O Anticristo

Autor: Arthur W. Pink

CAPÍTULO 1

Introdução

Em várias cenas retratadas pelas profecias bíblicas existe a sombra de uma figura ominosa que estará no comando. Com muitos nomes diferentes, como as alcunhas de um criminoso, sua personalidade e ações são colocadas diante de nós. É nossa intenção escrever uma série de artigos sobre este que será a plena incorporação da impiedade humana e a manifestação final da blasfêmia satânica. Muitos outros fizeram referência a esse personagem misterioso em suas exposições gerais das profecias, mas até onde nosso exame da literatura existente sobre o assunto nos levou (e procuramos fazer isso da forma mais minuciosa possível) parece terem sido feitas poucas tentativas de delinear completamente este Príncipe das Trevas. Por não conhecermos nenhum tratamento exaustivo do tema e também pelo fato de existir confusão na mente de muitas pessoas a respeito do caráter e da carreira do vindouro Homem do Pecado, apresentamos agora estes artigos para a apreciação dos estudantes da Bíblia.

Há mais de doze anos que estudo diligentemente e com muita oração aquilo que as Escrituras ensinam sobre o pseudo-Cristo. Quanto mais nos aprofundamos nesses estudos, o mais surpresos ficamos diante da posição proeminente que é dada na Bíblia para esse Filho da Perdição. Há uma incrível riqueza de detalhes que, quando cuidadosamente coletados e organizados, fornecem uma vívida biografia daquele que em breve aparecerá e tomará o governo do mundo sobre seus ombros. O simples fato de o Espírito Santo ter feito tanto ser escrito sobre o assunto indica imediatamente sua grande importância. A proeminência do Anticristo nas Escrituras proféticas aparecerá imediatamente com uma olhada nas referências que se seguem.

A primeira profecia da Bíblia faz referência a ele, pois em Gênesis 3:15 há a referência à "semente" da serpente. No Êxodo, um tipo chocante dele é fornecido pelo Faraó, que desafiou Deus e que tratava com crueldade o povo de Deus, o rei que ordenou a morte de todos os bebês do sexo masculino, que tentou impedir Israel de ser uma nação e que teve um fim drástico nas mãos do Senhor. Na profecia de Balaão, o Anticristo é referenciado com o nome de "Assur" (Nm. 24:22) — em capítulos futuros mostraremos evidências que provam que "Assur" e o Anticristo são a mesma pessoa. Existem muitos outros tipos do Homem do Pecado que podem ser encontrados nos livros históricos do Velho Testamento, mas os omitiremos agora, pois teremos um capítulo separado para considerá-los.

No livro de Jó, ele é referenciado como "a serpente enroscadiça" (Jó 26:13); com isto deve-se comparar Is. 27:1, em que, como "a serpente tortuosa", ele está conectado com o dragão, embora seja distinto dele. Nos Salmos, encontramos um grande número de referências a ele, como "o homem sanguinário e fraudulento" (Sl. 5:6), o "ímpio" (9:16), "o homem da terra" (10:18), o "homem poderoso" (52:1), "o adversário" (74:10), "cabeça de muitos países" (110:6), "o homem mau e violento" (140:1), etc. Que o estudante dê especial atenção aos Salmos 10, 52 e 55.

Quando nos voltamos para os profetas, as referências a esse Monstro da Iniquidade são tão numerosas que se fôssemos citar todas elas, mesmo sem fazer qualquer comentário, a lista nos levaria além dos limites apropriados para este capítulo introdutório. Portanto, somente algumas das mais proeminentes serão observadas aqui.

Isaías o menciona primeiro como o "assírio", "a vara da ira de Deus" (10:5), depois como "o ímpio" (11:4), depois como "o rei de Babilônia" (14:11-20; confira 30:31-33), e também como o "homem violento" e destruidor (16:4). Jeremias o chama de "destruidor dos gentios" (4:7), o "inimigo", "cruel" e "ímpio" (30:14 e 23). Ezequiel o referencia como o "profano e ímpio príncipe de Israel" (21:25) e, novamente, sob a figura do "príncipe de Tiro" (28:2-10) e também como o "príncipe e chefe de Meseque e Tubal" (38:2). Daniel delineia completamente seu caráter e carreira. Oséias fala sobre ele como "o rei dos príncipes" (8:10) e como o "mercador que tem nas mãos uma balança enganosa e que ama a opressão" (12:7). Joel o descreve como o chefe do exército do norte, que será destruído porque "fez grandes coisas" (2:20). Amós o chama de "adversário", que derrubará as fortalezas de Israel e saqueará seus palácios (3:11). Miquéias faz menção a ele no quinto capítulo de sua profecia (veja o verso 6). Naum o referencia como o "ímpio" e fala de sua destruição (1:15). Habacuque fala sobre ele como "homem desleal, soberbo, que alarga como o inferno a sua alma; e é como a morte, que não se farta, e ajunta para si todas as nações, e congrega a si todos os povos" (2:5). Zacarias o descreve como o "pastor inútil" sobre quem está pronunciado os "ais" de Deus e sobre quem descerá Seu julgamento.

