O Vínculo Entre a Adoração à Deusa, a Feitiçaria e a Prática do Aborto

Autor: Jeremy James, 3/11/2017.

Um número muito grande de mulheres hoje reverencia e venera a Deusa. Elas a veem como o objeto maior de adoração, um ser cujo poder sobrenatural elas podem invocar por meio de antigos ritos e rituais. Para elas, a Deusa é a verdadeira face do sagrado e uma fonte sem paralelos de conhecimentos, sabedoria e entendimento. Embora os homens também possam se aproximar da Deusa, o pleno impacto espiritual de sua influência somente pode ser sentido pelas mulheres. Elas acreditam que somente elas tenham a psiquê necessária para se conectar aos mistérios da Deusa e compartilhá-los com o mundo. Elas também acreditam que, como criadoras da vida por meio da concepção e do parto, elas tenham uma responsabilidade de reconhecer a Deusa em todos seus aspectos, à medida que eles se manifestam por meio do grande ciclo do nascimento, morte e "renascimento".

A Deusa no Feminismo

As feministas modernas pegaram o conceito da Deusa e o usaram como um veículo, não somente para transmitir e popularizar os princípios feministas, mas para produzir entre a irmandade de mulheres um senso de comunidade espiritual, uma familiaridade baseada na experiência compartilhada delas do feminino. A Deusa — o feminino divino — é vista como uma realidade espiritual que imbui cada uma delas com sua essência e as eleva, por meio dos ciclos interconectados da jovem virgem, da mãe e da anciã, a um estado de plenitude e satisfação pessoal, o equivalente neopagão da salvação.

De que forma isto difere da feitiçaria tradicional? A maioria dos praticantes de Wicca diria que não difere, que isto é essencialmente o que a bruxaria sempre foi e o que busca. A maior diferença, se existe alguma, é que aqueles que veneram a Deusa em sua forma moderna fazem isso principalmente em seu aspecto benigno, enquanto que as bruxas reservam o direito de adorá-la tanto em seus aspectos benigno e odioso. Esses dois aspectos são referidos, algumas vezes, como Artêmis e Hécate. (A rigor, essas são divindades diferentes, mas entre elas, ambas incorporam toda a abrangência de poderes e privilégios associados com a Deusa neopagã.).

Zsuzsanna Budapest, uma bruxa de alto nível e com linhagem familiar de várias gerações, definiu um bruxo do seguinte modo:

"Um(a) bruxo(a) é um homem ou uma mulher que considera a terra um ser vivo, consciente e que respira — parte da família do vasto universo — a ser considerada e respeitada como o próprio Deus. Para ser um bruxo você tem de ver a si mesmo como parte de Deus, que está presente em nós e em todos os seres vivos, não separado." [The Grandmother of Time, 1989, pág. 57].

Esta é uma definição exata e reveladora. Ela mostra, em particular, que as feministas e bruxas estão se referindo à mesma entidade espiritual quando falam da Deusa. Isto se tornará mais aparente à medida que investigarmos o papel da Deusa no feminismo.

A Ascensão do Neopaganismo

A literatura feminista primitiva fazia referência à deusa, ou o divino feminino, e a vinculava com a terra-mãe, o mistério da fertilidade e os ciclos lunares. Entretanto, as feministas começaram a mergulhar seriamente na mitologia religiosa da Deusa somente com o surgimento do neopaganismo e da filosofia da Nova Era, nos anos 1960s.

À medida que o número de conciliábulos de feiticeiros nos EUA começou a aumentar, assim também aumentou a estridência do feminismo radical. Isto de forma alguma é surpreendente, pois muitas líderes feministas eram membros de grupos ocultistas, como a Wicca. Além disso, como observamos em um ensaio anterior (veja "O Movimento Feminista Tem Como Ícones de Liderança Transgêneros Homem-para-Mulher Que Odeiam as Mulheres Naturais"), muitas das principais teóricas do movimento eram transgêneros homem-para-mulher (por exemplo, Gloria Steinem, Betty Friedan, Kate Millett e Marilyn French). Esses indivíduos ardilosos semearam descontentamento generalizado entre as mulheres no mundo ocidental, insistindo que todas as formas de repressão que elas sofreram ao longo dos tempos podiam ser rastreadas até o Deus patriarcal da Bíblia.

O "problema" fabricado pela cabala feminista requeria uma "solução" radical, uma solução que pavimentasse a estrada até a Deusa. Este truque dialético, conhecido como "Tese-Antítese-Síntese", ou "Problema-Reação-Solução", é usado amplamente pelos arquitetos da Nova Ordem Mundial para moldar a sociedade da forma como eles desejam.

O princípio da Deusa foi então patrocinado e disseminado pelos níveis inferiores do Movimento Feminista — a irmandade de mulheres — via três avenidas principais:

(1) Obras Pseudo-Eruditas Que Atacavam o Deus da Bíblia:

A mais influente dessas obras pseudo-eruditas foi Beyond God the Father: Toward a Philosophy of Women's Liberation (Além de Deus o Pai: Por uma Filosofia da Libertação da Mulher), de Mary Daly, publicado inicialmente em 1974. Daly, uma lésbica declarada, provavelmente era um transgênero homem-para-mulher — veja fotos a seguir. Ela afirmava que uma mulher era somente uma "mulher simbólica" até que tivesse uma experiência sexual lésbica. Como uma teóloga católica bem-conhecida, que tinha lecionado durante muitos anos em uma faculdade jesuíta, ela usou sua posição de prestígio para subverter as freiras católicas nos EUA, levando muitas delas a adotarem o lesbianismo e a adoração à deusa. O papel dos jesuítas na promoção do feminismo radical deve ser observado. Daly estava no quadro de docentes temporários da faculdade jesuíta quando publicou seu primeiro livro altamente controverso, The Church and the Second Sex (A Igreja e o Segundo Sexo), em 1968, porém foi efetivada logo depois.

(2) Obras Pseudo-Eruditas Que Promovem a Deusa

Estas obras se propunham a mostrar que todas as civilizações antigas adoravam a deusa e a reverenciavam como a verdadeira autora da Criação.

Uma das mais influentes dessas obras foi The First Sex (O Primeiro Sexo), de Elizabeth Gould Davies, uma bibliotecária, que foi publicado em 1971. A autora tentou mostrar que nos estágios mais primitivos da história humana, as comunidades eram matriarcais em caráter, organizadas por mulheres e girando em torno delas. Elas adoravam a grande deusa e gerenciavam a sociedade em linhas profundamente igualitárias, em que a paz prevalecia e todas as vozes eram ouvidas. Isto chegou ao fim quando os homens começaram a adorar a divindade masculina vingativa e impuseram um sistema patriarcal revolucionário, caracterizado pela força e subjugação. A era idílica do matriarcado sempre benevolente chegou ao fim.

