Os Filhos de Abraão com Quetura e o Reino Milenar

Autor: Jeremy James, Irlanda, 10/3/2026.

À luz de tudo que está acontecendo agora no mundo, em particular a deflagração de hostilidades em todo o Oriente Médio, é confortante refletir sobre o Reino maravilhoso que emergirá após o fim dos tempos. A Palavra de Deus nos dá detalhes suficientes sobre o reino e sua glória para imaginarmos como será a vida durante o Reino Milenar de Cristo.

O livro do Apocalipse (capítulos 2 e 3) cita as principais qualidades espirituais que caracterizarão cada fase histórica da Época da Igreja. Durante os últimos 2.000 anos, a Igreja percorreu todo o caminho, desde "Éfeso" até "Laodiceia". A última fase começou por volta do ano 1900 e parece estar em um estágio muito avançado hoje. A fé está se desvanecendo rapidamente entre os cristãos professos.

A Palavra de Deus nos oferece uma compreensão maior no desenvolvimento histórico da Igreja, em sua forma institucional, por meio das sete parábolas no Evangelho de Mateus, capítulo 13. Existem outras parábolas do "reino dos céus" no Evangelho de Mateus, mas elas não se relacionam com uma fase histórica.

Em nosso ensaio "A Grande Apostasia", examinamos essas sete fases históricas em detalhe, mostrando como as sete igrejas do Apocalipse e as sete parábolas do "reino dos céus" no capítulo 13 de Mateus estão relacionadas . (Veja o excerto no Apêndice A).

O "reino dos céus" em Mateus 13 não consiste apenas de fiéis cristãos nascidos de novo, mas de uma mistura de fiéis cristãos verdadeiros e nominais. Como tal, isso é aproximadamente equivalente àquilo que antigamente chamávamos de "Cristandade".

É raro ouvir hoje alguém pronunciar o termo Cristandade, porque a mídia secular maçônica não quer destacar a existência de cristãos verdadeiros entre a população em geral.

O Propósito Deste Ensaio

O propósito deste ensaio é trazer para a atenção de nossos leitores uma passagem da Escritura que é vista normalmente apenas como um registro histórico, mas que, com certeza, também pode ter uma dimensão profética:

"E Abraão tomou outra mulher; e o seu nome era Quetura; e deu-lhe à luz Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Suá. E Jocsã gerou Seba e Dedã; e os filhos de Dedã foram Assurim, Letusim e Leumim. E os filhos de Midiã foram Efá, Efer, Enoque, Abida e Elda. Estes todos foram filhos de Quetura." [Gênesis 25:1-4].

O argumento está baseado em um aspecto pouco conhecido da profecia bíblica. Quetura significa incenso ou perfume.

Abraão foi chamado de amigo de Deus em duas ocasiões no Velho Testamento – 2 Crônicas 20:7 e Isaías 41:8. Esse título admirável não foi declarado durante seu tempo de vida, mas somente muitas gerações mais tarde.

Entretanto, o Senhor Deus modificou o nome de Abrão para Abraão durante o tempo de vida dele, de modo a marcar para sempre o papel imensamente significativo que ele exerceria como "amigo de Deus" (Tiago 2:23), na procriação da humanidade.

"E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto." [Gênesis 17:5].

Abrão significa "pai exaltado", enquanto que Abraão significa "pai de uma multidão". Esta mudança foi planejada para mostrar, como Gênesis 17:5 confirma, que Abraão não foi apenas um grande líder, mas fundador de nações.

Falando em termos gerais, os estudantes da Bíblia colocam sua atenção na nação mais importante que abraão fundou, isto é, Israel, e não se incomodam com as demais, exceto quando o futuro delas provavelmente afetará Israel de uma forma direta. Isto é compreensível, pois a Bíblia fala pouco sobre os outros filhos de Abraão. Temos somente os nomes dos seis filhos dele com Quetura, a mulher com quem ele se casou depois da morte de Sara. Os nomes deles são: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Suá.

Precisamos considerar se esses nomes carregam em si mesmos uma mensagem profética. Somos encorajados nesta linha de investigação por uma conexão profética em uma linhagem anterior, isto é, aquela dos grandes patriarcas que viveram antes do Dilúvio.