Não é somente no Velho Testamento que encontramos esse temido personagem. Nosso Senhor falou sobre ele como "aquele que virá em seu próprio nome" e que será recebido por Israel (João 5:43). O apóstolo Paulo nos apresenta um quadro completo dele em 2Ts. 2, onde ele é chamado de "Homem do Pecado, o Filho da Perdição", que virá com todo o poder e engano de Satanás operando sinais e maravilhas da mentira. O apóstolo João o menciona pelo nome e declara que ele negará o Pai e o Filho (1Jo. 2:22). No Apocalipse, o último livro da Bíblia, todas essas linhas da profecia convergem para a Besta, que no fim será lançada, junto com o Falso Profeta, no lago de fogo, para serem acompanhados mil anos mais tarde pelo próprio Diabo, para sofrerem para sempre naquele fogo especialmente preparado por Deus.

O aparecimento do Anticristo é um assunto espetacular e amedrontador e, no passado, muitos autores bem-intencionados retiraram desse evento vindouro muito de seu terror e significado, confundindo alguns dos anticristos que já apareceram em vários períodos de tempo na história humana, com esse ser misterioso que se elevará acima de todos os filhos de Belial, sendo nada menos que a imitação de Satanás e o opositor do Cristo de Deus, que está infinitamente exaltado acima de todos os outros filhos de Deus. Manter o mundo na ignorância a respeito do vindouro super-homem promove os interesses de Satanás, e não pode haver dúvidas que Satanás é o responsável pela negligência geral com o estudo deste assunto e que também é o autor do testemunho conflitante que é dado por aqueles que falam ou escrevem sobre ele.

Existem três escolas principais entre os intérpretes das profecias bíblicas com relação ao Anticristo. A primeira aplica essas profecias a personagens do passado, a homens que estão em seus túmulos há vários séculos A segunda escola dá a essas profecias uma aplicação presente, encontrando o cumprimento delas no papado que existe nos dias atuais. A terceira escola dá a essas profecias uma aplicação futura e procura o cumprimento delas em um ser terrível que ainda haverá de se manifestar. Agora, por mais amplamente divergentes sejam essas diferentes visões, o autor tem a certeza que existe um elemento de verdade em cada uma delas. Muitas, se não a grande maioria das profecias — não somente aquelas que se referem ao Anticristo, mas aos outros objetos proeminentes de predição — têm pelo menos um cumprimento duplo e, frequentemente, triplo. Elas têm um cumprimento local e imediato, mas também um cumprimento contínuo e gradual, e outro cumprimento final e definitivo.

No segundo capítulo de sua primeira epístola, o apóstolo João declara: "Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora." (v. 18). Em harmonia com isto, o apóstolo Paulo diz que "o mistério da injustiça já opera" (2Ts. 2:7). Isto não deve nos surpreender, pois muitos séculos antes, o sábio declarou: "O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol." [Ec. 1:9]. A história funciona em ciclos, mas à medida que cada ciclo é concluído, somos levados mais para perto do objetivo e da consumação da história. Houve no passado, e existem hoje, muitos anticristos, porém eles são somente sombras daquele que ainda há de vir. Entretanto, é de suma importância que distingamos claramente entre os anticristos e o Anticristo. Como dissemos, existiram e existem muitos anticristos, porém o aparecimento do Anticristo ainda está no futuro.

