A Influência do Yôga na Transformação da Cultura Ocidental

Forcing Change, Volume 9, Edição 7.

A sociedade ocidental está passando por uma transformação social e espiritual. Este ensaio expõe o papel do yôga e do Hinduísmo — e examina a crescente aceitação que a prática do yôga está recebendo dentro da comunidade cristã. Este é um ensaio importante que poderosa e criticamente revela a hinduização da vida secular e das igrejas.

Este artigo foi publicado originalmente na edição do verão de 2015 de Jubilee, uma publicação oficial do Instituto Esdras para o Cristianismo Contemporâneo. Ele é a adaptação de uma palestra apresentada pela autora em um evento da TruthXChange em 2014. Reimpresso mediante permissão. Pamela Frost é uma pesquisadora junto ao ministério TruthXChange.

O "Evangelho" Segundo o Yôga

Autora: Pamela Frost (www.TruthXChange.com)

Ouvimos constantemente a frase "espiritual, porém não religioso" ser repetida como um mantra cultural, implicando uma vaga experiência espiritual que afirma mais autenticidade do que uma religião organizada, particularmente o Cristianismo. As pessoas gostam de se sentirem espirituais, mas não gostam da ideia de terem de prestar contas a Deus e de precisarem de um salvador que não seja elas mesmas. Elas preferem imaginar o divino como uma presença universal que elas podem controlar e manipular segundo seus próprios desejos, voltando-se para dentro de si mesmas. O Yôga foi criado para facilitar exatamente essa experiência, seguindo os princípios da filosofia hindu da Vedanta, uma forma de Monismo, que está rapidamente influenciando o pensamento no mundo ocidental. [NT: Monismo. Filosofia. Sistema filosófico segundo o qual existe apenas uma espécie de realidade: o monismo de Spinoza identifica Deus com a natureza. Fonte: Dicionário Online de Português, http://www.dicio.com.br].

Estamos vivemos em um tempo em que as verdades proposicionais do Cristianismo estão sendo cada vez mais rejeitadas como opressoras e fora de moda. A crença no Deus Criador que é distinto de Sua criação, que na pessoa de Jesus Cristo fez a expiação pelo sangue para que os pecadores perdidos possam se reconciliar com o Pai — a crença nesta verdadeira Boas Novas está sendo cada vez mais rejeitada, não somente como irrelevante, mas como intoleravelmente divisiva. Em seu lugar, muitos adotam a visão alternativa do divino como um espírito (ou energia) universal dentro de todas as coisas. Assim, muitos estão se voltando para as técnicas espirituais para "entrar em contato com sua divindade interior", naquilo que essencialmente corresponde a uma religião do Eu Divino. O Yôga é uma dessas técnicas.

Mas, embora o yôga tenha sido historicamente reconhecido como uma disciplina religiosa hindu para a autorrealização (a versão hindu do "evangelho"), o marketing engenhoso o reapresentou como um programa popular para o bem-estar físico com o resultado que o yôga tem se tornado ubíquo no Ocidente para o bem-estar do corpo, mente e espírito. Um número crescente de cristãos está se voltando para o yôga como forma de exercício físico, redução do estresse e até como um modo de se aproximar mais de Deus, com programas "cristãos" de yôga ganhando popularidade.

Um dos programas de yôga "cristão" mais populares é o Yôga Santo; sua fundadora, Brooke Boon, raciocina: "Sabemos que o yôga é uma disciplina espiritual, de forma muito parecida como o jejum, a meditação e a oração, que não pertencem a uma religião específica." [1] A justificativa dela para cristianizar o yôga ofusca a distinção entre o privilégio singular do cristão de se aproximar de Deus pelo sangue de Jesus Cristo e o impulso "espiritual, porém não religioso" de se conectar a uma espiritualidade universal acessível a todas as religiões. Esta linha de raciocínio é mais compatível com o misticismo interfé do que com o Cristianismo bíblico.

À medida que o Ocidente rejeita progressivamente seus fundamentos bíblicos históricos, a cultura mais ampla está continuamente substituindo a distinção bíblica entre Criador e criação pelo conceito do cosmos divino. Isto é particularmente expresso pela adoção no Ocidente da filosofia hindu da Vedanta (tudo é divino) e pela prática do yôga (a arte de experimentar a divindade universal).