Os Patriarcas Antes do Dilúvio

Duvidamos se muitos estudantes da Bíblia estão familiarizados com a mensagem profética contida nos nomes do dez patriarcas que viveram no período anterior ao Dilúvio. O primeiro diagrama abaixo mostra os indivíduos em ordem cronológica, enquanto que o segundo apresenta o significado de cada nome e como isso se relaciona com a mensagem:

  1. A tradução literal é "posse", significando que foi designada ao homem possuir a mortalidade, com tudo que isso implica, notavelmente o sofrimento.

  2. A tradução literal é "o louvor de Deus".

  3. A tradução literal é "homem de um dardo (ou lança)" de acordo com a Concordância de Strong, H4969. Entretanto, o nome é derivado de duas raízes hebraicas — muth ("morte"') e shalach ("trazer").

  4. Strong traduz este nome como "poderoso", mas ele ocorreu anteriormente na história, na linhagem de Caim e implica "violência" e "arrogância". Ele pode, portanto, ser considerado como uma referência a todos que estão perdidos.

A profecia diz:

"O homem está destinado ao sofrimento e à morte, mas o Deus Bendito descerá para ensinar que Sua morte trará para aqueles que estão em desespero conforto e descanso."

Que profecia gloriosa! Pode ser difícil para nós discernir a mensagem hoje, mas isso teria sido claro, até óbvio, para os descendentes de Noé que estavam totalmente familiarizados com os nomes dos dez patriarcas e a etimologia de cada um.

Além disso, nos tempos do Velho Testamento, era normal esperar que o nome dado a um indivíduo aponte para um atributo pessoal, ou um aspecto da vida dele. Toda vez que uma criança naqueles dias recitava os nomes dos dez patriarcas anteriores ao Dilúvio, ela obtinha uma rápida visão da mensagem especial colocada ali pelo Espírito Santo.

A Genealogia de Jesus

Um cristão que fizesse uma pesquisa adicional nesse aspecto da interpretação bíblica (veja o link abaixo) também encontraria um padrão incomum em todos os nomes listados na genealogia de Jesus, conforme apresentada em Mateus capítulo 1 e em Lucas capítulo 3. Somente tivemos tempo para examinar parte dessa lista – veja abaixo. Ela inicia com Judá, pai da tribo e vai até Roboão, quando o reino foi dividido em dois:

[Veja também https://1260d.com/bible-names-code-adam-jesus/]

A mensagem neste segmento da genealogia precisa ser consistente com a Escritura em geral e interpretada apropriadamente. Assim, o "encantador" precisa ser alguém cheio com o poder sobrenatural de Deus e não um praticante de magia, enquanto "alargar" precisa se referir ao melhoramento ou liberação do povo.

Quando abordamos isso dessa maneira, descobrimos a seguinte mensagem, um belo conjunto de promessas messiânicas:

"Deus enviará Alguém para romper à força uma cidade fortificada com uma alta muralha (Babilônia); os filhos de Israel (isto é, parentes do Príncipe), um profeta virá vestindo a força como um traje. Aquele que serve ao Senhor está aqui! O verdadeiro Amado, trazendo paz e colocando o povo em liberdade."

Os Filhos de Quetura

A chave para o conteúdo profético de Gênesis 25:1-4 está na tipologia da própria Quetura. Ela não é parte de Israel , porém é especial (perfume, incenso) aos olhos de Deus. Abraão é tanto o pai de Israel e o pai de muitas nações e até teve dois nomes para significar isso. Isso sugere que o destino de Israel esteja vinculado de algum modo com o destino das nações.

Sara, a mãe de Israel, morreu na idade avançada de 127 anos. Ela é a única mulher na Bíblia cuja idade ao falecer foi registrada. Somente depois de Sara ter cumprir seu papel e deixar este mundo é que Quetura aparece na Escritura. As duas mulheres não tiveram uma conexão registrada na narrativa bíblica além do fato de cada uma delas ter sido casada com Abraão. Os filhos de ambas são citados e suas respectivas linhagens são dadas, mas os dois grupos familiares viveram totalmente separados.

