A Implosão Econômica Coloca em Ação o Jogo de Acusações

Autor: Giordano Bruno (Brandon Smith), 19/11/2010.

Quando uma criança dá saltos pela casa e quebra o jarro de flores ou algum outro objeto de decoração favorito de sua mãe, ela normalmente lança a culpa no cachorro antes de assumir a responsabilidade. Temos a tendência de aprender o valor dos bodes expiatórios bem cedo na vida. Muitas pessoas eventualmente deixam para trás esse hábito terrível e começam a assumir responsabilidade por suas ações, porém outras nunca fazem isso. A capacidade de se evadir da justiça não é vista com bons olhos por aqueles de nós que valorizam a consciência, porém em certos círculos, esse "talento" é valorizado acima de qualquer outra coisa. Existem alguns neste mundo que obtêm grande satisfação em criar destruição e em permitir que pessoas ou até mesmo grupos inteiros inocentes recebam a culpa.

O filósofo italiano e tremendo elitista Nicolau Maquiavel discutiu frequentemente a "virtude" do bode expiatório. Em seu tratado O Príncipe (essencialmente um manual para os tiranos do século XVI), ele delineou como manipular o furor das massas de modo a atingir os objetivos do Estado (ou da realeza, da ditadura, da aristocracia, etc.). Embora fosse um cretino sem coração da mais alta ordem, Maquiavel estava à frente de seu tempo no seguinte sentido: ele reconheceu antes de muitos outros que uma tempestade estava se formando contra o domínio tradicional dos monarcas que governavam com mão de ferro. O mundo estava mudando e a ameaça de violência e morte não seria suficiente para manter as elites no poder. O povo comum estava começando a acordar, a se educar, a exigir seu direito inerente à liberdade, não apenas em pequenos bolsões controláveis, mas em todo o mundo. A classe governante teria de adaptar seus métodos a esse despertar, deixar de usar a força bruta e adotar táticas mais enraizadas psicologicamente. O uso de um representante tornou-se um método valioso para as elites criarem a ilusão de julgamento nos crimes do governo, enquanto que ao mesmo tempo permite que os mesmos homens que estão por trás do crime mantenham seu status de "salvadores" aos olhos do público.

Maquiavel sugeriu lançar os brutamontes da gerência média para as hordas furiosas, enquanto que os verdadeiros chefes do Estado, os homens que deram as ordens aos brutamontes, permaneceriam intocáveis. Entretanto, existem muitas variações neste esquema. Quando você é parte do grupo que chefia o aparato do banco central de um país, ou de um grupo de países, quando controla os mecanismos centrais (a moeda e a taxa de juros) por meio dos quais um país se ergue ou cai, e faz o país cair, é melhor que tenha em reserva um bom número de bodes expiatórios que recebam as pedradas e tiros que virão em sua direção.

Vamos olhar alguns dos prováveis redirecionamentos e desculpas que ouviremos do governo e da grande mídia nos próximos anos, à medida que a estabilidade fiscal mundial der um longo mergulho de cisne até chegar à extremidade rasa da piscina.

É Tudo Culpa do Povo Americano. Este tem sido um argumento diversionista generalizado desde que a crise do crédito e das hipotecas se tornou amplamente conhecida em 2008, mas você precisa acreditar em mim quando digo que isto ainda está apenas no início.

É claro que muitos americanos acumularam dívidas incríveis, assinaram contratos de hipoteca que sabiam que não poderiam pagar e depois tomaram mais dinheiro emprestado oferecendo como garantia as hipotecas que eles nunca planejaram pagar. Não somente nos EUA, mas em todo o mundo, as pessoas têm uma aptidão fantástica para a cobiça e para a burrice. Isto certamente é uma porta para a ruína financeira, mas é a fonte? No caso da atual recessão/depressão, a resposta é não.