O livro era quase praticamente um compêndio de citações e anedotas históricas, a partir das quais ela fabricou uma versão em conto de fadas da história. Quase nenhuma de suas muitas asserções estava fundamentada por pesquisa científica autêntica. Discorrendo longamente em campos como arqueologia, antropologia, história antiga, religião, mitologia, etc., ela deu às leitoras ingênuas — especialmente aquelas que odiavam o sistema patriarcal rejeitado pelo feminismo radical — ampla abrangência para imaginarem uma versão alternativa da história humana. O título (O Primeiro Sexo), tinha mesmo a intenção de ser interpretado literalmente. A autora Davies argumentava que os primeiros humanos eram todos femininos e que o cromossomo Y apareceu somente a partir de uma mutação no cromossomo X da mulher: "No plano da natureza, o macho é apenas uma 'gônada glorificada'. A fêmea é a espécie." (pág. 329).

O livro dela deve ter vendido bem como uma obra de pura especulação — o que era — mas, incrivelmente, muitas de suas leitoras o encararam com seriedade. Algumas feministas de alto nível tinham lhe dado sua bênção, e isto já era o suficiente. Nenhum acadêmico de expressão endossou essa versão radical da história, mas esse fato foi considerado irrelevante.

Outra obra influente apareceu alguns anos mais tarde: When God Was a Woman (Quando Deus Era uma Mulher), de Merlin Stone, publicado em 1976. Embora ela não tenha utilizado os aspectos biológicos da obra de Davies, fez uso total da mesma mitologia matriarcal e história revisada da humanidade. Como Davis, ela também virou a Bíblia de cabeça para baixo. Enquanto a Bíblia nos diz que as tribos de Canaã estavam entregues às impiedades e depravações de todos os tipos, Stone argumentou que elas eram tribos adoradoras da deusa e amantes da paz, que tinham uma sociedade matriarcal feliz e democrática. Ela rejeitava a Bíblia como uma clara propaganda anti-deusa, escrita por homens que estavam determinados a substituirem a deusa por sua divindade masculina vingativa e, tanto quanto possível, apagar todos os registros de sua existência.

Aqui está como a feminista radical Carol Christ justificou o que Stone fez com a Palavra de Deus. Isto exemplifica bem a lógica excêntrica, que permite às feministas inventar fatos a partir do nada e alterar o passado da forma como quiserem:

"A decodificação de Stone do modo como a história do Gênesis transformou os símbolos sagrados da religião da Deusa em símbolos do mal podem ser ignorados pelos eruditos bíblicos até hoje, porém não podem ser refutados, porque estão baseados na Gestalt da história, não a interpretação das sutilezas dos significados de suas palavras." [Remembering Merlin Stone (1931-2011), 20/2/2012]

Robert Graves

Grande parte da mitologia da "mãe deusa" avançada pelas autoras Stone e Davies originou-se com Robert Graves, em sua obra excêntrica, The White Goddess (A Deusa Branca), de 1948. Ambas essas autoras reconheceram que eram devedoras a obra dele. Infelizmente, os eruditos que estão familiarizados com este campo de pesquisa já estavam cientes que nunca existiram sociedades matriarcais e adoradoras da deusa. O único exempo experimental oferecido pelas feministas — o assentamento conhecido como Catal Huyuk, no sul da Turquia — foi mostrado por arqueólogos experientes como não diferente de outros assentamentos daquele tempo, que adoravam divindades masculinas e femininas e eram governadas de forma muito parecida como as outras sociedades antigas. A sociedade matriarcal, amante da paz e exclusivamente adoradora da deusa, das feministas, era um mito total!

Não há nada novo nisto. Em dois ensaios anteriores ("Os Fatos em Torno do Faraó Aquenáton São uma Fabricação Para Solapar os Fundamentos Bíblicos do Monoteísmo" e "Eugenia, Híbridos e o Labirinto dos Illuminati"), mostramos que os britânicos inventaram a civilização "minoana" da antiga Creta e o estranho faraó egípcio Aquenáton, aparentemente para fazer avançar um relato alternativo e antibíblico da história no leste do Mediterrâneo. (Frequentemente, esses tipos de fabricações estão conectadas, de tal forma que uma dá credibilidade à outra. Pode ser por isto que Carol Christ realiza "Peregrinações da Deusa" na ilha de Creta.)

Para controlar as massas humanas, frequentemente somente é necessário modificar o passado e convencer as pessoas que a verdade é muito diferente do que elas tinham acreditado. Um mito é uma história que não tem base na realidade. Quando usado de modo sagaz para propósitos políticos, ele pode literalmente levar milhões a uma determinada direção. Hitler fez os alemães acreditarem no mito da supremacia ariana — inventada pelos ocultistas austríacos Guido Von List e Lanz von Liebenfels — e os transformou em uma máquina de guerra gigantesca que assassinou milhões de inocentes.

De forma muito parecida, os arquitetos da Nova Ordem Mundial montaram uma equipe de escritores para construírem uma nova filosofia da feminilidade baseada em um "fato" imaginário da história, a sociedade matriarcal amante da paz. Depois que a irmandade de mulheres mordeu a isca, o resto foi fácil. Elas acreditaram na mentira. O patriarcado seria derribado e substituído por anciãos iluminados pela Deusa que introduziriam uma era dourada de integralidade e auto-cura.

(3) Obras Que Advogam uma Forma Feminista de Feitiçaria Prática

O feminismo é normalmente visto como uma filosofia, em vez de uma religião, mas esta é uma visão errônea. Os fatos mostram o contrário. Isto é mais facilmente visto na rede de grupos pequenos em que as feministas, trabalhando juntas, tentam imbuir a si mesmas com o poder e espiritualidade da Deusa, um processo que algumas vezes é referido como "Chamar a Lua, ou Atrair a Lua" (Drawing Down the Moon é o título de uma obra influente de Margot Adler (1979). Esses encontros são religiosos no sentido pleno do termo, invocando meditação e transe, durante os quais a alta sacerdotisa do grupo (o conciliábulo) convida a Deusa tríplice, simbolizada pela lua, a entrar em seu corpo e falar por meio dela.

Alguém poderia pensar que as feministas teriam tomado medidas para disfarçar aquilo que estão fazendo, tanto para tornar o procedimento mais aceitável para as novatas e evitar publicidade adversa. Afinal, esses encontros eram obviamente wiccanos em caráter, baseados em exercícios e rituais criados por bruxas praticantes. Talvez algumas de suas líderes quisessem seguir uma rota mais lenta, porém algumas poucas figuras influentes decidiram se mover o mais rápido possível da fase 2, uma filosofia centrada na Deusa, para a fase 3, a adoração total à Deusa.