Na verdade, o ministro interfé Philip Goldberg, autor de American Veda, afirma que a filosofia religiosa da Vedanta tem efetivamente se tornado a nova espiritualidade padrão do Ocidente e ele considera que a prática do yôga construiu uma ponte para a aceitação da Vedanta. Ele diz: "…os mestres de yôga que vieram para cá, independente de suas orientações e especialidades, criaram um fundamento para a disseminação mais ampla dos ensinos védicos como um todo. Os alunos podem estar interessados em praticar exercícios físicos, porém suas mentes também se alongam e se dobram." [2].

Em outras palavras, embora o yôga seja apresentado como um programa de exercícios físicos "espiritual, porém não religioso", ele realmente funciona como um lento processo de condicionamento que amacia as sensibilidades em relação à filosofia religiosa hindu da Vedanta, [3] que substitui a distinção entre Criador e criação pela versão hindu de "deus" como um oceano de divindade universal e impessoal — um tipo de força, energia ou essência — chamada Brahma.

Um Pouco de História

De acordo com o apóstolo Paulo, quando os homens suprimem a verdade em injustiça, recusando-se a adorar o Criador que está fora deles, a única opção que resta é alguma forma de religião da natureza (Romanos 1:18,25). Quando a natureza é divinizada, "deus" se torna uma energia impessoal que existe dentro de todas as coisas e o único modo de interagir com o divino é por meio do misticismo e da magia. Isto é evidente nos quatro Vedas, os mais antigos dos textos sagrados fundamentais do Hinduísmo, que formam a base para o yôga.

Veda significa "conhecimento", mas não no sentido de educação. O conhecimento védico é esotérico — aquilo que é recebido diretamente a partir do mundo espiritual. Tendo sua origem em algum ponto entre 1500 e 1000 AC, os Vedas registram uma mitologia complexa de divindades da natureza personificadas e os rituais religiosos necessários para invocar, fazer propiciação e manipular essas divindades. Isto involve a repetição de mantras como orações (como "Om", a vibração divina de Brahama), o sacrifício ritual de animais, orações mágicas, encantamentos, maldições, bendições e magias. [4].

A palavra yôga deriva da palavra-raiz yuj, registrada pela primeira vez no Rigveda, o mais antigo dos quatro Vedas, onde ela se refere à canga dos cavalos nas carruagens dos deuses védicos. Mas, ela também transmite a ideia metafísica de unir a consciência interior com o princípio universal de modo a transformar a humanidade em divindade. Um comentário sobre o Katha Upanishad, [5] onde o termo yôga é registrado pela primeira vez, explica:

"... Yôga significa literalmente unir o eu inferior com o eu mais elevado, o sujeito com o objeto, o adorador com Deus [Brahma]." [6].

O yôga representa uma versão da salvação que define o "evangelho" não como a redenção do pecado, mas como a compreensão que um eu oculto e interior é "deus". Isto dá uma sensação de imortalidade, que, eles acreditam, garante liberdade da roda da reencarnação à medida que a pessoa transcende a consciência da existência material.

O sábio védico Patanjali sistematizou o yôga clássico por volta do ano 150 DC em seu Yoga Sutras como um caminho de oito braços (Ashtanga) para a absorção mística na divindade:

  1. Yama: código moral da não-violência, não mentir, não furtar, continência sexual, desapego.
  2. Niyama: disciplinas ascéticas como jejuar até chegar perto de morrer de fome, ou manter um braço erguido por vários meses, estudos védicos, devoção ao divino.
  3. Asanas: posturas que têm o objetivo de aquietar o corpo e a mente, em preparação para a meditação.
  4. Pranayama: canalizar a respiração como energia divina para distinções transcendentes.
  5. Pratyahara: meditação para suprimir os sentidos, porque o corpo e a mente são considerados impedimentos para a consciência mais elevada.
  6. Dharana: olhar para um ponto fixo entre os olhos, ou para a imagem de uma divindade, de modo a "anular" a mente pensante.
  7. Dhyana: estado de transe meditativo profundo.
  8. Samadhi: absorção na consciência universal — o "evangelho" místico do yôga.

