O Livro de Enoque É uma Perigosa Armadilha Demoníaca

Autor: Jeremy James, 5 de maio de 2017.

Precisamos nos lembrar todos os dias que vivemos em um tempo de tremenda enganação. O Maligno planejou tantas distrações que os fiéis cristãos podem perder horas de tempo precioso em questões sem absolutamente valor algum. Pior ainda, ele criou tantas ciladas e laços, tantas ilusões e mentiras, que sem a Palavra de Deus para nos proteger, seríamos esmagados como carneiros sob uma avalanche.

De modo a usufruir dessa proteção, precisamos ler a Palavra de Deus todos os dias e fazer uma imersão nela. Precisamos crer e confiar nela para vivificar e enriquecer nosso entendimento. É principalmente por meio da reflexão na Palavra que podemos ouvir aquilo que o Espírito Santo tem a nos dizer.

O Maligno Odeia a Palavra de Deus

O Maligno detesta a Palavra de Deus e está fazendo tudo o que está ao seu alcance para contaminá-la, abalar nossa fé nela, desacreditá-la e, por vários meios tortuosos, enfraquecer nossa dependência dela. Um dos estratagemas mais bem-sucedidos e melhor conhecidos tem sido a ampliação das Escrituras. Isto envolve não apenas a inclusão de obras espúrias no cânon das Escrituras, mas a elevação de escritos teológicos não inspirados, até o ponto em que eles distorcem nossa compreensão das Escrituras e nos fazem desviar do caminho.

Os escritos de Ellen G. White são um bom exemplo disso. Um membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia pode estudar a Bíblia com toda a sinceridade mas, se fizer isso por meio das lentes dos escritos da Sra. White, não conseguirá compreendê-la. As distorções são sutis, porém destrutivas. O mesmo é verdadeiro a respeito do Livro de Mórmon e da Pérola de Grande Valor, de Joseph Smith, o fundador do Mormonismo. A Igreja Católica Romana, por outro lado, acrescentou diversos livros apócrifos à Bíblia e, ao fazer isso, contaminou severamente a pureza da Palavra de Deus. Além disso, as encíclicas papais e documentos igualmente imperfeitos foram elevados ao nível de escritos sagrados.

Qualquer livro de domine a compreensão que alguém possa ter das Escrituras pode ter um efeito similar. Neste ensaio examinaremos uma das mais perigosas dessas obras dúplices, o assim chamado Livro de Enoque.

Pano de Fundo

Deve ser compreendido desde o início que o Livro de Enoque é formado na verdade por cinco livros separados, escritos por diferentes autores, reunidos como uma obra única e formada por 108 capítulos.

O primeiro livro, capítulos 1-36, trata dos Guardiões (ou Sentinelas) e Nefilins. Este é, sem dúvida, aquele que exerce a maior influência sobre a moderna literatura especulativa. Os Guardiões são um grupo de anjos caídos, enquanto que os Nefilins são os filhos gerados a partir da união sexual entre esses anjos e as mulheres humanas.

O segundo livro, capítulos 37-71, contém as Parábolas de Enoque. Existem três parábolas ao todo. A primeira trata da natureza do céu, a segunda do conceito enoquiano de um Messias e a terceira trata da natureza da Terra.

O terceiro livro, que consiste principalmente dos capítulos 72-82, lida com a astronomia e os movimentos do corpos celestes.

O quarto livro, capítulos 83-90, contém uma visão apocalíptica do Dilúvio, uma visão do reino milenar e a história de Israel até o tempo dos Macabeus, expressos como eventos que ainda teriam de acontecer.

O quinto livro, capítulos 91-108, também chamado Epístola de Enoque, contém as admoestações de Enoque para seus filhos, bem como reflexões proféticas sobre os destinos dos justos e dos ímpios, respectivamente.

O Livro de Enoque (presumivelmente constituído por todos os cinco livros, embora ninguém saiba com certeza) era conhecido pelos autores do tempo pós-apostólico, alguns dos quais parecem tê-lo considerado como genuíno, embora como isto afetava a interpretação deles das Escrituras é algo também incerto. Entretanto, quando os livros que formam a Bíblia foram selecionados e endossados pelas autoridades eclesiásticas no século 4 DC, o Livro de Enoque não foi incluído. Ele permaneceu esquecido até sua redescoberta mais de mil anos mais tarde.

O Livro de Enoque não foi em tempo algum parte do cânon judaico das Escrituras e não foi incluído na Septuaginta, a tradução do Velho Testamento para língua grega, que foi completada por volta de 130 AC. [Daqui para frente, quando falarmos do Livro de Enoque, estamos nos referindo aos cinco livros, exceto quando um número menor for indicado.].

A única versão completa do "livro" (isto é, os livros 1-5 em um único volume) está em idioma ge'ez, ou etiópico, datando do século 16, aproximadamente. Cópias dessa versão foram descobertas pelo explorador escocês James Bruce, em 1773 e levadas para a Europa. A primeira tradução em inglês somente foi publicada em 1821.

Os Rolos do Mar Morto contêm fragmentos em aramaico de quatro dos livros (fragmentos do Livro das Parábolas não foram identificados). Esses fragmentos contêm texto suficiente para permitir que o lugar deles no Livro de Enoque seja determinado, mas não para confirmar que a versão encontrada por Bruce é substancialmente a mesma que aquela com base em que os fragmentos de Qumran estavam baseados.

Os eruditos fizeram uma estimativa incerta dos períodos em que os livros foram escritos. Nenhum acadêmico de reputação, tanto quanto seja do nosso conhecimento, atribui a obra como um todo a Enoque, o filho de Jarede, mencionado em Gênesis 5:18. É aceito universalmente que, como quase toda a literatura apócrifa, o Livro de Enoque foi escrito naquilo que é frequentemente chamado de período inter-testamentário, após o último dos livros do Velho Testamento ter sido escrito (cerca de 400 AC), porém antes do aparecimento das primeiras obras do Novo Testamento. Essas obras eram frequentemente tornadas atraentes para os leitores ingênuos, atribuindo-as falsamente a um personagem de renome, como Salomão, Noé ou Enoque. Uma tática similar foi usada posteriormente para propagar os assim chamados evangelhos gnósticos, em que escritos fraudulentos foram atribuídos aos apóstolos, como o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Felipe, ou o Apocalipse de Paulo.