A primeira escola de interpretação, referida anteriormente, enfatizou Antíoco Epifânio como aquele que cumpre as profecias referentes ao Anticristo. Já nos dias de Josefo (veja suas Antiguidades Judaicas), essa visão encontrou ardorosos defensores. Foi dada muita importância ao título que ele assumiu (Epifânio significa "Ilustre", "Glorioso", "Luminoso"), à sua oposição à adoração a Jeová, aos seus incríveis feitos militares, às suas intrigas diplomáticas, à profanação que perpetrou no Templo em Jerusalém, ao fato de ter sacrificado um porco no Santo dos Santos, ao fato de ter colocado uma imagem no Templo e dado um tratamento cruel aos judeus. Mas existem muitas razões conclusivas que provam que Antíoco Epifânio não foi o Anticristo, embora sem dúvidas, em muitos aspectos, tenha sido um tipo impressionante dele; tanto que prefigura muitas das mesmas coisas que o vindouro monstro perpetrará. É suficiente lembrar que Antíoco Epifânio estava em seu túmulo há vários séculos quando o apóstolo Paulo escreveu 2 Tessalonicenses 2.

Outro personagem intrigante que tem sido escolhido por aqueles que acreditam que o Anticristo já apareceu e concluiu seu curso e vida, é o imperador Nero. Novamente, existem aqui muitas similaridades interessantes entre o tipo e o antítipo. Em seu ofício como imperador romano, em sua terrível impiedade, em sua egolatria devoradora, em sua natureza sanguinária, em sua ferocidade na perseguição ao povo de Deus, descobrimos muitas similaridades com aquilo que caracterizará o Iníquo. Mas, novamente, descobrimos que esse homem de triste memória, Nero, não foi nada mais que uma sombra daquele que o excederá muito mais em malignidade satânica. Prova positiva que Nero não foi o Anticristo pode ser encontrada no fato que ele já estava em seu túmulo quando João escreveu o capítulo 13 do Apocalipse.

A segunda escola de interpretação, citada anteriormente, aplica as profecias referentes ao Anticristo ao sistema papal, e vê na sucessão dos papas a fotocópia do Homem do Pecado. Eles chamam a atenção para a aversão de Roma ao evangelho da Graça, à sua híbrida combinação de governo político e eclesiástico, às suas arrogantes afirmações e anátemas tirânicos sobre aqueles que se atrevem a se opor a ela, à sua sutileza, suas intrigas, suas promessas quebradas e, por último, mas não menos importante, pelo martírio indizível que impôs aos que resistiram a ela. O papa, podemos lembrar, usurpou a posição e prerrogativas do Filho de Deus, e sua arrogância, sua impiedade, suas reivindicações de infalibilidade, sua exigência de adoração pessoal, todas contadas exatamente com o que é postulado a respeito do Filho da Perdição. Inquestionavelmente, o Catolicismo Romano é anticristão, porém mesmo esse sistema monstruoso do mal fica aquém daquele que será chefiado pela Besta. Dedicaremos um capítulo inteiro à comparação cuidadosa do papado com as profecias que descrevem o caráter e a carreira do Anticristo.

A terceira escola de interpretação acredita que as profecias que se relacionam com o iníquo ainda não foram cumpridas e não poderão ser cumpridas até que este atual Dia da Salvação termine seu curso. O Espírito Santo de Deus, cuja presença aqui e agora impede a operação final do Mistério da Iniquidade, precisará ser removido da cena para que Satanás possa apresentar sua obra-prima de enganação e de oposição a Deus. Muitas são as escrituras que ensinam claramente que a manifestação do Anticristo ainda está no futuro e elas serão apresentadas nos próximos capítulos. Para este momento, precisamos continuar a enfatizar para nossos leitores a importância deste assunto e quão oportuna é a nossa pesquisa para este tempo presente.

O estudo do Anticristo não é meramente de interesse para aqueles que gostam do sensacional, mas é de vital importância para uma correta compreensão da verdade dispensacional. Um verdadeiro plano de estudo das predições com relação ao Homem do Pecado é imperativamente necessário para um exame adequado do vasto território das profecias que ainda não foram cumpridas. Uma simples passagem das Escrituras deixará isto claro. Se o leitor se voltar para o início de 2Ts. 2, verá que os santos em Tessalônica estavam aguardando a vinda do Filho de Deus dos céus, pois tinham sido instruídos a esperarem a reunião com Ele antes de Deus derramar Seus julgamentos sobre o mundo, o que distinguirá o "Dia do Senhor". Mas a fé deles foi abalada e sua esperança perturbada por alguns indivíduos que lhes informaram erroneamente que "aquele dia" já tinha ocorrido e que, portanto, a esperança deles de serem tomados para se encontrarem com o Senhor nos ares tinha sido frustrada. Foi para aliviar a aflição daqueles cristãos e para repudiar os erros daqueles que os tinham perturbado que, movido pelo Espírito Santo, o apóstolo Paulo escreveu sua segunda epístola à igreja de Tessalônica.