O povo americano consumiu em excesso e se alavancou (endividou) demais, mas quem permitiu que essa tendência ocorresse? Somente os bancos poderiam ter facilitado essa orgia de gastos. Foram então os empréstimos predatórios dos bancos os culpados? Em parte, mas precisamos ir mais fundo, até a raiz do problema. Quem direciona a capacidade e as práticas de empréstimos dos grandes bancos? O Banco Central, é claro! Todos os bancos operam sob a supervisão do Banco Central, que nos EUA é chamado de Sistema da Reserva Federal (Fed). Foi a Reserva Federal que artificialmente reduziu as taxas de juros e os encargos dos empréstimos para os níveis mais baixos na história de modo a estimular a bolha da dívida, que depois estourou em 2008. Era fácil conseguir crédito. Na verdade, era tão fácil que os grandes bancos praticamente ofereciam dinheiro para pessoas que não tinham as qualificações necessárias para arcar com o pagamento das prestações de uma hipoteca.

O dinheiro barato estava por toda a parte, e esse dinheiro fácil foi o estímulo perfeito para a expansão das dívidas das famílias. As pessoas são culpadas por seus gastos frívolos e descontrolados, mas o Fed é culpado por criar e apoiar o hábito. Um viciado em heroína tem de procurar a cura em algum lugar e o fornecedor de heroína certamente tem sua parcela de culpa.

Os bancos centrais de todos os países do mundo são responsáveis por muito mais do que colocar sacos de dinheiro no colo de pessoas não confiáveis, mas esta é uma questão que mais provavelmente aparecerá repetidamente à medida que a crise avançar. Os bancos são culpados por liberarem todo o dinheiro sem consideração pelas consequências, ou as pessoas é que são culpadas por usarem aquele dinheiro?

Com disse anteriormente, a discussão contrária ao consumismo do povo americano está apenas no início. Espere ouvir muito mais críticas ácidas dos comentaristas estrangeiros sobre como o fervor capitalista pelo livre mercado "desregulamentado" do povo americanos está arrastando o resto do mundo para a ruína juntamente. Espere ouvir sobre o americano "ganancioso" e como ele sozinho destruiu a estabilidade financeira global por que se recusou a viver dentro dos limites de seus próprios meios. Espere ouvir sobre como o resto do mundo precisa manter os EUA "em xeque" antes que o estrago cresça e se torne irrecuperável.

A verdade é que o consumismo desenvolvido pelo povo americano é somente o sintoma de uma doença maior, não a causa, que são os próprios bancos centrais. Todavia, o palco já está preparado para o povo americano ser responsabilizado nos livros de história como a principal catálise para o colapso.

A Falta de Regulação Foi a Responsável. As pessoas que afirmam que não existem leis e regulações suficientes para reger os bancos e as normas de emprestar dinheiro obviamente nunca leram ou tentaram ler as diretrizes jurídicas da Comissão de Valores Mobiliários (chamada de SEC, de Securities and Exchange Commission, nos EUA). Sugiro que você faça isto agora antes de avançar:

http://www.sec.gov/investor/pubs/securitieslaws.htm

Existem leis e regulamentos mais do que adequados em vigor para manter os bancos na linha. O problema é que a Comissão se recusou a impor essas leis quando elas eram necessárias. Durante vinte anos, a Comissão manteve um fundo para premiar os ativistas que soassem o apito e denunciassem alguma forma de corrupção; o prêmio era dado àqueles que se arriscavam a apresentar evidências de uma fraude bancária. Obviamente, muita fraude ocorreu nas duas últimas décadas, porém somente CINCO pessoas receberam o prêmio por terem feito denúncias:

http://www.huffingtonpost.com/2010/04/05/sec-rarely-rewards-whistl_n_525729.html

Somente cinco pessoas em vinte anos? Como é possível? Talvez o fato de a Comissão ter ignorado ou sabotado os ativistas que soavam o apito durante décadas possa explicar a discrepância.