Como filhos de Abraão, os seis filhos de Quetura teriam sido circuncidados e criados na mesma tradição religiosa que Isaque, o filho de Abraão com Sara. À luz disso, podemos esperar que os seis filhos de Quetura tenham nomes que reflitam em alguma medida suas verdadeiras condições espirituais. Podemos também esperar que seus nomes falem de algum modo a respeito da condição espiritual de seus descendentes — as "nações" — após Cristo ter retornado para reinar na Terra.

Devemos ter em mente que, embora os seis filhos de Abraão com Quetura tenham sido criados por ele como crentes e adoradores do Senhor Deus, eles não eram judeus étnicos. Como gentios, eles não eram herdeiros diretos das promessas que Deus fez aos filhos de Israel. Isto é óbvio a partir das muitas ocasiões na Escritura em que os descendentes tribais dos seis filhos, como por exemplo, os midianitas, entraram em guerras sucessivas contra Israel.

O diagrama abaixo pode ser considerado como uma descrição das "nações" durante o Reino Milenar, começando com a fase "Zinrã" e terminando com a fase "Suá". Como tal, isso segue a mesma estrutura interpretativa que as sete igrejas do Apocalipse, como mostrado no Apêndice A.

Aqueles que viverem na Terra no início do Milênio serão judeus salvos ou gentios salvos (isto é, "as nações"). A população de judeus na Terra durante esse período se expandirá substancialmente. Em nosso ensaio ## 67, afirmamos o seguinte:

A população de Israel aumentará enormemente durante o Milênio, desse modo cumprindo uma profecia de Moisés, que há muito tempo é negligenciada:

"O SENHOR Deus de vossos pais vos aumente, ainda mil vezes mais do que sois; e vos abençoe, como vos tem falado." [Deuteronômio 1:11].

Dado que o número total de israelitas no tempo dessa profecia era de aproximadamente dois milhões, podemos esperar que a população mundial de judeus, perto do fim do Milênio, alcançará dois bilhões, ou mais.

Enquanto isso, Zacarias 8:2 parece indicar uma relação de 10 para 1 entre gentios e judeus durante o Milênio:

"Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla das vestes de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco." [Zacarias 8:23].

Isso sugere que a população da Terra como um todo, perto do fim do Milênio, poderá estar entre 20 e 30 bilhões — muitas vezes maior do que é hoje. Dadas as condições admiravelmente benignas que existirão em toda a Terra durante esse período, um acentuado aumento na população, tanto de judeus e gentios. pode ser esperado. A longevidade também aumentará substancialmente, de modo que nossa "estimativa" projetada talvez seja um tanto quanto conservadora.

As Cinco Fases do Milênio

A fase Zinrã, que iniciará quando Cristo retornar, será caracterizada por alegria. Jesus cantará com seu povo em Jerusalém!

"O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo." [Sofonias 3:17].

Haverá muita produção musical [Zinrã] — alegria em toda a Terra quando nosso Redentor retornar. Isso durará por muito tempo, talvez vários séculos.

A fase Jocsã verá o aparecimento do passarinheiro. Todos os que nascerem durante o Milênio precisarão nascer de novo. Crescer em um lar com pais tementes a Deus não garante que essa transformação espiritual essencial seja universal. Gradualmente, os descrentes buscarão e enlaçarão uns aos outros com suas dúvidas e imaginações profanas. Essa fase poderá também durar vários séculos.

A próxima fase verá um aumento dos atritos e rixas (Medã e Midiã) à medida que um número crescente de descrentes se tornar menos dispostos a ocultar suas insatisfações com as leis e determinações emanadas a partir de Jerusalém. (Podemos ver a partir disso por que Jesus precisará governar com "vara de ferro").

As duas últimas fases ocorrerão provavelmente durante o século final. A primeira verá o aparecimento de um grupo distinto de dissidentes gentios, aqueles que se "liberaram" [Jisbaque] das regras que vêm de Jerusalém e que começaram a estabelecer territórios soberanos próprios. Isso em pouco tempo se degenerará em uma condição de maldades e criminalidade similar a uma cova (Suá).