Embora aparentemente não exista até aqui consenso sobre quando cada um dos cinco "livros" foi escrito, é consenso geral que porções podem ser anteriores à revolta dos Macabeus de 167 AC, enquanto que outras partes podem ter sido redigidas no primeiro século AC, porém antes da chegada dos romanos, em 63 AC. O Livro das Parábolas, por outro lado, provavelmente foi escrito no fim do primeiro século DC.

O ataque à Palavra de Deus tem ocorrido, não apenas a partir no período apostólico e dali para frente, mas desde o exílio na Babilônia, se não antes. Por exemplo, durante o exílio, um grupo influente de judeus apóstatas iniciou a tradição talmúdica em que os comentários feitos pelos rabinos mais doutos eram considerados como de mesma autoridade que as Escrituras. Jesus repreendeu os fariseus por elevarem suas "tradições" desse modo: "E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição." [Marcos 7:9]. Ele até mesmo os descreveu como uma geração de víboras e serpentes (Mateus 23:23). Portanto, não deveríamos estar surpresos que esses vários grupos apóstatas e hipócritas estivessesm dispostos a dar credibilidade às obras que não foram aceitas no cânon das Escrituras.

Deus Preserva Sua Palavra

Deus disse que preservaria Sua Palavra. O cânon das Escrituras foi fechado por volta do ano 96, quando o apóstolo João completou o livro do Apocalipse. Ao fazer isso, João teria sido capaz de confirmar para seus discípulos o conteúdo, ou os livros que constituíam o Novo Testamento, bem como aqueles da Bíblia como um todo. A Igreja Católica Romana gosta de perpetuar o mito que o conteúdo do Novo Testamento não foi finalmente determinado até o século 4, porém faz isso principalmente para afirmar seu controle sobre a Bíblia.

Quando João escreveu Revelação 22, o último capítulo do livro (e da Bíblia), ele estava formalmente fechando o cânon das Escrituras e, ao fazer isso, precisava saber exatamente qual era esse cânon:

"Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." [Apocalipse 22:18-19].

Como a Palavra de Deus é um todo orgânico, sabemos que esses versos se aplicam à Bíblia como um todo e não apenas ao livro do Apocalipse. Isto significa que, desde o início do século 2, a igreja, o corpo dos fiéis verdadeiros, sabia exatamente quais livros estavam na Bíblia. O Livro de Enoque não era um deles.

O Fascínio Moderno pelo Livro de Enoque

Hoje, o Livro de Enoque veio a ser considerado por muitos como um livro que "deveria" ter sido incluído na Bíblia, mas que inexplicavelmente foi excluído. Seus admiradores afirmam que ele responde a tantas questões e preenche tantos vãos no nosso conhecimento que ele tem de ser verdadeiro. Até mesmo os primeiros autores apostólicos falaram bem dele, incluindo Clemente de Alexandria, Irineu e Tertuliano. Além disso, como não há registro da razão por que ele foi excluído da Bíblia, eles argumentam que ele deve ter sido colocado de lado unicamente por razões políticas. Muitos afirmam que o livro foi ativamente suprimido pela Igreja Católica Romana, pois continha ideias que eram inconsistentes com a teologia católica. Alguns até mesmo acreditam que Deus permitiu que ele desaparecesse até nossa época moderna, quando seu conteúdo seria vital para nossa compreensão da profecia e do bem-estar da igreja no fim dos tempos.

Existe uma indústria inteira dedicada a este livro, com uma conferência profética após a outra exaltando suas preciosidades em termos de revelações. A literatura que se relaciona com este livro é bem extraordinária. Diversos autores bem conhecidos, incluindo muitos que afirmam serem cristãos, continuam a produzir livros e vídeos que tratam o Livro de Enoque como um texto histórico factual.

Uma grande conferência profética realizada em julho de 2016 em Colorado Springs — um local bem conhecido para eventos de Nova Era, esotéricos e ocultistas — teve uma longa lista de palestrantes que estão promovendo a agenda dos Nefilins, incluindo Tom Horn, Gary Stearman, L. A. Marzulli, Doc Marquis, Cris Putnam, Josh Peck, Michael Lake, Ken Johnson, Derek Gilbert e Stan Deyo. Conferências proféticas similares no passado incluíram aficionados bem conhecidos do tema dos Nefilins, como Chuck Missler, Russ Dizdar, Rob Skiba, Doug Hamp e Michael Heiser.

Além daqueles que professam serem cristãos, existem muitos instrutores e assim chamados profetas da Nova Era que oferecem um sonoro endosso ao Livro de Enoque. Por quê? Porque ele se encaixa perfeitamente com a visão de Nova Era do futuro, onde seres "altamente evoluídos" vêm à Terra de outra "galáxia" para salvar nosso "planeta" da destruição e elevar o remanescente "iniciado" em um estado de "consciência cósmica".

O Engodo dos Nefilins

Tratamos essa questão dos nefilins, ETs e OVNIs em alguns ensaios anteriores, incluindo os seguintes:

O Grande Engodo dos Nefilins: Por Que os Cristãos Estão Sendo Levados a Acreditar em OVNIs e ETs?

O Engodo dos ETs Está Tomando Forma Rapidamente

Erros Fatais na Teoria do Intervalo: Por Que a Terra e os Céus Têm Aproximadamente Seis Mil Anos de Idade

Recomendamos a leitura desses ensaios para uma análise do grande engodo dos nefilins e questões relacionadas. Neste ensaio, ficaremos confinados ao próprio Livro de Enoque, a fonte comum de muitos desses falsos ensinos.

Por Que o Livro de Enoque é uma Falsificação?

Existem tantas razões para rejeitar o Livro de Enoque, não simplesmente como um livro que deveria ser excluído da Bíblia, mas como um livro em que não se pode confiar em qualquer nível. Vamos iniciar com as razões para exclui-lo da Bíblia:

Imaginação, não inspiração:

1. O livro era claramente parte da literatura em língua aramaica que floresceu após o retorno do exílio em Babilônia. Os judeus tinham sido expostos a uma riqueza de ideias pagãs em Babilônia e, depois, à filosofia zoroastrista dos persas e medos após a queda de Babilônia, em 539 AC. Com a ascensão do Império Selêucida e a gradual helenização das comunidades judaicas, a mitologia grega e a metafísica de Platão deixaram suas marcas na imaginação judaica. A primeira estava repleta de histórias de mulheres que se relacionavam sexualmente com os deuses do Monte Olimpo para produzir filhos humanos que possuíam capacidades sobrenaturais. A mitologia grega também estava repleta de histórias de híbridos que eram parte animal e parte humano.