A variedade Hatha Yôga surgiu por volta do ano 900 DC, quando o yôga clássico foi sintetizado como o Tantrismo, uma filosofia religiosa que "junta os opostos do bom e do maligno de modo a transcendê-los" [7] por meio do exercício da autonomia própria de um deus. O ritual sexual é central no Trantrismo e, em Hatha Yôga, representa a união da deusa Shakti (o princípio feminino da energia divina) com seu consorte masculino Shiva (ou Xiva, o destruidor das distinções), unindo as energias feminina e masculina em uma divindade andrógina dentro do corpo do praticante do yôga. O renomado erudito em yôga Georg Feuerstein elucida:

"O simbolismo sexual [de Shakti e Shiva] esconde uma grande realidade cósmica: o jogo eterno entre o poder feminino e a consciência masculina, que são sempre unidos no nível transcendental, mas são experimentados como separados no nível empírico." [8].

Mircea Eliade, um especialista do século 20 em história e filosofia das religões, reconheceu o mesmo princípio, explicando que durante a prática do yôga, "... a união do par divino [Shakti e Shiva] dentro de seu próprio corpo transforma o praticante do yôga em um tipo de andrógino." [10].

Como Funciona

Hatha Yôga tem o objetivo de despertar o "Corpo Sutil", um eu transcendente que surge a partir de dentro para assumir o controle do corpo físico e da mente racional por meio da união de Shakti e Shiva. Isto não é força ou poder do Espírito Santo, mas de anjos caídos que usam a máscara da energia divina das divindades hindus (veja 1 Coríntios 10:19-20).

De acordo com a teoria de Hatha Yôga, o corpo físico e a mente racional obscurecem um não-corpóreo e interior Corpo Sutil, conceitualizado como uma matriz de canais de energia psíquica (nadis), que passam pela coluna vertebral para formar centros de energia chamados de chakras. A teoria diz que a deusa-serpente Shakti/Kundalini está enrolada e adormecida na base da coluna, até que seja ativada pelas posturas do yôga, ou das técnicas de respiração e de meditação. À medida que a serpente se levanta, ela abre os chakras como lótus de iluminação, silenciando progressivamente a mente e colocando-a em passividade, à medida que as distinções sujeito/objeto começam a desaparecer. O processo culmina com a união de Shakti/Kundalini e Shiva no chakra da coroa, acima da cabeça. Neste ponto, o Corpo Sutil é entendido como o Eu Divino, indicando que o praticante de yôga está sob o controle total da consciência de Shakti/Shiva no estado místico de suprema felicidade andrógina chamada samadhi.

Seguindo a filosofia védica do yôga, as posturas têm o objetivo de encarnar os deuses, incorporar o poder dos animais sagrados e experimentar a unidade com o cosmos divino. Mircea Eliade elucida: "O yogin fica diante tanto de um Cosmos quanto de um panteão, ele encarna em seu próprio corpo tanto Shiva quanto Shakti." [11].

Uma postura bastante comum ilustra o ponto. Ao realizar a postura "Senhor da Dança", o praticante de yôga (chamado de yogi) assume a forma da divindade hindu Shiva, quando ele dança a destruição sobre a "ignorância" das distinções sujeito/objeto, unindo os opostos em uma consciência mais esclarecida de divindade universal. A postura representa uma transição radical em cosmovisão, de adorar o Criador para adorar a criação.

Como o yôga foi desenvolvido como o "evangelho" hindu do Eu Divino, precisamos compreender como sua prática veio a ter tão grande influência no Ocidente.

Para fazermos isso, precisamos compreender Krishnamacharya, o homem que recebe os créditos de ser o pai do yôga postural moderno. Durante os anos 1930s e 1940s, sob o patrocínio do raja de Mysore, Krishnamacharya incorporou elementos da ginástica britânica e luta livre indiana em sua prática de yôga. [12]. Muitos afirmam que esse período marca o advento do yôga como um programa não-religioso para alongamento e desenvolvimento físico, destinado unicamente para benefícios terapêuticos na saúde, que é um grande argumento para a prática livre do yôga para qualquer um, independente de suas crenças religiosas.