Essa última fase lança luz sobre uma passagem da Escritura que há muito tempo deixa os comentaristas bíblicos perplexos:

"Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os fornicadores, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete mentira." [Apocalipse 22:15].

Esses dissidentes certamente não serão visíveis na maior parte do Milênio, mas durante a curta fase de Suá, tanto a existência e seus modos vis serão óbvio para todos.

Neste ponto, Satanás será libertado de sua prisão, presumivelmente junto com suas hordas de anjos caídos. Eles liderarão esses rebeldes terreais de uma forma militar em direção a Jerusalém, um exército que poderá possivelmente ser constituído de centenas de milhões de incrédulos perdidos. Entretanto, sem qualquer advertência, nosso Pai Celestial tirará todos os fiéis da Terra para o reino celestial e fará chover fogo sobre os ímpios, destruindo completamente o exército de rebeldes:

"Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios... Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão." [2 Pedro 3:7-10].

A Terra e os céus serão recriados e transformados em seus estados eternos e os santos descerão mais uma vez para ocupar a Tera. Enquanto isso estiver acontecendo, os ímpios serão julgados diante do Grande Trono Branco.

Conclusão

Não é nosso propósito neste ensaio propor uma nova forma de interpretação da Bíblia. Desejamos simplesmente mostrar que o Senhor parece ter colocado algumas gemas proféticas em Sua Palavra, que não foram amplamente conhecidas pelas gerações de fiéis cristãos que nos precederam.

Uma das maiores mentiras na igreja hoje é a crença, amplamente aceita, que os anjos caídos se acasalaram com mulheres humanas em Gênesis 6 e geraram uma nova forma de seres, conhecidos como Nefilins. Para essas estranhas criaturas toda a malignidade é atribuída. O homem em seu estado natural, é alegado, seguiria a bondade e a justiça se não existisse essa semente demoníaca em seu meio, que se opõe constantemente a ele e causa todas as formas de desordens, agressões e corrupção.

Como mostramos em ensaios anteriores, o ensino sobre os Nefilins é uma mentira. O maior problema com o homem é que ele se recusa a reconhecer a severidade de sua própria condição caída. Assim, ele inventa uma desculpa, uma explicação para sua impiedade que atribui toda a culpa a uma fonte, ou a um ser fora dele mesmo.

Jesus refutou tudo isso quando disse:

"Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem." [Mateus 15:19-20].

A Bíblia compara o pecado ao fermento, ou levedura, em várias passagens. Somos deixados sem dúvida alguma a respeito da destrutividade absoluta do pecado pelo mandamento em Êxodo 12 para remover TODO o fermento da casa durante os sete dias da festa dos pães ázimos:

"Sete dias comereis pães ázimos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao sétimo dia, aquela alma será cortada de Israel." [Êxodo 12:15].

O aspecto mais chocante a respeito do fermento, ou levedura, é que ele está vivo e é capaz de se reproduzir. É por isso que um pouco de fermento pode levedar toda a massa. A outra grande metáfora para o pecado é a lepra, que também possui essas características. O pecado cresce e se expande se não for mantido sob controle. É por isso que o homem em seu estado caído é um escravo do pecado. Ele não consegue controlá-lo. O homem não está apenas caído; ele está caindo e continuará a cair até o dia que clame para Jesus, recebendo-o como seu Salvador.

Satanás não quer que o homem reconheça que todo esse mal está dentro de si mesmo. Ele quer que o homem olhe para algum outro lugar, para acusar alguém ou alguma outra coisa por sua condição espiritual miserável. Nunca deve ser permitido ao homem ver que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" [Jeremias 17:9].

As cinco fases do Reino Milenar, reveladas em tipos por meio dos filhos de Abraão com Quetura, mostram que o coração humano continuará a imaginar coisas más e rebelião durante o tempo em que Satanás e seus anjos demoníacos estiverem impedidos de operar (isto é, durante todo o Milênio). Apesar de viverem em um tempo de grande abundância, desfrutando do padrão mais alto possível de instrução e exemplo espiritual, o coração caído do homem durante o Milênio ainda será capaz de conceber o mal e ser atraído a ele.