Vários autores falando na primeira pessoa:

2. O Livro de Enoque foi originalmente formado a partir de cinco obras separadas de diferentes autores, todos falando na primeira pessoa. Além da inclusão posterior de algumas passagens editoriais para ligar um livro ao outro, eles não têm continuidade de pensamento e nenhuma conexão com a mensagem da Bíblia ou com a revelação progressiva que encontramos nas Escrituras. O que é mais impressionante é a extensão em que ele ignora a verdade bíblica e as diversas passagens em que faz declarações conflitantes com o que as Escrituras revelam.

Um falso deus:

3. O Livro de Enoque não faz referência convincente ao Deus da Bíblia. Seu "deus" é o deus de Platão e da metafísica grega, um deus com quem o homem não pode ter um relacionamento pessoal. Como alguns comentaristas já observaram, o deus de "Enoque" é muito similar ao Grande Arquiteto do Universo, da Maçonaria.

Uma falsa doutrina do pecado:

4. O Livro de Enoque ensina um conceito profundamente herético de pecado, um conceito que faz uma total zombaria da revelação bíblica. Tanto quanto interessa aos seus vários autores, o pecado entrou no mundo por meio dos anjos caídos. A humanidade foi vítima de uma invasão angelical que fatalmente contaminou a linhagem genética humana e produziu — de um modo que nunca é claramente explicado — um aguda demarcação entre os justos e os ímpios. Em alguma data futura, uma figura do tipo messiânico emergirá e purificará a Terra dos ímpios e dará início ao milênio.

Um messias puramente humano:

5. A figura do tipo messiânico no Livro de Enoque não é o Messias da Bíblia — de Isaías, Zacarias e dos Salmos. Há somente um retrato hesitante dele como salvador e nenhuma indicação de que é divino.

Nenhuma doutrina da redenção:

6. Sem a doutrina bíblica do pecado, O Livro de Enoque nunca ensina, ou sequer implica, que o pecado é repugnante a um Deus extraordinariamente santo, ou que o homem, em seu estado caído, está totalmente afastado de Deus e que necessita de um redentor. Ao contrário, a Terra é vista como um campo de batalha em que o bem eventualmente triunfa sobre o mal, em que a graça e a misericórdia não têm significado real, e em que a própria morte é apenas uma fase em uma luta cósmica. A ideia que o pecado precisa ser punido e que o salário do pecado é a morte está completamente ausente na estranha teologia que aparece neste livro.

Não é parte do cânon judaico:

7. O Livro de Enoque nunca fez parte do cânon judaico das Escrituras e nunca foi reconhecido pelos cristãos como parte das Escrituras.

Razões Por Que Este Livro Simplesmente Não É Confiável

Vamos agora examinar a integridade deste livro a partir de um ponto de vista histórico. Embora não seja parte do cânon das Escrituras e não foi divinamente inspirado, é possível que algumas coisas que ele ensina sejam factualmente corretas? Por exemplo, ele colocou na forma escrita uma tradição oral que tinha sido passada adiante durante séculos, desde o tempo de Noé e, nesse sentido, de forma similiar ao Primeiro Livro dos Macabeus, contém materiais baseados em eventos reais?

Como veremos, a evidência mostra claramente que O Livro de Enoque não é confiável em qualquer nível. Aqui estão algumas razões adicionais para rejeitar o livro em sua totalidade, além daquelas já citadas anteriormente:

1. Ele não foi escrito pelo filho de Jarede:

O livro se apresenta como uma obra de Enoque, o filho de Jarede e neto de Noé, que viveu cerca de 3.000 anos antes. Isto mostra que seus autores estavam tentando passar como uma verdadeira obra profética aquilo que era uma composição de ficção de sua própria imaginação. Tivesse a obra sido baseada em uma tradição oral estabelecida há muito tempo e escrita na terceira pessoa, não haveria necessidade de praticar esse tipo de engodo. Assim, o livro foi uma cópia em boa fé de um documento escrito 3.000 anos antes por Enoque, ou então foi uma fraude deliberada. O problema com material fraudulento é que não se pode confiar em nada de seu conteúdo. Não temos meios de saber se algumas partes eram factualmente verdadeiras ou baseadas em eventos reais.

2. Não conhecemos a fonte da citação de Judas:

Os defensores do Livro de Enoque gostam de apontar para a citação na Epístola de Judas e argumentam que, se Judas citou Enoque, ele deve ter reconhecido a exatidão histórica da obra conhecida como O Livro de Enoque:

"E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele." [Judas 1:14-15].

Sabemos que Enoque disse isso por que a Bíblia assim nos diz. Onde? em Judas 1:14-15. Não temos meios de saber se Judas consultou um texto conhecido como O Livro de Enoque, que ele o considerava como parte do cânon das Escrituras, ou que endossava qualquer outra parte do livro. Tudo o que sabemos é que o Espírito Santo inspirou Judas a incluir essa citação e sua atribuição em sua carta.

Paulo citou Epimênides (sem fazer atribuição) em Tito 1:12 ("os cretenses são sempre mentirosos") mas nem por um momento imaginamos que ele estava recomendando os escritos de Epimênides, um pagão, ou que algum de seus escritos edificaria os fiéis cristãos.

3. Os anjos são espíritos:

Os defensores do Livro de Enoque também gostam de apontar para outro verso em Judas, junto com um verso similar em 2Pedro, e afirmam que os anjos em questão eram os guardiões que geraram os nefilins:

"E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia." [Judas 1:6].

"Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo." [2 Pedro 2:4].

É um princípio bem estabelecido da interpretação bíblica que nenhum verso das Escrituras deve ser lido isolado, especialmente quando uma questão doutrinária estiver envolvida. Precisamos comparar Escritura com Escritura e descontar as interpretações que estejam em conflito com aquilo que é claramente declarado em outra parte. A Palavra de Deus nos diz que os anjos são espíritos:

"Faz dos seus anjos espíritos, dos seus ministros um fogo abrasador." [Salmos 104:4].

"E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, e de seus ministros labareda de fogo." [Hebreus 1:7].

"Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?" [Hebreus 1:14].

Os anjos também diferem dos humanos no seguinte sentido: eles foram todos criados ao mesmo tempo. Não é necessário para eles procriar, pois o número total deles foi fixado para todo o sempre por Deus, quando os criou. Jesus estava se referindo a isso quando disse: "Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu." [Mateus 22:30].