Mas, Krishnamacharya era um erudito nos Vedas e um hindu profundamente devoto da casta sacerdotal dos brâmanes, que adorava o ídolo de Hayagriva, o avatar com cabeça de cavalo da divindade hindu Vishnu. [13] Quando fez uso de outras fontes, ele adaptou aquilo no estilo de yôga [14] para o propósito expresso de expandir as técnicas religiosas para a união com o espírito universal. Na verdade, as aulas de yôga dele eram realmente aulas de religião e cada uma delas iniciava com orações às divindades hindus antes do treinamento religioso de seus alunos. Os tópicos cobriam o caminho de oito braços de Patanjali para o samadhi (a absorção na divindade para escapar da reencarnação), rituais védicos, puja (adoração ritual) diária, a entonação apropriada para a repetição dos mantras védicos, o despertar da serpente Kundalini e a abertura dos chakras para a iluminação. Ao ensinar as posturas (asanas) aos seus alunos, Krishnamacharya insistia que eles primeiro oferecessem preces para bendizer Adisesha, a divindade-serpente de mil cabeças da mitologia hindu, para assegurar que eles seriam bem-sucedidos. [15].

Todos os aspectos de sua instrução em yôga eram dirigidos por sua fé hindu.

Entre os mais influentes e bem-conhecidos devotos de Krishnamacharya estavam discípulos como B. K. S. Iyengar (fotografia abaixo) e K. Pattabhi Jois, ambos hindus devotos da casta dos brâmanes.

O Legado de Krishnamacharya

Iyengar e Jois levaram o legado de yôga de Krishnamacharya para o Ocidente, dando peso especial às posturas e às técnicas de respiração para os objetivados benefícios à saúde, como maior flexibilidade e redução do estresse. Embora o Ocidente não estivesse pronto para adotar o Hinduísmo propriamente, as posturas tiveram grande aceitação no pragmatismo americano, abrindo uma porta de influência para a filosofia religiosa do yôga sem chamar muita atenção para si mesmo. Assim, o yôga tornou-se um meio eficaz de propagar a Vedanta hindu no Ocidente.

B. K. S. Iyengar é considerado o guru mais influente em popularizar o Hatha Yôga no Ocidente por meio da publicação, em 1966, de seu livro Light on Yoga. Quase cinquenta anos mais tarde, ele é o livro sobre yôga mais vendido pela livraria on-line Amazon. Recorrendo ao texto hindu clássico Bhagavad Gita, Iyengar explica que o fim do yôga é "uma alma purificada do pecado" [16] e, assim, liberta da reencarnação. Mas, são necessárias muitas vidas para alcançar essa perfeição e a prática do yôga é essencial para o processo. O livro está repleto de fotografias de Iyengar demonstrando mais de 200 posturas, que emulam elementos da natureza, animais sagrados, heróis místicos e "deuses do panteão hindu" [17]. Entre elas, está a postura do "Senhor da Dança" em que Shiva dança a destruição cósmica sobre a distinção Criador/criação até que tudo seja visto como um no estado de samadhi, descrito por Iyengar como "um estado em que o aspirante é um com... o Espírito Supremo que preenche o universo" [18].

K. Pattabhi Jois é conhecido por sua variedade de Ashtanga Yôga, que usa enérgicos movimentos entre as posturas, naquilo que alguns consideram uma forma aeróbica de yôga, em vez de uma disciplina religiosa. Mas, Jois era um brâmane religioso que seguia o caminho clássico de Patanjali para alcançar o "Eu Universal", [19] e atribuía a algumas das posturas o poder de vencer o pecado, [20], uma clara falsificação do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo. A devoção religiosa de Jois estava centrada na divindade hindu Shiva e seu livro Yoga Mala dedica sua prática do yôga a Shiva com a seguinte oração tradicional: "A Shiva, o senhor dos yogis... Eu me inclino mais uma vez" [24]. O livro também explica a importância de adorar o deus-sol Surya por meio das posturas e prostrações das sequências Surya Namaskara (Saudação ao Sol) de modo a obter a bênção da boa saúde. [22] As aulas de yôga de Jois iniciam com orações tradicionais entoadas em sânscrito, que é considerado o idioma dos deuses hindus.

Jois também era um devoto de Ganesha, o filho com cabeça de elefante de Shiva. Na verdade, uma estátua de Ganesha tem um lugar de honra em cada um dos muitos estúdios de yôga que Jois abriu na Europa e nos EUA. Durante a grande inauguração do estúdio de yôga de Jois em Encinitas, na Califórnia, um sacerdote hindu realizou uma cerimônia de puja (adoração) completa para Ganesha. Durante o processo, convidados ilustres, como os presidentes da Fundação Jois (renomeada como Fundação Sonima), participaram na adoração de múltiplas divindades hindus. [23].

