era, muito provavelmente, o principal instrumento de cordas usado na adoração no templo.

Toph ("tamborim") [H8596]:

Como muitos instrumentos musicais mencionados na Bíblia, o toph não é fácil de identificar com clareza. A palavra foi traduzida como tamborim — sendo em essência circular, segurado por uma mão, como pequenos discos metálicos encaixados, ou então com pequenos sinos de bronze. Isto produzia um som discordante quando o instrumento era chacoalhado. Ele nunca é mencionado em conexão com a música no templo. Nos casos nas Escrituras em que é empregado como um instrumento solo, sem qualquer outro acompanhamento instrumental, ele é tocado somente por mulheres, notavelmente por Míriã e sua trupe de mulheres após a travessia do Mar Vermelho, e pela filha de Jefté quando ela saiu de casa para dar as boas-vindas ao seu pai.

O toph também pode ter sido um tipo de instrumento de percussão, pois a raiz ("tp") pode ser onomatopéica (imitando um som real, isto é, o som de um tambor). Entretanto, se esse fosse o caso, ele provavelmente teria somente uma membrana, ou tímpano, como um tamborim irlandês (chamado de bodhrán). É muito improvável que as mulheres que eram responsáveis por ajuntar os pertences e utensílios necessários para a jornada pelo deserto durante o tempo do Êxodo teriam incluído alguma coisa tão volumosa quanto um tambor. Por outro lado, quando um instrumento era incluído, provavelmente seria algum mais leve e compacto, como um tamborim.

Mesmo quando se leva em conta a evidência arqueológica, o argumento que um toph era um tambor no nosso senso moderno é simplesmente indefensável.

Halil ("flauta") [H2485]:

Também é uma flauta, mas muito provavelmente de um tipo mais avançado que o ugab desenvolvido por Jubal, dado tanto o contexto e o período de tempo posterior em que ele foi usado. A Septuaginta traduz isto consistentemente como aulos, a palavra grega para oboé. Assim, ele era provavelmente uma flauta com uma palheta dupla no bocal. Ele poderia ser feito de madeira, osso, bambu ou metal, como o cobre. A altura do som desse instrumento varia com seu comprimento, desde o pequeno oboé piccolo, com um som de soprano, ou o oboé normal, corne inglês e oboé baixo. Entretanto, nenhum desses aparecia na adoração no templo.

Chatsotserah ("trombeta") [H2689]:

Este instrumento foi expressamente comissionado por Deus em Números 10. Inicialmente, somente duas trombetas foram fabricadas, para serem usadas exclusivamente pelos sacerdotes (os descendentes de Arão), mas não pelos levitas. Cada uma dessas trombetas foi feita de uma peça única de prata batida. Ao contrário da trombeta de chifre de carneiro (shofar), que era curva, o chatsotserah tinha um tubo reto. Como as palavras ugab e toph, chatsotserah talvez seja onomatopéica, sugerindo o som produzido pelo instrumento. A Escritura descreve dois dos sons reais produzidos pela trombeta de prata: um toque forte e prolongado, chamado de tekiah, e um toque mais curto, chamado de teruah.

Shofar ("trombeta") [H7782]:

O shofar é mencionado mais frequentemente do que qualquer outro instrumento na Escritura. Ele é feito a partir do chifre curvo de um carneiro ou, algumas vezes, com o chifre mais comprido de um bode selvagem. Ele nunca é feito de madeira ou metal. Quando a trombeta do Senhor soou em alto volume no Monte Sinai, a palavra hebraica usada foi shofar. As sete trombetas tocadas pelos sete sacerdotes quando deram voltas em torno da cidade de Jericó eram trombetas de chifre de carneiro, ou shofarot, como também foram as trombetas tocadas pelos trezentos guerreiros que acompanharam Gideâo até o acampamento dos midianitas e amalequitas.

Metseleth ("címbalos") [H4700] e Tselatsal ("címbalos") [H6767]:

A raiz da palavra tselatsal parece ser onomatopéica (como com ugab, toph e chatsotserah), significando soar. Ela aparece duas vezes no verso 5 do Salmo 150:

"Louvai-o com os címbalos sonoros; louvai-o com címbalos altissonantes."