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus. Não vos lembrais de que estas coisas vos dizia quando ainda estava convosco? E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade." [2Ts. 2:1-12]

Citamos esta passagem por extenso para mostrar que o Dia do Senhor não pode acontecer antes do arrebatamento (verso 1), da apostasia (v. 3) e do aparecimento do Homem do Pecado (v. 3), cujo caráter e carreira são aqui esquematizados rápida, mas graficamente. O Anticristo deverá exercer sua carreira de impiedade sem paralelos após todos os cristãos terem sido removidos deste mundo, pois é sob sua liderança que todas as forças da impiedade se alinharão para receberem sua condenação pelo julgamento sumário de Deus. Teria então, o iníquo já sido revelado? Ou precisamos ainda dizer, como o apóstolo disse em seu tempo, que embora o "mistério da injustiça" esteja em operação, há alguma coisa que o restringe, para que ele seja revelado "a seu tempo"? A importância vital da resposta que é dada a essas questões aparecerá ainda mais quando conectarmos com esta descrição do Anticristo em 2Tessalonicenses 2 as outras profecias que revelam a duração exata do tempo em que sua carreira precisa ser cumprida. Uma razão é por que a maioria das profecias que ainda não foram cumpridas será cumprida durante o tempo em que o Anticristo será a figura central na Terra. Além disso, a destruição do Anticristo e de suas forças será o Gran Finale no longo conflito entre a serpente e a Semente da mulher, quando o Senhor retornará para estabelecer Seu Reino.

A visão dominante que tem sido adotada pelos cristãos protestantes desde o tempo da Reforma é que as muitas predições relacionadas com o Anticristo descrevem a ascensão, progresso e destruição do papado. Esse erro levou a outros, e deu origem ao esquema de interpretação profética que prevalece na cristandade. Quando as predições referentes ao Homem do Pecado foram alegorizadas, a consistência requereu que todas as predições associadas e colaterais também fossem alegorizadas e, especialmente, aquelas que se relacionam com a sua destruição e o reino que será estabelecido com a queda desse poder. Quando o período desse curso predito foi feito para ter a medida da duração total do sistema papal, seguiu-se naturalmente que as predições dos eventos associados deveriam ser aplicadas à história da Europa a partir do tempo em que o bispo de Roma se tornou reconhecido como o líder das igrejas do Ocidente.

Acredito que esse erro de Lutero e de seus contemporâneos de aplicar a Roma as profecias referentes ao Anticristo é que foram realmente responsáveis por todo o sistema moderno do Pós-Milenismo. Os reformadores ficaram satisfeitos que o papado tenha recebido sua ferida de morte e, embora ele tenha continuado, os protestantes do século 16 estavam confiantes que o papado nunca mais poderia se recuperar. Acreditando que a condenação da hierarquia romana estava selada, que o reino de Satanás estava abalado em seus fundamentos, e que um depois de um breve intervalo haveria a queda total, eles imediatamente tomaram as profecias que anunciavam o estabelecimento do reinado de Cristo logo após a destruição do Anticristo, e as aplicaram ao protestantismo. É verdade que algumas delas pareciam não se encaixar muito bem, mas a engenhosidade humana logo encontrou um modo de superar essas dificuldades. O obstáculo apresentado por essas profecias que anunciavam o estabelecimento imediato do reino de Cristo após a derrubada e destruição do reino de Satanás, foi transposto por um apelo à analogia fornecida na derrubada do reino de Satanás — se esse era um processo tedioso, uma coisa gradual que requeria tempo para completar, por que não com o outro? Se o rapidamente declinante poder do papado era suficiente para garantir sua destruição final, por que não deveria o progresso da Reforma pressagiar a conquista final do mundo para Cristo!

Se, como parecia claro para os reformadores, o papado era o Homem do Pecado, e a Basílica de São Pedro era o "templo" em que ele usurpava a posição e as prerrogativas de Cristo, então, essa premissa estabelecida, todas as outras conclusões conectadas com o esquema deles de interpretação profética precisam logicamente seguir. Estabelecer a premissa foi a primeira coisa a ser feita e, uma vez que a teoria se tornou uma convicção aceita, não foi difícil encontrar escrituras que pareciam confirmar a visão deles. A principal dificuldade no caminho eram as predições que limitavam o estágio final da carreira do Anticristo a 42 meses, ou 1260 dias, e assim espaço suficiente foi concedido para se adequar à longa história do Catolicismo Romano.