Existem certamente mais relatos registrados da Comissão ignorar as denúncias de corrupção que eu posso listar neste artigo, mas aqui estão alguns dos exemplos mais recentes:

http://business.timesonline.co.uk/tol/business/industry_sectors/banking_and_finance/article5663759.ece

http://money.cnn.com/2010/07/16/news/economy/COSO_SEC_flaws_Sarbox.fortune/index.htm

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/01/20/AR2010012005125_pf.html

Existem também relatos da SEC na verdade passar as informações sobre os funcionários que denunciavam a corrupção para as empresas que cometiam as fraudes, desse modo expondo esses funcionários à retaliações:

http://pogoblog.typepad.com/pogo/2010/09/sec-official-cited-for-whistleblower-retaliation-to-testify-at-senate-hearing-tomorrow.html

A Lei Sarabans-Oxley, de 2002, foi criada para proteger os denunciantes desse tipo de retaliação, e o orçamento da SEC foi dobrado de modo a garantir que isso seria possível, mas os eventos passados mostraram que a lei raramente foi usada. O resultado é que os bancos praticaram crimes e escaparam impunes, à vista do governo e da SEC, apesar de ampla evidência e regulamentações, pois a evidência foi varrida para baixo do tapete e as regulamentações nunca foram impostas e cobradas.

Depois do escândalo de Madoff, entre outros, a SEC teve de fazer um controle de danos ampliando os fundos destinados aos denunciantes de fraudes e redigindo novas regras para proteger aqueles que desejam vir à frente e apresentar informações. Logicamente, o ardil é que a SEC também está agora pressionando os funcionários a irem primeiro às suas próprias empresas com as informações e depois virem à SEC, permitindo que a empresa infratora "policie a si mesma" antes que a SEC se envolva. Uma discussão sobre constrangimento:

http://blogs.wsj.com/law/2010/11/04/sec-issues-proposed-whistleblower-rules-the-lobbying-continues/

O Sistema da Reserva Federal, por outro lado, trabalha sem receber supervisão do governo, sem a ameaça de uma auditoria completa, e não está obrigado a apresentar seus livros contábeis para o escrutínio do público, por meio de uma solicitação assegurada pela Lei de Liberdade de Informação. Como Alan Greenspan, o ex-presidente do Fed, admitiu recentemente em uma entrevista, a Reserva Federal é uma entidade independente (e privada) que não presta contas a ninguém, nem mesmo ao Congresso e ao povo americano:

http://www.youtube.com/watch?v=pVmxQsvj6lo

Se a mídia de massa fosse debater que o colapso está ocorrendo por causa de uma total falta de regulação com relação ao Sistema da Reserva Federal, ela estaria correta, mas ninguém na grande mídia está fazendo isso! Ao contrário, eles argumentam o oposto, afirmando que o Fed precisa receber mais poder e operar sem nenhuma supervisão de modo a nos salvar da catástrofe que a própria existência de um banco central criou.

É Tudo Culpa da China. Já falamos sobre as guerras comerciais e cambiais em artigos anteriores e acho que muitas pessoas já estão familiarizadas com este assunto, mesmo aquelas que não estão interessadas nele. Isto posto, ainda há uma falta de compreensão na população em geral com relação à questão da acusação. A China como um país não é culpada pelos problemas econômicos que os EUA estão enfrentando, da mesma forma que os EUA como um país não podem ser responsabilizados pelos problemas econômicos do mundo. Em contraste, os banqueiros centrais e os líderes empresarias da China e dos EUA estão muitíssimo envolvidos em alimentar as tensões financeiras globais.

A oligarquia dos EUA apoiou e incentivou a terceirização da indústria norte-americana durante as décadas de 80 e 90 para se aproveitar da mão de obra barata dos trabalhadores chineses e deixar os EUA com uma economia baseada 70% em serviços. A China nunca forçou os EUA a enviarem seus empregos industriais para o exterior; as elites empresariais norte-americanas é que fizeram isto.

