O Anticristo

Autor: Arthur W. Pink



CAPÍTULO 14

Babilônia e o Anticristo


Chegamos agora a uma parte de nosso tema em que o povo do Senhor encontra-se em evidente necessidade de instrução, pois tem menos esclarecimento aqui do que na maioria dos temas proféticos. Talvez não devêssemos ficar surpresos com isso, pois o próprio nome Babilônia significa confusão, e a confusão sobre o assunto prevalece amplamente. Em algumas ocasiões, Deus levantou pessoas que deram fiel testemunho dos ensinos de Sua Palavra sobre o passado e o futuro de Babilônia e este autor reconhece que deve muito a elas. Em vista da ignorância que prevalece, vamos avançar da forma mais cautelosa possível. Propomos examinar aqui cuidadosamente as principais passagens do Antigo Testamento a respeito de nosso presente tema.

"Babilônia foi uma poderosa cidade na antiguidade, seu início foi em Sinar nos dias logo após o dilúvio. Ela desempenhou um papel importante na história de Israel e da Judéia, liderava os reinos da Terra nos dias de Nabucodonosor e, após sua captura pelos medos e persas, caiu de sua posição elevada, mas alguns séculos depois de Cristo, ela ainda era uma cidade importante e a principal de sua região. No Novo Testamento, Babilônia é mencionada pela primeira vez por Pedro (1 Pe. 5:13) e, no livro que narra os acontecimentos que ocorrerão no Dia do Senhor, lemos sobre ela como uma cidade que dominará de novo o mundo e no momento em que os israelitas serão novamente destaque na história mundial. Aqui, também, Babilônia reaparece em seu antigo e duplo aspecto, político e social, como a primeira cidade da terra, bem como líder da adoração e religião das potências mundiais. O sítio da antiga Babilônia é conhecido nos dias de hoje e abrange uma grande extensão territorial, partes dela são povoadas, como por exemplo, a cidade de Hillah, onde vivem cerca de cinco ou seis mil pessoas. Quando a Estrada de Ferro do Vale do Eufrates, sobre a qual tanto se fala, se tornar realidade, Babilônia será um dos locais mais importantes nessa linha férrea." (Col. Van Someron — The Great Unfolding). Esta citação fornece um resumo breve, porém bastante completo de nosso tema.

A primeira menção de Babel na Bíblia está ligada ao nome daquele que primeiro se tornou poderoso na terra após o dilúvio — poderoso, mas longe de Deus. Ninrode era neto de Cão, que recebeu sobre si a maldição de seu pai Noé. "E os filhos de Cão são: Cuxe... E Cuxe gerou a Ninrode; este começou a ser poderoso na terra. E este foi poderoso caçador diante da face do SENHOR... E o princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar." (Gn. 10:7-10). Que o leitor volte ao capítulo anterior e leia nossos comentários sobre Ninrode, um tipo de Anticristo. "Assim o poder na terra e o princípio do governo monárquico são primeiro mencionados em conexão com um rei cujo trono de poder estava em Babilônia e na terra de Sinar. Ninrode, Nabucodonosor e o Anticristo, são, como veremos, três grandes nomes ligados a esta região e a esta cidade" (B. W. Newton: Babylon: Its Revival and Final Destruction — 1859).

A primeira menção de qualquer coisa na Bíblia sempre chama a atenção de uma maneira especial, de forma que a primeira ocorrência de qualquer termo ou expressão na Palavra de Deus invariavelmente define seu significado, prevê seu significado subsequente e sua repercussão. A passagem citada em Gn. 10 está inseparavelmente ligada e, de fato, é a chave para a compreensão daquilo que encontramos em Gn. 11. Lá, aprendemos que a terra de Sinar é mencionada como o lugar onde os homens se uniram pela primeira vez em uma ação conjunta contra Deus. Deus ordenou que os homens se espalhassem pela face da terra — Gênesis 9:1. Mas eles, em rebeldia, preferiram centralizar-se. Eles determinaram criar para si um nome, dizendo: "Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra." (Gn. 11:4). E isto, somos informados, aconteceu "na terra de Sinar" (Gn. 11:2). Mas o Senhor interferiu, desceu, confundiu as línguas e os dispersou — "E cessaram de edificar a cidade. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o SENHOR a língua de toda a terra." (Gn. 11:8-9). Assim, vemos que no início, a terra de Sinar e a cidade de Babilônia foram o cenário do mal confederado e do juízo da mão de Deus.

