Autor: Jeremy James, Irlanda, 12/10/2025.
Deus disse que preservaria Sua Palavra. Para muitos, uma promessa desse tipo precisa certamente depender da intervenção humana, como as medidas que um grupo religioso possa tomar para proteger e preservar seus textos sagrados. Pareceria impossível garantir a integridade, armazenamento seguro e transcrição exata dos antigos manuscritos a não ser que um sistema confiável estivesse em vigor para esse propósito. Os museus e outras instituições dedicadas à preservação das antiguidades parecem também ser essenciais. A preservação poderia até ser fortuita, como a descoberta por acaso de pergaminhos, ou rolos, na adega de um monastério remoto, ou em jarros de barro armazenados em um ambiente seco e sem a circulação de ar.
A partir do Salmo 12 sabemos que a promessa que Deus fez se refere a um padrão de preservação que vai muito além disso! Ele poderá usar, mas não é dependente dos sistemas humanos, da engenhosidade ou dos esforços humanos. Isto é incondicional. O próprio salmo define a cena, explicando por que Deus fará isso e por que isso é essencial para a redenção da humanidade:
"Salva-nos, SENHOR, porque faltam os homens bons; porque são poucos os fiéis entre os filhos dos homens. Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobrado. O SENHOR cortará todos os lábios lisonjeiros e a língua que fala soberbamente. Pois dizem: Com a nossa língua prevaleceremos; são nossos os lábios; quem é senhor sobre nós? Pela opressão dos pobres, pelo gemido dos necessitados me levantarei agora, diz o SENHOR; porei a salvo aquele para quem eles assopram. As palavras do SENHOR são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes. Tu os guardarás, SENHOR; desta geração os preservarás para sempre. Os ímpios andam por toda parte, quando os mais vis dos filhos dos homens são exaltados." [Salmos 12:1-8].
Observe o apelo humano bem no início Salva-me, SENHOR! O justo está sob risco de ser destruído. Aqueles que seguem suas próprias opiniões rejeitam a autoridade soberana de Deus. Em seu orgulho e vaidade. eles expressam seu desprezo em um grau que os pobres e necessitados estão em perigo. O Senhor Deus respondeu, não com uma promessa de enviar um exército, mas com uma promessa de enviar Suas palavras! Elas irão protegê-lo! Além disso, Ele irá garantir que Suas palavras sempre estejam disponíveis. O justo nunca fica sem elas. Até quando os ímpios andam ao redor e os homens mais vis são exaltados condições que prevalecem hoje as palavras de Deus irão nos proteger.
Esta é uma declaração admirável da verdade. Deus está dizendo para nós que Sua Palava é incrivelmente poderosa. Podemos fazer uso dela a qualquer tempo, mesmo nas situações mais extremas ("Salva-me!") e encontraremos a força e os recursos que necessitamos.
O Salmo está dizendo claramente que o homem não pode sobreviver sem a Palavra de Deus. Portanto, Deus promete que Sua Palavra sempre estará disponível. Ele a preservará para sempre.
Quando estão em cargos de importância, os homens mais vis tentarão erradicar a Palavra de Deus. Eles tentarão suprimi-la, distorcê-la ou destruí-la. Mas, Deus diz que isso nunca acontecerá. Esses homens não serão bem-sucedidos. Deus preservará Suas palavras para sempre.
A redenção da humanidade depende disso. Como o apóstolo Paulo diz em Romanos 10:17:
"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus."
Viemos à fé ao ouvirmos a Palavra de Deus. Poderia isso ser mais claro? Ela é vital para nossa salvação e para completar o corpo de Cristo na Terra.
Além disso, depois que somos salvos, como membros da igreja, o corpo de Cristo, precisamos estar santificados. Isto também depende da Palavra!
"Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível." [Efésios 5:25-27].
Essa santificação precisa continuar enquanto a igreja estiver na Terra. Portanto, a Palavra também precisa estar disponível continuamente para os fiéis.
Isso nos traz para a questão levantada em nosso ensaio anterior ("Por Que a Primeira Mentira no Jardim do Éden Está Prosperando Hoje?") isto é, o crescente ceticismo entre muitos cristãos professos com relação à infalibilidade e inerrância da Bíblia.
O leitor frequente que mencionamos no ensaio anterior nos enviou alguns exemplos dos comentários que ele recebeu de cristãos que ele conhece há muitos anos. Todos refletem uma falha acentuada da parte deles em reconhecer aquilo que o Maligno estava fazendo para abalar a confiança deles na Bíblia. Eles também refletem uma acentuada indisposição da parte deles de se voltar para a Bíblia e encontrar os versos que satisfariam a busca deles.
É nosso objetivo neste ensaio atual destacar esses versos e expor, da melhor forma que pudermos, a lógica que está por trás deles. Para aqueles que falam com um "coração dobrado" como declara o Salmo 12 citado acima há provavelmente muito pouco que podemos dizer que mudaria a mente deles.
Mas, para aqueles que têm preocupações genuínas e não conseguem solucioná-las, nossa análise desta questão poderá provar ser útil.
De modo a habilitar os fiéis cristãos a refletirem de forma mais profunda no poder de Sua Palavra, o Senhor Deus nos deu o Salmo 119. Esse é, de longe, o o Salmo mais extenso de todos. Ele se concentra inteiramente em uma simples verdade, que a Palavra de Deus é exatamente como o apóstolo Paulo mais tarde descreveu em sua segunda carta a Timóteo: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra." [2 Timóteo 3:16-17].
Observe a palavra "perfeito" . A Palavra de Deus atesta sua própria suficiência e inerrância quando afirma levar o homem de Deus à perfeição.