Se os anjos não podem procriar com sua própria espécie, certamente não podem fazer isso com os humanos. Eles não têm semente genética para poderem transmitir sua imagem e, sendo espíritos, não têm um componente corpóreo. Portanto, a ideia que os anjos copularam com mulheres humanas em algum tempo no passado é simplesmente absurda.

Vejamos o texto principal que os promotores da hipótese dos nefilins usam para justificar sua falsa crença:

"E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas, viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o SENHOR: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos. Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama. E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração." [Gênesis 6:1-6].

Tudo isto ocorreu dentro do período de vida de apenas duas pessoas, Adão e Matusalém. Além disso, a duração das vidas deles se sobrepôs em 243 anos — veja o diagrama seguinte.

Todos que estavam vivos na Terra no tempo do Dilúvio eram parentes de um dos dez homens no diagrama anterior. Estamos literalmente falando de uma população enorme, constituída principalmente por primos, netos, etc. Sabemos a partir da pavorosa ruptura que ocorreu entre Caim e Abel que existiam dois sistemas religiosos naquele tempo, um que aceitava a necessidade de um redentor e outro que não aceitava. Os antigos comentaristas da Bíblia chamavam o primeiro grupo de setitas, pois, como Sete (irmão de Abel), eles procuravam um relacionamento com Deus ("E a Sete também nasceu um filho; e chamou o seu nome Enos; então se começou a invocar o nome do SENHOR." — Gênesis 4:26).

As gerações de Adão

A Bíblia faz uma aguda distinção entre os setitas e os descendentes de Caim. Podemos ver isso claramente em Gênesis 5, que inicia com as seguintes palavras:

"Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez. Homem e mulher os criou; e os abençoou e chamou o seu nome Adão, no dia em que foram criados. E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete." [Gênesis 5:1-3].

Os dez homens mencionados no diagrama acima estão todos listados no "livro das gerações de Adão", porém os descendentes de Caim não estão. Eles são nomeados no Capítulo 4: Enoque (não deve ser confundido com o filho de Jarede), Irade, Meujael, Metusael (não deve ser confundido com Matusalém), Lameque (não deve ser confundido com o filho de Matusalém) e os filhos de Lameque — Jabal, Jubal e Tubalcaim.

Assim, a Terra foi por muitos anos constituída por dois grupos religiosos distintos, os setitas, ou filhos de Deus — por que eles invocavam o nome do Senhor (Gênesis 4:26) e aceitavam que tinham sido criados à imagem de Deus, exatamente como Sete (Gênesis 5:3) — e os cainitas, que são descritos como filhos dos homens, por que não invocavam o nome do Senhor e não aceitavam que tinham sido criados à Sua imagem.

Os setitas, o povo escolhido daquela época, rapidamente fez aquilo que os israelitas fizeram milhares de anos mais tarde — casaram-se com mulheres pagãs ("as filhas dos homens"). Em vez de permanecerem separados, eles se misturaram com os filhos da desobediência. Isto teve consequências desastrosas e a impiedade rapidamente se propagou por toda a Terra.

Parece que os filhos gerados por essas uniões tiveram grande influência em ambos os campos e tornaram-se "valentes e homens de fama". A vitalidade espiritual dos setitas rapidamente diminuiu, à medida que esses "homens de fama" os levaram cada vez mais para a depravação cainita. Como resultado, "a maldade do homem se multiplicou sobre a Terra." (Gênesis 6:5).

A estatura não é necessariamente física

As palavras hebraicas em Gênesis 6:4, que são traduzidas como "gigantes" e "valentes" referem-se à estatura. O contexto nos diz que isso estava relacionado com a posição política deles, a estatura deles como líderes dos homens e, assim, seu papel em conduzir os setitas no caminho descendente da depravação.

Encontramos a mesma história repetindo-se na história de Israel, em que o casamento misto com pagãos e uma falha em se separar completamente das falsas práticas religiosas levaram a um rápido afastamento do caminho da justiça. Isto foi acelerado pelo aparecimento de figuras políticas poderosas ("valentes") como Jeroboão, que instituiu a adoração dos bezerros de ouro, e Acabe, cujo casamento com Jezabel levou à adoração a Baal e uma cruel perseguição religiosa.

Não precisamos inventar gigantes e crianças híbridas para compreender o que estava acontecendo em Gênesis 6. Na verdade, uma interpretação baseada em gigantes e crianças híbridas é totalmente inconsistente com o contexto e com as condições sóciopolíticas que estão descritas.

4. Não existem espíritos híbridos:

Os defensores do Livro de Enoque também gostam de argumentar que os espíritos imundos que Jesus expulsou de seus seguidores vieram originalmente dos híbridos mortos. Eles rejeitam a noção que os demônios ou espíritos imundos da Bíblia eram anjos caídos, possivelmente das ordens mais inferiores. Em vez disso, eles especulam — com base no capítulo 15 — que os espíritos dos nefilins mortos, não sendo plenamente humanos nem plenamente angelicais, não tinham um local designado para ir quando seus corpos físicos morriam e foram obrigados, em vez disso, a perambular pela Terra, procurando outro corpo no qual habitar. Em algumas variações dessa história, os espíritos imundos não eram aqueles dos próprios nefilins, mas dos híbridos semi-humanos e semi-animais que os nefilins criaram via manipulação genética.

Entretanto, eles estão errados. Na ordem estabelecida por Deus, tanto o espírito do homem e o espírito dos animais têm um local designado: "Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?" [Eclesiastes 3:21]. Nem um deles perambula pela Terra após a morte. Os nefilins híbridos, combinando tecidos humanos e de animais, devem ter tido um espírito humano ou animal. Assim, esse espírito tinha um local designado, sem poder perambular pela Terra após a morte.

5. Similitude não é encarnação:

Em sua vã tentativa de convencer a si mesmos que os anjos caídos podem se acasalar com humanos, os defensores do Livro de Enoque salientam que os anjos assumiram forma física em várias ocasiões na Bíblia. Eles raciocinam que, se os anjos podem assumir forma física em determinados momentos, então eles são capazes de se acasalar com mulheres humanas.

Este raciocínio não faz sentido. Primeiro, os anjos na Bíblia que apareceram para os homens em forma física não estavam encarnados em forma humana. Eles não eram feitos de carne humana, mas eram uma similitude somente. O Anjo do Senhor, que apareceu a Elias e a outros personagens bíblicos, era Cristo em forma humana, porém não ainda em carne humana.