Sinar, então, era a terra ao redor de Babel. Agora, embora a construção da cidade de Babilônia tenha sido interrompida durante os dias de Ninrode, o reino dele não foi destruído. Em Gn. 14:1 lemos a respeito de "Anrafel, rei de Sinar". Concluímos de várias passagens bíblicas que "a terra da Caldéia" — cuja capital era a cidade de Babilônia — é mais um nome para "a terra de Sinar". Em Dn. 5:30, Belsazar é chamado de "rei dos caldeus", enquanto que em Dn. 7:1 ele é chamado de "rei de Babilônia" — também vemos isso em Is. 47:1; Jr. 50:8; 51:54; e Ez. 12:13. Além destas passagens, Dn. 1:2-3 parece estabelecer satisfatoriamente esta conclusão, pois é dito expressamente que a Babilônia nos dias de Nabucodonosor estava situada "na terra de Sinar"! Isso serve para confirmar o fato de que Babilônia, ou Caldéia, foi o mais antigo dos primeiros impérios. Foi a partir de Ur dos caldeus (Gn. 11:28) que Abraão foi chamado, e foram os caldeus que saquearam Jó (Jó 1:17), e em Js. 7:21 lemos sobre a "boa capa babilônica", que foi uma tentação para Acã, entre os despojos de Jericó. Em impressionante harmonia com isto está a afirmação encontrada em Jr. 5:15-16, em que o Espírito Santo se refere aos babilônios como uma nação antiga e poderosa. Após os dias de Josué, Babilônia não é mais diretamente referida, até aos dias de Esar-Hadom, de quem se diz: "E o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel; e eles tomaram a Samaria em herança, e habitaram nas suas cidades." (2 Re. 17:24, confira também Ed. 4:2). Estreitamente ligada com a terra de Sinar está a Assíria. Por um tempo, a supremacia se alternou entre a Assíria e Babilônia, até aos dias de Nabopolassar, o pai de Nabucodonosor, quando Nínive foi conquistada e a Assíria se tornou vassala de Babilônia.

Mas, apesar de Sinar e sua capital serem referenciadas em Gênesis 10 e 11, e embora haja alusões ocasionais sobre elas nos séculos que se seguiram, somente após a apostasia de Israel ser plenamente manisfestada é que encontramos Babilônia ocupando um lugar de domínio e proeminência. "Até que Jerusalém fosse suficientemente testada, para ver se iria se provar digna de ser a cidade de Deus, Babilônia foi mantida em suspense. O fundador da grandeza de Babilônia foi o grande rei que foi levantado para trazer juízo sobre Jerusalém e para iniciar o "tempo dos gentios", recebendo de Deus a investidura do poder que foi tirada de Israel, e que continua a pertencer aos gentios até que Jerusalém seja perdoada e deixe de ser pisada. "'Quando passeava no palácio real de Babilônia, falou o rei, dizendo: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?' (Dn. 4:29-30). A grandeza de Babilônia data apenas a partir de Nabucodonosor." (B. W. N.)

Daniel 5 conta como Belsazar, o sucessor de Nabucodonosor, foi morto por Dario, que assumiu o reino. Nem a cidade nem o reino foram destruídos, e estiveram muito longe de ficarem desolados e sem habitantes; ao contrário, a cidade manteve-se habitada e permaneceu renomada por muito tempo. Duzentos anos depois de ser conquistada por Dario, Alexandre o Grande, após sua conquista sobre os persas, escolheu Babilônia como a capital de seu vasto domínio e, de fato, ele morreu ali. No primeiro século da era cristã, Babilônia ainda permanecia; Pedro faz referência a uma igreja que existia ali! (Veja 1 Pe. 5:13). Vários pais da igreja fizeram referências a Babilônia e, no início do sexto século, o famoso Talmude Babilônio foi lançado pelas Academias da Babilônia. O Sr. Newton diz que "Ivan Hankel, no ano 917, fala de Babilônia como uma pequena aldeia. Portanto, até o século X, Babilônia não havia desaparecido completamente." Lento e quase imperceptível foi seu declínio e decadência. Até este dia, ainda existe uma pequena cidade chamada Hillah, que está situada no local de origem da antiga Babilônia. Como será então no futuro?