Davi, o autor deste Salmo, organizou-o em 22 seções para espelhar as 22 letras todas consoantes do alfabeto hebraico. Ao fazer isso, ele está mostrando que, exatamente como as letras do alfabeto permitem que toda a literatura seja registrada, os anais da Escritura permitem que a totalidade da revelação de Deus para a humanidade seja registrada.
"Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, ordena agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos." [Atos 17:30].
Deus não está simplesmente convidando os seguidores de todas as religiões, junto com os ateus e agnósticos, a se arrependerem e aceitarem Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. Ao revés, Ele está ordenando que eles façam isso! Toda pessoa na Terra hoje está sujeita a essa ordem. Quando Cristo retornar e inaugurar o Reino Milenar, as únicas pessoas que restarão vivas serão aquelas que fizeram isso.
Esta é uma razão adicional por que Deus prometeu preservar Sua Palavra. A Palavra traz uma ordem para todos que estão vivos hoje e para todas as gerações. Os membros de outras religiões poderão afirmar que a Bíblia não fala para eles pessoalmente, mas eles estão enganados. Ela fala! Deus manda que todos os homens e mulheres em toda parte se arrependam. Além disso, Ele adverte que determinou um dia de julgamento para cada um deles. e o juiz em todo caso será Jesus Cristo.
A Bíblia deveria ser vista como um livro que fala clara e explicitamente para toda a humanidade, para todos na Terra. Assim, ela precisa continuar disponível, como uma advertência e um chamado solene para o arrependimento para os membros de todas as religiões. O tempo para responder a esse chamado está se esgotando rapidamente:
"Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar." [Isaías 55:6,7].
É vital para nosso bem-estar e proteção espiritual que confiemos no poder da Palavra de Deus. O Maligno detesta a Palavra de Deus por uma razão muito boa! A Palavra inflige dano imediato contra a comunidade dele quando um fiel cristão verdadeiro a profere em voz alta. O reino dos demônios não tem defesa alguma contra a Palavra de Deus.
Quando Satanás tentou o Senhor Jesus, este citou a Escritura para repreendê-lo. A repreensão em Mateus 4:4 está baseada em Deuteronômio 8:3:
"E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem." [Deuteronômio 8:3].
"Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus." [Mateus 4:4].
Estes versos mostram não somente o poder da Palavra, mas nossa necessidade vital dela. Ela alimenta nossa alma. Além disso, os versos acima enfatizam a totalidade da Palavra de Deus, nossa dependência em todas as obras da Escritura. "Toda palavra", Jesus disse. E isso significa toda palavra mesmo.
Ele também estava nos lembrando que a Escritura veio da boca de Deus. Ela saiu do fôlego de Deus. Assim, quando os céticos questionam a inerrância da Bíblia, ao mesmo tempo que professam acreditar naquilo que Jesus ensinou, eles estão falando besteira. Jesus, a Palavra encarnada de Deus, aponta para a Escritura, a Palavra de Deus registrada e confirma que toda ela veio de seu Pai!
Alguns céticos e apóstatas também gostam de afirmar que não temos certeza de que a Bíblia que temos em mãos hoje é a mesma Palavra à qual Jesus estava se referindo. Podemos ter certeza? eles repreendem. Bem, como crentes na Palavra de Deus, sabemos com certeza de que Deus quis preservar Sua Palavra por todas as gerações, e declarou isso também no mesmo livro da Bíblia que Jesus citou três vezes em Sua repreensão a Satanás:
"As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei." [Deuteronômio 29:29].
Quando fala das "coisas reveladas" para nós, o texto está falando da Bíblia, a Palavra de Deus. Ela foi dada para nós. Ela nos pertence e a teremos para sempre. Sim, para sempre!
Quando uma pessoa é tentada a perder a confiança na veracidade, inerrância ou na suficiência da Palavra de Deus, ela deveria fazer exatamente aquilo que Jesus fez quando citou três versos de Deuteronômio (8:3, 6:16. e 6:13). A resposta dele pra Satanás foi basicamente dizer: (1) a Palavra de Deus é a verdade! (2) Não tente a Deus! (3) Vai-te, Satanás! "Por que está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás."
Um abismo separa aqueles que amam a Palavra de Deus daqueles que não amam. Para aqueles que querem atravessar para o lado dos fiéis que creem, o Espírito Santo fornecerá uma ponte. A argumentação humana, entretanto, não servirá a propósito algum.
O salmista nos diz que a Palavra de Deus existe no céu e existia assim, como o livro de Atos confirma, desde a fundação do mundo:
"Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra permanece no céu." [Salmos 118:89].
"Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras." [Atos 15:18].
Como ela existia desde o início do mundo, ela continha todas as palavras dos profetas antes dos próprios profetas nascerem. Temos uma rápida visão disso no livro de Daniel, onde um anjo foi enviado por Deus em resposta a uma oração sincera de Daniel (que tinha jejuado durante três semanas inteiras). Daniel buscava certezas a respeito do futuro de Israel e alguma indicação dos eventos que poderiam ocorrer antes da chegada do Messias.
Antes de dar um relato profético detalhado dos acontecimentos políticos que afetariam a nação de Israel, relacionados principalmente com a Síria e o Egito, e chegando até o fim dos tempos, ele fez as seguintes declarações:
"Mas eu te declararei o que está registrado na escritura da verdade; e ninguém há que me anime contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe." [Daniel 10:21].
Ele está dizendo a Daniel antecipadamente que tudo que ele está prestes a dizer está registrado na "escritura da verdade" no céu. Esta, é claro, é a Bíblia. Ele até acrescenta que ele está especialmente bem qualificado para trazer essa informação por que, de todos os anjos, somente o arcanjo Miguel tinha um melhor conhecimento dessas profecias.