Os anjos justos na Bíblia são chamados de mensageiros por que eram enviados por Deus. A palavra hebraica para anjo, malak, e a grega, angelos, significam mensageiro. Isto significa que eles foram autorizados por Deus nessas ocasiões para aparecer em forma humana. Não há indicação alguma na Bíblia que os anjos, quer sejam caídos ou justos, possam aparecer aos homens sem a aprovação de Deus. O próprio nome, mensageiro, é uma indicação desse fato.

Consistência É um Princípio Importante da Interpretação Bíblica

Antes de passarmos a considerar por que o falso ensino dos nefilins está sendo promovido tão fortemente hoje, veremos primeiro alguns exemplos das diversas afirmações no Livro de Enoque que estão em algum conflito com a Palavra de Deus.

Os defensores deste livro gostam de imaginar que, como ele foi alegadamente escrito por Enoque antes do restante da Bíblia ser escrito, ele não tinha de ser plenamente consistente com a revelação que veio depois. Mas, isto é um absurdo! O Espírito Santo é o autor da Palavra de Deus e, como tal, tudo o que Ele diz precisa ser consistente. Ele nunca poderia dizer alguma coisa no Livro de Enoque (caso o tivesse inspirado) que não fosse perfeitamente consistente com aquilo que revelaria posteriormente por meio dos profetas. Isto somente mostra que o Livro de Enoque é fraudulento e que deve ser rejeitado por aqueles que creem na Palavra de Deus.

Heresias nos Capítulos 1-5:

Considere os capítulos iniciais (1-5), que descrevem a obra de criação e as condições na Terra após a Tribulação. Não há indicação aqui que o Filho de Deus encarna e vive dali para frente entre os justos. A salvação meramente significa viver na "luz, graça e paz". Embora o autor não contemple a ausência de pecado e o desejo de pecar, ele chega a dizer que "eles completarão o número de dias de sua vida e suas vidas serão aumentadas em paz" (4:9). Este é um resultado que poderia tão facilmente surgir sem um Messias, sem salvação e sem qualquer reconciliação entre Deus e o homem. Ele também confunde o milênio com o estado eterno e trata com a questão do pecado de um modo infantil, como algo que simplesmente não existe mais. O preço extraordinário que precisou ser pago para alcançar isto nem sequer é sugerido. Esses capítulos (1-5) se parecem mais como um conto de fadas do que uma parte vital da revelação de Deus ao homem.

Heresias nos Capítulos 6-11:

Muito bem, vejamos agora os próximos capítulos (6-11). Estes são, sem dúvida, aqueles que contribuíram mais para a notoriedade do Livro de Enoque, distorcendo a interpretação simples de Gênesis 6 em um drama de ficção científica. Ele inicia com duas centenas de anjos que conspiram juntos para invadir a Terra e escolher esposas entre as mulheres humanas.

A afirmação seguinte é atribuída a Samyaza, o líder desse grupo de renegados: "Eu temo que talvez possais indispor-vos na realização deste empreendimento; e que só eu sofrerei por tão grave crime." No total, 19 desses anjos caídos são nomeados (6:7), nenhum dos quais é mencionado na Bíblia. Dado que somente um anjo caído é nomeado na Bíblia, Lúcifer/Satanás, e somente dois anjos justos, Gabriel e Miguel, encontramos aqui uma óbvia tentativa de retratar esses rebeldes em termos heróicos ou simpáticos.

Cada um deles toma então uma esposa e, após contaminá-las, ensinam "sortilégios e encantamentos e a divisão das raízes e árvores." (7:1) Isto está em conflito com o relato do Gênesis, em que Adão foi criado com as habilidades necessárias para realizar o trabalho que Deus lhe deu, o que teria incluído um conhecimento de botânica (exatamente como seu conhecimento da zoologia). Portanto, essa não era uma habilidade ocultista que somente pôde ser adquirida por meio da intervenção dos anjos caídos, mas um dom que a humanidade já tinha recebido de Deus.

O livro então afirma (cap. 7) que os gigantes que nasceram das mulheres humanas cresceram até uma altura de "trezentos cúbitos". Como um cúbito é aproximadamente do mesmo comprimento que um côvado (cerca de 45 cm), esses gigantes deveriam ter alcançado uma altura de 135 metros, o que é um absurdo. Alguns defensores do Livro de Enoque imaginam que essa passagem deveria ser "trinta cúbitos", ou 13,5 metros, mas isto também é ridículo. Mesmo se assumirmos que uma altura de "trinta cúbitos", ou 13,5 metros foi intencionada, ainda terminamos com uma impossibilidade física.

Além do fato óbvio que uma mulher não poderia dar à luz uma criança que iria mais tarde alcançar, na idade adulta, uma altura de 13,5 metros, a fisiologia humana e as leis da anatomia estabelecem um limite superior (literalmente) para a altura que podemos alcançar. Se dobrarmos em altura, também aumentamos substancialmente em volume. Isto cria problemas sérios para a regulação do calor interno, pois a relação da nossa massa total com nossa área de superfície total (nossa pele — por onde perdemos a maior parte do calor corporal) é grandemente reduzida. Se tivéssemos 13,5 metros de altura, correríamos o risco de morrer de um ataque de calor se realizássemos algum exercício físico prolongado. Nossa estrutura óssea também é feita para lidar com cargas normais de estresse, como aquelas produzidas, por exemplo, quando giramos a cabeça subitamente. Se tivéssemos 13,5 metros de altura, o estresse axial sobre nossa vértebra cervical seria imenso e qualquer movimento mais forte faria nosso pescoço estalar. (Isto é similar ao trauma de sacudir a cabeça nos bebês.).

A Bíblia fala dos gigantes com referência específica à altura deles em somente algumas passagens. Golias tinha cerca de três metros de altura, enquanto que Ogue, rei de Basã, tinha um leito que media cerca de 4,10 metros de comprimento. Portanto, podemos ver que a altura atribuída aos "gigantes" no Livro de Enoque é tanto fisiologicamente impossível quanto inconsistente com o que a Bíblia diz sobre os gigantes.

Deve também ser observado que pessoas de tamanho anormalmente grandes não eram muito comuns, até mesmo nos tempos bíblicos. Após o Êxodo, quando os espiões israelitas retornaram com notícias que o povo de Canaã era incomumente alto, eles estavam se referindo aos habitantes de uma terra que "fluía com leite e mel". Os cananeus desfrutaram de uma excelente nutrição durante muitos séculos, enquanto que os infelizes israelitas tinham sido oprimidos, subnutridos e forçados a trabalhos pesados durante gerações.

