O Anticristo

Autor: Arthur W. Pink



CAPÍTULO 11

O Anticristo no Apocalipse


O escopo do Apocalipse é indicado por sua posição no cânon sagrado. Como ele está no fim das Escrituras, devemos naturalmente esperar que delineie os últimos capítulos da história mundial. De fato, este é o caso. O Apocalipse descreve principalmente os julgamentos que Deus enviará sobre o mundo. Ele fornece, de longe, a mais completa descrição das condições que existirão durante o período da Tribulação. Ele trata em grande extensão o caráter e a carreira do Anticristo, que será a "vara da ira" nas mãos de Deus para castigar o rebelde Israel e a cristandade apóstata. Tudo isto, é claro, será em preparação para o estabelecimento do reinado do Messias, que ocorrerá durante a última das dispensações da Terra.

É impossível compreender o Apocalipse sem uma completa familiaridade com os livros que o precedem. Quanto mais familiarizados estivermos com os primeiros sessenta e cinco livros da Bíblia, melhor preparados estaremos para o estudo do sexagésimo sexto. Há realmente pouca coisa nova no Apocalipse. Seu variado conteúdo é, em grande parte, uma amplificação daquilo que é encontrado em escrituras precedentes. Cada uma de suas figuras e símbolos são explicados, quando não em suas próprias páginas, então em alguma outra parte da Palavra escrita de Deus. A Escritura sempre interpreta a si mesma. A maioria das nossas dificuldades com o Apocalipse advém da nossa ignorância e da falta de familiaridade com os livros anteriores. Daniel e Zacarias, em especial, devem ser examinados minuciosamente, pois lançam muita luz sobre o livro profético que registra as visões que João teve em Patmos.

O Apocalipse não somente revela muito sobre a pessoa e as ações do Homem do Pecado, mas descreve sua condenação e também anuncia a completa derrota da Trindade do Mal. Isto, sem dúvida, explica muito do preconceito que existe contra o estudo e leitura desse livro. É realmente interessante que esse seja o único livro na Bíblia para o qual exista uma clara promessa para aqueles que leem e dão ouvidos à sua profecia. (Ap. 1:3). Todavia, o quão raramente ele é lido nos púlpitos das igrejas que são reputadas como ortodoxas! Certamente, o grande Inimigo é o responsável por isto. Parece que Satanás teme e odeia o Apocalipse mais do que todos os outros livros na Bíblia, pois esse livro diz que ele será no fim lançado no lago de fogo. Mas, "não ignoramos seus ardis" (2 Co. 2:11). Portanto, que ele não nos impeça de fazermos a leitura atenta e acompanhada por muita oração desse livro profético que fala a respeito das coisas que "em breve devem acontecer".

1. Vamos nos voltar primeiro para Ap. 6, que apresenta uma visão em quatro aspectos do Filho da Perdição. Exatamente como no início do Novo Testamento o Espírito Santo delineia para nós de forma quadruplicada Cristo nos Evangelhos, assim também no começo de Sua descrição dos julgamentos de Deus sobre o mundo Ele nos fornece um quadro quádruplo do grande oponente de Cristo. Acreditamos que o conteúdo dos quatro primeiros "selos" descreva quatro aspectos do caráter do Anticristo e também delineie quatro estágios em sua carreira. Primeiro, ele é visto imitando o Cristo de Deus como o Justo. O "cavalo branco" sobre o qual ele está assentado, fala de justiça. Exatamente como somos informados em 2 Co. 11:14, que "o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz", e que, portanto, "não é muito que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça", assim também o Anticristo posará como amigo da lei e da ordem. Segundo, ele é visto imitando o Cristo de Deus como um poderoso guerreiro. Exatamente como o Senhor Jesus, em Sua segunda vinda, fará de Seus inimigos o escabelo de Seus pés, e calcará aos pés todos o que O desafiarem (Is. 63:3), assim também o Homem do Pecado matará a todos os que se atreverem a resistir a ele. Terceiro, ele é visto imitando a Cristo como o Pão da Vida, pois o terceiro selo o mostra como aquele que controla o fornecimento dos alimentos. Quarto, ele é visto com sua máscara removida e é mostrado como aquele cujo nome é Morte e Inferno, isto é, como o Destruidor dos corpos e das almas dos homens.