Depois de transmitir sua mensagem detalhada, ele disse:
"E tu, Daniel, encerra estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e o conhecimento se multiplicará." [Daniel 12:4].
Isto nos diz que Daniel deveria registrar na Palavra de Deus as informações transmitidas pelo anjo e não se perturbar mais, pois o significado total daquilo que lhe foi informado somente se tornaria aparente no fim dos tempos.
Isto implica claramente que a Bíblia estará aqui na Terra durante toda a história, até o fim dos tempos, e aqueles que a leem incluindo qualquer um que estiver vivo hoje pode ter toda confiança na exatidão e veracidade dela.
O profeta Isaías teve uma experiência similar. Após o Senhor Deus lhe dar uma série de julgamentos proféticos contra as nações que procuravam a destruição de Israel, Ele disse:
"Vai, pois, agora, escreve isto numa tábua perante eles e registra-o num livro; para que fique até ao último dia, para sempre e perpetuamente." [Isaías 30:8].
Novamente vemos como o Espírito Santo coloca Sua Palavra para o registro terreal da Escritura, acrescentando que a humanidade terá acesso a ela para todo o sempre.
Recebemos a seguinte mensagem de correio eletrônico do leitor mencionado anteriormente. A mensagem nos motivou a escrever este ensaio, bem como o anterior ("Por Que a Primeira Mentira no Jardim do Éden Está Prosperando Hoje?"):
Outro assunto que está muito em minha mente neste momento é como Satanás agora parece estar no modo de ataque total contra a autoridade da Escritura. Corroer aos poucos um fundamento do Cristianismo é uma tática sagaz. Eu sei que Satanás sempre fez isso, como muitos ensaios no seu web site salientam. Mas, essa parece ser uma razão cada vez mais comum por que alguns crentes desconstroem e/ou perdem sua fé. Apresento abaixo alguns comentários feitos por cristãos em conversas comigo ao longo dos últimos 3-4 anos (um deles é um cristão há mais de 40 anos!): "Parte da Bíblia é inspirada, mas não podemos confiar na canonização dela, de modo que algumas pequenas partes da escritura inspirada foram provavelmente deixadas de fora e algumas pequenas partes incluídas que não deveriam estar ali." "A Bíblia é inspirada, mas somente no mesmo modo como C. S. Lewis foi inspirado." "As evidências para a seleção e canonização da Escritura não se mantêm em pé." "Nossa igreja atual defende a inerrância da Escritura. Estamos saindo para encontrar uma que não defenda." Esses comentários foram feitos por pessoas que não são mais parte de uma igreja e uma, no mínimo, deixou totalmente de crer. Eu observo que há agora uma diferença nas mentes de alguns entre infalível e inerrante (como no último comentário). Parece que esta distinção permite que os cristãos acreditem na autoridade espiritual da Bíblia (sua infabilidade), mas não sua "correção" científica ou histórica (sua inerrância). |
Há muita coisa a destrinçar neste amontoado de confusão. Nosso correspondente fez bem em identificar tantas questões, todas as quais derivam em sua inteireza de uma falha por parte dos cristãos interessados em se voltarem para a Palavra de Deus em busca de respostas. O aspecto satânico desta confusão é mais evidente no modo como ela aponta um caminho ao indivíduo a partir do próprio lugar o único lugar! onde suas respostas podem ser encontradas. Esse é o poder sinistro da primeira mentira no Jardim do Éden!
Não há nada humanamente que possamos fazer para solucionar as dificuldades deles, a não ser que eles estejam preparados para retornar com humildade à Palavra de Deus e, por assim dizer, começar tudo novamente.
As pessoas hoje esperam respostas de um especialista, um erudito, um cientista, alguém em posição de autoridade que sabe como "corrigir" as coisas. Mas, isso não funciona no que se refere à nossa salvação. Este é o domínio da soberania de Deus e não temos outra autoridade além da Bíblia. É por isso que a fé é o fundamento da salvação. Em algum ponto, precisamos confiar em Deus (ou confiar Nele o suficiente) para responder às nossas necessidades.
Ouvindo aquelas palavras fatais, "É assim que Deus disse?" os cristãos citados cortaram as amarras de atracação e permitiram que seus barcos fossem levados pelas ondas e ventos. Isto é fácil de fazer, não requer esforço e pareceria ser alguma coisa que podemos desfazer sempre que quisermos. Mas, não podemos. Continuamos a ser levados pelas ondas e ventos. E, quanto mais para longe formos levados, mais esforços teremos de fazer para remar de volta até nossa baia de atracação. Em seguida, após algumas semanas ou meses, entramos em mar aberto e encontramos uma forte tempestade. Se tivéssemos permanecido atracados, a tempestade poderia ter vindo, mas ficaríamos sem um único arranhão. Mas. achávamos que sabíamos melhor o que fazer. Os efeitos poderão ser devastadores.
Os quatro comentários feitos pelos cristãos vacilantes mencionados acima pareceriam derivar de uma falha em encontrar respostas satisfatórias para uma ou mais das seguintes perguntas (Não estamos repreendendo as pessoas envolvidas, mas tentando identificar a origem de suas dificuldades):
1. Como podemos ter certeza de que todo verso que Deus quis que fosse incluído no texto da Escritura ainda está ali e nem um outro verso. ou versos (ou livros) foram adicionados? 2. Como podemos saber que os profetas estavam obtendo toda sua inspiração de Deus, enquanto que outras obras aparentemente inspiradas não têm autoridade dada por Deus? 3. Como podemos ter certeza de que o cânon da Escritura (o conjunto de livros incluídos na Bíblia hoje) é aquele ordenado por Deus? 4. Como podemos conciliar as aparentemente discrepâncias entre a cosmologia da Bíblia e o modelo do mundo ensinado pela ciência moderna? |
Uma pessoa enviou ao nosso leitor um relato detalhado das razões por que ela tinha grande dificuldade para aceitar o relato de Jesus dado no Novo Testamento. Na opinião dessa pessoa, os fatos registrados poderiam de forma igualmente fácil ser interpretados como um retrato de um homem de capacidade excepcional, tanto com relação ao conhecimento da cura e a habilidade com que ele transmitia sua mensagem de amor. Essa pessoa não aceita a divindade de Jesus, nem sua ressurreição dos mortos, nem seu nascimento virginal.