É bem-conhecido que uma dieta pobre em proteínas afeta grandemente a estatura média de uma população. Mães subnutridas dão à luz crianças menores, que por sua vez vão gerar mais tarde crianças menores, a não ser que a nutrição melhore. O grupo racial é outro fator. A estatura média de um homem adulto na Dinamarca hoje é de 1,80 metros. Compare isto com a estatura média de um homem adulto na Indonésia (1,55 m) ou na Bolívia (1,58 m). É bem possível que os israelitas que saíram do Egito no tempo do Êxodo fossem significativamente mais baixos em estatura do que o povo de Canaã por razões perfeitamente normais.

Agudos conflitos com o relato do Gênesis:

O Livro de Enoque diz então que esses enormes gigantes "devoravam a humanidade". Isto é geralmente interpretado com o significado que eles na realidade comiam carne humana, embora também seja possível que simplesmente exploravam e oprimiam a humanidade até o ponto da extinção. Mas, isto está em conflito com aquilo que a Bíblia nos diz. Noé passou 120 anos construindo uma arca enorme e ninguém o devorou. Tampouco ninguém devorou um de seus filhos ou as mulheres deles. Além disso, os gigantes não interromperam a construção da grande embarcação — que seguramente teria sido vista por todos como um projeto que desafiava os gigantes e a autoridade deles. De acordo com o capítulo 7 do Livro de Enoque, os gigantes então "começaram a ferir os pássaros, animais, répteis e peixes, para comer sua carne, um depois do outro, e para beber seu sangue." Portanto, quando eles terminaram de comer a humanidade, começaram a matar e comer uns aos outros.

Se os capítulos 1-5 são similares a um conto de fadas, então os capítulos 6-7 são uma história de horror gótico escrito por um menino em idade escolar e com muita imaginação. De acordo com esse livro bizarro, praticamente não havia sobrado homens na Terra quando Deus enviou o Dilúvio. Esses gigantes psicopatas tinham comido praticamente todos, além de muitos outros de sua própria espécie, e tinham até pecado contra os pássaros, animais, répteis e peixes (embora em que sentido nunca é explicado). Todo o cenário está em contradição com o relato do Gênesis de um modo grotesco, até o ponto em que ele parece estar zombando da Palavra de Deus.

Lembre-se que examinamos somente os sete primeiros capítulos (dos 108) e encontramos uma grande quantidade de material apóstata, alguns dos quais estão tão fortemente em conflito com a Palavra de Deus que não podemos compreender como alguém possa aceitar que esse seja um "livro perdido" da Bíblia.

Seria necessário um extenso tratado para lidar adequadamente com o confuso, auto-indulgente e algumas vezes incoerente material nos capítulos restantes. O "autor" se retrata como um grande herói profético que faz viagens de ida e volta ao céu como um intermediário entre Deus e os homens e, incrivelmente, entre Deus e os anjos caídos. Ao longo do caminho, ele tem mais encontros divinos e jornadas ao céu do que qualquer um dos profetas. Ele é até mostrado em torno do inferno e das regiões celestiais. Sua elevada estatura é bem sintetizada no subtítulo de um dos muitos livros sobre "Enoque", que estão disponíveis nas livrarias hoje — Greater than Abraham, Holier than Moses (Maior do Que Abraão, Mais Santo do Que Moisés).

Ainda mais heresia:

Examinaremos agora algumas das passagens mais perturbadoras no restante do livro. Como diriam nossos avós, algumas delas incomodam mais que um dedão do pé machucado:

"Novamente o Senhor disse a Rafael: Amarra a Azazyel, mãos e pés; lança-o na escuridão; e abrindo o deserto que está em Dudael, lança-o nele... Toda a a terra tem se corrompido pelos efeitos dos ensinamentos de Azazyel. A ele, portanto, se atribui todo crime." [10:6,12].

Aparentemente todo pecado é atribuído ao líder do grupo de anjos caídos conhecido como Sentinelas (ou Guardiões) — a apenas uma entidade. Não aos anjos caídos ou a qualquer membro da espécie humana. A Bíblia diz: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus." [Romanos 3:23] — mas não de acordo com o falso profeta conhecido como "Enoque".

Não há sugestão em qualquer parte na Bíblia que os anjos caídos possam ser redimidos. De modo a remir o homem, Cristo teve de se tornar um homem. Os anjos caídos não têm remidor e nenhuma possibilidade de redenção. Mas, "Enoque" tenta forçar a porta ser aberta só um pouquinho:

"E por causa de todo ato de blasfêmia, tirania e pecado que tens descoberto aos filhos dos homens. Então partindo dele, falei a eles todos juntos; e eles todos ficaram apavorados, e tremeram; abençoando-me por escrever por eles um memorial de súplica, para que eles pudessem obter perdão; e que eu fizesse um memorial de suas orações ascendendo diante do Deus do céu; porque eles, por si mesmos, desde então não podiam dirigir-se a Ele, nem levantar seus olhos aos céus por causa da infame ofensa com a qual eles foram julgados. Então eu escrevi um memorial de suas orações e súplicas, por seus espíritos, por tudo o que eles haviam feito, e pelo assunto de sua solicitação, para que eles obtivessem remissão e descanso. [13:3-4].

"Também um fogo de grande extensão continuava a elevar-se diante dEle; de modo que nenhum daqueles que estavam ao redor dEle eram capazes de aproximar-se dEle, entre as miríades de miríades que estavam diante dEle. Para Ele santa consulta era desnecessária. Contudo, o Santificado, que estava próximo dEle, não apartou-se dEle nem de noite nem de dia; nem eram eles tirados de diante dEle. Eu também estava tão adiantado, com um véu sobre minha face, e trêmulo. Então o Senhor com sua própria boca chamou-me, dizendo: Aproxima-se aqui acima, Enoque, à minha santa palavra." [14:24].

"Então dirigindo-se para mim, Ele falou e disse: Ouve, não se atemorize, justo Enoque, tu escriba da retidão: aproxima-te para cá, e ouve a minha vóz. Vai, dize às Sentinelas do céu, a quem te enviei para rogar por eles; tu deves rogar pelos homens, e não os homens por ti. Portanto, deves abandonar o sublime e santo céu, o qual permanece para sempre; deitastes com mulheres; vos corrompetes com as filhas dos homens; tomastes para ti esposas; agistes igual aos filhos da terra, e gerastes uma ímpia descendência. [15:1-2].