Apesar da evidente natureza religiosa da Ashtanga Yôga, a Fundação Sonima tem um objetivo de apresentar a prática para 100 distritos de escolas públicas nos EUA como um programa não-religioso de exercícios físicos. Até aqui, eles têm sido bem-sucedidos em colocar seu programa de yôga em 55 escolas, afirmando que removeram todos os elementos religiosos, reduzindo o programa para apenas o exercício físico das posturas. Mas, de acordo com Jois, as posturas sozinhas têm o poder de produzir uma transformação profundamente religiosa, despertando uma energia que muda a pessoa a partir de dentro, até mesmo tocando a alma "até que a mente assuma a forma de Brahma" [24]. Isto produz a experiência enganosa de alcançar imortalidade por meio do yôga, que os hindus acreditam que resulta na libertação da reencarnação.

O yôga realmente representa um caminho de justificação pelas obras, um substituto pagão para o Evangelho da expiação dos pecados por meio do sangue derramado de Jesus Cristo.

Yôga Cristão?

Apesar da natureza religiosa profundamente pagã do yôga, programas de Yôga Cristão estão se tornando cada vez mais difundidos em muitas igrejas. "Yôga Santo" é provavelmente a variedade mais amplamente praticada de Yôga "cristão", afirmando ser um programa de treinamento que forma centenas de instrutores certificados de Yôga Santo anualmente. O Yôga Santo publica uma declaração de fé evangélica em sua página na Internet e incorpora versos bíblicos em sua prática. Mas, é suficiente remover a natureza religiosa hindu subjacente do yôga? Ou isso representa uma forma de sincretismo em que o significado bíblico é sutilmente reinterpretado segundo uma inclinação mais hinduísta?

A fundadora do Yôga Santo, Brooke Boon, insiste que sua prática de yôga é totalmente cristocêntrica e bíblica. Na verdade, ela considera o Yôga Santo uma plataforma de ministério para pregar o evangelho. Mas, os dois livros dela sobre yôga, escritos após sua conversão a Cristo, revelam influências védicas significativas. Por exemplo, o primeiro livro Hatha Yoga Illustrated, em que ela é co-autora, tenta amenizar a associação do yôga com o Hinduísmo, ao mesmo tempo que reconhece que ele é "... reconhecido pela ortodoxia hindu como uma representação válida da verdade védica" [25]. Não nos esqueçamos que os Vedas expôem uma religião pagã completa, que forma a base para o Hinduísmo. Na realidade, o yôga é uma das seis escolas védicas ortodoxas do Hinduísmo e não pode ser separado dele.

O livro de Boon reconhece também que "... três tradições filosóficas formam agora um núcleo essencial dentro do yôga contemporãneo: Yôga clássico, Advaita Vedanta e Tantra". [26].

O yôga clássico é o caminho de Patanjali para a absorção no espírito universal; Advaita Vedanta ensina que tudo é um e tudo é divino; o Tantra une os opostos do bom e do maligno de modo a alcançar a divindade. Hatha Yoga Illustrated descreve Tantra como "... aceitação radical do corpo e toda a vida como a divindade encarnada" [27].

Em outras palavras, o yôga tem o objetivo de transformar o praticante em uma encarnação divina de Brahma. O livro também rastreia a linhagem moderna do yôga e sua popularidade no Ocidente, desde Krishnamacharya, Jois e Iyengar, [28] todos hindus devotos que buscavam o objetivo da yôga de absorção na divindade.

Os problemas aparecem quando tentamos criar uma prática cristã sobre um fundamento pagão. Isto é evidenciado no segundo livro de Boon, intitulado Holy Yoga (Yôga Santo), que tem um sabor mais cristão, porém ainda segue o caminho de Patanjali até o samadhi. [29]. O livro também indica aos leitores Hatha Yoga Illustrated como um recurso "… se você quiser descobrir mais sobre yôga e sobre a meditação cristã". [30].

É preciso esclarecer que a ideia bíblica da meditação está baseada no significado da Escritura estudada no contexto. Mas, a seção sobre meditação à qual a autora Boon direciona os leitores sugere técnicas hindus como a repetição do mantra "Om", [31] que é a vibração criacional de Brahma e "... visualizar sua divindade escolhida — um deus ou uma deusa". [32].