Podemos condensar esta posição em outra pergunta:
5. Por que deveríamos aceitar como verdade literal o relato de Jesus dado no Novo Testamento, especialmente dado os meios bastante primitivos de comunicação e de verificação de fatos disponíveis nos tempos apostólicos? |
Antes de tratarmos essas cinco perguntas "básicas", gostaríamos de citar uma declaração admirável que Jesus fez durante a revelação dada a João na ilha de Patmos. Depois de descrever seis igrejas no capítulos 2 e 3, onde as forças e fraquezas delas foram identificadas, Jesus fala da igreja do fim dos tempos, a igreja de Laodiceia. Embora as sete igrejas fossem comunidades eclesiásticas reais na região ocidental da Ásia Menor (a Turquia atual) naquele tempo (cerca do ano 95 DC), a descrição dada por Jesus foi também uma declaração profética a respeito da igreja como um todo ao longo da história, até a Segunda Vinda de Cristo. A fase da história da igreja em que estamos agora é a de Laodiceia. Observe como Jesus descreveu a maioria dos membros professos da igreja de hoje:
"Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu." [Apocalipse 3:17].
Este é o homem em seu estado natural e não regenerado! É por isso que o homem necessita de um Salvador! Ele está caído, morto em ofensas e pecados; e ele está separado profundamente de Deus. A não ser que ele se arrependa antes de morrer e aceite Jesus como seu Senhor e Salvador, ele está condenado às trevas exteriores para sempre.
Como Cristo é a luz do mundo, qualquer um que rejeite a Cristo está rejeitando a luz. Ele ou ela está rejeitando a graça imensurável e as bênçãos que fluem para Cristo a partir do Pai e, por meio do sangue da cruz, para todos que vieram à fé em Cristo.
Aqueles que fazem qualquer uma das 5 perguntas e preferem ignorar a Palavra de Deus estão se colocando em grande perigo. Eles pensam tolamente que "de nada têm falta", quando na realidade são desgraçados, miseráveis, pobres, cegos e nus.
Tendo em mente essa avaliação severa por parte de Jesus a respeito de nossa verdadeira condição espiritual, devemos refletir com muito cuidado a respeito do propósito das perguntas que estamos fazendo. Elas são verdadeiramente imparciais, ou são dirigidas na maior parte por nossa rebelião contra Deus? Aceitaremos uma resposta bíblica ou continuaremos a fazer aquilo que nossa natureza caída exige e faremos ainda mais perguntas? Lembre-se, nossa natureza não é nossa amiga. Ela luta contra Deus o tempo todo, até que venhamos à fé em Cristo.
Vejamos agora cada um dos questionamentos:
1. Como podemos ter certeza de que todos os versos que Deus quis para inclusão no texto da Escritura ainda estão ali e outros versos (ou livros) não foram adicionados?
Deus disse que preservaria Sua Palavra para sempre. Isto significa que ela contém tudo que Ele colocou ali e nada mais. É tarefa nossa aceitar humildemente que Ele honrará Sua promessa: "Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente." [Isaías 40:8].
2. Como podemos saber que os profetas estavam obtendo toda sua inspiração de Deus e que outras obras aparentemente inspiradas não tinham autoridade dada por Deus?
Os profetas que contribuíram para a Palavra de Deus escrita foram escolhidos por Deu. Eles não escolheram a si mesmos. Eles não eram místicos. Deus os chamou e falou para eles, e eles registraram tudo aquilo que lhes foi revelado para inclusão na Palavra de Deus.
Não faz sentido algum falar de outros escritos "inspirados". Eles não existem. No máximo, existem reflexões sábias e perspicazes a respeito da Palavra de Deus, escritas por homens justos que foram movidos pelo Espírito. Os melhores comentaristas da Bíblia encaixam-se-se nessa categoria:
"A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos juízos da tua justiça dura para sempre." [Salmos 119:160].
3. Como podemos ter certeza de que o cânon da Escritura (o conjunto de livros incluídos na Bíblia hoje) é aquele ordenado por Deus?
Por alguma razão, algumas pessoas podem aceitar que Deus fez o mundo, mas têm grande dificuldade em acreditar que Ele pode preservar Sua Palavra! É uma marca da nossa condição caída que permitimos que o Maligno tente nos fazer errar deste modo. Deus fará tudo aquilo que disse que fará. Ele honrara todas Suas promessas. Não há nada que o homem ou Satanás possa fazer para frustrar o propósito de Deus. Nabucodonosor, um rei gentio, compreendeu isto:
"E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?" [Daniel 4:35].
4. Como podemos reconciliar as aparentes discrepâncias entre a cosmologia da Bíblia e o modelo do mundo ensinado pela ciência moderna?
Já publicamos vários estudos em nosso web site que mostram que parte daquilo que a ciência moderna ensina como fato na realidade é falso. Satanás "inspirou" seus devotos a contar essas mentiras e fazê-las parecer convincentes. Elas são criadas para contradizer a Bíblia e fazer parecer que a Palavra de Deus contém erros.