Temos então de imaginar um cenário em que os mais perigosos dos anjos caídos pedem a um homem mortal que interceda por eles diante de Deus. A Bíblia deixa bem claro que todos os homens são caídos. Como pode, então, um homem que necessita de redenção aproximar-se de Deus e solicitar clemência e redenção para os anjos caídos? Isto é um total absurdo, uma perversão blasfema daquilo que a Bíblia ensina com clareza. Vemos mais uma vez como O Livro de Enoque trivializa o pecado e o estrago causado pelo pecado. Isto também glorifica um determinado homem, "Enoque" e até tem a audácia de retratá-lo como uma figura como Cristo.

Um Evangelho Diferente:

Mais tarde, imediatamente antes do Dilúvio, vemos Enoque fazendo outra viagem até Deus — ele parece ser capaz de ir ao céu e voltar sempre que quiser — para interceder a favor da humanidade:

"Então, Ó Deus, Senhor e poderoso Rei, eu imploro-te, e suplico-te que respondas minha oração, para que uma posteridade me possa ser deixada na terra, e que toda a raça humana não pereça; para que a terra não seja deixada destituída, e destruição tome lugar para sempre." [83:6-7].

A Bíblia diz: "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." [1 Timóteo 2:5], mas não de acordo com o falso profeta conhecido como "Enoque". Este livro apóstata ensina um diferente evangelho, bem como um relato totalmente falso do relacionamento entre Deus e o homem em seu estado caído e afastado de Deus.

Blasfêmia:

Mais tarde ele nos diz que "Enoque" foi enviado de volta à Terra para registrar para o benefício da humanidade as muitas revelações que lhe foram dadas no céu:

"Então eu olhei em tudo o que está escrito, e entendi tudo, lendo o livro e todas as coisas escritas nele, e entendi tudo, todas as obras do homem; e de todos os filhos da carne sobre a terra, durante as gerações do mundo." [80:2-3].

"Durante um ano nós te deixaremos com teus filhos, até que tenhas novamente retomado suas forças, para que possas instruir tua família, escreve estas coisas e explica-as aos teus filhos. Mas em outro ano tu serás tomado do meio deles; e seus corações serão fortalecidos; pois os eleitos apontarão a retidão para outros eleitos; os justos com os justos se regozijarão, congratulando-se uns com os outros, mas os pecadores com os pecadores morrerão, os pervertidos com os pervertidos serão afogados." [80:9-10].

Ao fazer essas afirmações, ele está atribuindo ao homem caído a capacidade de fazer aquilo que somente Cristo pode fazer:

"Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu." [João 3:13].

Mais uma vez vemos como O Livro de Enoque diminui a estatura de Cristo e contradiz a Palavra de Deus da forma mais absurda.

A origem demoníaca desse livro é também evidente em uma afirmação blasfema no capítulo 18. Em uma das suas muitas jornadas celestiais, "Enoque" afirma ter visto "as fundações da Terra", incluindo "a pedra que apóia os cantos da Terra". [18:2]. A pedra de esquina é uma importante figura messiânica, conhecida por todos que amam a Palavra de Deus, mas aqui ela deliberadamente perde suas conotações redentoras e é apresentada meramente como um bloco inerte de matéria. O anjo das trevas que canalizou esta obra deve ter sentido grande satisfação com isto.

Cristo também é zombado em um capítulo posterior, quando "Enoque" relata outra de suas muitas visitas ao céu e descreve aquilo que chama de "as quatro presenças" diante do trono de Deus:

"... Ele respondeu: O primeiro é o misericordioso, o paciente, o santo Miguel. O segundo é aquele que preside sobre todo sofrimento e toda aflição dos filhos dos homens, o santo Rafael. O terceiro, o qual preside sobre tudo o que é poderoso é Gabriel. E o quarto, o qual preside sobre o arrependimento e a esperança daqueles que herdarão a vida eterna, é Fanuel. Estes são os quatro anjos do Altíssimo Deus e suas quatro vozes, as quais naquele momento eu ouvi." [40:8-9]

Ele está se referindo aqui a Miguel, o arcanjo, e atribuindo a ele um atributo de Cristo. Este é um tema comum no ocultismo, onde Cristo é equiparado de algum modo com o arcanjo Miguel. Tanto as Testemunhas de Jeová quanto os Adventistas do Sétimo Dia, por exemplo, confundem o Jesus pré-encarnado com Miguel.

O caráter de Deus e dos anjos justos também é alvo de zombaria:

"Quando tu caires, ele não te mostrará misericórdia; mas teu Criador se regozijará em tua destruição." [93:10].

"Os justos estão confiantes que os pecadores serão desgraçados, e perecem no dia da iniquidade. Vós estareis cônscios dele; pois o Altíssimo vos lembrará de vossa destruição, e os anjos regozijarão sobre ela. O que farão os pecadores? E para onde fugireis no dia do julgamento, quando ouvireis as palavras da oração dos justos?" [96:1-2].

Estas passagens se referem ao destino dos ímpios e contradizem a Palavra de Deus, que diz:

"Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?" [Ezequiel 33:11].

"Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende." [Lucas 15:10].

Gnosticismo:

A mentalidade gnóstica dos autores deste livro apóstata é claramente evidente na seguinte passagem (que está relacionada com o Dilúvio):

"Todas as águas, que estão nos céus e abaixo deles, serão reunidas e se misturarão. A água que está acima no céu será o masculino; E a água que está sob a terra será o feminino," [53:8-9]

Temos aqui o princípio ocultista "O que está em cima é como o que está em baixo" e um princípio relacionado, a fusão do masculino e feminino para produzir o resultado espiritual correto. Esses princípios são centrais na religião babilônia (Gnosticismo, Cabala e Maçonaria), porém são um anátema para todos que amam a Palavra de Deus.

O Gnosticismo deste estranho livro é levado até as alturas do céu. No capítulo 14, "Enoque" descreve uma estrutura cristalina no céu, cercada por línguas de fogo. Quando ele entrou nela, verificou que "seu telhado tinha a aparência de estrelas agitadas e brilhos de relâmpagos..." [14:12]. Ele é então levado a partir dessa "habitação" até uma ainda maior, "criada de chamas vibrantes". Ele diz que era impossível descrever o esplendor ou a extensão dela, que "seus pisos eram de fogo, acima havia relâmpagos e estrelas agitadas, enquanto o telhado exibia um fogo ardente." [14:16]. Depois, ele viu um grande trono a partir do qual saiam rios de fogo flamejante."Alguém grande em glória assentava-se sobre ele, cujo manto era mais brilhante que o sol, e mais branco que a neve." [14:21-22].