O livro Holy Yoga mistura técnicas e filosofia religiosa hindu com a terminologia cristã, porém a autora Bloon assegura que é por meio da prática do Yôga Santo que "... nos tornamos pessoas mais autênticas, capazes de ouvir Deus e experimentá-Lo de modos que antes eram impossíveis". [33]. Isto implica que a obra de Cristo está incompleta, que o Espírito Santo e as Escrituras são insuficientes e que a real profundidade do conhecimento cristão depende do yôga.

Embora o yôga não acrescente coisa alguma ao conhecimento e experiência cristãos genuínos, ele realmente tem o poder de confundir e enganar por meio da mudança de cosmovisões. Em um vídeo devocional na página na Internet de Yôga Santo, a autora Bloon explica que incluiu uma seção sobre a "porção da energia, a porção do chakra" [34] em seu treinamento para os instrutores de Yôga Santo.

No yôga, a energia e os chakras se referem ao ocultista Corpo Sutil energizado pela deusa-serpente Kundalini, como já mencionado. Todavia, Bloon baseia seus ensinos da "porção de energia e chakra" em João 1:1-5, que ela interpreta erroneamente com o significado que Jesus, sendo o verbo, é a vibração criacional de Deus, a "... frequência de como Deus emula a Si mesmo" [35].

Mas, Jesus é uma pessoa distinta, Deus encarnado, não a energia da vibração criacional. É o yôga que está baseado no mito da criação em que a vibração divina de Brahma emana a essência divina para a criação. A cosmologia pagã do yôga não pode ser sintetizada com o Criador, que é distinto da criação.

A observação de Philip Goldberg está correta, que "Os alunos podem estar interessados na prática de exercícios físicos, porém suas mentes também se alongam e se dobram." Não há nada espiritualmente neutro no yôga. Enquanto o corpo se dobra, a mente remolda sua cosmovisão.

Conclusão

O que os cristãos precisam compreender é que a afirmação do yôga de ser um programa de bem-estar não-religioso para o corpo, mente e espírito é uma total distorção. O yôga foi criado para unir os opostos, transcendendo a distinção entre Criador e criação até que o divino seja experimentado como o espírito, energia ou vibração universais da natureza. Quando a distinção primária entre Criador e criação é destruída, todas as outras perceptualmente se desintegram por necessidade. Desaparecem então as distinções bíblicas entre homem e natureza, homem e mulher, bom e maligno. Desde os tempos antigos até os modernos, os guru chamam o processo da yôga de "ciência da consciência". Agora, a moderna neurociência está se encurvando para os gurus.

A nova fronteira da neurociência acredita que a verdadeira essência do ser é a pura consciência além das distinções, exatamente como os gurus sempre disseram. As técnicas de meditação, como aquelas praticadas no yôga e na meditação budista de esvaziamento da mente, conscientização e atenção plena (NT: Também chamada de "meditação mindfulness") estão sendo desvinculadas de suas raízes religiosas e reapresentadas como modelos terapêuticos para a saúde do cérebro.

Sam Harris, um dos Novos Ateus de elite, identificou-se recentemente como um tipo de praticante "espiritual, porém não religioso" da meditação de conscientização e atenção plena, que também é um componente do yôga. Harris, que é um neurocientista formado pela Universidade de Stanford, vê o esvaziamento da mente como um modo de evoluir a consciência em um nível puramente científico. Ele assim interpreta a espiritualidade como o "senso iluminador da conectividade" que transcende a individualidade, pois a mente evolui para perceber a consciência interconectada além do pensamento. [36]. Esta ideia da consciência universal está sendo buscada agressivamente como aquilo que há de mais avançado na neurociência.

Esta linguagem camuflada é cada vez mais aplicada ao yôga e à meditação budista de esvaziamento da mente como um modo de introduzi-los nas escolas e até nas igrejas sem oposição. A razão é que o yôga e a meditação budista estão sendo reapresentados como técnicas terapêuticas cientificamente comprovadas. Como tais, eles são cavalos de Tróia, que condicionam a mente ocidental continuamente em direção à cosmovisão mística oriental em que todas as distinções bíblicas são vigorosamente negadas. Eles são eficazes por que não são espiritualmente neutros, mas estão conectados com poderes ocultistas proibidos, determinados a influenciar nossas mentes.

Embora o yôga seja empacotado como um programa não-religioso para o bem-estar físico e a redução do estresse, nada na verdade foi modificado nele. Ele ainda é o "evangelho" do Eu Divino do Hinduísmo. Além disso, temos de nos lembrar que foi a serpente no Jardim do Éden que tentou Eva com exatamente essa falsa "iluminação".