Considere os dinossauros, por exemplo. A hipótese foi proposta inicialmente em meados do século 19 por ateístas ingleses. Ela é uma total bobagem, mas a mídia persuadiu o público que esses monstros reptilianos perambulavam por toda a Terra no passado. Modelos dessas criaturas fictícias começaram a aparecer em museus na Europa e EUA, financiados por um grupo de maçons e pagãos multibilionários. Eles usaram essas falsificações demoníacas, criadas com arame, resina e gesso para convencer as massas incautas que a Terra tem milhões de anos de idade. É claro que isso contradiz o relato da Criação no Gênesis, exatamente como os ímpios planejadores queriam. A fraude foi grandemente bem-sucedida e, como resultado, muitas pessoas começaram a duvidar da Bíblia.
Essa fraude foi aumentada por outra, a hipótese da grande evolução, promovida inicialmente por Charles Darwin em seu livro A Origem das Espécies, publicado em 1859. Essa também foi uma pura bobagem. Ao longo do tempo, porém, por meio da repetição constante e apoio dos acadêmicos que odiavam a Bíblia, a teoria ganhou tração.
Veja em nossos ensaios "Quando a Ciência e a Magia se Combinam: A Fraude Gigantesca Conhecida como Teoria da Evolução" e "A Arte do Engodo: Por Que os Dinossauros São uma Fraude" as evidências objetivas que os dinossauros e a Evolução foram fraudes criadas pelo estamento luciferiano britânico para solapar a confiança do público na Bíblia. |
Deus nos deu Sua Palavra para nos ajudar a encontrar o caminho da redenção. Este foi um ato de amor da parte de Deus. Por outro lado, Satanás odeia a humanidade e quer que todos nós passemos a eternidade no lago de fogo. Ele conta o maior número de mentiras que puder para solapar a integridade e veracidade da Bíblia, para colocar suas palavras em questão e levar os incautos a cortar suas amarras de atracação. Dali para frentes eles serão levados sem rumo em um mar de incertezas onde Satanás poderá emboscá-los e destruí-los.
Em toda a Bíblia o Senhor Deus compartilha os pensamentos de Seu coração com cada um de nós. É nossa responsabilidade pensar com cuidado a respeito de tudo que Ele nos disse e não permitir que a Serpente corrompa nossas mentes frágeis:
"O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração." [Salmos 33:11].
5. Por que deveríamos aceitar como verdade literal o relato de Jesus apresentado no Novo Testamento, especialmente se considerarmos os meios bem primitivos de comunicação e "verificação de fatos" disponíveis nos tempos apostólicos?
Se Deus quis se comunicar conosco e usou Seus profetas no antigo Israel e durante os tempos apostólicos para fazer isso, por que Ele diria alguma coisa que não fosse verdade? Isso não faz sentido. Se estamos convencidos que alguma parte do que Ele diz em Sua Palavra é verdade por que ela veio Dele, então sabemos que o restante precisa ser verdadeiro também. Uma pessoa poderia dizer que isso é lógico e é! mas em nossa condição caída, em que a raiz da rebelião e a sombra do medo ainda estão ativos dentro de nós e não somos muito lógicos:
"Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação [2 Timóteo 1:7].
Não precisamos rastrear a fonte das informações reunidas por cada autor que contribuiu para o Novo Testamento. Uma "mente sã" deveria nos dizer que isso é claramente impossível. Os autores do Novo Testamento adquiriram seu conteúdo bíblico do mesmo modo que os do Velho Testamento. Como Moisés soube a respeito do Dilúvio e das várias medidas tomadas por Noé? O Dilúvio ocorreu cerca de 1.000 anos antes do nascimento de Moisés. Milhares de outros fatos são conhecidos dos autores da Escritura por que o Espírito Santo fez com que eles soubessem por qualque meio que Ele considerou apropriado:
"O teu nome, ó SENHOR, dura perpetuamente, e a tua memória, ó SENHOR, de geração em geração." [Salmos 135:13].
Podemos pensar na Bíblia como um "relatório" (ou pregação) de Deus. Ela é o veículo que o Senhor Deus usou para nos contar antecipadamente a respeito de Seu Filho:
"Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR?" [Isaías 53:1].
O "braço do Senhor" fala do poder e autoridade que Ele expressará por meio de Seu Filho, Jesus Cristo. O Messias é revelado somente para aqueles que creem em Sua pregação. Ele então prosseguiu para comunicar algumas declarações proféticas verdadeiramente admiráveis a respeito de Jesus, tornando Isaías 53 uma das passagens mais gloriosas em toda a Escritura.
Cabe a nós crer na pregação Dele. Não somos forçados a fazer isso. Para nosso bem-estar e salvação Ele manda que façamos isso, porém a escolha ainda é nossa. O Maligno está fazendo tudo o que pode para levar os homens a duvidarem da pregação de Deus, para atraí-los para as trevas terríveis que aguardam todos que rejeitam a luz, o amor e a misericórdia de Cristo.
O Senhor Deus Todo-Poderoso previu a resistência que os homens exerceriam e colocou em Sua Palavra numerosas declarações referentes à sua pureza, perfeição e preservação, algumas das quais citamos neste ensaio. Mas, Ele também incluiu eventos históricos que lançam mais luz sobre como Sua Palavra entrou no mundo. Considere, por exemplo, Atos 1:16, que referiu-se à ocasião quando Davi escreveu o Salmo 69:
"Homens irmãos, convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus." [Atos 1:16].
O próprio Pedro citou o verso em questão:
"Fique desolado o seu palácio; e não haja quem habite nas suas tendas." [Salmos 69:25].
Atos 16 nos diz que isto foi dito pelo Espírito Santo por meio da boca de Davi.