Isto pode estar se referindo aos címbalos do mesmo tipo, mas em diferentes tamanhos, afetando assim tanto o volume e a altura. A evidência arqueológica mostra que os címbalos em uso naquele tempo nunca excediam 12 centímetros em diâmetro. A palavra-raiz também indica o zumbido de um enxame de gafanhotos. À medida que o enxame se aproximava, o volume e a altura do som mudava, como com os címbalos nesse verso. O som produzido era provavelmente similar ao dos címbalos modernos, mantidos na posição vertical e batidos suavemente um contra o outro, em um movimento de deslizar.

O segundo instrumento, metseleth, é menconado somente no plural, indicando que ele pode ter sido formado por dois componentes separados. Este também é o caso dos címbalos.

Como então metseleth difere de tselatsal? Talvez eles diferissem somente em como eram tocados. As passagens paralelas em 2 Samuel 6:5 e 1 Crônicas 13:8 — que descreve a tentativa inicial de Davi de transferir a arca para Jerusalém — sugerem que a diferença pode não ser significativa, pois a primeira usa tselatsal e a segunda usa methseleth.

Menaanim (KJV "cornetas", ACF "pandeiros") [H4517]:

Este instrumento é mencionado somente uma vez na Escritura, na passagem (2 Samuel 6:5) em que Davi está tentando trazer a arca para Jerusalém. A KJV traduz a palavra (que está no plural) como cornetas — pequenas trombetas — embora a raiz da palavra signifique balançar ou tremer. Presumivelmente, os tradutores da KJV foram guiados pela passagem paralela em 1 Crônicas 13:8:

"E Davi, e toda a casa de Israel, festejavam perante o Senhor, com toda a sorte de instrumentos de pau de faia, como também com harpas, e com saltérios, e com tamboris, e com pandeiros, e com címbalos." [2 Samuel 6:5].

"E Davi e todo o Israel, alegraram-se perante Deus com todas as suas forças; com cânticos, e com harpas, e com saltérios, e com tamborins, e com címbalos, e com trombetas." [1 Crônicas 13:8].

A palavra menaanim pode se referir a um chocalho ou guinzo de cerâmica, que era de uso comum naquele tempo. Os arqueólogos já encontraram 70 instrumentos desse tipo intactos. A partir de um ponto de vista exegético, 2 Samuel pode estar se referindo ao uso dos guinzos de cerâmica, sem necessariamente excluir a presença de pequenas trombetas.

Outros Instrumentos:

O grupo musical autorizado por Nabucodonosor, no capítulo 3 de Daniel deve ser observado:

"Quando ouvirdes o som da buzina, da flauta, da harpa, da sambuca, do saltério, da gaita de foles, e de toda a espécie de música, prostrar-vos-eis, e adorareis a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor tem levantado." [Daniel 3:5].

Todos os nomes dos instrumentos musicais, que são listados não menos do que quatro vezes, são dados em aramaico. Tendo consideração pela raiz da palavra em cada caso, os eruditos normalmente os traduzem como segue:

Instrumento
ACF / KJV
Sugestão Moderna
qeren (H7162) "buzina" corne (ou trompa)
mashrowqiy (H4953) "flauta" flauta, gaita de fole
qiytharoc (H7030) "harpa" lira
cabbeka (H5443) "sambuca" pequena harpa triangular
picanteriyn (H6460) "saltério" saltério
cuwmpowneyah (H5481) "dulcimer"* possivelmente um tambor

* A KJV usa a palavra dulcimer para indicar aquilo que os tradutores consideraram ser uma flauta dupla. Hoje, compreendemos que a palavra dulcimer denota um instrumento de cordas como um címbalo húngaro. Como uma flauta já foi mencionada, a palavra cuwmpowneyah pode designar um tipo de instrumento muito diferente. Dado que este era um conjunto musical pagão, em que o ritmo dado pelos tambores era bastante padrão, o instrumento em questão pode ter sido um tambor ou um tímpano.



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu.
Data da publicação: 3/7/2017
Transferido para a área pública em 31/7/2020
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/musicatox.asp