Este autor tem a firme convicção que haverá ainda outra Babilônia, que ofuscará em poder e glória a Babilônia dos dias de Nabucodonosor. Não estamos de forma alguma sozinhos nesta convicção. Uma longa lista de nomes honrados poderia ser apresentada, daqueles que, de forma independentemente, chegaram à conclusão de que a Bíblia mostra claramente que Babilônia será reedificada. Mas não há necessidade de reforçar nossa convicção apelando para a autoridade humana. Melhor é que a fé do leitor esteja na Palavra de Deus do que na sabedoria dos melhores dos homens. Antes de estabelecermos algumas das muitas passagens em que se baseiam nossas convicções, devemos nos perguntar: Não seria estranho se Babilônia não tivesse lugar no fim dos tempos? A Bíblia diz que Jerusalém, que há tanto tempo vem sendo pisada pelos gentios, será restaurada por intervenção humana e terá o templo reconstruído (Mt. 24:15). O Egito e a Assíria ainda terão um futuro honrado pela frente, como está claro em Is. 19:23-24. Moabe, Edom e Seir devem atuar nos dias futuros, como está indicado em Nm. 24:17-18. A Grécia aguarda para receber seu julgamento final de Deus (Zc. 9:13). E assim poderíamos continuar. Por que, então, Babilônia deveria ser excluída da restauração geral do Oriente?

Mas não somos deixados para fazer deduções lógicas, a Palavra de Deus afirma expressamente que Babilônia desempenhará um papel proeminente no Tempo do Fim. O império sobre o qual o Anticristo reinará é descrito com símbolos idênticos aos aplicados aos quatro reinos da terra de Daniel 7. Em Dn. 7:3, Daniel viu "quatro grandes animais" subindo do mar e, em Dn. 7:17 é dito que "Estes grandes animais, são quatro reis (ou reinos), que se levantarão da terra." Esses quatro animais, ou reinos, foram os Impérios Babilônio, Medo-Persa, Grego e o Romano. Daniel 7:4 diz: "O primeiro era como leão", em 7:5 temos: "e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso", o verso 7:6 diz que o terceiro era "semelhante a um leopardo", e o verso 7:7 diz que o quarto animal era "terrível e espantoso". Agora, em Ap. 13:1-2, em que temos uma descrição simbólica do império sobre o qual o Anticristo reinará, lemos que João viu "subir do mar uma besta" e depois é acrescentado: "... a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão." Sobre o quarto animal de Daniel 7 lemos: "e tinha dez chifres" (7:7); então em Ap. 13:1 lemos que a besta tinha "dez chifres." Quem, então, pode duvidar que Ap. 13:1-2 não é dado com o firme propósito de nos mostrar que os quatro grandes reinos do passado — não apenas o quarto, mas todos os quatro — estão para serem restabelecidos e restaurados no tempo do fim? Mas, como este ponto é contestado por alguns, seguiremos para a análise de mais uma prova.

Deve ser observado que a Besta (reino) de Ap. 13:1 "tinha sete cabeças". Isso confunde muitos comentaristas, mas uma vez que se vê que a besta de Ap. 13:1-2 é uma descrição simbólica, primeiramente de um reino composto, formado por quatro impérios mundiais da antiguidade e perpetuando suas características e, depois, uma descrição simbólica de quem irá governar, toda dificuldade desaparece. Temos aqui em Ap. 13:1-2, um reino composto que resulta de "sete cabeças". Agora, observe em Dn. 7 que do primeiro, do segundo e do quarto reinos não se diz que possuíam mais de uma cabeça, porém o terceiro reino tem "quatro cabeças" (Dn. 7:6). Assim, os animais de Dn. 7 têm, três deles uma cabeça cada, e o terceiro tem quatro cabeças, ou seja sete cabeças no total, o que coincide perfeitamente com Ap. 13:1. Mas, mesmo isto não esgota as provas de que os quatro reinos de Daniel serão restaurados, e virão a desempenhar seus papéis antes do Milênio.