Como mostra a passagem a seguir, o Espírito Santo não somente falou por meio de Davi nos Salmos, masdeu a Davi o padrão profético, ou plano do Templo que Salomão, seu filho, iria construir:
"E deu Davi a Salomão, seu filho, a planta do alpendre com as suas casas, e as suas tesourarias, e os seus cenáculos, e as suas recâmaras interiores, como também da casa do propiciatório. E também a planta de tudo quanto tinha em mente, a saber: dos átrios da casa do SENHOR, e de todas as câmaras ao redor, para os tesouros da casa de Deus, e para os tesouros das coisas sagradas." [1 Crônicas 28:11-12].
Tudo o que os profetas fizeram, no que se referia à Palavra de Deus, foi falado para eles pelo Espírito Santo, Isso incluiu "símiles", ações externas dos profetas, que tinham um propósito profético:
"Falei aos profetas, e multipliquei a visão; e pelo ministério dos profetas propus símiles." [Oséias 12:10].
Isto poderia ser mais claro e simples? A Palavra de Deus é a palavra de Deus!
Um exemplo dramático disto é dado para nós no livro de Jeremias. O Senhor Deus deu ao profeta uma longa mensagem para ser declarada no Templo. A mensagem, que era altamente crítica à nobreza, era voltada em particular para os ouvidos dos líderes do reino de Judá:
"Sucedeu, pois, no ano quarto de Jeoiaquim, filho de Josias, rei de Judá, que veio esta palavra do SENHOR a Jeremias, dizendo: Toma o rolo de um livro, e escreve nele todas as palavras que te tenho falado de Israel, e de Judá, e de todas as nações, desde o dia em que eu te falei, desde os dias de Josias até ao dia de hoje." [Jeremias 36:1-2].
Jeremias chamou seu secretário Baruque para que este anotasse suas palavras:
"Então Jeremias chamou a Baruque, filho de Nerias; e escreveu Baruque da boca de Jeremias no rolo de um livro todas as palavras do SENHOR, que ele lhe tinha falado." [Jeremias 36:4].
Como naquele tempo o profeta estava sob uma forma de prisão domiciliar, ele instruiu Baruque a ir até o Templo e ler em voz alta o conteúdo do pergaminho. O verso seguinte mostra que Jeremias ouvia as palavras faladas pelo Senhor Deus e as repetia em voz alta para Baruque escrevê-las:
"Entra, pois, tu, e pelo rolo que escreveste da minha boca, lê as palavras do SENHOR aos ouvidos do povo, na casa do SENHOR, no dia de jejum; e também, aos ouvidos de todos os de Judá, que vêm das suas cidades, as lerás." [Jeremias 36:6].
Depois que Baruque leu o rolo diante do povo, um dos nobres do reino pediu que ele fizesse uma leitura em particular diante dele e de seus pares. Eles ouviram atentamente "porque grande é a ira e o furor que o SENHOR tem expressado contra este povo" (verso 7b).
Os nobres em questão ficaram muito alarmados por aquilo que ouviram. Antes de levarem a mensagem ao rei Jeoiaquim, eles quiseram ter certeza de que a mensagem viera do próprio Jeremias:
"E perguntaram a Baruque, dizendo: Declara-nos agora como escreveste da sua boca todas estas palavras. E disse-lhes Baruque: Da sua boca ele me ditava todas estas palavras, e eu com tinta as escrevia no livro." [Jeremias 36:17-18].
Mais tarde, enquanto um alto funcionário lia o rolo diante do rei Jeoiaquim, este ficou extremamente irado e cortou o rolo em pedaços após o funcionário ler algumas páginas, e lançou os pedaços no fogo da lareira. O Senhor Deus respondeu a esse ato grosseiro e blasfemo instruindo Jeremias a preparar um novo rolo:
"Toma ainda outro rolo, e escreve nele todas aquelas palavras que estavam no primeiro rolo, que queimou Jeoiaquim, rei de Judá... Tomou, pois, Jeremias outro rolo, e deu-o a Baruque, filho de Nerias, o escrivão, o qual escreveu nele, da boca de Jeremias, todas as palavras do livro que Jeoiaquim, rei de Judá, tinha queimado no fogo; e ainda se lhes acrescentaram muitas palavras semelhantes." [Jeremias 36:32].
Esta foi uma tentativa deliberada por alguém em posição de autoridade, um governante terreal poderoso, de destruir a Palavra de Deus. Jeoiaquim foi apenas um em uma longa lista de rebeldes e réprobos, que tentaram fazer isso. Deus respondeu registrando as mesmas palavras uma segunda vez, por meio do mesmo profeta e até incluiu algumas palavras adicionais.
O Senhor Deus preservou Sua Palavra das violências e trapaças de todos os tipos e, provavelmente, incluiu o incidente com Jeoiaquim na Escritura para enfatizar o fato!
A propósito, Jeremias profetizou o seguinte a respeito do rei Jeoiaqui: "Em sepultura de jumento será sepultado, sendo arrastado e lançado para bem longe, fora das portas de Jerusalém." [Jeremias 22:19].
O Senhor Deus também protege Sua Palavra contra as tolices, negligências e omissões humanas. Por exemplo, o livro de Provérbios contém o seguinte verso:
"Também estes são provérbios de Salomão, os quais transcreveram os homens de Ezequias, rei de Judá." [Provérbios 25:1].
Os provérbios em questão vão desde o verso 25:2 até o verso 29:27 137 no total. Há uma sugestão aqui que esses provérbios em particular talvez não tivessem sido incluídos no texto da Escritura se os escribas que trabalhavam para o rei Ezequias tendo-os reunido via transmissão oral não tivessem mantido um registro escrito separado de cada um deles. Acredita-se que essa compilação foi feita por volta de 270 anos depois da morte de Salomão.