Zsuzsanna Budapest

A figura mais proeminente que estava por trás dessa iniciativa foi Zsuzsanna Mokcsay, uma bruxa de linhagem familiar da Hungria, que é melhor conhecida por seu nome na "arte", Zsuzsanna Budapest. (Tanto Merlin Stone e Carol Christ parecem ter usado nomes da "arte", como também Starhawk (Miriam Simos), que iremos discutir em breve.)

O primeiro livro dela, The Feminist Book of Lights and Shadows (O Livro Feminista das Luzes e Sombras), que apareceu em 1975, levou o Movimento Feminista à prática real de adoração à deusa. (O livro foi posteriormente expandido e renomeado como The Holy Book of Women's Mysteries (O Livro Sagrado dos Mistérios das Mulheres)). É claro que as líderes, como a própria Budapest, já eram praticantes experimentadas do ocultismo, mas esta foi a primeira vez que tentaram fazer a iniciação da irmandade das mulheres no círculo interno.)

Para Budapest, para um conciliábulo ser equilibrado, ele deveria possuir uma combinação em partes iguais de mulheres lésbicas e heterossexuais. Algumas de suas cerimônias eram essencialmente expressões modernas de antigos rituais xamanistas, mas ela frequentemente usava sangue menstrual real, ou sangue obtido de animais. Ela até mesmo realizava cerimônias em que fetos abortados eram oferecidos à deusa. Parte da irmandade de mulheres ficou perturbada por isto, mas as bruxas que controlam o feminismo nunca repudiaram a prática. Dificilmente elas poderiam fazer isto, pois a prática é central na "arte" e para a posição delas como praticantes do ocultismo. (Retornaremos a este aspecto posteriormente.)

Miriam Simos / Starhawk

A aceitação de Budapest e do sistema dela de Wicca no feminismo de corrente dominante tornou-se mais evidente por meio de uma de suas pupilas mais conhecidas, Miriam Simos, que adotou o nome da arte de Starhawk. A formulação específica dela da feitiçaria feminista, junto com sua incorporação da teologia da terra-mãe e seu uso engenhoso de técnicas de Nova Era para "invocar a lua", fez com que ela conquistasse um grande número de seguidoras. Provavelmente, ela é mais requisitada como palestrante pública e facilitadora em oficinas do que qualquer outra líder feminista.

A primeira obra que ela publicou sobre o tema feminismo, The Spiral Dance: A Rebirth of the Ancient Religion of the Great Goddess (A Dança da Espiral: Um Renascimento da Antiga Religião da Grande Deusa) (1979) , tornou-se um sucesso de vendas. Em sua introdução para a edição de vigésimo aniversário, em 1999, ela reconheceu que "existe muita controvérsia nos círculos acadêmicos em torno da história da Deusa", mas na lógica ridícula da Nova Era, declarou: "Escrevendo como uma bruxa, eu me senti livre para envolver minha imaginação em uma reconstrução do passado. Na realidade, os historiadores mais 'objetivos' fazem o mesmo; eles apenas não são tão claros a este respeito."

Ela até mesmo exorta suas alunas a jogarem o mesmo jogo do "vamos fazer de conta", a usarem técnicas de visualização para reconstruir o passado e "reimaginar" qualquer coisa que restrinja suas experiências da Deusa em seu interior.

A Cultura da Deusa Matriarcal Foi uma Invenção

Na edição de 1979 de The Spiral Dance, ela diz: "A redescoberta de antigas civilizações matrifocais nos deu um senso profundo de orgulho na capacidade da mulher de criar e sustentar uma cultura." Todavia, o seguinte é o mesmo que uma admissão que essas "antigas civilizações matrifocais" baseadas na Deusa, foram inventadas por feministas anteriores, para fazer avançar suas agendas radicais:

"Na realidade, isto simplesmente diz que a verdade da nossa experiência é válida, independente se tem raízes de milhares de anos, ou de trinta minutos, que há uma verdade mítica cuja prova é mostrada, não por meio de referências e notas de rodapé, mas no modo como ela desperta fortes emoções, mobiliza profundas energias da vida e nos dá um senso de história, propósito e lugar no mundo." [Simos/Starhawk, edição de vigésimo aniversário, 1999].

Em resumo, para estas pessoas a verdade é totalmente subjetiva. As feministas afirmam que têm o direito de imaginar quaisquer fatos históricos que se adequem ao seu propósito, que lhes permitam mobilizar suas "energias da vida" e produzir "fortes emoções". Esta confusão da fantasia com a realidade seria totalmente aceitável no Jardim de Infância, mas é uma questão de grande preocupação quando mulheres adultas usam esse tipo bizarro de raciocíno para justificar a matança de bebês nascituros, justificar a abolição do gênero, justificar a dissolução do matrimônio como uma instituição duradoura, justificar o lesbianismo e a promiscuidade sexual e rejeitar os fatos conhecidos da história como propaganda patriarcal.

Os leitores precisam se lembrar, ao considerarmos os ensinos de Simos/Starhawk, que esta mulher é uma bruxa. Em um mundo em que tantos estão iludidos pela terminologia da Nova Era, por sonhos utópicos e metáforas cósmicas, é fácil se esquecer que ela está ensinando "a antiga religião" de uma forma moderna. A feitiçaria é a manipulação da realidade por meio de encantamentos, rituais e técnicas imaginativas, por meio da magia da terra e a invocação de entidades espirituais. O fato que auto-proclamadas autoridades, como Simos/Starhawk, consigam fazer tudo isto parecer natural e até mesmo atraente, não nos deve impedir de reconhecer as trevas sobrenaturais em que toda a filosofia dela opera.

Tarô e Adivinhação

Um dos exemplos mais óbvios dessas trevas é o uso que ela faz das cartas do Tarô, que tem sido usadas pelos bruxos e ocultistas há séculos para buscar orientação de Lúcifer:

"Como a adivinhação é uma parte tradicional da Arte, decidi consultar as cartas do Tarô em busca de uma indicação do que esperar nos próximos dez anos. A carta que apareceu foi a Sacerdotisa, a Deusa da Lua, que se assenta entre os pilares da dualidade, guardando o véu dos mistérios. Interpreto isto como uma indicação que na próxima década iremos nos aprofundar na magia e nos mistérios, em explorações do espírito e de formas de conhecimento que ultrapassam o racional. Mas, como os mistérios da religião da terra não são separados deste mundo e desta vida, esse conhecimento aprofundado precisa nos levar para o serviço ativo da transformação." — Simos/Starhawk, The Spiral Dance.