Se o leitor voltar para Dn. 2, que está em paralelo com Dn. 7 — a imagem em suas quatro partes (cabeça; peito e braços; barriga e coxas; pernas e pés) corresponde aos quatro animais — descobrirá ao chegar ao verso 45, que fala sobre Cristo (usando a seguinte figura: "... do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos") retornando a este mundo para destruir as forças do mal e estabelecer Seu reino, descobrimos que a Pedra "quebrou em pedaços o ferro (Roma), o bronze (Grécia), o barro (Israel apóstata), a prata (Medo-Persa) e o ouro (Babilônia). O que desejamos que o leitor observe é que a Pedra não atinge somente o ferro, mas o bronze, o barro, a prata e o ouro; de fato, o v. 35 diz expressamente que serão "juntamente esmiuçados o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro"! Se, então, esses reinos serão destruídos juntos, eles terão de estar em cena no momento da volta de Cristo à Terra quando Ele estabelecerá Seu reino milenar e, sendo assim, cada um deles terá de ser ressuscitado e restaurado! Como nosso interesse no momento não é a respeito da restauração da Pérsia, da Grécia e de Roma, mas apenas de Babilônia, vamos nos limitar apenas às passagens que falam sobre esta última.

1. Is. 13 e 14 contêm uma ligação direta singular com o tema anterior. Ela é citada no verso de abertura, "Peso de Babilônia". Toda a passagem fala a respeito do terrível juízo que Deus trará sobre essa cidade e de sua destruição total e final. O texto diz que "Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. Nunca mais será habitada, nem nela morará alguém de geração em geração." (Is. 13:19-20). Agora, o único ponto pertinente ao nosso estudo é se Is. 13 descreve a condenação que caiu sobre a Babilônia dos dias de Belsazar, ou o juízo que alcançará a Babilônia dos tempos vindouros. Sobre este ponto, para aqueles que desejam se submeter à Palavra de Deus, não haverá espaço para incertezas. O verso 6 diz expressamente que esse "peso de Babilônia" receberá seu cumprimento no "dia do Senhor". Isto, praticamente desnecessário dizer, é o nome daquele dia que segue o presente Dia da Salvação (2 Co. 6:2). Se o leitor consultar uma concordância bíblica, descobrirá que "o dia do Senhor" nunca se refere a um período passado, mas sempre se refere a um dia que ainda está no futuro! Se alguma dúvida persistir quanto à possibilidade ou não de Is. 13 se referir a um dia futuro, o conteúdo do v. 10 deve eliminá-la para sempre. Ali, é dito que "as estrelas dos céus e as suas constelações não darão a sua luz; o sol se escurecerá ao nascer, e a lua não resplandecerá com a sua luz." Todos os estudiosos da profecia verão de relance que esses fenômenos cósmicos são os mesmos verificados durante o período da Tribulação — como vemos em Mt. 24:29. Não há indicação alguma nas Escrituras (até onde estejamos cientes) ou na história secular, que esses distúrbios entre os corpos celestes ocorreram na ocasião da captura de Babilônia por Dario. E é nesse tempo, no "dia do Senhor", quando o sol se escurece e a lua não dá sua luz, que Babilônia é derrubada (v. 19). Esta única passagem é completamente suficiente para estabelecer a futuridade de Babilônia e sua destruição vindoura [1].

2. No capítulo 14 de Isaías temos a conclusão do "peso de Babilônia" iniciado no capítulo anterior. Isto é mais uma prova de que haverá outra Babilônia. O capítulo inicia-se com o anúncio da vindoura restauração de Israel. Ele declara: "Porque o SENHOR se compadecerá de Jacó, e ainda escolherá a Israel e os porá na sua própria terra" (v.1). Ele continua, dizendo: "E acontecerá que no dia em que o SENHOR vier a dar-te descanso do teu sofrimento, e do teu pavor, e da dura servidão com que te fizeram servir, então proferirás este provérbio contra o rei de Babilônia, e dirás: Como já cessou o opressor, como já cessou a cidade dourada!" (Is. 14:3-4). Se alguém disser que estes versos se referem à restauração de Israel na Palestina após o cativeiro do tempo de Nabucodonosor, a objeção pode ser facilmente silenciada. Os versos seguintes aos que que acabamos de citar revelam claramente que esta profecia ainda aguarda seu cumprimento. Nos versos 7 e 8 lemos: "Já descansa, já está sossegada toda a terra; rompem cantando. Até as faias se alegram sobre ti, e os cedros do Líbano, dizendo: Desde que tu caíste ninguém sobe contra nós para nos cortar." A Terra inteira nunca esteve em descanso desde os tempos de Caim (exceto durante o breve período em que o Verbo habitou entre os homens). Mas, isto acontecerá durante o Milênio! Observe também que após a derrubada da "cidade dourada", Israel exclama: "Desde que tu caíste ninguém sobe contra nós para nos cortar." Isso estabelece sem sombra de dúvidas o tempo de que trata esta profecia. Muito tempo depois dos dias de Belsazar, os romanos subiram contra Israel para destruir o país. Mas ninguém fará isso novamente quando o último rei da Babilônia for destruído!