Neste tempo presente, quando o coração do homem, danificado pelo pecado, está causando estragos em toda a Terra, podemos encontrar grande conforto na obra triunfante que Jesus realizou a nosso favor no Calvário. Por meio de Sua morte e ressurreição, somos colocados em liberdade.

"Com um pouco de ira escondi a minha face de ti por um momento; mas com benignidade eterna me compadecerei de ti, diz o SENHOR, o teu Redentor." [Isaías 54:8].


Apêndice A

Excerto de Nosso Ensaio "A Grande Apostasia"

As Sete Fases da Igreja na História

A Palavra de Deus coloca tudo isto em uma perspectiva histórica para nosso benefício. As descrições das sete igrejas no livro do Apocalipse são aplicáveis, não somente à condição espiritual das igrejas individuais em um dado momento de tempo, mas à condição da igreja visível como um todo ao longo do curso da história. Os eruditos bíblicos também discerniram uma correspondência entre cada uma das sete igrejas em Apocalipse e as sete parábolas que nosso Senhor usou para descrever "o reino dos céus", em Mateus 13.

Há uma concordância geral que as sete parábolas se refiram à igreja na terra. Como elas falam de condições mutáveis, não podem se aplicar à igreja (ou santos) no céu, ou à igreja durante o Milênio. Portanto, elas precisam ter uma aplicação histórica. Como a igreja somente passou a existir em Pentecostes, as sete parábolas estão apontando para a condição futura da igreja em diferentes estágios na história. Se este for o caso, então devemos ser capazes de olhar para trás e ver o quão bem elas correspondem ao padrão em Apocalipse.

A tabela seguinte tem o objetivo de mostrar como as parábolas e as sete igrejas descritas em Apocalipse se alinham com a história real da igreja ao longo dos últimos dois mil anos. (As datas são aproximadas):

A Igreja de Éfeso: cerca de 50 — 132 DC

[Desde a fundação da igreja em Éfeso até a Segunda Revolta Judaica]

A Era Apostólica e Pós-Apostólica [duração: cerca de 80 anos]

Durante este período, a Igreja estava lutando para construir um sólido fundamento e evitar as heresias que a atacavam por todos os lados: "Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres." [Apocalipse 2:2-5].

A Parábola do Semeador (Mateus 13:3-23). Esta parábola fala das quatro formas como a Palavra de Deus é recebida. A igreja de Cristo fincou raízes a partir de semente que caiu em solo bom.

A Igreja de Esmirna, 132 — 325 DC

[Desde a Segunda Revolta Judaica até o fim da Perseguição]

A Perseguição Romana [duração: cerca de 195 anos]

Solidamente estabelecida, a igreja foi então submetida à pavorosa perseguição por um tempo: "Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás. Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida." [Apocalipse 2:9-10].

Parábola do Trigo e do Joio (Mateus 13:24-30). Os sutis falsificadores entraram em cena e formularam as regras e instituições que lhes dariam controle.

A Igreja em Pérgamo, 325 — 604 DC

[Desde o fim da Perseguição até o papa Gregório I]

A Era de Constantino [duração: cerca de 280 anos]

O imperador Constantino efetivamente terminou com a perseguição aos cristãos no Concílio de Niceia, no ano 325. No ano 380, o imperador do Ocidente, Valentiniano II e o imperador do Oriente, Teodósio I, tornaram a igreja institucional a religião oficial do império. O decreto deles permitia que a igreja até perseguisse os descrentes. Após a tomada de poder pelos prelados de mais alto escalão em Roma, Constantinopla e em outros lugares, a igreja perdeu grande parte de sua vitalidade original. A Palavra de Deus foi lentamente enquadrada pela palavra do homem. Cristo refere-se a isto como doutrina dos nicolaítas, a partir da palavra nikao, significando conquistar, e laos, significando o povo. Assim, as estruturas de poder em Roma e de certas outras cidades oprimiram os fiéis cristãos. "Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio." [Apocalipse 2:15].