Ela se refere aos dois pilares, mas deixa de mencionar que os pilares são chamados de Jaquim e Boaz. Esses dois pilares têm grande importância na Maçonaria. Todas as ramificações do ocultismo, incluindo a feitiçaria e a Maçonaria estão interconectadas.

A Antiga Religião

Ela declara alegremente que está ensinando a antiga religião, também conhecida como xamanismo:

"Mas a Feitiçaria é uma religião, talvez a mais antiga existente no Ocidente... A Antiga Religião, como nós a chamamos, está mais próxima em espírito das tradições nativas-americanas ou do xamanismo do Ártico. Ela não está baseada em dogmas, ou em um conjunto de crenças, nem em escrituras ou em um livro sagrado revelado por um grande homem." [Simos/Starhawk, The Spiral Dance].

Alguém poderia se perguntar o que passa nas cabeças das mulheres que veem uma continuidade racional entre os ideais feministas igualitários, dos anos 1960s, e a flagrante feitiçaria ensinada por Simos/Starhawk e tipos similares. Claramente, elas estão iludidas por "formas de conhecimento que ultrapassam o racional", para usar suas próprias palavras. Depois que uma pessoa abandona a racionalidade, pode ser levada a acreditar quase em qualquer coisa. Ela pode engolir uma proposição como a seguinte e ainda fingir ser racional: "O bruxo é um 'formador', um criador que dobra o invisível em uma forma e, assim, torna-se um dos Sábios, alguém cuja vida está imbuida com a magia." (The Spiral Dance). Deveríamos estar surpresos que a matança de uma criança nascitura seja vista como um ato sagrado por esse tipo de gente?

Panteísmo

Simos/Starhawk ensina o panteísmo, a unidade, ou interfusão, do divino com o físico:

"A Deusa tem infinitos aspectos e milhares de nomes — Ela é a realidade que está por trás de muitas metáforas. Ela é realidade, a divindade manifesta, onipresente em tudo na vida, em cada um de nós. A Deusa não está separada do mundo — ela é o mundo e todas as coisas que nele existem: lua, sol, terra, estrela, pedra, semente, o rio que corre, vento, onda, folha, galho, broto, flor, presas e garras, mulher e homem. Na feitiçaria, carne e espírito são uma coisa só." [The Spiral Dance].

Uma coisa é um xamã do Ártico, que sempre viveu nas supertições de seus antepassados, fazer uma declaração como esta, mas quando uma feminista moderna declara isto, propondo-se a reconciliar as necessidades das mulheres com os excessos da feitiçaria, deixamos o terreno da normalidade. Isto é indicativo do dano feito às mulheres hoje, por meio da propaganda feminista e da sua retórica de mudança de gênero, que tantos podem ler essa tolice e tentar seriamente aplicá-la em suas vidas.

As Mulheres como Seres Divinos

Como os gnósticos do passado, Simos/Starhawk afirma que os humanos são divinos, ou centelhas da divindade:

"Nunca é demais enfatizar o símbolo da Deusa para as mulheres. A imagem da Deusa inspira as mulheres a verem a si mesmas como divinas, nossos corpos como sagrados, as fases mutáveis das nossas vidas como sagradas, nossa agressão como saudável, nossa raiva como purificadora, e nosso poder para nutrir e criar, mas também para limitar e destruir quando necessário, como a própria força que sustenta toda a vida." (The Spiral Dance).

Esta é a nova religião da era moderna, em que o indivíduo é divino, uma lei em si mesmo. De fato, Simos/Starhawk espera ver essa nova religião propagando-se pelo mundo e envolvendo as mulheres de todas as nacionalidades e origens étnicas. Essas mulheres são energizadas pela Deusa em seu interior e veem seus corpos como vasos sagrados. Isto lhes dá o poder da vida e da morte — "nosso poder para nutrir e criar, mas também para limitar e destruir quando necessário".

Ela está reivindicando para as mulheres um direito divino de destruir a vida. É assim que o feminismo está usando a feitiçaria, "a antiga religião", para justificar o aborto, a destruição de crianças no ventre materno.

A Mentira da Reencarnação

Simos/Starhawk ensina o princípio arcano da reencarnação, que é frequentemente usado para justificar a matança de crianças nascituras:

"A morte não é um fim; é um estágio no ciclo que leva ao renascimento. Após a morte, dizem que a alma humana descansa na 'Terra do Verão', o País da Eterna Juventude, onde é renovada e prepara-se para nascer novamente. O renascimento não é considerado como a condenação para uma infindável e triste rodada de sofrimento, como em algumas religiões orientais. Em vez disso, é considerado o grande dom da Deusa, que é manifesto no mundo físico. A vida e o mundo não são separados da Divindade; eles são a divindade imanente." (The Spiral Dance).

Como toda alma vai para a "Terra do Verão" após a morte, descansa um pouco e retorna outra vez à Terra por meio do renascimento, então a morte é apenas uma passagem para outra existência. A mãe que mata sua criança nascitura na realidade não a está "matando"; ao revés, ela a está enviando para a Terra do Verão, onde será renovada e preparada para sua próxima encarnação. A criança, ela diz a si mesma, é "divindade imanente" e não pode morrer. Deste modo, a culpa de matar uma criança é atenuada.

A tragédia que está por trás de tudo isto, é claro, é que a reencarnação é uma mentira, possivelmente uma das maiores mentiras de Satanás. A alma não reencarna repetidamente ao longo de muitas vidas, de modo a ganhar experiência e crescer espiritualmente, como a Nova Era ensina. Como seres criados, esta é a vida que estamos vivendo hoje e, se morrermos sem estar reconciliados com o Deus maravilhoso que nos criou, viveremos dali para frente na eternidade sem Ele. A morte é uma realidade, uma finalidade física, o resultado final do pecado — o produto da rebelião do homem contra Deus. É por isto que o Filho de Deus tornou-se homem e morreu em nosso lugar. O Calvário nos coloca em liberdade. Cristo triunfou sobre o Maligno — o senhor das feitiçarias e das ciências ocultas — e tornou possível para cada um de nós receber o dom gratuito da salvação por meio da fé.

Algumas mães que abortaram seu primeiro filho, têm um choque poderoso quando nasce seu segundo filho. Elas percebem que ele (ou ela) não é sua primeira criança de forma alguma, mas a segunda, e que elas deliberadamente e sem sentido algum, mataram a primeira. Esta é uma compreensão verdadeiramente dolorosa, imersa na tragédia e sofrimento. Elas podem agora ver que sua primeira criança não era simplesmente um amontoado de células — uma das mentiras favoritas das feministas — e que ela não irá "reencarnar" em algum outro lugar na Terra.

Podemos nos perguntar quantos casos de depressão pós-parto devem-se a essa terrível compreensão.