Anteriormente, citamos até o verso 8 do capítulo 14. No verso 9 o profeta de repente se volta de Babilônia para seu último rei. Os versos 9-20 contêm um retrato impressionante da arrogância e terrível condenação do Homem do Pecado. Em seguida, no verso 21, o tema retorna aos súditos do Anticristo: "Preparai a matança para os seus filhos por causa da maldade de seus pais, para que não se levantem, e nem possuam a terra, e encham a face do mundo de cidades. Porque me levantarei contra eles, diz o SENHOR dos Exércitos, e extirparei de Babilônia o nome, e os sobreviventes, o filho e o neto, diz o SENHOR. E farei dela uma possessão de ouriços e a lagoas de águas; e varrê-la-ei com vassoura de perdição, diz o SENHOR dos Exércitos." (versos 21-23). Finalmente, o profeta termina com uma palavra de despedida acerca do Anticristo: "O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará. Quebrantarei a Assíria (KJV: o Assírio) na minha terra, e nas minhas montanhas a pisarei, para que o seu jugo se aparte deles e a sua carga se desvie dos seus ombros. Este é o propósito que foi determinado sobre toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações. Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem o invalidará? E a sua mão está estendida; quem pois a fará voltar atrás?" (versos 24-27). Bem foi dito: "Estas são palavras importantes e significativas, e certamente não podemos dizer que tenham sido cumpridas. Será que pode ser afirmado que o propósito de Deus, que Ele propôs para toda a terra, foi realizado quando Babilônia foi conquistada pelos medos e persas? Será que a mão que estava estendida sobre todas as nações, cumpriu então seus desígnios finais? Foi o Assírio então quebrantado NA TERRA E NAS MONTANHAS DE ISRAEL, e foi esse o tempo em que o jugo da servidão foi finalmente quebrado do pescoço de Israel? Se foi, não deveríamos ver Jerusalém continuar a ser pisada até agora. "O tempo dos gentios" teria terminado. Israel teria sido congregado, e Jerusalém seria o "louvor na Terra". Portanto, as palavras finais desta profecia devem sozinhas nos convencer que elas ainda estão para se cumprir" (B. W. N.).

3. Apelamos a seguir para o capítulo 50 de Jeremias. Os versos iniciais do capítulo contêm uma profecia que certamente não recebeu seu cumprimento no passado. A profecia diz: "A palavra que falou o SENHOR contra Babilônia, contra a terra dos caldeus, por intermédio de Jeremias, o profeta. Anunciai entre as nações; e fazei ouvir, e arvorai um estandarte, fazei ouvir, não encubrais; dizei: Tomada está Babilônia, confundido está Bel, espatifado está Merodaque, confundidos estão os seus ídolos, e quebradas estão as suas imagens. Porque subiu contra ela uma nação do norte, que fará da sua terra uma solidão, e não haverá quem nela habite; tanto os homens como os animais fugiram, e se foram. Naqueles dias, e naquele tempo, diz o SENHOR, os filhos de Israel virão, eles e os filhos de Judá juntamente; andando e chorando virão, e buscarão ao SENHOR seu Deus. Pelo caminho de Sião perguntarão, para ali voltarão os seus rostos, dizendo: Vinde, e unamo-nos ao SENHOR, numa aliança eterna que nunca será esquecida" (versos 1-5). Observe atentamente três coisas aqui. Primeiro, é anunciado que a terra de Babilônia será tão desolada que nem homens nem animais habitarão nela. Segundo, o tempo para a profecia se cumprir é definido como sendo quando Israel e Judá juntos (e desde os dias de Roboão eles nunca se uniram) "buscarão ao Senhor". Terceiro, isso se dará quando Israel e Judá se unirem ao Senhor em uma "aliança eterna"! Ainda mais explícito é o tempo marcado no verso 20: "Naqueles dias, e naquele tempo, diz o SENHOR, buscar-se-á a maldade de Israel, e não será achada; e os pecados de Judá, mas não se acharão."