A Parábola da Semente de Mostarda (Mateus 13:31-32). A religião oficial do império cresceu rapidamente em poder e influência sob o patronato estatal. Todo o fulcro da sociedade na Europa e Ásia foi moldado de mil formas por essa imensamente influente instituição.

A Igreja em Tiatira: 604 — 1517 DC

[Desde o papa Gregório até Martinho Lutero]

Idade Média [duração: cerca de 900 anos]

O centro de poder em Roma estava agora controlando a igreja e corrompendo o verdadeiro evangelho. Ele era governando por um falso profeta e dominado por um rito sacrifical que era pagão em natureza: "Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria." [Apocalipse 2:20].

A Parábola do Fermento em Três Medidas de Farinha (Mateus 12:33). O fermento representa a corrupção. A mulher, a falsa igreja de Roma, adicionou fermento às doutrinas do Cristianismo até que elas ficaram totalmente contaminadas com seus falsos ensinos. Esta Jezabel, que via a si mesma como uma profetiza que podia fazer acréscimos à Palavra de Deus — e tem feito isso de forma desavergonhada por meio de suas "tradições" e Bulas Papais — também chegou ao ponto de ensinar idolatria e o "sacrifício" da Missa.

A Igreja de Sardes, 1517 — 1738 DC

[Desde Martinho Lutero até o Reavivamento Wesleyano]

A Reforma [duração: cerca de 220 anos]

Em grande parte, a igreja esteve moribunda durante este período de tempo. A Reforma, que deveria ter rejuvenescido grandemente a verdadeira igreja de Cristo, estava preocupada principalmente com questões políticas: "E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto." [Apocalipse 3:1].

A Parábola do Tesouro Escondido em um Campo (Mateus 13:44).

A Reforma trouxe uma compreensão renovada do verdadeiro Evangelho e da autoridade exclusiva da Palavra de Deus. Este foi o "tesouro" escondido em um dos muitos campos controlados por Roma.

A Igreja de Filadélfia, anos 1738-1900

[Desde o Reavivamento Wesleyano até o Pentecostalismo Extremo]

A Era Missionária [duração: cerca de 160 anos]

A igreja rejuvenesceu durante este período, com a disseminação generalizada da tradução Autorizada pelo Rei Tiago (KJV) ("minha palavra") e um aumento acentuado no evangelismo e na obra missionária: "Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome." [Apocalipse 3:8].

A Parábola da Pérola de Grande Preço (Mateus 13:45-46).

Firmada na Palavra, a igreja, sabendo que tinha sido comprada por um grande preço (1 Coríntios 6:20), tornou-se verdadeiramente viva durante este período.

A Igreja de Laodiceia, Anos 1900 — Desconhecido

[Desde o Pentecostalismo Extremo até a Grande Apostasia]

A Igreja de Laodiceia Criada Pelo Homem

Este é o período de tempo em que estamos agora. O zelo do período anterior foi perdido e a fé entre os cristãos professos, onde existe, é somente morna. Eles não têm zelo pela verdade nem aversão às mentiras. Esta é uma condição que é muito desagradável para nosso Senhor: "Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca." [Apocalipse 3:15-16].

Parábola da Rede Lançada ao Mar (Mateus 13:47-50), que faz uma distinção radical entre cristãos falsos e verdadeiros. Além disso, quando Cristo explicou a Parábola do Trigo e do Joio (Mateus 13:34-43) Ele fez isso de um modo que corre em paralelo com a Parábola da Rede Lançada ao Mar. Em cada caso, Ele se refere ao julgamento no fim dos tempos, em que os bons são separados dos maus. Os últimos são então lançados na "fornalha de fogo, ali haverá pranto e ranger de dentes" (Mateus 13:42 e 13:50).

Como você pode ver, todos os versos em Mateus 13, que lidam com as parábolas do reino — versos 3-50 — estão incorporados nesta visão geral histórica. Além disso, quando reconhecemos que os versos 42 e 50 conectam duas das parábolas, podemos ver que elas seguem a mesma sequência que as sete igrejas descritas em Apocalipse 2-3.


Autor: Jeremy James, artigo 451 em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 20/5/2026
A Espada do Espírito: https://www.espada.eti.br/Apocalipse/quetura.htm