Feitiçaria e Parto

O vínculo entre "a Arte" e o parto é surpreendentemente próximo: "A prática da Arte sempre esteve conectada com as artes terapêuticas, com o herbalismo e com o exercício da profissão de parteiro(a)" (The Spiral Dance). É mais fácil compreender a obsessão feminista com o aborto quando vemos o papel central da profissão de parteiro/obstetra na feitiçaria. Afinal, as parteiras eram as pessoas que nos tempos antigos decidiam qual criança iria viver e qual iria morrer.

Polaridade e Androginia

O ataque feminista ao gênero está baseado na rejeição ocultista dos distintivos entre macho e fêmea. Com diz Simos/Starhawk:

"As polaridades dos Princípios Masculino e Feminino não devem ser considerados como um padrão geral para seres humanos e mulheres individuais. Cada um de nós contém ambos os princípios; somos tanto masculino e feminino." (The Spiral Dance).

É por isto que a Nova Ordem Mundial está secretamente operando um programa mundial de transgêneros há muitos anos, transformando meninos de nascimento em meninas e transformando meninas de nascimento em meninos. Na cosmologia luciferiana, toda pessoa transgênero representa uma combinação dos dois gêneros. Eles são "tanto masculino e feminino", como Starhawk disse.

Como é difícil para a pessoa mediana discernir quando um indivíduo passou por um processo de transgenerismo, especialmente se a redesignação ocorreu no início da infância, poucas pessoas presumem o quão longe esse programa já avançou. O mundo está cego para o fato que as admiradas beldades da indústria do cinema em Hollywood são homens feminizados, não mulheres naturais, que os ícones sinuosos das passarelas da moda e das capas de revistas são homens feminizados, não mulheres naturais, e que as mulheres políticas de aparência estranha, que exercem o poder em muitos países ocidentais, são homens feminizados, não mulheres naturais.

O ocultismo coloca grande importância na fusão e intercâmbio de polaridades, o equilíbrio eterno do yin e yang, masculino e feminino, bom e mau. Eles veem o Deus da Bíblia como um ser mau que criou o homem de modo a escravizá-lo, enquanto que Lúcifer é considerado como o Anjo de Luz que tentou liberar a humanidade. A serpente no Jardim do Éden é vista como o verdadeiro salvador, enquanto que Deus, o Pai, é rejeitado como um escravizador. Eles rejeitam Jesus como meramente um curandeiro talentoso, um indivíduo um tanto ingênuo, que conhecia as artes ocultistas e que tentou compartilhá-las com as massas ignorantes.

O Espírito do Anticristo

Muitos que leem e admiram os livros de Simos/Starhawk deixam de ver que os ensinos dela estão carregados com o espírito do Anticristo, que a alta sacerdotisa da feitiçaria despreza o Cristianismo e que eles nunca descansarão até que tenham derrubado a ordem natural estabelecida por Deus. Não haverá espaço na Nova Ordem Mundial para os cristãos que creem na Bíblia. A deusa Artêmis é retratada por eles como um ser beneficente, mas eles nunca negam que ela abriga um lado tenebroso, que pode lançar chamas de tempos em tempos, com intensidade destrutiva. Como observamos anteriormente, esta é a Deusa em seu aspecto como Hécate, aquela que é cheia de ira. Como Artêmis, ela permite que a maioria das crianças viva, mas como Hécate, exige que algumas devam morrer. Isto é tudo parte da grande polaridade cósmica da vida e da morte, que não somente justifica o aborto, mas que o exige. Como expressou Zsuzsanna Budapest: "O aborto é a prerrogativa da Mãe das Trevas." (The Grandmother of Time, 1989, pág.127).

Para que a Nova Ordem Mundial seja bem-sucedida, o aborto precisará ser livremente disponível em todos os países. Não poderão existir exceções. Eles usarão todas as mentiras e engodos em seu arsenal das trevas para garantir que o povo irlandês aprove o aborto em 2018.

Invocação de Entidades Espirituais

O espiritualismo é endêmico na feitiçaria e os conciliábulos realizam rituais regularmente para invocar as potestades do ar. Simos/Starhawk descreve esse tipo de ritual: Segurando e erguendo bem alto seu punhal, sua faca sacrificial consagrada, a sacerdotisa do conciliábulo saúda o céu e recita a seguinte invocação:

"Saudamos-vos, Guardiões das Torres de Vigia do Oriente,
Potestades do Ar!
Nós te invocamos e chamamos,
Águia Dourada da Alvorada,
Que buscas as estrelas,
Redemoinho,
Sol Nascente,
Venha!
Pelo ar, que é o
fôlego dela, envia a tua luz,
E sê presente aqui agora!" (The Spiral Dance)

O que exatamente são as "potestades do ar"? O apóstolo Paulo nos diz:

"E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência." [Efésios 2:1-2].

Se o príncipe das potestades do ar é Satanás, então as próprias potestades são as entidades demoníacas que o servem. A Palavra de Deus está a nos dizer que a feitiçaria é governada por Satanás, o príncipe das potestades do ar. Embora muitos bruxos de magia branca façam objeções a isto, afirmando que trabalham unicamente para o bem da humanidade e que não servem nem a "Lúcifer" nem a "Satanás" (nomes diferentes para a mesma entidade), eles não negam que invocam as potestades do ar. Talvez eles já saibam que as potestades do ar estão sob o controle de Satanás e preferem não compartilhar este fato como mundo exterior, ou talvez estejam genuinamente enganados pelo Grande Enganador.

Essas "potestades", ou espíritos, exigem sacrifícios de tempos em tempos. É por isto que, para uma sacerdotisa na bruxaria, o símbolo mais potente de sua posição é seu punhal, a faca "sagrada" que ela usa para matar a vítima.

Simos/Starhawk nega que isto envolva sacrifício humano, mas ao mesmo tempo observa que duas das mais respeitadas autoridades nos assuntos da Deusa, Robert Graves e Joseph Campbell, disseram o contrário. Ela até mesmo cita este último: "... o sacrifício humano... é em toda a parte característico da adoração à Deusa." (The Masks of God, pág. 160)

Viagem Astral

Starhawk também ensina a viagem astral, em que o praticante realiza uma viagem mística para fora de seu corpo físico. Muitos consideram isto como um aspecto fundamental da feitiçaria de alto nível:

"O corpo astral pode ser projetado para longe do corpo físico. A consciência não está amarrada pelas limitações dos sentidos físicos. As experiências fora do corpo podem ser vividamente sensuais, ou podem simplesmente envolver consciência sem vista ou som." (The Spiral Dance).