Sem entrar em maiores detalhes, é evidente que, se essa interpretação alegórica das profecias referentes ao Anticristo puder ser provada como errônea, [1] então todos os esquemas pós-milenistas e "históricos" de interpretação caem por terra, e milhares das volumosas exposições da profecia que foram escritas durante os últimos 350 anos são colocadas de lado como especulações engenhosas, porém infundadas. Isto, por si mesmo, é suficiente para demonstrar a importância da nossa atual pesquisa.

Não somente é a importância do nosso assunto indicada pela posição proeminente dada a ela na Palavra de Deus, e não somente é seu valor estabelecido pelo fato que uma compreensão correta da pessoa do Anticristo seja uma das chaves principais para a correta interpretação de muitas profecias que ainda aguardam para serem cumpridas, mas o tempo oportuno para essa pesquisa é descoberto observando-se que o Espírito Santo conectou o aparecimento do Anticristo com a apostasia: "Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição..." [2Ts. 2:3-4]. Essas duas coisas estão aqui unidas e se pode ser mostrado que a apostasia já está muito avançada, de modo que podemos saber com certeza que a manifestação do Homem do Pecado não está muito distante.

Existe pouca necessidade para fazermos uma longa digressão aqui e darmos uma seleção da abundância de evidências que mostram que a apostasia já está muito avançada. A grande maioria daqueles a quem estamos nos dirigindo já tem seus olhos abertos por Deus e pode discernir as condições desonrosas a Cristo que existem por praticamente todos os lados. Será suficiente mencionar somente a reunião do "joio" em feixes, que está ocorrendo diante nos nossos olhos; o rápido crescimento do espiritismo, com seus "espíritos enganadores e doutrinas de demônios", e o fato significativo e solene que milhares daqueles que estão enlaçados por ele são aqueles que apostataram da profissão formal da fé cristã (1 Timóteo 4:1); a "forma de piedade" que ainda existe, mas que, infelizmente, na vasta maioria dos casos, "nega seu poder"; o alarmante desenvolvimento e crescimento do Catolicismo Romano nos EUA e a indiferença letárgica da maioria daqueles que professam serem cristãos; a negação das doutrinas cardeais da fé uma vez entregue aos santos, que agora é ouvida em incontáveis púlpitos de todas as denominações; o escárnio que enfrentam aqueles que ensinam o iminente retorno do Senhor Jesus; o espírito de Laodiceia que agora é a atmosfera da cristandade e da qual poucas pessoas, do próprio povo do Senhor, estão inteiramente livres — estes, e uma dezenas de outros sinais que poderiam ser mencionados, são provas que nos convencem que o tempo deve estar muito próximo em que o poder de restrição do Espírito Santo será retirado do caminho para que Satanás possa apresentar o Filho da Perdição como o líder da revolta final contra Deus, e depois o Senhor Jesus retorne a este mundo para estabelecer Seu Reino. Portanto, isto tudo mostra a necessidade de um exame com muita oração daquilo que Deus revelou "das coisas que brevemente devem acontecer". O simples fato que o tempo em que a obra-prima de Satanás aparecerá esteja se aproximando rapidamente fornece evidência adicional da importância da nossa pesquisa para este tempo presente.

O valor prático dessas considerações preliminares deve ser aparente imediatamente. O que escrevemos em conexão com essa encarnação de Satanás que aparecerá em breve, não é o produto de uma imaginação desordenada, mas o assunto da revelação divina. A advertência dada que o aparecimento do Anticristo não pode estar muito distante não vem dos temores de um alarmista, mas é requerido pelos sinais dos tempos que, à luz das Escrituras, estão carregados com grande significado para todos aqueles cujos sentidos estão treinados para discernir o bem e o mal. As muitas provas que a manifestação do Homem do Pecado é um evento do futuro próximo são um chamado para que os filhos de Deus se prepararem para o retorno do Salvador, pois antes de o Filho da Perdição ser revelado, o próprio Senhor precisará primeiro descer aos ares, tirar da cena terreal e levar para Si mesmo o povo que Ele comprou com Seu próprio sangue. Portanto, convém a cada um de nós "fazer cada vez mais firme a nossa vocação e eleição" e dar ouvidos à urgente admoestação do Salvador: "Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe." [Lc. 12:35-36].

[1] Errônea no sentido de ser um cumprimento secundário, não o principal e final.

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Data da publicação: 11/8/2010
Transferido para a área pública em 21/4/2020
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A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/anticristo-cp01.asp