A China também nunca forçou o Fed a iniciar a desvalorização acelerada do dólar. Os banqueiros centrais dos EUA estão bem cientes que uma moeda mais fraca e a Flexibilização Quantitativa não terão qualquer efeito significativo no crescimento das exportações nos próximos anos ou décadas, principalmente por que os EUA têm internamente pouca capacidade de exportação para apoiar essa transição. Você precisa ter produtos para negociar antes que possa querer negociar.

É interessante que as injeções de mais moeda fiduciária, criada a partir do nada (a chamada "Flexibilização Quantitativa"), que supostamente deveriam combater a manipulação da moeda chinesa estão na verdade causando reações adversas. Alguém realmente está surpreso?

Até aqui, o dinheiro do socorro financeiro dado aos bancos não foi a parte alguma. As instituições financeiras guardaram o dinheiro e ao mesmo tempo tornaram mais rígidas as normas para a concessão de empréstimos, mais até do que é exigido por agências como a Secretaria Federal da Habitação:

http://www.bloomberg.com/news/2010-11-17/home-ownership-gets-harder-for-americans-as-lenders-restrict-fha-mortgages.html

Assim, a desvalorização do dólar nesse sentido não produziu resultado algum. Nada. Nenhum dinheiro entrou na economia geral ou foi para as mãos do público.

E a Flexibilização Quantitativa 2? Todo aquele dinheiro criado a partir do nada que o mercado financeiro de Wall Street esperava que entrasse na Bolsa de Valores e ajudasse a elevar a cotação das ações?

http://www.marketwatch.com/story/tepper-tells-cnbc-fed-will-prop-up-market-2010-09-24

É uma coisa engraçada, mas parece que os investidores internacionais e até mesmo os banqueiros dentro dos EUA não confiam mais nas ações da Bolsa de Valores ou no mercado de títulos americanos. O capital está sendo retirado dos papéis americanos e está agora inundando os mercados asiáticos, como o da China, cujos ativos são considerados mais seguros e lucrativos:

http://english.peopledaily.com.cn/90001/90778/98506/7200236.html

Algumas vezes isto é chamado de "dinheiro de curto prazo" e tem a capacidade de causar inflação severa. A ironia é que a Reserva Federal injeta esse dinheiro dentro do sistema bancário ou em títulos do Tesouro dos EUA e então esse dinheiro deixa o país e vai direto para a China, o que mais uma vez significa que os "bânquesteres" desvalorizaram o dólar com a impressão de dinheiro fiduciário e nem um centavo desse dinheiro irá ajudar o povo americano ou até mesmo irá aliviar o déficit. É por isto que a Flexibilização Quantitativa 2 fracassou em fazer aumentar as vendas ou o interesse pelos títulos do Tesouro, embora o Fed esteja agora comprando esses títulos como um doido:

http://www.reuters.com/article/idUSTRE6AB2SU20101112

Isto também explica por que o dólar e o índice Dow Jones estão exibindo sinais de queda simultânea; uma tendência sobre a qual advertimos desde 2008 que seria o sinal de um perigo extremo:

http://www.reuters.com/article/idUSTRE69K04L20101117

Enquanto isso, as elites bancárias da China também estão completamente cientes que os EUA, como seu antigo inimigo, o Japão, estão na iminência de cometerem um haraquiri financeiro. Os mercados de alimentos e de habitação na China estão no meio de uma alta inflação devido à entrada de capitais que chegam de ambos os países. Os consumidores chineses não conseguem suportar e o yuan não está totalmente equipado para conter essa inflação. Os chineses poderão se livrar de suas reservas em dólares e em ienes, permitindo que o yuan se valorize, e enfrentar a inevitável explosão nos preços que está diante deles. Portanto, o que os têm impedido até aqui? Eles precisam de alguém para acusar antes de tomarem a decisão.