Vejamos como a identidade desse cavaleiro dos cavalos de cores variadas é estabelecida. Em Ap. 6:2, lemos: "E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer." Observe primeiro que aqui ele é mostrado montado sobre um cavalo branco. Esta é uma imitação do Cristo de Deus, que, em Seu segundo advento, também estará montado sobre um cavalo branco (Ap. 19:11). Segundo, é dito que "foi-lhe dada uma coroa". Isto serve para conectá-lo imediatamente com a primeira besta — o Anticristo — de Ap. 13, pois a respeito dele está escrito: "E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" (v. 4). Novamente, em Ap. 6:4, lemos: "E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada." Observe primeiro a última frase: "e foi-lhe dada uma grande espada" Isto o identifica claramente como o pseudocristo, pois a respeito do verdadeiro Cristo está escrito: "E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações." (Ap. 19:15a). Segundo, "foi dado que tirasse a paz da terra". Assim, também, a respeito da primeira besta de Ap. 13 lemos: "E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação." (v. 7). No terceiro selo ele é visto como aquele que controla a comercialização dos alimentos no mundo, pesando em uma balança os produtos essenciais, vendidos a preços exorbitantes. Isto, sem dúvida, corresponde com aquilo que lemos em Ap. 13:17. Finalmente, no quarto selo, ele é chamado "Morte e Inferno". Esse título duplo remove toda a dúvida sobre quem está em vista. Quando Deus repreende Israel por ter feito o tratado de sete anos, usa a seguinte frase: "E a vossa aliança com a morte se anulará; e o vosso acordo com o inferno não subsistirá; e, quando o dilúvio do açoite passar, então sereis por ele pisados." (Is. 28:18). Assim, os cavaleiros dos quatro cavalos de Ap. 6 não são quatro pessoas diferentes, porém uma única pessoa apresentada em quatro aspectos, como o Senhor Jesus é apresentado nos quatro evangelhos.

Antes de deixarmos Ap. 6, algumas palavras devem ser acrescentadas como uma amplificação dos nossos comentários feitos acima, que em Ap. 6 temos delineados quatro estágios da carreira do Anticristo. A preparação do Homem Cristo Jesus para Seu ministério terreal — os longos anos vividos em silêncio em Nazaré — são omitidos pelos quatro evangelistas. Assim, aqui em Ap. 6, os dias preliminares do Homem do Pecado — em seu caráter de "chifre pequeno" — não são observados. Na abertura do primeiro selo ele é visto assentado sobre um cavalo branco e com um arco na mão. A cor do cavalo e o fato de as flechas não serem mencionadas sugerem vitórias sem derramamento de sangue, pois ele sai "vitorioso e para vencer". Este primeiro selo nos leva imediatamente para o tempo quando o Príncipe das Trevas fará a pose do Cristo de Deus e se apresentará aos judeus para que eles o aceitem. Ele não se apresentará em seu verdadeiro caráter satânico, mas simulará ser o Príncipe da Paz. O primeiro selo está em paralelo com Dn. 11:21-23, onde aprendemos que ele obterá o reino por meio de intrigas, lisonjas e diplomacia política. Todavia, ele não exercerá esse papel pacifista por muito tempo. A guerra estará em seu coração (Sl. 55:21) e nada menos que o domínio universal satisfará suas orgulhosas ambições. Como Deus advertiu de forma bem clara, quando os homens disserem "há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão." (1 Ts. 5:3).

É para isto que o segundo selo nos traz. Aqui, o Anticristo não é visto mais assentado sobre um cavalo branco, mas sobre um cavalo vermelho. Além disso, em perfeita harmonia, o texto acrescenta: "e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra... e foi-lhe dada uma grande espada." (v. 4). Não é à toa que ele é chamado de "Destruidor dos Gentios' (Jr. 4:7). Quando ele for derrubado as pessoas perguntarão: "É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos? Que punha o mundo como o deserto, e assolava as suas cidades? Que não abria a casa de seus cativos?" (Is. 14:16-17). Jr. 25:29 lança luz sobre essa "grande espada" que lhe será dada: "Porque, eis que na cidade que se chama pelo meu nome começo a castigar; e ficareis vós totalmente impunes? Não ficareis impunes, porque eu chamo a espada sobre todos os moradores da terra, diz o SENHOR dos Exércitos." (leia os versos 15-33).