4. Todo o capítulo 51 de Jeremias deve ser cuidadosamente estudado nesta sequência. Grande parte dele reservamos para consideração nos dois próximos capítulos deste livro. Aqui, apenas chamamos atenção para os versos 47-49: "Portanto, eis que vêm dias, em que farei juízo sobre as imagens de escultura de Babilônia, e toda a sua terra será envergonhada, e todos os seus mortos cairão no meio dela. E os céus e a terra, com tudo quanto neles há, jubilarão sobre Babilônia; porque do norte lhe virão os destruidores, diz o SENHOR. Como Babilônia fez cair mortos os de Israel, assim em Babilônia cairão os mortos de toda a terra." Certamente, somente um pequeno comentário é necessário aqui. Quando foi que os mortos "de toda terra" (isto é, de todas as nações) caíram no meio de Babilônia? E quando foi que o céu e a terra, com tudo quanto neles há, jubilaram com a destruição de Babilônia? "Quando Babilônia passou para o governo dos medos não houve razão para tanta alegria. Para a Terra, pouca diferença fez se Babilônia era governada por caldeus, por persas, gregos ou por romanos. Houve muito pouco motivo para ações de graças na transferência de governo de uma autoridade soberba para outra. Mas, se houver uma queda de Babilônia, esta deverá ser imediatamente sucedida pelo reino Daquele de quem é dito: "todas as nações lhe chamarão bem-aventurado..." então, de fato haverá razão suficiente para o céu e a terra, e tudo o que neles há, jubilarem" (B. W. N.).

5. "Sofre dores, e trabalha, para dar à luz, ó filha de Sião, como a que está de parto, porque agora sairás da cidade, e morarás no campo, e virás até Babilônia; ali, porém, serás livrada; ali te remirá o SENHOR da mão de teus inimigos." (Mq. 4:10). À luz de Escrituras, como Mq. 5:3, Mt. 24:8 etc., ("dores" significa literalmente "dores de parto"), não há margem para dúvidas quanto ao tempo ao qual esta profecia se refere. É ao fim da Grande Tribulação. Naquele tempo, um remanescente de Israel estará em Babilônia e será resgatado pelo Senhor.

6. Ambas as profecias de Isaías e Jeremias, bem como as do Apocalipse falam a respeito do imediatismo do golpe que destruirá Babilônia. "Desce, e assenta-te no pó, ó virgem filha de Babilônia; assenta-te no chão; já não há trono, ó filha dos caldeus, porque nunca mais serás chamada a tenra nem a delicada... Agora, pois, ouve isto, tu que és dada a prazeres, que habitas tão segura, que dizes no teu coração: Eu o sou, e fora de mim não há outra; não ficarei viúva, nem conhecerei a perda de filhos. Porém ambas estas coisas virão sobre ti num momento, no mesmo dia, perda de filhos e viuvez; em toda a sua plenitude virão sobre ti, por causa da multidão das tuas feitiçarias, e da grande abundância dos teus muitos encantamentos." (Is. 47:1,8,9). "Num momento caiu Babilônia, e ficou arruinada; lamentai por ela." (Jr. 51:8). "Ai! ai daquela grande Babilônia, aquela forte cidade! pois numa hora veio o seu juízo." (Ap. 18:10). Não houve nada na história de Babilônia que corresponda de alguma forma a estas profecias.

7. Isaías, Jeremias e Apocalipse declaram que Babilônia será queimada pelo fogo. "E Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou." (Is. 13:19). "Os poderosos de Babilônia cessaram de pelejar, ficaram nas fortalezas, desfaleceu a sua força, tornaram-se como mulheres; incendiaram as suas moradas, quebrados foram os seus ferrolhos... Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Os largos muros de Babilônia serão totalmente derrubados, e as suas altas portas serão abrasadas pelo fogo." (Jr. 51:30-58). "E, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade?" (Ap. 18:18). Sabemos que nada na Bíblia ou na história secular revela que no passado Babilônia tenha sido queimada.