Incrivelmente, temos aqui uma descrição dos átrios mais internos do céu, o teto do qual está coberto com "o caminho das estrelas" — o Zodíaco! Este é o conceito babilônio do céu, em que as constelações ou "caminho das estrelas" são exibidos em um grande panorama astrológico acima do trono de Deus.

A Torre de Babel tinha — ou viria a ter — um motivo astrológico similar em seu pináculo:

"E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra." [Gênesis 11:4].

Na tradução inglesa KJV, há itálico nas palavras "may reach" (traduzida como "toque" na tradução de Almeida para o português), indicando que elas não tinham equivalente hebraico no texto original. Se essas palavras suplementares forem omitidas, o significado da frase seria "cujo cume esteja voltado para o céu" — ou como alguns comentaristas explicam, cujo topo conteria uma representação das constelações. A Torre de Babel foi planejada como um templo astrológico, um santuário para Satanás.

Conclusão

O Livro de Enoque é parte da grande enganação do fim dos tempos. Ele foi escondido como uma mina explosiva nas profundezas do tempo pelo Grande Enganador, em prontidão para o dia quando sua variedade particular de veneno seria mais eficaz.

Não há dúvida que esta é uma obra canalizada, planejada em detalhes pelos demônios e transmitida ao mundo por meio de vasos humanos dispostos a cooperar. Neste sentido, ele é similar aos escritos de Alice Bailey, que canalizou uma grande quantidade de filosofia ocultista em nome de seu "espírito-guia", um dos anjos caídos.

Em sua autobiografia Far Memory (Memória Distante), Joan Grant descreve como canalizou palavra por palavra uma obra que não fazia sentido para ela inicialmente, pois diferentes porções do livro foram transmitidas a ela em uma sequência aleatória. Somente quando finalizou o manuscrito e o organizou no chão de sua sala de estar é que ela conseguiu juntar todas as partes. Elas se encaixaram perfeitamente. O livro é conhecido como um sucesso de vendas da literatura ocultista, O Faraó Alado.

Estamos vendo hoje uma grande inundação de escritos ocultistas, compostos no reino sobrenatural e entregues ao mundo via servos das trevas dispostos a cooperar. Os livros da série Harry Potter são um bom exemplo disso, uma engenhosamente elaborada introdução à feitiçaria e à doutrina esotérica — voltada principalmente para o público infantil.

Portanto, o que os autores do Livro de Enoque desejam alcançar? Aqui estão apenas alguns dos "benefícios" que os autores e seus espíritos-guias podem ter objetivado com essa obra subversiva:

  1. Qualquer um que creia no livro irá interpretar erroneamente a Palavra de Deus. Em particular, imaginará que anjos caídos casaram-se com mulheres humanas algum tempo no passado e corromperam o genoma humano.

  2. A ideia que um linhagem sanguínea dos nefilins ainda existe fará a humanidade acreditar que uma inteligência alienígena está em operação no nosso mundo moderno e pode até ser parte de um plano para invadir a Terra com OVNIs.

  3. A compreensão bíblica do pecado é substituída por um falso conceito em que toda a responsabilidade pelo pecado é colocada sobre os anjos caídos. Os homens justos são salvos por suas boas obras e não precisam se arrepender.

  4. Ele levanta a possibilidade que o mal seja produzido por uma "semente da serpente", ou um gene demoníaco e que, se todos os portadores desse gene maligno forem destruídos, a Terra estará em paz e o milênio começará. Grande parte dessa mesma ideia foi promovida por William Branham, um falso profeta amplamente admirado, que morreu em 1965.

  5. Ele retrata uma figura messiânica que poderia facilmente se aplicada a um "mestre ascencionado" da Nova Era. Embora as "parábolas" nos capítulos 37-71 contenham várias referências ao "Filho do Homem" e "Meus Eleitos", não há indicação em parte alguma que o Messias é o Filho de Deus. Na verdade, o próprio "Enoque" é retratado como uma figura messiânica, com a capacidade de ascender ao céu e retornar com conhecimentos que beneficiarão a humanidade e levarão, aparentemente, à perfeição na Terra.

  6. Ele mostra um retrato de Deus que é totalmente incompatível com o da Bíblia. O deus de "Enoque" é o deus de Platão e dos místicos. Ele poupará os justos por causa das boas obras que eles praticam, mas os ímpios — que receberam conhecimento proibido dos anjos caídos — serão destruídos.

  7. Ele contém muitas ideias que são claramente pagãs. Aqueles que prosperam são os que possuem o conhecimento secreto trazido do céu pelo próprio "Enoque". A salvação (que é pouco mais do que prosperidade eterna) é encontrada por meio das boas obras e da aplicação desse conhecimento.

Como alguém pode afirmar que crê na Palavra de Deus e ainda considerar essa obra como um "livro perdido" da Bíblia? É impossível!

O apóstolo Paulo nos advertiu a não darmos ouvidos às "fábulas judaicas" (Tito 1:14), das quais O Livro de Enoque é um exemplo. De fato, o apóstolo Pedro poderia estar se referindo à obras desse tipo quando disse: "Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade." [2 Pedro 1:16].

Eles mentem para poderem enganar depois:

É muito provável que esta fábula particular receberá ímpeto adicional nos anos vindouros, não apenas da torrente contínua de livros, filmes e seminários proféticos que tratam dos nefilins, mas de uma fonte não esperada. Aparentemente, há alguém que está afirmando ter encontrado no mercado internacional de relíquias um manuscrito que seria uma cópia completa de O Livro de Enoque em língua aramaica. De acordo com um ex-editor-chefe do The Dead Sea Scrolls, agora falecido, o rolo está bem preservado e foi microfilmado. Ele foi alegadamente encontrado em uma das cavernas, em Qumran, em 1956.

Se existir e for confirmado como "autêntico", ele confirmará — de acordo com os especialistas — que as profecias nas Parábolas (capítulos 37-71) relacionadas com o "Filho do Homem" foram escritas antes do tempo de Cristo (uma questão que é disputada há muito tempo). Como essas parábolas fazem predições importantes sobre o verdadeiro messias, esse rolo autenticará O Livro de Enoque como um todo e provará que ele é verdadeiramente um "livro perdido" da Bíblia.

Infelizmente, muitos cairão nesse engodo. Tendo se afastado da Bíblia, eles não mais ouvirão suas palavras de advertência:

"Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente." [Efésios 4:14].



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 9/5/2017
Transferido para a área pública em 22/11/2019
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