No terceiro selo ele é retratado como o Arauto da fome. Isto é indicado pela mudança na cor do cavalo: para "preto" em conexão com a fome veja Jr. 14:1-2 e Lm. 5:10. O significado simbólico do cavalo preto é intensificado pela figura da balança na mão do cavaleiro (compare com Os. 12:7 e Am. 8:4-6). O que vem em seguida descreve o trigo sendo vendido a um preço exorbitante. Mas, o texto acrescenta: "e não danifiques o azeite e o vinho". Isto significa que a fome não será generalizada e sugere que ao lado do abjeto sofrimento haverá luxo e abundância. Portanto, consideramos esse terceiro selo como indicador da perseguição do Anticristo aos judeus piedosos e tementes a Deus. A partir de outras escrituras, ficamos sabendo que essa perseguição será mais feroz durante os últimos três anos e meio da carreira do Anticristo. Ap. 13:17 diz que aqueles que se recusaram a receber o sinal da besta não poderão comprar ou vender. Logicamente, esses são os fiéis remanescentes dos judeus. Mas, aqueles que fizerem aliança com a besta poderão usufruir e ter "azeite e vinho" como sua porção.

O quarto selo, claramente nos conduz até o fim da carreira do Anticristo. O fato de ele ser chamado de Morte e que o Inferno (o Hades, que recebe a alma) o seguia, torna conhecida a terrível condenação que virá sobre esse Filho da Perdição e sobre todos os seus cegos seguidores — veja Ap. 19:20-21.

2. A próxima alusão ao Anticristo se encontra em Ap. 9:11, em que ele recebe um título triplo: Rei sobre os gafanhotos, Anjo do Abismo e Destruidor. Alguns comentários sobre o contexto são necessários para que possamos expor, mesmo que rapidamente, o significado desses títulos A maioria dos comentaristas pré-milenistas concorda a respeito da identidade do personagem citado em Ap. 9:11, embora exista considerável diferença de opinião sobre o significado do contexto. Somente podemos oferecer aqui alguns comentários sobre os versos precedentes de acordo com a luz que temos neste momento presente e apresentamos as razões para as nossas conclusões.

O contexto imediato nos leva de volta ao verso de abertura de Ap. 9, em que "uma estrela" cai do céu na terra e recebe a chave do abismo. Acreditamos que esta seja uma referência a Lúcifer ou "estrela da manhã" (veja Is. 14:12). A referência, acreditamos, não é à sua queda original, mas ao que está descrito em Ap. 12:9. O fato que a chave do abismo seja entregue a ele está em concordância com o fato que durante a Tribulação, Deus permitirá que ele reine livremente e faça tudo o que houver de pior. A expressão "poço do abismo" não ocorre em parte alguma nas Escrituras. O "poço do abismo" deve ser diferenciado do próprio abismo, mencionado em Ap. 9:11, 11:7, 17:8 e 20:3. Qual é a distinção sugerimos aqui.

Do poço do abismo sai uma fumaça tão espessa que o sol e o ar se escurecem (v. 2) e, da fumaça saem "gafanhotos sobre a terra". Consideramos esses gafanhotos como idênticos às criaturas referenciadas na profecia de Joel (Jl. 2:1-11). Observando aquilo que é dito a respeito deles em Joel 2 e Ap. 9, é aparente imediatamente que esses não são gafanhotos comuns. Joel diz a respeito deles: "Dia de trevas e de escuridão; dia de nuvens e densas trevas, como a alva espalhada sobre os montes; povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração." (2:2). E também: "Ninguém apertará a seu irmão; marchará cada um pelo seu caminho; sobre a mesma espada se arremessarão, e não serão feridos." (2:8). O fato de saírem do poço também indica que eles são seres sobrenaturais. Na descrição fornecida em Ap. 9 eles parecem ser um tipo de querubim infernal, pois os aspectos de "cavalo" (v. 7), "homem" (v. 7), "leão" (v. 8) e escorpião (v. 19) estão combinados neles. O número deles é dado como duzentos milhões. Quem são, então, esses seres infernais? Nenhum comentarista com o qual estejamos familiarizados tentou dar uma resposta. Portanto, é com timidez que sugerimos, sem sermos dogmáticos, que eles são, muito provavelmente, anjos caídos que agora se encontram aprisionados no Tártaro. Damos três razões que, em nosso julgamento, apontam para esta conclusão.