As pessoas que se envolvem nesta prática podem cair rapidamente sob a influência direta de entidades espirituais e se tornarem vulneráveis a todos os tipos de ataques psíquicos e opressão ocultista (veja nosso ensaio intitulado "Reiki, o Ocultismo e os Ataques Psíquicos").

A Conexão Irlandesa

Nos EUA, milhares de crianças nascituras são mortas anualmente pelo matadouro industrial conhecido como Planned Parenthood. Já há muito tempo doutrinados e dessensibilizados pela propaganda feminista, a maioria dos cidadãos americanos deixa de ver o propósito espiritual tenebroso que está por trás desse barbarismo. É duvidoso que uma pessoa em cada cem reconheça o papel exercido nessa carnificina executada em clínicas pela obsessão feminista com a Deusa.

Os escritos de Miriam Simos (Starhawk) e outras como ela revelam a importância do aborto na feitiçaria. Isto é conhecido há muito tempo a respeito da feitiçaria tradicional, mas os escritos delas confirmam que essa mentalidade ainda opera hoje com o mesmo veneno que operava nos tempos antigos.

A entrevista no YouTube com Abigail Seidman no documentário de múltiplas partes Abortion Matrix, apresenta uma compreensão assustadora do relacionamento entre a adoração à Deusa e a indústria do aborto nos EUA. A maior parte dos funcionários na clínica dela era praticante de Wicca. Seidman confirmou que muitos deles viam o aborto como um ato ou um rito sacramental de iniciação. Ela menciona uma funcionária que engravidava toda primavera, realizava um aborto todo outono e depois realizava uma celebração wiccana.

A impiedade que está por trás disso tudo é verdadeiramente horrível, porém o povo irlandês está sendo solicitado pelo governo a remover um artigo na Constituição que protege as crianças nascituras e colocar sua confiança em um regime legislativo que posteriormente será usado para facilitar o aborto a pedido. Os porta-vozes do governo afirmam que a proibição existente contra o aborto viola os "direitos" das mulheres, particularmente nos casos em que a continuação da gravidez da mãe representaria uma ameaça material à vida dela. Entretanto, como a Constituição já dá reconhecimento igual ao bem-estar da mãe, essa objeção é espúria.

O Aborto como um Sacrifício à Deusa

Uma acadêmica feminista bem-conhecida, a professora Ginette Paris, publicou um livro em 1992 — The Sacrament of Abortion (O Sacramento do Aborto) — que permitiu que o gato saísse da bolsa. Embora a irmandade de mulheres pudesse de fato ver que feministas proeminentes, como Budapest e Starhawk estavam ensinando, de uma forma codificada, que o aborto era um rito sagrado, elas empacaram diante da franqueza mostrada pela autora Paris.

As doze citações seguintes do livro delas são um resumo perturbador da mentalidade pagã tenebrosa que domina o Movimento Pró-Escolha e engana as jovens mães vulneráveis, levando-as a matar seus próprios bebês. Verdadeiramente, pode-se dizer que quando um homem enlouquece, ele mata outras pessoas, mas quando uma mulher enlouquece, ela mata seus próprios filhos.

"Recebi inspiração em todo este livro de uma imagem orientadora, a Artêmis da mitologia grega (conhecida pelos romanos como Diana, a Caçadora). Ela é uma Deusa indomada..." (pág. 1).

"Este livrinho desenvolve a ideia que o aborto é um ato sagrado, que é uma expressão da responsabilidade materna e não um fracasso do amor materno." (pág. 8).

"Quando as mulheres decidem abortar, elas fazem isso por questão de princípios que não são diferentes daqueles invocados por aqueles que criam as guerras: liberdade, autodeterminação, questões de dignidade tão importantes quanto a própria sobrevivência de uma pessoa." (pág. 25).

"A guerra é muito mais irracional e excessiva do que exercer o direito ao aborto, e o poder da morte esteve exclusivamente nas mãos dos homens por tempo demais... a antiga Deusa Artêmis nos convida a imaginar uma nova alocação dos poderes de vida e morte entre homens e mulheres..." (pág. 26-27).

"Tanto Artêmis e Hécate, que sempre está vestida de preto, têm um tom severo que descarta o romantismo pastoral e equilibra o lado generoso das Deusas nutrizes." (pág. 33).

"Artêmis tinha uma reputação de gostar de sacrifícios de sangue, incluindo sangue humano, desde a mais antiga história religiosa registrada da Grécia, uma prática que deu ao paganismo uma má reputação... o aborto é um tipo de sacrifício..." (pág. 34).

"Ela (Artêmis) é uma Deusa pagã, porém é a personificação dos valores absolutos, da pureza a qualquer preço, a qualidade que leva inevitavelmente ao martírio." (pág. 43).

"... o controle da natalidade e o aborto podem ser a expressão de uma forma altamente evoluída da consciência feminina, não simplesmente um ato egoísta, e que a estabilidade da comunidade humana pode depender do exercício e do aperfeiçoamento dessa conscientização." (pág. 53).

"Na maioria das religiões da Deusa, um raciocínio similar é aplicado ao feto e ao recém-nascido. É moralmente aceitável que uma mulher que dá a vida também possa destruir a vida sob certas circunstâncias, embora existam restrições sobre o uso desse poder e sempre há um limite de tempo dentro do qual deve-se chegar à decisão." (pág. 53).

"Não é imoral escolher o aborto; é simplesmente outro tipo de moralidade, uma moral pagã. É hora de parar de ser defensivo sobre isto, tempo de apontar um dedo acusatório para o outro lado e denunciar sua própria posição imoral." (pág. 56).

"Nossa cultura necessita de novos rituais, bem como de leis para restaurar para o aborto sua dimensão sagrada, que é tanto terrível e necessária." (pág. 92).

"O aborto como um sacrifício a Artêmis. Aborto como um sacramento — para o dom da vida permanecer puro." (pág. 107).

Uma Prioridade Urgente para o Governo Irlandês

A razão real para a urgência no nível do governo pode ser rastreado até a Nova Ordem Mundial. Os gnósticos e maçons "iluminados" que controlam o sistema bancário mundial e as grandes empresas multinacionais também controlam a mídia e o governo na maioria, se não em todos, os países ocidentais. George Soros e seus amigos não estão contentes com taxa muito baixa de abortos na Irlanda, que está em desacordo com os padrões internacionais. As mulheres irlandesas simplesmente não estão matando um número suficiente de crianças nascituras. A "absurda arrogância" deles (nas palavras de Sir Nigel Rodley) não pode mais ser tolerada.