Sim, o jogo das acusações ocorre em muitos idiomas e a China o conhece bem. Os chineses estão esperando hesitantemente que os EUA os rotulem oficialmente de "manipuladores da moeda" para implementarem impostos de importação em escala total e desvalorizarem o dólar um pouco mais. Aí então o despejo dos títulos do Tesouro dos EUA pelos chineses se torna prático e racional, em vez de um flagrante ataque nuclear econômico.

A chave é que para esse processo se desdobrar do modo como tem ocorrido até aqui, e o modo como provavelmente continuará, ambos os bancos centrais, nos dois lados do Pacífico, precisam agir em sintonia um com o outro. Eles têm de apertar as mãos e concordar que o dólar precisa desaparecer. A não ser que você acredite em coincidências extraordinariamente complexas, o que eu não creio...

Os Republicanos e Democratas São os Culpados. Esta está testada e é verdadeira, mas não tão eficiente quanto costumava ser. Portanto, vamos mantê-la curta e ir direto para o ponto...

Os líderes do Partido Republicano (sob os neo-conservadores) apoiaram os socorros financeiros e protegeram os grandes bancos e a Reserva Federal sem questionar. Os líderes do Partido Democrata apoiaram os socorros financeiros e protegeram os grandes bancos e a Reserva Federal sem questionar. Esta é a verdade nua e crua. Qual é a diferença entre os líderes de ambos os principais partidos? Não há diferença alguma. Ponto final.

A única nova dinâmica política é a dos candidatos do Partido do Chá, como Ron Paul e Rand Paul, que sem dúvida alguma serão visados pelo Sistema como conservadores que realmente acreditam na Constituição e em uma moeda sólida. Além de causar arrepios nos globalistas, os candidatos que se baseiam no conceito de liberdade também colocam escolhas difíceis sobre a mesa, escolhas que desagradam algumas pessoas.

Continuaremos a queimar dinheiro com programas para assegurar direitos que não podemos pagar? Os socialistas odeiam quando alguém faz esta pergunta. Eles então perguntam: Os conservadores tradicionais não têm compaixão? É claro que temos, mas compaixão não é a questão aqui. A questão são os meios, e este é um assunto que as pessoas que têm a cabeça nas nuvens da Utopia tendem a ignorar. Se você não tem dinheiro para tomar uma cerveja, então não pode beber uma cerveja agora. Se você não pode pagar pela assistência universal à saúde, então não pode ter a assistência universal à saúde agora. Qual é a dificuldade de compreensão que existe aqui?

Os objetivos do Partido do Chá, incluindo manter o teto da dívida nos níveis atuais, ou cancelar a extensão dos benefícios do desemprego por mais um trimestre, serão apresentados como gatilhos do colapso, quando na realidade são apenas consequências inevitáveis de uma situação econômica ruim. Os benefícios ao desemprego pararão eventualmente quando o dólar cair de valor. Talvez eles devessem ser cortados agora, antes que contribuam para esse evento. Talvez o teto da dívida devesse ser mantido estável, antes que o governo não tenha mais a capacidade de ser manter operacional, muito menos de elevar o teto ainda mais outra vez.

O falso paradigma esquerda/direita é para crianças e jornalistas ingênuos. Se você está olhando para um partido ou para o outro para lançar toda a culpa, então está olhando para o lugar errado. Se quer acusar os Constitucionalistas por causarem esse colapso econômico, então você aparentemente superestima a influência que temos sobre este governo controlado pelos grandes interesses empresariais e pelo banco central privado chamado de Sistema da Reserva Federal, o que é lisonjeador, mas também uma tolice...

Claramente, a Culpa É Toda da Irlanda. Nunca compreendi direito a frase "a sorte do irlandês". A cultura irlandesa sempre me pareceu ser imensamente infeliz, e isso desde os séculos passados. As elites da Europa, especialmente a britânica, derramaram sangue irlandês desde os dias dos reis medievais e desta vez parece que conseguirão o que sempre quiseram: colocar a Irlanda em submissão, permanentemente.