Primeiro, sabemos a partir de 2 Pe. 2:4 que "Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo" e em Ap. 9:2-3, somos informados que "... subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha... e da fumaça vieram gafanhotos sobre a terra...". Agora, como salientamos anteriormente, esses gafanhotos infernais saem do "poço do abismo", uma expressão que não ocorre em outra parte nas Escrituras, e somente os gafanhotos saem dali. Da mesma forma, o termo Tártaro (NT: traduzido na ACF como "inferno") não é encontrado em parte alguma além de 2 Pe. 2:4. Parece provável, então, que o poço do abismo possa ser simplesmente outro nome para o Tártaro (com o qual somente os anjos caídos estão conectados), exatamente como o lago de fogo é outro nome para o Geena. Quem mais poderiam ser esses gafanhotos senão anjos caídos? Dizer que não sabemos pode aparentar humildade, mas será o autor considerado presunçoso por ter tentado fornecer uma resposta comparando escritura com escritura?

Em segundo lugar, é claramente significativo que o "rei" sobre esses gafanhotos seja chamado, em Ap. 9:11, de "anjo do abismo"! Um título que em nenhuma outra parte seja dado para ele. Exatamente como Cristo, o Anjo da Aliança (Ml. 3:1 — confira Is. 63:9, etc.) é, repetidamente chamado de um anjo no Apocalipse (veja 8:3, 10:1, etc.), assim o Anticristo é aqui denominado "anjo do abismo". Além disso, exatamente como aprendemos em Mt. 25:31 que "o Filho do Homem virá em sua glória e todos os santos anjos com ele" (confira Mt. 24:31), assim, quando o Filho da Perdição se manifestar, todos os anjos malignos estarão com ele!

Em terceiro lugar, vamos examinar cuidadosamente a linguagem de 2 Pe 2:4: "Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo." É para a última frase que dirigimos a atenção. Vamos compará-la com o verso 9 no mesmo capítulo: "Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados." Os homens ímpios estão reservados "para o dia do juízo, para serem castigados". Mas isto não é dito a respeito dos anjos que pecaram, embora, é claro, que a punição eterna os aguarda aprendemos em Mt. 25:41. 2 Pe. 2:4 simplesmente diz que estão "reservados para julgamento" e acreditamos que isso significa que Deus os está mantendo no Tártaro até que chegue o tempo para Ele usá-los como instrumentos de julgamento sobre um mundo rebelde e incrédulo. O tempo quando Deus os usará é declarado em Judas 6 — será no "juízo daquele grande dia" (compare em Ap. 6:17 o "grande dia"). Para confirmar isto, observe que em Jl. 2:11 o Senhor chama os gafanhotos sobrenaturais de "meu exército", empregado para infligir punição sobre o apóstata Israel. [1] Se nossa interpretação de 2 Pe. 2:4 estiver correta, isto é, que não faz referência à punição futura dos anjos caídos, isso explica por que o Senhor, em Mt. 24:41, ao se referir à futura punição, foi cuidadoso para não mencioná-los especificamente.

Retornando agora a Ap. 9:11, o Anticristo é aqui chamado de "rei sobre os gafanhotos". Que o leitor preste cuidadosa atenção para aquilo que está predito sobre esses seres infernais em Joel 2 e aqui em Ap. 9, e se lembre que o número deles é não menos que duzentos milhões, e então veja se isto não lança nova luz sobre Ap. 13:4, em que, referente ao Anticristo a seguinte pergunta é feita: "Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?"! Quão profundamente fútil é se envolver em um conflito com quem comanda um exército de duzentos milhões, nenhum dos quais pode morrer! Em segundo lugar, ele é aqui chamado de "anjo do abismo", um título particularmente apropriado como o líder dos anjos caídos e, também, que indica a natureza sobrenatural do Filho da Perdição. Em terceiro lugar, somos informados aqui que seu nome, na língua hebraica é Abadom, porém em grego é Apoliom. Esse título serve para estabelecer sem sombra de dúvidas a identidade desse "rei" dos gafanhotos infernais, o anjo do abismo. Os nomes em hebraico e grego significam a mesma coisa — o Destruidor. É o Destruidor dos Gentios de Jr. 4:7, traduzido também como "Destruidor" em Is. 16:4 e Jr. 6:26. É um nome adequado, para aquele que é o grande oponente do Salvador. O "Destruidor" está associado com a "Morte" em Ap. 6:8. A razão para seu nome ser dado aqui em hebraico e em grego é por que ele estará conectado e será o destruidor dos judeus e dos gentios! Mas, por que dar o nome hebraico primeiro? Porque a ordem do julgamento, como também a ordem da graça, é "primeiro o judeu, depois o grego" — veja Rm. 2:9 e 1:16.