Como cristãos comprometidos como o evangelho bíblico, precisamos compreender a essência pagã que está por trás do pacote enganoso. Além disso, precisamos considerar seriamente o poder do yôga de condicionar as mentes e afastar as pessoas das distinções bíblicas e, portanto, seu poder de afastá-las do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo.

"O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem." [Romanos 12:9].

Notas Finais:

1. https://holyyoga.net/about/what-we-believe.

2. Philip Goldberg, American Veda, (Nova York: Harmony Books, 2010), 209, [ênfase adicionada].

3. Os textos religiosos fundamentais do Hinduísmo são os Vedas. A Vedanta, significando "fim dos Vedas" representa a culminação do pensamento religioso védico e está registrada nos Upanixades.

4. Os detalhes dessas práticas pag]as estão registradas nos quatro Vedas: Rigveda, Yajurveda, Samaveda e Atharvaveda.

5. Os Upanixades são coletivamente chamados de Vedanta, "fim dos Vedas".

6. http://www.yoga-age.com/upanishads/katha.html.

7. Peter Jones, Paganism In Today’s Culture, 2015 National Conference "After Darkness, Light", Ligonier Ministries, https://truthxchange.com/media/2015/03/03/peter-jones-paganism-in-todays-culture/.

8. Georg Feuerstein, The Yoga Tradition, (Chino Hills, AZ: Hohm Press, 1998, 2001, 2008), 403.

9. Yogin é o termo tradicional para um praticante masculino da yôga. O correspondente feminino é tradicionalmente chamado de yogini.

10. Mircea Eliade, The Two and the One, (Nova York: Harper & Row, Publishers, Inc., Phoenix Edition, 1979), 118.

11. Eliade, The Two and the One, 119.

12. N. E. Sjoman, The Yoga Tradition of the Mysore Palace, (Nova Dehli, Índia: Abhinav Publications, segunda edição, 1999), 53-60.

13. A. G. Mohan, Krishnamacharya: His Life and Teachings, (Boston: Shambhala Publications, Inc., 2010), 105.

14. Sjoman, The Yoga Tradition, 61.

15. Mohan, Krishnamacharya, 146.

16. B. K. S. Iyengar, Light on Yoga, (Nova York: Schoken Books, edição de 1979), 52.

17. Iyengar, Light on Yoga, 42.

18. Iyengar, Light on Yoga, 529.

19. Sri K. Pattabhi Jois, Yoga Mala, (Nova York: North Point Press, 1999), 4.

20. Jois, Yoga Mala, 126.

21. Jois, Yoga Mala, 3.

22. Jois, Yoga Mala, 34.

23. http://vimeo.com/21459292.

24. http://vimeo.com/21459292.

25. Brooke Boon, Hatha Yoga Illustrated, (Champaign, Il: Human Kinetics, 2006), 4.

26. Boon, Hatha Yoga Illustrated, 4-6.

27. Boon, Hatha Yoga Illustrated, 6.

28. Boon, Hatha Yoga Illustrated, xiv.

29. Boon, Holy Yoga, (Nova York: Faith Words, 2007), 7.

30. Boon, Holy Yoga, 209.

31. Boon, Hatha Yoga Illustrated, 22, 23.

32. Boon, Hatha Yoga Illustrated, 23.

33. Boon, Holy Yoga, 9, [ênfase adicionada].

34. Brooke Boon, "To Om or not to Om", https://holyyoga.net/media/videos/devotions.

35. Boon, "To Om or not to Om", https://holyyoga.net/media/videos/devotions.

36. http://www.religionnews.com/2014/09/10/sam-harris-wants-atheists-everyone-else-get-spirituality/.

Leia Também:

Evitando os Perigos do Yôga (Ioga), do Misticismo, da Nova Era e do Ocultismo — Parte 1.

Evitando os Perigos do Yôga (Ioga), do Misticismo, da Nova Era e do Ocultismo — Parte 2.

A Energia da Kundalini (o Poder da Serpente): Fenômeno Ocultista do Yôga e das Religiões Orientais Está Entrando nas Igrejas Cristãs.



Fonte: Forcing Change, Volume 9, Edição 7.
Data da publicação: 9/8/2015
Transferido para a área pública em 17/10/2016
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/fc-7-2015.asp