Lembra-se que toda a "crise do euro" no ano passado que desapareceu de forma mágica quando a mídia parou de falar sobre o assunto? Bem, a mídia começou a falar outra vez, e a crise magicamente retornou.

A Irlanda não é necessariamente a próxima Grécia. Os hábitos de endividamento dos irlandeses não são tão indescritivelmente corruptos, mas eles também têm muitas obrigações a cumprir, para não mencionar os encargos dos empréstimos que não estão conseguindo pagar:

http://www.reuters.com/article/idUSTRE6A94P320101111

A União Europeia tentou inicialmente ocultar as preocupações com a desestabilização da dívida irlandesa, exatamente como fez com a Grécia e que está fazendo com Portugal, Espanha e Itália. Agora, entretanto, ela decidiu usar as dificuldades da Irlanda para obter o controle do país, aparentemente envergonhando-o por receber dinheiro do Fundo Monetário Internacional e da própria UE.

A Irlanda sempre foi adversa à participação na UE e o povo irlandês é ferrenhamente independente. O país não reconhece que necessita dos recursos do FMI e da UE para continuar funcionando. Se a Irlanda está em perigo imediato ou não, é difícil dizer. Entretanto, é claro que os vazamentos feitos pela UE sobre a situação irlandesa causaram uma considerável agitação nos mercados internacionais. Isto foi então usado pela UE como um ponto de ataque. "Se os irlandeses aceitassem o socorro financeiro do FMI, tudo ficaria bem e os mercados europeus voltariam ao normal", eles disseram.

Usando este método, os banqueiros europeus enlaçaram a Irlanda, acusando-a de colocar em perigo o restante do mundo:

http://www.bloomberg.com/news/2010-11-19/irish-mourn-loss-of-sovereignty-as-cowen-scorned-before-german-bailout-.html

Mas, isto não termina com a Irlanda. Espere ver a mesma tática ser usada com qualquer outro país que tentar manter um senso de soberania. Ameaças de circunstâncias similares já estão aparecendo em Portugal e na Espanha:

http://www.bloomberg.com/news/2010-11-18/irish-bailout-may-unleash-bond-vigilantes-on-portugal-market-euro-credit.html

Os países que lutam contra a centralização e se mantêm firmes nos ideais do livre mercado serão atacados como obstáculos para a solução. A solução, é claro, será a governança global das finanças pelo FMI.

A Reserva Federal É a Origem de Todos os Males. Após passar várias páginas descrevendo o pesadelo que é a Reserva Federal, vou começar a defendê-la? Sem chance. O que farei é indicar que o Fed não é a origem do problema, mas meramente uma parte dele. Isto provavelmente parecerá contrário ao que é frequentemente ouvido no Movimento da Liberdade, mas vamos fazer uma pausa e considerar por um momento...

A Reserva Federal é uma instituição, um núcleo construído em torno do conceito fraudulento e ilícito de um banco central, bem como dos homens indecentes que o utilizam. Fechar o Fed somente soluciona o dilema imediato, não remove a ameaça inteiramente. Os esquemas de pirâmide de Ponzi dos bancos centrais também precisam ser removidos do quadro e as elites que controlam esses bancos precisam ser processadas. O Fed é uma caixa de isopor que contém ovos podres que estão empesteando o ar com um fedor que faz nossas narinas se contraírem. Não adianta você se desfazer da caixa e colocar os ovos debaixo de sua cama.

Isto tudo parece evidente, tenho certeza, mas vamos examinar como o Fed está sendo retratado ultimamente na mídia de massa.