3. "E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará." (Ap. 11:7). Esta é a primeira vez no Apocalipse que o Anticristo é visto em seu caráter de "besta". A última escritura que examinamos serve imediatamente para identificá-lo. Ele é chamado de "anjo do abismo", porque, em um sentido peculiar, o abismo é seu lar. Ali ele esteve durante todos os séculos da Era Cristã. Em At. 1:25 (confira o Cap. 3, Seção 3) o abismo é chamado de "seu próprio lugar". Aqui a besta aparece emergindo do abismo. O que é, então, o abismo? Ele parece ser a habitação especial das criaturas infernais. Como vimos, do poço do abismo saem os anjos caídos. A partir do abismo virá a besta. E, no abismo, o próprio Satanás será aprisionado por mil anos. (Ap. 20:3). O abismo é bem distinto do inferno (o Hades), em que as almas dos seres humanos perdidos estão agora em tormentos; e também precisa ser distinguido do lago de fogo (o Geena), em que todos os perdidos sofrerão para todo o sempre.

4. Chegamos agora a Ap. 13. Um extenso trabalho poderia ser prontamente dedicado à exposição desse capítulo, mas, como já tivemos oportunidade de referenciar seu conteúdo diversas vezes em capítulos anteriores, seremos breves aqui. O conteúdo do capítulo gira em torno das duas "bestas". Com relação a qual delas representa o Anticristo há diferença de opinião. A maioria dos autores que já escreveu sobre o assunto considera a primeira besta como sendo o Homem do Pecado, e este autor concorda inteiramente com esta interpretação. Dedicaremos o próximo capítulo para a apresentação das muitas provas que a primeira besta é o Anticristo. Aqui, simplesmente assumiremos este ponto como certo.

"E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia." (v.1 ). Como é frequente nas Escrituras, há aqui uma dupla referência. Dois objetos bastante distintos, embora intimamente conectados, estão em vista. Acreditamos que a besta que sobe do mar aponte para o Império Romano restaurado e em sua forma final, isto é, ressuscitado e confederado sob a forma de dez reinos. Em Dn. 7:3 lemos: "E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar." Esses quatro grandes animais são interpretados nos versos seguintes como quatro reinos. No v. 7 somos informados que esse quarto animal (o Império Romano) "tinha dez chifres". Assim também a besta de Ap. 13:1 tem dez chifres. Cada um dos animais sucessivos, ou reinos, de Dn. 7 reteve o território do reino anterior, e o ampliou. Na descrição simbólica fornecida ali, o primeiro animal é comparado com um "leão" (v. 4), o segundo com um "urso" (v. 5), o terceiro com um leopardo (v. 6). Assim também em Ap. 13, a besta ali é "semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão" (v. 2). Portanto, ficamos sabendo que o Império Romano, em sua forma final, incluirá dentro de suas fronteiras o território controlado pelos impérios anteriores e também perpetuará as características dominantes dos antigos Impérios Babilônio, Medo-Persa e Grego.

Entretanto, é muito claro a partir do que segue em Ap. 13 que há algo mais do que o Império aqui em vista. Nos versos 3-8 é uma pessoa que está diante de nós. Estamos convencidos que essa mesma pessoa está também descrita, simbolicamente, nos versos de abertura do capítulo. Como é frequentemente o caso nas escrituras proféticas, o rei e seu reino estão aqui inseparavelmente unidos. Ap. 13:1-2 retrata o Império e seu último imperador. Uma das provas para isto encontra-se em Dn. 9:26-27, em que (como mostramos no Cap. 9), o Anticristo é denominado de "príncipe" do povo que destruiu Jerusalém no ano 70. Portanto, interpretaremos aqui de acordo com este princípio.