Mas, talvez, alguém dirá: Como pode ser? Babilônia já não foi destruída? Ela já não foi varrida pela vassoura da perdição? Nossa resposta é: Não no tempo e nas circunstâncias concomitantes especificadas nas passagens referidas anteriormente. É verdade, contudo, que os países do Eufrates foram abatidos — dolorosamente abatidos sob a mão de Deus. É costume de Deus, em Sua bondade, dar golpes premonitórios. Ele costuma advertir antes de finalmente destruir. O Egito, Jerusalém e muitos outros lugares já experimentaram desolações premonitórias, e Babilônia também. Sua presente ruína (que chegou de forma lenta e suave) é um memorial do que a justa vingança de Deus pode fazer e um aviso do que Ele pode fazer de mais terrível, se o orgulho do homem desprezar Suas admoestações, intentando edificar seus agradáveis palácios quando Deus determinou desolação. Mas, se é costume de Deus graciosamente advertir, é também costume do homem dizer: "Os tijolos caíram, mas com cantaria tornaremos a edificar; cortaram-se os sicômoros, mas em cedros os mudaremos." (Is. 9:10). Espontaneamente, a mão do homem restabeleceu o que Deus destruiu. (Isto foi o que aconteceu em Chicago e San Francisco!) (A. W. P.). Portanto, sem menosprezar a lição dada pelas visitações passadas dos julgamentos de Deus — sem esconder, mas, ao contrário, buscando declarar a realidade e extensão da ruína, que Sua mão santa produziu, temos também de testificar que a mão do homem sem autorização divina, mais cedo ou mais tarde, reconstrói a estrutura de sua grandeza — sua antiga grandeza maligna, nas próprias planícies sobre as quais abundaram os memoriais da ruína passada e ainda não se arrependem das suas transgressões. O Egito, Damasco, Palestina e, em certa medida, Jerusalém, já estão sendo restaurados. Se esses países, e seus vizinhos, que foram visitados por castigos semelhantes aos que caíram sobre Babilônia, serão restaurados e florescerão em uma prosperidade maligna no tempo do fim, por que Babilônia deveria ser uma exceção?" (B. W. N.).

Que o Anticristo será intimamente conectado com a terra da Caldéia está bastante claro em numerosas passagens bíblicas, particularmente, aquelas que se referem a ele como "o Assírio" e "o rei de Babilônia". Mas, como este é um ponto muito contestado, somos impelidos a parar e fazer prova dele. Voltemos então, primeiro, a Is. 10 e 11, que formam uma profecia em sequência. Não poderemos fazer agora um esboço da longa e interessante predição desta profecia, mas apenas selecionar uma ou duas afirmações contidas nela que incidem sobre o ponto que está agora diante de nós.

No verso 5 de Isaías 10, o Senhor dirige-se ao Anticristo da seguinte forma: "Ai da Assíria, a vara da minha ira, porque a minha indignação é como bordão nas suas mãos". Isto sugere, como mostrado no capítulo anterior, que o Filho da Perdição (o Assírio) é apenas um instrumento nas mãos do Todo-Poderoso, Seu instrumento para debulhar Israel. A egolatria e arrogância do Anticristo estão claramente evidentes nos versos que se seguem (7-11). Mas, quando Deus tiver realizado Seu propósito por meio ele, então castigará "o fruto da arrogante grandeza do coração do rei da Assíria e a pompa da altivez dos seus olhos" (v. 12). Isto também serve para identificá-lo como "o chifre pequeno" de Daniel 7:8, o homem do pecado de 2 Ts. 2:4 — E ainda sua soberba jactância registrada em Isaías 10:13-14. No verso 23 está mais uma afirmação que nos ajuda a determinar com exatidão o período ao qual o profeta se refere, e os atores principais que estão em vista: "Porque determinada já a destruição, o Senhor DEUS dos Exércitos a executará no meio de toda esta terra." As palavras "destruição/consumação" e "determinada" são referidas novamente em Dn. 9:27 — "e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador." O "rei da Assíria" e o "assolador" são a mesma pessoa. Em Is. 10:24-25 lemos: "Por isso assim diz o Senhor DEUS dos Exércitos: Povo meu, que habitas em Sião, não temas a Assíria (KJV: o Assírio), quando te ferir com a vara, e contra ti levantar o seu bordão à maneira dos egípcios. Porque daqui a bem pouco se cumprirá a minha indignação e a minha ira, para a consumir." Claramente, estes versículos estão em paralelo com Dn. 11:36: "E este rei fará conforme a sua vontade, e levantar-se-á, e engrandecer-se-á sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas espantosas, e será próspero, até que a ira se complete; porque aquilo que está determinado será feito." Em Is. 11 há uma afirmação ainda mais clara, uma prova conclusiva e decisiva: "ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio" (v. 4). Estas mesmas palavras são aplicadas ao Homem do Pecado em 2 Ts. 2:8.