As fontes de notícias da corrente dominante e os analistas de investimentos que no passado protegeram o Fed estão agora apresentando artigos e editoriais que o criticam duramente:

http://www.bloomberg.com/news/2010-10-28/schwarzman-says-more-fed-easing-won-t-make-much-difference.html

http://www.guardian.co.uk/business/2010/nov/08/fed-quantitative-easing-may-lead-to-disaster

http://www.politico.com/static/PPM182_101115_bernanke_letter.html

http://money.cnn.com/2010/10/05/news/economy/Fed_quantitative_easing/index.htm

Até mesmo o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, entrou em ação e declarou que a Flexibilização Quantitativa 2 é um perigo para os mercados mundiais:

http://www.reuters.com/article/idUSTRE6AA00320101111

Entretanto, ele seguiu seus comentários com a seguinte afirmação:

"Se o G-20 for sério em prometer manter o comércio multilateral aberto e o sistema financeiro internacional que o patrocina, deve estar disposto a abrir mão de um elemento da soberania de modo a obter ganhos líquidos para todos."

Ah, aqui está o ardil! A grande mídia está começando a soar como o Movimento da Liberdade no que se refere à Reserva Federal, mas isto não é necessariamente uma coisa boa. O que está acontecendo é um esforço conjunto para retratar o Fed como a raiz do colapso, mas é somente um ataque ao Fed como uma instituição. Os globalistas que operam os bancos centrais em todo o mundo não serão responsabilizados, somente um aspecto de sua casa fiscal. Greenspan revela a verdadeira intenção das novas críticas ao Fed no comentário acima. O banco central está sendo oferecido em sacrifício, como um bode expiatório da gerência intermediária de Maquiavel, para apaziguar as massas furiosas enquanto os verdadeiros vilões escapam incólumes.

É uma certeza que a solução oferecida ao "problema do Fed" será a ingerência do FMI na economia e no governo dos EUA. De acordo com eles, um "elemento de soberania" terá de desaparecer. O que isto realmente significa é a substituição de uma construção bancária elitista por outra ainda mais invasiva. Essa estratégia poderá ser aterrorizadoramente eficaz contra aqueles que podem estar convencidos que o fim do Fed é uma "vitória", quando na verdade é apenas a abertura da porta para um horror maior.

O Fed precisa ser fechado? Certamente que sim! Mas não podemos permitir que ele seja usado como uma parte do jogo de acusações, um instrumento para nos levar a aceitar uma tirania mais profunda. Não devemos contemporizar na questão dos bancos centrais. Para os EUA sobreviverem, o Sistema da Reserva Federal precisa desaparecer, mas nenhuma outra organização com a função de um banco central, sob qualquer circunstância, deve substituí-lo.

Permanecendo Focados no Verdadeiro Inimigo. Para toda doença existe uma causa-raiz, talvez um micróbio ou um parasita insidioso seja responsável pela nossa dor. Se enfocarmos na dor, ou tentarmos tratar os sintomas somente, nunca nos livraremos daquilo que causa a doença. Os bodes expiatórios e as distrações por parte dos globalistas têm o objetivo de nos manterem correndo em círculos após as extremas dificuldades provocadas pelos desastres que eles mesmos criam, e distantes da causa-raiz do problema.

O jogo de acusações se tornará intenso no ano de 2011 e parte dele, independente de estarmos bem informados sobre a farsa, começará a parecer lógico, especialmente se o medo se tornar um fator dominante. Isto têm de ser superado custe o que custar. A questão da verdadeira responsabilidade precisa ser sempre apresentada: Quem REALMENTE teve a iniciativa, o conhecimento e a riqueza alocada necessária para produzir este colapso? Quem se beneficiará no fim? A China? Os vigilantes dos títulos? Nós, o povo comum? Ou, serão os que correm atrás do poder e os bandidos da moeda fiduciária que trabalham para a elite, a classe social de apenas 1% que está no topo? Pare, olhe para onde o controle está sendo direcionado e verá o verdadeiro monstro olhando diretamente para você.



Autor: Brandon Smith, http://www.alt-market.com
Data da publicação: 6/1/2011
Transferido para a área pública em 7/1/2012
Revisão: http://www.TextoExato.com
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