"E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia." Nas Escrituras, o mar agitado é frequentemente uma figura da humanidade longe de Deus. O Anticristo entrará em cena em um tempo de agitação social e política sem precedentes. Ele aparecerá durante uma crise na história mundial. A partir de outras escrituras proféticas entendemos que, após a remoção da igreja deste mundo e algum tempo antes do início da setuagésima semana de Daniel, haverá uma completa derrubada da lei e da ordem, tanto civil quanto política. Toda a restrição divina será removida e a impiedade prevalecerá. Não temos dúvida que Satanás produzirá isto de forma deliberada e planejada. Ele criará uma situação além da capacidade de solução pelos estadistas do mundo. Isto criará a oportunidade desejada para o vindouro super-homem, que será um gênio da diplomacia. Exatamente como muitos líderes hoje estão convencidos que uma Liga das Nações seria o melhor instrumento para preservar a paz, assim também em seu tempo o Homem do Pecado convencerá o mundo que esta será a melhor solução para os grandes problemas que estarão confrontando as potências mundiais e causando perplexidade. Assim, o Anticristo ressuscitará o antigo Império Romano em um tempo de confusão e tumulto em todo o mundo. Ele mesmo será o líder reconhecido, ou o Imperador, o último dos Césares. Daí o duplo significado da figura da "besta que sobe do mar". A partir de um estado de anarquia surgirá esse poderoso déspota, que rapidamente arrogará para si toda a autoridade, tanto divina quanto humana. O resultado final será que ele incorporará toda a iniquidade, piorada e mais fatal do que aquela a partir da qual ele surgiu. Na verdade, a Besta logo parecerá estar repleta com o significado de seu título. Tendo rejeitado o Cordeiro de Deus, o mundo terá então uma besta como seu governante. Esta será a resposta de Deus ao ensino satânico da Teoria da Evolução, que agora está sendo ensinado por toda a parte. Os líderes do pensamento moderno insistem que o homem tem sua origem em um animal, de modo que uma besta conduzirá a maioria daqueles que estiverem vivendo em sua geração à perdição!

"Que tinha sete cabeças e dez chifres." É muito significativo que as mesmas características sejam atribuídas ao Dragão, em Ap. 12:3. Ali também se diz que ela tem "sete cabeças e dez chifres". Isto implica claramente em sua origem satânica; a Besta será uma réplica humana do próprio Diabo. Como escreveu G. H. Pember (de quem tomamos emprestado diversos pontos valiosos), a Besta será "a fulgência da glória do Antideus, e a imagem exata de sua substância". Podemos considerar que as sete cabeças simbolizam uma plena inteligência e que os dez chifres indicam domínio imperial.

"E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão." (v. 2a). Como a besta que sobe do mar do verso anterior, acreditamos que os termos deste segundo verso têm um duplo significado. Primeiro, como explicado anteriormente, indicam que o Império incluirá o território e preservará as características dominantes dos impérios precedentes. Segundo, eles fornecem uma descrição figurativa do próprio Imperador. O Anticristo combinará em sua personalidade as características do leopardo (beleza e sutileza), do urso (força e crueldade) e do leão (ousadia e ferocidade).

"E o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio." (v. 2b). Esta é a imitação do Diabo para aquilo que Deus, o Pai, ainda fará como Seu Filho: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído." (Dn. 7:13-14).

"E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta." (v.3) É claro a partir de diversas escrituras que no início da segunda metade da setuagésima semana de Daniel, o Anticristo será morto à espada — confira Is. 14:18-19, 37:7; Ez. 21:25; Zc. 11:17; veja nossos comentários sobre isto na parte final do Cap. 6. É igualmente claro que essa ferida mortal será curada (Ap. 13:4) e que a besta viverá novamente (Ap. 13:14). [2] Satanás receberá a permissão de trazer seu filho de volta da morte. Esta não é uma especulação desvairada nossa; é uma visão que já foi proposta por diversos estudiosos devotos. Em seu livro O Príncipe Que Há de Vir, Sir Robert Anderson escreveu: "A linguagem de Ap. 13:3,12 sugere que haverá alguma ímpia imitação da ressurreição de nosso Senhor". É inútil tentar explicar isto; simplesmente cremos naquilo que está registrado nas Escrituras. A ressurreição da Besta removerá qualquer dúvida que os homens ainda possam ter com relação ao seu caráter sobrenatural. "E toda a terra se maravilhou após a besta" é a declaração que aparece imediatamente após a referência da cura da ferida mortal.