Para uma compreensão de tudo isto, veremos um membro-chave do governo irlandês, Katherine Zappone. Como Ministra de Estado no Departamento da Saúde, com responsabilidade por Questões da Criança e da Juventude, ela está exercendo um papel influente na campanha do governo para impor o aborto sobre o povo irlandês. A Dra. Zappone é uma acadêmica americana de origem irlandesa, a quem o primeiro-ministro anterior, Enda Kenny, nomeou para a Câmara Alta do Parlamento em 2011. Em outras palavras, ela foi trazida de fora e recebeu um cargo de prestígio por vontade e decisão de uma única pessoa. (Dentro da lei irlandesa, o primeiro-ministro pode indicar um certo número de indivíduos para a Câmara Alta, a partir de qualquer esfera de atuação, por sua própria decisão). Mais tarde, ela ganhou um assento na Câmara Baixa e foi indicada para seu atual cargo ministerial. A Dra. Zappone foi a primeira mulher declaradamente lésbica a se tornar membro do Parlamento e a primeira a ter um "casamento" com alguém do mesmo sexo (realizado no Canadá).

A Dra. Zappone

Não temos um comentário particular a respeito das informações dadas a seguir sobre a Dra. Zappone. Elas são puramente factuais. Simplesmente convidamos os leitores a decidir por si mesmos se isto tem alguma relevância para as questões já discutidas. Entretanto, queremos observar que grande parte dessas informações serão novidade para a vasta maioria dos cidadãos irlandeses em idade de votar.

A Dra. Zappone, que nasceu no estado americano de Washington, em 1953 e recebeu seu doutorado no Boston College, tornou-se cidadã irlandesa em 1995. Ela lecionou Teologia Prática durante alguns anos no Trinity College, em Dublin, e durante certo tempo foi executiva-chefe do Conselho Nacional de Mulheres da Irlanda. Durante o tempo em que integrou a Câmara Alta do Parlamento, ela exerceu um papel ativo em promover a Lei de Reconhecimento de Gênero e atuou de forma proeminente na campanha a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ambas as leis foram aprovadas em 2015.

Em 1991, a Dra. Zappone publicou um livro sobre a espiritualidade feminista, intitulado The Hope of Wholeness: A Spirituality for Feminists (Twenty-Third Publications, Connecticut). Nele, ela citou extensivamente e com muita aprovação obras de autoras feministas que acreditam firmemente no princípio da Deusa, notavelmente Miriam Simos (Starhawk). Ela também endossou fortemente a obra de Mary Daly. No prefácio do livro, ela diz: "A sensibilidade, generosidade e admirável vastidão e profundidade da visão de Mary Daly forneceram uma fonte inesgotável para este livro."

A Dra. Zappone usa a palavra "tealogia" em vez de teologia em todo o livro para mostrar que seu foco está na Deusa. O livro inteiro está dedicado a exaltar a Deusa, incluindo imagens da deidade e espiritualidade baseadas na feitiçaria tradicional.

"Portanto, os símbolos sagrados — especialmente o símbolo do 'Pai Deus' — precisam ser criticados ou desconstruídos para que as mulheres possam descobrir a liberdade social e viver um relacionamento com a divindade que apoia o processo próprio delas de se auto-tornar." (pág. 17).

"Isto permite-lhes criticar a supressão da imagem feminina de Deus com autoridade e desafiar a superioridade do homem dentro da história sagrada." (pág. 21).

"As tealógas feministas também acreditam no valor do diálogo entre a atual consciência feminista e a tradição religiosa. As antigas tradições da feitiçaria e da adoração à Deus fornecem ricas fontes para as reflexões tealógicas delas." (pág. 21).

"Toda forma de espiritualidade feminista que estamos considerando rejeita um paradigma dualista da realidade... Starhawk descreve isto como uma consciência da imanência: 'a consciência do mundo e de tudo nele como vivo, dinâmico, interdependente, interagindo e embuído com energias que se movem: um ser vivo, uma dança entrelaçada.'"

"Elas (as feministas) todas insistem que o "Pai Deus", o Todo-Poderoso, masculino, absolutamente outro e trancendentalmente supremo, precisa ser rejeitado para que os modelos de relações hierárquicas e dominadoras sejam erradicados do mundo." (pág. 26).

"Como Dorothy Söelle comenta de forma astuta: 'Nosso próprio poder é destruído quando Deus é imaginado como o Pai poderoso ou até onipotente.'" (pág. 30).

[Söelle foi uma teóloga marxista alemã, que cunhou o termo Cristofascismo.]

"[Mary] Daly acredita que esta nova linguagem [dos símbolos sagrados] encorajará as mulheres a pensarem além do espaço e tempo patriarcal e agirem para trazerem à lembrança seus Eus partidos e permitirem o equilíbrio harmonioso da terra, ar, fogo e água."

[Editor: Com relação a esta última ideia, Starhawk descreve um exercício realizado por um conciliábulo de bruxas: "Os Guardiões das Torres de Vigia" são formas de energias, ou os espíritos dos quatro elementos. Eles trazem a energia elemental da terra, ar, fogo e água para dentro do círculo, para aumentar nosso poder humano. O vórtex de poder criado quando invocamos as quatro direções guarda o círculo de instrusões e atrai os poderes mais elevados da Deusa e Deus." — The Spiral Dance]

"Participei de rituais feministas cristãos, rituais facilitados por Starhawk e rituais com Mary Daly, onde celebramos a presença da terra, fogo, ar e água e nossas próprias vidas. Guiei e fui guiada por meditações imaginativas que sararam as outras e me sararam também. Estas experiências, e muitas outras experiências pessoais me convencem da necessidade tanto de transformação radical e a substituição criativa dos símbolos sagrados patriarcais." (pág. 33).

"Elas [as teálogas feministas] fazem uso do trabalho dos antropólogos, arqueólogos e historiadores que estão estabelecendo evidências das culturas em que as mulheres e homens eram valorizados igualmente, havia pouco vestígio de atividade guerreira e a Deusa (em várias formas) era adorada como suprema." (pág. 36).

"Como as outras teálogas, Starhawk entrelaça as histórias da Deusa com sua própria experiência de lutar pela liberdade e integralidade no mundo. Ela ajunta os registros sagrados da religião Wicca e interpreta o significado deles por meio da experiência contemporânea do ritual feminista e atividade política a favor da paz." (pág. 37).

"Como as teálogas, Daly prefere não se lembrar das histórias bíblicas como uma fonte para a espiritualidade feminista. Ela julga que essas memórias somente podem 'destruir a memória ancestral das mulheres', paralisar suas imaginações e prendê-las às atividades que as deixam em pedaços." (pág. 38).

"... nas jornadas com outras feministas, descobri que as histórias sagradas das religiões da Deusa afetam minha imaginação de um modo que a história de Jesus nunca fará. As narrativas da Deusa, hinos e imagens dela inequivocamente simbolizam o poder e bondade da mulher." (pág. 39).