Há também forte evidência na Bíblia que a Palavra de Deus ficou sob ataque em muitos modos diferentes nos tempos do Velho Testamento. Por exemplo, o profeta Amós teve sua vida ameaçada por um rei pagão e um sacerdote idólatra mandou que ele parasse de pregar a palavra de Deus e voltasse para a terra de Judá:
"Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras. Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da sua terra em cativeiro. Depois Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, e foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; mas em Betel daqui por diante não profetizes mais, porque é o santuário do rei e casa real." [Amós 7:10-13].
Deve ser lembrado que o número de falsos profetas em Israel e Judá excedia em muito o número de profetas verdadeiros. Mentiras infindáveis eram contadas para os reis e governantes para lisonjeá-los e ganhar o patrocínio deles. Muitas dessas falsidades eram provavelmente escritas e circuladas, assim representando um desafio constante para o cânon da Escritura. Jeremias foi assediado durante a maior parte de sua vida por pregar constantemente a Palavra de Deus.
Muitos outros profetas de Deus, não necessariamente profetas escritores, foram perseguidos e executados. Por exemplo, a rainha Jezabel ordenou a execução de tantos profetas de Deus que um alto funcionário do governo escondeu secretamente uma centena de profetas em uma caverna para protegê-los:
"Porque sucedeu que, destruindo Jezabel os profetas do SENHOR, Obadias tomou cem profetas, e de cinquenta em cinquenta os escondeu numa cova, e os sustentou com pão e água." [1 Reis 18:4].
Existe hoje uma concepção errônea comum a respeito da aceitação geral da Escritura nos tempos do Velho Testamento. Nós nos esquecemos que ela despertava tanta aversão e raiva entre os ímpios de então quanto faz em nosso mundo moderno. Muitos dos sacerdotes no Templo praticavam secretamente o paganismo e cooperavam alegremente com o rei, que promovia a idolatria. E, quando os judeus retornaram à Terra Santa depois do cativeiro em Babilônia, eles formularam gradualmente um verdadeiro labirinto de "tradições", mais tarde documentadas no Talmude, que qualificavam, cancelavam, ou se opunham à Palavra de Deus de inúmeras formas.
Dado que esta hostilidade se estende até o tempo de Moisés, a preservação da Escritura nesse ambiente foi um verdadeiro milagre. O cânon da Escritura precisa ter sido guardado muito de perto por homens tementes a Deus que, protegidos pelo Espírito Santo, mantiveram os rolos intactos e impediram os impostores de acrescentarem suas próprias profecias, ou que manipulassem de alguma maneira a integridade do texto. Assim, a canonicidade foi garantida.
Há um episódio extraordinário no segundo livro dos Reis, em que uma cópia do "livro da lei" o Pentateuco ou a Bíblia conforme revelada até aquele tempo foi encontrada no Templo:
"Então disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o livro da lei na casa do SENHOR. E Hilquias deu o livro a Safã, e ele o leu... Também Safã, o escrivão, fez saber ao rei, dizendo: O sacerdote Hilquias me deu um livro. E Safã o leu diante do rei. Sucedeu, pois, que, ouvindo o rei as palavras do livro da lei, rasgou as suas vestes. E o rei mandou a Hilquias, o sacerdote, a Aicão, filho de Safã, a Acbor, filho de Micaias, a Safã o escrivão e a Asaías, o servo do rei, dizendo: Ide, e consultai o SENHOR por mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do SENHOR, que se acendeu contra nós; porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem conforme tudo quanto acerca de nós está escrito." [2 Reis 22:8-13].
Essa cópia da lei pode ter sido uma cópia colocada dentro ou ao lado da Arca da Aliança no tempo em que o Templo foi profanado pelos homens de Manassés. Esse incidente teria acontecido algumas décadas antes. Josias, que tinha 26 anos quando recebeu o livro, ficou grandemente perturbado pelas "palavras do livro da lei". Esse comentário aparentemente referia-se à passagem no Pentateuco que apresenta todas as punições que cairiam sobre Judá se o povo deixasse de obedecer à Lei. Josias certamente conhecia a Lei, mas não estava familiarizado com as severas consequências para Judá se o povo deixasse de guardar a Lei.
O rei ficou em choque. Essas informações não tinham sido mostradas para ele antes. Durante seus anos de formação, ele tinha sido informado das promessas, mas não das penalidades. Ele começou imediatamente a demolir os ídolos nos "lugares altos" em todo o território de Judá.
Vemos nesse episódio dramático um exemplo surpreendente do modo como o acesso à Palavra de Deu estava sendo restringido, até nos tempos do Velho Testamento. Pessoas poderosas em cargos de influência estavam secretamente tentando suprimir a Palavra de Deus. Esse tipo de censura estende-se até o topo da ordem social.
A canonicidade do Velho Testamento foi supervisionada pelos profetas escritores do Velho Testamento, uma linha que chegou ao fim com Malaquias, o último profeta escritor antes da Primeira Vinda de Cristo.
Na profecia das 70 Semanas de Daniel, somos informados que as 70 "semanas" (isto é, períodos de 7 anos) iniciariam com o decreto para a reconstrução dos muros de Jerusalém. Esse decreto foi emitido pelo rei persa Artaxerxes I, em 445 AC. A Palavra de Deus dividiu as 70 "semanas" (490 anos) em duas partes, com a primeira durante 49 anos (Daniel 9:25). Esse ano profético 396 AC (445 AC menos 49 anos) está em concordância com a data estimada para a o fim do tempo de Malaquias. Se, como muitos comentaristas sugeriram, esse é o objetivo intencionado das primeiras "sete semanas" que recebe uma menção expressa na Escritura então a Palavra de Deus estava especificando a data de encerramento do Velho Testamento até que o Messias chegasse.