"E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" (v. 4). Esta declaração do mundo: "Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" é uma imitação ao cântico de Moisés. Para celebrar a vitória de Jeová sobre seus inimigos no Mar Vermelho, o povo de Israel cantou: "O SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas?" (Ex. 15:11). A exclamação adicional: "Quem poderá batalhar contra ela?" é evocada por causa do vasto exército de criaturas infernais sob o comando da besta, e por seu próprio triunfo sobre a morte na batalha.

"E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses." (v. 5). Esta é uma das maiores marcas de distinção do Anticristo — confira Sl. 52:1-4; Is. 14:13-14; Dn. 7:11,20; 11:36; 2 Ts. 2:4, etc. Mas, ele não poderá continuar em seus caminhos de desafiar a Deus por muito tempo. Depois de 42 meses, sua carreira estará encerrada. Esse número — aqui usado especificamente pelo Espírito Santo, em vez de três anos e meio, ou mil e duzentos e sessenta dias — é muito significativo. Seus fatores são 6 e 7, que representam o homem e a plenitude. É o homem em sua condição caída, aqui o Homem do Pecado, em manifestação plena. 42 representa a apostasia intensificada. Assim, Nm. 33 nos dá os vários locais de parada do Israel descrente no deserto como 42 em número. Juízes 12:6 nos diz que o número de efraimitas apóstatas que caíram diante dos gileaditas foram 42 mil. Veja também 2 Re. 2:24 e 10:14.

"E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação. E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." (vs. 7-8). Os "santos" aqui mencionados são o remanescente judaico fiel que se recusará a adorar a besta. Os "vencidos" aqui são aqueles que desobedecerem à instrução de Jesus registrada em Mt. 24:16; aqueles que obedecerem a orientação serão preservados por Deus — veja Ap. 12:6. Observe como a eleição é vista aqui: somente aqueles cujos nomes foram escritos no livro da vida antes da fundação do mundo serão preservados de cometerem o pecado imperdoável de adorar ao Anticristo — confira Mt. 24:22,24.

"E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão." (v. 11). Isto traz diante de nós a segunda besta, chamada de Falso Profeta em Ap. 19:20. Ela é a terceira pessoa na Trindade do Mal. Como haverá um Anticristo que imitará e se oporá ao Cristo de Deus, assim também haverá um Anti-Espírito, que simulará e se oporá ao Espírito de Deus. Exatamente como a grande obra do Espírito Santo é glorificar a Cristo, assim também o propósito do Anti-Espírito será exaltar o falso cristo (veja Ap. 13:12). Exatamente como a vinda do Espírito Santo em Pentecostes foi manifesta visivelmente por "línguas de fogo" (At. 2:3), assim lemos a respeito do Anti-Espírito: "E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens." (v. 13). E exatamente como é o Espírito Santo quem agora vivifica os pecadores mortos e lhes dá novidade de vida, assim também a respeito do Anti-espírito lemos: "E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta."

5. "E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro." (Ap. 14:9-10). Isto referencia ao que lemos nos versos finais do capítulo precedente: "E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome." (Ap. 13:16-17). Esse "sinal" será a marca oficial de fidelidade ao Imperador, colocada na mão ou na testa dos súditos leais. Será uma imitação satânica do "selo" que o anjo colocará na testa dos servos de Deus (Ap. 7:13). Esse "sinal" nos súditos da besta será, acreditamos, o nome do Diabo (confira Ap. 13:4), pois o selo na testa dos servos de Deus é definido em 14:1 como "o nome de seu Pai". Aqui, em Ap. 14:9-11, temos uma das mais solenes advertências em toda a Bíblia. Um anjo dos céus anuncia a terrível punição para aqueles que adorarem a besta. Essa advertência se contrapõe às ameaças da besta e do Falso Profeta, que aterrorizarão os homens com a ameaça de morte física para todos aqueles que os desafiarem. Mas, aqui, Deus, por meio do anjo, declara que todos os que derem ouvidos à besta e ao seu coadjutor, compartilharão da terrível condenação que ambos receberão. Isto, sem dúvida, fortalecerá a fé e a paciência dos santos e os capacitará a perseverarem até o fim.