Em Is. 14, temos uma passagem que claramente associa o Anticristo com Babilônia. Os versículos iniciais (que formam realmente um parêntesis) mostram a restauração vindoura de Israel ao favor do Senhor e, em seguida, no verso 4, Israel é convidado a proferir um "provérbio contra o rei de Babilônia". O provérbio começa assim: "Como já cessou o opressor, como já cessou a cidade dourada! Já quebrantou o SENHOR o bastão dos ímpios." (versos 4-5). Quanto a quem está sendo referido aqui, certamente não há margem para dúvidas. É o opressor de Israel no tempo do fim, o Iníquo. Nos versos que se seguem, há muitos sinais pelos quais ele pode ser positivamente identificado. No verso 6 é dito sobre esse "rei de Babilônia": "Aquele que feria aos povos (KJV: o povo, isto é, Israel) com furor, com golpes incessantes". No verso 12, ele é chamado de Lúcifer, "estrela da manhã, filho da alva", um título que o caracteriza como ninguém menos que o filho da perdição. Qualquer referência retroativa à queda de Satanás que possa existir neste verso e nos seguintes, fica evidente que descreve aqui a arrogância blasfema do Anticristo. No verso 13 lemos: "E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte." Em seguida, os versos 15 e 16 dizem: "E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos?" Claramente é o homem do pecado quem está sendo referido aqui.

Em Is. 30 temos outra passagem que vincula o Anticristo com Babilônia. Começando com o verso 27 lemos: "Eis que o nome do SENHOR vem de longe, ardendo a sua ira, sendo pesada a sua carga; os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como um fogo consumidor. E a sua respiração como o ribeiro transbordante, que chega até ao pescoço, para peneirar as nações com peneira de destruição, e um freio de fazer errar nas queixadas dos povos. Um cântico haverá entre vós, como na noite em que se celebra uma festa santa; e alegria de coração, como a daquele que vai com flauta, para entrar no monte do SENHOR, à Rocha de Israel." Claramente, é o fim do período da Tribulação que está em vista aqui. A referência é ao retorno do Senhor em grande poder e glória, quando Ele derrubará aqueles que se ajuntaram contra Ele, pondo fim à carreira terrível do Anticristo. Continuando, vemos que essa passagem em Is. 30 termina da seguinte forma: "Porque com a voz do SENHOR será desfeita em pedaços a Assíria (KJV: o Assírio), que feriu com a vara. E a cada pancada do bordão do juízo que o SENHOR lhe der, haverá tamboris e harpas; e com combates de agitação combaterá contra eles. Porque Tofete já há muito está preparada; sim, está preparada para o rei; ele a fez profunda e larga; a sua pira é de fogo, e tem muita lenha; o assopro do SENHOR como torrente de enxofre a acenderá." — confira "o sopro do Senhor" em Is. 11:4. Para outras referências ao Anticristo e à Assíria veja Isaías 7:17-20; 8:7; etc.

Os próximos dois capítulos serão dedicados a um estudo sobre Babilônia no Novo Testamento, em que Apocalipse 17 e 18 serão nosso foco. Que o Senhor, em Sua graça, nos dê a sabedoria que tanto necessitamos, e preserve o autor e o leitor de todo erro.

[1] Não há espaço para minúcias sobre o significado de "Babilônia", no verso 19 ela é expressamente chamada de "a glória e a soberba dos caldeus".


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Tradução: Talita Mendes
Data da publicação: 5/10/2010
Transferido para a área pública em 21/4/2020
Revisão: http://www.TextoExato.com
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/anticristo-cp-14.asp