Nada poderia ser acrescentado ao texto da Escritura antes da Ressurreição.
É importante observar isto, pois o Maligno produziu vários livros espúrios durante esse período intertestamentário, todos competindo para serem incluídos no cânon da Escritura.
Conhecidos como Apócrifos (que significa "duvidosos"), esses livros incluíam Tobias, Judite, Macabeus 1 e 2, a Sabedoria de Salomão, Siraque, Baruque, Susana, Bel e o Dragão, Jubileus, e Esdras 1 e 2. Talvez o mais conhecido hoje seja o controverso Livro de Enoque, que parece ter tido vários autores e que não tem validade canônica (Veja nosso estudo "O Livro de Enoque É uma Perigosa Armadilha Demoníaca").
A canonicidade do Novo Testamento foi decidida por um homem, o apóstolo João, por volta do ano 95. João era filho de Zebedeu, cujo nome significa "Meu presente". Como um profeta de Deus e autor do livro do Apocalipse, ele sabia quais livros o Espírito Santo tinha escolhido para a segunda parte do cânon da Escritura, o presente de Deu para o homem. Exatamente como Malaquias foi o último profeta escritor sobrevivente do Velho Testamento. João foi o último profeta escritor sobrevivente do Novo Testamento. Ele incluiu no livro do Apocalipse, pela palavra do Espírito Santo, uma admoestação similar àquela encontrada no Pentateuco:
"Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR vosso Deus, que eu vos mando." [Deuteronômio 4:2].
"Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás." [Deuteronômio 12:32].
"Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém acrescentar a estas coisas, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." [Apocalipse 22:18,19].
Esses versos relacionados compreendem toda a Escritura. O Senhor Deus está dizendo: Não toquem em minha Palavra! João não teria colocado essa admoestação em seu texto, se não conhecesse o conteúdo canônico do Novo Testamento e que nada mais seria acrescentado até a Segunda Vinda de Cristo.
João também teria visto o aparecimento do Gnosticismo, os jogos filosóficos sagazes que o Maligno faria com a pessoa de Cristo (como Deus encarnado), para produzir obras enganadoras, evangelhos falsificados, que pareciam ter fundamento na verdade. Esses "evangelhos gnósticos" foram mais uma tentativa de Satanás de levar os cristãos para longe da verdadeira compreensão de Cristo, o Evangelho da salvação, e a obra do Espírito Santo. Esses evangelhos gnósticos incluíam o falso Evangelho de Tomé, o falso Evangelho de Filipe, e o falso Evangelho de Maria.
O apóstolo João era com certeza conhecido por virtualmente todos durante o tempo da igreja primitiva O novo texto dele, o Livro do Apocalipse, recebeu ampla circulação na comunidade cristã. Os cristãos conheciam e aceitavam o cânon da Escritura que João aprovava. Assim, o fingimento feito por escritores posteriores, notavelmente os arquitetos da Igreja Católica Romana primitiva, que o cânon era ainda uma questão a ser decidida, foi uma grande bobagem. Aquilo não foi nada além de um estratagema criado para manter aberta a possibilidade de adicionar mais livros à Bíblia, o que é exatamente aquilo que os romanistas fizeram quando incluíram muitos dos escritos apócrifos em sua versão da Bíblia.
João foi provavelmente instruído a decidir a questão sem tardança. Além do aparecimento do Gnosticismo e dos ataques intensos por parte dos judeus radicais contra o Evangelho de Cristo, que tinham continuado sem diminuir, João tinha provavelmente visto muitas tentativas de corromper o Novo Testamento, similares às descritas pelo apóstolo Paulo em sua Segunda Epístola aos Tessalonicenses:
"Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." [2 Tessalonicenses 2:2].
Pessoas desconhecidas tinham escrito para os tessalonicenses em nome de Paulo, afirmando que Cristo já tinha vindo para buscar sua igreja. É muito provável que outras falsificações desse tipo estivessem chegando de cidade em cidade e de igreja em igreja, causando confusão. Um cânon definitivo colocaria fim a tudo isso.
Um pregador muito sábio disse certa vez: "Ele nunca irá nos decepcionar, nunca irá nos deixar e nunca irá se esconder de nós." Assim é a fidelidade de Deus!
Precisamos aprender a confiar Nele e nos esforçar, da melhor forma que pudermos, em guardar Seus mandamentos e preceitos. Ele é um Pai amoroso, que pede que "não rejeitemos a correção do Senhor" (Provérbios 3:11), por que em Seu amor, Ele está nos preparando para aquele grande dia quando estaremos juntos com Seu Filho Jesus Cristo.
Os escarnecedores nasceram para escarnecer. Eles resistem à Palavra de Deus e sentem prazer em zombar de sua veracidade, sua suficiência e sua exatidão. Eles querem identificar as perguntas que terão o efeito mais potente sobre os crentes fracos, as perguntas que abalarão a fé deles e os levarão um pouquinho mais para longe do poder e autoridade da Palavra de Deus.
Não permita que eles façam isso com você! Um presente indizivelmente maravilhoso nos foi dado na Palavra de Deus. Aqueles que receberam o amor da verdade (2 Tessalonicenses 3:10) reconhecerão a riqueza concedida a todos que amam a Palavra de Deus:
"O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos. Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa." [Salmos 19:9-11].
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Autor: Jeremy James, artigo 437 em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 4/1/2026
A Espada do Espírito: https://www.espada.eti.br/Apocalipse/preservar.htm