"A maioria dos autores fala de uma energia original e sustentadora distinguível, porém essencialmente conectada com a humanidade e com tudo na criação. Isto tem diferentes nomes: Mãe-Terra, Deusa, a 'força da vida do universo', o Um. As mulheres afirmam que essa energia é imanente na vida e que a união experimentada que elas têm com ela lhes permite agir sabiamente consigo mesmas e com o restante do universo." (pág. 41).

"... estou convencida que é extremamente urgente para as mulheres com poder social declarar a sacralidade do corpo da mulher." (pág. 62).

"A tealogia feminista declara que somos o corpo vivente do sagrado; a Deusa está dentro de nós. Mary Daly escreve a respeito da centelha divina no Eu de cada mulher." (pág. 84).

"Mary Daly, Starhawk, Carol Christ e as mulheres que elas representam argumentariam que os elementos regressivos do símbolo 'Deus' têm sido tão destrutivos em suas próprias vidas e sociedade que seus elementos progressivos estão falidos." (pág. 98). "Nenhum Deus transcendente tem o poder de fazer parar o ciclo de destruição que os seres humanos estabeleceram. Na visão de Starhawk, essa noção de um 'Deus salvador' precisa ser substituída por um senso do Sagrado que nos leve a assumir nossa própria responsabilidade em sarar a Terra. O Sagrado está aqui, aguardando para nós trabalharmos com ele no projeto da recriação. Além disso, o Sagrado é melhor representado como feminino." (pág. 143).

Conclusão

Os cidadãos da Irlanda — 5 de cada 7 pessoas — provaram conclusivamente em 22 de maio de 2015 que não têm mais respeito algum pelos valores bíblicos. Eles decidiram modificar uma instituição que existe há milhares de anos, imaginando que um homem possa se casar com outro homem e que uma mulher possa se casar com outra mulher. Nem mesmo na antiga Roma, em que a depravação era lugar-comum, uma parceria homossexual tinha o mesmo reconhecimento na lei que o casamento entre um homem e uma mulher.

Não pode haver dúvidas que vivemos agora "no meio de uma geração corrompida e perversa" (Filipenses 2:15).

A Irlanda Não Tem Mais uma Bússola Moral

A opinião pública foi manipulada do modo mais cínico possível por meio da mídia, até o ponto em que a maioria das pessoas não tem mais uma bússola moral. O governo está explorando isto ao máximo, empurrando um novo artigo na legislação após o outro, com a certeza que uma nação espiritualmente cega irá humildemente aquiescer. Os políticos aprovaram a Lei de Reconhecimento de Gênero em 2015, que permite que um homem altere seu gênero legal, incluindo o gênero registrado em sua certidão de nascimento. Na Irlanda hoje, não existe mais uma distinção jurídica fixa entre homem e mulher. Isto, por sua vez, está destruindo a estrutura básica que define uma família normal — marido, esposa, pai, mãe, filho, filha. O pai e marido é reduzido a um cuidador e parceiro, como também é a mãe e esposa, enquanto que seus filhos e filhas poderão se tornar filhas e filhos em alguma data futura. Esta perversão da ordem natural seria vista como impensável somente dez anos atrás, porém agora é a nova lei do país.

O governo também aprovou a Lei das Crianças e Relacionamentos de Família, em 2015, que introduziu mais uma perversão da ordem natural, o conceito jurídico legal do "pai intencional". Isto dá a dois homossexuais o direito de reivindicar um interesse de serem pais de uma criança concebida por uma mulher com quem nenhum dos dois homens tem qualquer tipo de relacionamento familiar ou conjugal. Os direitos naturais da mãe de nascimento são suplantados, se não extintos, pela declarada intenção dos dois homossexuais de assumirem o papel de pais depois que a criança nascer.

Aborto a Pedido

Estamos agora no estágio em que o governo está confiante que possa legalizar o aborto na Irlanda e se mover rapidamente para uma situação em que clínicas de aborto sejam livemente disponíveis, como são em outros países europeus. Para fazer isto, o governo precisa convencer o povo irlandês a repelir o Oitavo Aditamento na Constituição, que diz: "O Estado reconhece o direito à vida do nascituro e, com a devida consideração ao mesmo direito à vida da mãe, garante em suas leis o respeito e, tanto quanto for praticável, por suas leis defende e exige esse direito."

A estratégia do governo baseia-se em grande parte na indignação feminista. A mídia na Irlanda está há vários anos promovendo a ideia que um homem, incluindo o pai do filho da mulher, não tem o direito de dizer à mulher como ela deve gerenciar sua fertilidade. O corpo dela é dela somente. O que ela faz com seu corpo é assunto dela. Ela não pode ser forçada por leis patriarcais antigas a continuar com uma gravidez que ela não buscou nem planejou. Qualquer tentativa de questionar isto é respondida com um novo derramamento de indignação feminista.

A Grande Mentira Feminista: A Criança Nascitura É um Amontoado de Células

Até aqui a mídia foi bem-sucedida em desviar a atenção das necessidades e direitos da criança nascitura. O menino ou menina nascituro é considerado como pouco mais do que um amontoado de células até o ponto na gestação em que a mãe decide que irá carregar a criança até o fim da gravidez. Em certo sentido, o nascituro somente se torna uma pessoa depois que a mãe toma essa decisão. Até aquele dia fatídico, o nascituro continua a existir como uma massa impessoal de células.

Isto se encaixa perfeitamente com a filosofia da maternidade ensinada na bruxaria. Ela é totalmente pagã. A Deusa que está no interior da mulher a leva, em algum ponto, a dizer "Sim!" à vida. Entretanto, em seu aspecto odioso, a Deusa pode ocasionalmente decidir que a resposta seja "Não!" Se for verdadeira a si mesma, a mãe precisa honrar esse impulso espiritual e abortar a criança.

Autoras como Miriam Simos (Starhawk), Mary Daly, e várias feministas adoradoras da Deusa, para não mencionar os conciliábulos de bruxos no sul da Califórnia, armaram o cenário para o vindouro referendo. Em um sentido muito real, Satanás os está usando para lançar um encantamento sobre o povo irlandês. O povo verá que a vida da criança nascitura vem de um Criador amoroso, o mesmo Deus e Pai a quem as feministas rejeitaram, ou imaginarão, em sua tolice (e arrogância) que a Deusa da feitiçaria determinou que a criança existisse por meio de seus poderes mágicos?

"Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos." [Lucas 17:2].

"Porventura o trono de iniquidade te acompanha, o qual forja o mal por uma lei? Eles se ajuntam contra a alma do justo, e condenam o sangue inocente." [Salmos 94:20-21]



Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu
Data da publicação: 14/11/2017
Transferido para a área pública em 2/4/2020
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/deusa-2.asp