6. "E o anjo lançou a sua foice à terra e vindimou as uvas da vinha da terra, e atirou-as no grande lagar da ira de Deus. E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios." A "vinha da terra" se refere, acreditamos, ao Homem do Pecado como chefe do Israel apóstata. Este título aponta para mais um contraste. Em João 15, o Senhor Jesus diz: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador." A videira verdadeira, então, consiste do Cristo de Deus e Seu povo em comunhão com Ele. Em contraposição com isto está "a vinha da terra", que é o Anticristo e aqueles que estiverem aliados com ele, particularmente o Israel renegado. Em Dt. 32 há uma referência à "vinha da terra" — "Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha, sendo até os nossos inimigos juízes disto. Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, cachos amargos têm." (versos 31-32). Que isto está falando a respeito do Israel apóstata é claro a partir do v. 28: "Porque são gente falta de conselhos, e neles não há entendimento." Que a passagem está falando do Israel apóstata nos dias do Anticristo parece claro no v. 35: "Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder, se apressam a chegar."

7. Em Ap. 15:2 há uma breve alusão à besta, em conexão com o remanescente fiel: "E vi um como mar de vidro misturado com fogo; e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus." A referência à àqueles que foram mortos pelo Anticristo por terem se recusado a lhe prestar honra e adoração. O mesmo grupo é visto novamente em Ap. 20:4.

8. Ap. 16 descreve os julgamentos das "taças", que são executados imediatamente antes do fim da Tribulação. A Besta é citada diversas vezes no capítulo. No v. 2, lemos: "E foi o primeiro, e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem." Isto é uma amostra dos terríveis tormentos que aguardam os adoradores da Besta. Novamente, no v. 10, lemos: "E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e eles mordiam as suas línguas de dor." Aqui, a própria Besta recebe uma indicação da condenação que a aguarda. Nos versos 13-14, somos informados: "E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso." Aqui contemplamos, em disfarce simbólico, cada uma das pessoas da Trindade do Mal. A figura da rã é muito sugestiva. As rãs são criaturas que gostam da escuridão e não da luz; elas chafurdam no pântano e no lodaçal; o coaxar delas é ouvido ao escurecer e durante a noite. A própria forma delas sugere enchimento pelo orgulho. A referência aqui em Ap. 16:13-14 indica o caráter sobrenatural do Falso Profeta, bem como da Besta e do Dragão.

9. Ap. 17 requer uma longa exposição, de modo que precisaremos adiar para um capítulo posterior a consideração de seus detalhes. As figuras centrais aqui são "a grande prostituta" e a Besta. Historicamente, a grande meretriz recebeu seu cumprimento no sistema Católico Romano e, embora admitindo que ela ainda representará a totalidade do cristianismo apóstata, acreditamos, apesar de tudo, que a referência final seja ao Israel apóstata. Aqui em Ap. 17, a "mulher" é vista inicialmente assentada sobre a Besta de cor de escarlata — o Anticristo em sua glória imperial (v. 3); porém mais tarde, vemos o Anticristo fazer os dez reis destruírem a prostituta. Isto combina perfeitamente com a relação dupla do Anticristo com Israel: primeiro se apresentando com benfeitor (a Besta é mostrada no v. 3 carregando a mulher) e mais tarde se apresentando com seu maior inimigo. O verso 8 (veja nossos comentários sobre ele no Cap. 3, seção III) é uma das escrituras que mostram que o Anticristo será a reencarnação de Judas Iscariotes.

10. Ap. 19:19-20 descreve o fim da carreira do Anticristo. Não precisamos dizer nada agora a respeito desses versos, pois já os comentamos no Cap. 7. A referência final ao Anticristo está em Ap. 20:10, em que lemos que o Diabo será lançado no lago de fogo, onde a Besta e o Falso Profeta se encontram, para ser, junto com eles, atormentados para todo o sempre.


[1] Sl. 78:49 fala de Deus usar "maus anjos" (aqueles mencionados em Ap. 12:7 em Seu julgamento sobre o Egito.

[2] É interessante que exatamente três vezes (o número da ressurreição) a cura da ferida mortal do Anticristo é referenciada aqui em Ap. 13 — veja os versos 3, 12 e 14!

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Data da publicação: 18/9/2010
Transferido para a área pública em 21/4/2020
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A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/anticisto-cp11.asp